Terça-feira, 24 de Maio de 2022

«Ainda sobre a Moita... Não foi o 1⁰ adolescente a morrer e, enquanto estas práticas continuarem, não será o último. O álcool ajuda»

 

Um extraordinário e corajoso testemunho de quem já viveu no mundo da tauromaquia.

Muito bem, Maria de Lurdes Feitor Carapelho.

És um exemplo de que, querendo, pode-se evoluir. Mas isto só acontece a quem tem substância cinzenta dentro do crânio. Que é o teu caso. 

 

Isabel A. Ferreira

 

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por  Maria de Lurdes Feitor Carapelho

 

Tenho tanta, mas tanta coisa para dizer.


Nasci e cresci numa terra onde estas práticas já existiam. Eu andei na rua com os touros a metros de mim, às cavalitas de um toureiro da minha terra, que morreu em 1974 e que me ia buscar à escola. O meu pai e a minha mãe permitiam.


Vi morrer muitas pessoas. Estropiados, furados, todos partidos. EU VI!!!


Esta terra e tantas outras, com estes espectáculos anacrónicos, onde morrem todos os anos jovens e adultos, não são, nem nunca foram responsabilizadas:


- As CM e a organização não se responsabilizam por "acidentes" nos recintos. Não há nem nunca irá haver um seguro.
Como dizem, vai quem quer. Se morrerem ou ficarem incapacitados, a culpa é dos próprios.
Nestas terras, se não há "colhidas" a festa é fraca. Gostam de sangue!

Quanto aos Touros e Cavalos, sim porque são os campinos, e alguns "marialvas" que fazem a recolha dos touros. Há Cavalos que morrem furados, com lesões e são abatidos. Eu vi...


Mas, "ninguém gosta mais dos Touros e Cavalos como os aficionados".

É ignóbil. É atroz. É medieval.

Eu sei. Eu vi. Assisti durante décadas, em que ainda andava cega e não me questionava nem tampouco era sensível aos maus-tratos, abusos, exploração e tortura destes magníficos animais que deveriam estar LIVRES, no campo, protegidos, como merecem.

Estas terras condicionam e formatam.

Sabem que sei, que vi, que participei...
Até peguei novilhos-touros.


Durante anos, tudo isto me assombrou mas um dia, a querida Cristina D'Eça Leal disse-me que era uma mais valia. E tem razão.


A mim, não me atiram areia prós olhos. Conheço todos. Artistas, organizadores, empresários, ganadeiros (estudei com filhos/filhas de muitos).

Curioso é eu comentar numa publicação de páginas onde andam os aficionados, e quando menciono situações e nomes, nunca mais comentam. Nem sequer me contradizem. Sabem que tenho razão.

E mulheres? Eu vi... inconscientes, saírem de casa nas ruas das largadas, e serem colhidas porque quem está nas tronqueiras não as deixavam entrar.
Atrocidades.

A tauromaquia tem que MORRER!
Pelos Touros! Pelos Cavalos!
Queremos Abolição!

 

Fonte:

https://www.facebook.com/photo/?fbid=8130190943673315&set=a.4627452040613907&comment_id=497226772152422&notif_id=1653405894680942&notif_t=feedback_reaction_generic&ref=notif

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:40

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Terça-feira, 28 de Setembro de 2021

Uma história provável, narrada por Miguel Torga, de acordo com o que “Miura” (um touro que morre na arena) vê, pensa e sente

 

O conto “Miura” integra o livro Bichos - Contos de Miguel Torga (1940), um livro de leitura obrigatória. Um livro que todas as crianças deveriam ler. Um livro que todos os políticos, com assento no Parlamento, também deveriam ler.

 

Belo Touro.jpg

 

Fez um esforço. Embora ardesse numa chama de fúria, tentou refrear os nervos e medir com a calma possível a situação. Estava, pois, encurralado, impedido de dar um passo, à espera de que lhe chegasse a vez! Um ser livre e natural, um toiro nado e criado na lezíria ribatejana, de gaiola como um passarinho, condenado a divertir a multidão! Irreprimível, uma onda de calor tapou-lhe o entendimento por um segundo. O corpo, inchado de raiva, empurrou as paredes do cubículo, num desespero de Sansão. Nada. Os muros eram resistentes, à prova de quanta força e quanta justa indignação pudesse haver. os homens, só assim: ou montados em cavalos velozes e defendidos por arame farpado, ou com sebes de cimento armado entre eles e a razão dos mais... Palmas e música lá fora. O Malhado dava gozo às senhorias... Um frémito de revolta arrepiou-lhe o pêlo. Dali a nada, ele. Ele, Miura, o rei da campina! A multidão calou-se. Começou a ouvir-se, sedante, nostálgico, o som grosso e pacífico das chocas. A planície!... O descampado infinito, loiro de sol e trigo... O ilimitado redil das noites luarentas, com bocas mudas, limpas, a ruminar o tempo... A fornalha escaldante, sedenta, desesperante, que o estrídulo das cegarregas levava ao rubro. Novamente o silêncio. Depois, ao lado, passos incertos de quem entra vencido e humilhado no primeiro buraco... Refrescou as ventas com a língua húmida e tentou regressar ao paraíso perdido. A planície... Um som fino de corneta.



