Domingo, 25 de Novembro de 2018

SOCIALISTAS EMPENHADOS EM IMPOR A BARBÁRIE: AGORA QUEREM TOURADAS SEM SANGUE “À AMERICANA”…

 

… como se as touradas “à americana” não fossem touradas, e dessem mais dignidade a esta prática abominável: ou seja, divertir um bando de sádicos à custa da violência (ainda que mais  PSICOLÓGICA do que física, mas também física) exercida sobre um ser vivo indefeso, retirado do seu habitat e metido, à força na arena (sim porque o bovino não vai para ali por sua livre vontade), não lhe restando a mínima possibilidade de fuga, obrigando-o a andar às voltas, desorientado, acossado por trogloditas aos gritos, histéricos, ululantes, como se isto fosse um divertimento normal, natural, civilizado…

 

PARTIDO SO.pngFaço minhas as palavras de Arsénio Pires

 

… como se as touradas com velcro, protagonizadas pelos trogloditas norte-americanos (sim porque lá também os há), fossem os bailados  “Quebra Touros” ou  “Lago dos Touros”, nas mentes deformadas e subdesenvolvidas, que se recusam a evoluir, e não conseguem divertir-se com espectáculos civilizados, porque nem tudo o que vem dos EUA é civilizado. E tourada com velcro é tão boçal e imbecil como a tourada com bandarilhas, porque os Touros são animais sencientes, não são coisas que se levem para uma arena, para divertir um punhado de broncos.

 

E por mais que se prove que nenhuma modalidade de tourada é viável e adequada à modernidade, as mentes encolhidas dos socialistas e afins, não conseguem encaixar a realidade.

 

… como senão soubéssemos que o que aqui está em causa é o LUCRO dos ganadeiros, que teriam de ir trabalhar, como todos os portugueses, que os subsidiam, para porem comida no prato. Mas também é aquele gosto macabro e anormal pela dominação de um animal indefeso e enfraquecido, se bem que de maior porte do que os seus carrascos, e que dá a ilusão, e apenas a ilusão da valentia destes últimos sobre o primeiro.

 

Andam os Portugueses a pagar os salários deste tipo de gente que está no Parlamento português, para servir lóbis e os próprios instintos sádicos, sem um pingo de inteligência, que lhes permita discernir e evoluir, sem um pingo de bom senso e sensibilidade.


E não me peçam para ser politicamente correcta, porque gente assim não merece a mínima consideração.

 

Nestes últimos dias, os jornais online encheram-se de textos lúcidos que demonstram que as touradas, quaisquer que sejam as modalidades, são uma prática que não dignifica o Homo Sapiens Sapiens.

 

Mas os socialistas e afins, portadores de mentes mirradas, optam por não ler estes textos e ficam-se pelo que dizem os três trogloditas de serviço da protório, que insultam até a inteligência das pedras, e não vejo a Ordem dos Veterinários e a Ordem dos Sociólogos tomar medidas para que tais personagens não andem por aí a atirar à fossa o bom nome das profissões dos Médicos Veterinários e dos Sociólogos.

 

Propor touradas com velcro é propor a continuidade da barbárie na versão mais soft, e do negócio da tortura, porque touradas, seja qual for a modalidade, são touradas, ou seja, o uso e abuso de animais sencientes, arrancando-os à força dos prados, o que só por si já constitui uma VIOLÊNCIA, para divertir os sádicos.

 

O que faz falta a esta gente é Cultura, que só a muita LEITURA proporciona. Não são as universidades ou os altos cargos governamentais.

 

Veja-se a incongruência desta ideia, que nem de jerico é, porque se fosse de jerico, de certeza que seria boa ( e o caçador socialista Manuel Alegre acha a ideia "interessante"):

 

«A ideia é aplicar velcro no touro, como se faz noutros países. Este modelo segue aquilo que já se faz nos EUA (e não é por acaso que isto existe apenas na Califórnia e Texas), Canadá e Grécia (?????)por exemplo. É colocada uma capa de velcro sobre o dorso do touro onde são coladas as bandarilhas. O touro não é espetado e não há sangue».

 

Acontece que na Grécia não há touradas nem com velcro nem sem velcro; a única tourada que se realizou na Grécia teve lugar nos anos 70 organizada (adivinhem por quem), isso mesmo: por um troglodita português. Só podia ser.

 

E eles acham que lá por não haver sangue, não há tortura psicológicae  também física. Os bovinos são seres sencientes. Mansos e tão delicados que se incomodam com as moscas. 

 

E dizem mais:

«Por outro lado, como o touro não sangra, não enfraquece, e investe com mais força nos forcados. O touro bravo que não é picado também perde reacção, o que pode dificultar a arte do toureio a pé ou a cavalo».

 

Ora isto implica admitir que quando o Touro (simplesmente Touro, o BRAVO é invenção dos carrascos, porque não existem Touros bravos na Natureza) sangra, fica enfraquecido, aliás fica mais enfraquecido ainda, pois enfraquecido já ele entra na arena. Isto é admitir a COBARDIA dos forcados. Pois o Touro, para ficar bravo e reagir (ou seja, para se DEFENDER) tem de ser picado, rasgado por dentro, sangrado, e ficar com dores horrorosa (lembrem-se da função da música estridente na hora da lide, que é para abafar os urros desesperados de dor dos Touros) porque se não é picado, estraga a exibição das bailarinas enchumaçadas.

