Sexta-feira, 20 de Setembro de 2019

O OLHAR DE UM MÉDICO VETERINÁRIO SOBRE A TOURADA À CORDA

 

«Na Tourada à Corda o sofrimento psicológico do animal é forte», salienta o Dr. Vasco Reis, Médico Veterinário, que dá a cara pela Causa Animal.


O que hoje publico é um texto escrito por quem sabe.

Porém, poderia ser também um texto escrito por quem sente, porque existem coisas que, basta um olhar, para nos ferir o coração e a alma, o que é um indicador da existência de empatia, o sentimento maior que faz do homem um ser humano, e que na questão animal (como em tudo na vida) faz toda a diferença entre os seres humanos, e os seres desumanos desprovidos de alma e de empatia, o que os leva a divertirem-se com o sofrimento de um ser vivo.

Bem-haja, Dr. Vasco Reis!

 

O OLHAR DE VASCO REIS.jpg

 

NOBLESSE OBLIGE

 

Texto do Dr. Vasco Reis (Médico Veterinário)

 

«Tenho muito gosto em estar aqui na defesa de animais não humanos e humanos (pessoas) deste país, Portugal.

 

Sou Vasco Reis, médico veterinário aposentado, conhecedor da tourada à portuguesa e da tourada à corda. Fui médico veterinário municipal no Concelho da Praia da Vitória, Ilha Terceira, Açores, de 1986 a 1989, terra onde existem bastantes aficionados e se organizam muitas touradas à corda. Fui, então, incumbido pelo município da PV de examinar, avaliar e fazer acompanhamento e intervenção (nomeadamente, a retirada de bandarilhas/arpões) nos touros que eram ali toureados à portuguesa. É inegável que os touros lidados à portuguesa sofrem imenso psicológica e fisicamente antes, durante e após a Tourada. O sofrimento só termina quando são sofridamente abatidos.

 

E, acompanhei, também, algumas touradas à corda.

 

Na Tourada à Corda o sofrimento psicológico do animal é forte:

 

1º - Desde que é retirado do campo onde se encontrava acompanhado;

 

2º- Acrescido da corda que lhe é imposta ao pescoço e que os pastores seguram para o travar e dirigir;

 

3º- Pela provocação e alarido da multidão.

 

O Sofrimento físico é constante:

 

1º - Pelo esforço/esgotamento das correrias por percursos muito variados e até acidentados;

 

2º- Pelo elevado risco de lesões que pode sofrer no percurso por onde corre, salta, tomba, embate, pelo forte e agressivo esticão da corda - Tudo pode acontecer e muito tem acontecido - queda, entorse, fractura, acidente cardiovascular, desmaio, afogamento, quando levado para a praia e mar, etc.

 

Os riscos de segurança e de vida são muitos para as pessoas que teimam em assistir a este tipo de “entretenimento” uma vez que podem ser atingidas pelo animal, ou pela corda, ou pela multidão em fuga, ou por derrube das estruturas, etc.

 

As crianças estão expostas à violência e ao perigo eminente.

 

Tudo pode acontecer ali e atingir gravemente alguém tornando-o inválido ou até provocar a morte, por temeridade, por excesso de álcool, por azar, por esforço exagerado, por pânico, etc.

 

Além dos terceirenses, também muitos turistas arriscam a vida ao assistir a estas “festividades”.

 

Os touros depois da corrida podem voltar para o campo e ali permanecerem e podem constituir um perigo para pessoas que por lá passem, inclusive turistas incautos em passeio.

 

A propósito da uma tourada à corda mostrada em vídeo: Uma fotografia retirada do vídeo - “Tourada no Cabo da Praia com toiros da Ganadaria de (MJR) 31 de Agosto de 2019. Ilha Terceira, Açores”, mostra um touro ainda preso na caixa de contenção e muito próximo vê-se uma mão que segura uma seringa carregada com cerca de 7ml de um líquido de cor leitosa. Isto deu azo a suspeita de doping e a denúncia de suspeita de que se tratou de contenção do bovino e de material para injecção do bovino!