Estremeceu. Seria agora? Teria chegado, enfim, a sua vez? Não chegara. Foi a porta da esquerda que se abriu, e o rugido soturno que veio a seguir era do Bronco. Sem querer, cresceu outra vez quanto pôde para as paredes estreitas do cárcere. Mas a indignação e os músculos deram em pedra fria. A planície... O bebedoiro da Terra-Velha, fresco, com água limpa a espelhar os olhos... Assobios. O Bronco não fazia bem o papel... Um toque estranho, triste, calou a praça e rarefez o curro. Rápida e vaga, a sombra do companheiro passou-lhe pela vista turva. Apertou-se-lhe o coração. Que seria? Palmas, música, gritos.



Um largo espaço assim, com o mundo inteiro a vibrar para além da prisão. Algum tempo depois, novamente o silêncio e novamente as notas lúgubres do clarim. Todo inteiro a escutar o dobre a finados, abrasado de não sabia que lume, Miura tentava em vão encontrar no instinto confuso o destino do amigo. Subitamente, abriu-se-lhe sobre o dorso um alçapão, e uma ferroada fina, funda, entrou-lhe na carne viva. Cerrou os dentes, e arqueou-se, num ímpeto. Desgraçadamente, não podia nada. O senhor homem sabia bem quando e como as fazia. Mas por que razão o espetava daquela maneira? Três pancadas secas na porta, um rumor de tranca que cede, uma fresta que se alargou, deram-lhe num relance a explicação do enigma da agressão: chegara a sua vez. Nova picada no lombo.

- Miura! Cornudo!



Dum salto todo muscular, quase de voo, estava na arena. Pronto! A tremer como varas verdes, de cólera e de angústia, olhou à volta. Um tapume redondo e, do lado de lá, gente, gente, sem acabar. Com a pata nervosa escarvou a areia do chão. Um calor de bosta macia correu-lhe pelo rego do servidoiro. Urinou sem querer. Gritos da multidão. Que papel ia representar? Que se pedia do seu ódio? Hesitante, um tipo magro, doirado, entrou no redondel. Olhou-o a frio. Que força traria no rosto mirrado, nas mãos amarelas, para se atrever assim a transpor a barreira? A figura franzina avançou. Admirado, Miura olhava aquela fragilidade de dois pés. Olhava-a sem pestanejar, olímpica e ansiosamente. Com ar de quem joga a vida, o manequim de lantejoulas caminhava sempre. E, quando Miura o tinha já à distância dum arranco, e ainda sem compreender olhava um tal heroísmo, enfatuadamente o outro bateu o pé direito no chão e gritou:


- Eh! boi! Eh! toiro!

 

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A multidão dava palmas.

- Eh! boi! Eh! toiro!

Tinha de ser. Já que desejavam tão ardentemente o fruto da sua fúria, ei-lo. Mas o homem que visou, que atacou de frente, cheio de lealdade, inesperadamente transfigurou-se na confusão de uma nuvem vermelha, onde o ímpeto das hastes aguçadas se quebrou desiludido. Cego daquele ludíbrio, tornou a avançar. E foi uma torrente de energia ofendida que se pôs em movimento.



Infelizmente, o fantasma, que aparecia e desaparecia no mesmo instante, escondera-se covardemente de novo por detrás da mancha atordoadora. Os cornos ávidos, angustiados, deram em cor. Mais palmas ao dançarino. Parou. Assim nada o poderia salvar. À suprema humilhação de estar ali, juntava-se o escárnio de andar a marrar em sombras. Não. Era preciso ver calmamente. Que a sua raiva atingisse ao menos o alvo. O espectro doirado lá estava sempre. Pequenino, com ar de troça, olhava-o como se olhasse um brinquedo inofensivo. Silêncio. Esperou. O homem ia desafiá-lo certamente outra vez. Tal e qual. Inteiramente confiado, senhor de si, veio vindo, veio vindo, até lhe não poder sair do domínio dos chifres. Agora! De novo, porém, a nuvem vermelha apareceu. E de novo Miura gastou nela a explosão da sua dor. Palmas, gritos. Desesperado, tornou a escarvar o chão, agora com as patas e com os galhos. O homem! Mas o inimigo não desistia. Talvez para exaltar a própria vaidade, aparentava dar-lhe mais oportunidades. Lá vinha todo empertigado, a apontar dois pequenos paus coloridos, e a gritar como há pouco:


- Eh! toiro! Eh! boi!



Sem lhe dar tempo, com quanta alma pôde, lançou-se-lhe à figura, disposto a tudo. Não trouxesse ele o pano mágico, e veríamos! Não trazia. E, por isso, quando se encontraram e o outro lhe pregou no cachaço, fundas, dolorosas, as duas farpas que erguia nas mãos, tinha-lhe o corno direito enterrado na fundura da barriga mole.



Gritos e relâmpagos escarlates de todos os lados. Passada a bruma que se lhe fez nos olhos, relanceou a vista pela plateia. Então?! Como não recebeu qualquer resposta, desceu solitário à consciência do seu martírio. Lá levavam o moribundo em braços, e lá saltava na arena outro farsante doirado. Esperou. Se vinha sem a capa enfeitiçada, sem o diabólico farrapo que o cegava e lhe perturbava o entendimento, morria. Mas o outro estava escudado. Apesar disso, avançou. Avançou e bateu, como sempre, em algodão. Voltou à carga.


O corpo fino do toureiro, porém, fugia-lhe por artes infernais. Protestos da assistência. Avançou de novo. Os olhos já lhe doíam e a cabeça já lhe andava à roda. Humilhado, com o sangue a ferver-lhe nas veias, escarvou a areia mais uma vez, urinou e roncou, num sofrimento sem limites. Miura, joguete nas mãos dum zé-ninguém!



