Segunda-feira, 2 de Outubro de 2017

AUTÁRQUICAS 2017

 

A Democracia só funciona em pleno, num país em que o povo é maioritariamente instruído, esclarecido e imbuído de espírito crítico.

Não sendo assim, a democracia será uma democracia manca.

E obviamente que é essa democracia manca que predomina em Portugal.

 

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Os órgãos de comunicação social mais visíveis (as televisões) atulharam-nos com os resultados de Lisboa (cujo candidato PS perdeu a maioria); do Porto (cujo candidato independente ganhou a maioria); de Oeiras (a maior demonstração da falta de espírito crítico do povo); e Coimbra (cujo candidato PS ganhou sem maioria).

 

Depois era só falar da vitória do PS, com os melhores resultados de sempre; da derrota do PSD, a nível nacional; no bom resultado do CSD/PP em Lisboa; da perda de mandatos da CDU para o PS; do Bloco de Esquerda que consegue um deputado para a CM de Lisboa e mais alguns, por aí… mas não consegue a Câmara de Salvaterra de Magos, e ainda bem, pois assim temos menos uma aficionada de touradas (sem que o BE, que se diz anti-tourada, se importasse com isso) no poder; dos independentes que se destacaram nestas eleições; e do PAN? Ninguém dizia nada. Era como se não existisse.

 

No entanto, pela primeira vez, o PAN quintuplicou os seus resultados, conseguindo 26 deputados municipais e uma freguesia, tendo chegado a ficar acima do CDS/PP em vários concelhos, mas para sabermos disto, tivemos de andar a procurar informação.

 

E isto é muito significativo. Significa que a mosca continua a incomodar o elefante. E o elefante não gosta. E como não gosta passa a palavra: é proibido falar no PAN ::: Pessoas-Animais-Natureza nas televisões. E as televisões obedecem... servilmente...

 

Bem… safou-se Cascais, que rejeitou a aficionada de touradas do Partido Socialista, Gabriela Canavilhas;

 

Safou-se a Golegã, do candidato PSD, grosseirão e também aficionado assumido da selvajaria tauromáquica;

 

Em Viana do Castelo um candidato tauricida levou um grande banho de água gelada;

 

Em Ponte de Lima foi mais do mesmo, nem eram necessárias eleições, CDS/PP levou a melhor, mas não haverá mal que sempre dure…

 

Nos restantes municípios, onde o atraso civilizacional é evidente, onde ainda existe a ultrapassada prática medievalesca da diversão assente no sofrimento animal, a saber: Lisboa, Albufeira, Moita, Seixal, Vila Franca de Xira, Póvoa de Varzim, Montijo, Leiria, enfim, nestes lugares obscurantistas o PAN será a mosca que incomodará os elefantes.

 

A abstenção foi enorme, 45,5%; os votos nulos, 1,9%, e os brancos 2,6, e isto tudo somado dá 50%.

 

Assim sendo, metade dos eleitores portugueses não disse de sua justiça. Azar o deles. Agora não têm autoridade nenhuma para protestarem sobre o rumo que o país vai levar, se esse rumo não lhes agradar. Terão de aceitar servilmente o que lhes impingirem.

 

Sei que as leis estão feitas assim. Mas fazendo bem as contas, somando e tirando percentagens dos 50% que votaram, é tudo tão insignificante…!

 

Resumindo: num país em que o povo é maioritariamente desinstruído (temos a mais alta taxa de analfabetismo da União Europeia), é desiluminado e não tem o mínimo espírito crítico, para saber distinguir o trigo do joio, e não acreditar nos mentirosos, ainda não é desta que o nosso país dará um passo em direcção à evolução.

 

Continuará mais ou menos tudo na mesma, com tendência para piorar, uma vez que PS, PSD, CDS/PP  e CDU tirando um ou outro detalhe, tocam sambinhas de uma nota só. 

 

Contudo, espero com muita fé e esperança que eu esteja redondamente enganada.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:23

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Sábado, 2 de Setembro de 2017

PODEMOS CONFIAR NA IGAC (INSPECÇÃO-GERAL DAS ACTIVIDADES CULTURAIS) DE PONTE DE LIMA?

 

No que me diz respeito, não confio em nenhuma autoridade, em nenhuns inspectores e directores, disto e mais daquilo, não confio nos governantes, nem na justiça, nem nos políticos, nem na política, nem em coisa nenhuma que se refira a estas áreas…

 

É triste, quando assim é. Fazemos denúncias graves de atropelos à lei, à ordem e à racionalidade, e, ou recebemos respostas chapa 5, de que tudo está bem, tudo vai bem, ou um silencio agressivo, que grita que tudo vai mal no reino de Portugal.

 

Analisemos esta situação:

 

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Neste cartaz, que anuncia uma tourada em Ponte de Lima, não se vê, no rodapé, porque as letrinhas são demasiado pequenas, o que se conseguiu ampliar e está marcado a vermelho.

 

Quem dirige esta tourada é um delegado da IGAC.

 

Da Inspecção-Geral das Actividades Culturais??????

 

Essa mesmo.

 

Depois, diz-se que o “espectáculo”, ou seja, o evento selvático, está INTERDITO a menores de 3 anos.

 

Depois, vem uma nota a dizer que as classificações etárias são um mero ACONSELHAMENTO, porque um adulto que queira levar crianças de qualquer idade para dentro do antro, pode entrar, independentemente de saber que este tipo de actividade selvática, a que chamam “espectáculo”, conforme também se indica nesta nota de rodapé, pode ferir a susceptibilidade dos espectadores.

