Quinta-feira, 21 de Maio de 2020

… No entanto, mantenho a esperança de que a mudança surja na próxima curva da estrada...

 

Tal como um Dom Quixote há muito que também eu luto contra o Medo, contra a Injustiça e contra a Ignorância… muitas vezes com êxito, outras, nem por isso.

 

Em 2016, escrevi o texto que aqui hoje reproduzo, porque já naquele tempo eu pressentia um mundo a vir, povoado por algo que não podia ainda imaginar.

 

Hoje, que o mundo anda virado do avesso, devido a uma essência invisível, mais poderosa do que o mais poderoso dos homens, repito essas palavras, escritas com desalento, mas mantendo a esperança de que a mudança surja na próxima curva da estrada

 

Foi nessa esperança que Dom Quixote assentou toda a exuberância da sua saga…

 

Dom Quixote.jpg

 

É com profundo descrédito no bom senso, na inteligência e no poder de discernimento dos homens que entro no ano de 2016 [leia-se 2020].

 

… No entanto, mantenho a esperança de que a mudança surja na próxima curva da estrada…

 

Bem gostaria de aqui deixar uma mensagem optimista dos tempos que estão para vir, mas as notícias que nos chegam do mundo não são as mais propícias.

 

Quanto mais a Humanidade avança no tempo, mais retrocede o poder de raciocínio do homem, mais irracional ele se torna e, por este andar, não tarda, regressaremos ao tempo das trevas, ou talvez ao fim de uma era.

 

Até há alguns anos, à partida, para mim, todos os homens eram bons, até demonstrarem o contrário. Hoje, o meu pensamento mudou: tantas foram as decepções, tantos foram os desaires!...

 

Hoje, à partida, para mim, todos os homens são maus, até demonstrarem o contrário. E esta mudança, bastante radical, confesso, começou a operar-se depois que entrei neste mundo imundo que aqui vou denunciando, quando fui penetrando a fundo nos problemas políticos, melhor dizendo, nos desajustes dos políticos que estão na base de todos (ou quase todos) os desequilíbrios sociais, económicos, morais, culturais e até religiosos de toda a sociedade humana.

 

O avanço tecnológico, mal orientado e mal aproveitado, tem levado a Humanidade ao caos. Os valores humanos estão a diluir-se, e o homem está a transformar-se num ser vazio e irracional.

 

Já não há respeito pela vida, não há respeito pelos outros animais, mão há respeito pelo Ambiente, não há respeito por absolutamente nada, porque o homem deixou de se respeitar a si próprio, e este é o pior dos desrespeitos, é o começo da desestruturação do ser, que leva à desintegração de toda a sociedade.

 

E aqueles que, agarrados a um fiozinho da racionalidade que ainda se vislumbra algures, entre as ruínas do mundo, parece que perdem o seu tempo, tentando abrir os olhos e os ouvidos daqueles que há muito deixaram de ver e ouvir, não por motivo de alguma doença súbita, mas levados por um egoísmo desmedido que os lançou na ignorância, ao ponto de se ignorarem a si próprios.

 

Chico Mendes.jpg

(Origem da imagem)

http://semeadoresdadiscordia.blogspot.pt/2008/01/chico-mendes.html

 

Recordo, hoje, aqui e agora, Chico Mendes, um seringueiro, sindicalista, activista político e ecologista brasileiro, assassinado nas vésperas do Natal de 1988, apenas porque compreendia as árvores, acarinhava a água e respeitava as flores, ao ponto de não querer flores no seu enterro, pois sabia que as iam arrancar da floresta…

 

Chico Mendes era um ambientalista, que apenas pretendia defender a Amazónia, pretendia defender a vida do nosso Planeta, e os tais ignorantes assassinaram-no.

 

Por todo o mundo, em pleno século XXI depois de Cristo, ouvimos falar de guerras, de um terrorismo com consequências incalculáveis, porque os governantes endoideceram, e o povo endoideceu com eles, e não há nada nem ninguém que faça parar esta loucura.

 

Na Rússia e nos EUA passa-se fome. Em países da dita civilizada Europa vegeta-se e morre-se. Na África, milhares de pessoas estão condenadas. Nos países ricos esbanjam-se bens, esbanja-se dinheiro e esbanjam-se vidas.

 

Um desequilíbrio cósmico instalou-se no nosso Planeta, e mais perigosamente no íntimo dos homens, e a poluição do meio ambiente aliou-se a uma poluição mental, que está a conduzir o mundo para o abismo.

 

Num destes dias, em conversa com uns amigos, chamaram-me a atenção para a visão pessimista que eu tenho em relação à sociedade, aos políticos, aos governantes…

 

É verdade!

Mas que motivos terei eu para ser optimista?

