Sexta-feira, 30 de Novembro de 2012

« (…) A ABOLIÇÃO DA TAUROMAQUIA, QUE LENTA MAS FIRMEMENTE SE DESENHA NO HORIZONTE DA CIVILIZAÇÃO, APENAS EXIGE O FIM DA PRESENÇA DOS ANIMAIS, TOUROS E CAVALOS, NO ESPECTÁCULO, E NÃO O DO PRÓPRIO ESPECTÁCULO»

 

 

Ora aqui está um exemplo do que podem vir a ser as touradas do futuro: um sujeito, vestido à maneira, com os seus collants cor-de-rosinha, numa arena, vazia de Touros e Cavalos, com bandarilhas coloridas prontas a piruetarem no ar, enquanto a banda toca os pasos dobles taurinos e a assistência grita “olé!”, num frenesim de loucura colectiva …

 

 

***

 

Passo a transcrever um texto, publicado na Revista Cais (178), que contesta a apologia da tortura de Touros e Cavalos, apresentada na mesma revista, por José do Carmo Reis, da prótoiro (federação portuguesa das associações taurinas), conforme o exposto no seguinte link:

 

http://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/199387.html

 

O texto do Professor Paulo Borges destrói, por completo, o mito da tauromaquia, através dos saberes e dos valores humanos.

 

Depois não digam que não sabiam.

 

As informações estão constantemente a ser divulgadas.

 

Teimar na ignorância, será uma opção.  

 

TOURADAS

 

Por Paulo Borges

Presidente do PAN (Partido pelos Animais e pela Natureza)

 

«A tauromaquia, o combate do homem com o touro, tem a sua origem na ritualização de mitos dualistas acerca do combate originário entre a luz e as trevas, o bem e o mal, para que o cosmos possa vencer o caos.

 

Estes mitos expressam na verdade o sentimento humano de uma diversão e combate interno entre a luz da consciência e a da razão ética e as trevas da irracionalidade dos instintos e das emoções destrutivas.

 

Neste ciclo de civilização antropocêntrica, o homem foi identificado como o positivo e o animal como o negativo, sendo convertido num bode expiatório de toda a violência, conflitos e tensões dos instintos reprimidos pela vida social.

 

Projectar a necessidade de triunfo da luz sobre as trevas interiores, do melhor sobre o pior de nós, num combate exterior com um animal, como se humilhá-lo, torturá-lo e vencê-lo, pela morte na arena ou mais tarde no matadouro, tornasse alguém melhor, é uma manifestação grosseira de ignorância da dimensão simbólica daqueles mitos arcaicos.

 

Esquecida de tudo isto, a tauromaquia converteu-se num espectáculo de pura agressão gratuita contra um ser senciente e pacífico, que é forçado a sofrer terrivelmente num confronto que não deseja.

 

Na tauromaquia há uma dissimulação do mal da violência e do sofrimento, ficando anestesiada a tendência humana para a empatia e para se colocar no lugar do outro, em primeiro lugar pela convicção entranhada desde há milénios no subconsciente humano, de que o homem é o “bom” e o animal é o “mau”; em segundo lugar pela estética do espectáculo, estimulante dos sentidos com as luzes, as cores, a música, as vestes e os movimentos rituais; em terceiro lugar, pelo êxtase emocional de uma multidão a vibrar em uníssono, onde se esquecem os problemas da vida e as razões da consciência em momentos fugazes de diluição numa festa social com parentes, amigos, comida e bebida.

 

Para além dos que estão directamente ligados aos interesses económicos da indústria tauromáquica, a maioria dos aficionados vê apenas nas corridas de touros a estética do espectáculo e o convívio social que lhes confere um sentimento de identidade e de participação comunitária numa era de globalização e fragmentação das relações humanas.

 

É por isso que ganadeiros, cavaleiros, toureiros, forcados e aficionados não vêem nas corridas de touros senão isso e nunca o evidente sofrimento do animal seja o cavalo ou o touro.