 

Ora se tal “coisa” pode ferir a susceptibilidade dos espectadores adultos, não ferirá com muita mais facilidade a candura própria da infância? De crianças que são OBRIGADAS a assistir a esta VIOLÊNCIA, ao vivo e a cores, nem que seja à bofetada?

 

Onde está a coerência disto tudo? Onde se vislumbra um pingo de racionalidade nisto tudo?

 

O que pretende a IGAC ou a Protecção de Crianças?

 

Fazer de conta que são autoridades?

 

Mais vale acabar com estes organismos-fantasmas, que só servem para esbanjar dinheiros públicos, porque, de resto, não servem para absolutamente nada.

 

Pobres crianças, nascidas nestes antros de crueldade, de violência, de brutalidade! Que não têm outra opção senão acompanharem, à força, os progenitores (nem posso chamar-lhes Pais, porque os Pais querem o melhor dos mundos para os filhos) que não os protegem desta violência, desta crueldade, desta brutalidade.

 

Se perguntarem às crianças se elas gostam de ver os animais sofrerem, elas gritarão um grande NÃO!!!!

 

As crianças não são estúpidas. As crianças, que vivem neste meio da selvajaria tauromáquica, são infelizes. Educam-nas, para serem os sádicos do futuro.

 

E isto é um crime de lesa-infância.

 

Adianta alguma coisa denunciar isto às autoridades?????

 

A resposta também é um grande NÃO!!!

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 19:41

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Sexta-feira, 1 de Setembro de 2017

FESTAS EM HONRA DE SANTOS DESACREDITAM A IGREJA CATÓLICA E A HUMANIDADE

 

É inconcebível que a igreja católica portuguesa seja cúmplice de tanta barbárie para celebrar os seus Santos!

 

Não é desse modo que angariam “crentes” para sustentarem as paróquias. Cada vez mais, os que nasceram católicos afastam-se da Igreja, por não se reverem nestes rituais bárbaros, medievalescos, grotescos, cruéis, violentos, nada condizentes com os ensinamentos de Jesus Cristo.

 

Repudio a hipocrisia dessa igreja que não segue os preceitos cristãos.

 

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Os da Barosa chamam-lhe FESTA RELIGIOSA… em honra de São Mateus, e sacrificam garraios.

 

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Em Seia, mata-se um galo à paulada, nas festas consagradas a Deus…

 

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 Na Ilha Terceira (Açores) praticam-se barbaridades em honra de São João

 

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 Em São João da Pesqueira sacrificam-se Touros em nome de Nossa Senhora do Monte

 

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 Em Ponte de Lima o Corpo de Deus é celebrado com a abominável “vaca das cordas”…

 

Bem… isto é apenas uma amostra da monstruosidade que a igreja católica portuguesa consente em nome de Santos católicos, como se os Santos católicos alguma vez aplaudissem a tortura de uma ser vivo, que também é de Deus.

 

O decreto de proibição das touradas mais antigo de que se tem conhecimento é a bula do Papa Pio V, “De Salute Gregis Dominici”, datada de 1 de Novembro de 1567, mas ainda em vigor, e que dizia o seguinte:

 

«(…) Nós, considerando que estes espectáculos que incluem touros e feras no circo ou na praça pública não têm nada a ver com a piedade e a caridade cristã, e querendo abolir estes vergonhosos e sangrentos espectáculos, não de homens, mas do demónio, e tendo em conta a salvação das almas, na medida das nossas possibilidades, com a ajuda de Deus, proibimos terminantemente por esta nossa constituição (…) a celebração destes espectáculos (…)».

 

Tanto quanto sabemos, esta bula só foi acatada em Itália.

 

Isto foi o que disse o Papa Pio V, mas não é o que a Igreja segue. E a Igreja não seguindo, cala-se, num consentimento que, de tão silencioso, nos agride, como se gritasse: DOU-VOS A LIBERDADE DE SEREM IMPIEDOSOS PARA COM OS ANIMAIS!

 

A tortura de Touros e Cavalos tem-se realizado sob a égide de uma igreja que não respeita minimamente os preceitos de Deus.

 

A ideia de que o Touro era um ser diabólico, e como tal devia ser torturado, pertence a mitos antigos, quando imperava uma ignorância da mais profunda, e queimavam-se bruxas…

 

Hoje sabemos que o Touro é apenas um bovino, e as bruxas não existem. Em pleno século XXI da era cristã, já não se justifica queimar bruxas e torturar Touros para exorcizar demónios, que, a existirem, estão personificados nos carrascos das criaturas de Deus.

 

Está mais do que na hora de enterrar esta mentalidade medievalesca e dar o salto para o século XXI da era cristã.

 

Isabel A. Ferreira

 

Sugiro a leitura deste texto onde se aborda este tema mais esmiuçadamente.

A IGREJA CATÓLICA E A TOURADA

http://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/201627.html

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 10:32

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Sexta-feira, 14 de Outubro de 2016

AÇORES, TERCEIRA E TOUROS À CORDA

 

Um texto DI...VI...NO... 

Uma realidade triste e boçal, do nosso triste e boçal país... muito bem observada...

 

Vale a pena ler. 