 

O caso foi revelado no Facebook e provocou reacções lastimáveis de pessoas com conhecimentos limitados e errados e afirmações irresponsáveis. Tais "Aprendizes de feiticeiro" afirmam que se trataria de medicação (antibiótico) para devolver o "bem-estar" ao animal. Já aqui está implícito o reconhecimento de que a corrida provoca tais danos na saúde psicológica e física do animal, que justificam ou exigem medicação. E esta pode ter efeitos secundários.

 

Nota - Constata-se a progressiva resistência de agentes patogénicos a antibióticos.

 

Isto é consequência do abuso da aplicação de antibióticos sem indicação correcta e por parte de muita gente sem autorização e sem preparação para isso. Provavelmente, nunca ficará esclarecido se, neste caso, se pode falar de responsabilidade de um profissional médico-veterinário. É muito improvável, pois estes técnicos da saúde animal não ousam meter-se nestas andanças.

 

Apesar da violência e crueldade exercida sobre animais nas diversas actividades tauromáquicas, há ainda quem considere que, pelo menos algumas, merecem ser reconhecidas património cultural de países e, até, da humanidade, por exemplo, a Tourada à Corda!

 

É claro que esta meta é civilizacionalmente inatingível. No entanto, abundam neste país pessoas de mentalidade retrógrada e praticam-se hábitos e tradições onde impera a violência exercida sobre animais. Há, pois, muito que educar, legislar e fiscalizar contra a liberdade de se abusar dos seres sencientes e conscientes, que são os animais.

 

Antes sim se apreciasse mais e se devesse o mesmo empenho em apresentar e divulgar a deliciosa música dos Açores, essa sim riqueza cultural superior e prestigiante!

 

Muitos são os aficionados em organismos detentores de poder económico, político e legislativo que ainda permitem a sobrevivência destas actividades. Assim, praticamente, se podem "preparar" touros e cavalos para as "festividades", sem qualquer controle de doping.

 

Hipocritamente, as poucas leis/regulamentos existentes, "pretendem promover o BEM-ESTAR animal nos eventos". Como se isso pudesse ser possível sob tanta violência!!!

 

Apesar, de muita "medicação" ser feita às escondidas, sempre se vão encontrando pistas do uso de Rompum, antibióticos, vários tranquilizantes, analgésicos, etc., nos locais onde as "festividades" tiveram lugar.

 

Insisto no facto e lastimo que a tourada à corda signifique sofrimento psicológico e físico para os bovinos envolvidos e que seja um evento de violência psicológica e física para quem assista, com risco de ferimentos graves, incapacitantes e até mortais e a par e passo sendo ainda causador de despesas públicas e privadas, que são perfeitamente evitáveis!

 

Que nódoa perigosa e desprestigiante para a Ilha Terceira.

 

Esta ilha e região são dotadas de paisagens maravilhosas, natureza luxuriante, clima algo instável, mas sempre temperado, de tanta beleza musical e de dança tradicional. Quanta riqueza e que atractivos para serem oferecidos a um turismo pacífico, sem a lastimável tourada à corda. Pessoalmente e por tudo isto, que é tão positivo, e ainda por muitas pessoas que conheci, guardo sempre saudades da Ilha Terceira e dos Açores! Queiram apreciar esta bela música tradicional “Olhos Pretos”, muito popular no arquipélago, cantada e gravada num serão que teve lugar na Praia da Vitória, Ilha Terceira. Isto sim, é uma verdadeira festa de alegria e comunhão entre as pessoas!

 

Basta reproduzir o link: https://youtu.be/l8my33yKwyY

 

 

Vasco Reis

19.09.2019

 

***

Menção: agradecemos ao Dr. Médico Veterinário Vasco Reis que cedeu este texto ao Movimento Não À Vaca das Cordas, o qual muito louvamos.

