Sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2019

PAN LISBOA REPUDIA CELEBRAÇÃO DO “dia da tauromaquia”

 

O PAN repudia e todas as pessoas, dotadas de Sensibilidade e Bom Senso e, sobretudo, do sentimento maior do ser humano: a EMPATIA, repudiam esta “celebração” que envergonha até as pedras das calçadas da capital portuguesa, que será reduzida a uma localidade terceiro-mundista, no próximo dia 23 de Fevereiro.

 

CRIANÇAS EXPOSTAS À VIOLÊNCIA DA TAUROMAQUIA COM O APOIO DOS GOVERNANTES?

Isto só num Portugal cada vez mais pequenino e medíocre.

 

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O Grupo Municipal do PAN reagiu às práticas medievalescas que vão ser promovidas no dia 23 de Fevereiro e que pretendem expor de forma clara as crianças e jovens às práticas violentas da tauromaquia.

 

O PAN já questionou a Câmara Municipal de Lisboa relativamente às licenças para ocupação do espaço público neste dia e reitera que deve ser dado outro uso à praça do “campo pequeno”.

 

Face a esta loucura, o PAN Lisboa e todos nós reagimos com perplexidade e repúdio perante a intenção dos promotores do evento – a prótoiro – em torná-lo um acontecimento “para toda a família”.

 

As práticas medievalescas, inerentes à tauromaquia, vão decorrer no recinto do “campo pequeno” (pequeno em absolutamente TUDO) e no espaço público envolvente, pelo que o Grupo Municipal do PAN já questionou a Câmara Municipal de Lisboa sobre que licenças foram concedidas para este dia, para que locais, se houve isenção do pagamento de taxas e qual o tipo de actividades a que concretamente se destinam.

 

A intenção dos promotores desta vergonhosa iniciativa é levar a incultura tauromáquica a vários públicos, incluindo actividades antipedagógicas para crianças e adultos, nomeadamente “demonstrações e aulas de toureio e pegas”, como se isto interessasse às pessoas dotadas de Empatia, Sensibilidade e Bom senso! Como se isto fosse adequado às crianças!

 

Onde está a Comissão de Protecção de Menores e Jovens em Risco? Sim, porque estas crianças irão ser expostas à crueldade e violência, que, a exemplo do que já acontece, transformar-se-ão em adultos para os quais a crueldade e a violência farão parte das suas vidas, como sendo coisas normalíssimas?

 

Tais demonstrações antipedagógicas, ignoram por completo a recomendação da ONU para que as crianças não sejam expostas à violência física e psicológica da tauromaquia.

 

Numa altura em que várias cidades do país, como Póvoa de Varzim e Viana do Castelo, já se declararam livres de touradas, é incompreensível que a nossa capital permita não só a realização de eventos tauromáquicos como também a celebração deste dia, do qual pouco ou nada se tinha antes ouvido falar”, refere a deputada municipal Inês de Sousa Real.

 

O terreno onde a Praça de Touros se encontra instalada pertence à Autarquia e a Praça de Touros em si pertence à Casa Pia de Lisboa. Para o PAN e para todos nós, é incompreensível que estas duas entidades públicas não desenvolvam esforços para reconverter o uso que é dado àquele espaço e ignorem a crescente consciencialização da população para a protecção animal.

 

De referir também a situação jurídica pouco clara em que se encontra a Sociedade de Renovação Urbana do “campo pequeno”, que, apesar de dissolvida, detém ainda o direito de exploração do espaço. Mais grave ainda, quando o sector insiste em menosprezar o superior interesse das crianças e jovens, expondo-os a esta actividade violenta e cruel.

 

De acordo com o comunicado do PAN Lisboa, este compromete-se a acompanhar de perto as actividades previstas para o dia 23 de Fevereiro bem como, neste sentido, vai continuar a trabalhar por uma cidade livre de violência contra pessoas e animais.

 

E nós cá estaremos para fazer ECO.

 

Isabel A. Ferreira

 

Fonte da notícia e imagem:

http://pan.com.pt/na/amlisboa/2019/01/10/pan-lisboa-repudia-celebracao-do-dia-da-tauromaquia/

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:38

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Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2019

PORTUGAL EM CONTRA-CORRENTE EM RELAÇÃO AO QUE SE PASSA NA EUROPA QUANTO À DEFESA DOS IDIOMAS LOCAIS COMO AFIRMAÇÃO DE SOBERANIA

 

Um magnífico texto de António Vieira que aponta o atraso de vida que se vive em Portugal, e diz do abandono a que os actuais governantes estão a votar a Língua Portuguesa.

Uma vergonha.

Acordem, Portugueses!

Acordem, professores: eles não podem instaurar processos disciplinares a todos os que ousem rejeitar o ilegal AO90.

 

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Texto de António Vieira

 

«Agora que a iniciativa ILCAO acabou de dar entrada na A.R.- e conforme se previa - o”plenário” (?) foi deliberadamente reduzido a umas escassas dezenas de deputados “carneiristicamente” alinhados com as ordens provenientes das direcções partidárias, a fim de não “agitar” muito nem “fazer ondas” em demasia, dado que a obediência cega, com reflexos possíveis na manutenção do “tacho” de deputado fala sempre mais alto, e porque precisamente por esse motivo, ainda mais se justifica o empenho na continuidade das “Operações Pelourinho”, algumas outras considerações ocorrem.

 

Em primeiro lugar, surge bem patente a comprovação de que a aberração “A”O 90 se acha em pleno contra-ciclo com as actuais tendências que se registam no Continente Europeu, que caminham no sentido da manutenção e reforço, até, das identidades linguísticas e culturais em alguns países.

 

Como exemplos e começando aqui ao lado, por Espanha, que conforme se sabe, é um mosaico de diversos países com idiomas regionais específicos: na Galiza, onde em tempos ainda não muito atrasados, o Castelhano se procurava impor ao dialecto local, a tendência parece ter-se invertido, a fazer fé pelo menos em alguns casos concretos: onde se lia em tempos idos, La Guardia (do outro lado do Rio Minho, em frente a Caminha), agora lê-se A Guarda, onde dantes se lia Orense (no Rio Límia) agora pode ler-se Ourense (no Rio Lima).

 

E se se analisar o mapa, outros casos do mesmo teor surgem, ou seja, o Povo Galego tem batalhado, e conseguido, afirmar a sua identidade linguística, impondo o seu dialecto próprio (de raíz galaico-duriense, de onde também derivou o nosso Português).

 

Quem atravessar a Espanha, a caminho de França, encontra o idioma Basco (Euskera) em todas as placas rodoviárias, a par da denominação “oficial” castelhana, quando entra nas Comunidades que enformam o País Basco (Vitória, Álava, Guipuzscoa); as palavras que ali se vêem são “intragáveis”, de certo que ninguém de fora as consegue entender (incluindo uma pequena faixa já em território francês) e poder-se-ia pôr a questão: será que os próprios habitantes locais o conseguem (?!);, aliás os peritos em Etimologia ainda não conseguiram identificar a família linguística de onde aquele idioma proveio, e repito, ninguém de fora conseguirá por certo ler aquela “algavariada”, só que, o idioma em questão…está lá! aquela afirmação de Identidade de um Povo …está lá!

 

Para não falar já do mais do que conhecido caso da Catalunha (e da Língua catalã), tão evidente se nos afigura, dentro do mesmo espectro de análise.

 

Outro caso, o da Irlanda: por motivos de carácter histórico, em que refulge o ódio visceral e histórico aos Ingleses, a tentativa de ressurgimento do Gaélico - que parece não ter conseguido vingar, apesar das tentativas encetadas nesse sentido - tem feito com que algumas designações oficiais que têm sido escritas oficial e tradicionalmente em Inglês, têm passado a ser redigidas naquele Idioma que, repete-se, não tem passado de uma iniciativa inglória, ao que parece, só que….a afirmação da Identidade nacional assim o tem imposto: por exemplo: a par de “Republic of Ireland”, surge já em instâncias internacionais a palavra “Eireann” (!), e quem vir o mapa do País, nomeadamente, as duas principais partes que o enformam (Leinster e Munster), encontra por debaixo de muitos nomes de localidades, em Inglês, e entre parêntesis, a correspondente e muito recente denominação em Gaélico.

 

Para além de que o nome oficial do Chefe do Governo - tradicionalmente “Prime-Minister” (e que é assim que continua a ser tratado pela generalidade da população) - passou a ser o “Taosiaech” (será que alguém consegue pronunciar este vocábulo?!), mas essa opção foi adoptada por corresponder a um desígnio forte de afirmação identitária.

 

Finalmente, e para rematar esta pequena “incursão” por algumas fortes manifestações de afirmação de identidade linguística que se podem observar na Europa, vejamos o caso da Bélgica: conforme é sabido, existem “duas Bélgicas”, “Belgie” na Língua Flamenga (“Hoog Vlaams”) maioritariamente protestante e a de Língua Francesa “Belgique” (a Wallonie), maioritariamente católica.

 

 

As duas comunidades degladiam-se desde há mais de dois séculos - aliás, a formação deste País constituiu o resultado de uma iniciativa diplomática britânica, a seguir ao Congresso de Viena em 1815 e à derrota final de Napoleão, com o objectivo de criar um espaço “tampão” entre as duas maiores potências europeias da ocasião, a França e a Prússia (a futura Alemanha) - e continuam a não se entenderem em termos de afirmação linguística, sendo este facto atestado pela destruição frequente de placas de identificação de localidades, por norma durante a noite, por activistas de ambos os lados; mas o facto é que a “facção” flamenga tem vindo a impor-se; se não vejamos: onde hoje se situa a cidade de Kortrijk (junto à fronteira com a França) “estava” a “antiga” Courtrai (quem se lembrará de tal facto?).