 

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Texto de Teresa Botelho

 

Eis o maior divertimento, digno da região com o menor grau de escolaridade do país, (último senso do INE) e que é a marca da ignorância e selvajaria a que alguns chamam "cultura e tradição"!

 

Correr à frente de um animal em stress e num grau de esgotamento que o faz cair e ferir-se, entre os aplausos de uma multidão cujos interesses verdadeiramente culturais se resumem a zero, é sem sombra de dúvidas a vergonha de um pobre país subdesenvolvido, para quem a educação não tem sido prioridade nem interesse.

 

Se o desejo de mostrar aos turistas, como se diverte um povo, quem vem de fora e por acidente assiste a isto, não se surpreenderá muito pela performance do touro, mas sim pela imagem degradante da plateia obesa, do mulherio desleixado e mal amado, das crianças pequenas penduradas nos muros e cujo abandono escolar é o pão nosso de cada dia, da estúpida alegria dos pés rapados que se exibem em trejeitos imitando coragem, dos ventres oscilantes e avantajados pelo excesso de bebida e da miséria que se repercute na mais baixa esperança de vida desta terra europeia, cujo progresso parou no tempo e no dia a dia à toa dos seus habitantes e onde a taxa de suicídios entre os jovens é das mais altas do país, o que reflecte uma insularidade amorfa e sem horizontes à vista.

 

Estas "proezas" com touros à corda, são apreciadas nas zonas menos alfabetizadas e esquecidas, também no continente, como por exemplo em Ponte de Lima.

 

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O divertimento desses seres que na presença de um animal indefeso e desorientado, se transformam em trogloditas, embora fortemente contestado pelos conterrâneos mais informados e evoluídos, não encontra o devido eco junto dos poderes locais, a quem estes festejos convêm e até financiam, para que a maioria dos seus brutalizados munícipes, tenham o seu escape de violência gratuita e não a devida lucidez de os contestem nas eleições.

 

Com rios de álcool e comerciantes contentes, vão-se encontrando Santos para dar o nome a "tradições", ressuscitadas das épocas mais remotas do obscurantismo, com padres exímios na manipulação da ignorância dos seus "rebanhos" iletrados, mas sempre alinhados ao poder, no doentio saudosismo da Inquisição, do Estado Novo e da caça às bruxas.

 

Assim se vê um país, lá do alto da pirâmide da verdadeira cultura e assim se marcha, na falência de princípios, de valores e deveres para que a todos sejam dadas as mesmas oportunidades, a educação e a cultura a que têm direito e a vida que merecem, mas que pacificamente ainda ignoram...  

 

Fonte Blogue Retalhos de Outono

https://retalhosdeoutono.blogspot.pt/2016/10/acores-terceira-e-touros-corda.html?showComment=1476455629495#c1150832912222114532

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:08

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Quinta-feira, 21 de Julho de 2016

NA PÓVOA DE VARZIM: TOURADA E CIRCO COM ANIMAIS SELVAGENS A “ESTREAR” AMANHÃ

 

Para quem disse há pouco tempo (o próprio presidente da Câmara Municipal, Aires Pereira) que a Póvoa de Varzim iria ter uma outra postura para com os animais, isto deixa muito a desejar… O que seria se não tivesse… Isto dito antes de um campeonato de tiro aos Pombos…

 

É um fartote de maus-tratos a animais de várias espécies, na Póvoa de Varzim. Só no circo do Cardinali são Cavalos, são Leões, são Elefantes (estes até andaram a tomar banho no rio, em Ponte de Lima…)

 

CIRCO E TOURADA.png

 

E A RTP CONTINUA MEDÍOCRE, PEQUENA E CRUENTA

 

e vai transmitir em directo a tortura de belíssimos, inocentes, inofensivos, sencientes e indefesos Touros, tudo em nome do sadismo e dos €€€€€€€€€€€€€€€€€ que se embolsa…

 

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ENTRETANTO ...ESTÁ PROGRAMA UMA MANIFESTAÇÃO PARA AMANHÃ EM DEFESA DOS QUE NÃO TÊM VOZ PARA GRITAREM O SEU SOFRIMENTO

 

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publicado por Isabel A. Ferreira às 18:05

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Terça-feira, 31 de Maio de 2016

SABIAM QUE IR A PONTE DE LIMA VER A “VACA DAS CORDAS” É COMO IR A FÁTIMA NO 13 DE MAIO?

 

Eu também não sabia, mas é o que diz um tal Nuno, num comentário que fez ao texto que escrevi sobre esta matéria.

 

E já viram uma vaca a comer uma pessoa, num momento de aflição?

Eu também nunca vi, mas o Nuno diz que sim.

 

Fiquei entre o rir e o chorar.

 

Mas é isto mesmo que os autarcas limianos, de mãos dadas com a igreja católica, passam a um povo já de si bastante rude, e que as autoridades fazem questão de manter ainda mais rude, para daí poderem tirar dividendos a abeirar o macabro.

 

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Eis o comentário:

Comentário no post HOJE É DIA DE PONTE DE LIMA MOSTRAR AO MUNDO O SEU ATRASO CIVILIZACIONAL COM A “VACA DAS CORDAS”

 

Acho uma falta de respeito tanto pela crônica como pelos comentários. Uma tradição é e será sempre uma tradição. É como ir a Fátima no 13 de Maio. E já que falam de coitadinhos dos animais, vocês comem o que? Bifes do supermercado? Então é isso vem de onde da prateleira? É lá que cresce? Acordem, porque se os animais tiverem aflitos é que nos comem a nós. Querem criticar critiquem, mas venham ver e sentir com o povo primeiro.

