Quarta-feira, 1 de Junho de 2016

O FRACASSO DA PRETENSA TOURADA DE SOLIDARIEDADE (NOS AÇORES)

 

Apesar da publicidade na RTP-Açores, na RDP- Açores e no canal Azores TV (*) a tourada cujo lucro estava previsto ser doado à Liga Portuguesa Contra o Cancro foi um fracasso que os seus organizadores não assumiram por completo.

 

TOURADA AÇORES.jpg

Dinheiro (pouco) de tortura animal para divertir um punhado de sádicos serviu para fazer caridadezinha para o Hospital de Angra do Heroísmo. O objectivo deles foi cumprido: divertiram-se às custas do sofrimento e morte de animais sencientes indefesos.

 

O porta-voz dos adeptos da tortura, o jornal Diário Insular limitou-se a publicar, no dia 31 de Maio, um texto intitulado “Objectivo Cumprido”, o que, diga-se em abono da verdade, espelha o pretendido pelos organizadores, isto é, divertir-se com o sofrimento e a morte desnecessária de animais.

 

De acordo com o texto referido, o balanço do evento foi o seguinte: os espectadores nem encheram metade da praça, segundo o autor, devido ao estado do tempo que “não ajudou a que os indecisos de última hora rumassem à Monumental de Angra”, um forcado, Carlos Vieira, ficou lesionado e “os valores apurados, sendo muito ou pouco, serão sempre reconhecidos”.

 

Face ao exposto, as seguintes hipóteses poderão ser levantadas:

 

1 -  Os ditos espectáculos de cravar ferros em animais, fazendo-os sangrar antes de serem mortos depois dos mesmos, já não têm os adeptos que tinham;

 

2 -  As pessoas que pretendem colaborar acham que o podem fazer ajudando directamente as instituições, considerando que a solidariedade faz-se sem torturar animais;

 

3 -  Os contribuintes consideram que apoiar a entidade escolhida seria o mesmo que pagar mais um imposto, pois tratava-se de um serviço de um hospital público e que o governo já cobra impostos mais do que suficientes para financiar todos os serviços sob a sua responsabilidade.

 

(*)Vídeo promocional:

https://www.youtube.com/watch?v=OqsGyyi7NWQ&feature=youtu.be

Vídeo da tourada:

http://www.rtp.pt/acores/sociedade/tourada-polemica-entrega-receita-ao-hospital-da-ilha-terceira-video_50502

 

José da Agualva

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:59

link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
Segunda-feira, 18 de Maio de 2015

A ESTOCADA FINAL

 

ESTOCADA FINAL.jpg

 

Texto de Rui Leite Melo

 

Volta e meia, surgem espontaneamente entre nós movimentos cívicos, grupos de opinião ou tão simplesmente vozes isoladas que defendem opiniões, posições e atitudes que, para utilizar uma palavra actual, se tornam “virais”, dado o senso comum em que se sustentam.

 

E que mais cedo não surgem por conveniente conforto daqueles que não se querem chatear em fazer barulho, deixando a defesa da razão para outros mais afoitos. Como eu…

 

Uma destas situações tem a ver com divisão (cada vez mais desequilibrada), sobre o destino dos nossos touros que por aí pastam.

 

Quem diz touros diz touradas, quem diz touradas diz da ainda existente linha ténue que separa o homem civilizado pelo respeito que tem com os seus seres que partilham o milagre da vida.

 

Pergunto-me porque coube ao gado vacum o indigno e injustificável papel de ser o animal que serve de risota, de raiva e de sede malvadez para os humanos. Atente-se ao seguinte: cães atraem multidões para desfiles de beleza; gatos e coelhos são preciosidades escovadas diariamente e alimentadas ricamente enquanto dormem em locais aconchegantes; pássaros, de que tamanhos forem, são regalo para a vista, competidores em exposições, merecedores de prémios; os cavalos, bem, os cavalos são o supra-sumo do reino animal domesticado, aplaudidos sejam em corridas, seja em outras actividades equestres e/ou de trabalho); em certos peixes investem-se milhares no seu bem-estar.

 

Até a palavra aquariofilia foi criada para enquadrar tal respeito por tão peculiares bichos. Até as cabras apelam aos nossos mais ternos sentimentos.

