Segunda-feira, 25 de Junho de 2018

«O GRITO DA HISTÓRIA»

 

Diz Donald Trump: «A imigração ilegal traz crime, drogas e violência».

 

Diz o indígena americano, o verdadeiro dono das terras americanas:

«Eu sei

 

TRUMP.jpg

 Fonte:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10216915814472059&set=a.1396652480781.159493.1366314054&type=3&theater

 

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publicado por Isabel A. Ferreira às 11:45

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Quarta-feira, 30 de Maio de 2018

É PREFERÍVEL APOIAR BÊBADOS DO QUE ACTIVIDADES TAUROMÁQUICAS

 

 

Recebido via e-mail, para reencaminhar e enviar o texto para os seguintes endereços:

scc@cntralcervejas.pt; relações.institucionais@centralcervejas.pt; serviço.cliente@centralcervejas.pt

C/C: info@animal.org.pt

 

 

SAGRES.png

 

 

À Administração da Central de Cervejas:

 

Exmos. Senhores,

 

Tenho constatado que a SAGRES / Central de Cervejas tem, apesar de muitos protestos ao longo dos anos, escolhido manter a associação da sua marca às touradas ao invés de ter o cuidado de o não fazer, sendo que, entre muitos outros apoios, figura, este ano, como patrocinadora da Feira de Maio da Azambuja, uma feira que promove a violência, uma vez que a tauromaquia é, apenas, violência.

 

Apesar de estes serem eventos aberrantes, proibidos em quase todo o mundo, à excepção de 8 países, considerados por um tribunal como cruéis e susceptíveis de influírem negativamente na construção e desenvolvimento da personalidade de crianças e adolescentes, de haver uma recomendação do Comité dos Direitos das Crianças da ONU que pede o afastamento de crianças e jovens de tais espectáculos, e de , cada vez, serem mais as pessoas que rejeitam este tipo de actividade, a SAGRES / Central de Cervejas não tem evoluído.

 

Vivemos numa economia de mercado, livre, em que há muita concorrência e em que, enquanto umas empresas se colocam comercial e publicitária do lado do que é violento e socialmente aberrante, como a SAGRES / Central de Cervejas está a fazer, outras há que se colocam do lado certo.

 

Assim, venho uma vez mais pedir a V. Exas. para que ponderem cessar o V. apoio a este tipo de actividade violenta e cruel, sob pena de, não o fazendo, boicotar totalmente as vossas marcas, preferindo outras concorrentes que se opõem a exercícios medievais e violentos como são as touradas!!

 

Quero acreditar que a V. empresa possa estar, hoje, mais aberta a mudar e a estar do lado da Ética, e, dessa forma, receber o apoio de muitos mais clientes, mudando a sua postura. Seria excelente que assim fosse e demonstraria uma postura respeitável e merecedora de todo o apoio.

 

Aguardando por uma resposta de V. Exas, que, espero, seja positiva, despeço-me,

 

Com os melhores cumprimentos,

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:56

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Terça-feira, 22 de Maio de 2018

«DA VIOLÊNCIA DAS TOURADAS À EDUCAÇÃO VIOLENTA: UMA PERSPECTIVA PSICOLÓGICA»

 

Um magnífico texto (longo mas muito elucidativo) que todos os deputados da Nação devem ler, pormenorizadamente, para saberem que, ao apoiar legislativamente as touradas estão a contribuir para a deformação mental das crianças envolvidas neste mundo de crueldade e violência e tortura gratuitas, mas também a alimentar os instintos sádicos dos adultos, e a negligenciar a saúde mental de uma franja da sociedade portuguesa, ainda que minoritária.

E esta não é, de todo, a função dos governantes.

No final, encontram muita bibliografia para se esclarecerem.

Quero lembrar que só é ignorante quem opta por ser ignorante, porque informação não falta.

 

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 A exposição de crianças a cenas de violência, ao vivo ou através de meios mediáticos, pode até contribuir para fazer-lhes baixar o nível intelectual, a habilidade para a leitura (Delaney-Black et al., 2002), além de todos os inconvenientes para a sua formação ética e emocional…

 

 

Texto do Professor Dr. Vítor José F. Rodrigues

 

A Tourada como Narrativa

 

O que é uma tourada vista objectivamente e de fora? Um espectáculo de massas onde se destacam alguns aspectos: (1) estética e ritual. Os trajes dos protagonistas, com a sua cor, brilho e o carácter invulgar, a beleza dos cavalos e dos seus movimentos, os desfiles, a música, têm certo apelo e, para muitas pessoas, são agradáveis de ver; (2) violência. O touro, os touros, são espicaçados para desenvolverem um comportamento agressivo. Os toureiros, forcados e outros, exibem agressividade face ao touro, ora provocando-o, ora ferindo-o, ora agarrando-o. O sangue torna-se evidente, escorrendo da pele do animal; (3) perigo. Não falemos no touro, cujo destino, após ser literalmente torturado em público, é uma morte dolorosa. Os restantes protagonistas das touradas colocam-se a si mesmos em risco para poderem exibir habilidade e coragem e, por vezes, são colhidos e podem ficar feridos ou morrer; (4) ruído, aplausos, entusiasmo. A multidão reage, aplaude, entusiasma-se quando o touro é ferido por bandarilhas seja no toureio a pé ou a cavalo.

 

Qualquer espectador de uma tourada assiste a um evento onde, de certo modo, o touro é o vilão que deve ser derrotado pelo toureiro, que se expõe ao perigo representado por este “vilão”. Muitos aplaudem os momentos em que a pele e carne do touro vão sendo cravadas pelas farpas, que produzem sangramento evidente. Toda a sequência da tourada está fortemente ritualizada e tem momentos específicos antes de depois da “luta com o touro”. De certo modo, a tourada conta uma história. Nessa história, uma grande besta malvada (o touro) confronta-se com heróicos lutadores (os toureiros) que podem e devem atacá-lo com farpas. O touro investe, após ser espicaçado e provocado, de certo modo parecendo “justificar” a violência dos toureiros. Após algum tempo, o touro derrotado é morto ou simplesmente retirado do recinto (o que acontece depois passa-se fora do olhar da multidão). O toureiro bem-sucedido passeia-se pela praça e recebe os aplausos da multidão. Como salienta Murray (1985), nós somos contadores de histórias e gostamos de encontrar sentido na nossa própria história pessoal. Não é por acaso que as crianças gostam tanto de ouvir ou ler histórias. O próprio conceito de identidade, que vamos construindo ao longo da vida, não é estático: implica o conceito de nós mesmos, com a nossa experiência de vida, desenrolando-se através do percurso biográfico. O modo como nos comportamos implica, de resto, conceitos acerca do que é adequado fazer em cada situação sendo que, por sua vez, cada situação é “narrada” para nós mesmos de determinada maneira que passa pela experiência de vida e pelas “histórias” a que vamos sendo sujeitos. Por exemplo, quando vamos a um restaurante, existe uma “história” subjacente. Nessa “história”, temos a expectativa de que iremos encontrar mesa, sentar-nos, ver o menu, talvez dialogar com um empregado, escolher uma refeição, aguardar que a tragam, comer (mesmo aí havendo modos de comer ritualizados) e, no fim, pedir a conta, pagar e sair. Não costumamos, por exemplo, imaginar que iremos dirigir-nos à cozinha, apontar uma arma ao cozinheiro-chefe e exigir-lhe peru estofado. As histórias que vamos aprendendo a contar acerca da nossa vida e das vidas dos outros são extremamente importantes para que o nosso mundo faça sentido.

 

A mais que dúbia intenção pedagógica das Touradas

 

Retomemos o assunto das touradas. É fácil ver, por lá, pessoas de ambos os sexos e das mais variadas idades – incluindo crianças e adolescentes. O impacto pedagógico e psicológico deste último facto merece consideração. Alguns apologistas das touradas (para uma ampla revisão, ver o texto de Paul Hurt, 2012) costumam invocar a seu favor, entre outros argumentos: a) a vantagem de perpetuar uma tradição que tem muitas raízes históricas; b) o facto de estarem a exibir violência, que pode ser útil na preparação das crianças para um mundo violento e c) o carácter “artístico” das touradas. Vamos discutir um pouco cada um destes temas.

 

 a) Tradição e raízes históricas?