 

Nuno a 26 de Maio 2016, 23:14

 

(Um comentário sem comentário)

 

***

A propósito da triste e inqualificável prática medieval que, anualmente, acontece em Ponte de Lima

 

José Costa, natural de Viana do Castelo, publicou na sua página do Facebook um pequeno painel cerâmico criado e executado por uma turma do 2º Ciclo, em aulas de E.V.T. (Educação Visual e Tecnológica) de uma Escola pública, onde (sabe ele, e sabemos todos nós), há Educação para a Cidadania e valores.

 

Sobre este painel, como em qualquer outra unidade de trabalho, houve uma pesquisa feita pelos ditos alunos, conversa na aula sobre o tema e depois cada um, criou o seu desenho, ao fim foi eleito um deles e realizado em cerâmica por quatro alunas também eleitas para o efeito. Há doze anos, a Escola, conserva-o louvavelmente, em uma das suas paredes.

 

PAINEL.jpg

Origem da imagem:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10209347743792618&set=a.2134556285511.277242.1294192848&type=3&theater

 

Este painel diz o seguinte:

 

A SOCIEDADE QUE SE DIVERTE COM O SOFRIMENTO NÃO É CIVILIZADA.

 

Não é.

 

E os limianos adultos, responsáveis pelo terrível sofrimento em que mantém um bovino, durante dois dias, para ser torturado nas ruas, e depois morto cruelmente para ser comido, que exemplo de CIVISMO e VALORES HUMANOS dão às crianças?

 

***

FOI ISTO A “VACA DAS CORDAS” EM PONTE DE LIMA EM PLENO ANO DE 2016 DA ERA CRISTÃ

 

 

Repare-se na extrema crueldade que é arrastar um ser SENCIENTE pelas ruas, com uma turba a gritar histericamente.

 

O que se vê neste vídeo é a maior prova do atraso civilizacional em que vive mergulhada a velha vila de Ponte de Lima, cujos autarcas apoiam este costume primitivo e cruel, apenas por motivos €€conómico€€.

 

E assim se mantém um povinho inculto e bronco, com o apoio da igreja católica portuguesa, porque o objectivo desta crueldade é CELEBRAR o dia do CORPO DE DEUS.

 

Depois não gostam que se chame a esta turba ébria de INCULTA, e se culpem os autarcas e igreja católica da preservação desta incultura e mau exemplo para as crianças.

 

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:37

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Segunda-feira, 30 de Maio de 2016

COMENTÁRIO CURIOSO ACERCA DA “VACA DAS CORDAS” EM PONTE LIMA

 

Não sei se é de um limiano, ou se é culto ou inculto. Nem sequer sei o seu nome. E também não fiquei certa se aplaude ou abomina a existência desta prática abrutalhada e medieval, ainda permitida em pleno século XXI da era cristã.

 

Só sei que um desconhecido me enviou o comentário que passarei a transcrever, sem os palavrões que introduziu no texto (que substituirei por reticências), mas que, apesar disso, diz a verdade exacta sobre esta miséria moral, cultural e social que os autarcas limianos promovem, por meros interesses €conómico€€€€€€€

 

VACA DAS CORDAS.jpg

Veja-se a expressão angustiante deste bovino que, sem saber como nem porquê, é retirado do seu habitat natural, metido num local escuro até há hora do tormento, depois é embolado, amarrado a cordas e banhado a vinho, rodeado de uma turba ébria a gritar histericamente, e depois arrastado pelas ruas, sempre com a turba aos gritos, e se isto não configura um maltrato animal, bater na mãe é coisa normal.

 

Eis o comentário:

 

«Gente que defende esta (…), não tem a mínima noção da realidade. Não estamos na era das cavernas e os cérebros servem para alguma coisa, não é só para passear a areia que têm aí dentro.

 

Usar um animal para esta tradição retrógrada é mesmo de quem não evoluiu no tempo. Falam de democracia e apoiam esta criminalidade.

Gostavam que pegassem em vocês e fizessem o mesmo?

 

Eu adorava, sinceramente.

 

Ponte de Lima de bonito só mesmo a paisagem. Sejam mas é a vila mais antiga e mais moderna ao mesmo tempo. Sim porque modernidade não é só tecnologia, a mentalidade devia acompanhar da mesma forma mas existem calhaus andantes como vocês e a (…) da igreja e do capitalismo.

 

Esses (…) a quem chama padres andam aí a mamar das vossas esmolinhas para ter (…) em casa. É mesmo assim sem dó nem piedade. Toda a gente tem o direito de acreditar no que quiser mas a igreja merus caros, roubam-vos tão sorrateiramente que vocês nem se apercebem, e o pior é nem sequer pensarem por vocês próprios e perceberem isso.

 

Tenho pena que uma vila tão bonita continue com esta aberração a quem chama vaca das cordas e que os seus habitantes e quem vai de propósito assistir a esta palhaçada tenham uma mente tão primitiva. Respeitem os animais que também são um ser vivo como vocês. Ah, e já agora quem é contra esta (…) espero que não tenham nenhum animal nas suas refeições e assim o argumento é válido.»

