Terça-feira, 9 de Agosto de 2016

VERÃO EM PORTUGAL: INFERNO PARA ANIMAIS HUMANOS E NÃO HUMANOS

 

Hoje, dia 09 de Agosto de 2016, pelas 7h30m, hora a que me levantei, fui à varanda das traseiras do meu prédio e pude olhar o Sol, “olhos nos olhos”.

 

Um Sol vermelho. Filtrado pelos fumos dos incêndios que lavram, há uns dias, ao redor da cidade.

 

Um dia escurecido, logo pela manhã.

 

E se não fosse a tragédia por detrás deste Sol, diria que era imensamente belo.

 

DSC02026.JPG

 

O Fogo. Um elemento da Natureza que o homem, um ser liliputiano, nunca dominou, não domina, nem nunca dominará. E nem por isso aprendeu que ele, homem pequeno, não é a medida de todas as coisas.

 

A Natureza encarrega-se de lhe enviar os sinais mais evidentes, nas tempestades, nos fogos, nas erupções dos vulcões, nos furacões, nos tsunamis, nas doidas ventanias, como que gritando eu sou mais forte do que tu, por isso reduz-te à tua insignificância, mas, ainda assim, o homem pequeno considera-se o dono do mundo. Um ser superior a todos os outros seres.

 

E no entanto, a minhoca poderá escapar à fúria do Fogo, escavando fundo na terra. As plantas renascerão depois do Fogo. O homem pequeno não.

 

O Fogo destrói-lhe a casa, os bens, os animais domésticos, as florestas. Morrem bombeiros. Morrem pessoas. Morrem animais selvagens. Mas ainda assim, o homem pequeno não se verga à evidência de que o Fogo é mais poderoso do que ele.

 

E não só o Fogo, mas também a Água e o Vento e a própria Terra.

 

E nestas demonstrações do infinito poder da Natureza, que sempre existiram desde o início dos tempos, o homem primitivo, muito mais humilde e sábio do que o homem do terceiro milénio da era cristã, curvava-se diante destas forças, que ele sabia serem muito mais poderosas do que ele. Mas o dito homem moderno ainda não sabe.

 

Em Portugal não se faz prevenção. Os governantes obrigam o povo a pagar impostos, dos quais uma boa fatia é para aplicar mal e sordidamente em coisas inúteis, supérfluas, do foro da imoralidade.

 

A maioria dos fogos é provocada por mãos criminosas.

 

Os criminosos raramente são apanhados. Mas aos que são apanhados, aplicam-lhe umas peninhas de passarinho e depois libertam-nos. E eles reincidem.

 

E depois há o interesse dos madeireiros e de outros interesseiros. Sempre o interesse de alguém a comandar a desgraça dos outros. Sejam esses outros humanos ou não humanos.

 

Não gosto do Verão, não pelo Verão em si, mas pelo que o homem pequeno da era moderna faz dele: um verdadeiro inferno para os animais de todas as espécies, humanas e não humanas.

 

No Verão, em Portugal, somos agredidos desalmadamente pela brutalidade do homem pequeno.

 

As cidades, povoações, vilas e aldeias, civilizacionalmente atrasadas, agridem a sensibilidade dos seres sencientes, humanos e não humanos, com a violência das atitudes tomadas pelos seus governantes, ou pela sua inércia.

 

Em Portugal, excepto para aqueles que se estão nas tintas para o que se passa ao lado, o Verão é, na verdade, a época dos horrores.

 

E nem o Sol, belo e vermelho como uma maçã, ameniza a dor de sentir a tragédia que é ter homens pequenos por governantes.

 

Isabel A. Ferreira

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:17

link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
Sexta-feira, 1 de Julho de 2016

… PORQUE É NECESSÁRIO RENASCER…

 

fenix10[1] RENASCER.jpg

 

 Lutar contra blocos de cimento armado é desgastante.

 

Fingir-me-ei de morta por um tempo breve, para poder renascer…

 

Estarei num lugar onde a mais pequena flor beneficia do privilégio de ter nascido…

 

Onde o vento anda à solta e os Cavalos são livres…

 

Onde o silêncio brinca furtivamente com os pássaros…

 

Onde as ervas brotam das pedras…

 

E as águas segredam-me os seus mistérios…

 

Até breve…

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:20

link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
Segunda-feira, 9 de Junho de 2014

CASA CHEIA… DE VENTO, NA TORTURA DE BOVINOS, ONTEM, EM SANTARÉM…

 

A quem querem enganar os tauricidas quando dizem que a tortura de bovinos está de boa saúde?

 

 

Origem da foto:

http://farpasblogue.blogspot.pt/2014/06/entrevista-de-sommer-ao-naturales-agita.html

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:55

link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
Terça-feira, 13 de Janeiro de 2009

Indiferença...