 

 

Diz-se que a tradição representa a alma dos povos e que, fazendo as touradas parte da alma de alguns (Português, Espanhol, Mexicano), devem ser perpetuadas e não erradicadas. Contudo, representarão as touradas a alma de algum povo? Por exemplo do povo português? Terá a barbárie de um espectáculo de sangue e violência a ver com a alma de alguma coisa? Supostamente, a “alma” representa o aspecto mais nobre, duradouro, ético e profundo do psiquismo humano. Note-se, entretanto, que os romanos já tinham a tradição dos combates entre seres humanos e bestias: na Roma antiga, era muito frequente o transporte de animais de grande porte para a capital, para serem aí mortos por uma especial classe de gladiadores, os bestiarii. Essa era uma variante dos combates de gladiadores, que fazia as delícias da multidão. Segundo o mesmo autor que nos faz notar este facto (Nell, 2006), uma das raízes para o grande êxito comercial dos espectáculos sanguinários (incluindo filmes violentos, espectáculos como o boxe, “vale tudo”, luta livre, etc.) reside numa herança filogenética (e não só cultural) muito antiga: as origens do prazer que algumas pessoas evidenciam ao infligir dor e/ou ao derramar sangue, bem como o prazer de outras em assistir, teria origem na história remota da espécie humana e no antigo valor adaptativo da violência e mesmo da crueldade. Estaria ligada à predação que, por sua vez, era útil à sobrevivência. Assim, o gozo cultural da crueldade seria uma consequência da “adaptação predatória” do passado – que, por sua vez, visava a sobrevivência dos mais aptos após confrontos inter, e intra, espécies… Os estímulos encorajadores da predação seriam então, justamente, a dor, o sangue e a morte da presa e teriam valor de recompensa evidenciando o sucesso da caçada. Por outro lado, com o desenvolvimento das culturas hominídeas, ter-se-ia desenvolvido a crueldade, que já implica intencionalidade e planificação dos actos agressivos – e que, conforme sublinha o autor, evidencia o poder do perpetrador, tratando-se sobretudo de uma afirmação masculina. Assim, a enfatização da violência e o seu valor para a indústria do espectáculo teriam raiz no seu antigo valor adaptativo e de sobrevivência e teria, pois, uma base instintiva. A crueldade estaria na base de muitos comportamentos agressivos. Seria activada por estímulos visuais, auditivos, olfactivos, gustativos, tácteis e viscerais – podemos ver aí muita da excitação das multidões que consomem violência, sobretudo ao vivo, onde a riqueza de estímulos é maior. Existe um prazer nos predadores ao saborearem a carne, ao cheirarem o sangue, verem vísceras expostas, escutarem os gritos das vítimas feridas. Entre os chimpanzés, a violência surge também facilmente associada à defesa de território e à luta pela afirmação social e sexual – mas, no que toca a comportamento predatório, eles podem perfeitamente começar a comer a vítima enquanto esta está ainda viva. Caçar e matar costumam ser momentos de evidente prazer para os predadores, nomeadamente entre os primatas. Mesmo a proximidade entre sexualidade e agressividade é evidenciada neurofisiologicamente pelo facto de que alguns grupos neuronais no cérebro emocional (e na amígdala) podem ser activados por actividades seja sexuais ou agressivas. As fêmeas, entre os primatas, costumam responder de modo muito positivo aos machos vencedores e, mesmo entre as sociedades primitivas humanas, parece evidente que as caçadas a presas de grande porte são mais perigosas, mas produzem maiores recompensas sexuais pois os que matam grandes presas são altamente valorizados. Retomemos o nosso tema: é este tipo de raiz que aponta para a alma de um povo que ainda consente nas touradas? Ou será antes uma raiz que aponta para o carácter ainda primitivo, bárbaro e desumano de uma tradição que desonra a alma de quem a deixa ser ainda? A tradição ou a antiguidade em si não devem ser argumentos de coisa nenhuma; caso o fossem, poderíamos defender a perpetuação, com base no seu carácter antigo e tradicional, dos combates de gladiadores, dos sacrifícios humanos e de animais (na verdade, na tourada, o touro é mais ou menos sacrificado ritualmente), da caça às bruxas, dos torneios medievais, das bacanais gregas e assim por diante. A “tradição” deve ser temperada com o progresso civilizacional. O deleite com o sangue a tortura representa a humanidade no seu pior, no que tem de selvaticamente agressivo e estreito. Afirmar o contrário dela é afirmar o valor da Solidariedade connosco mesmos e com a Natureza e reconhecer que intrínseca e profundamente humana é a nossa Consciência individual que se alegra ao abrir-se para um Cosmos alargado e ao recusar o consumo de violências. As multidões que urram com as arremetidas sanguinárias dos toureiros unem-se no que têm de mais baixo e animalizado e fecham-se para a Cultura do Humano. Uma catedral ergue-se bem alto na afirmação do que os seres humanos podem realizar onde a tourada mostra quão baixo podem descer; uma sinfonia canta o que os gritos excitados dos aficionados silenciam.

 

b) Preparar as crianças para um mundo violento?

 

 

Alguns adultos que gostam de levar crianças muito jovens a touradas costumam achar que estão a partilhar com elas um espectáculo notável e que elas não somente irão apreciá-lo como ainda receber um bom contributo para a sua formação. Não temos dúvidas de que, na mente de alguns aficionados, as crianças submetidas à violência das touradas estão a aprender a apreciar a violência e os traços de masculinidade predatória dos toureiros, o que as prepara para um mundo agressivo e competitivo. Infelizmente este raciocínio peca por várias vias. Por um lado, acontece que preparar crianças para a violência é prepará-las para serem agentes da conservação de uma sociedade que está à beira da catástrofe global justamente por ser agressiva com a Natureza e consigo mesma. Falamos da mesma Sociedade de consumo que está a produzir níveis de poluição global tão elevados que já estão no limite em que trarão consigo alterações climáticas catastróficas, escassez, provavelmente guerras (Brown, 2006). Falamos da mesma Sociedade que perpetua a desigualdade em que os predadores ricos continuam a guardar para si mesmos o poder e o acesso à maior parte dos melhores recursos. Há, no entanto, outros aspectos a considerar. As crianças que assistem a touradas seja ao vivo (o que é pior) ou por via televisiva, estão a testemunhar violência. Essa violência é publicamente recompensada pelos aplausos da multidão além de que os “heróis” toureiros se apresentam, desde o início, ataviados de maneira faustosa, exibindo essa mesma riqueza que desejam perpetuar (pois, não esqueçamos, as touradas são espectáculos de massas que movem muito dinheiro e interesses). A criança é, pois, desde logo levada a “apreciar” aquilo que os seus ídolos educativos, os encarregados e educação, lhe dizem ser boa coisa: a tourada. Além disso, vêem os toureiros exibir uma dose imensa de violência que é festejada e recompensada de várias maneiras, num ambiente festivo. Como se a violência pudesse ser coisa bonita, louvável, fonte de alegria. A mensagem implícita e explícita é, desde logo, algo como: “é bom ser violento, é bom ser toureiro, dá prestígio, dinheiro, e merece ser aplaudido”. As crianças são muito sensíveis a tudo o que lhes transmite a ideia de que, se fizerem esta ou aquela coisa ou tiverem esta ou aquela ideia serão apreciadas. Desde logo, está-se a transmitir-lhes a ideia de que, se imitarem os modelos adultos dos toureiros, com a sua violência predatória, a sua afirmação sanguinária de virilidade, a sua pomposidade exibicionista, serão apreciadas. Isto é ensinar o que, na verdade, está tremendamente errado.

 

Porque está errado ensinar o que as touradas ensinam? Porque equivale a ensinar que a violência é uma boa coisa e que torturar animais para nosso deleite é outra boa coisa. Não esqueçamos que, além dos touros, também os cavalos são obrigados a passar por níveis de tensão imensa, contrários ao seu normal espírito de herbívoros, e que muitos cavalos são colhidos. Num mundo em que a agressão à Natureza está na origem de uma evidente ameaça contra a própria sobrevivência da espécie humana, quereremos nós ensinar às crianças que elementos da natureza, como os touros, são “bestas malvadas” que podem e devem ser maltratadas? Quereremos nós transmitir-lhes que é bom ser violento, ressuscitar em nós os antigos instintos primitivos do prazer com as vísceras expostas, o sangue, a carne violentada, o cheiro a carnificina? Prepará-las para se aproximarem um pouco na direcção da violência assassina? E estaremos nós a respeitar as crianças e a sua necessidade de afecto e protecção ao levá-las a tais espectáculos? Ou a ensinar-lhes o contrário do amor que, como veremos, é social e individualmente saudável? Iremos discutir tudo isto com mais detalhe na secção sobre o lado psicológico das touradas. Por ora, recordemos que ainda hoje, nos muitos países onde as crianças ainda integram exércitos (Williams, 2004, fala em 300.000 crianças “alistadas”), é costume submetê-las a situações atrozes, a que são forçadas a assistir (como o violento assassínio de familiares à sua frente), como meio de levá-las a sentirem que não têm a quem recorrer fora do exército e que o mundo onde existem é, por natureza, violento e impiedoso e só os violentos impiedosos podem subsistir (op. cit. Pgs. 195-200). Claro, neste caso, as crianças não têm escolha: são submetidas à violência e sofrem os efeitos dela na sua formação precoce. O problema seguinte é que as crianças submetidas às touradas também não têm muita escolha. Resta saber qual o efeito real destes espectáculos na sua formação. Não será que, para começar, estão a prepará-las para repetir o que está mal, adaptando-as a uma sociedade violenta?

 

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A agonia do Touro... 

 

O Impacto Psicológico e Pedagógico Negativo

 

Numa revisão de literatura (Rodrigues, 2008), pudemos demonstrar que o amor é socialmente saudável, promove bons relacionamentos, assim como é preventivo de futuros problemas de saúde física e mental. As crianças criadas em ambientes de amor e cuidado e onde os mesmos são valorizados revelam-se, mais tarde, mais resilientes e mais fortes física e psicologicamente. O contrário é verdade para as que recebem precocemente a influência de serem negligenciadas e maltratadas (e obrigá-las a assistir a espectáculos que as fazem sentir mal pode ser um exemplo). Ora qual é a mensagem subjacente às touradas? A de que se pode e talvez deva ser violento em determinadas circunstâncias e de que maltratar animais pode estar certo se nos der prazer.

 

Salientemos agora um facto: as crianças que assistem a touradas (e mesmo os adultos) não o fazem sem consequências psicológicas e pedagógicas. Consideremos o que a investigação pode dizer-nos acerca disso.