 

Pedimos que este texto seja partilhado por todos nós e que chegue a muitas pessoas que desconhecem esta realidade da Tourada à Corda em Portugal.

O teu apoio é muito importante, se és contra, assina a petição:

https://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT89816

 

Fonte:

https://www.facebook.com/eu.digo.nao.a.vaca.das.cordas/photos/rpp.1247201205382503/1896498330452784/?type=3&theater

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 10:32

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Sexta-feira, 23 de Agosto de 2019

EM INGILDE: GRANDE PROTESTO DE ACTIVISTAS ANTI-TOURADAS, CONTRA A CORRIDA DE TOUROS A REALIZAR EM BAIÃO, PARA CELEBRAR SÃO BARTOLOMEU

 

 

Acontece que São Bartolomeu, tal como qualquer outro santo católico, não gosta, com toda a certeza, que o celebrem com selvajaria tauromáquica, com tortura de touros, com sangue, com crueldade. Isso é coisa para agradar ao diabo. Não a um santo.

 

Em Baião, em 2016, a tourada destinada a celebrar São Bartolomeu, foi cancelada, por falta de condições.

 

Dizem-me que o autarca de Baião é contra a tourada, mas permite que ela se realize em terreno privado, porque diz, está tudo em ordem. Estará? Existe um regulamento de “espectáculos” tauromáquicos, o RET, que exige, por exemplo, a existência de curros e uma área veterinária e acessos adequados. Estará isto tudo acautelado? Duvido.

Estaremos diante de mais uma tourada realizada ilegalmente?

Esperemos que Baião saia do rol das localidades atrasadas civilizacionalmente, e mostre HOJE, que evoluiu, e, principalmente que respeita São Bartolomeu.

 

Celebrar um santo católico com tortura é “arte do demo”.

 

TOURO.jpg

 

Segundo um comunicado do MATP, «este protesto realiza-se em prol de uma sociedade mais justa e compassiva, que se orgulhe pelo respeito e pela vida do outro, independentemente de ser animal humano ou não humano", e conta com a presença da população de Baião, dos concelhos vizinhos, do maestro António Vitorino de Almeida, da deputada do Bloco de Esquerda Maria Manuel Rola e autarcas do PAN - Pessoas-Animais-Natureza.

 

Neste Blogue já se apelou para que se escrevesse ao presidente da Câmara Municipal de Baião, Paulo Pereira, para que não permitisse tal selvajaria no concelho a que preside.

 

Pedimos às autoridades competentes que fiscalizem o local onde se vai realizar a tourada de Baião, e vejam se o RET está ou não a ser cumprido. 

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:37

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Quarta-feira, 24 de Julho de 2019

TOURADA EM PONTE DE LIMA INSULTA AS MULHERES PORTUGUESAS

 

Se essas "mulheres" se deixarem homenagear com tourada, não são MULHERES, são as fêmeas dos inviris tauricidas.

Esta iniciativa só DESONRA a verdadeira MULHER, e estas estão obviamente indignadas com tamanho insulto à sua feminilidade.

Mulheres Portuguesas, enviem os vossos protestos para:

presidente@cm-pontedelima.pt

vice-presidente@cm-pontedelima.pt

psousa@cm-pontedelima.pt

 

Ponte de Lima.png

Fonte:

https://www.facebook.com/PontedeLimaSemTorturaAnimal/photos/a.702689139811930/2389705897776904/?type=3&theater&ifg=1

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:11

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Sexta-feira, 5 de Julho de 2019

«CHAMUSCA – MAIS DINHEIRO DESBARATADO EM TOURADAS»

 

Fonte:

Prótouro – Pelos Touros em Liberdade

https://protouro.wordpress.com/2019/07/04/chamusca-mais-dinheiro-desbaratado-em-touradas/

 

Paulo Queimado presidente da Câmara Municipal da Chamusca gastou quase 70 mil euros na organização de duas touradas na Semana da Ascensão deste ano. Não esqueçamos que esta não é a primeira vez que o faz.

