Quinta-feira, 2 de Junho de 2016

OS PARTIDOS DA DIREITA (CDS/PP, PSD E PCP) DEVEM CHUMBAR PROIBIÇÃO DO TRABALHO DE MENORES EM TOURADAS

 

«A Assembleia da República deverá chumbar hoje a proibição dos menores participarem em corridas de touros. As propostas que aumentam a idade mínima para 18 anos foram ontem debatidas no Parlamento. PSD, CDS e PCP estão contra. O PS dará liberdade de voto.

 

As votações acontecerão hoje ao final do dia. Aguardamos com especial expectativa. Sim, estão aqui em causa os direitos fundamentais das crianças.» (PAN)

 

 

A proposta do PAN é racional, o resultado da votação poderá ser IRRACIONAL.

 

Esta é uma matéria que, se Portugal fosse realmente um país CIVILIZADO e EVOLUÍDO, nem sequer estaria em discussão, por tão óbvio ser o facto de a violência e a crueldade não fazerem parte dos valores HUMANOS que o Estado tem o dever de pugnar para a EDUCAÇÃO das crianças e jovens portugueses.

 

Mas não surpreende serem os partidos da DIREITA, CDS/PP, PSD e PCP e também o PS (Alguns) a chumbar tal proibição. Vivem num tempo anterior ao da Pré-História.

 

E francamente, nunca tivemos uns governantes tão incivilizados (salvo raras excepções), desde o tempo de Dom Afonso Henriques. A falta de lucidez, sensibilidade, bom senso e cultura que grassa na Assembleia da República é monumental.

 

É algo nunca visto.

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:48

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Quarta-feira, 30 de Julho de 2014

“GRANDIOSA” CORRIDA DE TOUROS EM AMARANTE COLOCARÁ A CIDADE ABAIXO DE LIXO

 

Que vergonha Amarantinos! Não permitam que conspurquem a vossa bela cidade de Amarante com algo tão macabro e sangrento, indigno de seres humanos, como é a tortura de bovinos.

 

Como é possível a Junta de Freguesia de Frejim, presidida por uma "senhora", consentir que se realize uma tourada, dentro dos seus domínios?

 

Num tempo em que existem mil e um divertimentos civilizados, Amarante irá sujar o seu nome com algo que não dignifica o ser humano e é um divertimento inculto, de carniceiros para carniceiros.

 

 

 Exma. Senhora Presidente da Junta de Freguesia de Fregim, Senhora Dona Sandra Fraga:

 

Não sei como uma “senhora” permite tal barbaridade dentro dos seus domínios…!

 

Sim, existe uma lei (uma lei bacoca, bastarda, ilegal e irracional, que exclui Touros e Cavalos do Reino Animal) que permite que se torture animais para divertir sádicos, violando todas as normas da Declaração Universal dos Direitos dos Animais, que Portugal aceitou, mas apenas no papel, pois é um país que pratica a carnificina mais abominável contra os animais não humanos que, enfim, são portugueses também.

 

Mas isso não significa que tenha de a seguir. Pode e deve embargar todas as iniciativas de tortura, dentro da sua área de acção.

 

Pode e deve.

 

É que andam por aí, pelo norte do País, uns incultos  a aliciar os autarcas mais aliciáveis (porque os há com personalidade forte, que se recusam a colaborar com tal indigência), e pelo que vemos, a senhora de Fragim, deixou-se levar na conversa, ou então é aficionada deste costume bárbaro.

E só lhe fica mal.

 

Senhora Presidente, farei minhas as palavras de uma cidadã espanhola, Pepi Vegas (uma activista da causa da Abolição das Touradas em Espanha) e direi que «uma sociedade civilizada é aquela que avança atendendo à consciência ética dos cidadãos».

 

E todos nós sabemos que a maioria dos Amarantinos rejeita a tourada em Portugal.

 

Enquanto no mundo inteiro, uma esmagadora maioria de cidadãos está a manifestar-se contra este acto selvagem, que em Portugal é permitido pela tal lei irracional, em Amarante regressa-se a um passado onde imperava a ignorância, a incultura e a incivilização.

 

«O comportamento atroz praticado sobre um bovino, por diversão, não pode ser justificado, nem como tradição (que não o é) nem como interesse turístico», pois os turistas cultos não assistem a eventos incultos. É a ralé da sociedade, felizmente uma minoria, que ainda vai aplaudir uma tal selvajaria.

 

Como cidadã que repudia a tortura (seja de que ser vivo for, humano ou não humano) e a crueldade cobarde que caracteriza as touradas, é meu dever cívico manifestar a V. Excelência esse meu repúdio e sugerir-lhe que proporcione ao povo amarantino, uma alternativa de diversão mais condizente com os Valores Humanos e com a Ética que predominam nas sociedades modernas contemporâneas. 

 

Estaremos de olhos postos em Amarante, esperando que a Senhora Presidente tenha em conta estas linhas, que dizem do sentimento da esmagadora maioria dos Portugueses e cidadãos do mundo civilizado, a qual rejeita veementemente esta prática selvagem.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:47

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Quinta-feira, 8 de Maio de 2014

O IPO DE LISBOA, CÚMPLICE DA TORTURA DE TOUROS, RECEBE FORCADOS DE VILA FRANCA DE XIRA, INSULTANDO DESSE MODO AS CRIANÇAS QUE LUTAM PELA VIDA

 

 

A atitude dos forcados é desprezível (não admira) porque para limpar o nome manchado do sangue dos Touros que cobardemente torturam, fingem uma solidariedade que não sentem e fazem uma caridadezinha hipócrita

 

Agora que o IPO de Lisboa aceite ser visitado por torcionários que desprezam a Vida é aviltante e só diz da cumplicidade de quem permitiu tal insulto aos doentes oncológicos.