 

Em 2000 (ver Declaração Conjunta na Bibliografia deste artigo), foi emitido um documento conjunto pelas: American Academy of Pediatrics, American Academy of Child & Adolescent Psychiatry, American Psychological Association, American Medical Association, American Academy of Family Physicians e American Psychiatric Association. Neste documento, cujo peso é imenso, os signatários salientam o seguinte (com base em mais de 30 anos de investigação e mais de 1000 estudos):

 

- A globalidade dos estudos evidencia de modo “esmagador” que existe uma relação causal entre a violência nos media (que incluem televisão, rádio, filmes, música e jogos interactivos) e o comportamento agressivo em algumas crianças. Em geral, “ver violência para entretenimento pode levar a aumentos nas atitudes, valores e comportamento agressivos, especialmente nas crianças”.

 

- As crianças que observam muita violência tendem a considerá-la um meio efectivo para resolver conflitos e a pensar que os actos violentos são aceitáveis.

 

- A visualização de violência pode levar a uma dessensibilização emocional em relação à violência na vida real. Isso pode diminuir a probabilidade de alguém tomar a iniciativa para proteger as vítimas de actos violentos.

 

- A violência para entretenimento “alimenta a percepção de que o mundo é um lugar violento e maldoso”, aumentando o medo de as crianças se tornarem vítimas de violência e, consequentemente, a sua desconfiança perante outros e os comportamentos de autoprotecção.

 

- Observar violência pode levar à violência na vida real. As crianças de tenra idade expostas a programas violentos tendem, mais tarde, a exibir maior tendência para comportamento agressivo e violento (quando comparadas com crianças não expostas.)

 

É de notar que em (2009) a American Academy of Pediatrics publicou novas recomendações confirmando a declaração emitida em 2000. Nas mesmas, recomenda uma cuidadosa filtragem dos programas violentos por parte dos responsáveis educativos para prevenir o seu impacto social e educativo maléfico junto das crianças e adolescentes. Os efeitos específicos da exposição a violência em programas televisivos têm sido investigados desde os anos sessenta, com resultados inteiramente coerentes com os dados constantes no relatório referido acima. A Fundação Henry Kaiser, no website “Key Facts” (2003), apresenta um artigo de revisão sobre esta área, mais uma vez documentando o facto de que, de acordo com estudos em laboratório e em ambientes naturais, a violência televisiva aumenta os posteriores comportamentos agressivos nas crianças (seja em termos verbais ou físicos), do mesmo modo que a exposição a programas que enfatizam antes a cooperação e o afecto aumentam a probabilidade de comportamentos pro-sociais. O mesmo artigo refere uma grande meta-análise, incidindo sobre 217 investigações acerca dos efeitos da violência televisiva, entre 1957 e 1990, que concluiu que “o visionamento de violência televisiva estava significativamente ligada a comportamento agressivo e anti-social, sobretudo entre os espectadores mais jovens”. Contudo, ainda segundo o mesmo artigo, vale a pena considerar dois estudos longitudinais: um deles, durante 17 anos com 707 famílias e conduzido por Jeffrey Johnson et al. (2002), concluiu que os adolescentes que tinham visionado mais de uma hora de televisão por dia, em média, evidenciavam posteriormente, enquanto adultos, uma probabilidade quase quatro vezes maior de exibirem comportamentos agressivos (22% face a 6%); o outro, conduzido por L. Rowell Huesmann et al. (1984) durante 20 anos tendo começado com uma amostra de 875 crianças nos anos sessenta (quando a violência na TV era de resto bem menor), concluiu que o visionamento de violência televisiva era um preditor significativo da agressão na idade adulta – e mesmo de comportamentos criminosos, independentemente do quociente intelectual, estatuto social ou estilo parental. Os rapazes que tinham visto programas violentos aos 8 anos de idade eram em média mais agressivos quando adolescentes e tinham mais prisões e condenações na idade adulta por violência familiar, assassínio e assalto. Num estudo posterior, Huesmann et al. (2003) confirmaram as mesmas conclusões.

 

Para Aidman (1997), a investigação em ciências sociais nos últimos 40 anos confirma e evidência que ver conteúdos televisivos violentos tem consequências negativas para as crianças destacando-se: o encorajamento a aprender comportamentos e atitudes agressivos; o desenvolvimento de atitudes amedrontadas ou pessimistas em relação ao mundo exterior; a dessensibilização das crianças em relação à violência no mundo ou às fantasias de violência fantasias e violência (que passam a ser consideradas normais). O problema da aprendizagem da violência agrava-se quando os seus perpetradores são vistos como atraentes, recompensados pela mesma, quando esta é especialmente gráfica, são usadas armas… A autora recomenda aos pais que encorajem e ajudem as crianças a tomar uma distância crítica face à violência que observam – exactamente o contrário do que fazem os apologistas das touradas, sendo que os toureiros se apresentam atraentes, exibem uma violência altamente gráfica, usam armas contra o touro e são visivelmente recompensados.

 

Um artigo recente de Huesmann e Taylor (2006) considera, após uma revisão de literatura, que a violência televisiva deve ser colocada na categoria das ameaças conhecidas à saúde pública. Esta conclusão é baseada no facto de que a violência ficcional na televisão em e filmes contribui para um aumento, a curto e longo prazos, nos comportamentos agressivos e violentos. Inclusivamente, os noticiários televisivos que apresentam violência também aumentam a violência imitativa. Para Huesmann e Taylor (op. cit.), a violência nos media não somente aumenta os comportamentos agressivos a curto termo nos mais jovens, mas ainda aumenta, quando prolongada no tempo, a aquisição de atitudes, crenças, cognições sociais, favoráveis à exibição de comportamentos agressivos e violentos mais tarde. No mesmo sentido vai um artigo de Hassan et al. (2009), os quais verificaram que a exposição à violência apresentada em filmes produziu, em adolescentes, um aumento nas atitudes favoráveis a esta, considerando-a tendencialmente aceitável e até desejável – sobretudo quando eles mesmos optam por ver grande número de filmes violentos. A consequência é uma provável facilitação da conversão de sentimentos agressivos em comportamento violento. Claro, observar violência não é a única causa da exibição da mesma, mas o número de estudos que incluem tal observação entre os factores favoráveis é enorme.

 

Embora a natureza específica dos conteúdos mediáticos envolvidos influencie obviamente os efeitos, é evidente que no geral a violência mediática tem efeitos profundamente anti-sociais nas crianças e jovens. Mas será que isto se confirma para a exposição à violência apresentada nas touradas? Vejamos.

 

As crianças e jovens, para não falar nos adultos, que assistem ao vivo a touradas estão a ser expostos a violência real, que está a acontecer a alguns metros de distância. O que sabemos em geral em relação a situações de exposição ao vivo? Que podem ser ainda mais geradoras de violência que as apresentadas através dos mass media. Huesmann (2011) investigou o efeito da exposição directa, na vida real, à violência em crianças israelitas e palestinianas. Verificou que a exposição directa, por observação, a cenas ou acontecimentos violentos aumenta enormemente a probabilidade de os observadores evidenciarem comportamentos agressivos posteriores – mesmo em relação a amigos ou colegas. De acordo com ele, “sabemos que todo o comportamento social é orientado por guiões codificados (programas para o comportamento) que todos adquirimos ao crescermos. Quando confrontados com um problema social, os jovens começam por fazer atribuições acerca do que está a acontecer na situação e depois recuperam das suas mentes aqueles guiões sociais que sejam mais facilmente recordados e pareçam mais relevantes” (pg 6). Noutros termos, para ele, a violência é contagiosa. Existem inclusivamente mecanismos neurológicos que ajudam a compreender de que modo a violência observada produz violência em nós: no “priming”, acontece que observar violência produz uma excitação neuronal que por sua vez nos leva a activar representações e memórias relacionadas; na imitação, acontece que os seres humanos têm uma tendência natural, herdada nos seus mecanismos cerebrais, para imitarem o que vêem; na transferência de excitação, verifica-se que se já observámos antes cenas violentas, a excitação neuronal relacionada com elas e activada por elas leva-nos mais facilmente a exibir respostas comportamentais violentas. Huesmann refere este facto, no que coincide com uma pesquisa recente, em que investigadores da Universidade de Columbia (2007), recorrendo a ressonâncias magnéticas funcionais, demonstraram que ver programas violentos pode levar as áreas cerebrais que inibem a agressividade a diminuir a sua função. Isto, por sua vez, coincide com o facto, igualmente constatado, de que as pessoas com tendência superior à média para actos agressivos evidenciam menor actividade nas mesmas áreas. Estas mudanças não acontecem quando os mesmos ou outros sujeitos observam filmes em que a acção é equivalente na intensidade cénica, mas não existem cenas violentas.