A primeira tourada que teve lugar no dia 31 de Maio estava assim, ou seja, às moscas.

 

Chamusca.jpg

 

Afirma o jornal “O Mirante” e citamos:

 

O Capataz da Chamusca desta vez armou-se em toureiro e como prémio de consolação pela má gestão do dinheiro da autarquia vai ter as receitas de bilheteira. Daqui a uns tempos o Cavaleiro Andante vai tentar saber como foi o deve e haver do negócio para que os disparates não fiquem no esquecimento, pelo menos os relacionados com as touradas na Chamusca.”

 

E assim de uma penada se desbaratam 70.000 euros do erário público e como de costume neste país de autarcas corruptos nada acontece!

 

Prótouro
Pelos touros em liberdade

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:31

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Terça-feira, 19 de Março de 2019

ISTO É A “CULTURA” QUE OS GOVERNANTES OFERECEM A UM POVO QUE AINDA NÃO EVOLUIU

 

NEM EVOLUIRÁ NUNCA, ENQUANTO HOUVER UMA LEI QUE LEGITIMA A TORTURA E A ESTUPIDEZ

(Tourada à corda na Ilha Terceira (Açores)

(Legenda do vídeo: «Gosto quando o Touro se diverte...)

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:16

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Quarta-feira, 6 de Março de 2019

VÍDEO: «QUAL A TUA OPINIÃO SOBRE AS TOURADAS?»

 

Publicado no YouTube por

Fábio Soares

Para ver, ouvir e reflectir.

15252995_tJE8j[1].jpg

 

Neste vídeo vais ver algumas opiniões sobre touradas. Mais uma vez as respostas foram feitas sem oportunidade de grande tempo para reflexão, mas no fundo a resposta é unânime, a abolição total de tais práticas seria o comportamento adequado a uma civilização que quer ser vista como mais evoluída. Se ainda apoias touradas peço-te que repenses os teus valores morais e repenses essa decisão. Nenhum ser capaz de sentir deve ser submetido a sofrimento desnecessário. Tourada é tortura, é morte. Obrigado a todos que participaram no vídeo.

Partilha o vídeo, comenta e subscreve.

(Fábio Soares)

 

in

https://blogcontraatauromaquia.wordpress.com/2019/03/06/qual-a-tua-opiniao-sobre-touradas/

***

Ficamos a aguardar um vídeo, realizado por aficionados, que apresente argumentos RACIONAIS a favor da selvajaria tauromáquica, e a contradizer tudo o que os que colaboraram neste vídeo de Fábio Soares argumentaram. (I.A.F.)

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:28

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Quinta-feira, 27 de Dezembro de 2018

«TOURADA NÃO MOVE PESSOAS NOBRES»

 

Porque já estou farta de tanta estupidez e tanta ignorância, pensei seriamente em abandonar esta Causa.
 
Porém, numa viagem que fiz por estes dias, passei por um prado à beira da estrada, onde vários magníficos bovinos pastavam tranquilamente, como é da natureza deles. Observei-os, por uns momentos, tão indefesos, à mercê de indivíduos que ainda não evoluíram.

Então, ao imaginar que alguns deles estão destinados a ser barbaramente torturados numa arena, para que um bando de sádicos se divirtam, fui invadida por um sentimento profundo e estranho, que me fez recuar. Não, não posso abandoná-los a um destino tão bárbaro. Infelizmente, eles ainda precisam da minha voz, para gritar por eles, porque os BRUTOS andam por aí, apoiados por  governantes que também ainda não evoluíram...

 

TOURO.jpgFonte da imagem:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=790566481281466&set=a.270984846572968&type=3&theater

 

A tourada é uma hipocrisia nacional

 

(...) A crueldade tem muitas vertentes económicas e a gente não aceita a crueldade. (...) A minha ideia de civilização e a minha ideia da evolução dos costumes não passa nem pela violência entre marido e mulher e violência caseira que também é tradicional, não passa pelos comportamentos em relação às crianças e as violências que também eram tradicionais, não passa por muitas outras coisas que também são tradicionais e também não passa por achar bem um espectáculo em que um animal é sujeito para gáudio colectivo a espetarem-lhe facas e a torturá-lo.”