 

E mesmo em relação a Liège - centro importante da cultura e língua francesas - já vem a ser “ameaçada” pela menção de “Luik”; basta consultar os mapas mais recentes e as quatro letrinhas em flamengo surgem já entre parêntesis.

 

Nada disto surge por acaso, só não vê isto quem não quiser ver, e mesmo o rio que ali passa, o Mosa (“Meuse”) também aparece já em flamengo (“Maas”), precisamente o rio de Maastricht, cerca de 30 Klm. acima, na Holanda, no Limburgo.

 

É evidente que tudo tem uma intenção clara em concordância com o predomínio avassalador, em termos económicos, da parte flamenga, que até se pode constatar em Portugal: basta para isso ler as inscrições nas cobertas em lona dos camiões TIR que provêm daquele país, por exemplo, Vander Brugge, VandenBergh, VanderElst, Vanden…, Vander.. e, apenas por simples curiosidade, a única referência que consigo detectar, em francês, é da empresa “Laffitte” precisamente de Liège.

 

Entre as tentativas da Comunidade Internacional para tentar evitar a secessão final deste pequeno país, contam-se a implantação de grandes Organizações na sua capital, Bruxelas (NATO e União Europeia-Comissão Europeia) mas não é nada seguro que a citada dupla afirmação de nacionalidade e identidade linguística não acabe por vir a prevalecer.

 

Mas estas referências servem para, e voltando ao tema de início, frisar o facto de o nosso País, estar em contra-corrente relativamente ao que na Europa se constata um pouco por toda a parte, na defesa dos idiomas locais, como uma forte afirmação de soberania.

 

A iniciativa ILCAO deve continuar com a recolha e validação de assinaturas e devemos aguardar que, na sequência da sugestão que aqui deixei, uma vaga de fundo de professores e autarcas, numa acção concertada, através de redes sociais imponha a abolição deste “A”O90, de uma vez por todas, dado eu não acreditar que se possam instaurar processos disciplianres a tantas pessoas.

 

Ou então, mas sempre em termos de complementaridade, aguardar pelo “peso” crescente de Angola, no contexto do universo de utentes da Língua Portuguesa, a fim de que a sua posição oficial de não-ratificação, já assumida oficialmente, resolva a situação de uma vez por todas.

 

António Vieira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:26

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Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2019

«COMEÇOU A ÉPOCA DA BESTIALIDADE, DA BOÇALIDADE, DO ATRASO E DA NOSSA VERGONHA»

 

«Começou a época da bestialidade, da boçalidade, do atraso e da nossa vergonha. Pelos magníficos seres, que vão ser torturados por bestas acéfalas, pouco podemos fazer, a não ser protestar e protestar e votar de acordo. Entretanto desejo que os Touros que vão morrer de qualquer das formas, se defendam com tudo o que têm e com muita pontaria»

(Maria Do Carmo Tinoco)

 

Faço minhas as palavras da Maria do Carmo. E já sabem:

NÃO VOTAR PS, PSD, CDS/PP e PCP, partidos que apoiam esta selvajaria.

 

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«A temporada tauromáquica 2019 ainda agora começou e já fez muitas vítimas inocentes. Esta imagem é da 2ª tourada realizada este ano em Portugal (praça de touros da Granja) e mostra a violência e crueldade desta anacrónica e indefensável tradição. O segundo episódio de uma temporada que deixará um rasto de sangue e de violência em vários pontos do país, bem como milhares de animais mortos ou feridos, que seriamente contestamos

(Plataforma BASTA)

 

Fonte:

https://www.facebook.com/Basta.pt/photos/a.472890756075069/2289229617774498/?type=3&theater&ifg=1

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:35

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Domingo, 10 de Fevereiro de 2019

CORRENTES D’ESCRITAS NA PÓVOA DE VARZIM ESVAZIADA DO CONCEITO ORIGINAL DE “EXPRESSÃO IBÉRICA”

 

O Correntes d’Escritas, que já vai na sua 20ª edição, realizar-se-á de 16 a 27 de Fevereiro do corrente ano (2019), na Póvoa de Varzim, com a presença de mais de140 escritores de expressão castelhana, de expressão luso-africana (Língua Portuguesa), de expressão cabo-verdiana (Crioulo Cabo-Verdiano oriundo do Português) e de expressão brasileira (oriundo do Português. 

 

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O objectivo inicial deste evento foi aglomerar escritores de expressão ibérica, vindos de todo o mundo, onde as Línguas Portuguesa e Castelhana eram veículos de comunicação. Duas línguas nascidas na Península Ibérica, e espalhadas pelo mundo, na época dos Descobrimentos, encetados por Espanhóis e Portugueses, que chegaram a dividir o mundo, através de um tratado celebrado entre o Reino de Portugal e a Coroa de Castela para dividir as terras "descobertas e por descobrir" por ambas as Coroas, fora da Europa, e assinado na povoação castelhana de Tordesilhas, em 7 de Junho de 1494, e que ficou conhecido por Tratado de Tordesilhas.

 

Acontece que, na Península Ibérica, actualmente, só resta intacta a Língua Castelhana que, apesar de espalhada pelo mundo, nomeadamente América do Sul e América Central, jamais teve necessidade de se “adaptar” às várias formas do Castelhano que é falado nos territórios descobertos ou colonizados pela Espanha. São mais de 500 milhões de pessoas, falantes do Castelhano. O Castelhano é o segundo idioma mais falado no mundo, depois do Mandarim; é uma das seis línguas oficiais da Organização das Nações Unidas (ONU); e é usado como língua oficial da União Europeia, do Mercosul e da União de Nações Sul-Americanas (UNASUL). E jamais ouve necessidade de acordos ortográficos, para unificar esta Língua, tão espalhada pelo mundo, e com tantas e preciosas variantes.

 

A outra Língua Ibérica, a Portuguesa, já não é portuguesa, já não é ibérica. Já não se encaixa no Correntes d’Escritas. E a maior prova é o que se vê nesta imagem, que agride, que esmaga, que  insulta a alma portuguesa:

 

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O Cine Teatro Garrett, localizado junto do Largo David Alves, na Póvoa de Varzim, é um dos palcos onde decorrerão as actividades deste evento. E decidiu-se enfeitar o local com estes cartazes suspensos, com algumas palavras escritas em Português, como criatividade (em Castelhano creatividad), escrita (em Castelhano escritura), amor (em Castelhano amor); e o que é que ali está a fazer, pendurado, aquele vocábulo, afeto, e que qualquer criança do segundo ano da escola básica lê “âfêtu”, que é como isto deve ser lido, e os espanhóis também lerão e não o reconhecerão como um vocábulo ibérico? Ah! Sim, é um vocábulo importado do Brasil, da grafia brasileira, que os políticos portugueses, nos querem impingir. E daí? O que é que este evento de expressão ibérica tem a ver com a Língua que será a Brasileira, que tanto se distanciou da expressão ibérica? Ah! Sim, o acordo ortográfico. Mas que acordo? Quem acordou o quê?

 

Em Língua Portuguesa, na tal língua de expressão ibérica, o vocábulo escreve-se afeCto, tal como em Castelhano: afecto.



Na Península Ibérica, nos países sul-americanos e centro-americanos de expressão castelhana, nos países africanos de expressão portuguesa, e em Portugal, ninguém reconhece este AFETO como sendo da família: Indo-europeia, Itálica, Românica, Ítalo-ocidental, Românica ocidental, Galo-ibérica, Ibero-românica, Ibero-ocidental, Galaico-portuguesa, Português, do qual o Brasil se distanciou, criando outra língua: a brasileira.

 

Tal como a família do Castelhano: Indo-europeia, Itálica, Românica, Ítalo-ocidental, Românica ocidental, Galo-ibérica, Ibero-românica, Ibero-ocidental, Castelhano, que todos os países de expressão castelhana respeitaram.

 

AFETO é um vocábulo brasileiro, que faz parte de uma infinidade de vocábulos, a que os Brasileiros suprimiram as consoantes mudas, em 1943, e que os malaqueiros decidiram adoPtar, menosprezando os vocábulos ibéricos, apenas porque lhes deu na veneta, e porque acham que em 273 milhões de falantes de Português, 205 milhões são Brasileiros, isso é o suficiente para transformarem uma Língua Ibérica numa língua sul-americanizada, cheia de brasileirismos, e esvaziarem a Língua Portuguesa das suas raízes europeias.

 

Entre os escritores que participarão neste evento, contam-se alguns nomes que constam da lista dos anti-acordistas. Deles esperamos que aproveitem a oportunidade para exigirem ao presidente da República, que presidirá à cerimónia de abertura do Correntes, em 19 de Fevereiro, pelas 11h30, no Casino da Póvoa de Varzim, que cumpra a Constituição da República Portuguesa, e devolva a Portugal a grafia portuguesa.

 

A conferência de abertura, contará com a presença do director da CPLP, Jorge Carlos Fonseca que, obviamente, juntamente com os editores acordistas, que enchem a Feira do Livro com edições acordizadas e traduções dos autores de Língua Castelhana em acordês, estão ali para promoverem não as duas Línguas de expressão ibérica, mas tão-somente fazer propaganda a um acordo que o Brasil já considerou um desacordo.

 

Ainda hoje, um brasileiro meu amigo, Wilson Raiano, me questionou: «Isabel A. Ferreira, o que a política tem a ver com a língua? Filmes e novelas brasileiras são exportadas para todo o mundo, inclusive China. A língua e costumes fazem parte do pacote».