 

ooo

(Fonte da imagem)

https://pt-pt.facebook.com/photo.php?fbid=738490879504885&set=a.447905611896748.97839.447888525231790&type=1&theater

 

É já no próximo sábado, que os torcionários de Vila Franca de Xira pretendem estar presentes nos serviços de Pediatria do IPO de Lisboa, levando até àquelas crianças que lutam pela sua Vida, uma experiência de tortura e de morte de seres vivos indefesos.

 

Será essa a mensagem que terão para dar esses forcados, que nada mais sabem da Vida senão de tortura e de morte?

 

Como é possível que os responsáveis pelo IPO de Lisboa permitam tal insulto a crianças, a quem escondem o verdadeiro carácter desses forcados, despidos de valores humanos, sem sentimentos ou sensibilidade?

 

Que terão eles para partilhar com crianças, senão uma vivência de crueldade dentro das arenas, a torturar bovinos moribundos?  

 

Como é possível os responsáveis do IPO permitirem que  forcados partilhem “valores falsos” para ultrapassarem segundo o que despudoradamente dizem ser «as mais duras adversidades dentro da praça, passando essa mensagem de apoio e de esperança que os define: que nunca devemos virar a cara à luta e que devemos sempre dar mais um passo em frente quando tudo nos empurra para trás»…

 

Duras adversidades dentro da praça?

 

Alguém os força a ir para dentro de uma praça atacar um bovino moribundo com os seus gritos histéricos e a sua brutalidade?

 

Nunca devem virar a cara à luta?

 

Como se atrevem a colocar ao mesmo nível a luta pela Vida que estas crianças travam, e a “luta” numa arena contra um bovino mais morto do que vivo?

 

Isto é um insulto desmedido à inocência e à fragilidade destas crianças.

E o que têm a dizer os pais destas crianças?

 

Não fazem nada? Nem sequer respeito pelos filhos demonstram? 

 

Permitem este insulto aos filhos, e vergam-se a algo que transgride todas as regras e valores humanos?

 
 

(Imagem retirada da Internet)

 

É esta imagem que querem transmitir às crianças do IPO, ou lavam a cara para disfarçar o que na realidade é um forcado?

 

Dizem os forcados, com uma falsidade colossal, que se sente em cada palavra neste pedaço de prosa hipócrita: «É com esse espírito de humildade e perseverança que devemos e temos a obrigação de ajudar quem mais precisa, seja a pegar gratuitamente numa corrida de angariação de fundos para causas sociais, como a fazer a recolha de alimentos para o Banco Alimentar. Desta vez serão as crianças e o IPO a proporcionar a humilde oportunidade de poderem dar algo de volta.»

 

Isto é o cúmulo de quem não sabe o que diz e o que anda a fazer na vida.

 

Querem lavar as mãos sujas de sangue dos Touros que torturam, com esta falsa caridadezinha, mas não lavam a consciência (que não têm) nem sequer se redimem do crime que cometem ao torturar um ser vivo inofensivo e indefeso.

 

Veja-se o descalabro e o insulto contido nestas palavras: «Vamos todos ao IPO de Lisboa mostrar a todas as crianças que estamos aqui para lhes dar apoio e ajudar a pegar este toiro difícil que têm pela frente, vamos partilhar o espírito do Forcado Amador e expressar o agradecimento que a família do Grupo de Vila Franca de Xira manifesta a toda a família do IPO e a todas as crianças que por lá passam ou que por lá se encontram.

 

Chamam “touro difícil” ao cancro que consome a flor da vida destas crianças?

 

O que é isto??????

 

E os responsáveis pelo IPO permitem que esta decadência moral entre pelo hospital dentro?

 

E os pais destas crianças permitem esta injúria à vida dos seus filhos?

 

Mas ainda há mais.

 

Este INSULTO é realizado em parceria com a Associação Acreditar e Dádiva de Sangue…

 

O quê?????

 

Percebemos bem?

 

A Associação Acreditar e Dádiva de Sangue (será o dos Touros que são sangrados cobardemente até à morte?) estão metidas nesta iniciativa macabra?

 

Será que em Portugal nenhuma associação, instituição, autoridades merecem a confiança e o respeito dos Portugueses?

 

E vejamos este fecho inacreditável e a abeirar o obsceno:

 

«A “FESTA” (entenda-se a festa dos broncos) MAIS UMA VEZ A DAR UMA DESINTERESSADA LIÇÃO DE SOLIDARIEDADE!»

 

Uma desinteressada lição de solidariedade?

 

Isso poderá acontecer quando a palavra solidariedade deixar de significar empatia por todos os seres vivos.

 

Enquanto houver forcados cobardes, sujos do sangue dos Touros que torturam nas arenas de morte a dar “lições de solidariedade” a crianças que lutam pela vida, o mundo estará virado do avesso.

 

O dia 10 de Maio ainda não chegou.

 

Daqui fazemos um apelo ao IPO de Lisboa e aos pais das crianças lá internadas, que lutam pela Vida: repensem a vossa abertura a esta falsa caridade.

 

Não permitam que se INSULTE as crianças do IPO, que não podem defender-se desta investida de torcionários, que nada de positivo têm para lhes transmitir, a não ser às más energias que deles emanam, por serem predadores de outros seres indefesos.