Num ímpeto, sem dar tempo ao inimigo, caiu sobre ele. Mas quê! Como um gamo, o miserável saltava a vedação. Desesperado, espetou os chifres na tábua dura, em direcção à barriga do fugitivo, que arquejava ainda do outro lado. Sangue e suor corriam-lhe pelo lombo abaixo. Ouviu uma voz que o chamava. Quem seria? Voltou-se. Mas era um novo palhaço, que trazia também a nuvem, agora pequena e triangular. Mesmo assim, quase sem tino e a saber que era em vão que avançava, avançou. Deu, como sempre na miragem enganadora. Renovou a investida. Iludido, outra vez. Parou. Mas não acabaria aquele martírio? Não haveria remédio para semelhante mortificação? Num último esforço, avançou quatro vezes. Nada. Apenas palmas ao actor. Quando? Quando chegaria o fim de semelhante tormento? Subitamente, o adversário estendeu-lhe diante dos olhos congestionados o brilho frio dum estoque. Quê?! Pois poderia morrer ali, no próprio sítio da sua humilhação?! Os homens tinham dessas generosidades?! Calada, a lâmina oferecia-se inteira. Calmamente, num domínio perfeito de si, Miura fitou-a bem. Depois, numa arremetida que parecia ainda de luta e era de submissão, entregou o pescoço vencido ao alívio daquele gume.

Miguel Torga, «Bichos».
Coimbra, Ed. Autor, 1940; 18.ª ed. 1990.

 

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"Miura" integra o livro Bichos, de Miguel Torga, e é um conto em que o narrador narra de acordo com o que Miura (um touro que morre na arena) vê, pensa e sente.



Miguel Torga é apenas um pseudónimo, sendo, o verdadeiro nome do autor: Adolfo Correia da Rocha. Este nasceu na região de Trás-os-Montes e viveu cinco anos no Brasil. Miguel Torga tentou poetizar em grupo, com as revistas “Sinal” e “Manifesto”, acabando por desistir, pois considerava que a poesia era algo demasiado sublime e que exigia o máximo de pureza e fidelidade pessoal em relação ao poeta.



David Mourão-Ferreira, cita: “Torga é a reencarnação de um poeta mítico por excelência – daquele que vive na intimidade das forças elementares (terra, sol, vento, água) para celebrá-las com o seu canto – e alto exemplo de constante rebeldia, numa atmosfera que pretende asfixiá-lo”.

 

Fonte:

https://www.facebook.com/CampanhaContraTouradasMundo/photos/a.348348691882288/182833301767162

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:28

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Segunda-feira, 14 de Setembro de 2020

«Psicologia da “afición" taurina: sadismo, narcisismo e erotismo» - Um texto que confirma a insanidade do massacre de Touros em Reguengos de Monsaraz, no passado sábado

 

Eis um texto que traduzi do original, em que se demonstra, à luz da psicanálise, tudo o que está referido no título.

 

Um texto de leitura obrigatória, para quem pretende entender a psicopatia implícita nas cruéis manifestações taurinas, às quais o Parlamento português, irracionalmente, dá o seu aval.

 

A autoria do texto é de Cecilio Paniagua, e foi publicado na Ars Médica, Revista de Humanidades, 2008. O autor é doutor em Medicina e Membro Titular da Asociación Psicoanalítica Internacional.

 

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Resumo:

Estuda-se a evolução sócio-histórica a partir de uma perspectiva psicanalítica da tauromaquia. Comenta-se a orientação psicológica do sadismo, do narcisismo, do erotismo e das  orientações da afición, concluindo-se que a tauromaquia constitui uma complexa permuta cultural entre impulsos inconscientes e a volúvel sensibilidade social à crueldade expressa por meios estéticos, tradicionalmente validados.

 

***

 

«Existem muito poucos trabalhos publicados sobre a tauromaquia na Literatura Psicanalítica. Num deles, da autoria de Winslow Hunt (1955), pode ler-se: «É surpreendente que uma actividade tão dramática e anacrónica não tenha despertado mais, o interesse dos psicanalistas». A pouca atenção prestada pela psicanálise a esta espectacular manifestação cultural foi atribuída à influência do preconceito.

 

O psicanalista Martin Grotjahn (1959) sustentava: "Os aspectos horríveis da tauromaquia anulam o interesse que o simbolismo inerente ao seu ritual possui. Talvez isso explique a falta de tentativas analíticas para interpretarla fiesta”».

 

A história da tauromaquia proporciona um bom campo para o estudo dos ajustes psicológicos relativos à tolerância e à crueldade. A evolução da regulamentação do nosso feriado nacional reflecte a tentativa de alcançar diferentes compromissos entre as inclinações sádicas da afición e a mudança de sensibilidade da sociedade em relação aos espectáculos sangrentos.

 

Estima-se que cerca de sessenta milhões de pessoas em todo o mundo são espectadores de touradas. A afición tauromáquica baseia-se no facto de proporcionar um momento único para o alívio e a projecção de impulsos instintivos reprimidos. Claramente, o seu atractivo principal é o da recompensa inconsciente dos impulsos sádicos. A dor e a morte do touro são dadas como certas. Na mente de todos os aficionados está o facto de que os cavalos e, é claro, os toureiros podem sofrer o mesmo destino.

 

Com efeito, todas as vezes que um touro é ferido, o aficionado experimenta dois desejos conflituantes: que o toureiro seja colhido e que o feito não tenha consequências sangrentas. Somente o último é geralmente consciente.

