Terça-feira, 2 de Fevereiro de 2021

As palavras que Deus nunca diria…

 

Copyright © Isabel A. Ferreira 2009

 

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A minha Mindinha - A gatinha mais sensível e meiga, de todas as gatinhas que já me acompanharam na Vida...

 

 

Se há verdades verdadeiras, uma delas é o meu inquestionável gosto pela leitura. Sem livros eu seria infeliz e vaguearia nas trevas. E porque gosto de ler, regresso quase sempre àqueles livros que em mim deixam cicatrizes na alma.

 

Desta vez reli «Da Imortalidade dos Animais – Uma esperança para as criaturas que sofrem», de Eugen Drewermann, uma edição de 1990, da Editorial Inquérito.

 

Precisava de fortalecer a minha esperança numa humanidade mais justa e mais condizente com a realidade da Vida. Não da insignificante vidinha de cada um. Mas de toda a Vida que nos rodeia: animais – humanos e não humanos – e plantas.

 

Este é um daqueles livros que deveria ser divulgado com grandes parangonas, nos meios de comunicação que habitualmente são utilizados para esmagar os nossos sentidos, com notícias de crueldades atrozes perpetradas contra essa Vida, que deveria ser preservada como um bem precioso e único. E ao contrário disso, é delapidada até ao indizível.

 

 «O que é a Vida?

Se usarmos do saber livresco diremos que Vida é o estado de actividade dos animais e das plantas. Deduzimos então que, no mundo conhecido, apenas os animais e as plantas vivem num estado de actividade desde que nascem. Uma pedra também nasce, e ali fica. Quieta. Não cresce. Morre, se a triturarem e a transformarem em pó. E o pó leva-o o vento. E quem chorará a morte de uma pedra? A galinha? Eu? Talvez outra pedra?!

 

Mas as pedras não choram, porque não vivem. A galinha vive. Eu vivo. Ambas choramos. Logo, a galinha e eu somos seres vivos. Somos animais.

 

Outros animais e plantas povoaram o Planeta muito tempo antes do homem. E cada um cumpriu a sua missão. Harmoniosamente. Animais de todas as espécies. Plantas, desde o miosótis ao mais frondoso plátano. Todos seres muito belos, mais-que-perfeitos. Seres sensíveis.

 

Só depois veio o homem, que encontrou um mundo fervilhando de vida até na mais pequenina fenda, entre os rochedos, à beira-mar.

 

No jardim vivia uma rosa. Viçosa e formosa. A rosa. O homem veio e disse: «Que linda é a rosa. É minha, pois não sou eu o dono do mundo? Vou levá-la comigo». E o homem arrancou a rosa da roseira, e a rosa murchou, e só o homem é que não viu. E continuou a clamar: «Eu sou o dono do mundo»!

 

Auto-intitulou-se um ser “superior”, só porque falava, pensava, fazia coisas com as mãos, que mais nenhum outro ser fazia. E, usando dessa pretensa “superioridade”, principiou então a maltratar os seus companheiros de vida: tortura e mata, por simples prazer, animais, plantas e até outros seres seus semelhantes. Polui as águas dos rios, dos oceanos e das fontes, que costumavam ser límpidas. Destrói as florestas que dão o oxigénio, sem o qual o planeta não respira. E tudo isto o homem vai fazendo em nome da tal “superioridade” e de interesses escusos, “valores” que desvalorizam a existência do próprio homem, e exterminam os animais e as plantas.

 

Durante milhares de anos, o planeta chamado azul foi azul da cor do céu; foi verde da cor dos prados; loiro da cor das searas; vermelho da cor do sol poente; teve todas as cores do arco-íris enquanto não veio o homem. Depois dele, e em nome da sua “superioridade”, o que foi um paraíso durante o reinado dos animais e das plantas, transformou-se em caos.

 

Se o lobo respeita o homem, porque não há-de o homem respeitar o lobo?

Se a árvore respeita o homem, porque não há-de o homem respeitar a árvore? Afinal, somos todos irmãos. Iguais, enquanto resultado do mesmo acto criador. Diferentes no modo como respeitamos a vida». (in Manual de Civilidade, da minha autoria).

 

Por esta altura (de touradas e de circos e de outros espectáculos anormais), eu, que tenho os animais não humanos e as plantas como meus irmãos (somos todos seres da mesma criação) necessito de ir buscar aos sábios, o alento que vive nas palavras que pensam e escrevem.

 

«Da Imortalidade dos Animais» começa com um poema que passo a transcrever:

 

«Vejam os animais, os bois,

as ovelhas, os burros;

acreditem, eles também têm alma,

também são seres humanos,

só que têm pêlo e

não podem falar;

são pessoas de tempos passados,

dai-lhes de comer;

vejam as oliveiras

e as vinhas... antigamente,

também elas eram seres humanos,

mas há muito, muito tempo,

e já não conseguem recordar;

mas o homem recorda

e por isso é humano.»

 

Nikos Kazantzakis

(Prestando contas a el Greco)

 

 

Neste poema, o que mais me enterneceu foi “acreditem, eles também têm alma”. Por fim, encontrei alguém que acredita naquilo que eu, desde criança, sempre acreditei.

 

Nunca tive dúvidas de que os animais têm uma alma como eu. Vivi com eles. Entre eles. Criei-os. Amei-os e fui amada por eles. Certo dia, teria eu uns sete anos, deram-me uma porquinha já desmamada. Adoptei-a como se fosse um cão ou um gato. E a minha relação com essa porquinha foi humaníssima. Era inteligente, brincalhona, limpíssima, e gostava de mim, tanto quanto eu gostava dela. Tinha a sua casinha no quintal, apenas para passar a noite. Uma casinha sem portas. Durante o dia, seguia-me para todo o lado. Há hora da sesta, dormia ao Sol, no tapete do meu quarto. Era da família.