 

Se não têm respeito por vós próprios, tenham-no, ao menos, pelas crianças que estão internadas no IPO, a sofrer e a lutar pela VIDA, VIDA que os forcados inegavelmente desprezam, ou não seriam forcados.

 

Fonte:

http://forcadoamador.blogspot.pt/2014/05/forcados-de-vila-franca-visitam-ipo.html

publicado por Isabel A. Ferreira às 10:19

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Quarta-feira, 27 de Fevereiro de 2013

A SÍNDROME DA TOURADICE AGUDA É UMA DOENÇA GRAVE, CUJA CURA ESTÁ PARA BREVE…

 

 

Mas enquanto não vem, temos de ter paciência com as “entidades” do Paleolítico Inferior

 

 

 

Esta imagem diz tudo sobre o que é a Síndrome da Touradice Aguda

 

 

Luis Soares disse sobre AS TOURADAS ESTÃO COM O PÉ NA COVA TANTO NA ILHA TERCEIRA COMO NAS RESTANTES REGIÕES ONDE A CIVILIDADE AINDA NÃO CHEGOU na Terça-feira, 26 de Fevereiro de 2013 às 21:08:

 

 «Boas novamente, Começo pela pergunta que fez sobre a ilha terceira e a sua, \"evolução\". Creio que está a falar sem saber mesmo.. tanto a nível tecnológico, como social nós estivemos sempre um pé à \" vossa \" frente.

 

Ai ainda não havia microondas já nós íamos aquecendo o leite com eles... Ai não sabiam o que era a coca cola já aqui se dava arrotos (se me permite a brincadeira) à custa dela... E até em termos sociais...

 

Basta ver a maneira como acolhemos as pessoas e a vossa. E até a forma de argumentar, a minha e a sua. Contínuo a dizer, e com conhecimento do que digo, as touradas estao bem firmes, o ano passado as praças estiveram cheias, mais q o anterior...e note-se que estamos em crise.

 

As touradas à corda, já muitos touros estão escolhidos para a festa. Este ano vai haver mais duas que o ano passado salvo erro... Eu até podia explicar o porquê de o touro nao estar cansado, e fraco.

Com factos científicos, mas, não é necessário. Basta ver uma pega para se ver que é uma autentica batalha entre David e Golias... O silêncio na arena... O medo... Mas já que está a dizer em por no lugar do touro. Pq nao se mete no lugar do forcado. Até pq qualquer um pega um touro... Ele está cansado e fraco. É impossível alguém dizer que um forcado é covarde!! 
 
Reforçando a ideia de que as touradas estão bem seguras..em Barcelona as touradas vão voltar a acontecer. Felizmente... E depois diz q só falta um empurrão.

 

Hum.. quem é que não quer aceitar os factos aqui?... Pegando no exemplo do fado, que dei no comentário anterior, creio ser tão descabido como o número de países com touradas... Teem de começar a respeitar mais as pessoas. Com os melhores cumprimentos,»

 

***

 

Vamos lá a ver por partes:

 

Primeiro: não confunda progresso tecnológico com evolução de mentalidades. Vocês até podem ter ido todos à Lua num foguetão fabricado pelas vossas mãos, mas continuam com uma mentalidade de homens pré-históricos, e é isso que conta, para o que estamos a discutir.

 

Segundo: Graças a Deus que a minha forma de argumentar não é igual à sua, de contrário sofreria de um complexo de inferioridade que me poria de rastos.

 

Terceiro: Todos os ditos “espectáculos” onde são utilizados BOVINOS MANSOS são DEPLORÁVEIS e só TRAZEM DESPRESTÍGIO À VOSSA TERRA. E vá informar-se sobre os estudos científicos em relação aos Touros. Terá uma surpresa muito desagradável, para si, claro, não para os Touros.

 

Quarto: Deus me livre e guarde de me meter no lugar de um forcado. Faria o papel mais RIDÍCULO e COVARDE da minha vida. NÃO, OBRIGADA! Prefiro ser AGITADORA DE CONSCIÊNCIAS, e “massacrar” com palavras. E quer goste ou não goste: o FORCADO não passa de um GRANDE COVARDE. Sempre foi. Só que nunca ninguém vos tinha DITO esta VERDADE, e cresceram com a MENTIRA da valentia.

 

Quinto: as touradas estão tão seguras como uma maçã podre no ramo de uma macieira. Ao mínimo toque CAIRÁ.

 

Sexto: a que pessoas se refere, quanto ao respeito? Àquelas que RESPEITAM a Vida? Os Animais? A Natureza? O Planeta? Os Valores Humanos? Sim, essas merecem todo o nosso respeito.

 

As outras, as que não respeitam nada disso, não valem um tostão furado.

 

***

 

Jay Nandi, deixou um comentário ao post A SÍNDROME DA TOURADICE AGUDA É UMA DOENÇA GRAVE, CUJA CURA ESTÁ PARA BREVE… às 16:07, 2013-02-28.

Comentário:

 

«O mito dos forcados serem valentes não passa disso mesmo - um mito. Mais uma mentira da indústria tauromáquica. Hooligans que atacam em bando bovinos feridos não podem ser classificados como valentes em parte alguma do mundo. São apenas covardes e ainda por cima são muito pouco inteligentes. Arriscam a vida por causa nenhuma e isso é estúpido e suicida. Por isso são chamados de "suicide squad" e são uma vergonha para todos os portugueses

 

***

Exactamente Jay. Passaram a vida toda a acreditar nas mentiras dos que os EXPLORAM, e acham-se uns heróis e uns valentes.

Como estão enganados!