 

***

Este foi o comentário curioso… Muito curioso… e um tanto misterioso…

 

Acrescentarei apenas que o argumento é válido, será sempre válido, não por não se ter, (podendo até ter) animais nas refeições de quem os defende, mas porque não é da Ética, da Moral, da Cultura Culta, da Civilização, da Evolução torturar, deste modo ignóbil, um animal, para depois matá-lo e comê-lo abrutalhadamente.

 

Nem sequer os animais carnívoros que vivem na selva o fazem. Eles não são cruéis para com as suas presas, nem se divertem a torturá-las antes de as comer. O bote é certeiro e a morte, instantânea.

 

Nenhum defensor dos animais, ainda que coma carne (o que não é o meu caso), jamais os tortura, os humilha, os maltrata do modo ignóbil que os defensores da selvajaria tauromáquica o fazem, para depois comê-los.

A diferença entre uns e outros é abismal.

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 19:46

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Sexta-feira, 27 de Maio de 2016

CAÇADOR (MAIS UM) MATA PAIS E AVÓ A TIRO DE CAÇADEIRA EM MONTEMOR-O-VELHO…

 

… e depois suicida-se…

 

Estes episódios repetem-se frequentemente, tão frequentemente que nos leva a reflectir sobre o “carácter” destes crimes.

 

Os caçadores são indivíduos com instintos assassinos. Se não o fossem, não se embrenhavam nos matos, para matarem cobardemente, por diversão, animais inocentes, indefesos e inofensivos, que são surpreendidos e mortos no seu habitat natural, assim… sem mais nem menos…

 

CAÇADEIRA.jpg

(Origem da foto - «Pai atinge filho com tiro de caçadeira em Ponte de Lima»

https://www.google.pt/search?q=ca%C3%A7adeira&biw=1240&bih=915&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwjQkI_ppPrMAhWQmhQKHd8EBRgQ_AUIBigB#imgrc=OIg-JxpQJLU5SM%3A

 

A caça justificou-se nos primórdios do mundo, quando a “humanidade” dava os seus primeiros passos.

 

O homem primitivo teve necessidade de caçar, como qualquer dos outros animais que com ele partilhavam (e ainda partilham) o planeta Terra, para subsistir.

 

Mas à medida que foi evoluindo, e ao tornar-se agricultor, a caça deixou de ser uma actividade básica do homem.

 

Contudo, depois disso, uma parte dessa humanidade não conseguiu evoluir, e não evoluindo, os instintos primitivos que obrigavam o homem a matar outros animais (mas a matar sem crueldade, como desde sempre o fizeram todos os animais ditos irracionais e carnívoros) permaneceram quase imutáveis, e ainda hoje vemos tribos caçadoras, muito primitivas, que ainda caçam para subsistirem, na selva, onde a civilização ainda não entrou.

 

Porém, uma parte, dessa parte da humanidade não evoluída, desenvolveu esses instintos assassinos, e fez da caça um desporto, matando pelo simples prazer de matar. Algo que sempre esteve ligado à realeza, às classes mais altas, por ser “chique” ir à caça…e que depois se estendeu à plebe.

 

E a partir daqui é que estas histórias trágicas de assassinatos a tiro de caçadeiras começaram a expandir-se.

 

Quando o instinto assassino lateja nas entranhas de um indivíduo, qualquer pretexto, qualquer contrariedade leva o caçador a matar. E não lhe interessa qual seja o animal. Será o que estiver mais à mão: humano ou não humano.

 

Os mais desesperados suicidam-se depois. Os mais cobardes fogem ou deixam-se apanhar, tendo de arcar com a consequência dos seus actos. Mas nada aprendem.

 

Ora este instinto assassino teria tendência a dissolver-se, caso não fosse a caça uma modalidade desportiva, disfarçada de “necessária para o ecossistema”. Caso os lobbies dos caçadores e o da venda de armas não fossem poderosos e incentivadores deste instinto assassino. Caso os governantes tivessem a coragem de legislar a favor da evolução, da civilização e da cultura culta.

 

Enquanto não houver consciência, bom senso, responsabilidade e sensibilidade para as questões da Ética Animal, esses crimes continuarão a acontecer, pelas localidades mais atrasadas civilizacionalmente, onde uma boa fatia do povo ainda vive num estádio ainda muito primitivo. Mas não só.

 

Nem de propósito, ontem estive a ler uma entrevista de Sophia de Mello Breyner ao Jornal de Letras, nº 468, de 25 de Junho de 1991, e a alturas tantas o José Carlos de Vasconcelos (o entrevistador e director do jornal) afirmou:

 

- O seu pai estava ligado à alta burguesia do Porto.

 

Ao que Sophia respondeu:

 

- Mas era uma pessoa muito original. O que gostava era de caçar, da natureza, dos jardins e dos cães.

 

Agora entendo porque Miguel Sousa Tavares, filho de Sophia e neto do caçador que fazia parte da alta burguesia do Porto, diz o que diz e é o que é em relação à sua apetência por touradas, e à sua aversão pelos animais não humanos.

 

Alguém que gosta da caça, mas também da natureza, de jardins e de cães, não pode ser original. Será outra coisa, será tudo, menos original.

 

Alguém que goste de caçar, não pode gostar da Natureza, da qual os animais caçados fazem parte. Alguém que goste de caçar não tem a noção do ser cósmico. Alguém que goste de caçar está reduzido a uma dimensão meramente terrena, ainda pouco evoluída, pertença à burguesia, à realeza ou à plebe.