 

Da família, foi também uma cabrinha, branquinha, que me ofereceram, quando a porquinha morreu num acidente, ao atravessar a estrada que dava para o fundo do meu quintal. E tal como a porquinha, a cabrinha também tinha alma e comunicava comigo com os seus “més” amorosos, com os seus olhares, com os seus maneios de cabeça. Tal como a porquinha, seguia-me para todo o lado, e gostava de mim tanto quanto eu gostava dela.

 

Vieram depois os pássaros, que faziam os ninhos nas árvores do meu quintal. Mais tarde, os cães, os gatos, e um ratinho branco, com uma história singular. Andava à solta na casa. Dormia onde queria. Por vezes, no meu travesseiro, e no meu ombro, enquanto eu escrevia. Com ele partilhava a maçã do meu pequeno-almoço. Tinha uns olhos penetrantes e melífluos e deixava os seus esconderijos secretos, quando eu o chamava pelo nome: Ratolinha. E ele lá vinha, a correr para a minha mão, onde se aninhava.

 

De todos os animais com quem já convivi, recebi um afecto imenso. Com eles aprendi grandes lições de vida, de felicidade, e também de profunda angústia, quando o momento final se aproximava.

 

E se os animais não têm alma, então também eu não tenho alma.

Tive uma gatinha, a mais sensível e meiga de todas as gatinhas, a qual, quando pressentiu que ia morrer, despediu-se de mim com um “miau” que ainda hoje me dói na alma (e já lá vão alguns anos).

 

A diferença, entre eles e eu, está apenas no verbo: eu utilizo as palavras para comunicar. Eles não. Contudo, comunicam através dos olhos, e é nos olhos dos animais que as suas almas se acolhem, e nos dizem as coisas mais extraordinárias.

 

Por tudo isto, não posso atribuir a Deus aquelas palavras que a Bíblia diz ter Ele proferido ao criar Adão e Eva: «Crescei e multiplicai-vos, enchei a Terra e sujeitai-a e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se movem sobre a Terra (Gn1, 28)».

 

Crescei e multiplicai-vos e enchei a Terra, talvez!

«Sujeitai-a e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se movem sobre a Terra», são palavras que Deus nunca diria. Fazemos parte da sua criação. Todos nós. Animais, humanos e não-humanos, e as plantas.

 

Apenas o homem seria capaz de pronunciar tais palavras, em nome de Deus, como tantas outras coisas fez e disse, em nome de Deus, apenas por conveniência, enchendo de vergonha a Humanidade.

E quem escreveu a Bíblia foram os homens. Não Deus.

 

Uma das vergonhas, entre as muitas outras vergonhas que desonram a essência humana do homem, é o modo como ele trata os animais, torturando-os, massacrando-os, experimentando-os, em nome da economia e da diversão.

 

Na contracapa «Da Imortalidade dos Animais» pode ler-se:

 

«Como corolário de uma tradição religiosa que superlativou o homem como ser imortal, destinado à salvação e à ressurreição, distinguindo-o de todas as outras criaturas terrenas, a nossa civilização despreza os animais e trata-os com uma crueldade inenarrável em nome da economia, da ciência e do espectáculo. Esta breve, mas profunda reflexão sobre a condição dos seres ditos “irracionais” é simultaneamente um manifesto em defesa dos seus direitos e uma busca dos laços que unem os homens aos animais, resultando numa visão renovada da própria espiritualidade humana».

 

Se há livros que deviam fazer parte de um estudo superior obrigatório, é este, para que os jovens possam desenvolver neles a ideia de que todos os seres animados têm alma, e se têm alma, são imortais, e se são imortais… lá nos haveremos de encontrar, e encontrando-nos, se quisermos alcançar um lugar no paraíso, teremos de prestar contas, e nessas contas, entre muitos outros dizeres, teremos de confessar: «Não maltratei nenhum animal», e os animais terão de dizer: «Não temos nenhuma queixa contra esta pessoa…». Coisas dos antigos. Mas eles sabiam o que diziam.

 

E quem assim falar, será o verdadeiro Homem, aquele a quem Deus sorrirá…

 

 

Para completar esta reflexão, eis algumas mensagens que mentes brilhantes nos deixaram acerca deste tema, todos eles Homens intemporais.

 

Chegará o dia em que todo o homem conhecerá o íntimo de um animal. E nesse dia, todo o crime contra o animal será um crime contra a humanidade.

 

(Leonardo da Vinci)

 

Quando o homem aprender a respeitar até o menor ser da criação, seja animal ou vegetal, ninguém precisará ensiná-lo a amar o seu semelhante!

 

Primeiramente, é a solidariedade com todas as criaturas que torna um homem verdadeiramente humano.

 

(Albert Schwweitzer – estadista, Nobel 1952)

 

A compaixão pelos animais está intimamente ligada à bondade de carácter e pode ser seguramente afirmado que, quem é cruel com os animais, não pode ser um bom homem.

(Arthur Schopenhauer)

 

A grandeza de uma nação e o seu progresso moral podem ser julgados pela maneira como os seus animais são tratados.

(Mahatma Gandhi)

 

A não-violência leva à mais alta ética, a qual é o objectivo de toda a evolução. Até que paremos de prejudicar todos os outros seres viventes, seremos ainda selvagens.

(Thomas Edison)

 

Para a pessoa cuja mente é liberta, há algo ainda mais intolerável no sofrimento dos animais do que no sofrimento dos humanos. Porque no caso dos humanos, pelo menos admite-se que o sofrimento é algo ruim e que aquele que o causa é um criminoso. Contudo, milhares de animais são desnecessariamente assassinados, todos os dias, sem sombra de remorso. E se alguém protesta contra isso, acaba por ser ridicularizado. E isso, por si só, é um crime imperdoável.