 

- Pacheco Pereira, Quadratura de Círculo, SIC Notícias

***

Tourada não é liberdade de “gosto”

 

Tourada não é coragem, é cobardia.

Tourada não é grandiosidade, é ser-se muito diminuto.

Tourada não é dia festa. É dia de luto.

Tourada não é cultura. É um atentado à civilização.

Tourada não é dignificar. É humilhar e maltratar inocentes.

Tourada não move pessoas nobres. Move psicopatas.

Tourada não é arte. Não se pinta com sangue.

Tourada não é tradição. Já passou à história.

Tourada não é progresso. É um retrocesso da humanidade.

Tourada não é liberdade de gosto. O touro não escolheu a sua.

Tourada não é mais nada do que uma ironia da sociedade, uma hipocrisia, uma prática obsoleta e violenta que é romantizada até por "poetas" deste país que vivem nos armazéns das suas próprias mentes mesquinhas que comparam livros a manchas de sangue como se a tinta deles fosse a mesma.

 

Cláudia Sousa

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:03

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Sexta-feira, 14 de Dezembro de 2018

RTP2 NO SEU PIOR, NAS COMEMORAÇÕES DOS 50 ANOS DAQUELE CANAL TELEVISIVO

 

Em Portugal não se vive em estado de graça…

 

GRAÇA.jpg

Texto de Prótouro – Pelos Touros em Liberdade

https://protouro.wordpress.com/2018/12/13/ministra-da-cultura-continua-a-ser-alvo-a-abater/

 

Ministra da Cultura Continua a ser Alvo a Abater

 

Na comemoração dos 50 anos da RTP 2 Graça Fonseca foi recebida no átrio do Cine-Teatro Capitólio com um paso doble.

 

Perante tal facto Graça Fonseca afirmou e citamos:

 

“Quando entrei até me assustei porque receei que me estivessem a levar para uma tourada.”

 

Tal foi o bastante para que o aficionado Joaquim Letria ripostasse afirmando:

 

“Quero acreditar que a senhora ministra disse o que disse por graça ou terá de aprender o que é um Paso Doble.”

 

Joaquim Letria afirmou ainda e citamos: “Quem a escolheu deve ter-lhe dito que a linha política do Governo é anti-tourada, senão ela não pensaria como pensa.”

 

Tocar um estilo musical espanhol na comemoração dos 50 anos de uma televisão portuguesa é de mau gosto e fazê-lo no preciso momento em que a ministra entrava no Cine-Teatro cheira a provocação, portanto, não é de espantar a inteligente e irónica afirmação da ministra.

 

E não, a ministra não cometeu nenhuma gafe já que embora o paso doble seja usado em marchas militares, hoje em dia é usado sobretudo em touradas e é conhecido pela sua associação à tauromaquia e não a marchas militares.

 

Portanto o aficionado jornalista Joaquim Letria perdeu uma boa ocasião para ficar calado primeiro porque demonstrou que o inculto é ele e segundo porque só mesmo um arrogante convencido poderia afirmar que a ministra faz o que lhe mandam e não tem cabeça para pensar por si própria.

 

Prótouro
Pelos touros em liberdade»

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:01

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Sexta-feira, 23 de Novembro de 2018

OS (POUCOS) QUE DEFENDEM AS TOURADAS NÃO CONSEGUIRAM ALCANÇAR A ELEVAÇÃO DOS QUE AS REJEITAM

 

A propósito do IVA nas touradas, mal sabia a Ministra da Cultura que, ao dizer que as touradas não são uma questão de gosto, mas de civilização, estaria a dar uma oportunidade aos Portugueses de mostrarem isso mesmo:

que as touradas são uma questão de civilização.