 

Quem não respeita um animal não humano, não respeitará o animal humano, e muito menos respeitará a si próprio.

 

E então os títulos de matanças surgem como cogumelos em matas húmidas:

 

- Homem mata pais e avó a tiro de caçadeira (Montemor-o-Velho)

- Mata ex-militar a tiro de caçadeira (Vinhais)

- Pai atinge filho com tiro de caçadeira (Ponte de Lima)

- Desavença termina com dois tiros de caçadeira (Alcochete)

- Jovem de 18 anos baleado a tiro de caçadeira (Almancil)

- Foi provocado em casa e matou rival com tiro de caçadeira (Santiago do Cacém)

- Jovem morto a tiros de caçadeira (Ferreira do Alentejo)

- Tragédia com morte a tiros de caçadeira (Mafra)

- Mata mãe a tiro de caçadeira (Paderne)

 

Estes são apenas alguns dos inúmeros títulos que podemos encontrar numa busca, no Google. Reparem nos nomes das localidades onde estes crimes foram cometidos. Não vos dizem nada?

 

Até quando os caçadores e as suas caçadeiras vão andar por aí a matar animais humanos e não humanos, apenas porque o instinto de matar, seja quem for (coelho, raposa, perdiz, javali, cão, gato, pai, mãe, filho, irmão, avós, vizinho, mulher) fala mais alto do que qualquer outro instinto mais humano?

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:20

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Quarta-feira, 25 de Maio de 2016

HOJE É DIA DE PONTE DE LIMA MOSTRAR AO MUNDO O SEU ATRASO CIVILIZACIONAL COM A “VACA DAS CORDAS”

 

Hoje é dia dos limianos incultos (porque os há cultos) mostrarem ao mundo o seu monumental atraso civilizacional, com o aval da igreja católica portuguesa, ao celebrarem o Dia do Corpo de Deus, com uma prática, das mais estúpidas (porque as há mais cruéis) que existem no rol da selvajaria tauromáquica.


Deus não deve gostar que celebrem o seu CORPO deste modo tão vil. Eu, se fosse Deus, não gostaria.

 

Um bando de alcoólicos tortura um Touro que levou com uma garrafa de vinho na cabeça, AMARRADO a uma corda, pelas ruas da vila, constituindo a chacota do mundo civilizado.

 

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Um touro com 450 quilos de peso chegou terça-feira a Ponte de Lima, para servir de diversão a um bando de bêbados, numa prática medieval, primitiva e muito estúpida, a que chamam “Vaca das Cordas’, para celebrarem, com o aval da igreja católica, o Santo Corpo de Deus, como se Deus aceitasse tal oferta pagã e parva.

 

Segundo o presidente da associação “Amigos da Vaca das Cordas”, Aníbal Varela, que há 35 anos organiza este ritual do tempo das trevas, o Bovino veio de uma ganadaria de Montemor-o-Velho, no distrito de Coimbra, sabe-se lá em que condições, para depois servir de diversão aos bugres.

 

O ritual macabro da ‘Vaca das Cordas’ obriga a que o desafortunado Touro saia para a rua conduzido por cerca de dezena e meia de pessoas já bastante bebidas, preso por duas cordas, e com os cornos embolados, levado até à Igreja Matriz, onde é preso à janela de ferro da Torre dos Sinos, com este detalhe patético conforme o grosseiro costume local: sendo-lhe dado um banho de vinho tinto da região “lombo abaixo, para retemperar forças”, diz o Aníbal.

E o "lombo abaixo" significa quebrar-lhe a garrafa na cabeça.
Quanta boçalidade!

 

Depois, dá três voltas à igreja, sempre com percalços e muitos trambolhões à mistura dos populares que ousam enfrentá-lo, após o que é levado para o extenso areal da vila, dando lugar a peripécias, com corridas, sustos, nódoas negras e trambolhões e até pegas de caras amadoras, tudo muito regado a vinho, cerveja e outras bebidas que tais, num ritual bem à moda dos ignorantes medievais, que junta um povo muito primitivo, que sobrevive ao redor de Ponte de Lima, e tem nisto o ponto alto das suas vidas.

 

A igreja católica abençoa e os governantes apoiam, sem saberem o que fazem, e a má fama que trazem a Ponte de Lima, uma vila onde o atraso civilizacional sai à rua neste dia.

 

Misturado com esta selvajaria, onde um pobre animal indefeso é usado e abusado como se fosse uma marioneta, não se tendo em conta que é um SER VIVO, retirado do seu habitat natural, animal como todos os animais que o atormentam pelas ruas, e já madrugada dentro, nas ruas do Centro Histórico faz-se tapetes floridos, por onde irá passar a procissão do Corpo de Deus, num acto altamente sacrílego, que a igreja católica consente.

 

E nisto consiste esta diversão de criaturas que pararam no tempo, recusando-se determinantemente a evoluir.

 

Hoje, Ponte de Lima é o caixote de lixo dos bugres.

 

Fonte:

http://bomdia.eu/hoje-e-dia-de-vaca-das-cordas/

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:46

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Domingo, 1 de Maio de 2016

PONTE DE LIMA QUER HIPÓDROMO PARA MASSACRAR CAVALOS

 

Não basta a vaca das cordas para colocar o nome de Ponte de Lima no rol das localidades com um relevante atraso civilizacional?