 

E se assim é entre os que dominamos, não é muito diferente o que se passa no reino selvagem, onde quase todas as espécies são protegidas, excepção talvez feita ao mosquito.

 

Ora, de fora de tudo isto está o dito gado vacum, seja a vaca, o boi ou o touro, os eleitos sem eleições para serem os protagonistas da nossa hipocrisia.

 

Claro que com tudo o que escrevi até agora, assumo frontalmente o meu desdém absoluto por quem defende touradas, sejam “corridas picadas”, sejam “à corda”, sejam como forem.

 

E mais me espanta que, após tantos séculos de evolução sócio-intelectual, ainda se discuta a continuidade ou não de tais barbáries.

 

Meus caros, há nove séculos, quando pela primeira vez se registaram a realização de “touradas”, esquartejavam-se, empalavam-se e queimavam-se pessoas. As coisas mudam.

 

Daí a minha exultação sobre a crescente adesão à petição intitulada “Corridas picadas nos Açores NUNCA”, resposta pública à alegada intenção de alguns deputados da nossa assembleia em que se legalize a prática tauromáquica “sorte de varas” ou “corrida picada”, nos Açores.

 

Por amor de Deus, enquanto alguns parlamentos do mundo ocidental gastam milhões da preservação de espécies que não valem mais do que não ser a de existirem, neste fim-de-mundo quer discutir-se quantas bandarilhadas se pode enfiar no cachaço de um animal atirado a uma praça para uma luta desigual e violenta que devia ser riscada, ou melhor, censurada, dos livros de História dos Açores.

 

O mesmo digo para a tourada à corda. Perdoem-me a ignorância e falta de sensibilidade açórica, mas onde está a graça de dois ou três moçoilos cegos de bêbados fugirem aos tropeções de ou touro (ou vitelo) preso por uma corda ao pescoço. Que masculinidade, que bravura.

 

Ou… que tacanhez. Melhor seria que tais corajosos machos ocupassem o seu tempo a ver a “Casa dos Segredos”.

 

Pois é senhores ganadeiros de ilha amiga, possuidores de boa barriga e vistoso bigode, isto dos touros está por um canudo.

 

Quem manda já gostou mais da coisa, e quem já gostou mais da coisa, tem mais com que se entreter. Naturalmente, as coisas compõem-se. E muito mais depressa com petições públicas.

 

Termino, acrescentando uma nota pessoal: a minha inimizade e repulsa com a dita tauromaquia surgiu precocemente, muito antes de saber o que seria ter opinião própria.

 

Foi aquando do surgimento da RTP-Açores.

 

Num certo dia da semana (ou do mês), havia um programa mais ou menos intitulado “Grande Corrida RTP”. Infindáveis horas a ver arlequins trajando collants de número inferior ao que das suas miudezas aclamavam e, ora a cavalo, ora a pé, era um tal enfiar facas num touro que se babava.

 

Aplausos, cornetas e mais cornetas, o povo (muita gente fina), exuberava. Tinha eu seis anos.

 

Quase quarenta anos depois, tropecei na série televisiva “Spartacus”, um desses canais por cabo.

 

Foi um (infeliz) regresso ao passado. Salve-se, invista-se nas nossas tradições. Mas naquelas que nos orgulhem.

 

Fonte:

http://www.correiodosacores.info/index.php/opiniao/13956-a-estocada-final

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:48

link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
Segunda-feira, 24 de Junho de 2013

SÓ OS BRONCOS NÃO OPTAM PELAS FESTAS SEM TORTURA DE TOUROS DE SÃO JOÃO DA VILAFRANCA DO CAMPO, EM SÃO MIGUEL (AÇORES)

 

 

Festas de São João sem tortura

Visite Vila Franca do Campo, vá ao São João da Vila

 

Antes de entrar propriamente no assunto quero deixar aqui bem claro que sou “serrote” já que nasci, criei-me e ainda mantenho uma forte ligação com Vila Franca do Campo, onde possuo habitação, apenas não resido lá por razões de distância ao local de trabalho, embora agora com as SCUT a distância se tenha reduzido um pouco e o tempo muito.

 

Conheço muito bem Angra do Heroísmo e a ilha Terceira e sei como as suas gentes amam a sua terra e têm brio nas suas festas. Contudo, fruto de alguns séculos de deseducação persistem em manter uma tradição anacrónica e sem qualquer sentido num mundo que se quer mais justo, saudável e acolhedor para todos os seres vivos.