 

Copyright © Isabel A. Ferreira 2008
 
 
 
 
Se não reparas na flor do caminho, não mereces a sua beleza...
 
 
 
O vento passa ligeiro. Os rios correm tranquilos, serpenteando por entre o verde da planície. A flor desabrocha na serra. A lua enfeita de prata as águas do mar. O Sol doira o trigo das searas. A andorinha faz o seu ninho no beiral da casa, onde algumas papoilas dão colorido ao telhado.
 
E tu nem reparas.
 
Lá longe, de onde vêm estranhos ecos, os ventos em fúria arrancam as árvores. As águas jorram dos céus e inundam aldeias. Os vulcões vomitam o fogo que queima as entranhas da terra. Seres humanos morrem de fome e de sede. Doentes. E a ajuda não chega.
 
E tu nem reparas.
 
Nas noites em que os lobos se calam, ouvem-se gritos desesperados. Cabeças humanas rolam pelo chão. O sangue dos Homens mistura-se com a água dos rios e os campos enchem-se de papoilas tão vermelhas como o sangue que escorre das cabeças decapitadas.
 
E tu nem reparas.
 
Fumos negros de um progresso retrógrado escurecem os céus das cidades. Matam as aves do paraíso. Fazem murchar o arvoredo. Dizimam os bosques. E pelo buraco de ozono chegam até nós os elementos que hão-de transformar a Terra num planeta tão inóspito e deserto quanto Marte.
 
E tu nem reparas.
 
Os pássaros do jardim deixaram de cantar, porque já não há jardim. A música do vento deixou-se de ouvir, porque o grito dos loucos soou mais alto. A sombra das árvores foi substituída pelos fantasmas do betão. E as flores deram lugar às latas.
 
E tu nem reparas.
 
A guerra instalou-se. O riso da criança transformou-se em choro. A mãe desesperada lançou ao rio o filho que não podia carregar na fuga. As lágrimas secaram. Secaram os campos. Os rios e as fontes. O elefante retirou-se para morrer só, numa gruta recôndita. E o cisne cantou o seu último canto.
 
E tu não choraste.
 
Tu não reparas na beleza das coisas, nem no desfazer dos sonhos. Não rejubilas. Não gritas. Não te revoltas. Não dizes nada. Limitas-te a comer a tua maçã, à sombra do que resta da tua própria sombra. E sorris. E gritas: «Não fui eu que fiz mal ao mundo. Não sou vento, nem chuva, nem vulcão. Não sou fumo. Não sou governante, não corto cabeças...».
 
É apenas o que te convém dizer, para justificares a tua indiferença?
 
Mas se não reparas na flor do caminho, não mereces a sua beleza.
 
 
in Manual de Civilidade
 
Este livro pode ser adquirido através do e-mail: isabelferreira@net.sapo.pt
publicado por Isabel A. Ferreira às 18:47

link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos

Mais sobre mim

Pesquisar neste blog

 

Janeiro 2021

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
12
13
16
17
19
20
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

Posts recentes

VERÃO EM PORTUGAL: INFERN...

… PORQUE É NECESSÁRIO REN...

CASA CHEIA… DE VENTO, NA ...

Indiferença...

Arquivos

Janeiro 2021

Dezembro 2020

Novembro 2020

Outubro 2020

Setembro 2020

Agosto 2020

Julho 2020

Junho 2020

Maio 2020

Abril 2020

Março 2020

Fevereiro 2020

Janeiro 2020

Dezembro 2019

Novembro 2019

Outubro 2019

Setembro 2019

Agosto 2019

Julho 2019

Junho 2019

Maio 2019

Abril 2019

Março 2019

Fevereiro 2019

Janeiro 2019

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Agosto 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Direitos

© Todos os direitos reservados Os textos publicados neste blogue têm © A autora agradece a todos os que os divulgarem que indiquem, por favor, a fonte e os links dos mesmos. Obrigada.
RSS

Acordo Ortográfico

Em defesa da Língua Portuguesa, a autora deste Blogue não adopta o Acordo Ortográfico de 1990, devido a este ser inconstitucional, linguisticamente inconsistente, estruturalmente incongruente, para além de, comprovadamente, ser causa de uma crescente e perniciosa iliteracia em publicações oficiais e privadas, nas escolas, nos órgãos de comunicação social, na população em geral, e por estar a criar uma geração de analfabetos escolarizados e funcionais.

Comentários

Este Blogue aceita comentários de todas as pessoas, e os comentários serão publicados desde que seja claro que a pessoa que comentou interpretou correctamente o conteúdo da publicação. Serão eliminados os comentários que contenham linguagem ordinária e insultos, ou de conteúdo racista e xenófobo. Em resumo: comente com educação, atendendo ao conteúdo da publicação, para que o seu comentário seja mantido.

Contacto

isabelferreira@net.sapo.pt