 

E é assim que mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo. Tudo no toureio é completamente falso.

 

Como também é falso estarem preocupados com o bem-estar animal. Se estivessem preocupados com o bem-estar do animal, deixá-lo-iam a pastar tranquilamente nos prados, como é da sua natureza.

 

Tudo nesta coisa da tourada é falácia. A única coisa que não é falácia é este desesperado vale-tudo, para dar azo aos instintos sádicos dos aficionados.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:13

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Quarta-feira, 14 de Novembro de 2018

REFERENDAR A TORTURA DE TOUROS SERIA ADMITIR QUE A TORTURA DE TOUROS É POSSÍVEL

 

E não é. A tortura de Touros não é possível, numa sociedade evoluída.

O que é da ÉTICA não pode ser referendado. A tortura de Touros é uma questão da Ética, do Senso Comum, das Leis Naturais e Universais.

 Referendar a tortura de Touros é admitir que a tortura de Touros é possível.

Eis o que é a Ética, explicada de um modo simples, por Mário Sérgio Cortella (***) para que todos entendam:

 

ÉTICA1.jpg

 

Referendar a tortura de Touros é ACEITÁ-LA como algo que pode ser válido para a sociedade, e que uns querem, e outros não querem.

 

As questões da VIDA não são referendáveis. A VIDA é tão importante para o animal humano, como para o animal não-humano, por isso estes são tão cuidadosos com a vida deles, defendem-na corajosamente, não poluem o seu habitat natural, e são eles o equilíbrio racional do ecossistema, que o animal homem, irracionalmente, destrói.

 

ÉTICA.jpg

 

Ainda se a pergunta a fazer fosse directa e clara:

É A FAVOR DA TORTURA DE TOUROS E CAVALOS NUMA ARENA, PARA DIVERTIR SÁDICOS E PSICOPATAS?

… talvez (talvez) o referendo  pudesse ser aceitável...

 

Contudo, nos referendos, como todos nós sabemos, as perguntas nunca são directas e claras, precisamente para confundir os menos esclarecidos e, com isso, servir a política e não a sociedade.

 

De qualquer modo, um referendo sobre a tortura de Touros é admitir essa barbárie no seio da nossa sociedade, que se quer evoluída. Portanto, algo contraproducente.

 

(***) Mario Sergio Cortella é um filósofo, escritor, educador, palestrante e professor universitário brasileiro, mais conhecido por divulgar, com outros intelectuais como Clóvis de Barros Filho, Leandro Karnal, Renato Janine Ribeiro e Luiz Felipe Pondé, questões sociais ligadas à filosofia na sociedade contemporânea.

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:40

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Quarta-feira, 17 de Outubro de 2018

TORTURADORES DE TOUROS PERDEM ISENÇÃO E PASSAM A PAGAR 13% DE IVA

 

Dizem-me que esta medida foi arrancada a ferros!

Só num país com laivos terceiro-mundistas isto acontece assim: arrancado a ferros!

A inutilidade da tauromaquia é tal que o IVA tinha de ser 23%, ou muito mais.

Porque os torturadores de Touros não são artistas de coisa nenhuma, a tortura de Touros não é cultura, e a tauromaquia, sendo a “arte” da cobardia, não se enquadra nas actividades ditas humanas, que dignificam a Humanidade.

Porque há-de uma tal prática medievalesca, cruel, violenta, praticada por psicopatas, para divertir sádicos, ter privilégios fiscais, ficando pela taxa média do IVA?

 

HOMO TAURINUS.jpg

 

Os torturadores de Touros são uma espécie de marionetas, de collants cor-de-rosa, trajes justinhos e reluzentes, para disfarçar todo o horror que se passa dentro das arenas, aquando das investidas contra animais sencientes, indefesos e previamente enfraquecidos.

 

Tudo na tauromaquia é farsa, é crueldade, é violência, é cobardia, é anormalidade, é psicopatia, é sadismo, é estupidez assente na maior ignorância.

 

A tauromaquia já devia estar extinta há muito, mas uma vez que não está, deve pagar impostos dos mais altos, para atenuar o grave prejuízo moral, social e cultural que provoca ao País.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:50

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Terça-feira, 18 de Setembro de 2018

E DEPOIS NÃO GOSTAM DE SER ROTULADOS DE PSICOPATAS

 

Ontem assistimos a uma das maiores vergonhas que temos visto nestes anos de luta anti-tourada.

San Agustín De Guadalix - pelas ruas de Madrid (Espanha) deambulou pelas ruas o cadáver de um animal que foi torturado até a morte, para diversão de 4 sádicos que não são dignos da nossa sociedade avançada.

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:44

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Sábado, 18 de Agosto de 2018

JOÃO SOARES E ELÍSIO SUMMAVIELLE DOIS MARIALVAS COM OS PÉS FINCADOS NO PASSADO

 

Dois espíritos fechados à evolução.