 

Mesmo os autores que questionam a relação entre a violência televisiva ou, em geral, nos media e o aumento da criminalidade violenta (Savage, 2003) admitem que existe alguma evidência nesse sentido e que a investigação associando agressividade aumentada e violência nos media é esmagadora. Mas será a associação entre assistir ao vivo a cenas violentas ainda maior? Algumas investigações ajudam a encontrar uma resposta e, como vimos, as indicações acima vão nesse sentido. Numa revisão de literatura muito recente, Kirkpatrick (2012) apresenta dados de investigação e toda uma argumentação no sentido da importância do contágio social da violência nomeadamente em áreas urbanas (onde esta alastra de modo analógico com as doenças) onde a exposição ao vivo a actos violentos gera maior violência. No entanto, ela realça a importância da violência perpetrada por instituições contra os seus cidadãos como uma importante fonte de violência e realça que os crimes violentos são mais frequentes em comunidades pobres, segregadas, minoritárias. Um dado importante referido pela autora diz-nos que a probabilidade de cometerem crimes violentos é 74% maior em jovens que foram alvo dela em casa ou na sua vizinhança. Interessa-nos aqui um aspecto realçado por Kirkpatrick: de acordo com a Teoria das Subculturas de Marvin Wolfgang, uma subcultura é "um sistema normativo de algum grupo ou grupos mais pequenos que a sociedade alargada”. Acontece que existem subculturas especialmente favoráveis à violência pois os seus valores e definições são-lhe favoráveis. Não podemos deixar de realçar aqui o facto de que a subcultura das pessoas que praticam e promovem as touradas costuma associar as habilidades e a coragem de confrontar fisicamente adversários, provocá-los e levá-los de vencida como algo que é valioso e sinónimo de masculinidade. O mesmo surge, em diferentes formas, nos mass media na forma de filmes onde a violência é glorificada e solucionar problemas por essa via surge como uma boa ideia. É de notar que, de acordo com autores como Fagan, Wilkinson e Davies (2007), um dos mecanismos do contágio social da violência é a construção de uma identidade social que a favorece e a constatação de que, nos grupos que a promovem, os não violentos são marginalizados. A cultura das touradas apresenta, obviamente, o toureiro como uma figura idealizada, uma espécie de herói, cuja violência é supostamente legitimada por ser exercida contra um animal de grande porte. No entanto, parece evidente que a mesma cultura enaltece as pessoas que partem facilmente para o confronto (infelizmente temos um exemplo recente disso no recente episódio em que o toureiro Marcelo Mendes investiu duas vezes, a cavalo, contra um grupo de pessoas que, no início, estavam sentadas no chão em protesto (facto filmado e apresentado no “Ribeirinhas TV”, em 4 de Setembro de 2012). Ao levar uma criança a ver uma tourada ou ao consentir que a veja em casa, um típico responsável educativo estará implicitamente a conceder-lhe um selo de aprovação.

 

E o que dizer acerca da investigação directamente pertinente às touradas? Grana et al. (2004) investigaram-no recorrendo a um grupo equilibrado de 240 rapazes e raparigas entre os 8 a 12 anos de idade. Alguns resultados merecem especial consideração: 56.3% das crianças que costumavam assistir a touradas revelaram indiferença ao presenciá-las enquanto só 35.1% das crianças que nunca assistiram ao vivo revelaram o mesmo sentimento. Note-se que o que cito vai no sentido da constatação muitas vezes repetida de que assistir a actos de violência vai tornando as crianças indiferentes à mesma, fazendo com que tendam a achá-la normal e legítima. As crianças que viram vídeos de touradas com “explicações festivas ou agressivas” exibiram depois maior pontuação em avaliações de agressividade sendo estes efeitos mais fortes nos rapazes. O mesmo filme foi exibido com e sem justificações agressivas ou festivas sendo que a influência no sentido da agressividade se mostrou maior quando o filme vinha acompanhado de justificações favoráveis. Por outro lado, ver o vídeo com a tourada justificada “festivamente” foi a única situação em que as crianças em geral revelaram maior ansiedade (talvez pela incongruência de se apresentar um ritual de morte como uma festa?). No entanto, a maioria considerou que as crianças podiam assistir a touradas embora um pouco menos de metade lhes atribuíssem um efeito negativo sobre elas e a maioria revelasse que não gostavam de assistir. Também foi observada uma tendência para o impacto negativo das touradas (ansiedade e agressividade) ser maior nas crianças mais novas e quando eram justificadas “festivamente”. Na generalidade, os efeitos eram mais pronunciados nos rapazes – o que os autores identificam à sua maior facilidade, dado o sexo, em identificarem-se com as cenas observadas. Os autores realçam que este estudo vai no sentido de que a interpretação das cenas de violência observadas desempenha um papel relevante nas consequências que poderão ter no comportamento futuro das crianças.

 

E o lado educativo?

 

Lequesne (2011) salienta os inconvenientes educativos e psicológicos das touradas. Para ele, o espectáculo da tourada a que se leva uma criança pode ser traumático, mas também pode confrontar a criança com todo o dilema posto pelo modo como os adultos “douram” um espectáculo de sangue e dor como sendo legítimo e apreciável ou como afirmam, contra a natural empatia da criança face ao animal, que se pode e deve torturá-lo em nome da arte e da tradição. A mensagem a aprender pela criança diz-lhe assim que, em certas circunstâncias, sendo em prol da arte e tradição, se pode e talvez deva torturar seres vivos. No entanto, como demonstram as investigações sobre os neurónios-espelho, é natural e talvez inevitável que muitas crianças sintam uma reacção física e instintiva ao verem o animal ser ferido ostensivamente, como é natural que sintam algum medo ou aprendam a sentir a excitação do toureiro com a dor do touro ou com o comportamento violento. O autor traça mesmo um paralelo entre as touradas e certa “moda” recente em que adolescentes violentam uma vítima, com auxílio de cúmplices, e a filmam a ser vitimada, transmitindo a imagem como uma coisa divertida e justificada. De facto, uma das “justificações” das touradas é que pode ser um espectáculo divertido – transmitindo implicitamente à criança a ideia de que torturar e matar um animal pode ser aceitável e engraçado. Acresce que as crianças que assistem a touradas, seja ao vivo ou em espectáculos televisivos, aprendem coisas interessantes como a terminologia que fala em “castigar” o touro com bandarilhas (sendo que muitos afirmam que elas não infligem dor ao touro, o que é simplesmente mentira). Como salienta ainda Duquesne, o “castigo” com bandarilhas mostra à criança que alguns castigos arbitrários e desumanos contra inocentes podem justificar-se se forem divertidos, espectaculares ou colocarem em evidência a ousadia e coragem dos perpetradores de violência. Neste sentido, as touradas ensinam o contrário da compaixão e até da simples decência humana… Não admira que termos como “matador” surjam glorificados.

 

Num interessante estudo, Paniagua (2008) salienta o modo como as touradas fornecem à multidão uma satisfação para as suas pulsões sádicas inconscientes. O autor salienta que nas touradas do passado muitas vezes a multidão tentava furiosamente ferir o touro a golpes de espada ou levar partes dele como sinal de triunfo assim como era frequente organizar combates entre touros e outros animais, como cães. Também houve, em tempos, o uso de bandarilhas em fogo. Para ele, o público projecta no toureiro medos e desejos, tanto quer vê-lo sofrer como vê-lo salvar-se, tanto quer que o touro morra como também teme ou lastima isso mesmo. O superego da moralidade confronta-se com o Id da bestialidade instintiva. Lembremos, a este respeito, o modo como Nell (2006) atribui o gozo dos espectáculos de violência a antigos instintos predatórios. Além disso, há algo de combate simbólico entre o toureiro representando David e o touro, um Golias a vencer pela esperteza do toureiro e armas apropriadas. Do ponto de vista psicanalítico, a tourada poderia até representar um conflito edipiano, o touro surgindo como figuração do rival paterno a vencer para obter o amor da mãe. Nesse sentido, o risco de castração corrido pelos toureiros corresponderia ao medo de castração por parte do pai que algumas crianças teriam no contexto do complexo de Édipo. Como realça ainda o autor, o espectáculo tauromáquico é racionalizado com justificações como a ilusão de que o toureiro está na verdade a defender-se de uma besta selvagem perigosa. Projectar os medos e a sensação de perigo no exterior também podem ser modos de evitar enfrentar os próprios medos, do mesmo modo que o público em geral costuma secretamente gostar de assistir a dramas em que o mal acontece aos outros. Se há coisa em que os comentários tauromáquicos são férteis é na negação de que esteja ali a passar-se algo de bárbaro e cruento bem como nas racionalizações e projecções infantis, atribuindo ao touro intenções, qualidades humanas. Isso contribui para que, nas touradas, se possa dar “luz verde ao sadismo reprimido” (op. cit., pg. 150). Neste sentido, “castigar” o touro, sentido como uma “besta malvada”, pode ajudar o público a considerar justificado o mal que lhe é feito, identificando-se com os toureiros vingadores – sendo que, ao nível inconsciente, o touro pode estar a representar os impulsos inaceitáveis do espectador, que devem ser punidos e reprimidos (sejam eles sexuais ou agressivos – talvez não seja por acaso que há tanta aura de sensualidade quase boçal nas poses toureiras, que por sua vez parecem corresponder a um modo ritualizado de exprimir o impulso sexual). Talvez também não seja por acaso que o público oscila, por vezes, nas suas identificações, por vezes desejando que o touro vença (caso em que é o toureiro a representar, especulemos, as pulsões reprimidas). Ainda na perspectiva psicanalítica, o toureiro exibe muitas vezes um gozo narcisista e autocentrado em dar nas vistas, ser aplaudido, no que também pode ser alvo das projecções da multidão, que gostaria de estar no seu lugar.