 

… No entanto, mantenho a esperança de que a mudança surja na próxima curva da estrada…

 

Podem chamar-me de desatinada, quando me vêem sorrir para as flores, mas é que eu entendo a linguagem das flores…

Podem chamar-me de desatinada quando canto ao desafio com os pássaros, mas eu sei de cor todas as canções que os pássaros cantam, sem pauta, sem métrica, mas com muita harmonia…!

 

Podem chamar-me de desatinada, quando me encontram a acarinhar um Lobo, mas eu tenho alma de Lobo, sei das emoções dos meus irmãos animais…

 

Podem chamar-me de desatinada quando me quedo a escutar o silêncio, mas podem crer que o som do silêncio é extasiante, é o mais eloquente som da Natureza.

 

Não me perguntem como, nem por que tenho a percepção deste meu mundo feito de coisas invisíveis, acantoado por detrás desse outro mundo que todos julgam real, mas que, na realidade, não passa de uma miragem no infinito deserto, que é a vida dos que não conseguem ver o invisível…

 

Que razões tenho eu para ser optimista quando os que me rodeiam não conseguem ver o mundo das flores; não conseguem acompanhar o canto harmonioso dos pássaros; não conseguem sentir a respiração da alma dos Lobos; ou ouvir o vibrante som do silêncio?

 

Apenas uma certeza faz com que possa vislumbrar uma luz ao fundo do túnel: é que, tal como Miguel de Cervantes, eu também acredito ferverosamente que «Deus suporta os maus, mas não eternamente» …

 

Por isso, um a um, aqueles homens maus, cujo único objectivo da existência deles é violar a harmonia cósmica, cairão um dia. Sempre assim foi, desde o princípio dos tempos… Todos os tiranos da Humanidade caíram inevitavelmente… E aos maus, jamais nenhum Homem de bem ergueu uma estátua. E se as ergueram, por equívoco, logo as derrubaram.

 

E nesta mensagem de Ano Novo que aqui vos deixo, um tanto ou quanto pessimista, continuo a manter a esperança de que a mudança surja na próxima curva da estrada… 

 

Isabel A. Ferreira

 

Fonte: 

https://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/no-entanto-mantenho-a-esperanca-de-608100

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:53

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Terça-feira, 18 de Fevereiro de 2020

«Pássaros do Montijo “não são estúpidos” e podem adaptar-se ao novo aeroporto, defende secretário de Estado

 

Na verdade, os pássaros não são nada, nada, mesmo nada estúpidos, como certa gente que eu cá conheço. E se pudessem FALAR diriam que estúpidos são todos aqueles que, motivados por interesses financeiros obscuros, querem, porque querem, destruir habitats de seres que não são nada estúpidos, e por não serem nada estúpidos têm o direito ao seu habitat, tanto quanto os estúpidos humanos têm ao deles, apesar de serem estúpidos.

É muito triste sermos governados por gente menos inteligente do que os pássaros!

Não sei como se consegue chegar a estes cargos!

Isabel A. Ferreira

 

Ler a notícia e os comentários à notícia aqui:

https://jornaleconomico.sapo.pt/noticias/passaros-do-montijo-nao-sao-estupidos-e-podem-adaptar-se-ao-novo-aeroporto-defende-secretario-de-estado-549024?fb_comment_id=2954671261263180_2954726807924292&comment_id=2954726807924292

 

aeroporto_2.png

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 10:40

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Quarta-feira, 14 de Fevereiro de 2018

ATÉ ENTRE OS PÁSSAROS EXISTE AMOR…

 

Embora todos os dias sejam dias dos namorados, hoje, celebra-se esse dia em honra de Valentim. Um santo? Ou um simples enamorado?

 

Vou relatar-vos a lenda.

 

Mas antes quero dizer-vos que o Amor até os pássaros e todos os outros animais o sentem… Não é um sentimento exclusivo do homem.

 

Para ilustrar esse Amor dos pássaros, trouxe-vos esta magnífica ilustração da autoria do premiadíssimo Agonia Sampaio

PASSAROS.png

 

A história de Valentim

 

Durante o governo do imperador romano Cláudio II, proibiu-se a realização de casamentos no seu reino, com o objectivo de formar um grande e poderoso exército. Cláudio acreditava que os jovens, que não tivessem família, ou mulher, alistar-se-iam com mais facilidade.

 

Entretanto, um bispo romano, de nome Valentim, continuou a celebrar casamentos, ainda que proibidos pelo imperador, em cerimónias realizadas secretamente. Porém, certo dia, descobriram o seu segredo, e Valentim foi preso e condenado à morte.