 

Ao cuidado do PAN…

 

CAVALOS.jpg

Os Cavalos são seres magníficos, extremamente sensíveis, não nasceram para ser montados, e sofrem horrores quando os usam para tal

 

É inacreditável que ainda haja criaturas que acham (pois pensar não sabem) que os Cavalos nasceram para servir o “homem”!

 

O presidente da câmara de Ponte de Lima quer que o actual governo, liderado pelo PS, dê luz verde a um projecto iniciado pela anterior legislatura, que incluiu a legalização de apostas e a abertura de concursos para a construção de hipódromos pelo país.

 

Quando o resto do mundo se bate para acabar com as terríveis corridas de Cavalos, onde estes são sacrificados, maltratados barbaramente, por vezes até à morte, Ponte de Lima quer juntar à parvoíce da vaca das cordas a exploração de Cavalos para corridas, com apostas. Uma prática absolutamente selvática, como irei demonstrar.

 

Para todos aqueles que não sabem o que os cavalos SOFREM, aqui deixo um texto científico da autoria de Sônia T. Felipe ***, e se depois de o lerem continuarem a ignorar, é porque realmente têm o sadismo no seu ADN, e optam pela ignorância.

 

 

 

SE AMAM OS CAVALOS NÃO OS MONTEM

 

«Não existe montaria sem sofrimento para os Cavalos, quer o montador tenha consciência da agonia e tormento do Cavalo, seja bondoso, ou um psicopata que “ama" tanto o seu Cavalo a ponto de odiá-lo e chicoteá-lo quando não consegue fazê-lo entender o que quer.

 

O que importa é o que o corpo e o espírito do Cavalo sentem, quando há qualquer "disciplina", "domar", “quebra” e “castigo”. O Cavalo sempre sofre. A única forma de ele não sofrer é não ser montado nem encilhado. E, não sendo montado nem encilhado, não há desporto de qualquer tipo: bigas, troikas, corridas em plano raso, vaquejadas, rodeios, olimpíadas, polo, cavalhadas e tudo o que hoje existe, porque o Cavalo paga, com a sua dor e não raro com a sua vida, o gozo de quem o monta.

 

Quando leio e escrevo sobre a agonia dos Cavalos, concentro-me nos Cavalos. E faço-o, exactamente, porque quem os monta e lhes passa o freio (o ferro) sobre a língua nunca pensou nem entendeu nada de anatomia e fisiologia de Cavalos. Pode até ter tido muita aula prática de equitação, mas não teve luz alguma sobre o que se passa debaixo do seu traseiro, bem acomodado sobre o lombo de outro animal, tão ou mais sensível do que aquele que o monta.

 

Se eu escrever uma linha dizendo que há pessoas boazinhas com os Cavalos, todas, leia-se, todas as pessoas vão se concentrar nessa linha.

 

 

Mas só existe um tipo de pessoa boa para os Cavalos: a que não os monta. A que cuida deles e os deixa viver a seu modo, em paz, sem a agonia dos ferimentos invisíveis aos olhos dela e também de quem os monta.

 

E os Cavalos, na manhã seguinte, continuarão a ser montados, e a terem o ferro cruzando a sua língua, e a receberem chicotadas, a terem uma sela amarrada sobre o seu lombo para carregarem uma sedentária ou um sedentário, por horas a fio, sobre a sua coluna, sofrendo, no galope, cada golpe do peso de quem os monta e da sela que nunca é desenhada para respeitar a singularidade do corpo dos animais.

 

O Cavalo sofrerá tudo isso às mãos de quem se classificou como pertencendo ao grupo das que "amam" Cavalos.

 

Quem os ama não os monta.

 

Escrevo para o animal. É o meu dever. Quem não coloca freio nem cabresto, não coloca sela, não usa esporas, não usa chicote, quem controla o animal apenas se comunicando com ele, sem qualquer meio repressivo e doloroso (só os Nevzorov sabem fazer isso!), não precisa de se magoar com o que escrevo.

 

E quem faz tudo de mal ao Cavalo, em nome do "amor" que tem por ele, deve ir para um analista. Os Cavalos não são seres masoquistas. Se estão com um sádico montado no seu lombo, é porque o sádico é um psicopata, quer tenha consciência de si, quer não. Usou freio, rédeas, esporas e chicote, é sessão de sadismo puro. Mesmo que a pessoa não veja toda a dor que causa.

 

Há muita gente que "ama" o seu cão de estimação. Ama tanto que o condena à prisão perpétua e à solidão. Tranca-o no apartamento sozinho a semana toda, de manhã até à noite, para ter algo vivo à sua espera quando chega exausto do trabalho ou das noitadas. Isso não é amor. É escravização. É privação. É condenação.

 

E quem está sentado atrás da cabeça do Cavalo não vê a dor dele. E a dor que ele sente dentro da boca é indescritível. E a dor de uma úlcera também é indescritível. E a de uma pata lesada, idem. E a dor do pulmão, pelo esforço extraordinário de puxar uma carga morta ou levá-la sobre a coluna, idem.

 

E exactamente por serem indescritíveis todas as dores do Cavalo é que ele obedece. Porque o seu instinto evoluiu para não gritar de dor, pois, na natureza, o Cavalo, assim como a Vaca, não recebem ajuda de ninguém quando estão feridos. Pelo contrário, se gritarem de dor os predadores os elegem como alvo.