Nunca ninguém lhes tinha ABERTO OS OLHOS. Nunca ninguém lhes tinha dito a VERDADE.

Mas agora que já sabem que são os MAIORES COVARDES, continuam a teimar em sê-lo.

A TEIMAR NO ERRO é uma forma de IGNORÂNCIA.

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:32

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Terça-feira, 15 de Janeiro de 2013

REPAREM NA TRISTEZA PROFUNDA NO OLHAR DESTE MAGNÍFICO TOURO

 

 

NÃO É DE DOER A ALMA?

 

DESTROÇAR-LHE A VIDA É A TAREFA DOS SÁDICOS E DOS TORCIONÁRIOS E DAS AUTORIDADES E DA IGREJA CATÓLICA E DE VETERINÁRIOS SEM ESCRÚPULOS, CÚMPLICES DE UM CRIME QUE DEVIA SER SEVERAMENTE PUNIDO, MAS É APLAUDIDO, É APOIADO…

ISTO NÃO É COMPATÍVEL COM OS VALORES HUMANOS NEM COM A EVOLUÇÃO.

 

 POR QUE PERSISTE?

 

PORQUE A IGNORÂNCIA AINDA EXISTE, E PORQUE OS GOVERNOS SÃO LACAIOS DE MERCENÁRIOS…

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 10:29

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Segunda-feira, 13 de Dezembro de 2010

DOS VALORES HUMANOS

 

 

 Se dás valor a comer bom pão, não terás de cuidar bem da tua seara?

  

Começo este capítulo por uma questão de direito.

  

Terás o direito de dizer eu sou um ser humano, se desprezares valores, ou virtudes, se preferires, como a dignidade, a verdade, a razão, a justiça, a tolerância, a paz, a honra, a moral, a amizade, o amor, o carácter, a honestidade, o bem, a solidariedade, um sorriso...?

 

Estes são, para mim, valores humanos, entre os quais se encontram alguns que temos o privilégio de partilhar com os nossos irmãos animais. Por vezes, estes dão-nos grandes lições de humanidade e de consciência colectiva, tornando-se seres superiores nos actos que praticam.

 

Nunca ouviste falar na honestidade dos animais? Eles não se enganam a si próprios, logo não têm capacidade de enganar os seus semelhantes. Não é isto, honestidade?

 

Nunca viste um gato e um rato juntos, a partilhar o leite no mesmo prato? Não é isto, tolerância e também amizade?

 

Não soubeste da porca que amamentou os seus bacorinhos juntamente com os cachorros que ficaram órfãos? Não é isto, solidariedade?

 

E a história daquela gata que enfrentou o inferno do fogo, para salvar as suas crias de morrerem queimadas num incêndio? Não é isto, amor?

 

Há quem chame a estes actos instinto que, de acordo com o dicionário, é uma tendência inata, inconsciente, o qual leva um ser a praticar actos úteis, para si ou para os da sua espécie.

 

Chama-lhe o que quiseres. A minha ideia é esta:

 

O ser humano e o ser não humano, que não enganam o seu semelhante, são honestos.

 

O ser humano e ser não humano, quando partilham o seu leite com quem não é da sua raça ou espécie, são tolerantes e amigos também.

 

O ser humano e o ser não humano, que sustentam os seus filhos e os filhos de quem já não existe, são solidários.

 

O ser humano e o ser não humano, ao sacrificarem a sua vida pelo outro, praticam um acto inato e inconsciente ou fazem-no por amor a esse outro?...

 

É do valor humano ter espírito crítico. Saber discernir entre o Bem e o Mal, o Bom e o Mau, o Belo e o Feio. Saber escolher. Saber dizer não.

 

Começando no seio da própria família, depois na escola, na rua, nos lugares públicos, no emprego, na Vida, não serás tu um ser Humano apenas se tiveres consciência de que o rato de esgoto existe onde existe, come o que come, é o que é, porque é rato de esgoto?

 

Mas tu não és um rato de esgoto.

 

Se dás valor a comer bom pão, não deverás cuidar bem da tua seara?

 

 in «Manual de Civilidade»

 

 

 © Texto e Foto Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:17

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Segunda-feira, 25 de Agosto de 2008

ÉTICA, DIREITOS E VALORES HUMANOS

 

 
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(Origem da imagem: Internet)

 

 Copyright © Isabel A. Ferreira 2008

 
Quando me convidaram para fazer uma palestra sobre Ética, Direitos e Valores Humanos, numa Escola Secundária, não tive como não aceitar, uma vez que um dia ousei escrever um Manual de Civilidade, onde abordei esses temas, se bem que sob um ponto de vista muito pessoal, baseado mais na minha observação de comportamentos humanos ao longo de muitos anos, do que propriamente no saber livresco.
 
Depois de formulado o convite, pensei: como pude aceitar tal incumbência, eu que não sou propriamente especialista nestes temas? Eu, que sou apenas uma criatura que se interessa pelas coisas humanas? Porém, uma vez dada a palavra, repensei: qual a melhor forma de abordar o tema da Ética, dos Direitos Humanos e dos Valores Humanos para uma plateia de professores e alunos que, com certeza, já leram nos livros tantas coisas sobre a matéria?
 
Pus-me então várias hipóteses.
 
Poderia dissertar sobre a ética e os valores humanos ao longo dos tempos, que obviamente não foram sempre os mesmos desde os primórdios das sociedades organizadas, dependendo essa ética e esses valores, dos humores, mais ou menos sensíveis, humanitários e compassivos, dos poderosos de cada época, porque concordemos ou não concordemos, temos de admitir que a vida do homem e do planeta sempre girou à volta das vontades, boas ou más, daqueles que nos governam.
 