 

E eu respondi-lhe: «Em princípio, a Língua nada deveria ter com a política. Mas, infelizmente, os políticos brasileiros e os políticos portugueses deram-lhes para meter o bedelho onde não eram chamados, e estão a negociá-la como se ela fosse uma NOVELA. E a Língua Portuguesa não é uma novela, não é samba de uma nota só. É o Património Cultural Imaterial mais precioso que um País pode ter, e como tal deve ser intocável e preservado. E que o Brasil exporte novelas e samba, inclusive para a China, nada contra. Porém, os costumes e a Língua de cada país não são produtos exportáveis para consumo, mas apenas para o conhecimento do outro.

 

E pensar que nunca perdi uma edição, até ao ano em que trocaram a Língua Portuguesa pela sul-americana e começaram a vender gato por lebre e a encher a Feira do Livro com obras acordizadas! E autores que jamais consentiriam ser acordizados, e estão a ser desonrados. Deste modo, perderam uma leitora, que gastava cerca de 200 Euros nesta Feira do Livro, todos os anos.

 

E para concluir deixo-vos com esta RADIOGRAFIA DO AO90 que recebi via e-mail, e que seria bom ser lida em voz alta numa das sessões que integrarão o Correntes d’Escritas, que já perdeu a sua essência, e hoje não passa de um logro:

 

O AO90:

 

  • agride barbaramente a etimologia das palavras, com o propósito de tornar a ortografia portuguesa numa autêntica “mixordice”;

 

  • tecnicamente é insustentável, juridicamente é inválido, politicamente é inepto e materialmente é impraticável;

 

  • é uma autêntica vigarice, está cheio de incongruências e excepções, é mentiroso, criminoso, completamente inútil, patético, e acima de tudo é ilegal;

 

  • o tratado original garante que o mesmo só entraria em vigor quando todos os intervenientes o ratificassem na sua ordem jurídica;

 

  • não é preciso ser um génio da jurisprudência para detectar que   Portugal agiu de má-fé e abuso de poder, ao permitir que o 2º protocolo tivesse força de Lei, uma vez que este protocolo não foi ratificado por todos os países segundo o tratado original;

 

  • os professores sob coacção, ensinam nas escolas portuguesas uma ortografia baseada na "Cartilha Brasileira", que é ilegal. (NÃO EXISTE LEI NENHUMA QUE A SUSTENTE);  

 

  • na ordem jurídica internacional a Resolução do Conselho de Ministros (RCM) Nº 8/2011, que “obrigou” à aplicação do AO90, não tem qualquer valor de lei;

 

  • não existe Lei nenhuma que o torne obrigatório, a única existente que está em vigor em Portugal e na ordem jurídica internacional é o Decreto-Lei Nº 35/228, de 25 de Novembro de 1945;

 

  • sujeita-nos à vergonha de Angola, Moçambique, Timor, Guiné Bissau, S. Tomé e Príncipe não aceitar o acordo porque têm mais respeito pela Língua Portuguesa do que nós portugueses sendo os políticos os principais responsáveis por estar instalado o caos ortográfico em Portugal.
  •  

Não podia estar mais de acordo.

 

Isabel A. Ferreira

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:37

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Quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2019

A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA PODE SER EVITADA?

 

A maioria dos homens, jovens ou menos jovens, ainda não está preparada para fazer o caminho ao LADO da mulher, que é o lado certo. Ao lado. Nem à frente, nem atrás.

 

O índice de violência doméstica em Portugal é elevadíssimo. Será que assim é porque a mulher ainda não se libertou de certas amarras e desconhece que tem o direito à legítima defesa? Ou será que é porque vivemos num país que cultiva a violência, um país onde a violência é legitimada por lei (refiro-me à violência contra animais não-humanos, seres vivos como nós),  e essa violência acaba por se estender aos humanos?

O que vou expor não será politicamente correcto, mas também não é politicamente correcto o que não se passa ao redor das queixas que se apresentam às autoridades, e as penas que não se aplicam aos violentadores.

Daí que ouse ser politicamente incorrecta no que vou dizer.

 

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Origem da imagem: Internet

 

Numa relação, seja ela qual for, ao primeiro levantamento de mão (e nem precisa chegar-se a vias de facto) a reacção da mulher tem de ser imediata, com intolerância absolutamente ZERO. Levantou a mão com a INTENÇÃO de agredir, não serve para namorar nem um calhau com olhos, e muito menos viver uma relação fora ou sob o mesmo tecto. De modo que... RUA! Para todo o sempre, porque quem levanta a mão uma vez, levanta duas ou três. Sem margem para dúvida.

 

E o segredo do sucesso está na tomada de posição logo na primeira vez.

 

E se, por distracção, se é apanhada desprevenida, e se leva um estalo, nessas alturas para que servem as pernas, senão para dar chutos e pontapés no "lugar certo"? É remedinho santo. Mas existem ainda outros métodos que neutralizam a cobardia dos do sexo oposto, quando estes se metem a “valentões”, e aos quais nem chamo homens, porque ser HOMEM é outra coisa.

 

As mulheres têm o direito à autodefesa. E ao reagirem, não estão a exercer violência, mas tão-só a defender-se. E os cobardes violentadores têm de saber isto.

 

Fina d’Armada, escritora portuguesa que pugnava pelos direitos das mulheres, escreveu certo dia uma crónica, onde contou o que a mãe lhe havia contado sobre uma mulher da sua aldeia, saco de pancada de um marido cavernícola e alcoólico. Um dia, já farta de tanto levar, a senhora, enquanto o marido dormia, atirou-lhe para cima uma panela de água a ferver, que o marcou. A partir de então, o homenzinho nunca mais teve a cobardia de lhe tocar. E até deixou de ir à taberna da aldeia, pela vergonha de ter sido invalidado pela mulher. E continuaram a viver (não muito felizes, obviamente) sob o mesmo tecto.

 

Mas hoje, os tempos são outros.

 

É que os cobardes só são “valentões” diante dos mais frágeis. Mas diante de quem lhes faz frente, tremem dos pés à cabeça, e não se atrevem, sequer a pensar, em agredir a mulher.

 

E já agora, embora esta não seja propriamente uma história de violência doméstica, posso contar a minha experiência com um “valentão” do meu tempo de escola, o qual, embora com outro nome, naquela altura, praticava bullying com os rapazes e meninas do colégio. Era o terror da escola. Todos o temiam, porque era um rapaz enorme, forte e bruto, e muito, muito cobarde, porque só se armava em “valentão” com os mais novos e com as meninas.

 

Um dia chegou a minha vez. Mas eu sabia que aos cobardes devemos enfrentá-los de frente, e se levamos uma, damos três. Assim fui ensinada (e assim ensinei a minha filha e a minha neta). E foi o que fiz. Usei as minhas armas: pernas e mãos. Ao primeiro gesto levou um pontapé bem assente no sítio certo que o deixou no chão. Daí em diante foram tantos os chutos e pontapés, que o deixei a tremer debaixo de uma mesa. É que se eu apanho, quem me dá leva em dobro. Ou em triplo.

 

Escusado será dizer que daí em diante o rapaz nunca mais se meteu com ninguém, e a paz reinou na escola. Acabámos até por ficar amigos. Terminada a escola, a vida levou-nos para lugares diferentes. Um dia mais tarde, já na juventude, soube que ele estava internado no Sobral Cid, hospital psiquiátrico de Coimbra, cidade onde eu frequentava a Universidade. A vida foi-lhe muito madrasta, disseram-me. Não me surpreendi. Decidi ir visitá-lo. Chorou muito, agarrado a mim, quando me viu. Era raro receber visitas. E eu chorei com ele. Viveu alguns anos mais. Mas não muitos mais. Fui ao seu enterro, e o desaguisado da adolescência, tinha há muito sido perdoado. E ele pôde partir em paz.

 

Este não foi o meu único episódio de leva-e-dá, na escola. Na vida de adulta jamais suportaria ser vítima de violência doméstica, por isso nunca aconteceu. É que ser mulher implica, sobretudo, ousar ser livre, embora eu saiba que nem a todas as mulheres a vida concede esse privilégio, contudo, é algo alcançável quando se ousa querer ser realmente livre.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:23

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Sábado, 2 de Fevereiro de 2019

ENTREVISTA DE FRANCISCO GUERREIRO (PAN) AO “VOZES AO MINUTO”

 

"Queremos mesmo sentar o Planeta no Parlamento Europeu"

Porque para VOTAR é preciso CONHECER.

Neste momento, o PAN parece-me uma óptima alternativa. Tem visão de futuro e não se verga a lobbies. E os Portugueses já estão fartos de “invertebrados” do tempo pré-histórico.

Manter no Poder os que já demonstraram incompetência governativa é passar um atestado de idiotice a si próprio.

Temos de mudar o rumo do Poder, porque o Poder está na mão do Povo, não está na mão dos governantes. (Isabel A. Ferreira)

 

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© PAN

 

Francisco Guerreiro, dirigente do PAN - partido Pessoas - Animais - Natureza, e cabeça de lista nas eleições europeias de 26 de Maio é o entrevistado de hoje do Vozes ao Minuto.

 

Entrevista de Melissa Lopes

 

«É vegan e tem como hobby recolher lixo nas praias e florestas do país. Francisco Guerreiro, militante do PAN desde 2012, é candidato pelo partido às eleições europeias do próximo 26 de Maio.

 

Europeísta convicto, mas não acrítico, Francisco tem como ambição “sentar o Planeta no Parlamento Europeu”. Está convencido de que “nunca é tarde” para lutar pelo ambiente, sendo um acérrimo defensor de que “pequenas mudanças fazem realmente a diferença”.

 

Em entrevista ao Notícias ao Minuto, Francisco critica a falta de coragem para romper com modelos vigentes e a incapacidade de tomar decisões económicas tendo em conta consequências ambientais calculadas. E o "depois vê-se”, lamenta.