 

Mas esse sofrimento dos animais, capazes como nós de sentir a dor e o prazer psicológicos, é o que acima de tudo vêem os que lutam pela abolição da tauromaquia, pois esse sofrimento e a transgressão da regra de ouro de toda a ética – o não fazer ao outro o que não desejamos que nos façam a nós – surgem em toda a sua injustificada e brutal nudez quando despidos dos véus da mítica superioridade humana, da tradição cultural, da beleza estética e da festa social.

 

A tortura, a violação e o assassínio serão sempre tortura, violação e assassínio, e inaceitáveis, por mais que nalgum lugar do mundo se convertam numa tradição cultural apreciada por alguns e numa festa social encenada com requintes estéticos de luz, cor, som e movimento.

 

Todavia, a abolição da tauromaquia, que lenta mas firmemente se desenha no horizonte da civilização, apenas exige o fim da presença dos animais, touros e cavalos, no espectáculo, e não o do próprio espectáculo.

 

Tal como os montados e os touros bravos podem sobreviver ao fim da tauromaquia, convertendo-se em santuários da vida selvagem, reservas ecológicas e pólos de atracção turística, também o actual espectáculo, sem animais, se pode converter numa encenação não-violenta, mantendo a sua estética tradicional, a exemplo do que aconteceu com práticas semelhantes em todo o mundo, hoje apreciadas como artes lúdicas, livres de sangue e morte, como as antigas artes marciais do sabre japonês, o kendo, e da capoeira afro-brasileira. 
 
Livre de animais, o actual espectáculo continuará a ser uma festa de convívio e coesão social, mas deixará de ser a festa da violência e da dor que actualmente indigna e envergonha a nossa consciência e fere o mais fundo da nossa sensibilidade humana à dor do outro, à aflição do próximo, humano ou não humano.»

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:06

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Quinta-feira, 29 de Novembro de 2012

QUE RAZÕES CULTURAIS, TRADICIONAIS, IDENTITÁRIAS, SOCIAIS, ECONÓMICAS E ECOLÓGICAS PODEM LEGITIMAR A TORTURA DE TOUROS E CAVALOS?

 

 

Foto tirada nas traseiras do Campo Pequeno (Lisboa): imagem onde está estampado o enorme sofrimento do Touro, causado pelas “ervas daninhas”, com forma humana, que infectam as sociedades civilizadas.  

 

 

Vou ver se consigo ser politicamente correcta, perante as alucinações de um torcionário, publicadas na Revista CAIS (178), de Novembro de 2012, e redigidas por um indivíduo da prótoiro (federação portuguesa das associações taurinas), de nome José do Carmo Reis (JCR) – que além de ODIAR TOUROS E CAVALOS, é caçador desportivo e ADORA MATAR  ANIMAIS e exibi-los mortos publicamente – num texto que pretende defender o indefensável, caindo no ridículo dos inscientes.

 

Ora esse cidadão tenta sublimar e legitimar o que nós estamos a ver na imagem que ilustra este texto, como se essa fosse a missão maior e mais nobre do ser humano, isto é, TORTURAR seres vivos, por interesses económicos e sádicos.

 

Diz esse cidadão que «ser aficionado e defender a tauromaquia supera, hoje em dia, o exercício de apontar as razões culturais, tradicionais, identitárias, sociais, económicas e ecológicas que legitimam a Festa Brava».

 

Quem tem capacidade de discernir, basta olhar para o sofrimento estampado no semblante daquele Touro, para ficar elucidado quanto às razões que o ficcionista quer legitimar.

 

Depois o dito articulista diz que «quem a ela (à festa brava) se opõe (agora repararem na poética da cegueira), fá-lo vislumbrando o amanhecer de uma nova ética que suportará a tão almejada e moderna moral. O deslumbre do inócuo “não fazer aos outros aquilo que não gostaríamos que nos fizessem a nós”, está no caso do relacionamento do Homem com os restantes animais, além da quimera».

 

O JCR citou o preceito máximo de Jesus Cristo (“não fazer aos outros…”), já utilizado por grandes revolucionários mais antigos, e que bastava ser seguido por todos os seres humanos, para que a Humanidade pudesse até dispensar as mal engendradas leis dos homens.  