Ou poderia fazer um discurso erudito tanto quanto pretensioso, e citar os dizeres, os saberes e os pareceres dos grandes filósofos, mestres e pensadores, que estudaram em profundidade estas questões, correndo o risco de dizer o que todos já disseram.
 
Ou poderia ainda apresentar um historial desde os tempos do animal humano das cavernas, cuja ética e valores seriam os da sobrevivência imediata, a que vai da mão para a boca, numa tentativa de partilhar o mundo com os animais não-humanos, aproveitando, paralelamente, a generosidade da Natureza, nessa altura ainda exuberante, límpida, despoluída e fértil em todas as coisas, estendendo esse historial até à nossa era, à era das armas biológicas, químicas e nucleares, onde a sobrevivência do planeta está na ponta dos dedos de pouco mais de meia dúzia de poderosos, apesar de loucos, cuja ética assenta mais no conceito do destruir do que no do construir.
 
Poderia, por outro lado, abordar a ética nos seus múltiplos aspectos, envolvendo todos os actos humanos, quer a nível das profissões (todas as profissões e cada uma em particular têm a sua própria ética, embora nos tempos que correm essa ética tenha sido atirada ao caixote do lixo, e é o que se vê – cada um por si e ninguém por todos), ou a nível de todas as posturas do homem perante a vida e a sociedade, perante si e o outro, nosso semelhante, e ainda o outro, o nosso dissemelhante mas companheiro na aventura da existência (refiro-me às plantas e aos animais não humanos – não gosto de me referir a estes como irracionais, porque entre os animais ditos humanos, conheço muitíssimos que são, esses sim, animais completamente irracionais, e não é da minha ética misturar os conceitos).
 
Coloquei igualmente a hipótese de abordar os temas da actualidade que interferem com a ética do mais precioso valor humano: a vida, analisando as questões da manipulação genética das espécies animais e vegetais, da clonagem, do aborto, da eutanásia, que dava muito pano para mangas, e por muito que disséssemos e desdisséssemos, nunca chegaríamos a um consenso, pois cada cabeça, sua sentença. Se bem que a minha atitude perante todas as questões que impliquem a vida, a humana e a não-humana, é aceitar o que é natural e repudiar as manipulações, quaisquer que sejam, porque mais tarde ou mais cedo, a própria Natureza encarrega-se de colocar as coisas no exacto lugar ao qual sempre pertenceram. É ela que tem a última palavra. Não o homem manipulador. Sobre isto, poderia dar muitos exemplos, mas podemos ficar-nos pelo das vacas loucas e dos animais que são criados à base de hormonas, que os seres humanos ingerem, transformando-se eles próprios em carne tão balofa como toda essa criação.
 
Já reflectiram por que é que uma criança, hoje, de onze/doze anos é quase tão alta como os pais, quando não os ultrapassam? Por que crescem tão aceleradamente ou ficam obesas? Há estudiosos que dizem ser por causa das carnes injectadas de hormonas, e há crianças que só comem carne e gorduras de animais e tudo o que faz mal, mas não é proibido vender: o que faz crescer os animais faz crescer também os humanos, dizem os entendidos. E assim, por este andar, qualquer dia, num futuro não muito longínquo, teremos uma população gigante, mas muito, muito balofa, e pouco, pouco saudável. Mas tal perspectiva não impede quem de direito de proibir tais desmandos.
 
Poderia também falar dos valores no mundo contemporâneo que se diz estarem em crise. Mas os valores de todos os mundos antes do nosso, sempre estiveram em crise. Enquanto existirem homens, os valores humanos sempre estarão em crise. Jamais nenhuma geração esteve satisfeita com o seu procedimento ou com os seus valores. Sempre houve alguma coisa que se deixou por fazer. Muitas lutas que se deixaram a meio, e que as gerações seguintes retomaram, e que também não completaram. E assim, sucessivamente.
 
O que ontem foi, hoje já não é, mas amanhã poderá ser novamente, para tornar a não ser no dia seguinte. É que o mundo parece avançar, mas por cada três passos que o homem dá para a frente, recua cinco passos, e o que pensamos ser progresso, na realidade, é retrocesso. Nunca como hoje, a vida no Planeta esteve tão ameaçada, apesar de toda a tecnologia de ponta que o homem se gaba de ter inventado; mas é precisamente devido a essa tecnologia que o mundo está à beira de um imenso abismo, e, dizem os cientistas, mais do que aquilo que possamos imaginar.
 
Porém, em vez de prevalecer o bom senso e procedimentos racionais e inteligentes, temos os valores económicos a falar mais alto, em quase todos os campos. Nenhum país altamente industrializado está preocupado com o Planeta, e muito menos interessado em salvá-lo. Primeiro estão os bolsos dos que comandam as economias mundiais. E depois, lá muito depois, é que talvez possa ter-se em conta o buraco de ozono, a poluição, as éticas e os valores humanos e outras coisas que tais. Só que quem assim pensa, não é suficientemente inteligente para considerar que ser rico não serve para nada, a sete palmos debaixo de uma terra seca e destruída.
 
Poderia ainda falar dos Direitos do Homem, tão profanados nos países governados por ditadores, mas também nas democracias, apesar de se dizerem Democracias e Estados de Direito. Contudo, falar dos Direitos do Homem é falar de um assunto já muito gasto, tão gasto que quase já não faz sentido. Talvez tenha chegado o momento de inverter os discursos e falar nos tão esquecidos deveres e obrigações dos cidadãos. É que ao que vemos, parece que toda a gente tem todos os direitos do mundo, mas nenhuns deveres. Nenhumas obrigações.
 