 

Esses desejos opostos provocam no espectador duas instâncias psíquicas diferentes: o Id dos instintos e o Superego da consciência. Com efeito, o toureiro é o objecto da projecção de instintos e desejos conflituantes. Os condicionamentos históricos dessa ambivalência ditam as preferências em relação às práticas taurinas. O público que assiste a uma tourada pede ao toureiro que se aproxime das hastes mortais do animal, mas, simultaneamente – não em vez de, como muitas vezes se pensa - ele não quer testemunhar uma desgraça.

 

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 Legenda: Mas como é que o maltrato animal pode ser um bem cultural? De que cultura? E que cultura seria essa? A “Rompesuelas”, Touro de la Vega 2015, em Tordesilhas

 

A maioria dos espectadores de uma tourada rejeitaria a ideia de que vai aos touros por motivos sanguinários. Tão-pouco aceitaria que o seu propósito é assistir ao sofrimento e à morte dos animais.

 

Mais ainda repugnaria aos espectadores a ideia de que tinham ido assistir a uma colhida e que estariam parcialmente certos, porque, desde já, não é esta a única motivação deles. Eles defenderiam argumentos conscientes e mais apresentáveis para o Superego, como a Estética. A maioria dos aficionados simplesmente argumentaria que a tourada é uma festa inigualável no mundo, um espectáculo emocionante e bonito em que se demonstra a bravura, a arte e a inteligência de um homem diante de um touro bravo.

 

Embora compreensível, toda essa argumentação é adicional e não substituta do sadismo inerente às touradas.

 

Quando os espectadores de uma tourada dizem que sofrem com o sofrimento e ficam alarmados se o toureiro é ferido pelo touro, não estão cientes de que esses sentimentos são reactivos aos seus mais ocultos desejos sádicos.

 

Existem engenhosas racionalizações para justificar o espectáculo cruel das touradas. Tomemos por exemplo, que o touro pretende matar o toureiro, como se o animal tivesse escolhido ir para a arena com essa intenção.

 

As touradas encorajam o sadismo da afición, ou melhor, enquadra-o dentro de um marco estético?

 

A questão a ser esclarecida seria a de se a aceitação social do espectáculo dos touros promove a expressão sádica de instintos agressivos que poderiam ter sido sublimados por trajectórias socialmente mais úteis; ou se, pelo contrário, neutraliza o seu potencial destrutivo por meio da descarga parcial dos ditos instintos. Afinal, hoje em dia, o aficionado limita-se a ter fantasias assassinas, gritar e, na melhor das hipóteses, atirar lenços. A resposta a esta questão é, com toda a certeza, que la fiesta dos touros cria efeitos psicologicamente contraditórios no espectador.

 

Para a afición, é importante saber que o touro tem a uma oportunidade de matar o toureiro, e que não se trata de uma caçada. A equiparação de forças possibilitada pelo toureio a pé que, a seu tempo, tornaram a lide uma actividade popular, ao facilitar a identificação da maioria dos espectadores com o toureiro, acrescentou um atractivo decisivo à tauromaquia. Se o toureiro arrisca pouco, o resultado é frustrante. Quando o picador ataca o animal ou quando a espada mata desajeitadamente, os aficionados ficam enraivecidos. O que é entendido como abuso do animal desperta sentimentos de culpa, associados a fantasias sádicas reprimidas.

 

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 Legenda: «Saberá esta gentalha que existe o teatro, o cinema, a música, os livros, a Natureza e um montão de coisas mais para se divertirem? «Nada mais belo do que a vida, nada mais cruel que maltratá-la»

 

Existe também a identificação com a atitude exibicionista do toureiro. Com efeito, uma das dinâmicas mais importantes na organização mental do toureiro é a da gratificação narcisista.

 

A colorido das touradas, o traje dos toureiros, os diversos imprevistos, a própria praça, proporcionam um cenário especialmente apropriado para o desprendimento e gratificação da exibição e da auto-recompensa. Os sonhos de esplendor e imortalidade servem, por sua vez, para neutralizar anteriores sentimentos de inferioridade.

 

Quando o toureiro se sente forçado a gozar de uma sensação de grandiosidade na arena, ou quando necessita da aclamação dos aficionados a qualquer preço, ver-se-á impelido a pôr a sua vida num perigo maior do que o seu senso comum o aconselharia.

 

Quando a praça vibra com o matador, o toureiro participa por alguns momentos dessa exaltação egocêntrica que, na realidade, constitui o regresso ao sentimento feliz da supremacia exibicionista da infância. Mas essa reacção emocional tem pouco a ver com uma verdadeira afeição pelo toureiro. Este sabe, ou a experiência lho diz imediatamente, que o fervor dos aficionados, numa tarde, pode transformar-se em animosidade na tarde seguinte, ou, pior ainda, em indiferença. Muitas figuras do toureio temem mais o declínio da sua popularidade do que as próprias cornadas.

 

A posição privilegiada do toureiro nos cartazes - dinheiro e fama na juventude - inspira admiração, mas também inveja, lado inevitável da mesma moeda. É comum que o espectador tente compensar esse sentimento doloroso, que denota inferioridade e é também condenável para a consciência, através do sentimento de superioridade. Assim, constitui-se juiz do que acontece na arena, faz exigências ao toureiro e arroga-se a prerrogativa da aprovação ou insulto.

 

Tão-pouco é estranho ao toureio o fenómeno que os psicanalistas conhecem como a erotização do perigo, no qual se fundem as respostas psicofisiológicas perante o medo, com a excitação sexual.