 

Os dois foram ao campo pequeno ver uma tourada. E deram uma entrevista à Revista Sábado, e falaram sobre a paixão (que só pode ser mórbida) pelos Touros, e disto saiu esta frase curiosa: «Os adversários da tourada são ignorantes atrevidos», desconhecendo que esta declaração demonstra bem de que lado está a ignorância, porque o mundo civilizado sabe que a tourada é uma actividade medievalesca que assenta na mais profunda estupidez, que por sua vez provém da mais monumental ignorância, o que nos leva a questionar se os senhores doutores disseram o que disseram, quando estavam a ver-se ao espelho.

 

JOÃO E ELÍSIO.jpg

 Os senhores doutores João Soares, ex-ministro da “cultura” e Elísio Summavielle, presidente do Centro Cultural de Belém, foram à tourada…

 

E a revista Sábado estava lá, e entrevistou-os.

 

João Soares costuma dizer que não é aficionado, então o que será?

 

Diz ele: «Não, nem de longe, sou um tipo que gosta de vir, há já muitos anos que venho. Até gosto muito do termo aficionado, acho é que seria pretensioso da minha parte dizer que sou. Porque eu não distingo uma verónica de uma chicuelina! Sei que há verónicas, que há chicuelinas, que há capotazos [passes de toureio]... vou aprendendo com o Elísio, com o Vera Jardim e com outros amigos

E Elísio Summavielle acrescentou logo: «Hoje aprendeu o que é uma revolera.

 

Mas que bem! Isto é que é “cultura”! E dizem isto com o orgulho dos pobres de espírito (não confundir com pobres em espírito, que é outra coisa).

 

Por aqui já temos uma amostra desta que eles dizem ser uma “tradiçãoportuguesa, com estes termos muito portugueses, e estas chicuelinas, e capotazos e revoleras fazem parte naturalmente daquela “coltura” enraizada em Portugal, desde o tempo dos beleguins medievais, e não há meio de isto evoluir.

 

Se lhes perguntarmos o que é uma cabaletta, um gruppetto, uma cavatina, um chariot, saberiam eles responder? Aqui sim, mostrariam conhecimentos e Cultura Culta. Mas ponho as minhas mãos no fogo, como não sabem.

 

João Soares diz que vai às touradas desde miúdo, porque tinha um tio, por afinidade, que foi governador civil, José Manuel Duarte, e lembra-se de no Verão ia às corridas de touros às Caldas da Rainha, a 15 de Agosto, e continuou a ir ao campo pequeno, quando frequentava o liceu.

 

E Elísio Summavielle disse que frequenta (estes antros) desde   que se conhece, pois, o avô materno era natural da Moita... E fala-se na Moita, fica tudo dito.  

 

Quem vai às touradas desde miúdo, nunca mais consegue livrar-se desse mundo que lhe moldou o carácter. E fica-se desencaminhado para o resto da vida. Transformam-se em espíritos fechados à evolução.

 

Ficou tudo explicado, com esta explicação dos senhores doutores, porque o carácter de uma pessoa molda-se na infância e na adolescência. E se essa infância e adolescência são marcadas pela selvajaria, pela crueldade, pela violência, esse estigma nunca mais os abandonará, por mais universidades que frequentem. Porque as universidades podem dar conhecimentos, mas não dão bom carácter. E é bom carácter, sensibilidade e empatia que faltam a estes senhores doutores que, por uma disfuncionalidade cognitiva se desviaram das percepções mais básicas, e não conseguem ver num Touro um animal como eles, mas tão-só uma “coisa” que serve para ser espetada e sangrar e sofrer, para que eles se divirtam. E por mais informações que lhes facultemos, eles não conseguem apreendê-las.

São raros aqueles que conseguem curar o sadismo, que se desenvolveu neles desde a infância. Mas existem excepções. Para isso têm de ter um espírito aberto.Que não é o caso deste dois senhores doutores.

 

Summavielle disse que tinha uma quinta em Sarilhos Pequenos, e desde que se conhece habituou-se a ir para lá passar fins-de-semana e a ir à festa, e chamar à tortura de seres vivos festa implica um descomunal sadismo. E Summavielle acha esse ambiente selvático fantástico. Diz que andou um bocadinho fora dessas lides quando era estudante, antes de o 25 de Abril, em que estava metido em algumas conspirações, e ia pouco, e depois reconciliou-se e tornou a ir. Trocou o futebol pela selvajaria tauromáquica, e para ele futebol passou a ser isto. E este isto é a tortura de bovinos. Diz que é benfiquista, mas ali, na arena, não há hooligans. Pois não há. Há sádicos e psicopatas. Que com certeza irá dar ao mesmo. Ao contrário de João Soares, Summavielle gosta muito da corrida à espanhola, ou seja, gosta de ver matar um touro já moribundo, obviamente com todos os requintes de malvadez. E isto diz muito do seu carácter. Porque qualquer indivíduo que se regozije diante do sofrimento e da morte é sádico.