Depois de ter considerado todas estas hipóteses, concluí: tudo isto, todos já sabem, já leram, já ouviram, já viram. O que me resta então dizer, para acrescentar algo de novo a um tema velho? Não encontrei nada de especial. Já tudo foi dito; já tudo foi estudado; já tudo foi repetido, vezes sem conta. Mas então o que dizer? Lembrei-me: e se aproveitasse alguns rasgos da minha experiência pessoal? Aqueles que vivi ao longo de vinte anos de prática de jornalismo de intervenção e de investigação, que me pôs diante dos homens, na sua mais profunda nudez de alma, e onde lidei com valores e desvalores, com direitos e violações de direitos, com abusos de poder, corrupção e corruptos, com a falta de ética, ao mais alto grau, mas também com a enorme capacidade do ser humano de ultrapassar as impossibilidades, as improbabilidades, as dificuldades e recriar-se, sobrevivendo num mundo feito à medida da demência dos poderosos, sustentada pela insanidade dos povos que mantém esses poderosos no poder: por vontade? por medo? por ignorância? Um pouco por tudo isto e por algo mais. Veja-se o caso de Adolf Hitler no passado, e de Saddam Hussein, até há bem pouco tempo. Castradores dos valores e direitos humanos idolatrados por multidões. Não se culpe apenas os maus, porque maus são também aqueles que seguem esses maus, e os aplaudem.
 
Não se consegue esgotar nenhum assunto, e eu não tenho a pretensão de esgotar o tema que me propuseram. Tenho por hábito abordar as matérias pela rama, deixando espaço para a reflexão de quem me ouve ou de quem me lê. Do género: o que é que ela quis dizer com isto? Se forem como eu, têm pretexto para ficarem um dia inteiro a pensar, a investigar, a ler e a chegar a conclusões próprias.
 
Ora é esta a proposta que vos deixo.
 
Até aqui, aludindo àquilo que poderia ter dito e não disse, mas ficou nas entrelinhas, penso que já deixei alguns pontos para reflexão: que mundo, este, o nosso? Que valores, estes, os nossos? O que queremos fazer de nós? Que mundo queremos deixar aos nossos filhos? Tudo isso está na nossa capacidade, e quando digo nossa, digo na capacidade dos educadores (pais, encarregados de educação ou professores) em ensinar aos jovens a raciocinarem, mais do que a obrigá-los a empinar matérias. E uma das muitas maneiras é começar por fazer-lhes uma pergunta simples, do género: «Se desaprovas que cuspam no teu prato de sopa, deves cuspir no prato de sopa de quem contigo come à mesma mesa ou na mesa ao lado?»
 
Esta é uma sugestão que deixei no meu Manual de Civilidade, logo no primeiro capítulo intitulado: Primeira Noção: O Respeito, que vai desaguar no preceito: não faças aos outros o que não gostas que te façam a ti. A esta noção voltarei um pouco lá mais adiante. É que ao colocar-se uma questão destas a um jovem, ele obrigar-se-á a um certo raciocínio, e a partir desse raciocínio poder-se-á fazer grandes voos no que respeita ao respeito a ter pelos outros seres, humanos e não-humanos, pelos seus direitos, humanos e não-humanos, e pelos valores intrínsecos ao homem.
 
A propósito, gostaria de rapidamente contar uma pequena curiosidade em relação ao Manual de Civilidade, onde, obviamente, não esgoto o tema da civilidade, ou do que eu penso ser civilidade, que implica uma ética do comportamento, o respeito pelos valores humanos, o cumprimento dos deveres e das obrigações de cada um, a exigência da observância dos nossos direitos, e a consideração a ter por todos os seres, nossos companheiros de existência no Planeta.
 
Era uma tarde de domingo do mês de Fevereiro do ano 2000, e eu havia acabado de ler o livro Os Génios do Cristianismo – Histórias de Profetas, de Pecadores e de Santos, do jornalista do Le Monde, Henri Tincq. A história das religiões, de qualquer religião, e o estudo das religiões comparadas foi sempre uma das minhas paixões, enquanto estudante de História. E a leitura deste livro, e particularmente a história dos nele denominados pecadores – os das guerras santas, os das fogueiras da Inquisição, os Papas e as suas vinganças, os do terror em nome de Deus (com paralelo hoje nos Bin Ladens que aterrorizam o mundo também em nome de Deus) e talvez por me encontrar, nessa altura, mais vulnerável às injustiças, porque havia sido vítima recente da arbitrariedade dos poderosos, revoltou-me relembrar que há homens que torturam homens em nome de valores que nada têm a ver com a nossa humanidade, e esta foi a gota de água que me fez concretizar a ideia que há muito vinha germinando dentro de mim: a de escrever um livro, onde abordasse a minha reflexão sobre o fenómeno humano da civilidade ou da falta dela, numa sociedade cada vez mais esvaziada de valores humanizados.
 
E, nessa mesma tarde, apontei num pedaço de papel os títulos daqueles que vieram a fazer parte dos capítulos do livro. Porém, antes de o publicar, dei o original a ler a um adolescente, tido como sobredotado. Ele aprovou o livro, mas disse-me, assim tal e qual: «Um livro destes tem de incluir os temas do sexo, do progresso e da modernidade. Sem eles isto fica incompleto». Meditei no que o jovem disse, e considerei. Na verdade o sexo tem a ver com direitos, deveres e ética. O progresso tem a ver com direitos, deveres e ética. A modernidade tem a ver com direitos, deveres e ética. O jovem tinha razão. Acrescentei-lhe esses três tópicos, e o livro continuou incompleto, mas não tão incompleto como anteriormente.
 