 

Não iremos alongar-nos em possíveis interpretações psicanalíticas para as touradas. Isso sim, queremos realçar que expor as crianças às mesmas é expô-las à violência, justificada de modo pleno de racionalizações que talvez escondam impulsos primários mal consciencializados; é confrontá-la com o conflito entre “alinhar” com os adultos e as suas racionalizações, negando o seu medo e a sua repulsa pela crueldade para com os animais; é fazê-la participar, com escassa escolha, num mundo onde a violência contra um ser vivo inocente é glorificada e justificada como uma ocasião de festa e alegria; é submetê-la a uma situação onde aprende que ser violento pode ser muito bom e compensador, que ser violento como um toureiro pode ser excelente para obter riqueza, fama e o afecto de muitos; que é legítimo torturar e/ou matar animais por prazer; que exercer instintos predatórios, dando-lhes curso a ponto de estripar animais, pode ser uma coisa louvável; ou que a afirmação masculina pode ter, como um dos expoentes máximos, o do toureiro engalanado que se compraz e exibe como matador, torturador de animais que, ao fazê-lo, obtém a admiração e o desejo das fêmeas humanas. O mesmo toureiro constitui um modelo altamente questionável ao colocar a sua vida em risco num tal contexto de crueldade gratuita, como se isso também fosse louvável e ter pouco apreço pela vida humana valesse alguma coisa. Ademais, a exposição de crianças a cenas de violência, ao vivo ou através de meios mediáticos, pode até contribuir para fazer-lhes baixar o nível intelectual, a habilidade para a leitura (Delaney-Black et al., 2002), além de todos os inconvenientes para a sua formação ética e emocional que fomos delineando ao longo deste artigo. Levá-las a touradas ou mesmo deixá-las assistir às mesmas por algum meio constitui, a nosso ver, um acto de irresponsabilidade educativa e mesmo um acto de abuso e desrespeito pelos seus direitos a serem protegidas de tudo o que ameace o seu desenvolvimento saudável e integral. Como afirma Richier (2008), a questão das touradas levanta duas questões importantes: a da protecção dos animais e a da protecção das crianças. Para ele, muitos testemunhos de adultos traumatizados por serem obrigados a assistir a touradas quando crianças levanta uma vez mais a questão da legitimidade em fazê-las assistir a tais espectáculos. Não podemos senão juntar a nossa voz ao coro de vozes que ecoam nesse sentido, a bem da formação de seres humanos mais lúcidos, conscientes, sensíveis e sociáveis.

 

Prof. Doutor Vítor José F. Rodrigues

 

BIBLIOGRAFIA

- Aidman, Amy (1997): Television Violence: Content, Context, and Consequences. ERIC DIGEST, December.

- American Academy of Pediatrics (2009): Policy Statement — Media Violence www.pediatrics.org/cgi/doi/10.1542/peds.2009-2146 doi:10.1542/peds.2009-2146.

- Brown, Lester (2006): Plano B 2.0. (Edição Portuguesa) Câmara Municipal de Trancoso, Tribunal Europeu do Ambiente, Fundação para as Artes, Ciências e Tecnologias – Observatório.

- Columbia University Medical Center (2007, December 10). This Is Your Brain On Violent Media. ScienceDaily. Obtido em 22 de Julho de 2012 de http://www.sciencedaily.com/releases/2007/12/071206093014.htm

- Declaração Conjunta das grandes Associações relacionadas com a Saúde Mental nos EUA (2000): Joint Statement on the Impact of Entertainment Violence on Children http://www2.aap.org/advocacy/releases/jstmtevc.htm

- Delaney-Back, Virginia; Covington, Chandice; Ondersma, Steven J.; Nordstrom-Klee, Beth; Templin, Thomas; Ager, Joel; Janisse, James e Sokol, Robert J. (2003): Violence Exposure, Trauma, and IQ and/or Reading Deficits Among Urban Children. Arch Pediatr Adolesc, 156: 280-285.

- Fagan,Jeffrey; Wilkinson, Deanna L. e Davies, Garth (2007): Social Contagion of Violence, in The Cambridge Handbook of Violent Behavior. Daniel Flannery, A. Vazsonyi, & I. Waldman (Eds.), Cambridge University Press.

- Funk, Jeanne B.; Baldacci, Heidi Bechtoldt; Pasold, Tracie e Baumgardner, Jennifer (2004): Violence exposure in real-life, video games, television, movies,and the internet: is there desensitization? Journal of Adolescence, 27, 23–39.

- Grana, J.L.; Cruzado, J.A.; Andreu, J.M.; Munoz-Rivas, M.J.; Pena, M.E. e Brain, P.F. (2004): Effects of Viewing Videos of Bullfights on Spanish Children. Aggressive Behavior, Volume 30, pages 16–28.

- Hassan, Md Salleh Bin Hj; Osman, Mohd. Nizam & Azarian, Zoheir Sabaghpour: (2009): Effects of Watching Violence Movies on the Attitudes Concerning Aggression among Middle Schoolboys (13-17 years old) at International Schools in Kuala Lumpur, Malaysia. Journal of Scientific Research, Vol.38, No.1 (2009), pp.141-156.

- Huesmann, L. R., Moise-Titus, J., Podolski, C., & Eron, L. D. (2003). Longitudinal relations between children’s exposure to TV violence and their aggressive and violent behavior in young adulthood: 1977-1992. Developmental Psychology, 39, 201-221.

- Huesmann, L. Rowell, e D. Taylor, Laramie (2006): The Role of Media Violence on Violent Behavior. Annu. Rev. Public Health 2006. 27:393–415.

- Huesmann, L. Rowell (2011): The Contagion of Violence: The extent, the processes, and the outcomes. Address delivered at the National Academies of Sciences’ Institute of Medicine’s Global Forum on Violence, April 29.

- Hurt, Paul (texto recolhido na Internet em 2012): Bullfighting: arguments against and action against. In ttp://www.linkagenet.com/themes/bullfighting.htm

- Kirkpatrick, Kayla (2012): The Social Contagion of Violence; a Theoretical Exploration of the Nature of Violence in Society. California Polytechn State University, Winter. Senior Project at the Sociology Department.

- Lequesne, Joel (2011): El Procedimiento de la Corrida: el Punto de Vista de un Psicologo de la Educación. Retirado de http://www.facebook.com/note.php?note_id=209992965701092

- Murray, Kevin (1985): Life as Fiction. Journal for the Theory of Social Behaviour 15:2 July, 173-88

- Nell, Victor (2006): Cruelty’s rewards: The gratifications of perpetrators and spectators. Behavioral and Brain Sciences, 29, 211–257.

- Paniagua, Cecilio (2008): Psicología de la afición taurina. Ars Medica. Revista de Humanidades; 2:140-157

- Richier, J. P. (2008): Does bullfighting represent a psychological danger for young spectators ? Artigo encontrado em http://www.cas-international.org/fileadmin/protestacties/Documenten/Speech_Bruxelles_english_Richier.pdf

- Rodrigues, Vitor (2008): L’Amour, la Santé et L’Éthique. Synodies, Automne 2008, pgs. 36-45.

- Savage, Joanne (2003): Does viewing violent media really cause criminal violence? A methodological review. Aggression and Violent Behavior, 10 (2004), 99–128

- The Henry J. Kaiser Family Foundation (2003, Spring): TV Violence. Artigo disponível no website da Kaiser Family Foundation (document #3335), em www.kff.org .

- Williams, Jessica (2004): 50 Facts that Should Change the World. Cambridge: Icon Books. Ltd.

 

Fonte:

http://vitorrodriguespsicologo.weebly.com/uploads/3/5/9/1/3591670/touradas-psi.pdf

 

***

 

Consultar aqui mais textos relacionados com a esta problemática:

 

«PSICOLOGIA DA “AFICIÓN” TAURINA: SADISMO, NARCISISMO E EROTISMO»

https://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/psicologia-da-aficion-taurina-sadicos-799332

 

A INSANIDADE MORAL DOS AFICIONADOS DE SELVAJARIA TAUROMÁQUICA

https://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/a-insanidade-moral-dos-aficionados-da-743075

 

TAUROMAQUIA - DOENÇA DO FORO PSIQUIÁTRICO

https://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/tauromaquia-doenca-do-foro-673168

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:00

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Terça-feira, 8 de Maio de 2018

REFLEXÃO SOBRE O DIREITO À VIDA DOS ANIMAIS NÃO-HUMANOS

 

Em 2016, discutiu-se na Assembleia da República, se os menores de idade deveriam ou não participar ou assistir à barbárie das touradas, e à crueldade, à violência, à desumanidade que estão implícitas no que alguns teimam em chamar “espectáculo" tauromáquico.

 

Na altura, o PEV (partido Os Verdes) pretendeu que ao que se chama erradamente “artistas tauromáquicos” (insultando-se, deste modo, os verdadeiros artistas que praticam as Artes Superiores da Humanidade) tivessem o 12º ano, como se instrução combinasse com atraso civilizacional.

 

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Estamos em 2018, e nada mudou a este respeito. As desafortunadas crianças, que têm o azar de nascer no seio de famílias tauricidas, continuam a ser arrastadas à força para as arenas e para as escolas de toureio.

 

E quem se importa? Importo-me eu. E uns poucos mais.

 

Não faço fé nenhuma num governo que, em pleno século XXI D. C., ainda esteja a discutir algo que o mundo civilizado já tem como um conhecimento adquirido: que a violência e a crueldade não são valores humanos que possam ser transmitidos às crianças e aos jovens, e até mesmo aos adultos, através de uma actividade primitiva, bruta e sanguinária.

 

O que deve ser discutido na Assembleia da República, urgentemente, e ainda não foi discutido, é a abolição destas práticas cruéis, desumanas, violentas, atrozes a que chamam tauromaquia.