(Romain Rolland – Nobel 1915)

 

E só quem teve o privilégio de partilhar a existência com animais sabe que tudo isto é verdade. Eu sempre o soube, desde criança. Eles são meus iguais, porque criaturas da mesma criação. Sofrem e regozijam-se; sentem fome, frio, sede, dor, tal como eu; e quando a morte chega, olham-nos com um olhar que diz tudo o que as palavras não dizem. Eles partem, mas esperam por nós, para confirmarem: «Não temos nenhuma queixa contra esta pessoa».

E então Deus sorrirá…

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:25

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Quinta-feira, 31 de Dezembro de 2020

Votos para 2021: é urgente que as consciências despertem, para que haja futuro…

 

O ano de 2020 trouxe-nos uma mensagem muito clara:

 

O Homem é apenas um peão no xadrez da Vida. 

O Planeta sucumbe. A Natureza reage. E o Homem concentra-se no seu muito  insignificante umbigo.

 

No passado dia 21 de Dezembro, entrámos na Era de Aquário, a era do conhecimento e do poder da consciência.  Diz quem sabe que esta força trará mudanças nas esferas política, social e espiritual. Como toda a Humanidade está debaixo da sua influência, será possível ver cada vez mais o poder da mente sobre a matéria.

 

Acredito nas forças cósmicas, que tudo comandam, no Universo.

E eu, como aquariana, filha de aquariana, sendo também um ser cósmico, e sentindo em mim a energia positiva que a Era de Aquário já começou a espargir pelo mundo, penso que as coisas vão mudar, não digo de hoje para amanhã, mas vão mudar. Além de que é a partir das camadas mais jovens que essa consciência, a que me refiro, actuará.

O capitalismo e os interesses [ainda] falam mais alto, e a ignorância e estupidez são imensuráveis, e o ser humano está a destruir-se, porém, os novos tempos trarão um Novo Homem.  É isto que diz o meu aquariano instinto.

 

Tenham esperança! Não esmoreçam.

Para que haja futuro é urgente que as consciências despertem e que a mediocridade e a irracionalidade, que avassalam as sociedades humanas, sejam banidas da face da Terra.

 

Se queremos um futuro, é urgente que a Humanidade desperte para a Inteliência, Racional e Emocional.

 

“Ouçam” agora o «Prelúdio para uma Nova Terra», da poetisa e escritora portuguesa Idalete Giga.

Isabel A. Ferreira

 

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«Prelúdio para uma Nova Terra»

 

A Mãe-Terra descansa

 E não deve ser perturbada

Não há tufões

Não há tsunamis

Não há tempestades

Não há ruido

O silêncio tudo invadiu

O céu está mais azul

O ar mais puro

As águas mais cristalinas

Os peixes nadam tranquilamente

As flores desabrocham

Os pássaros cantam alegremente

Louvando a Primavera

Os animais selvagens

Regressam aos seus habitats

Não perturbemos a Mãe-Terra

E soframos com coragem

O nosso karma colectivo.

 

Idalete Giga

Paço de Arcos, 16/ Abril/2020

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 12:10

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Quinta-feira, 3 de Setembro de 2020

Quando os homens perdem a roupagem humana...

 

... perdem igualmente a noção da Vida, da Humanidade e do sentido do Ser. O único objectivo deles é praticar a crueldade e deleitarem-se com o sofrimento dos outros, seja quem forem esses “outros”.

 

Transformam-se em criaturas luciferinas, que são capazes de torturar e matar um ser vivo com o mesmo prazer com que saboreiam o melhor vinho do mundo.

 

Sem alma e sem coração, estas criaturas não passam de mortos-vivos que deambulam pelo mundo sem qualquer préstimo.

 

E o mais insólito é que ainda existem governantes que os apoiam, protegem, promovem e incentivam à prática desta crueldade, e este pormenor constitui um grande mistério para os que ainda mantém a lucidez…

 

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Se um toureiro fosse integrado num exército nazista, comportar-se-ia com os seres humanos do mesmo modo desumano e cruel com que lida um Touro numa arena. A motivação que o move contra o animal não-humano é exactamente igual à que moveu os nazistas contra inocentes, indefesos e inofensivos judeus (entre outros).

 

No passado fim-de-semana revi pela enésima vez (e é sempre como se fosse a primeira) o mais extraordinário filme jamais produzido sobre o holocausto nazi, «A Lista de Schindler», que completa 20 anos desde que foi lançado ao mundo.

 

Steven Spielberg, talvez porque nas suas veias corra sangue judeu e ouça os gritos de desespero do seu povo, conseguiu transpor para a tela não só imagens que mostram o horror de uma época, governada por um psicopata apoiado por uma multidão de alienados, mas fundamentalmente (e nisto reside a grandiosidade do filme) a essência, o âmago de uma crueldade inata e patológica, centrada na personagem genialmente interpretada pelo então estreante actor Ralph Fiennes, como Amon Leopold Goeth, o capitão austríaco das SS e comandante do campo de concentração de Płaszów, o qual representa, na perfeição, o tenebroso espírito nazista.

 

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Cena da banalização da morte de um ser inocente, indefeso e inofensivo, à mercê de carrascos todo-poderosos. É fácil ser “valente”, com uma arma na mão, diante de um ser desprotegido. Amon Goeth gostava de matar e matava aleatoriamente pelo mais insignificante motivo, mas também por nada.

 

«A Lista de Schindler» mostra-nos, com grande mestria, o apetite desenfreado pelo acto de espancar, torturar e matar seres vivos apenas porque sim.

 

Além de soldados nazistas assassinos e ladrões, o filme revela-nos a psicopatia colectiva de um exército chefiado por um louco que, com uma invulgar genialidade, conseguiu contaminar, com essa loucura, milhares de criaturas sem personalidade própria, como se fosse uma peste contagiosa e perigosamente incontrolável.