São pormenores como este que fazem as grandes diferenças entre as mentalidades. Penso que devemos ouvir as crianças e os adolescentes, conversar com eles sobre estes e outros assuntos, porque neles a questão da ética, dos direitos, dos deveres, das obrigações, dos valores, encontram-se no seu estado mais puro, sem os vícios, nem as imperfeições que os adultos, induzidos por um patético complexo de superioridade, introduzem no seu modo de pensar preconceituoso.
 
Ainda acerca do livro, tenho um outro rasgo de experiência, que penso ser interessante referir. Um dia, a directora de uma escola do ensino básico convidou-me para ir falar dos meus livros às crianças (eu na altura tinha apenas o Manual de Civilidade e A História Fantástica de Pepino). Mas antes, as professoras dessa escola adquiriram os livros para poderem trabalhar com os alunos, para estes saberem o que me perguntar, quando eu lá fosse falar com eles. Uma das professoras trabalhou então o conteúdo do Manual de Civilidade com uma turma do quarto ano, crianças dos seus 9/10 anos. Na altura da minha apresentação, estava diante de cerca de 30 crianças a fazer-me as mais diversas perguntas, sobejamente inteligentes, devo acrescentar. Uma delas marcou-me mais do que as outras, porque era interessantíssima e oportuna: era um menino, e perguntou-me: «Tu, que escreveste aquele livro, pões em prática tudo o que lá está escrito?»
 
Boa pergunta. E agora? O que responder?
 
Respondi-lhe então, o que devia responder: eu não sou perfeita; não sou uma super-mulher, mas claro que tento, na medida dos meus possíveis e da minha noção de humanidade, praticar tudo aquilo que escrevi com sentimento, de outro modo, não o escreveria, porque nunca poderia correr o risco que correm os políticos, que nos piscam um olho, como que a dizer: olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço. Não poderia ter escrito tudo o que escrevi naquele livro, se não acreditasse na minha filosofia e em mim própria. E este é o primeiro passo para a prática de uma ética comportamental. Devo respeitar-me primeiramente a mim, para ter condições de respeitar os outros.
 
Uma vez que falei nos políticos, a propósito, foi precisamente um político que me chamou a atenção para um pormenor comportamental que, à primeira vista, escapa à nossa análise. Ao entrevistá-lo sobre o direito que as populações têm de ver a sua cidade limpa de lixos, com contentores lavados, as ruas limpas, sem excrementos de cães; sobre o direito que o povo tem de ver realizadas as promessas que em tempo eleitoral são juramentadas com uma veemência muito persuasiva, o presidente da Câmara em questão disse-me: «Você vem aqui falar dos direitos do povo, mas... e os deveres do povo? O povo não terá o dever de cumprir as regras, as leis, as posturas camarárias? Há regras que devem ser cumpridas, como não deitar o lixo para as ruas, a qualquer hora do dia e fora dos contentores, limpar os excrementos dos seus animais, usando para tal os saquinhos espalhados pela cidade... etc., etc., etc. ...»
 
Na verdade o povo também tem deveres. E na maioria das vezes não os cumpre. Quando trata a direitos, aqui-del-rei que os têm todos e exigem-nos em grandes manifestações. Quando trata a deveres... o assunto muda de figura. Olha-se para o ar, como quem diz: «Isto não deve ser comigo…»
 
E daquela vez, talvez pela primeira vez, tive de dar razão àquele presidente de Câmara. Na verdade, nem sempre o que parece é.
 
Quando a Declaração Universal dos Direitos Humanos foi proclamada, ninguém se lembrou de chamar a atenção para a questão dos deveres. Tal documento deveria chamar-se Declaração Universal dos Direitos e dos Deveres Humanos, porque para cada direito, há um dever correspondente, do qual o homem se esquece frequentemente, porque não é explicitamente citado. E o que está oculto, não é lembrado.
 
Tomemos por exemplo o artigo 9.º, que diz: «Ninguém pode ser arbitrariamente preso, detido ou exilado». Ora a este direito corresponde o dever de: «Ninguém pode arbitrariamente prender, deter ou exilar alguém».
 
Chegada aqui, gostaria de contar um episódio dos mais interessantes que já vivi, nos meus anos de Jornalismo, e que tem a ver com o que acabo de dizer. Um dia estive detida arbitrariamente por breves 15 minutos, numa esquadra da polícia. Eu sabia que tinha o direito de não ser detida arbitrariamente, mas também sabia que o agente policial tinha o dever de não me deter arbitrariamente, por isso, solicitei-lhe que me facultasse uma determinada lei, que eu também tinha o direito de ver e ele tinha o dever de facultar. E isto tudo porque saí à rua em defesa de um trovador, que cantava às cinco horas da tarde, na principal rua comercial da cidade.
 
Um policial que por ali passava, entendeu que ele estava a fazer barulho e a incomodar os comerciantes e os transeuntes. Ora o trovador era o francês, Jack Deska, que cantava, belíssimamente, Joe Dassin e Jacques Brell. Assobiava divinamente, e as pessoas rodeavam-no absolutamente rendidas à sua arte. Tal como eu. Mas o polícia entendeu que ele estava a fazer barulho na rua e a incomodar, e a lei diz que não se pode fazer barulho na rua, nem incomodar (mas, nessa altura, só a partir da meia-noite). Meti-me na história, porque a considerei absurda, e disse ao polícia que os músicos de rua existem em todas as cidades civilizadas da Europa, e aquele estava a enfeitar a tarde, naquela artéria. A minha intervenção foi tida como arruaça na rua, e fomos os dois (eu e o trovador) parar à esquadra, a pé, escoltados por dois agentes, porque nos recusámos a entrar no carro da polícia, pois não nos considerámos criminosos, para entrar num carro policial.
 