 

Como poderemos dizer que Portugal é um país evoluído, se está entre os oito tristes países que ainda mantém esta prática grosseira, entre os 193 países que existem no mundo?

 

***

 

Todos os animais não-humanos têm o direito inapelável à Vida, uma vez que para viver nasceram. Tal como nós. Todos nascemos para viver e morrer. Sem excepção. Mas nascer, viver e morrer é algo que nos transcende, e os que se dizem seres humanos, não têm o monopólio da Vida. Não são deuses, nem sequer Deus, para se arrogarem ser os donos da Vida. De todas as Vidas.

 

Todos os animais não-humanos merecem o nosso respeito. Mas haverá um limite?

 

Quando somos atacados por lombrigas, deveremos deixá-las devorar-nos?

 

Não mato moscas. Se elas me entram em casa, abro a janela e enxoto-as janela fora. E se for o mosquito zika? Então paro para pensar: ou eu ou ele.

 

E quanto a piolhos, pulgas, carraças e outros que tais parasitas... Bem como assassinos, ladrões, violadores, pedófilos da espécie humana?

 

Também aqui: ou eu ou eles. E se me atacarem tenho o direito à autodefesa.

 

Tudo isto é muito complicado. A vida é complicada, e é muito difícil viver. Mas...

 

Existe um Mas:

 

Todos os animais, humanos e não-humanos têm direito inapelável à Vida. Devem ser protegidos através da Lei Humana, uma vez que ainda existem animais homens-predadores inconscientes, involuídos, que nos governam, e que desconhecem a Lei Natural, que consiste em respeitar a Vida, qualquer vida, e protegê-la.

 

Não devemos matar nenhum animal apenas por matar ou para nos divertirmos. Esmagar uma formiga é um acto cobarde: o gigante contra o pequenino. Por que se haverá de esmagar uma formiga que não está a fazer-nos mal algum? Então não a esmaguemos.

 

Esta terá de ser uma questão de consciência, de evolução de mentalidade, de superioridade mental.

 

Contudo, uma parte da Humanidade, do povo, dos governantes, dos ministros, dos deputados, dos padres, dos legisladores ainda está muito longe dessa superioridade mental, para que sigam a Lei Natural e tenham uma postura consciente diante da Vida, qualquer vida, no cumprimento do preceito máximo: «Não faças aos outros o que não gostas que te façam a ti».

 

E esta é que é a grande questão.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 10:33

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Quarta-feira, 20 de Setembro de 2017

NA MOITA É ASSIM: MORTOS, FERIDOS, BALEADOS E MAIS VIOLÊNCIA PARA HOMENAGEAR OS MORTOS...

 

Será preciso morrerem mais forcados para que os da Moita aprendam que a violência, além de gerar violência, não compensa?

 A tauromaquia é a celebração da morte.

 

 Na Moita é assim: violência, crueza, imbecilidade, desumanidade, trevas, álcool, estupidez…

 

Ultimamente a Lei do Retorno tem funcionado em pleno: os Touros morrem, mas não partem sem deixar mossa.

 

Desta vez foi um forcado que ficou ferido enquanto torturava um Touro moribundo, na Moita.

 

Mais um. Antes deste, outro morreu, e dizem que para festejarem a morte deste, vão oferecer-lhe mais violência e crueldade. Mais selvajaria. Talvez mais mortos e feridos. Na Moita celebra-se a morte com violência e crueldade.

 

Porque nestes festejos selváticos da Moita o que unicamente interessa é encher os bolsos aos empresários tauricidas.

 

O forcado Salvador Pinto Coelho, que foi pai pela primeira vez dias antes deste “festejo” selvático, foi colhido por um Touro que se defendia corajosamente do seu carrasco (= pessoa que executa castigos corporais (nos Touros), pessoa cruel).

 

Valente? O forcado? Nãooooooo! O forcado é o maior dos cobardes.

 

Até quando os empresários tauromáquicos vão enganar estes jovens, com a falácia da “valentia”, quando todos sabemos que um forcado é o maior dos cobardes quando entra na arena para atacar um touro moribundo, enfraquecido, ferido, a sangrar, cravado de bandarilhas, desfeito por dentro e por fora?

 

O que interessa a estes empresários é que possam continuar a viver à tripa forra, à custa dos nossos impostos e da ignorância do povo. E os forcados que se lixem!

 

E querem saber mais?

 

 Um dos forcados, que morreram recentemente, era Pedro Primo, que fazia a última pega quando morreu, vivia num quarto alugado em casa de amigos e não tinha ligações à família. Dizem que teve uma infância difícil, trabalhava no campo para um empresário tauromáquico, de nome Inácio Ramos Jr., e andava nos forcados há 10 anos, ou seja, desde a menoridade… Segundo uma senhora, que se me apresentou como sendo mãe deste forcado, Pedro Primo não queria ir para a arena, naquele dia, mas “foi obrigado”.

 

Quem o obrigou? Quem o atirou para a morte? Esses, os que o obrigaram a atirar-se para a morte, são os que se regozijam com a morte destes infelizes, tanto quanto se regozijam com a morte dos Touros, pois se são eles que os atiçam, dizendo-lhes que são valentes e os lançam para as arenas!!!

 

E pensar que todas estas tragédias levam o carimbo do governo português!!!!!

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:34

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Segunda-feira, 8 de Maio de 2017

NA ILHA TERCEIRA (AÇORES) A VIOLÊNCIA TEM O AVAL DO ESTADO PORTUGUÊS

 

Dizem que isto é cultura, e na realidade é a cultura da estupidez no seu estado mais puro.

Dizem que a imagem é violenta. Até pode ser, mas esta é uma violência autenticada por governantes cegos mentais, que não têm a mínima noção do que fazem.

As imagens deste vídeo dizem da extrema pobreza moral, cultural e social e do descomunal atraso civilizacional em que vivem as gentes da ilha Terceira.

O Touro apenas se defendeu legitimamente.

O bronco colheu o que semeou.

Se não morreu, na próxima, desafiará novamente a morte, com o aval da igreja católica e do governo de Portugal.

E dizem que isto “identifica” o nosso tão pobrezinho país...

Quem se revê nestas imagens? Apenas os broncos.

 

  

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:46

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Quarta-feira, 15 de Fevereiro de 2017

«PAN APELA À CÂMARA MUNICIPAL PARA RETIRAR APOIO INSTITUCIONAL A EVENTO TAUROMÁQUICO COM CRIANÇAS»

 

VERGONHA!

Lisboa, uma capital que se diz europeia, e que pretende viver do Turismo Culto, acolhe e promove um evento (BullFest) que não dignifica a Humanidade, ao esmagar a dignidade das crianças. (IAF)

 

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«No seguimento do anúncio público sobre o apoio institucional que a Câmara Municipal de Lisboa (CML) está a atribuir à primeira edição do festival tauromáquico BullFest, já no próximo fim-de-semana, através do Turismo de Lisboa, entidade presidida pelo Presidente Fernando Medina, o PAN contactou hoje a CML para manifestar a sua enorme surpresa e preocupação em relação a esta decisão do executivo municipal.

 

Muitos lisboetas têm contactado o PAN por não entenderem o porquê deste apoio institucional à indústria tauromáquica que tem comprovadamente um peso cada vez mais insignificante no panorama dos espectáculos ao vivo em Portugal, sendo já superada pelos eventos de Folclore, segundo o Instituto Nacional de Estatística. De acordo com o parecer da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) sobre a discussão das consequências da exposição e participação das crianças em eventos e actividades tauromáquicas, “Quando as crianças assistem a uma tourada podem interpretá-la como uma forma de violência (e uma violência real, embora limitada à arena) que ocorre numa relação explicável como desigual (uma vez que é perpetrada pelos homens em animais coagidos a estarem presentes) e que tendencialmente serve apenas o prazer de uma das partes. O comportamento lido como agressivo que observam nas touradas recebe um aval social forte, podendo ser visto como apropriado e tolerável (e portanto, repetível ou perpetrável noutras circunstâncias).”

 

Também o Comité dos Direitos da Criança da Organização das Nações Unidas (ONU), órgão máximo a nível internacional para esta matéria, recomendou ao Governo Português a proibição de participação de crianças em touradas e a adopção das medidas legais e administrativas necessárias para proteger as crianças envolvidas neste tipo de actividades, tanto como participantes como enquanto espectadoras.

Para além disso este não será um apoio às tradições portuguesas, à ruralidade e à cultura realizando-se o designado BullFest, num shopping repleto de boutiques e de cadeias de fast food.

 

Num email escrito dirigido ao Presidente da CML, o Deputado André Silva explicou que no programa deste evento se pode ler que "este é um momento perfeito para os mais pequenos terem uma introdução à tauromaquia em família." Esta frase diz tudo sobre as intenções de doutrinamento dos mais jovens pela indústria tauromáquica.

 

Na mesma comunicação, o PAN pede uma nova atitude política e apela a um posicionamento que vá ao encontro da vontade e sentimento geral da maioria dos cidadãos portugueses e dos lisboetas. A longa exposição termina com um pedido de André Silva: Não posso deixar de lhe pedir que ouse ser diferente e que pondere tomar a única atitude consentânea com os mais altos valores éticos e civilizacionais através dos quais a cidade de Lisboa se deve reger, retirando o seu apoio institucional a esta iniciativa baseada na cultura da violência.”