 

João Soares diz que foi muitas vezes ao campo pequeno também em funções oficiais quando estava na Câmara Municipal de Lisboa. Tal como Jorge Sampaio, o denominado barranquenho, que um dia há-de ter, em Barrancos, uma estátua ao lado de um touro torturado. Mas uma vez houve que Jorge Sampaio levou uma vaia da praça e ficou um bocadinho... Diz João Soares. E acrescenta: «É normal, o público dos touros é um público tradicionalmente à direita(por isso estranhamos a posição do PS e do PCP, que se dizem de esquerda, e pactuam com políticas e actos da direita e monarquistas, contudo, isto não tem nada a ver com política, mas tão-só com berço) ... E João Soares acrescenta: «Mas eu vim muito, quer como vereador quer como presidente da Câmara. O campo pequeno, além de tudo o mais, é um símbolo importante da cidade e ligado à vida política (é um símbolo da cultura inculta e das práticas sádicas, quis ele dizer). Por alguma razão o Otelo dizia "levá-los para o campo pequeno" (pois, para serem torturados, como fazem aos Touros). O 28 de Setembro começa também à volta de uma tourada em que houve uma vaia ao Vasco Gonçalves e o general Spínola foi aplaudido. Não há partido nenhum que não tenha feito aqui comícios, até partidos hoje completamente minúsculos (e tal coisa só desprestigia quem pisa um lugar tão manchado de sangue de inocentes e indefesos seres vivos, que são torturados para divertimento dos sádicos. Um lugar a cheirar a bosta, a urina, a sangue, a álcool, a suor e a sofrimento.

 

O resto da entrevista será mais do mesmo. Uma enxurrada de lugares comuns, com a desculpa da literatura de um tempo em que ainda havia uma enorme ignorância ao redor do sofrimento animal, e que é sempre para aqui chamada, como se os escritores e artistas aficionados de touradas, citados pelos aficionados, fossem deuses, e não se livrassem da praga do sadismo, ou de terem comportamentos patológicos. Basta consultar a biografia desses famosos.

 

Hoje, com toda a informação existente, é de uma pobreza de espírito extrema ver dois senhores doutores ainda tão agarrados a uma prática medievalesca, bruta, cruel, violenta, desadequada aos tempos modernos.

 

Mas é a tal coisa: de pequenino é que se torce o pepino, e estes senhores doutores cresceram neste ambiente perverso, mórbido, disfuncional, e perderam definitivamente o comboio que os levaria à Evolução. De modo que a tauromaquia acabará (já está acabar) com esta geração de marialvas. As novas gerações estão-se nas tintas para as touradas, que são o corolário  dos desvios comportamentais de todos os intervenientes.

 

Isabel A. Ferreira

 

 

Fonte do texto e da imagem:

http://www.sabado.pt/portugal/detalhe/os-adversarios-da-tourada-sao-ignorantes-atrevidos?utm_campaign=Newsletter&utm_content=22057732560&utm_medium=email&utm_source=diaria_ON

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:56

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Quarta-feira, 27 de Junho de 2018

SÓ MENTES DEFORMADAS ACHAM QUE OS TOUROS NÃO SOFREM COM A INVESTIDA DOS COBARDES FORCADOS

 

Recebi um comentário do Hugo Pinto, e que aqui destaco, para que, de uma vez por todas, fique demonstrado que os forcados são os maiores cobardes de uma tourada, porque atacam em bando, um Touro já moribundo. E isso nem é arte nem valentia. É a mais pura e repugnante cobardia.

 

Veja-se este vídeo com atenção.

 

Ataque em bando a um Touro moribundo, cheio de farpas, a sangrar, indefeso (com os cornos embolados) com as carnes já rasgadas. Repare-se no “reforço” que mostra a invirilidade dos forcados. Aos forcados falta-lhes umas coisas que eu cá sei, para enfrentarem um Touro com todas as suas faculdades físicas INTACTAS. Por isso eles tentam disfarçar essa falha com umas "almofadinhas", e só atacando um Touro moribundo conseguem sentir-se machos (não disse homens). Este Touro conseguiu reunir as derradeiras forças e defendeu-se legitimamente, dando uma boa lição de valentia ao cobarde forcado que o atacou. É que VALENTIA é estar moribundo e a sofrer horrores e ainda assim conseguir reunir as derradeiras forças para neutralizar o carrasco. Isso é que é valentia. E aqui o HERÓI é o Touro.

 

Hugo Pinto comentou o post COBARDIA DOS FORCADOS PORTUGUESES MOTIVA A SELECÇÃO IRANIANA ATRAVÉS DA VISÃO DEFORMADA DE CARLOS QUEIROZ às 09:35, 27/06/2018 :

 

Independentemente de gostar ou não deste ressabiado, o texto escrito no blogue é completamente errático e escrito por alguém que não sabe o que diz. Nas touradas, tradição aceite ou não por alguns, os forcados são os únicos que não magoam o touro. Os forcados são aqueles que se formam em linha em frente ao touro e quando o animal faz a investida o forcado tenta manter-se seguro entre os cornos do boi. Arte de valentia e coragem, única no mundo. Com os forcados o animal não tem qualquer sofrimento

 

***

 

Hugo Pinto,

 

Quanta ignorância! Quanta estupidez! Quanta falta de saber! Quanta falta de sensibilidade! Quanta falta de discernimento! Este seu comentário tresanda ao mofo.