Nunca, como nestas últimas semanas, borbulharam por aí textos e programas pró e contra as touradas, numa esgrima em que os contra, com os seus argumentos racionais, claramente venceram os pró que, como argumentos, apresentaram as maiores irracionalidades de que há memória.

Deixo-vos com mais um excelente texto que mostra o quanto os aficionados estão longe da Civilização.

 

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É assim, majestoso e belo, pastando pacificamente no prado, ao pôr-do-sol, que o Touro deve ser estimado…

 

O PÚLPITO DOS CHARLATÕES

 

ANTÓNIO.png

Texto de António Guerreiro

 

Na passada segunda-feira vi o programa Prós e Contras, na RTP 1, e a conclusão a que cheguei, no final, é que há assuntos sobre os quais a televisão, seja pelas características e exigências actuais deste medium, seja pela profunda ignorância e filistinismo dos autores e apresentadores dos programas, presta um serviço fraudulento de desinformação, presta-se a ser o veículo de ideias que não deveriam poder ser difundidas e amplificadas num estação pública, em programas que se reclamam do estatuto de serviço público. O nível da abjecção e da total ausência de pudor é diariamente atingido naqueles programas da manhã e da tarde que supõem a existência de um público lobotomizado. Mas aqui, nos Prós e Contras, apesar da deriva demagógica do título, indiciando que há muita probabilidade de as coisas não correrem bem, supõe-se que é um programa para uma classe de espectadores bem informados, que esperam muito mais do que um serão de entretenimento.

***

Livro de recitações

 

Os movimentos a favor dos animais, ou melhor, os movimentos contra a crueldade com os animais, fazem parte da tradição humanista dos séculos XIX e XX.”
José Pacheco Pereira, PÚBLICO, 17/11/2018

 

José Pacheco Pereira escreveu uma crónica a defender o fim das touradas, intitulada Os que “amam” muito os touros e os torturam e matam. Há uma passagem dessa crónica, acima citada, que gostaria de refutar. A tradição humanista, seja ela de que século for, é precisamente a ideologia que está na base das convicções acerca dos homens, dos animais, da natureza e da técnica que servem ainda de argumento para quase tudo, inclusivamente para apoiar as touradas. O nazismo foi um humanismo (como foi dito por um filósofo que escreveu sobre o assunto). Até na globalização há um humanismo integral. Na nossa época, impôs-se em certos domínios a noção de pós-humano, mas o humanismo é muito perseverante. Não é fácil alguém declarar-se anti-humanista. Pensa-se logo que é um misantropo e não alguém que recusa a máquina antropológica que nega a verdadeira fractura do homem.

***

O último Prós e Contras era sobre as touradas, sobre as razões que levam uns a defender que elas devem ser mantidas e sobre as razões que levam outros a defender que elas deviam ser abolidas. Como sabemos, este debate está instalado entre nós com bastante virulência e já se percebeu que ele é extremamente incómodo para alguns partidos políticos e para o Governo, que quer fugir dele como o diabo da cruz. É preciso dizer que ele não deve ser desvalorizado, com aquele argumento de que há coisas muito mais importantes e esta não passa de algo inócuo. O que está aqui em jogo, a discussão de fundo, é algo fundamental que se inscreve no cerne da biopolítica contemporânea. A ideia de que está em curso ou já se consumou um animal turn, uma viragem animal, convoca-nos hoje seriamente através de uma bibliografia imensa que se tem produzido nos últimos anos sobre o assunto, vinda sobretudo dos lados da filosofia. O que descobrimos quando frequentamos esta vasta bibliografia é que a questão animal, nas suas mais variadas dimensões (morais, antropológicas, legais, etc.), incluindo a questão maior de saber se eles podem e devem ser sujeitos de direito, está presente nas grandes obras de filosofia, desde Aristóteles a Heidegger, de Derrida e Martha Nussbaum.