 

Além das óbvias implicações heterossexuais destas provas, há que ter em conta, a um nível mais profundo, que a tauromaquia pode ter significados homossexuais inconscientes. Ao fim e ao cabo, os protagonistas na arena são declaradamente machos, excepto nos poucos casos de mulheres toureiras.

 

Há uma passagem arrepiante do romance desse grande aficionado que foi Ernest Hemingway (1960), The Dangerous Summer, em que se narra a colhida de Ordóñez. O relato do acidente evoca um coito sádico homossexual: «Ao receber o touro por trás [...] o corno direito cravou-se na nádega esquerda de Antonio. Não há um lugar menos romântico, nem mais perigoso para ser colhido [...]. Vi como o corno foi introduzido no Antonio, levantando-o [...], a ferida na nádega tinha seis polegadas. O corno penetrou-o junto ao recto, rasgando-lhe os músculos

 

Em tom menos dramático, podemos reconsiderar o facto de que o robusto touro pode ser visto como representativo da virilidade, enquanto a fragilidade do homem pode ser interpretada como feminina (Frank, 1926). Na realidade, o bonito e apertado traje de luces, a melena, o andar em recuos e a atitude exibicionista são, na nossa cultura, mais próprios das mulheres. Vem-nos à memória a letra de uma zarzuela cómica, La corría de toros de Antonio Paso, em que se fala de um toureiro:

 

"Olha que feitos. / Olha que posturas. / Olha que aspecto de perfil. / Um toureiro mais bonito e mais adornado / Não o encontro, nem procuro / Com uma lanterna. / Olha que proeminências, / Olha que melena, / Olha que nádega tão marcada... ".

 

O psiquiatra Fernando Claramunt (1989) escreveu sobre a psicogénese e a psicopatologia das colhidas. Em algumas ocasiões os toureiros exprimem abertamente, no seu comportamento e até verbalmente, as suas tendências autodestrutivas. A lide de Belmonte foi considerada suicida pela maioria dos aficionados. Muitas pessoas foram vê-lo, acreditando que testemunhariam a sua última corrida. Durante anos, Belmonte pensou obsessivamente no suicídio e, já velho, tirou a própria vida na arena.

 

Em algumas colhidas auto-induzidas ou semiprovocadas pode também distinguir-se a dinâmica da vingança contra uma afición – parental - sádica. O sacrifício masoquista do toureiro teria como finalidade punitiva causar ou fomentar na vingança a culpabilidade. A este respeito, num artigo com o título O prazer de ser colhido, D. Harlap (1990) explicou eloquentemente a existência desta motivação no caso de Manolete.

 

Concluímos dizendo que as touradas representam uma complexa projecção psicológica, resultado de combinações entre os gostos sádicos da afición e a sua versátil sensibilidade à crueldade e à morte. Na actualidade, se se contemplar muito sangue, se se faz sofrer o animal "excessivamente" ou se o toureiro correr grande perigo, ferir-se-á a sensibilidade de uma maioria. Se, pelo contrário, esses aliciantes são escassos, desaparece o atractivo da festa. Esta constitui um marco único para a projecção de impulsos instintivos e para a representação de simbolismos inconscientes, transmitidos por meios altamente estéticos e tradicionalmente aprovados.

 

Consulta do artigo completo no original AQUI

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 10:05

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Quinta-feira, 3 de Setembro de 2020

Quando os homens perdem a roupagem humana...

 

... perdem igualmente a noção da Vida, da Humanidade e do sentido do Ser. O único objectivo deles é praticar a crueldade e deleitarem-se com o sofrimento dos outros, seja quem forem esses “outros”.

 

Transformam-se em criaturas luciferinas, que são capazes de torturar e matar um ser vivo com o mesmo prazer com que saboreiam o melhor vinho do mundo.

 

Sem alma e sem coração, estas criaturas não passam de mortos-vivos que deambulam pelo mundo sem qualquer préstimo.

 

E o mais insólito é que ainda existem governantes que os apoiam, protegem, promovem e incentivam à prática desta crueldade, e este pormenor constitui um grande mistério para os que ainda mantém a lucidez…

 

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Se um toureiro fosse integrado num exército nazista, comportar-se-ia com os seres humanos do mesmo modo desumano e cruel com que lida um Touro numa arena. A motivação que o move contra o animal não-humano é exactamente igual à que moveu os nazistas contra inocentes, indefesos e inofensivos judeus (entre outros).

 

No passado fim-de-semana revi pela enésima vez (e é sempre como se fosse a primeira) o mais extraordinário filme jamais produzido sobre o holocausto nazi, «A Lista de Schindler», que completa 20 anos desde que foi lançado ao mundo.

 

Steven Spielberg, talvez porque nas suas veias corra sangue judeu e ouça os gritos de desespero do seu povo, conseguiu transpor para a tela não só imagens que mostram o horror de uma época, governada por um psicopata apoiado por uma multidão de alienados, mas fundamentalmente (e nisto reside a grandiosidade do filme) a essência, o âmago de uma crueldade inata e patológica, centrada na personagem genialmente interpretada pelo então estreante actor Ralph Fiennes, como Amon Leopold Goeth, o capitão austríaco das SS e comandante do campo de concentração de Płaszów, o qual representa, na perfeição, o tenebroso espírito nazista.