O povo estava connosco, e seguiu-nos pelas ruas. Os agentes ouviram das boas. Já na esquadra, depois de nos termos identificado, o chefe apresentou ao cidadão francês um papel para este assinar. Eu fiz questão de o ler alto, pois o músico percebia mal o português, e ele tinha o direito de saber o que ia assinar. O que já deixou o polícia mal disposto. O que li era um absurdo e aconselhei-o a não assinar aquele termo de culpa, pois ele não tinha cometido nenhum crime público. O chefe da esquadra, abusando do seu poder, deteve-me imediatamente, por incitamento a desobediência à autoridade, dentro de uma esquadra da polícia. Eu conhecia a lei, e os meus direitos, e também os deveres do chefe da polícia, e os meus deveres. Então solicitei que me mostrasse a lei do ruído. E disse-lhe que quando saísse dali ia fazer queixa, aos seus superiores, da sua arbitrariedade. Cantar na rua às cinco da tarde, não fazia de ninguém um criminoso, por isso o cidadão francês, que não conhecia as nossas leis, não devia assinar um termo de culpa naqueles termos. Resumindo: o chefe da polícia esbravejou, mas a história acabou comigo e com o trovador, livres, fora da esquadra, quinze minutos mais tarde, sem grandes consequências imediatas, porque a história continuou mais tarde, e fez correr muita tinta. Mas naquele dia, foi o dever e a obrigação do agente policial e o seu abuso de poder, em confronto com os meus direitos e com os direitos do trovador, que estiveram em causa.
 
Por que refiro este episódio? Porque penso ser fundamental que todos conheçamos os nossos direitos e também deveres e obrigações, para podermos enfrentar as arbitrariedades num caso como este, e saber fazer ver às autoridades quais são os seus deveres, porque considero que a ignorância é a maior inimiga do ser humano, conforme exponho, num capítulo do Manual de Civilidade, dedicado a este cancro social – a ignorância, por isso, entendo que se deve investir mundos e fundos no Ensino e na Educação dos jovens, pois já lá dizia Voltaire: «Quanto mais esclarecidos forem os homens, mais livres serão», só que, ao que constatamos, os nossos governantes não estão interessados em que o povo seja esclarecido e livre, porquanto o ignorante não é capaz de contestar as suas arbitrariedades. Eis porque se investe tão pouco no ensino, na cultura, na educação.
 
Dir-me-ão, mas para cada direito está automaticamente implícito um dever, por isso, não é preciso falar-se em deveres. Na Declaração Universal dos Direitos Humanos, apenas no artigo 29.º se diz: «O indivíduo tem deveres para com a comunidade». E só. Mas que deveres? O dever de punir arbitrariamente? O dever de culpar? O dever de matar? O dever de aterrorizar? O dever de prender? O dever de guerrear? Que deveres? Este laconismo não serve os interesses dos cidadãos menos esclarecidos, e como ninguém nasce ensinado, é da Ética ensinar os que não sabem.
 
Penso que se falássemos mais nos deveres humanos do que nos direitos, o mundo seria um pouco mais equilibrado. E dentro desses deveres há um simples dito que poderia substituí-los e substituir todas as leis, todas as regras, todos os códigos, todos os castigos: e que é o preceito máximo utilizado desde a antiguidade por um ou outro líder religioso antes de Cristo e depois adoptado pelo próprio Jesus Cristo, que é: «Não faças ao outros o que não gostas que te façam a ti». Esta frase encerra e resume toda a Ética, todas as regras, todos os direitos, todos os deveres, todos os valores humanos e também não-humanos, e não seriam precisos nem polícias, nem leis, nem juízes, nem advogados, nem tribunais, porque cada um encarregar-se-ia de não maltratar o outro, simplesmente porque não gostaria de ser maltratado.
 
É esta regra que, como ser humano, tento seguir, e as leis dos homens não me dizem absolutamente nada. No Manual de Civilidade tenho um capítulo intitulado Ideias, Ideais e Ideologias, onde refiro que a minha lei, é a Lei Natural, porque é natural, que eu, como ser humano, me comporte de uma determinada maneira, de outro modo não poderei considerar-me um ser humano. Não sou daquelas que concordam com o ditame: errar é humano. Isso é um expediente para desculpar os erros do homem. Se errar é humano, então erremos, e estamos automaticamente desculpados. Mas será que errar é humano? Ponhamos a questão de outra maneira: será que é humano errar? Quando errar significa cometer um desacerto que prejudica terceiros, quartos e quintos? Não é, com certeza. Errar é desumano, quando quem erra insiste no erro. Quando muito, enganarmo-nos é humano. Ter um lapso é humano. Mas errar não pode ser humano.
 
Poderia estar indefinidamente a falar sobre tudo isto, mas como o meu objectivo é não esgotar o tema que me foi proposto, nem poderia, finalizarei com a leitura da primeira frase do epílogo do meu Manual de Civilidade: «Não me basta dizer sou um ser humano, preciso mostrar que o sou».

Isabel A. Ferreira
 
publicado por Isabel A. Ferreira às 15:43

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