 

O filme apresenta-nos nua e cruamente (e não é por acaso que foi realizado a preto e branco) a selvajaria nazista; o gosto por sangue; o gozo de matar só por matar; a cobardia de assassinar crianças pelas costas; a brutalidade no seu estado mais puro; a bestialidade a que podem chegar os homens quando se despem da própria humanidade; a falta de empatia pelos outros; olhar os outros nos olhos e nada mais ver do que uma coisa inútil que deve ser abatida sem piedade alguma, apenas porque sim.  

 

A Vida, para essas criaturas insensíveis, perde todo o sentido. Só a inutilidade da vida delas conta.

 

Quando Oskar Schindler diz a Amon Goeth que o poder de um comandante se avalia pela capacidade de perdoar a quem pede misericórdia, aquele oficial nazista tentou algumas acções piedosas.

 

Tentou. Porém, como no seu corpo não corria a seiva humana, a gratidão era um termo vão, e não tardou a regressar à selvajaria desarvorada dos impiedosos.

 

Amon Goeth personificou a maldade no seu mais alto grau de monumentalidade. Era um tipo que acordava com apetite de matar, e do alto da varanda do seu quarto girava a arma, e quando decidia parar, imprimia o gatilho e, aleatoriamente, matava quem estivesse na sua mira, e até inocentes crianças matava pelas costas.

 

E a patologia era de tal modo desmedida que baleava ferozmente quem já estava morto.

 

A acção deste filme centra-se na avaliação de forças entre o bem e o mal, em que está em jogo a vida de 1.100 judeus, que Oskar Schindler, um alemão membro do Partido Nazi, resgatou da morte, utilizando toda a considerável fortuna que angariou durante a guerra.

 

Amon Goeth, a quem foi diagnosticada uma doença mental depois de capturado, viu a sua inútil vida acabar, pendurado numa forca.

 

***

Quem teve ânimo para ler este texto até ao fim, estará a perguntar: o que terá «A Lista de Schindler» a ver com a selvajaria tauromáquica?

 

E eu responderei: o tenebroso espírito de homens, que perderam a sua roupagem humana,  sentindo um prazer mórbido em torturar e matar seres vivos, que este filme nos mostra com enorme mestria.

 

O toureiro, que vemos na imagem reproduzida acima, representa para os Touros exactamente o que Amon Goeth representou para os Judeus, naquele campo de concentração.

 

E se pudessem trocar de posição, Amon Goeth daria um perfeito toureiro, e o toureiro, um perfeito nazista.

 

É que ambos têm algo em comum: uma psicopatia incentivada pelos respectivos governantes.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:23

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Sexta-feira, 14 de Agosto de 2020

Virologista chinesa garante que o novo coronavírus foi "criado em laboratório militar"». Verdade? Mentira?...

 

«Virologista que diz ter fugido do país por recear pela vida, deu mais uma entrevista onde assegura que o novo coronavírus foi criado num laboratório militar controlado pelo regime comunista chinês.» in jornal «O Observador»:

https://observador.pt/2020/08/04/virologista-chinesa-virus-foi-criado-em-laboratorio-militar/

 

Dizem que a virologista chinesa mentiu.

Eu não sei se o que ela disse é mentira ou verdade. Só sei que ISTO de criar vírus em laboratórios, para tramar a Humanidade é POSSÍVEL e EXISTE, porque os predadores da Humanidade, em vez de gastarem dinheiro a favor da VIDA no Planeta, esbanjam-no a criar organismos nocivos, para acabar com essa VIDA, usando-os em guerras biológicas. O feitiço deveria virar-se contra o feiticeiro, mas nem sempre as coisas funcionam assim.

 

E enquanto houver criaturas predadoras entre nós, a Humanidade não estará a salvo.

 

Deter essas criaturas é um dever de toda a Humanidade. Elas não podem estar acima da Vida, nem serem deuses na Terra. O Planeta não lhes pertence. A VIDA não lhes pertence. O Planeta e  a Vida são bens comuns a toda a fauna e flora planetárias.

 

Nenhum governante-predador é dono da Vida, de nenhuma vida, no Planeta Terra. Nenhum. Daí que qualquer acto lesivo à Vida, perpetrado por governantes-predadores, deva ser severamente punido, sem apelo nem agravo, sem hipótese de recurso, sem alternativa, irrevogavelmente. E isto tem de ser possível, a bem da Humanidade.

 

Isabel A. Ferreira

 

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publicado por Isabel A. Ferreira às 16:12

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Domingo, 31 de Maio de 2020

A sociedade portuguesa de hoje é o reflexo da política desastrosa de todos os governos que já detiveram as rédeas do Poder

 

(Eis um texto escrito em Abril de 2015. Se o escrevesse hoje, não lhe retiraria uma vírgula. Como é triste comprovar que Portugalnão anda nem desanda, há tanto tempo!)

***

Portugal está em pleno retrocesso. Em tudo.

O estado da Educação, o estado da Cultura, o estado Social, o estado da Saúde, o estado do Estado é absolutamente caótico.

Qualquer dia regressamos às cavernas, porque as trevas obscurecem as mentes, ainda por evoluir, dos que conduzem o destino do país…

Almada Negreiros dizia que «Isto [Portugal] não é um país. É um sítio. E ainda por cima, mal frequentado!» Como estava certo, Almada Negreiros, que viveu entre 1893 e 1970.

 

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O País anda chocado com a violência contra crianças de tenra idade que são barbaramente assassinadas pelos seus progenitores ou por quem tem à sua guarda a vida dessas crianças.