 

Primeiro: saiba que não está a dirigir-se a uma leiga, nestas coisas de crueldade e violência. Quem não sabe o que diz é quem diz que nas touradas (que NÃO É uma tradição, mas sim um costume bárbaro herdado dos monarquistas espanhóis) os forcados são os únicos que não magoam o Touro.

 

Segundo: quando os cobardes forcados formam em linha diante do Touro, estão diante de um TOURO JÁ MORIBUNDO. E quem investe contra o Touro são os cobardes forcados, porque o Touro, já ferido de morte, nem sequer tem forças para se defender. E quando o cobarde forcado tenta manter-se seguro entre os “cornos” do BOI (disse bem, porque o Touro não passa de um boi, e os bois são bovinos, herbívoros mansos que só investem contra qualquer coisa, unicamente para se defenderem) é preciso acrescentar que são CORNOS EMBOLADOS (queria ver um forcado a segurar-se em cornos à vista, bem afiados). E isso não é arte nem valentia. Insulta- se a Arte e a Valentia ao chamar arte e valentia à maior das cobardias do mundo: atacar um ser vivo já moribundo e a sofrer atrozmente. E mais: com o ataque dos cobardes forcados o Touro sofre em dobro, por já se encontrar moribundo e cheio de dores. E puxam-lhe o rabo, e atiram-se para cima dele, e rodopiam-no, com os corpos em cima das bandarilhas, fazendo pressão e provocando ao Touro ainda mais dores.

 

Depois não gostam que eu diga isto: todos os forcados deviam ser torturados, como os Touros são, se algum dia se encontrassem feridos de morte, a sangrar e moribundos, e alguém lhes viesse puxar o rabo, os cabelos e andar com eles às voltinhas, para saberem o que isto é. Não sofreriam nada? Se os touros não sofrem, eles também não sofreriam, porque nenhum deles é um animal? Ou não? Como poderiam sofrer?  Só mentes muito deformadas acham que os Touros não sofrem com a investida dos cobardes forcados.

 

Terceiro: posto, isto é, da Ciência Humana e do Senso Comum que os forcados são os maiores cobardes das touradas porque ATACAM, em bando (oito para um) um touro já moribundo, indefeso e inofensivo, sem forças, com os cornos (as suas defesas) embolados, perfurado por bandarilhas, a sangrar por dentro e por fora, a sofrer horrores, dores atrozes, como qualquer forcado sofreria (?) se lhe espetassem bandarilhas no lombo. E atacar um ser vivo nestas condições não é ser valente. É ser o maior cobarde à face da Terra. Atacar seres indefesos é a maior das COBARDIAS. Mais cobardes do que isto não há.

 

Valentia seria enfrentar um LEÃO esfomeado na arena, como faziam os desventurados gladiadores no Coliseu de Roma, para divertir os anormais daquela época. Agora, atacar um Touro moribundo e a sangrar, com as carnes rasgadas, e cornos embolados, só mesmo de grandes cobardes sem um pingo de virilidade. E os sádicos aplaudem, porque os sádicos gostam de ver sangue e sofrimento. É da natureza doentia deles.

 

Por vezes, os Touros, ainda que moribundos, reúnem as suas derradeiras forças e defendem-se valentemente (e aqui sim, há valentia) e mandam um forcado desta para melhor, com toda a legitimidade. Porque morrer, por morrer, ao menos, leva o carrasco com ele.

 

Percebeu Hugo Pinto?

 

Não há valentia nenhuma num forcado. Isso é a maior mentira da tauromaquia. E uma mentira repetida muitas vezes até pode parecer verdade, mas continua a ser uma grande mentira.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:56

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Quinta-feira, 21 de Junho de 2018

A PÓVOA DE VARZIM DECLARA-SE ANTI-TOURADA E A "prótoiro" PRETENDE PROCESSAR O MUNICÍPIO POR TAL ACTO EVOLUTIVO

 

E se isto não fosse ridículo até dava para rir…

Ao que leva o desespero!

As touradas estão a dar o berro. São práticas selváticas, nada adequadas aos tempos modernos.

A Póvoa de Varzim libertou-se das trevas que obscurecia a cidade.

Mas a prótoiro não quer, como se a prótoiro mandasse na cidade!

 

PRAÇA.png

 

 

A prótoiro - federação portuguesa de tauromaquia garantiu hoje que vai avançar com uma queixa em tribunal contra a Câmara da Póvoa de Varzim, por esta ter decidido proibir a realização de touradas no concelho, considerando esta decisão do executivo poveiro "um ataque feroz à legislação, principalmente à Constituição da República Portuguesa", esquecendo-se a prótoiro que a tauromaquia não é, nem nunca foi e jamais será cultura popular portuguesa, porque nem sequer é português este costume bárbaro. Herdado dos espanhóis (já cansa repetir isto, mas não há meio de eles aprenderem).