 

Acolhido pela família europeia dos Verdes, se lá chegar, o PAN quer trabalhar no reforço da agricultura biológica, na transição energética e no apoio humanitário. No fundo, levar para Bruxelas a influência que o partido tem tido no Parlamento português.

 

Está preparado para ir para Bruxelas?

 

Este é um desafio a vários níveis, não só para o partido como para o paradigma que nós queremos explicar aos cidadãos e implementar. Felizmente, temos tido essa oportunidade nos últimos três anos dos quatro para os quais fomos eleitos. Acho que há esse reconhecimento da sociedade civil, de que temos, com poucos meios, trabalhado bastante e apresentado propostas válidas. Tanto é que nunca se debateu tanto questões ligadas aos direitos sociais, ambientais, animais. E isso faz com que os outros partidos se queiram posicionar. Isso para nós é positivo.

 

 Somos europeístas convictos, mas não somos acríticos.

Não somos nem melhores nem piores do que os outros partidos, somos diferentes. Acho que os cidadãos conseguem perceber, hoje em dia, essa diferença. É surpreendente como é que um deputado, em 230, às vezes consegue passar propostas por larga maioria ou unanimidade, como foi o caso da aprovação da tara recuperável para embalagens plásticas e que depois vai ser alargada para metal e vidro. Medidas muito concretas direccionadas para o bem-estar das populações e do meio ambiente que conseguem ser feitas com a vontade de construir pontes. Muitas vezes não é a primeira proposta, a inicial...

 

é a proposta trabalhada posteriormente.

 

Também é para isso que cá estamos. As pessoas compreendem que não há um governo PAN e que nós também votamos proposta a proposta, programa de Governo, Orçamento, tudo muito bem contextualizado. E o desafio das europeias vai um bocado nessa senda. O trabalho que temos feito no Parlamento nacional, gostaríamos também de o fazer no Parlamento Europeu.

 

Qual o nível de europeísmo do PAN?

 

É total. Somos europeístas convictos, mas não somos acríticos. Há obviamente sectores que têm de se alterar, especialmente no modo como a Europa gere os seus recursos, não só os dinheiros, mas também o modo como produz e distribui a sua economia.

 

Temos, por exemplo, a PAC (Política de Agricultura Comum), que é uma fatia substancial do peso do orçamento comunitário continua a direccionar-se muito para indústrias muito poluentes, nomeadamente para a agro-pecuária intensiva. Gostaríamos que esses recursos fossem alocados para modos de produção e distribuição de alimentos mais positivos, não só para a saúde humana como para os ecossistemas, nomeadamente no reforço da estratégia de agricultura biológica nos Estados-membros.

 

Em Portugal, temos feito esse caminho, temos sido largamente ignorados, infelizmente. Mas achamos que é uma visão a longo prazo que a comunidade europeia também deve ter.

 

Lá, como cá, há interesses instalados que não permitem esses avanços?

 

Sim. E o modo como sempre se fez as coisas é o mesmo, apenas se tem refinado e não se tem alterado. O modo como olhamos para a produção de alimentos, para o modo de os distribuir.

 

Não nos questionamos, é isso?

 

Não nos questionamos. Mesmo em relação ao impacto que tem estarmos a fazer comércio internacional, muitas vezes a custo de direitos humanos, direitos sociais e ambientais... Temos de repensar o modo como fazemos esses acordos.

 

E qual é a sugestão do PAN? Que objectivos quer perseguir?

 

Somos europeístas ao ponto de acharmos que é fundamental termos trocas comerciais, como é óbvio. Mas essas trocas devem valer os valores que nós achamos fundamentais: direitos humanos, protecção do meio ambiente, uma justaposição de forças, justaposição muitas vezes para países que estão em desenvolvimento e que precisam de um apoio extra e não propriamente quase um dumping de determinado tipo de mercadorias.

 

E é importante perceber que ainda temos um impacto muito grande na emissão de gases de efeito de estufa. Queremos promover também a transição energética dentro dos Estados-membros. Tentar, ao máximo, que sejam independentes energeticamente, para não estarem dependentes de países como a Rússia, países africanos e países do Médio Oriente, através de gás e de petróleo. Isso para nós é fundamental. Um dos nossos objectivos, um lema que temos é que queremos mesmo sentar o Planeta no Parlamento Europeu.

 

Não está neste momento?

 

Achamos que a ecologia é sempre secundarizada. Ou seja, olhamos para políticas económicas e depois vemos os efeitos hipotéticos ou secundários ou terciários que elas têm no ambiente. E vamos tentando colmatá-los, de modo mais profícuo ou não. E não pensamos ao contrário.

 

O que vemos é que Portugal, por exemplo, segundo a WWF, consome 2,2 planetas por ano, ou seja, nem chega a Agosto e já estamos a crédito.

 

Antecipando os problemas ambientais antes de tomar decisões económicas?

 

Exactamente. Não pensamos como é que conseguimos representar uma sociedade com estes valores que representamos – o altruísmo, a solidariedade, a dignidade humana, o bem-estar animal, a protecção ambiental – tendo em conta o longo prazo.

 

O que vemos é que Portugal, por exemplo, segundo a WWF, consome 2,2 planetas por ano, ou seja, nem chega a Agosto e já estamos a crédito. Qualquer país europeu é insustentável do ponto de vista da gestão dos recursos. Se não metermos esta linha condutora nas políticas públicas europeias será muito difícil depois conseguirmos construir um projecto de futuro.

 

Temos também de reduzir a quantidade de bens que consumimos, temos de pensar a forma como esses bens são reutilizados. Não basta só dizermos que somos a favor de uma economia circular se depois ela não se operacionaliza. Se continuarmos numa espiral de consumo de bens é depois difícil gerir esses resíduos.

 

De que forma podem ser combatidos os fenómenos populistas que crescem na UE?

 

Os fenómenos populistas contrariam-se com mais e melhor debate político, transparência, participação cívica e educação. Acresce o papel fundamental dos meios de comunicação que não podem ceder à tentativa de imediatismo económico e devem garantir os seus princípios deontológicos no tratamento e disseminação de informação. Isto tudo sem nunca esquecer o papel fundamental da não violência como eixo condutor de toda esta dinâmica. Não é com extremos ideológicos que se transita de modelo social.

 

Se for eleito, o PAN será acolhido pela família dos Verdes europeus. Terá assim mais força?

Um dos nossos grandes desafios – e é também por isso que estamos na família dos Verdes europeus – será trazer o ambiente para o Parlamento Europeu. Achamos que Portugal tem um défice de foco ecológico nos 21 representantes que lá estão e gostávamos de ter esse contributo. Num universo de 740 eurodeputados, sensivelmente, o nosso poder de influência será reduzido por si. Por isso é que ficamos numa família europeia.

 

Sobre o combate à expansão dos microplásticos e ao uso de plásticos, por exemplo, há uma estratégia que foi lançada o ano passado que aponta já algumas metas que são positivas mas temos de envolver a indústria, os cidadãos, tem que haver uma aposta na educação ambiental. Temos de partir do pressuposto que é geracional.

 

Escasseiam essas políticas de educação ambiental?

 

Se não tivermos políticas de educação ambiental não conseguimos construir esta identidade colectiva de visão a longo prazo. Vemos que a nossa biodiversidade está a ser posta em questão. Há uma usurpação do próprio interesse democrático dos interesses dos cidadãos em preservar as suas democracias que vai além do simples voto. As pessoas estão realmente preocupadas com a sua perspectiva de futuro, com a biodiversidade, com a qualidade dos rios, com a poluição generalizada, com uma alteração de estar na sociedade, de como consumimos, de como produzimos os nossos bens, qual é o impacto que tem, por exemplo, estarmos a trazer bananas do Equador.

 

O mundo despertou agora para esses problemas todos, já em cima deles, digamos assim. Não vamos tarde?

 

Achamos que nunca é tarde. É por isso, também, que estamos na política. Não é tarde e sentimos que há cada vez mais apoio às ideias e aos valores do PAN por isso mesmo. As pessoas estão cansadas dos partidos que olham para o mundo da mesma maneira.

 

De uma maneira que é egoísta, não planeando a longo prazo?

 

De uma maneira bastante restritiva. Consideramos que é uma visão que está adaptada ao tempo de cada partido. Se olharmos para estes partidos, conseguimos ver que têm a mesma visão que tinham há décadas. Há pequenas evoluções, óbvio, mas [a visão] está muito circunscrita à ideologia vigente daquele partido. Daí a emergência do PAN e de partidos como o PAN.

 

Os problemas existem e as soluções também. Muitas vezes vemos que há uma falta de vontade de romper com o paradigma vigente porque é fácil fazer como sempre foi feito e é difícil assumir que há mudanças a fazer, como partidos, como sociedade, como cidadãos e que temos que de arregaçar as mangas e encarar isto de modo positivo. Mostrando o problema e apontando soluções que são, muitas vezes, mais fáceis do que imaginamos. Obviamente que vamos contra sectores que estão instituídos. Um dos nossos objectivos é tentar mostrar uma transição que tem de ser rápida, mas efectivamente concretizável.

 

Muita da legislação que vem da UE já vem condicionada pelo lobby das grandes indústrias.

 

Não basta dizer qual é o problema, temos de apontar soluções e concretizá-las a nível económico. Uma das nossas bandeiras vai ser trabalhar, dentro da família dos Verdes europeus, para que o orçamento seja o mais exequível possível para apostar nestas transições que são muito importantes, fomentando uma economia verdadeiramente circular, olhando para esta questão do poder que a Europa tem como um só como algo positivo, sem esquecer as questões soberanas.