 

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Cena da banalização da morte de um ser inocente, indefeso e inofensivo, à mercê de carrascos todo-poderosos. É fácil ser “valente”, com uma arma na mão, diante de um ser desprotegido. Amon Goeth gostava de matar e matava aleatoriamente pelo mais insignificante motivo, mas também por nada.

 

«A Lista de Schindler» mostra-nos, com grande mestria, o apetite desenfreado pelo acto de espancar, torturar e matar seres vivos apenas porque sim.

 

Além de soldados nazistas assassinos e ladrões, o filme revela-nos a psicopatia colectiva de um exército chefiado por um louco que, com uma invulgar genialidade, conseguiu contaminar, com essa loucura, milhares de criaturas sem personalidade própria, como se fosse uma peste contagiosa e perigosamente incontrolável.

 

O filme apresenta-nos nua e cruamente (e não é por acaso que foi realizado a preto e branco) a selvajaria nazista; o gosto por sangue; o gozo de matar só por matar; a cobardia de assassinar crianças pelas costas; a brutalidade no seu estado mais puro; a bestialidade a que podem chegar os homens quando se despem da própria humanidade; a falta de empatia pelos outros; olhar os outros nos olhos e nada mais ver do que uma coisa inútil que deve ser abatida sem piedade alguma, apenas porque sim.  

 

A Vida, para essas criaturas insensíveis, perde todo o sentido. Só a inutilidade da vida delas conta.

 

Quando Oskar Schindler diz a Amon Goeth que o poder de um comandante se avalia pela capacidade de perdoar a quem pede misericórdia, aquele oficial nazista tentou algumas acções piedosas.

 

Tentou. Porém, como no seu corpo não corria a seiva humana, a gratidão era um termo vão, e não tardou a regressar à selvajaria desarvorada dos impiedosos.

 

Amon Goeth personificou a maldade no seu mais alto grau de monumentalidade. Era um tipo que acordava com apetite de matar, e do alto da varanda do seu quarto girava a arma, e quando decidia parar, imprimia o gatilho e, aleatoriamente, matava quem estivesse na sua mira, e até inocentes crianças matava pelas costas.

 

E a patologia era de tal modo desmedida que baleava ferozmente quem já estava morto.

 

A acção deste filme centra-se na avaliação de forças entre o bem e o mal, em que está em jogo a vida de 1.100 judeus, que Oskar Schindler, um alemão membro do Partido Nazi, resgatou da morte, utilizando toda a considerável fortuna que angariou durante a guerra.

 

Amon Goeth, a quem foi diagnosticada uma doença mental depois de capturado, viu a sua inútil vida acabar, pendurado numa forca.

 

***

Quem teve ânimo para ler este texto até ao fim, estará a perguntar: o que terá «A Lista de Schindler» a ver com a selvajaria tauromáquica?

 

E eu responderei: o tenebroso espírito de homens, que perderam a sua roupagem humana,  sentindo um prazer mórbido em torturar e matar seres vivos, que este filme nos mostra com enorme mestria.

 

O toureiro, que vemos na imagem reproduzida acima, representa para os Touros exactamente o que Amon Goeth representou para os Judeus, naquele campo de concentração.

 

E se pudessem trocar de posição, Amon Goeth daria um perfeito toureiro, e o toureiro, um perfeito nazista.

 

É que ambos têm algo em comum: uma psicopatia incentivada pelos respectivos governantes.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:23

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Segunda-feira, 17 de Agosto de 2020

«Gosto de Touros, odeio touradas e abomino toureiros!»

 

Extraordinário texto do cronista e escritor Walter Ramalhete, publicado no jornal online Figueira na Hora. 

Nunca li nada tão extraordinariamente real.

Uma descrição perfeita, magnífica, sobre a verdade obscena das touradas.

Uma leitura absolutamente obrigatória para os que odeiam, mas também para os que amam as touradas…

Este texto é um monumento à ridícula prática tauromáquica.

Isabel A. Ferreira

 

TOUREIRO.png

consciente do efeito visual - projecta, premeditadamente, as pudendas partes, artificialmente avolumadas e parcimoniosamente espartilhadas, na direcção de algumas sobreexcitadas damas, com as entre coxas entumecidas por inconfessáveis devaneios, acirrados pelo cheiro a sangue…

 

Texto de Walter Ramalhete

 

«Horrorizado, li, que quando um touro mata um toureiro, toda a manada donde proveio é, também, sacrificada. A ser verdade…

 

Que hedionda vingança!

Que hedionda cobardia!

 

Estes…, estes,…estes, … - entre tantas palavras que me ocorrem, não consigo encontrar nenhuma, suficiente, para os qualificar -… estas malvadas criaturas, sabem muito bem aquilo que fazem. Com este procedimento, eliminariam um “apuramento”, suprimiriam uma selecção genética, que “A tempo “, poderia redundar na consolidação duma estirpe de animais mais apta, mais ferozmente defensiva que, com maior frequência, passaria a reclamar o seu sangue, com sangue igualmente derramado nas arenas, pelos seus cobardes torturadores. Na verdade, deixar correr naturalmente o curso evolutivo genético, poderia redundar na “troca por troca” ; “ olho por olho, dente por dente”; “ sangue por sangue”; “ moeda por moeda”, como é da mais elementar justiça de Talião!

 

Mas não!

 

Por falta de coragem e astuta cobardia, retiram-no da sua casa. Retiram-no dos amplos prados verdejantes, que percorre com mansidão e garboso porte, onde, a sua imponente silhueta é recortada pelo sol, que dele, projecta uma sombra altiva e intimidatória.