 

Fonte:

http://pan.com.pt/comunicacao/noticias/item/1166-pan-apela-cml-retirar-apoio-evento-tauromaquico.html

 

(AVISO: uma vez que a aplicação do AO/90 é ilegal, não estando oficialmente em vigor em Portugal, e atenta contra a legítima Língua (Oficial) Portuguesa, este texto foi reproduzido para Língua Portuguesa, via corrector automático).

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:14

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Segunda-feira, 31 de Outubro de 2016

A UTILIZAÇÃO CRIMINOSA DO GLISOFATO

 

Estudos recentes dizem que os Portugueses estão contaminados vinte vezes mais do que a média europeia, por um veneno chamado glisofato.

 

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Em Portugal tudo o que seja a cultura do mau, do péssimo e do mal, da morte, da carnificina, da tortura, da violência, da crueldade, da poluição de rios, terra, mar e ar, de fogos florestais postos, da aniquilação de espécies, tudo, tudo é permitido, porque por trás desta atitude aniquiladora estão os interesses do deus maior dos políticos: o DEUS DINHEIRO.

 

Este veneno deve ser banido do espaço público (como já ouvi) mas também privado.

 

Deve ser simplesmente banido.

 

Deve deixar de ser usado e fabricado em qualquer parte do mundo.

 

Ponto final.

 

Que outros interesses defendem os políticos portugueses, que não são os de Portugal e os do seu povo?

 

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:55

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Terça-feira, 25 de Outubro de 2016

É ISTO A TOURADA PROTEGIDA PELO ESTADO PORTUGUÊS…

 

O que se segue é uma descrição realista da descomunal crueldade e violência da selvajaria tauromáquica, que em Portugal é “servida à mesa” como uma refeição gourmet…

 

E depois a besta humana quer ser tratada do mesmo jeito que um Ser Humano

 

Por muito menos, Jesus Cristo chicoteou os vendilhões do templo.

 

Não me peçam tolerância para monstros desta envergadura... (IAF)

 

TORTURA.png

 

Texto de Pedro Martins Santos

 

«Debaixo de um calor de mais de 30º, sem vento e depois de terem permanecido mais de 12 h metidos numa divisória de metal de um camião onde mal se podem mexer, os 6 touros vão ser "lidados" na praça. Vão ser perfurados com ferros (bandarilhas) que medem 70 cm de comprimento, enfeitadas com papel de seda de variadas cores e rematadas com um ferro de 8 cm, com um arpão de 4 cm de comprimento e 20mm de largura, com farpas ou ferros compridos e ferros curtos que medem, respectivamente, 140 cm e 80 cm de comprimento, com ferragem idêntica à da bandarilha, mas com dois arpões enfeitados e rematados da mesma forma que as bandarilhas.

 

Os ferros que lhe penetram e rasgam o músculo, provocarão uma dor lancinante (o touro sente até uma mosca pousar-lhe no dorso - daí abanar com a cauda para a enxotar - porque não haveria de sentir dor se é feito de carne e osso como nós?). Depois de lhe serem cravados os ferros, exaustos e debilitados, enfraquecidos, vão ainda ser atormentados por 8 “homens” que o vão provocar, tentar imobilizar, saltar-lhe para cima e puxar-lhe violentamente a cauda (vértebras serão partidas) e humilhá-lo.

 

Depois será obrigado a recolher ao camião, como alguém me dizia hoje de manhã, "puxado e arrastado tão violentamente por cordas que se fica com a sensação que lhe vão arrancar os cornos".

 

No camião, ser-lhe-ão arrancados os ferros, a sangue frio, cortando a carne à volta do arpão com uma faca, deixando-lhe o dorso esburacado em carne viva...

 

Depois da "festa rija", quando os espectadores tiverem dificuldade em manter-se em pé, o touro vai ser levado para o matadouro, no mesmo camião onde não se pode mexer, deixando atrás de si um rasto de sangue e diarreia.

 

Hoje é sexta-feira.

Amanhã é sábado, os matadouros não trabalham.

Domingo também não.

 

Com sorte e, se não tiverem morrido até lá, os touros serão finalmente mortos na segunda-feira, depois de atordoados com choques eléctricos e pendurados de cabeça para baixo.

 

Terão Paz afinal.

 

É ISTO QUE A RTP TRANSMITE COM O MEU DINHEIRO??

 

por Pedro Martins Santos»

 

Fonte: 

https://m.facebook.com/RiseupPortugal/photos/a.439731719383613.94950.435456119811173/963380007018779/?type=1

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 10:49

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Segunda-feira, 24 de Outubro de 2016

LIGAÇÃO ENTRE VIOLÊNCIA CONTRA ANIMAIS NÃO HUMANOS E VIOLÊNCIA CONTRA SERES HUMANOS

 

 

Mais um estudo que comprova que aquele que é violento contra um animal não humano é violento contra um animal humano, porque animais, já sabemos, somos todos nós, embora haja por aí quem se considere feito da matéria dos deuses… se bem que dos deuses menores...

 

A conclusão é sempre a mesma: quem maltrata animais não humanos tem propensão para a violência e crueldade contra seres humanos. E daí à psicopatia a distância é zero…

 

VIOLÊNCIA1.jpg

VIOLÊNCIA.jpg

 

 

 

 

«A Ligação: Violência Contra Animais não humanos e Violência Contra Seres Humanos

 

 

A Humane Society of the United States (HSUS) é a primeira organização a conduzir um estudo nacional examinando a predominância de violência humana em situações que envolvem crueldade contra animais. O estudo da HSUS, conduzido de Janeiro a Dezembro de 2000, aponta números de pessoas que maltratam animais, espécies de animais maltratados e incidentes de violência em família nos casos mais comuns de crueldade contra animais, nos Estados Unidos.

 

Os resultados de um ano de estudo, descritos abaixo em detalhes, mostram que um número extremamente alto de casos de crueldade intencional foi cometido por adolescentes do sexo masculino, com idade inferior a 18 anos. Além disso, a pesquisa mostra que grande número de casos de crueldade intencional contra animais não humanos, também envolvem algum tipo de violência familiar, quer seja violência doméstica, maus tratos contra crianças ou idosos.

 

A HSUS recolheu informações de 1624 casos de crueldade contra animais não humanos que ocorreram nos EUA no ano de 2000. Os relatos são de fontes bem documentadas, como os média e associações locais protectoras de animais. Desses casos, 922 envolvem violência intencional e 504 envolvem extrema negligência. O que se segue é uma avaliação do número de pessoas que cometeram maus tratos, tipos de abusos, outras formas de violência e número de pessoas que cometeram crueldade intencional.

 

Quem São os Autores dos Crimes?

 

Os do sexo masculino são responsáveis por 76% dos casos no geral e 94 % dos casos de crueldade intencional. Enquanto as mulheres são responsáveis por apenas 24% do total, elas são responsáveis por 24% dos casos de severa negligência, incluindo 68% de casos de pessoas que criam muitos animais juntos.

 

Em casos de crueldade intencional contra animais não humanos, a maioria dos agressores era do sexo masculino e menores de 18 anos: 31% cometido por adolescentes com idade inferior a 18 anos (94% por adolescentes do sexo masculino); 4 %, por crianças com idades inferiores a 12 anos.

 

Existe uma Ligação entre Crueldade contra Animais Não Humanos e Violência Humana?

 

Quase um quarto de todos os casos de crueldade intencional contra animais, envolve alguma forma de violência familiar. Violência doméstica foi a forma mais referida, seguida dos abusos contra crianças e pessoas idosas.

 

21% dos casos de crueldade intencional contra animais não humanos também envolvem alguma forma de violência familiar.

 

13% envolve violência doméstica. Nesses casos, o culpado abusa do parceiro ou cônjuge, forçando a vítima a testemunhar actos de crueldade contra animais não humanos.

 

7% diz respeito a abusos contra crianças. Neste caso o culpado abusa das suas crianças e (ou) força a vítima a testemunhar actos de crueldade contra animais não humanos.

 

1% envolve abuso de idosos. Nesses casos, o culpado abusa do idoso e ou força a vítima a testemunhar actos de crueldade contra animais não humanos.

 

Quem são as vitimas?

 

Os animais de companhia são os alvos mais frequentes de crueldade, principalmente os cães (76% de todos os animais de companhia) que são comumente mais relatados que casos de crueldade contra gatos (19% de todos os animais de estimação). Esse número baixo de incidências, não corresponde ao que dizem os que trabalham na causa e isso sugere que o público, os média e os reforços das Leis, parecem dar menos importância para casos de crueldade contra gatos, que para casos que envolvem crueldade contra cães.

 

O que se segue é uma análise dos animais vítimas de crueldade neste estudo: 76% dos casos envolvem animais de companhia. 12% dos casos envolvem animais de quinta.

 

7% dos casos envolvem animais selvagens.

 

5% dos casos envolvem várias espécies de animais.

 

Que tipo de crueldade é cometida contra animais?

 

Mais de 57% dos casos revistos foram caracterizados como abuso intencional ou tortura; 31% envolvem negligência extrema, incluindo deixar o animal passar fome e sem cuidados básicos; e 12% envolvem ambos, negligência e crueldade directa.

 

Nos casos de crueldade intencional contra animais não humanos, as ofensas mais comuns são tiros, espancamento, arremesso do animal e (ou) mutilação.

 

33% dos casos envolve tiros; 14%, espancamento; 8%, arremesso do animal; 8%, mutilação; 6%, queimaduras; 6%, envenenamento; 5%, facadas; 4%, lutas; 4% chutos; 2%, abuso sexual; 2%, afogamento; 2%, enforcamento; 6%, outras formas de violência intencional.