 

Em Portugal, tivemos e temos oportunidade de fazer algo muito bom, muitas vezes, porque há directivas europeias, algum discurso político tem a tendência de apontar o dedo sempre a Bruxelas quando nós próprios temos dificuldade em equilibrar os nossos orçamentos, em fazer apostas em infra-estruturas públicas que tenham realmente mais valias para todos nós, que se façam os investimentos que sejam benéficos para o Estado português.

 

 As pessoas sentem-se distantes dos partidos tradicionais.

 

E não é justo apontar o dedo a Bruxelas?

 

Não nos parece de todo viável apontar só o dedo a Bruxelas e dizer que os tecnocratas é que gerem tudo. Muitas das directivas que aplicamos são muito positivas. Achamos também que é fundamental pensar nas singularidades de cada país, mas tentando ver linhas em comum, porque consideramos que é muito mais o que nos une – e os problemas comuns são globais - do que propriamente o que nos separa.

 

As pessoas sentem-se distantes dos partidos tradicionais porque não apresentam soluções positivas. Achamos que a democracia deve ser o mais participativa possível, que se devem criar mais ferramentas para a participação cívica para que as pessoas percebam a importância de estarem na Europa e de construir uma Europa global com uma influência positiva no mundo.

 

Mas temos de ver os factos. Muita da legislação que vem da UE já vem condicionada pelo lobby das grandes indústrias e ela, muitas vezes, são contraproducentes para as reais necessidades das populações.

 

O lobby das grandes indústrias irá ser um grande adversário no Parlamento Europeu?

 

Cremos que sim. Têm um lobby muito forte, têm uma presença constante em Bruxelas, são opinion makers, são criadores de legislação, muitas vezes é um combate muito desigual, não só em termos de recursos, mas também em termos de influência.

 

Mas acreditamos que empoderando mais os cidadãos, mais possibilidades estes têm de se manifestar contra determinadas políticas e visões. Obviamente que vai ser um caminho difícil, mas que tem de ser traçado e os desafios que temos são muito prementes, ou seja, estamos mesmo num pré-colapso da nossa biodiversidade global e os sinais estão à vista: alterações climáticas, poluição generalizada, e não temos um discurso catastrofista.

 

É preciso uma responsabilização nossa e dos agentes políticos e tem de haver um combate no sentido de uma apresentação de propostas muito concretas e assertivas no quadro europeu e passa, também, por chamarmos à equação quem tem um peso muito negativo na nossa economia e sociedade. Também queremos mostrar que essas indústrias têm a mais a ganhar se se juntarem a esta corrente.

 

Falou nas directivas positivas de Bruxelas. Lembro-me de uma que Portugal não está a cumprir e que se prende com o transporte de animais vivos para o Médio Oriente (Bruxelas diz que o transporte não deve exceder as 8 horas. Portugal faz transportes de oito dias).

 

No que concerne ao bem-estar animal, temos muitas directivas que mostram que estamos a anos luz.

 

E neste caso concreto, o negócio iniciou-se em 2015… não foi assim há tanto tempo. Não foi nos anos 80, por exemplo.

 

Lá está, o princípio economicista que tem repercussões no bem-estar animal. Numa abordagem filosófico-ética, existem limites ao nosso economicismo e o transporte de animais vivos é uma realidade muito dura e crua que só agora está a ser exposta. Como disse, temos matrizes muito positivas e que depois não seguimos.

 

Foi o André Silva que fez o convite ao Francisco para ser cabeça de lista às europeias?

 

Não. Foi auto-propositor. É definido em sede de comissão de política nacional, mas creio que também é exemplificativo do trabalho que tenho vindo a fazer no partido. Tenho também trabalhado junto do André na assessoria, não só política, mas também na área do ambiente, tenho responsabilidades municipais, sou coordenador na secretaria da comunicação. Dedico muito tempo do meu livre a tentar aproximar a ideologia, filosofia e a prática do partido às pessoas. Foi uma escolha natural e consensual. É um grande desafio, sem dúvida, a nível familiar e profissional.

 

E qualquer que seja o resultado [das eleições] vai ser muito importante. Até porque podemos ver claras diferenças em relação à candidatura de há cinco anos para agora. Não só pela exposição e responsabilidade que temos, mas também pelas expectativa que as pessoas têm do PAN. E no fundo vamos tentar fazer uma campanha diferente, que seja mais próxima dos cidadãos.

 

E que combata a abstenção, que é elevadíssima nestas eleições.

 

Sim, acima dos 60%, para nós é assustador. Queremos chamar as pessoas a esse nível. Mais do que votar no PAN, acima de defender o nosso projecto político, queremos defender a democracia. E defender a democracia é defender que as pessoas leiam os programas, as ideias, e escolham entre as várias opções. Parece-nos muito difícil que, entre 20 e tal partidos, não haja um ou outro que se aproxime à sua sensibilidade. Há programas políticos que se vão relacionar com qualquer cidadão.

 

Se o cidadão se disponibilizar a ‘consumir’ essa informação.

 

Mas lá está, as redes sociais podem ajudar nisso. Temos o bom e o menos bom das redes sociais e o que nós vemos é que no nosso caso tem vindo o melhor ao de cima. As pessoas comentam, criticam, nós respondemos, sentimos o apoio directo. Como não temos muita cobertura nos meios convencionais, na televisão, as redes sociais são uma ferramenta para informarmos os cidadãos e de nos aproximarmos destes. A partir daí, fazem as suas escolhas. Longe de nós pensarmos que todas as pessoas que seguem o PAN votam no PAN, mas, pelo menos, ficam esclarecidas. Mostramos que é possível fazer possível fora deste espectro dicotómico Esquerda-Direita, fora do paradigma economicista e produtivista.

 

 Os políticos enchem muito a boca a falar da valorização do Interior.

 

Esse paradigma economicista reflecte-se em que maus exemplos, na prática, em Portugal?

 

Não podemos, por exemplo, estar só a olhar para o PIB quando há toda uma abrangência para além do que produzimos e consumimos. Questionamos e somos muito críticos das super culturas intensivas no Alentejo, queríamos que fosse feito um estudo para saber qual o impacto que tem no ambiente e nem isso foi aprovado. A biodiversidade (lagartos, abelhas, etc.) desaparece quando temos monoculturas intensivas. Gostamos de abordar que 80% do consumo água em Portugal vai para a agro-pecuária e para a agricultura, mas depois as campanhas de sensibilização são essencialmente para o ser-humano tomar banhos mais curtos, fechar a torneira enquanto lavam os dentes, o que é importante, mas corresponde a cerca de 20%. Reflecte um bocado uma falta de perspectiva do Governo e dos partidos convencionais a curto prazo. O Alqueva, que foi uma grande aposta, tem desperdícios que rondam os 40% e agora vai fazer-se investimentos para melhorar.

 

É desperdiçada como?

 

Devido à questão do regadio. A água é dispersa, não há sistema gota a gota. Depois há falhas no sistema. É aquilo que vemos sempre: primeiro faz-se e depois percebe-se. Como a questão do aeroporto do Montijo, não faz sentido quando já temos um aeroporto construído em Beja, com a possibilidade de se expandir. Bastaria melhorar a linha férrea e a infra-estrutura rodoviária.

 

Os políticos enchem muito a boca a falar da valorização do Interior, quando aqui tínhamos uma aposta muito clara na melhoria das condições de vida, para trazer pessoas, investimento e PME’s para esta zona. E vai-se construir um aeroporto no Montijo, com os impactos claríssimos no ambiente e que não tem possibilidades de expansão, e que vai trazer mais ruído, mais poluição, mais especulação.

 

 

FRANCISCO GUERREIRO PAN2.jpg

Francisco Guerreiro é militante do PAN desde 2012© DR

 

Sobre o aeroporto no Montijo, António Costa já afirmou que não tem plano B caso o estudo de impacto ambiental seja negativo.

 

Não tem se não quiser. Porque existem soluções. O primeiro-ministro diz que foram estudadas 'n' soluções ao longo destes anos. Mas uma opção muito clara é Beja.

 

E foi estudada?

 

Nem sequer é considerada. O aeroporto (de Beja) já está construído. E, se é só uma questão de melhorar as infra-estruturas, é mais do que válida. O problema é que os acordos são sempre feitos com uma vertente muito unidireccional – os agentes mais interessados negoceiam e os restantes ficam sempre à margem das negociações. Fazer pré-acordos com a ANA sem fazer estudos de impacto ambiental, sem haver um debate público generalizado sobre a matéria, parece-nos muito curto. E, mais uma vez, estamos a centralizar tudo na área metropolitana de Lisboa. Podia haver uma aposta no aeroporto de Beja que trazia não só uma melhoria na qualidade de vida das pessoas do Baixo Alentejo, como uma melhoria das infra-estruturas. Havia um investimento a longo prazo e não sobrecarregávamos o Litoral.

 

A opção Montijo não é uma solução a longo prazo?

 

Numa perspectiva das alterações climáticas, em que o nível médio das águas tende a subir, construir um aeroporto à beira de um rio… parece-nos uma visão a curto prazo. Diz-se que é uma visão a longo prazo, mas não é.

 

É, portanto, uma má solução?

 

É uma clara má solução, a nosso ver. A linha directiva é a mesma, primeiro constrói-se e depois percebe-se.

 

O primeiro-ministro está confiante de que o estudo de impacte ambiental vai permitir a construção.

 

Deve saber alguma coisa que nós não sabemos. Mas o que vemos é que em casos em que são mesmo negativos, a APA (Associação Portuguesa do Ambiente) serve de validação. Vemos isso através das dragagens do Sado, em que claramente que não se conhecia o impacto nas espécies, que não se percebia que espécies seriam afectadas, que o único ponto forte seria a melhoria, que não havia benefícios em termos ambientais e que o único ponto forte seria a melhoria económica daquele porto, quando temos o porto de Sines mesmo ao lado, a APA veio dizer que sim, desde que se faça isto e aquilo. Vemos que o ambiente está em segundo ou em terceiro plano. Não é a base de onde tudo emana, é ao contrário.