 

O País anda chocado com a onda de violência doméstica cometida por indivíduos que se entregam ao álcool, na maioria caçadores que, escasseando a caça nos matos, têm de dar gosto ao dedo no gatilho, e vingam-se nas crianças, nas mulheres e nos idosos, o elo mais fraco de uma sociedade assente na prática consentida da violência e da crueldade contra seres vivos. Qualquer ser vivo que viva.

 

A violência dessa gente é treinada nos animais indefesos que o governo português exclui do Reino Animal, considerando-os “coisas” que podem ser torturadas com crueldade.

 

(E isto não sou eu que afirmo).

 

Os progenitores são responsáveis por 45% dos maus tratos às crianças. Dizem as estatísticas.

 

As comissões de protecção de menores não funcionam. Dizem que não têm verbas, mas as verbas existem, por exemplo, quando se trata de patrocinar as chamadas “escolas” de toureio, antros de violência que transformarão essas crianças nos monstros do futuro. Este é um tipo de maus tratos psicológicos que trará graves consequências para a saúde mental dessas crianças.

 

E quem se importa? As crianças não votam...

 

Todo o ser humano que exercer crueldade, mais tarde vai vivenciar em si toda a crueldade que exerceu. Que não haja dúvidas sobre isso!

 

A política portuguesa de educação é pobre. É dirigida a um conhecimento infrutuoso, que não serve para a vida. É ministrada como se as crianças, os adolescentes e os jovens fossem muito estúpidos. E mais empobrecida ficou com a imposição ilegal do AO90, que empobreceu a Língua Portuguesa, atirando-a para a valeta e fabricando milhares de semianalfabetos.

 

A Educação Cívica deveria ser obrigatória, a começar pelos políticos que não sabem o que isso é.

 

Vivemos numa sociedade com gente muito insólita a deambular por aí, sem o mínimo sentido do SER.

 

No nosso país, civismo, evolução, cultura culta e ética são palavrões obscenos, impronunciáveis, e dos quais os políticos evitam falar.

 

Nunca tivemos tanta corrupção em Portugal.

 

É porta sim, porta sim...

 

Um mal que afecta essencialmente a gente chamada "graúda". E eu pergunto-me: porquê? Esses “graúdos” passarão fome? Passarão sede? Dormirão debaixo da ponte? Precisarão assim tanto de se corromperem?

 

E pensar que quando morrerem nada levarão com eles a não ser o esqueleto e aquilo que são (ou foram enquanto vivos!) ou seja NADA, e disso terão de prestar contas ao Poder Cósmico.

 

Portugal não evoluiu. Fez-se muitos progressos tecnológicos. Porém, as mentalidades, na generalidade, ficaram especadas num passado, já muito passado, a cair de podre.

 

Sempre existiram no mundo mentes brilhantes. Desde a Idade da Pedra.

 

Se hoje podemos andar de automóvel, é graças a alguém que num tempo muito, muito recuado, inventou a roda.

 

Mas ainda hoje, continuamos a ter escravos, a fazer guerras em nome de deuses, a praticar crimes contra a Natureza, contra os animais humanos mas também não-humanos, contra a Humanidade, contra as Crianças, contra as Mulheres, contra os Velhos...  

 

Enfim, hoje, deslocamo-nos de avião, mas existem muitas mulheres que ainda morrem esfaqueadas e baleadas pelos próprios maridos, e crianças assassinadas por quem as gerou.

 

E a prática da violência e da crueldade tem legislação, em Portugal.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:15

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Domingo, 5 de Abril de 2020

A Liberdade não é um conceito exclusivo do Ser Humano – Uma reflexão ao redor do nosso confinamento

 

 

Esta bem-apanhada “Visita à Cidade” diz-nos o quanto o Homem está errado, no que respeita ao modo como trata os animais não-humanos.

 

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Fonte da imagem: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=3053870421301048&set=a.502947543060028&type=3&theater

 

Esta imagem bem poderia ser uma imagem possível, nos tempos que correm, se os animais não estivessem confinados a jaulas, a cercas, a gaiolas, a currais, a zoológicos, a correntes, a viveiros, a tanques, a espaços vedados, privados da sua liberdade de correr nos campos, na selva, nos matagais, nas florestas, nos desertos, nas montanhas, nas serras, nas planícies, nas savanas; de voar pelo espaço, de deslizar pelos rios, pelos mares, pelos oceanos…

 

A Liberdade é algo inerente a todos os seres vivos. Nenhum animal não-humano deve ser privado da sua liberdade, porque a liberdade é pertença da Vida. Viver sem liberdade não é viver, é arrastar-se no tempo.

 

Que o digam os animais-humanos que cometeram crimes e, por esse motivo, mereceram ser privados da sua liberdade.

 

Contudo, porque nenhum animal não-humano jamais cometeu, comete ou cometeria os crimes hediondos que os animais-humanos cometem, não merecem ser privados da sua liberdade e da razão de ser da própria vida.

 

Todos os seres vivos que nascem, nascem por algum motivo. Nenhum animal-humano ou não-humano nasce por acaso. TODOS (humanos e não-humanos) fazem parte do TODO que mantém (ou deveria manter) o Planeta Terra em perfeita harmonia. E essa harmonia só não existe devido aos desmandos do animal-homem, e jamais do animal não-humano.  

 

Daí que aproveitemos esta imagem para fazer uma reflexão: não é por acaso que o mundo dos homens está a passar por esta privação de liberdade. Reparem que o coronavírus não ataca os não-humanos, pelo contrário, vivem neles. Saibamos dar-lhe valor, e compreender a tristeza profunda (porque eles sentem-na) dos nossos irmãos planetários, que os homens confinam a jaulas, a cercas, a gaiolas, a currais, a zoológicos, a correntes, a viveiros, a tanques, a espaços vedados, por motivos absolutamente irracionais.