 

Então, o Cavalo estrebucha, mastiga o freio nervosamente, balança a cabeça de um lado para o outro, anda para trás, recusa-se a prosseguir, tudo isso porque está a sofrer de dores terríveis e ele não tem como avisar o peso morto que carrega sobre as suas costas. O peso morto que provoca toda essa dor ao Cavalo, sem a “sentir” no seu próprio corpo, porque o que o corpo do peso morto sente mesmo é prazer em estar lá em cima, fazendo o seu passeio ou praticando o seu “desporto” preferido.

 

O Cavalo prossegue, não porque tenha gostado da experiência ou do peso dos gordos ou dos magros, sentados sobre a sua coluna. Não. Ele obedece porque é um animal fisiológico. A sua existência é o seu sentir. E ele sente dores horríveis com tudo o que lhe fazem para que ele faça o que não tem interesse ou motivação natural alguma para fazer.

 

E, quando o Cavalo obedece, é porque tem memória viva de que uma dor ainda maior virá, caso não siga em frente: um puxão firme das rédeas, que lhe produz um choque no sistema dos nervos cranianos, ou uma chibatada sobre as carnes já inflamadas pelas chibatadas do dia anterior.

 

E, muitas vezes, não é somente na boca que a lesão se manifesta. É nas patas que estão inflamadas. É no lombo, pelo atrito do corpo da montaria raspando com a sela as partes da carne do animal, a cada passo, a cada galope. É no estômago. É no pulmão.

 

Até ao ano de 2008, Alexander Nevzorov, da Nevzorov Haute École, ainda montava cinco minutos por dia, podendo chegar aos quinze, excepcionalmente. Porém, desde 2008, montar a cavalo foi definitivamente abolido das suas práticas.

 

E Alexander explica porquê:

 

«O ano de 2008 foi um ponto de viragem na história da Escola. Este foi o ano em que nós rejeitámos totalmente montar a cavalo. O Cavalo não se destina para montar, nem sequer ao menor grau. Não fisiologicamente, não anatomicamente, não psicologicamente. Eu precisei de muito tempo para chegar a esta compreensão, que se baseia não só nos meus sentimentos, mas em primeiro lugar a partir dos resultados de umas longa investigação. Entendo que seja difícil aceitar este facto. Mas a capacidade de abandonar as cavalgadas é a garantia de um verdadeiro e sublime relacionamento com o Cavalo. Hoje a equitação é um ponto de viragem na nossa história. Agora compreendemos e trazemos ao mundo uma outra beleza - a beleza de um diálogo com o Cavalo visto como um igual» - in «The Horse Crucified and Risen» («O Cavalo Crucificado e Ressuscitado»), 2011, p. 223.

 

Porquê? Porque as entranhas dos Cavalos ficam inflamados. Lydia Nevzorova é fisiologista. Ela faz exames de termografia computadorizada nos Cavalos e, pelas imagens coloridas, detecta cada área do corpo inflamada e o grau dessa inflamação. Esse exame é muito caro. Só os Cavalos com donos ricos são examinados para a detecção das áreas de inflamação. E o são apenas quando começam os fracassos nas competições, quando eles não têm mais forças psicológicas para obedecer, apesar da dor dos puxões das rédeas na sua face e boca, ou das chicotadas e esporadas. Quando, apesar de toda essa dor, ainda assim o animal não mais obedece, e se o "dono" é rico, então leva-o para fazer o exame termográfico computadorizado. E o que Lydia Nevzorova encontra é um corpo inflamado da boca às patas, quando não ao ânus (no caso de choques eléctricos).

 

As fotos são chocantes. Na foto de um Cavalo sem inflamação alguma, a de um não usado para montaria, a imagem do corpo todo aparece em azul, sem manchas luminosas. Os animais montados e lesados nas patas, nos tendões, na nuca, no dorso, nos flancos, aparecem com as lesões todas em cores de ondas longas, mais vivas, evidenciando as lesões invisíveis a olho nu. E esses ferimentos internos estão presentes todos os dias em que o animal é montado, e quem o monta não vê. Todos os dias. E cego pela sua obsessão à equitação, o equitador nada vê.

 

É um tormento ter o corpo todo inflamado. E ser usado todos os dias para dar a um “humano” prazeres que só existem à custa dessa dor. E a maldade não é minha, nem do Cavalo. E tudo isso sempre foi guardado como segredo, a sete chaves, para que ninguém pudesse abrir os olhos e ver o mal que está a fazer, quando monta um Cavalo. Não está só a montar o animal. Está, literalmente, a levá-lo para uma sessão de tortura.

 

Sônia Teresinha Felipe

 

(Texto adaptado para Língua Portuguesa)

 

*** Sônia Teresinha Felipe é doutora em Filosofia Moral e Teoria Política, pela Universidade de Konstanz, Alemanha; professora da graduação e pós-graduação em Filosofia, e do doutorado interdisciplinar em Ciências Humanas da Universidade Federal de Santa Catarina (Brasil); orienta dissertações e teses nas áreas de Teorias da Justiça, Ética Animal e Ética Ambiental; é pesquisadora permanente do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa, Membro do Bioethics Institute, da Fundação Luso-americana para o Desenvolvimento, e é autora de «Ética e Experimentação Animal: Fundamentos Abolicionistas», Edufsc, 2007, e, «Por uma Questão de Princípios», Boiteux, 2003.

 

Fonte:

https://www.facebook.com/permalink.php?story_fbid=10205175596651099&id=1280753559&fref=nf

CEGO.jpg

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:25

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