 

Com o crescimento do partido, houve uma exposição mediática do PAN devido a temas polémicos como é o caso da tauromaquia. Como acompanhou a recente polémica que se gerou à volta do fim da tauromaquia, que começou com a questão do IVA?

 

Com naturalidade. Nós também fomos eleitos para incomodar. Tem sido uma matriz constante. Recebemos feedbacks e vemos reconhecido esse esforço e capacidade de mexer com sectores intocáveis, incómodos, de não termos barreiras intransponíveis.

 

A questão das touradas foi um processo natural. Fomos mais moderados do que os moderados. Quisemos que menores de 18 anos não pudessem participar em espectáculos tauromáquicos, foi rejeitado, quisemos acabar com o financiamento público das touradas, também foi rejeitado, questionámos a relação entre a Câmara Municipal de Lisboa e a praça de touros do Campo Pequeno, também não tivemos resposta. Há uma série de factores de que vamos falando e em que somos hipermoderados, dentro do tema, mas que nem isso é acompanhado.

 

Costa é uma pessoa com visão. Sabe que a tauromaquia tem os seus dias contados.

 

Nem nas questões de justiça fiscal conseguimos. O nosso objectivo foi trazer à sociedade um tema que muitos portugueses desconheciam. Mesmo quem não desgosta de touradas não acha justo que os artistas tauromáquicos sejam equiparados a médicos com isenção do pagamento do IVA. É surreal. Foi um momento que catapultou esta ideia de que o PAN é incómodo e que fala de sectores que até agora são intocáveis.

 

É positivo para nós o caminho que se fez, mesmo dentro do PS, a abstenção de alguns deputados do PSD. É positivo ver que há temas que têm de ser trazidos à sociedade e ao debate para os próprios partidos se posicionarem. É um trabalho que queremos continuar a ter no seio do Parlamento Europeu através de todos os mecanismos possíveis e imagináveis.

 

Foi surpreendente a posição de António Costa na carta aberta a Manuel Alegre?

 

António Costa é uma pessoa com visão, sabe, tal como muitas pessoas dentro da política sabem – que a tauromaquia tem os seus dias contados. E, então, posicionou-se, com todo o respeito que se deve ter. Percebeu que tendencialmente se deve caminhar para este lado. Agora, dando a liberdade de voto dentro do próprio partido, as propostas acabaram por não passar, mas foi um processo interessante, mesmo históricos do partido vieram, e muito bem, defender abertamente aquilo em que acreditam. É importante [que o façam], em vez de estarem escondidos. Só assim se constrói a democracia, falando abertamente dos temas, dos prós e dos contras.

 

E em relação ao envolvimento da ministra da Cultura que ao dizer que se tratava de algo civilizacional, foi criticada…

 

Não podemos dizer que a tauromaquia não tem violência, é uma acção violenta extrema e gratuita. E a ministra posicionou-se tendo as suas consequências políticas, mas também fez com que se debatesse se é ético, se não é ético, se é civilizacional, se não é, os custos que tem ou não. É uma posição que à ministra diz respeito, mas para nós foi positivo.

 

E quanto tempo faltará para o Parlamento aprovar o fim das touradas?

 

Está para mais breve do que se calhar é esperado.

 

O crescimento do PAN e a natural mediatização já trouxeram alguns incómodos ao partido. Na reportagem da TVI sobre o IRA ultrapassou-se a linha daquilo que deve ser o escrutínio público aos partidos?

 

Extravasou porque fez uma reportagem tendenciosa. Não houve um critério jornalístico e uma linha que se baseie na deontologia. Fazer uma reportagem de investigação tendo em conta um vídeo de sátira parece-nos bastante fora do que são os critérios jornalísticos. As pessoas compreenderam que não foi uma peça isenta, não foi uma peça com o objectivo de esclarecer o público e que descredibilizou o papel que o jornalismo deve ter num mundo cada vez mais bombardeado de notícias falsas. E isso não é positivo para as nossas democracias. Acho que isto resulta do facto de estarmos a crescer, e é normal. Mas há aqui um papel de responsabilização da classe jornalística em se readaptar às exigências.

 

Foi um dos piores momentos do PAN até agora?

 

Foi um momento mediático menos positivo, mas nós gerimo-lo com a maior sensibilidade possível.

 

Receberam mensagens de apoio?

 

Sim, curiosamente. E vimos que as pessoas questionaram muito. Viram a reportagem e depois questionaram-nos e compreenderam. Foi num momento muito específico, em que estavam em debate questões da tauromaquia. Recebemos um apoio generalizado e, aliás, as últimas sondagens mostram que não só não tivemos nenhum impacto como subimos. Vimos que a sociedade ficou alerta e que, através da nossa resposta, viram que não tinha qualquer sentido aquela reportagem e os exemplos que seguiram do canal também não foram os melhores.

 

Não nos furtamos a que haja investigações, mas tem de haver limites.

 

Quais?

 

Os eventos que a TVI vai tendo nesta guerra das audiências. Vão acabando por mostrar que, se calhar não vale tudo. É um debate que devemos ter é até onde é que devemos ir para ser líderes de audiências. São critérios jornalísticos e editoriais que cabe mais ao sector do que propriamente a nós.

 

Mas, isso [as fake news] condiciona. E nós não nos furtamos a que haja investigações e análises – o jornalismo serve para isso mesmo, para tocar em todos os sectores da sociedade, sejam eles quais forem -, mas tem de haver limites e o código deontológico tem de ser essa bússola que deve guiar todos os profissionais. Podemos ganhar no curto prazo em audiência, mas perdemos, a longo prazo, na nossa democracia.

 

Com o aproximar de eleições estão à espera de mais situações deste género?

 

É expectável. Mas só podemos continuar a trabalhar, mostrar do que é que somos feitos e aguentar. Não temos nada que não possa ser escrutinado. Que o jornalismo faça o seu trabalho e nós cá estaremos.

 

O PAN tem oito anos. Está no partido desde sempre? Como é que se ‘conheceram’?

 

Praticamente. Um amigo meu mostrou-me um clip em que o Paulo Borges (presidente na altura) falava dos valores do PAN. Identifiquei-me. Nunca tinha estado ligado à política, e apesar de ter votado sempre (à excepção de uma vez), era muito desalinhado. Não me revia nos partidos tradicionais, no modo como olhavam para a sociedade, para o sistema, como viam o mundo, como projectavam a construção desse mundo.

 

E através dos valores do partido, consegui perceber que era ali que me identificava. Tivemos grandes desafios no processo. Antes éramos partido pelos Animais e pela Natureza. A ideologia era a mesma, mas as pessoas na primeira abordagem não percebiam e perguntavam ‘Então e as pessoas?”.

 

E ainda hoje perguntam?

 

Ainda perguntam, mas já é menos, felizmente [risos].

 

Passei por esse processo todo. Fui candidato às autárquicas em Coimbra, em que não ficámos em último. E agora voltei a ser por Cascais onde tivemos 5,4%, foi o melhor resultado dentro do partido. Foi um processo natural. Acabei por dar muito tempo voluntariamente ao PAN, na comunicação, a reestruturar o partido, na fundamentação das nossas posições, a criar pontes e estrutura. Nunca me imaginei a concorrer a um cargo de eurodeputado, ou qualquer tipo de cargo político, mas tem sido muito orgânico e as coisas vão acontecendo. O convite para trabalhar como assessor do André também surgiu. Tenho aprendido muito e vejo que há uma dissociação da compreensão colectiva do que realmente se faz no Parlamento e é muito trabalho, muitas informações, muitas horas de comissões, debates, reuniões.

 

É um trabalho que não ‘passa’ para fora?

 

Às vezes é mal interpretado o sentimento colectivo do “não fazem nada”.

 

Generalizações.

 

Generalizam por maus exemplos, claro. Mas não podemos cair no ridículo de achar que não se trabalha e trabalha-se muito e em muitas temáticas. Basta ver o site do Parlamento que tem informação de tudo e mais alguma coisa. Queremos mesmo cativar as pessoas a serem mais activas e a pressionar os partidos políticos.

 

E desilusões na política?

 

Será mais uma desilusão pessoal do panorama nacional e internacional de como é que problemas tão graves são tão desconsiderados. Olhamos para a natureza como algo muito eufemístico, algo que não é palpável. Os problemas que temos são gravíssimos. A minha mãe é bióloga, sempre vi a BBC Vida Selvagem, sempre tive uma relação muito directa com a questão da biodiversidade, preservação do ambiente e das espécies e do envolvimento do ser humano.

 

E é disso que nasce o hobby recolher lixo nas praias e florestas?

 

Sim, desde sempre que recolho lixo.

 

Esse lixo que recolhe é cada vez mais ou tem vindo a reduzir?

 

Tenho a percepção de que é cada vez mais. Infelizmente é cada vez mais, mas também mais pessoas se andam a mobilizar.

 

Até já é um desporto ('plogging').

 

Não entro nisto por desporto porque é algo que surge com a necessidade de fazer algo pela comunidade. É o meu modo de ajudar a comunidade. Passei muitos Verões no Algarve e sempre que passava e via lixo, ia apanhando. Já nem sei as toneladas de lixo que recolhi. Mas sempre foi algo natural, faz mesmo confusão comportamentos que são tão fáceis de ser alterados. Por exemplo, atirar beatas para o chão.

 

Que agora vai ser punido em Lisboa ...

 

Pelo menos em Lisboa. Mas mais do que a punição, que é importante, é tentar explicar os impactos que têm esses comportamentos. Para mim, é natural. É como a reciclagem: já não penso.