 

Espero que tenham aprendido a lição, porque este vírus, que hoje nos mantém confinados, não veio por acaso, mas com uma finalidade bem definida, e só os cegos-mentais não a entenderá.



O Homem não é o dono do mundo. É apenas o seu guardião. E quem não entender isto, nada sabe da Vida, mas também da Morte, a certeza maior e única de toda a nossa existência.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:16

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Sexta-feira, 3 de Abril de 2020

«Práticas para quem está em Quarentena»

 

Partilho este texto, tal como o recebi via e-mail, com práticas para quem está em quarentena e não deixa por isso de ir Caminhando a Vida.

 

Um belo texto, sem qualquer outra pretensão, senão a de levar à meditação, focando-se no que está a acontecer no mundo e ao mundo, o que trará grandes mudanças na forma de vida de todos os povos, uma vez que todos os povos estão a ser atingidos por este “ser” invisível, que a todos domina.

 

E todos os governos, de todos os povos, devem saber ler este sinal, que nos foi enviado de um modo cruel, para que as políticas mudem e as sociedades se humanizem.  

 

Isabel A. Ferreira

 

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Origem da imagem: Internet

 

«1)  Permanecer informado sem exagerar, não estar sempre a ouvir notícias, desligar a TV e ligar a nossa atenção à limpeza da casa, ouvir e comunicar com as pessoas que estão connosco, abrir a janela e apreciar as nuvens, o céu, as folhas nas árvores, o cantar dos pássaros.

 

Isto não são distracções, e dão-nos a diversidade de conteúdos de que precisamos para manter as nossas mentes saudavelmente flexíveis, receptivas e focadas.

 

A distracção é não nos focarmos num objecto por um tempo suficientemente longo para o podermos apreciar por ele próprio e andarmos a saltar de notícia em notícia perdendo o nosso Foco e Equilíbrio.

 

Ficar distraído - obcecado com algo – seja agradável ou detestável – não é o mesmo que prestar atenção. Estar simplesmente viciado ou fixado em algo é uma forma extrema de distracção compulsiva e apenas conduz a mais Desequilíbrio Interior.

 

A atenção pode focar-se ou desfrutar em função do prazer ou do relacionamento; pode mover-se, calmamente, através do espectro de uma consciência desperta. Movemo-nos de uma coisa para outra, sem pânico nem caos. A variedade é saudável e nutritiva.

 

Ao acordar agradecer estar vivo e manter-se atento aos milagres da vida de todos os dias. Ao deitar agradecer o dia que passou e colocar-se nas mãos do Universo Criador, pois '“Somos Nada, Tu és Tudo'', ''Seja feita a Tua e não a minha vontade'‘, sempre estivemos nas mãos de quem nos criou, só o orgulho-ambição do homem pode pensar outra coisa.

 

Quem tenha animais que faça o passeio higiénico e aprecie a simplicidade dos animais no seu comportamento exterior.

 

2)  A atenção é como um músculo. Se não a usarmos, ela atrofia e perdemos o Caminho e o Equilíbrio Interior, tal como um músculo necessita de exercício regular.

 

3) O mundo não voltará a ser o mesmo, não, por isso só quem estiver equilibrado vai sobreviver a esta mudança.

 

Assim, ao longo destes dias em que a vida mudou para todos nós, a meditação é um grande caminho, simples e ao nosso dispor para reconstruir o nosso poder de atenção. Não quer dizer que meditemos 24 horas por dia. Mas vamos construindo nos tempos estabelecidos e percebendo que conseguimos viver entre esses tempos com mais tranquilidade e melhor apreciação da beleza à nossa volta – e no nosso íntimo. A atenção sem pensamentos, nem imagens é oração pura. Mas, ao exercê-la deste modo, nos tempos de meditação, significa que podemos pensar, ler, olhar, escutar, tocar e cheirar o resto do tempo, de um modo verdadeiramente orante.» P. B.

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:42

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Sexta-feira, 20 de Março de 2020

O homem-predador está ao nível dos vírus e das bactérias que flagelam a vida no planeta Terra

 

 

Uma das razões pela qual considero o homem-predador inviável como “espécie”, é porque ele é uma das poucas e raras criaturas, entre as demais, que precisa destruir para evoluir. O homem-predador mata, sacrifica e destrói tudo por onde passa, na sua busca inglória pela evolução, desejo, ganância e ambição... É uma espécie única, entre os milhares de criaturas existentes sobre a face da Terra,  com excepção dos vírus e bactérias, aos quais se iguala, uma vez que age da mesma forma!

 

Num momento em que a espécie humana está a ser posta à prova por um organismo invisível e todo-poderoso, que nos cerca, sem que saibamos por onde nos cerca, sugiro uma reflexão a partir deste texto, que nos leva a ter a certeza de que nada acontece por acaso, e que o novo coronavírus veio com uma missão muito clara: parar o mundo, para que o homem-predador deixe de ser predador e passe a ser apenas o HOMEM, ou seja, aquele que protege (não destrói) o Planeta e todas as outras espécies dos Reinos Animal e Vegetal, e as águas e os rios e os mares e os oceanos e o ar, enfim, todo o meio ambiente… 

 

Isabel A. Ferreira

 

HOMEM PREDADOR1.jpg

 

 «Pegada humana»

 

Pegada humana.jpeg

 

O impacto destruidor das nossas acções é visível no nosso Planeta.

 

A situação da Terra é desesperante. Um número reduzido de habitantes deste Planeta vai causando um dano potencialmente irreversível ao Planeta, esgotando os seus recursos e colocando em risco o futuro de todas as espécies, humanas e não-humanas.

 

Os cientistas dizem que se cada um de nós, não reduzir de forma significativa o impacto no meio ambiente, em duas décadas ultrapassaremos o ponto de não retorno, além do qual o Planeta mudará irreversivelmente, a despeito de todas as medidas.