 

A prótoiro acha, e acha bem, que “nem os municípios, nem nenhum outro órgão, têm poderes para proibir a cultura, a não ser que vivêssemos numa ditadura". Correcto. Proibir a Cultura é algo inconcebível. Mas estamos a falar da proibição da Cultura Culta e Cultura Popular. Na verdade, é das ditaduras proibir tais manifestações culturais.

 

Também é verdade que, segundo a prótoiro, "qualquer decisão tomada no sentido de limitar ou proibir o acesso a um espectáculo cultural é ilegal e inconstitucional". É verdade.

 

No entanto de que fala a prótoiro, quando fala de cultura ou de espectáculo cultural? Fala obviamente de tortura de tTuros e Cavalos para divertir psicopatas e sádicos e encher os bolsos a uns poucos ganadeiros. E isto não é cultura, nem em Portugal, nem no planeta mais deserto, dos confins do mundo.

 

A prótoiro acha que «a decisão da Câmara é altamente danosa para a cidade e a região, aludindo a alegadas declarações de Aires Pereira em 2014, em que o autarca sublinhava a importância das touradas para o município em termos de turismo e garantia que elas continuariam a ser realizadas na Póvoa de Varzim».

 

Ora tanto quanto se sabe, as touradas na Póvoa de Varzim, como aliás em qualquer outro município atrasado civilizacionalmente, onde ainda se mantém esta prática de broncos, não trazem benefício nenhum às localidades, nem sequer ao turismo ou economia, muito pelo contrário, só trazem prejuízos e muito má fama.

 

E se em 2014 Aires Pereira prestou tais declarações, hoje, em 2018, diz não se lembrar delas, contudo, se as fez, «qualquer pessoa está sempre a tempo de mudar de opinião», referiu, ou seja, qualquer pessoa está sempre a tempo de EVOLUIR.

 

Foi o que aconteceu. E nenhum tribunal poderá condenar um autarca por ter evoluído e abandonado uma prática que, além de desprestigiar a cidade, não confere dignidade à pessoa humana, por ser uma prática cruel, violenta e desadequada aos tempos modernos.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:55

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Terça-feira, 12 de Junho de 2018

ATRASO MENTAL E CIVILIZACIONAL PROMOVIDO PELO GOVERNO PORTUGUÊS

 

PRAÇA ALENQUER.jpg

Origem da foto:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10210028037452561&set=pcb.1556336854477372&type=3&theater&ifg=1

 

É assim, em Portugal, numa época em que a tauromaquia é considerada o ópio dos psicopatas, dos sádicos, dos broncos, dos atrasados mentais, ou seja, dos que não evoluíram mentalmente ou têm mentes deformadas.

 

Em Alenquer, esta “coisa” redonda foi implantada num terreno camarário, com dinheiros públicos.

 

Em Alenquer a civilização ficou nos arredores.

 

Não existe nesta localidade algo mais útil para o povo, do que uma arena de tortura? 

 

E pensar que este atraso mental e civilizacional tem o selo do governo português!

Não é vergonhoso e indigno de um país europeu?

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:51

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Quarta-feira, 6 de Junho de 2018

O SADISMO DOS TAURICIDAS

 

Sadismo:

 

«O sadismo é uma perversão caracterizada pela obtenção de satisfação através da humilhação ou do sofrimento físico dos outros. É o acto de sentir prazer ao causar sofrimento físico ou mental a outro ser vivo

 

Repare-se na expressão perversa dos sádicos diante do visível sofrimento deste touro, muito mais digno e racional do que qualquer um dos anormais que assim se riem do suplício de um ser vivo.

 

RISO DOS PSICOPATAS.jpg

 Fonte da imagem:

https://www.facebook.com/europaagainsttorodelavega/photos/a.869951413016742.1073741828.869912783020605/2221530351192168/?type=3&theater

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:11

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Sexta-feira, 18 de Maio de 2018

«PSICOLOGIA DA “AFICIÓN” TAURINA: SADISMO, NARCISISMO E EROTISMO»

 

Eis um texto que traduzi do original, em que se demonstra, à luz da psicanálise, tudo o que está referido no título.

 

A autoria do texto é de Cecilio Paniagua, e foi publicado na Ars Médica, Revista de Humanidades, 2008.

 

O autor é doutor em Medicina e Membro Titular da Asociación Psicoanalítica Internacional.

 

TORO1.jpg

 

Resumo:

Estuda-se a evolução sócio-histórica a partir de uma perspectiva psicanalítica da tauromaquia. Comenta-se a orientação psicológica do sadismo, do narcisismo, do erotismo e das  orientações da afición, concluindo-se que a tauromaquia constitui uma complexa permuta cultural entre impulsos inconscientes e a volúvel sensibilidade social à crueldade expressa por meios estéticos, tradicionalmente validados.

 

***

 

«Existem muito poucos trabalhos publicados sobre a tauromaquia na Literatura Psicanalítica. Num deles, da autoria de Winslow Hunt (1955), pode ler-se: «É surpreendente que uma actividade tão dramática e anacrónica não tenha despertado mais, o interesse dos psicanalistas». A pouca atenção prestada pela psicanálise a esta espectacular manifestação cultural foi atribuída à influência do preconceito.