 

Não vou alongar-me mais a falar na bestialidade das touradas pelo que passo a registar um pouco da reflecção que tenho feito sobre as festas de São João que se realizam anualmente, tanto em Vila Franca do Campo como em Angra do Heroísmo.

 

Não vou falar dos programas das festas pois segundo me parece o de Angra do Heroísmo têm obrigação de ser muito mais rico já que os montantes investidos com dinheiros públicos são elevadíssimos, este ano a aproximar-se de 900 mil euros, apenas da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo.

 

Em Vila Franca do Campo, embora não conheça o apoio da autarquia, tenho a certeza que o mesmo é muito inferior.

 

Injusta também tem sido a publicidade ou a cobertura que feita pela RTP-Açores e os apoios directos ou indirectos do Governo Regional dos Açores.

 

Mas, apesar de tudo, o São João da Vila tem um potencial muito maior para atrair turistas do que as Sanjoaninas de Angra do Heroísmo. Com efeito, enquanto em Angra não dispensam as sangrentas touradas de praça que este ano vão receber um subsídio camarário de 250 mil euros, Vila Franca do Campo tem umas festas livres de tortura animal para divertimento de seres que se dizem humanos.

 

Termino apelando a todos os leitores deste texto para que se querem conhecer as (boas) tradições de celebrar o São João, visitem Vila Franca do Campo durante o São João da Vila.

 

Como não sou um bairrista cego ao que de bom têm os outros, se mesmo assim for à ilha Terceira por ocasião das Sanjoaninas não vá a touradas.

 

Se quer conhecer a cultura popular daquela ilha, visite-a durante o Carnaval e nunca na época tauromáquica que vai de Maio a Outubro.

 

Vila Franca é que desbanca. Viva o São João da Vila!

 

José Pacheco

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:44

link do post | Comentar | Ver comentários (6) | Adicionar aos favoritos
Segunda-feira, 13 de Maio de 2013

TOURADAS NA ILHA TERCEIRA (AÇORES)

 

Eis um extracto de um programa da RTP-Açores, onde uma cidadã denuncia o desvio de dinheiro para as touradas, num programa em que o convidado era o Presidente da Associação de Mordomos (ou de Consumidores de Touradas à Corda)

 

 
 

 

 



Os terceirenses taurinos continuam a conspurcar a Ilha Terceira com a sua ignorância.

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:10

link do post | Comentar | Ver comentários (2) | Adicionar aos favoritos

Mais sobre mim

Pesquisar neste blog

 

Dezembro 2019

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

Posts recentes

O FRACASSO DA PRETENSA TO...

A ESTOCADA FINAL

SÓ OS BRONCOS NÃO OPTAM P...

TOURADAS NA ILHA TERCEIRA...

Arquivos

Dezembro 2019

Novembro 2019

Outubro 2019

Setembro 2019

Agosto 2019

Julho 2019

Junho 2019

Maio 2019

Abril 2019

Março 2019

Fevereiro 2019

Janeiro 2019

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Agosto 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Direitos

© Todos os direitos reservados Os textos publicados neste blogue têm © A autora agradece a todos os que os divulgarem que indiquem, por favor, a fonte e os links dos mesmos. Obrigada.
RSS

Acordo Ortográfico

Em defesa da Língua Portuguesa, a autora deste Blogue não adopta o Acordo Ortográfico de 1990, devido a este ser inconstitucional, linguisticamente inconsistente, estruturalmente incongruente, para além de, comprovadamente, ser causa de uma crescente e perniciosa iliteracia em publicações oficiais e privadas, nas escolas, nos órgãos de comunicação social, na população em geral, e por estar a criar uma geração de analfabetos escolarizados e funcionais.

Comentários

Este Blogue aceita comentários de todas as pessoas, e os comentários serão publicados desde que seja claro que a pessoa que comentou interpretou correctamente o conteúdo da publicação. Serão eliminados os comentários que contenham linguagem ordinária e insultos, ou de conteúdo racista e xenófobo. Em resumo: comente com educação, atendendo ao conteúdo da publicação, para que o seu comentário seja mantido.

Contacto

isabelferreira@net.sapo.pt