 

O grande problema é que a vida não será nada agradável ou sustentável para a espécie humana. O estrago que estamos a fazer é resultado do nosso estilo de vida. Todas as nossas acções exercem um impacto sobre o mundo natural. Assim, qualquer mudança de rotina, desde que acordamos até à hora de voltarmos para a cama é uma oportunidade para podermos cuidar do planeta.»

 

Fonte:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=254356554632369&set=a.231292166938808.52391.100001740791934&type=1&theater

 

HOMEM PREDADOR3.jpg

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:17

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Segunda-feira, 24 de Fevereiro de 2020

«Não matem». Um texto magnífico

 

 

Cortella.jpg

 

Por José Mendonça da Cruz, em 16.02.20

 

O texto que junto, sobre a eutanásia, é humanista e um dos mais bem pensados, mais serenos e inteligentes, mais sabedores da realidade portuguesa que tive o prazer de ler. É a tomada de posição do Partido Comunista Português, datada de 18 de Maio de 2018, e confesso que o li com alguma surpresa. Mas também me fez pensar que será talvez por estas coisas que o Dr. António Filipe ou o Dr. Honório Novo ainda são comunistas, ou por estas mesmas coisas que o PCP sobrevive.

 

  1. O debate sobre a introdução legal da possibilidade da provocação da morte antecipada não corresponde à discussão sobre hipotéticas opções ou considerações individuais de cada um perante as circunstâncias da sua própria morte. É, sim, uma discussão de opções políticas de reforçada complexidade e com profundas implicações sociais, comportamentais e éticas.

 

A legalização da eutanásia não pode ser apresentada como matéria de opção ou reserva individual. Inscrever na Lei o direito a matar ou a matar-se não é um sinal de progresso, mas um passo no sentido do retrocesso civilizacional, com profundas implicações sociais, comportamentais e éticas que questionam elementos centrais de uma sociedade que se guie por valores humanistas e solidários.

 

A ideia de que a dignidade da vida se assegura com a consagração legal do direito à morte antecipada, merece rejeição.

 

A oposição à eutanásia tem o seu alicerce na preservação da vida, na convocação dos avanços técnicos e científicos (incluindo na medicina) para assegurar o aumento da esperança de vida e não para a encurtar, na dignificação da vida em vida. É esta consideração do valor intrínseco da vida que deve prevalecer e não a da valoração da vida humana em função da sua utilidade, de interesses económicos ou de discutíveis padrões de dignidade social.

 

  1. A invocação de casos extremos, para justificar a inscrição na Lei do direito à morte antecipada apresentando-o como um acto de dignidade, não é forma adequada para a reflexão que se impõe. Pode expressar em alguns casos juízos motivados por vivência própria, concepções individuais que se devem respeitar, mas é também, para uma parte dos seus promotores, uma inscrição do tema em busca de protagonismos e de agendas políticas promocionais.

 

A ciência já hoje dispõe de recursos que, se utilizados e acessíveis, permitem diminuir ou eliminar o sofrimento físico e psicológico. Em matérias que têm a ver com o destino da sua vida, cada cidadão dispõe já hoje de instrumentos jurídicos (de que o “testamento vital” é exemplo, sem prejuízo dos seus limites) e de soberania na sua decisão individual quanto à abstinência médica (ninguém pode ser forçado a submeter-se a determinados tratamentos contra a sua vontade). A prática médica garante o não prolongamento artificial da vida, respeitando a morte como processo natural recusando o seu protelamento através da obstinação terapêutica. Há uma diferença substancial entre manter artificialmente a vida ou antecipar deliberadamente a morte, entre diminuir ou eliminar o sofrimento na doença ou precipitar o fim da vida.

 

  1. Num quadro em que o valor da vida humana surge relativizado com frequência em função de critérios de utilidade social, de interesses económicos, de responsabilidades e encargos familiares ou de gastos públicos, a legalização da provocação da morte antecipada acrescentaria uma nova dimensão de problemas.

 

Desde logo, contribuiria para a consolidação das opções políticas e sociais que conduzem a essa desvalorização da vida humana e introduziria um relevante problema social resultante da pressão do encaminhamento para a morte antecipada de todos aqueles a quem a sociedade recusa a resposta e o apoio à sua situação de especial fragilidade ou necessidade. Além disso a legalização dessa possibilidade limitaria ainda mais as condições para o Estado promover, no domínio da saúde mental, a luta contra o suicídio.

 

  1. O princípio da igualdade implica que a todos seja reconhecida a mesma dignidade social, não sendo legítima a interpretação de que uma pessoa “com lesão definitiva ou doença incurável” ou “em sofrimento extremo” seja afectada por tal circunstância na dignidade da sua vida. E ainda mais que ela seja invocada para consagrar em Lei o direito à morte, executada com base numa Lei da República.

 

A vida não é digna apenas quando (e enquanto) pode ser vivida no uso pleno das capacidades e faculdades físicas e mentais e a sociedade deve assegurar condições para uma vida digna em todas as fases do percurso humano, desde as menos autónomas (seja a infância ou a velhice) às de maior autonomia; na presença de condições saudáveis ou de doença; no quadro da integridade plena de faculdades físicas, motoras ou intelectuais ou da deficiência mais ou menos profunda, congénita ou sobreveniente.

 

O que se impõe é que o avanço e progresso civilizacionais e o aumento da esperança de vida decorrente da evolução científica sejam convocados para garantir uma vida com condições materiais dignas em todas as suas fases.

 

  1. Afirmamos a nossa oposição a legislação que institucionalize a provocação da morte antecipada seja qual a forma que assuma – a pedido sob a forma de suicídio assistido ou de eutanásia –, bem como a eventuais propostas de referendo sobre a matéria.