 

O psicanalista Martin Grotjahn (1959) sustentava: "Os aspectos horríveis da tauromaquia anulam o interesse que o simbolismo inerente ao seu ritual possui. Talvez isso explique a falta de tentativas analíticas para interpretarla fiesta”».

 

A história da tauromaquia proporciona um bom campo para o estudo dos ajustes psicológicos relativos à tolerância e à crueldade. A evolução da regulamentação do nosso feriado nacional reflecte a tentativa de alcançar diferentes compromissos entre as inclinações sádicas da afición e a mudança de sensibilidade da sociedade em relação aos espectáculos sangrentos.

 

Estima-se que cerca de sessenta milhões de pessoas em todo o mundo são espectadores de touradas. A afición tauromáquica baseia-se no facto de proporcionar um momento único para o alívio e a projecção de impulsos instintivos reprimidos. Claramente, o seu atractivo principal é o da recompensa inconsciente dos impulsos sádicos. A dor e a morte do touro são dadas como certas. Na mente de todos os aficionados está o facto de que os cavalos e, é claro, os toureiros podem sofrer o mesmo destino.

 

Com efeito, todas as vezes que um touro é ferido, o aficionado experimenta dois desejos conflituantes: que o toureiro seja colhido e que o feito não tenha consequências sangrentas. Somente o último é geralmente consciente.

 

Esses desejos opostos provocam no espectador duas instâncias psíquicas diferentes: o Id dos instintos e o Superego da consciência. Com efeito, o toureiro é o objecto da projecção de instintos e desejos conflituantes. Os condicionamentos históricos dessa ambivalência ditam as preferências em relação às práticas taurinas. O público que assiste a uma tourada pede ao toureiro que se aproxime das hastes mortais do animal, mas, simultaneamente – não em vez de, como muitas vezes se pensa - ele não quer testemunhar uma desgraça.

 

TORO2.jpg

 Legenda: Mas como é que o maltrato animal pode ser um bem cultural? De que cultura? E que cultura seria essa? A “Rompesuelas”, Touro de la Vega 2015, em Tordesilhas

 

A maioria dos espectadores de uma tourada rejeitaria a ideia de que vai aos touros por motivos sanguinários. Tão-pouco aceitaria que o seu propósito é assistir ao sofrimento e à morte dos animais.

 

Mais ainda repugnaria aos espectadores a ideia de que tinham ido assistir a uma colhida e que estariam parcialmente certos, porque, desde já, não é esta a única motivação deles. Eles defenderiam argumentos conscientes e mais apresentáveis para o Superego, como a Estética. A maioria dos aficionados simplesmente argumentaria que a tourada é uma festa inigualável no mundo, um espectáculo emocionante e bonito em que se demonstra a bravura, a arte e a inteligência de um homem diante de um touro bravo.

 

Embora compreensível, toda essa argumentação é adicional e não substituta do sadismo inerente às touradas.

 

Quando os espectadores de uma tourada dizem que sofrem com o sofrimento e ficam alarmados se o toureiro é ferido pelo touro, não estão cientes de que esses sentimentos são reactivos aos seus mais ocultos desejos sádicos.

 

Existem engenhosas racionalizações para justificar o espectáculo cruel das touradas. Tomemos por exemplo, que o touro pretende matar o toureiro, como se o animal tivesse escolhido ir para a arena com essa intenção.

 

As touradas encorajam o sadismo da afición, ou melhor, enquadra-o dentro de um marco estético?

 

A questão a ser esclarecida seria a de se a aceitação social do espectáculo dos touros promove a expressão sádica de instintos agressivos que poderiam ter sido sublimados por trajectórias socialmente mais úteis; ou se, pelo contrário, neutraliza o seu potencial destrutivo por meio da descarga parcial dos ditos instintos. Afinal, hoje em dia, o aficionado limita-se a ter fantasias assassinas, gritar e, na melhor das hipóteses, atirar lenços. A resposta a esta questão é, com toda a certeza, que la fiesta dos touros cria efeitos psicologicamente contraditórios no espectador.

 

Para a afición, é importante saber que o touro tem a uma oportunidade de matar o toureiro, e que não se trata de uma caçada. A equiparação de forças possibilitada pelo toureio a pé que, a seu tempo, tornaram a lide uma actividade popular, ao facilitar a identificação da maioria dos espectadores com o toureiro, acrescentou um atractivo decisivo à tauromaquia. Se o toureiro arrisca pouco, o resultado é frustrante. Quando o picador ataca o animal ou quando a espada mata desajeitadamente, os aficionados ficam enraivecidos. O que é entendido como abuso do animal desperta sentimentos de culpa, associados a fantasias sádicas reprimidas.

 

TORO3.jpg

 Legenda: «Saberá esta ralé que existe o teatro, o cinema, a música, os livros, a Natureza e um montão de coisas mais para se divertirem? «Nada mais belo do que a vida, nada mais cruel que maltratá-la»

 

Existe também a identificação com a atitude exibicionista do toureiro. Com efeito, uma das dinâmicas mais importantes na organização mental do toureiro é a da gratificação narcisista.