 

Ao invés!

 

Encerram-no num curro claustrofóbico, depois de horas de viagem, sob calor, fome, sede e, frequentemente, já num estado febril. Por fim, lançam-no numa arena, cercada por barreiras e camarotes apinhados de gentalha, de bêbados, marialvas, coristas e “galifões de crista” que vociferam brados e olés. Lançam-no num espaço confinado e com uma forma geométrica que lhe é totalmente desconhecida.

 

Fica cercado, envolvido por guizos, chocas, cornetas, cornetins, capotes, mantilhas pretas e uma algazarra intimidante. Por detrás daquela multidão ululante, - e daquele triste “espectáculo”, rebordado por pasodobles vomitados por estridentes cornetas e fanhosos cornetins -, um “machito” espartilhado por roupas reluzentes e coloridas que realçam músculos e volumes ilusórios, falsa e artificialmente aumentados e evidenciados por gestos, passos e compassos duma lúgubre “dança”, escudado por solícitos e atentos peões de brega, bandarilheiros, forcados, cavaleiros e outros tantos patéticos e sinistros actores menores, dá início a um trágico ritual de morte.

 

Ritual que abre com um cavaleiro que, munido duma lança convenientemente comprida, a espeta no dorso do animal, picando-o vezes sucessivas, por forma a causar-lhe dor e sofrimento desnorteantes. Já diminuído e desnorteado, é ainda mais fatigado por sucessivas verónicas, enfunadas por estirados rodopios em bicos dos pés do “toureador”, rodopios que lhe retesam o corpo, como que acometido por um torpor orgástico, enquanto que – consciente do efeito visual - projecta, premeditadamente, as pudendas partes, artificialmente avolumadas e parcimoniosamente espartilhadas, na direcção de algumas sobreexcitadas damas, com as entre coxas entumecidas por inconfessáveis devaneios, acirrados pelo cheiro a sangue.

 

Damas que, mais tarde, se submeterão, furiosamente, às estocadas dos usados, mas não ousados marialvas. Já mais lesto, febril, e a sentir-se a desfalecer, é impiedosamente bandarilhado. Não apenas uma vez, nem duas, nem três, mas, enquanto mostrar uma réstia de vitalidade e arremesso. Entretanto, este massacre é acompanhado com gáudio, brados, olés, pasodobles, palmas, e outros vociferantes sons exteriorizados numa histeria colectiva.

 

Finalmente, arfante, por vezes, já a expelir sangue pela boca, humilhado através de sucessivos passes de muleta, passes que antecedem a morte – morte que, por vezes finta o touro e colhe o energúmeno toureiro - avança, enfraquecido, com o discernimento reduzido, com os reflexos embutidos por tanta dor.

 

Avança com coragem, com nobreza, com uma dignidade inaudita. Vai. Vai sobre as suas próprias patas, – de uma forma exemplarmente digna –, vai colher a morte libertadora e consoladora que põe termo a tanta crueldade, sofrimento e humilhação.

 

Desta forma, o tido por irracional - mortalmente estocado com arte de assassino - curva lentamente os quartos dianteiros e superioriza-se à verdadeira besta, ao seu algoz, ao patético “dançarino”.

 

A turba vociferante, saciada de inocente sangue, entra em êxtase! Atinge-se o clímax da estupidez e da selvajaria. Termina o atroz e vil espectáculo. O cadáver do malogrado “herói” é preso a correntes e é arrastado para fora da arena, ficando, por surda testemunha, um enorme rasto de inocente sangue.

 

Em contrapartida, o marreco mental, o vilão, entre vivas, olés e pasodobles é ovacionado e levado em ombros por uma turba ululante que grasna patéticos e quejandos sons, ritmadamente acompanhados pela esganiçada fanfarra. Até que, - um dia que espero muito próximo - esta “prática” primária, gratuitamente violenta e absurda, esta nódoa vergonhosa na história da humanidade, seja definitivamente erradicada pela sua incontornável evolução.

 

Assim como foi com a hedionda escravatura, assim será com a não menos hedionda tauromaquia!»

 

Fonte: http://www.figueiranahora.com/opiniao/gosto-de-touros-odeio-touradas-e-abomino-toureiros-

 

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 12:11

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Quinta-feira, 2 de Julho de 2020

Adaptação de uma definição de tourada do escritor Victor Hugo

 

 

 

Em todas as corridas de touros aparecem três intervenientes:

 

Que são: o touro, o toureiro e o público.

 

O grau de brutalidade de cada um destes intervenientes pode calcular-se pelo seguinte:

 

O touro é obrigado

 

O toureiro obriga-se

 

O público vai por um acto espontâneo da sua soberana vontade, e ainda por cima dá dinheiro

 

Agora observem bem esta graduação:

 

O touro provocado defende-se

 

O toureiro fiel ao seu compromisso toureia

 

O público diverte-se

 

No touro há força e instinto

 

No toureiro cobardia e deslealdade 

 

No público não há senão brutalidade

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 10:05

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Quarta-feira, 29 de Abril de 2020

«Toureiro esfaqueia a cabeça do touro várias vezes enquanto o animal chora – A verdade sobre a tauromaquia»

 

Inominável. Não há palavras para descrever tamanha crueldade!

O que dizer desta notícia, e do HORROR que se vê no vídeo que a acompanha?

 

Espanha_toureiro_esfaqueia_cabeca_animal_varias_ve

 

Não há palavras, porque isto é tão, mas tão, mas tão cruel, tão bárbaro, tão desumano, que só pode ter sido cometido por um MONSTRO, não por alguém que se diz pertencer à espécie humana.