 

Continuaremos a lutar para a concretização, no plano político e legislativo, de medidas que respondam às necessidades plenas dos utentes do Serviço Nacional de Saúde, nomeadamente no reforço de investimento sério nos cuidados paliativos, incluindo domiciliários; na garantia do direito de cada um à recusa de submeter-se a determinados tratamentos; na garantia de a prática médica não prolongar artificialmente a vida; no desenvolvimento, aperfeiçoamento e direito de acesso de todos à utilização dos recursos que a ciência pode disponibilizar, de forma a garantir a cada um, até ao limite da vida, a dignidade devida a cada ser humano.

 

  1. É esta a concepção de vida profundamente humanista que defendemos, uma concepção que não desiste da vida, que luta por condições de vida dignas para todos e exige políticas que as assegurem desde logo pelas condições materiais necessárias na vida, no trabalho e na sociedade.

 

Perante os problemas do sofrimento humano, da doença, da deficiência ou da incapacidade, a solução não é a de desresponsabilizar a sociedade promovendo a morte antecipada das pessoas nessas circunstâncias, mas sim a do progresso social no sentido de assegurar condições para uma vida digna, mobilizando todos os meios e capacidades sociais, a ciência e a tecnologia para debelar o sofrimento e a doença e assegurar a inclusão social e o apoio familiar.

 

A preservação da vida humana, e não a desistência da vida é património que integra o humanismo real – e não proclamatório – que o PCP assume nos princípios e na luta.»

 

Fonte:

https://corta-fitas.blogs.sapo.pt/nao-matem-um-texto-magnifico-6873948

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:13

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Terça-feira, 18 de Fevereiro de 2020

«Milhares de holandeses unem-se contra aeroporto no Montijo»

 

Isto não é uma vergonha para Portugal?

É.

Mas só se envergonham os que amam Portugal, e os que se preocupam em proteger a fauna, que os governantes portugueses tanto desprezam, porque interesses financeiros tilintam acima do pulsar da Vida das aves que ali têm o seu habitat.

 

Senhores governantes: não me venham falar que têm medidas de protecção do meio ambiente, porque estarão a MENTIR!

 

Aves no Montijo.png

 

«Abaixo-assinado explica que temem que ave-símbolo da Holanda seja afectada pelos aviões depois de sair de África e criticam aeroporto numa zona protegida pela União Europeia.

 

A associação para a defesa das aves da Holanda, em parceria com a Organização Não Governamental BirdLife Europe, está a promover uma petição contra o novo aeroporto no Montijo. O texto altamente crítico para o projecto já reuniu 26 mil assinaturas.

 

O abaixo-assinado, promovido pela Vogelbescherming Nederland, tem por título “Maçarico Sim! Aeroporto Não!” e tem como objectivo proteger as centenas de milhares de aves do estuário do rio Tejo e em particular uma espécie: o maçarico-de-bico-direito (Limosa limosa).

 

À TSF, o porta-voz da associação explica que o maçarico-de-bico-direito é a ave nacional da Holanda, país por onde passam, uma vez por ano, cerca de 85% dos animais desta espécie.

 

O maçarico-de-bico-direito passa o Inverno na África Ocidental, perto da Serra Leoa e Guiné, e vem até à Holanda reproduzir-se, passando por Portugal e por Espanha, parando, para ‘se reabastecer’, digamos assim, perto de Lisboa, nos campos de arroz”, detalha Thijs den Otter.

 

Thijs den Otter acrescenta que a área perto de Lisboa é crucial e se há um problema a meio caminho entre África e a Holanda é grande o risco de consequências graves para o maçarico.

 

A viagem “tão cansativa para um pássaro tão pequeno” pode ser prejudicada fazendo com que as aves cheguem à Holanda numa fase em que não encontram comida.

 

“Chocados com aeroporto”

 

Os defensores das aves na Holanda ficaram “chocados” quando souberam que existia o plano para construir o aeroporto no Montijo, um projecto que afectará, acreditam, não apenas os maçaricos como as centenas de milhares de outras aves que passam pela zona.

 

Sobre o maçarico-de-bico-direito a associação sublinha que “o aeroporto vai perturbá-los, afugentando-os, podendo significar o fim de uma espécie que já está ameaçada”: “O estuário do Tejo é essencial para esta ave migrar da África para a Holanda e estes campos de arroz são vitais para a sua sobrevivência”.

 

Zona protegida

 

Admitindo-se “estupefacta”, a associação que defende as aves não percebe como é que o Governo português planeia uma obra destas numa zona que faz parte da Rede Natura 2000, ou seja, uma rede de áreas designadas para conservar os habitats e as espécies selvagens raras, ameaçadas ou vulneráveis na União Europeia, falando-se mesmo num eventual “desastre ecológico”.

 

Os cientistas estimam que entre Janeiro e Fevereiro o Estuário do Tejo seja usado como abrigo e fonte de alimento por cerca de 50 mil maçaricos-de-bico-direito.

 

Uma das críticas feitas durante a participação pública sobre o Estudo de Impacto Ambiental do novo aeroporto sublinha que “podem existir conflitos nas aproximações pelo cone norte e descolagens para norte, face à existência de várias concentrações de aves acima dos 10 mil indivíduos na trajectória de voo das aeronaves, apenas a 2000 pés de altitude”. “A maioria dessas aves”, salienta-se, “são maçaricos-de-bico-direito que voam frequentemente a alturas muito superiores a 2000 pés”.

 

Holandeses contra aeroporto do Montijo: 26 mil já assinaram petição

 

Fontes: 

TSF

https://blogcontraatauromaquia.wordpress.com/2020/02/18/milhares-de-holandeses-unem-se-contra-aeroporto-no-montijo/

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:46

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