 

A colorido das touradas, o traje dos toureiros, os diversos imprevistos, a própria praça, proporcionam um cenário especialmente apropriado para o desprendimento e gratificação da exibição e da auto-recompensa. Os sonhos de esplendor e imortalidade servem, por sua vez, para neutralizar anteriores sentimentos de inferioridade.

 

Quando o toureiro se sente forçado a gozar de uma sensação de grandiosidade na arena, ou quando necessita da aclamação dos aficionados a qualquer preço, ver-se-á impelido a pôr a sua vida num perigo maior do que o seu senso comum o aconselharia.

 

Quando a praça vibra com o matador, o toureiro participa por alguns momentos dessa exaltação egocêntrica que, na realidade, constitui o regresso ao sentimento feliz da supremacia exibicionista da infância. Mas essa reacção emocional tem pouco a ver com uma verdadeira afeição pelo toureiro. Este sabe, ou a experiência lho diz imediatamente, que o fervor dos aficionados, numa tarde, pode transformar-se em animosidade na tarde seguinte, ou, pior ainda, em indiferença. Muitas figuras do toureio temem mais o declínio da sua popularidade do que as próprias cornadas.

 

A posição privilegiada do toureiro nos cartazes - dinheiro e fama na juventude - inspira admiração, mas também inveja, lado inevitável da mesma moeda. É comum que o espectador tente compensar esse sentimento doloroso, que denota inferioridade e é também condenável para a consciência, através do sentimento de superioridade. Assim, constitui-se juiz do que acontece na arena, faz exigências ao toureiro e arroga-se a prerrogativa da aprovação ou insulto.

 

Tão-pouco é estranho ao toureio o fenómeno que os psicanalistas conhecem como a erotização do perigo, no qual se fundem as respostas psicofisiológicas perante o medo, com a excitação sexual.

 

Além das óbvias implicações heterossexuais destas provas, há que ter em conta, a um nível mais profundo, que a tauromaquia pode ter significados homossexuais inconscientes. Ao fim e ao cabo, os protagonistas na arena são declaradamente machos, excepto nos poucos casos de mulheres toureiras.

 

Há uma passagem arrepiante do romance desse grande aficionado que foi Ernest Hemingway (1960), The Dangerous Summer, em que se narra a colhida de Ordóñez. O relato do acidente evoca um coito sádico homossexual: «Ao receber o touro por trás [...] o corno direito cravou-se na nádega esquerda de Antonio. Não há um lugar menos romântico, nem mais perigoso para ser colhido [...]. Vi como o corno foi introduzido no Antonio, levantando-o [...], a ferida na nádega tinha seis polegadas. O corno penetrou-o junto ao recto, rasgando-lhe os músculos

 

Em tom menos dramático, podemos reconsiderar o facto de que o robusto touro pode ser visto como representativo da virilidade, enquanto a fragilidade do homem pode ser interpretada como feminina (Frank, 1926). Na realidade, o bonito e apertado traje de luces, a melena, o andar em recuos e a atitude exibicionista são, na nossa cultura, mais próprios das mulheres. Vem-nos à memória a letra de uma zarzuela cómica, La corría de toros de Antonio Paso, em que se fala de um toureiro:

 

"Olha que feitos. / Olha que posturas. / Olha que aspecto de perfil. / Um toureiro mais bonito e mais adornado / Não o encontro, nem procuro / Com uma lanterna. / Olha que proeminências, / Olha que melena, / Olha que nádega tão marcada... ".

 

O psiquiatra Fernando Claramunt (1989) escreveu sobre a psicogénese e a psicopatologia das colhidas. Em algumas ocasiões os toureiros exprimem abertamente, no seu comportamento e até verbalmente, as suas tendências autodestrutivas. A lide de Belmonte foi considerada suicida pela maioria dos aficionados. Muitas pessoas foram vê-lo, acreditando que testemunhariam a sua última corrida. Durante anos, Belmonte pensou obsessivamente no suicídio e, já velho, tirou a própria vida na arena.

 

Em algumas colhidas auto-induzidas ou semiprovocadas pode também distinguir-se a dinâmica da vingança contra uma afición – parental - sádica. O sacrifício masoquista do toureiro teria como finalidade punitiva causar ou fomentar na vingança a culpabilidade. A este respeito, num artigo com o título O prazer de ser colhido, D. Harlap (1990) explicou eloquentemente a existência desta motivação no caso de Manolete.

 

Concluímos dizendo que as touradas representam uma complexa projecção psicológica, resultado de combinações entre os gostos sádicos da afición e a sua versátil sensibilidade à crueldade e à morte. Na actualidade, se se contemplar muito sangue, se se faz sofrer o animal "excessivamente" ou se o toureiro correr grande perigo, ferir-se-á a sensibilidade de uma maioria. Se, pelo contrário, esses aliciantes são escassos, desaparece o atractivo da festa. Esta constitui um marco único para a projecção de impulsos instintivos e para a representação de simbolismos inconscientes, transmitidos por meios altamente estéticos e tradicionalmente aprovados.

 

Consulta do artigo completo no original AQUI

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:58

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