 

Mas o JCR, não sabe, porque a Igreja Católica também não sabe, embora ande enrodilhada lá pelas arenas, o significado e a profundidade desta mensagem.

   
Este é o efeito negativo da interpretação errada que a Igreja Católica faz da mensagem de Cristo, e a transmite aos falsos devotos que se benzem e pedem a protecção de Deus antes de ir TORTURAR Touros e Cavalos para uma arena.

 

Mas querem saber o que pensa o JCR a propósito deste preceito?

 

Diz que ROÇA AS MARGENS DA IRRACIONALIDADE e é uma ABSURDA ILUSÃO, porque «embate na inevitabilidade das constantes e impiedosas regras que a própria natureza impõe a todos

 

A mente deste aficionado é tão retorcida que confunde a MÃE NATUREZA e as suas regras implacáveis, mas sábias, com a natureza ignorante e cruel do homem predador, que se acha dono e senhor de todas as criaturas, inclusive das humanas, e inevitável a aniquilação delas pela bestialidade que lhe ocupa a mente.

 

A seguir o JCR diz uma coisa espantosa: «Sobrepondo-se à fantástica e pueril visão do mundo natural segundo Walt Disney, estão as filmagens da National Geographic Society, revelando a vida selvagem e relembrando o acordo, embora arrebatado que temos com a natureza. E esta verdade, nem o mais piedoso dos anti-taurinos poderá fugir

 

O JCR confunde a VIDA SELVAGEM com as suas regras cósmicas, primorosamente elaboradas, com a execrável SELVAJARIA praticada pelos tauricidas sobre Touros e Cavalos. Isto é de uma IGNORÂNCIA atroz.

 

Depois divaga com uma verborreia desviante, que não interessa nem ao papa nem ao bispo, e que nada acrescenta de útil à causa que pretende defender, isto é: a da TORTURA de Touros e Cavalos. 

Mistura terrorismo, veganismo, vegetarianismo, abortos, gatos vadios, braços armados, cancro na mama… bem aquelas coisas que eles dizem para fugirem à principal questão, que é a doença psicopata denominada “tauromaquia”.

 

E termina o JCR com algo, no mínimo, irracional. Diz ele:

 

«No fundo, e contrariamente ao que apregoam os movimentos anti-taurinos, ser aficionado no século XXI não deriva de nenhuma estagnação evolutiva, desvio comportamental, falta de ética, nem está directamente relacionado com uma falha moral. É, acima de tudo, não pactuar com a visão extremista que uma franja da sociedade pretende impor aos restantes membros. É rejeitar radicalismos, fanatismos estéreis, uniformizações e negar o abraço da globalização. É defender a nossa cultura, identidade e liberdade, mas no processo, assegurar ao Homem a sua dignidade. Sempre! »

 

Ora resumindo, o JCR quis dizer apenas isto: «ser aficionado no século XXI, é como ter sido aficionado no século XXI ANTES DE CRISTO, isto é, ser aficionado é sentir o prazer mórbido em TORTURAR ou VER TORTURAR Touros e Cavalos, assegurando ao homem a sua indignidade. Sempre!»

 

Porque a tauromaquia não passa de um desvio comportamental grave.

 

Obrigada, JCR. Prestou um bom contributo à Causa Abolicionista.

 

***

 

Na mesma revista CAIS (178) Paulo Borges, Presidente do PAN (Partido pelos Animais e pela Natureza), apresentou uma visão racional e lúcida em relação a este tema, num texto que publicarei noutro espaço, pois neste ficaria CONSPURCADO.

 

Apenas adiantarei um tópico:

 

« (…) A ABOLIÇÃO DA TAUROMAQUIA, QUE LENTA MAS FIRMEMENTE SE DESENHA NO HORIZONTE DA CIVILIZAÇÃO, APENAS EXIGE O FIM DA PRESENÇA DOS ANIMAIS, TOUROS E CAVALOS, NO ESPECTÁCULO, E NÃO O DO PRÓPRIO ESPECTÁCULO».

 

Isto não é algo brilhante?

 


 

publicado por Isabel A. Ferreira às 19:25

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