 

Quantos animais são afectados?

 

É impossível dizer quantos animais sofrem ou estão em risco de serem vítimas de crueldade, porque no momento não há no País um sistema de reforço de leis ou mesmo entidades para monitorizar todos os casos. Entretanto, no exemplo dos casos revistos nessa pesquisa, uma média de 3.4 animais foram vitimizados em casos de negligência. Na maioria (63%) os animais foram mortos ou tiveram de ser sacrificados devido ao resultado dos seus ferimentos.

 

O relatório da HSUS comprova a mais recente pesquisa sobre a ligação entre crueldade contra animais não humanos e violência contra seres humanos.

 

Apesar de este ser o primeiro estudo nacional para analisar a prevalência de violência humana em casos de crueldade contra animais não humanos, nas últimas duas décadas psicólogos, sociólogos e criminologistas têm conduzido diversos estudos para examinar a extensão de casos de crueldade contra animais não humanos em casos de violência em família. Interesse que vem de longe na ligação entre crueldade contra animais não humanos e violência humana foi inspirado por casos contados pelo povo, compilados pelo FBI e outras agências criminalistas ligando os serial killers, violadores em série e violadores assassinos a actos de crueldade contra animais não humanos antes dos 25 anos. Muitos desses casos, onde houve alegação de maus tratos a animais por David Berkowitz e Jeffrey Dahmer, têm sido amplamente divulgados pelos média e consciencializado o público sobre a ligação entre violência humana e violência contra animais não humanos. Entretanto, recentes estudos e pesquisas constatando a incidência de crueldade contra animais não humanos, onde há casos de violência familiar, dá-nos evidências mais concretas.

 

Em 1995, alguns investigadores entrevistaram uma pequena amostra de vítimas de violência doméstica que procuravam abrigo em Utah e descobriram que 71 % das que tinham animais de estimação receberam ameaças dos seus agressores que maltrataram ou mataram os animais da família. Estudos mais completos em 1997 e 2000, nos EUA e Canadá, comprovaram essas descobertas e examinaram o efeito que essas ameaças têm no sentido de evitar que a vítima saia dessa relação familiar abusiva. Pesquisas relacionadas com esses estudos revelam que mais de 20% das vítimas de violência doméstica afirmam ter adiado sair de uma relação afectiva abusiva, temendo a segurança dos animais de estimação. Em resposta a essa fundamentação, associações de bem-estar animal começaram a fazer parcerias com as agências que atendem casos de violência doméstica, no sentido de desenvolver programas que proporcionam abrigo temporário aos animais de estimação das vítimas de violência doméstica.

 

Similar aos casos de violência doméstica, os que abusam de crianças frequentemente o fazem com animais não humanos para exercitar o seu poder de controle sobre a criança. Em alguns casos forçam as crianças a actos sexuais com animais ou exigem que elas matem o animal de estimação favorito, com a finalidade de chantageá-las para que mantenham os abusos como um segredo de família. Geralmente apenas a ameaça de magoar um animal da criança é suficiente para fazer com que ela se cale em relação às agressões que sofre.

 

Um estudo realizado em 1983 referente ao New Jersey Division of Youth and Family Services for Child Abuse descobriu que 88% das famílias que têm animais de estimação com histórico de abuso físico, pelo menos uma pessoa cometeu crueldade contra animais. Em 2/3 dos casos o agressor é um dos pais. Entretanto em 1/3, as próprias crianças transformam-se em agressores, muitas vezes imitando a violência que viram ou experimentaram, usando o animal como vítima.

 

Recomendações da Humane Society of the United States: Leis & Soluções para a Comunidade

 

Enquanto o estudo da HSUS é apenas uma amostra de milhares de casos de crueldade que as associações, os canis municipais e a polícia encontram a cada ano, os resultados do estudo dá-nos um melhor entendimento de como a crueldade contra animais não humanos, se encaixa dentro de problemas maiores da comunidade e da violência em família. A alta percentagem do envolvimento de adolescentes em actos intencionais de crueldade e a prevalência da violência em família em muitos dos casos de crueldade contra animais, sugerem a necessidade de leis e soluções na comunidade, para a crueldade contra animais não humanos e violência humana.

 

Nos últimos anos a consciencialização do público e de profissionais sobre essa ligação aumentou devido a pesquisas e muitos casos estudados. Como resultado, muitas áreas do país já começaram a ajustar leis sobre crueldade contra animais não humanos e estão a desenvolver programas inovadores junto às comunidades, com o objectivo de reduzir a violência. Trinta e um estados e o Distrito de Columbia elaboraram projectos de lei "felony level" (felony = mesmo nível de crime dos que cometem assassinato ou violação, sujeito a sentença severa por cometer crime considerado grave) e a maioria foi aprovada nos últimos anos.

 

Muitos Estados também aprovaram leis exigindo avaliação psicológica e terapia para os que são presos por cometerem crueldade contra animais não humanos. Neste ano (2001) 18 estados estão a trabalhar em leis contra crueldade (felony) melhorando as que já existem, no sentido de fazer com que esse tipo de crime seja considerado crime passível de sentença pesada. Em consequência disso, cinco estados - Florida, Virgínia, Arizona, Carolina do Sul e Massachusetts - introduziram leis que obrigam as denúncias de crueldade contra animais não humanos que chegam aos órgãos de controle Animal (canis municipais e abrigos), sejam estudadas em conjunto com denúncias contra crianças que chegam aos serviços especializados de protecção às mesmas.

 

Além dos esforços em relação à legislação, muitas comunidades americanas já estão a desenvolver programas anti-violência que têm a intenção de prevenção, usando a ligação violência contra animais não humanos/violência contra seres humanos, para identificar e dar assistência a animais não humanos e humanos vulneráveis à posição de vítimas. Departamentos de polícia, grupos de assistência social, abrigos para vítimas de violência doméstica, educadores e outros grupos anti-violência estão a trabalhar em conjunto com entidades de bem-estar animal, desenvolvendo interactividade no sentido de reduzirem a violência doméstica e crueldade contra animais não humanos. Muitos desses programas utilizam comparações de relatos entre organizações (que cuidam de crianças, animais e casos de violência em família), trabalhando no sentido de encontrar uma solução conjunta.

 

Talvez o meio mais eficaz de se combater a crueldade contra os animais não humanos e violência humana seja a prevenção. A maioria dos maus tratos infligidos a animais não humanos e a humanos, é motivado por medo, ignorância e incapacidade de se ter empatia pelas necessidades e sentimentos dos outros.

 

A Educação Humanitária pode ser essencial para se introduzir o conhecimento de valores que podem ajudar a prevenir crianças de começarem a percorrer um caminho destrutivo. Esses esforços podem não recuperar as gerações de abusadores, mas podem ter uma importância efectiva no sentido de quebrar o ciclo de violência em família, de uma geração para outra.

 

Texto original no site da Humane Society of the United States http://www.hsus.org


***

UM “ESTUDO” PORTUGUÊS QUE COMPLETA ESTE ESTUDO AMERICANO

 

Texto de Teresa Botelho

 

AS CRIANÇAS E A EDUCAÇÃO!

 

Nos vários anos em que ensinei crianças e adolescentes carenciados e de várias etnias, verifiquei que o abandono e a violência que a vida lhes proporcionava, se dirigia normalmente contra os colegas, (bullying) ou contra animais, por estes serem o elo mais fraco, nos bairros degradados em que viviam. No entanto, essa violência, não é vista apenas nas cidades grandes, nem nas comunidades mais carenciadas, porque também leccionei no interior, onde se faziam autênticos massacres a animais, sob a condescendência dos adultos e até progenitores.

 

Perante estas situações e por solicitação dos Gabinetes de Apoio, fiz várias acções de sensibilização nas Escolas onde trabalhei e também em outras, como voluntária.

 

Infligir dor e sofrimento a um ser vivo, jamais pode ser considerado como um comportamento saudável no crescimento harmonioso de um menor de idade, assim como não o é, para um adulto responsável e menos ainda se for Encarregado de Educação ou Professor.

 

O Comité dos Direitos da Criança, da ONU, advertiu Portugal em 2014, citando o seguinte:

 

A participação de crianças e adolescentes em actividades taurinas, constitui uma forte violação dos Direitos da Convenção, doutrinando-as para uma acção violenta”.

 

Mais adiante, esta Convenção, coloca mesmo o uso de crianças e adolescentes na tauromaquia, a par do tráfico de droga, como trabalho degradante e perigoso.

 

A Associação Americana de Psiquiatria, considera a crueldade contra os animais, um transtorno de comportamento e a 4ª edição do Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais, define como transtorno de comportamento, a acção de ignorar os direitos básicos dos outros, bem como as principais normas sociais e regras próprias, aplicadas à idade do indivíduo.

 

A evidência clínica, indica ainda que os sintomas de crueldade para com os animais, são observados durante as 1ªs etapas do Transtorno Comportamental, frequentemente, por volta dos 8 anos de idade.

 

Algumas pesquisas, indicam ainda que em 80% dos lares, nos quais o Controle Animal, encontrava animais maltratados, havia antecedentes de abuso físico, negligência familiar e sobretudo afectiva.

 

Fonte:

 https://retalhosdeoutono.blogspot.pt/2015/09/as-criancas-e-educacao-varios-anos-em.html?showComment=1477331002989#c2087101382547065018

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:09

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