 

Na reciclagem as pessoas desconfiam que depois o lixo que separaram vai todo para o mesmo lado, na hora da recolha.

 

Muitas vezes é falta de informação, há sistemas de distribuição diferentes.

 

Mas isso acontece? De o lixo acabar por ser todo misturado?

 

Mesmo que aconteça, depois voltam a separar. É ineficiente. Mas são casos muito pontuais, até hoje nunca vi nenhum facto que o provasse. Acho que é mais uma desculpa para não o fazer do que propriamente algo concreto. Não educarmos faz com que tenhamos taxas de reciclagem que são uma vergonha a nível europeu, não cumprimos nem as metas mínimas. Deve haver aqui uma consciência colectiva de que o desperdício que faço não me afecta só a mim, mas tudo o resto.

 

Isto de recolher o lixo é a minha boa acção constante, fora da política. Ainda no período do Natal recolhi cerca de 200 litros de lixo, na lagoa de Santo André. Isto reflecte o nosso alheamento dos problemas da sociedade. Pequenas mudanças fazem realmente a diferença.

Que outros contributos individuais dá ao ambiente?

 

Sou vegan, é um contributo que é muito pessoal, não sou um promotor do veganismo para os restantes. A mim faz-me todo o sentido levar a ecologia ao mais profundo acto também de compaixão e de responsabilidade para com os outros seres do Planeta, com o ser humano e com o Planeta. É tão comum como separar o lixo. Tenho a felicidade de ser casado com uma pessoa fantástica que cozinha maravilhosamente bem, o que também ajuda [sorriso].

 

Tem filhos?

Tenho uma filha de 11 anos.

 

E é vegan também?

 

Está na transição.

 

Não lhe impuseram esse tipo de alimentação?

 

De modo algum, é uma escolha dela. Prefere ser vegetariana. Respeitamos as decisões, tudo o que ela faz. Gosta de mostrar que tem um sinal positivo ao mundo. São alterações que são escolha dela, respeitamos e apoiamos.

 

Fonte:

https://www.noticiasaominuto.com/politica/1181854/queremos-mesmo-sentar-o-planeta-no-parlamento-europeu

 

(Aviso: este texto foi corrigido para a grafia portuguesa em vigor (a de 1945), via corrector automático, visto a aplicação do AO90 ser ilegal, em Portugal, e este Blogue não pactuar com ilegalidades).

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:18

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Quarta-feira, 30 de Janeiro de 2019

PORTUGAL E BRASIL: DOIS PAÍSES, DUAS LÍNGUAS

 

Um destes dias, publiquei um texto neste meu Blogue, no qual questionei o motivo que levou um cidadão português (?) (o actor Ricardo Pereira) a falar brasileiro, num programa dirigido aos portugueses lá de casa. Ver este link:

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/o-actor-portugues-ricardo-pereira-165286?utm_source=posts&utm_content=1548781276

 

E a questão é: Portugal e Brasil falam a mesma língua?

 

A propósito disto, recebi alguns comentários, e imagens que circulam por aí, que deixam claro que Portugal e Brasil não falam a mesma língua. Porque em Portugal, fala-se Português, e no Brasil, fala-se Brasileiro.

 

Vamos conferir?

 

BP 1 (1).jpg

Neste site, seleccione-se a Língua: o Brasileiro é a língua (entre outras línguas estrangeiras). E em Brasileiro escreve-se projeto (prujêtu) claro está. Porque em Português escrevemos projeCto, e em Inglês projeCt.

 

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BP 1 (2).jpg

Até a Porto Editora sabe que não falamos a mesma Língua, embora este grupo editorial seja um dos que fomenta o negócio do AO90. Este dicionário é exclusivo para o Brasil, pois para Portugal existe este outro, exclusivo, em acordês.

E isto cheira a um nítido negócio da China.

 

BP 4.jpg

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BP 3.png

Observe-se com atenção a 2ª. bandeira na fila de baixo, das Línguas a bordo deste autocarro panorâmico, o Yellow Bus, que circula em Lisboa: nitidamente a bandeira é a brasileira, que corresponde à Língua Brasileira. A bandeira portuguesa está confinada ao 3º. lugar, na fila de cima, mas em casa de ferreiro, o espeto não é de pau? Conclusão: neste autocarro fala-se Português e Brasileiro (entre outras línguas). Alguém duvida que são duas Línguas distintas?

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Neste vídeo José Saramago teve de ser legendado, sim, porque José Saramago fala Português, uma língua incompreensível no Brasil. Desconhecia que, no Brasil, programas, novelas ou filmes portugueses são legendados e dobrados (no Brasil, dublados, do Francês doublage) em Brasileiro (no tempo em que por lá andei, não eram, até porque não se emitia nada em português). Em Portugal isto é algo que não acontece com os programas, novelas e filmes brasileiros.

***

Equador é uma série televisiva portuguesa de ficção histórica, de drama e romance, produzida pelo canal TVI, baseada na obra Equador, de Miguel Sousa Tavares. Os actores são portugueses e falam PORTUGUÊS, língua estrangeira para os Brasileiros, que necessita de ser dobrada, tal como o Inglês, o Francês e outras línguas estrangeiras.

 

Brasil e Portugal falam a mesma língua? Não me parece. Se falassem, não haveria necessidade de dobrar ou legendar o Português. Nenhum africano de expressão portuguesa o faz, porque eles falam e escrevem Português.

 

Qual a explicação para isto? Será a de que nós, Portugueses, somos mais dotados para as línguas estrangeiras do que os Brasileiros, por isso não necessitamos de legendar as novelas, os filmes e os programas brasileiros?

 

Para os Brasileiros, a Língua Portuguesa é língua estrangeira (tal como já é em Cabo Verde), para ser legendável e dobrável? Então? Não falamos a mesma língua?

 

***

BP 5.jpg

 

Este é um texto que encontrei no frasesparaoface.com, (um site brasileiro). E como este, há centenas deles, que circulam no “face” e levam até aos facebookianos este tipo de linguagem que, ao ser lida e relida e treslida, passa a ser a mais utilizada. E esta não é a linguagem portuguesa. Se os políticos portugueses e brasileiros pretendem que falemos a mesma língua, muita coisa tem de mudar da parte brasileira, porque os restantes países lusógrafos não escrevem deste modo anómalo. A Internet está repleta de uma linguagem a que chamam “português do Brasil ou brasileiro”, mas que de Português tem apenas vestígios. Este tipo de linguagem é exclusivamente brasileira.

 

Definitivamente, não me parece que Portugal e Brasil falem a mesma língua. E andam por aí trapaceiros portugueses a vender-nos gato por lebre. Comentei, perante tanta evidência.

 

E o meu amigo João M. Galizes respondeu-me assim:

 

«Claro que venderam gato por lebre aos incautos portugas-esponjas. Muitos portugueses absorvem facilmente as ideias que vêm de fora. Os negociadores pegaram em dois pulhíticos corruptos: o Molusco no Brasil, e o Filósofo, em Portugal, e no pseudo-linguista maleiro castelaca (com minúsculas, como o sujeito gosta), e disseram que iam uniformizar o Português - mentira - e que as crianças iam passar a escrever mais facilmente sem consoantes que atrapalhavam. No entanto, incentivam o uso do Inglês, em Portugal, que é uma Língua, como nós sabemos, que "não" tem consoantes desnecessárias!»

 

E a minha amiga Idalete Giga disse isto:

 

«Algo vai péssimo nesta república labrega e nova rica de Portugal (!) Como é possível que o tal actor se preste assim a cair num ridículo total? Isto já nem é pornografia linguística à maneira do dom Cangalheiro. É deboche (!!!!!)»

 

E o meu amigo Francis Likin, acrescentou:

«Há já algum tempo, creio que durante o Campeonato Mundial de Futebol, as autoridades brasileiras exigiram a um jornalista português a apresentação de uma TRADUÇÃO OFICIAL do seu PASSAPORTE PORTUGUÊS, para que pudesse dispor das credenciais oficiais e ser "acreditado" como jornalista português no Brasil durante esse mesmo campeonato!»

  

Duvidei disto, porque isto é um pouco DEMASIADO!

 

Contudo, Francis Likin insistiu: «Mas é VERDADE. É REAL. A desculpa dada pelas autoridades brasileiras é que a lei diz que todo e qualquer passaporte estrangeiro tem de ser traduzido para "português do Brasil" Isso circulou por aqui. Proibiram também uma miúda de 15 anos de ir para a Escola com uma camisola da Selecção Portuguesa. Só a do Brasil era permitida. Há muitos exemplos desses...»

 

Pasmei! Desconhecia isto.

 

E o meu amigo Pedro Soares comentou o que se segue, referindo-se aos governantes que temos e que permitem estas coisas que põem os portugueses abaixo de cão:

 

«Mas será que este desgraçado País está condenado a bater no fundo? Será que estamos condenados a esta gente medíocre, que em 44 anos não produziu um só Estadista? Quando chegará o D. Sebastião?...... Já chega de nevoeiro!»

 

Todos têm razão. Por tudo isto, não podemos baixar os braços. Não podemos deixar que a Língua Portuguesa seja deste modo desprezada, em nome de coisa nenhuma que valha a pena ser.

 

Cada um de nós tem de ser um D. Sebastião, para se acabar com este nevoeiro que obscurece Portugal e a sua Cultura Linguística.

 

Definitivamente, está na hora de o Brasil assumir a sua língua: a BRASILEIRA. Serão milhões a propagá-la, sem terem de arrastar atrás de si, o cordão umbilical do país que os colonizou. Não deixem para amanhã o que podem fazer hoje. Porque é certo e seguro, que o destino  da língua falada e escrita no Brasil é o de ser BRASILEIRA. É o que eles querem, é o que eles farão. E eu concordo plenamente.