 

Está longe, portanto, de ser uma questão exclusiva do nosso tempo. Daí que seja chocante ouvir pessoas que são chamadas a falar sobre o assunto porque lhes é conferida, por qualquer razão, autoridade para tal, mas discorrem sobre ele com a maior das ignorâncias.

 

Neste último Prós e Contras destacou-se neste exercício de desinformação e de ignorância um aficionado chamado Luís Capucha, imbuído de filosofia das Lezírias que nem dá para comentar neste espaço. Mas vale a pena revisitar um dos seus argumentos, o de que regime nazi foi muito amigo dos animais e fez legislação que o comprova, para dizer que esse mito com origem na propaganda (“O nosso Führer ama os animais”) já foi longamente desmentido, em primeiro lugar por Victor Klemperer, o autor de LQI. A Linguagem do III Reich. E, no início dos anos 90, em França, Luc Ferry publicou um livro onde transmitia essa mensagem (e onde traduzia documentos da legislação nazi) que foi muito contestado e deu origem a uma enorme polémica. Ora, o que se passa entre nós é que alguém (na circunstância, um professor universitário de Sociologia) pode dar-se ao luxo de fazer afirmações na televisão como se fossem verdades irrefutáveis, desconhecendo ou fazendo que desconhece a contestação e a polémica que elas suscitaram. Este dispositivo retórico, propagandístico e inimigo do saber e da ciência porque é usado com fins exclusivamente ideológicos é o do discurso político, em relação ao qual já criámos muitas defesas, mas não pode ser a regra numa discussão na televisão pública, sobre um assunto sério, para o qual se convida, para o debate, “especialistas”, gente a quem se confere uma qualquer autoridade. O sociólogo, o aficionado, o propagandista e o inimigo do saber, tudo na mesma pessoa, só na televisão é que é possível. 

 

(As passagens a negrito são da responsabilidade da autora do Blogue)

Fonte:

https://www.publico.pt/2018/11/23/culturaipsilon/opiniao/pulpito-charlatoes-1851805?fbclid=IwAR216JTauFAgeduLRT37kGH2fsgDbZCw-AtmWMg6SLzThATtb6SCe102oWI

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:02

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Quarta-feira, 7 de Novembro de 2018

«GENTE CIVILIZADA TEM DE DEFENDER A EXTINÇÃO DAS TOURADAS…»

 

«… a bem dos animais, dos contribuintes e da evolução da sociedade». 

 

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Por

Joana Amaral Dias

 

A tourada deve ser proibida porque cravar ferros num touro é torturar um animal por entretenimento. Pois, pois é, há uma tradição. Mas se a tradição fosse escritura em pedra, ainda hoje havia escravatura, etc. Tesourar o lombo de um bicho por diversão não é cultura. É sadismo. Que, ainda por cima, vive à conta dos dinheiros públicos, dos cofres dos municípios, da RTP que transmite e que a promove em horário nobre. Se os contribuintes não pagassem esta arena, possivelmente ela já teria desaparecido. Aliás, o Estado não pode nem deve patrocinar a violência, seja ela qual for. Portanto, a Ministra da Cultura não tem nada que manter ou deixar de manter o IVA desta barbárie. O Bloco não tem que pugnar pelo aumento do imposto. Gente civilizada tem é que defender a extinção dessas corridas. Mais nada. A bem dos animais, dos contribuintes e da evolução da sociedade. Por fim, não deixa de ser incrível que o deputado do PAN vote favoravelmente este orçamento quando ele mantém a normalização e a institucionalização da tourada.

 

 

Contudo, não esquecer de que o PAN caminha sobre estilhaços de vidro. Tem de ter cuidado. Os sedentos não devem ir demasiado depressa ao pote da água.
O PAN, com esta atitude de uma no cravo, outra na ferradura, tem dado um grande avanço à causa animal.
E isso é o que mais sobressai, e também importa...
 
 
"Que não se tenha pressa, mas que não se perca tempo.
O tempo vale ouro para os que tem vontade de viver."

(Miriam Lewer)
 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 12:03

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