 

Mas mais MONSTRO é um governo que permite tamanha monstruosidade, que nem o mais selvático homem primitivo praticava.

 

Com a intenção de ressaltar a brutalidade das touradas, a PETA - Organização de Direitos dos Animais - publicou um vídeo absolutamente perturbador, que esmaga a alma até de uma pedra, de um matador a apunhalar, na cabeça, um Touro ainda VIVO.

 

As imagens foram produzidas durante uma actividade tauromáquica, no passado mês de Setembro, em Bilbao, norte de Espanha, presumivelmente depois de o matador ter andado a torturar o animal ao redor da arena.  

 

O vídeo, que foi publicado no Twiteer, e que pode ser visto aqui:

https://olharanimal.org/toureiro-esfaqueia-a-cabeca-do-touro-varias-vezes-enquanto-o-animal-chora-a-verdade-sobre-a-tauromaquia/?fbclid=IwAR3MBTOfxSCviHnnyGA30GSVX2zPH7oNup5oWgS5VxbQNHXmML3sObyk-OY

 

mostra um cobarde, vestido de gala, a segurar o atormentado Touro (basta olhar para a expressão dele – não esquecer que o Touro é um SER VIVO, um mamífero SENCIENTE) por um dos chifres, e a esfaqueá-lo repetidas vezes na cabeça, enquanto o Touro se contorce aflitivamente. Sufocadamente.

Este vídeo, que esmaga até as pedras, foi produzido depois de a PETA efectuar uma petição para pedir a proibição desta crudelíssima prática, considerada um “divertimento tradicional” em várias regiões de Espanha, em pleno século XXI d. C..

 

No site desta Organização descreve-se como muitos Touros sofrem mortes lentas e dolorosas nas arenas; como monstros (não posso grafar “homens”) a cavalo e a pé introduzem lanças e aguilhões nas costas dos touros, torturando barbaramente os animais antes de serem cruelmente apunhalados por uma espada ou adaga.

 

E a esta barbaridade chamam divertimento, cultura, tradição, arte.

 

Só indivíduos, portadores de uma demência profunda, podem distorcer, tão vilmente, a essência do divertimento, da cultura, da tradição e da arte de seres verdadeiramente humanos.

 

 Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:48

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Quarta-feira, 4 de Dezembro de 2019

«O toureiro derrotado!» - Símbolo actual da tauromaquia

 

«O toureiro, derrotado!  Caído e desfalcado do seu título, deambula abatido e desorientado, numa arena com alguns espectadores tão perdidos!

A imagem da tauromaquia, que sobrevive graças aos subsídios atribuídos pelos governantes!» (Theodore Bagwell)

É este o símbolo actual da tauromaquia!

Toureiro vencido.jpg

Fonte:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1411629105679133&set=a.249504265224962&type=3&theater&ifg=1

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:49

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Sexta-feira, 8 de Novembro de 2019

Um significado da palavra “toureiro”, que diz tudo da repugnância que tal “actividade” provoca nas pessoas dotadas de empatia

 

Algo que nos vem de Espanha, o berço desta prática medievalesca.


«Não existe palavra mais repugnante, odiosa suja, nauseabunda, repulsiva, fétida, imunda,  que provoca vómitos, vilã, fedida, boçal, horrível, endemoninhada, conspurcada, nojenta, sarnenta, bárbara, asquerosa, selvática, infecta, sanguinária, vil, miserável, nociva, cobarde e rastejante, do que a palavra TOUREIRO.»

 

Toreiro.jpg

Origem da imagem: https://www.pinterest.ca/pin/708472585110730031/

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 12:12

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Segunda-feira, 13 de Maio de 2019

Em Espanha, toureiro limpa lágrimas de um Touro antes de o matar na arena

 

Isto é o expoente máximo da psicopatia, do sadismo e de uma descomunal deformação mental. Algo que deveria servir de exemplo, para se acabar de vez com esta doença do foro psiquiátrico, que se chama TAUROMAQUIA.

 

Em Espanha, como em Portugal.

 

image.jpg

 

O toureiro espanhol Morante de la Puebla limpou as lágrimas de um touro já moribundo, numa arena de Sevilha, para depois lhe espetar a estocada final com o que matou, na última sexta-feira.

 

Se para alguns, se tratou de um gesto bonito e de respeito pelo animal com quem tinha travado uma batalha na Maestranza, em Sevilha, para outros foi um gesto de sadismo, depois de momentos de tortura do animal na arena.

 

"Somente uma mente retorcida e perversa seria capaz de torturar um animal até que o sangue lhe escorresse pelas suas perna,s e depois limpasse, com um lenço de mão, as lágrimas a escorrerem pela cara do Touro», escreveu no seu Twitter, Silvia Barquero, presidente do Partido pelo Bem-Estar dos Animais, PACMA.

 

Tal gesto macabro foi aplaudido pelos sádicos que se encontravam no recinto da arena, porém, nas redes sociais, isto está a ser rejeitado repulsivamente, como o acto de um psicopata. E outra coisa não é.

 

Este acto psicopata pode ser visto neste link:

https://www.jn.pt/mundo/interior/toureiro-limpa-lagrimas-de-animal-antes-de-o-matar-na-arena-10891750.html?fbclid=IwAR28j6obi-na92tFaCFsyLt9-Ztii_doAnVEI-G4FDL9M9hNJ8OEEtq10Ds

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:51

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