 

Isabel A. Ferreira

***

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:59

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Quarta-feira, 23 de Janeiro de 2019

EM ANO DE ELEIÇÕES: POR QUE NÃO DEVEMOS VOTAR PS, PSD, PCP e CDS/PP

 

Existem muitos motivos diferentes para cada um destes partidos, porém existem dois motivos que são comuns a todos, e que dizem tudo da ausência de VALORES ÉTICOS no seio deles, e que nos envergonham a todos enquanto Seres Humanos, por isso, não merecem os votos de quem tem um mínimo de Ética e de Empatia (o sentimento mais nobre do Homem) pelo outro, seja esse outro humano ou não-humano.

 

Comecemos por este vídeo, que mostra um descomunal atraso civilizacional ainda vigente em Portugal:

 

 

Os partidos acima referidos, estão unidos a favor das touradas que, nos tempos que correm, já deviam estar extintas, por constituírem uma prática assente no mais abjecto obscurantismo medieval. Não estando extintas, devem manter-se no lugar que ocupam na sociedade, ou seja, na lixeira social, se bem que uma lixeira da exclusiva lavra do Parlamento Português, até que os portugueses decidam por uma mudança radical.

 

Não devemos votar nestes partidos políticos porque depois de a Ministra da Cultura ter considerado, e muito bem, não nivelar a tortura de Touros pelos espectáculos das Artes Maiores, até porque torturar Touros não se encaixa em nenhum espectáculo civilizado, o assunto devia ter sido considerado encerrado. Mas não foi. Os partidos acima referenciados puseram a tortura ao nível das Artes, e passaram ao Parlamento um atestado de inferioridade moral, e desconsideraram a Ministra da Cultura. Eu ter-me-ia demitido.

 

Passemos a estes vídeos, que  nos mostram as preocupações do PAN, do BE e do PEV rejeitadas pelos PS, PSD, PCP e CDS/PP:

 

 

 

Não devemos votar no PS, PSD, PCP e CDS/PP, porque estes partidos pugnam pelo maus-tratos aos animais, que são transportados vivos para o estrangeiro, sem as mínimas condições de bem-estar. Se não pugnassem, não teriam chumbado os diplomas do PAN, PEV e BE que visavam restringir o transporte de gado vivo para exportação, para abate, e regular o transporte com medidas que garantissem o bem-estar animal.

 

Estes partidos servem os interesses de lobbies, não servem os interesses de Portugal. E se não servem Portugal, pugnando pela sua evolução, não merecem o voto dos Portugueses.

 

Há que pensar muito antes de votar. Votar em partidos, como se fossem clubes de futebol, não faz avançar Portugal.

 

Não queremos mais do mesmo, para pior, queremos?

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:57

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Sábado, 19 de Janeiro de 2019

UM RETRATO REAL DO NOSSO DESDITOSO PORTUGAL

 

Com a devida autorização, transcrevo uma carta que recebi de uma cidadã portuguesa, com sentido crítico, e que exerce magistralmente o seu direito cívico, e denuncia e luta e age e incomoda e agita a consciência de quem a tem.

 

Afinal, ainda há Padeiras de Aljubarrota em Portugal!

 

Não me peça desculpa, Idalete. Não me maçou nada com a sua carta. Ao lê-la fui até ao fundo do abismo em que Portugal e os Portugueses adormecidos se arrastam.

 

ÁRVORE.png

Origem da imagem: https://www.facebook.com/pg/raphaelgouveamonteiroescritor/posts/?ref=notif

 

Cara Isabel

 

Muito obrigada pela sua rápida resposta. Congratulo-me em saber que continua activa no Movimento que criou! O que revela sobre os anti-acordistas que se fecharam em copas quando lhes foi pedido apoio e acção, não é nenhuma novidade para mim. Com a Frente Cívica (à qual pertenço, como associada) liderada pelo Dr. Paulo de Morais, tem sido a mesmíssima coisa. Imagine que ainda não se conseguiram as 20 mil assinaturas para apresentar na AR o Projecto de lei para acabar com as PPPs Rodoviárias que são altamente lesivas para o erário público (!) Isto é quase inacreditável.

 

Acho que fez muito bem sair dos Grupos do Facebook. Através dos comentários que me irritavam (muitos deles completamente estúpidos e cheios de erros de ortografia) é que podemos avaliar o tipo de pessoas que se dizem anti-acordistas. Estou convencida de que não fazem a mínima ideia do que significa a tragédia cultural do AO90 e as negociatas porcas que estiveram na sua origem. Faz muito bem em denunciar, a seu tempo e em Tribunal de confiança, as implicações do 1º ministro e do anestesista do povo português que é o PR, (e não só...) nas negociatas do AO90. Mas, sim! O segredo é a alma do negócio!

 

Claro que me interesso por tudo o que está a ser feito pelo MPLP. Aliás, vou pedir a familiares ligados ao Ensino que apoiem e façam parte do MPLP. Se não se importa dar-lhes-ei o seu email e os links que me enviou, incluindo o do seu Blog.

 

Portugal encontra-se numa encruzilhada muito perigosa, pois continuamos nas "garras" de políticos tecnocratas sem ética, sem moral, que só vêem cifrões e estão mergulhados num verdadeiro tsunami economicista. A recente "reestruturação" eleitoralista do (des)governo é uma maquilhagem manhosa, enganadora, eu direi mesmo, sinistra (!) Aquilo que o (des)governo oculta no OE é verdadeiramente escandaloso. Por exemplo o que vai pagar (largas centenas de milhões) às PPPs (!) é um crime financeiro e social de lesa Pátria (!) Mas como o povo está estupidificado, alienado por sucessivos desgovernos desde o 25 de Abril, já não reage a nada. Nem se interessa. Só percebe de futebol. Vai para o FB escrever asneiras (!) E isto é assustador! Os sucessivos desgovernos (PS+PSD+CDS) não fizeram outra coisa senão destruir, sub-repticiamente, as reservas morais do povo português. Desprezo pela Cultura. Sistema Educativo a cair de podre. Corrupção em toda a Administração Pública. Poder Judicial + Poder Político+ Poder Financeiro unidos numa promiscuidade repugnante com um objectivo comum: destruir o que resta da riqueza própria do País. Vender tudo a estrangeiros com a promessa garantida de auferirem salários principescos quando mudam da principal Central de Negócios que é o Parlamento para se acomodarem parasitariamente nas grandes empresas (Bancos, Empresas multinacionais, Empresas Público-Privadas, etc., etc.).

 

Li há dias uma entrevista do Coronel Pedro Tinoco de Faria que me emocionou profundamente. É um dos poucos militares de alta patente que não se deixou corromper. Também criou aquele "Movimento das Espadas" que teve muitos apoiantes no início, mas quando chegou a hora para depositar as espadas aos pés do PR, os grandes cobardes desertaram e ele ficou praticamente sozinho. Na entrevista dada por Skype (pois o Coronel vive em Londres) há interferências constantes e muito estranhas, sobretudo quando um dos jornalistas, João Chaves, lhe dirige perguntas. Mesmo assim ouvi até ao fim. Abordam-se todos os principais problemas que levaram o País à desgraça em que se encontra. (Corrupção nas Forças Armadas, na Política, em toda a parte; Roubo de armas em Tancos; Maçonaria - a que pertencem praticamente todos os militares de alta patente, políticos, empresários, etc.) O Coronel não demonstra qualquer medo em relação ao que afirma e afirma coisas incríveis que se passam em Portugal, dominado pela Maçonaria. Cita nomes. Tira a radiografia realista do País. Depois do Movimento das Espadas, foi humilhado, perseguido, insultado, desprezado pelos camaradas traidores (!). Vive em Londres com os dois filhos e quis ser empregado de mesa num Hotel para saber o que é a vida de um emigrante. Está a escrever um livro que certamente vai ser uma bomba em Portugal. Acredito que a palavra pode ser uma arma mais mortífera que mil granadas! Dizer a verdade já é um acto revolucionário! São destes homens que Portugal necessita com urgência. Ele, a dada altura, afirma mesmo que a situação em Portugal só mudará com um novo golpe. Felizmente que tem, apesar dos camaradas traidores de braço dado com a velhacaria política, outros que o apoiam e não o abandonaram.

 

Peço desculpa se a macei com um email tão longo. Continue a contar comigo. A palavra é uma arma!!!!

 

Idalete Giga

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:55

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Sexta-feira, 18 de Janeiro de 2019

«RETRATO DE PORTUGAL, POR GUERRA JUNQUEIRO HÁ MAIS DE 120 ANOS…»

 

… mas de uma espantosa actualidade, o que significa que, em 123 anos, Portugal manteve-se quase estagnado, no que que respeita à evolução de mentalidade.

 

Um fabuloso texto, numa escrita portuguesa escorreitíssima.

 

Qualquer semelhança com a actualidade portuguesa (2019) não é mera coincidência, é a realidade mais pura, mais dura, mais vergonhosamente vigente...

 

JUNQUEIRO.png

 

 

«Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta. [...]



Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira a falsificação, da violência ao roubo, donde provem que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro.



Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País.



A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.


Dois partidos
(***) sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar.



Guerra Junqueiro, in 'Pátria' (1896)»

 

Fonte:

https://portugalglorioso.blogspot.com/2014/04/historia-de-ontem.html

 

(***) Leia-se (à luz da actualidade) PS e PSD (PSD/CDS) que, alternadamente, se  mantêm no Poder, mantendo Portugal em banho-maria, e o povo, entorpecido com as mentiras que lhe  são contadas com um ar tão sério, tão sério que até passam por verdades.

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:24

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