 

Enquanto esteve  na prisão, muitos jovens atiravam-lhe flores e bilhetes a dizer que eles ainda acreditavam no Amor. Entre as pessoas que atiraram mensagens ao bispo estava uma jovem cega, Artérias, filha do carcereiro, a qual conseguiu a permissão do pai para visitar Valentim. Os dois acabaram por se apaixonar e, milagrosamente, a jovem recuperou a visão, tendo o bispo escrito a Artérias uma carta de amor assinada: “do teu Valentim”.

 

Depois da condenação à morte, Valentim foi decapitado a 14 de Fevereiro de 270.

 

***

AGONIA SAMPAIO - O PREMIADÍSSIMO AUTOR DE BANDAS DESENHADAS ESTARÁ NO “ARCO”

 http://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/agonia-sampaio-o-premiadissimo-autor-773612

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 10:24

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Terça-feira, 3 de Janeiro de 2017

UM EXEMPLO DE CIVILIZAÇÃO E RESPEITO PELOS ANIMAIS QUE NOS VEM DE ITÁLIA

 

A civilização é muito bonita e condiz com a era em que vivemos:

2017 DEPOIS DE CRISTO.

 

O tempo da pedra lascada já não existe. Então por que insistir em permanecer nele?

 

cidade-italia-.jpg

 

A pequena cidade de Collecchio, na Itália, adoptou uma nova postura para celebrar datas festivas: utilizar, apenas, fogos de artifício silenciosos, em respeito aos animais não humanos que, como sabemos, têm o sentido da audição muito sensível, nomeadamente os pássaros, os mais afectados pelo desvario humano, e sofrem horrores e entram em pânico, com os aterradores estrondos dos foguetes.

 

É que também há seres humanos mais sensíveis que também sofrem com esta espécie de “divertimento” ruidoso e fazedor de surdos.

 

(Eu, por exemplo, abomino foguetes e fogos de artifício ruidosos).

 

Podemos fazer fogos de artifício sem estrondos e sem ruído? Fogos de artifício silenciosos e elegantes? Podemos. Hoje isto é possível com uma nova técnica: Setti Fireworks.

 

No vídeo (mais abaixo), propomos dois lírios de fogo, uma óptima novidade para os espectáculos na cidade, casamentos ou qualquer outra ocasião especial. Também é excelente em combinação com a música, como neste exemplo, onde a voz de Freddie Mercury e o som dos Queen se fundem com a coreografia do fogo. Atrás dos lírios, fontes em cascata e efeitos pirotécnicos sincronizados com a música, completam o espectáculo.

 

Porque festa só é festa se o mundo dos animais humanos estiver em harmonia e sintonia com o mundo dos animais não humanos que, ao fim e ao cabo, é o mesmo mundo.

 

É que o homem não é, de todo, o dono do mundo.

 

Por que fazer estourar foguetes ruidosamente, se nem a Natureza, com os seus trovões, é tão maléfica quanto o animal humano?

 

Por que fazer tanto estrondo se é possível fazer fogos de artifício belíssimos sem provocar estragos na natureza dos seres não humanos e também dos seres humanos?

 

Este belo exemplo veio de uma pequena cidade de Itália.

 

Que os que vivem no mundo ruidoso dos “grandes” aprendam a conciliar-se com a Natureza e a matar a ideia de que são os donos do mundo.

 

 

Fonte:

http://thegreenestpost.bol.uol.com.br/a-cidade-italiana-que-so-faz-festas-com-fogos-de-artificio-silenciosos-em-respeito-aos-animais/

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:21

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Sexta-feira, 11 de Novembro de 2016

A LEONARD COHEN QUE ME INSPIROU A LIBERDADE…

 

Leonard Cohen partiu hoje…

 

Mas continuará vivo entre nós, no legado que nos deixou: a sua arte, a sua voz inconfundível, a sua música, os seus poemas, o exemplo de humanidade que sempre modelou a sua vida.

 

Recordar-te-ei na canção com a qual tanto te celebrei «Bird on the Wire», no tempo em que cantava para as estrelas e para os gatos, em cima de um telhado, em noites de Lua Cheia, na minha ânsia de liberdade e de alcançar o infinito nas asas dos pássaros…

 

Tal como tu, também tentei ser livre à minha maneira…

E fui, sou e serei sempre…tal como tu me ensinaste…

 

Foste um dos músicos que mais celebrei… cantando…

Até sempre… Leonard…

 

 

Like a bird on the wire,

Like a drunk in some old midnight choir

I have tried in my way to be free.

 

Like a worm on a hook,

Like a monk bending over the book

It was the shape, the shape of our love twisted me

 

If I, if I have been unkind,

I hope that you can just let it all go right on by

If I, if I have been untrue

It's just that I thought a lover had to be some kind of liar too

 

If I, if I have been unkind,

I hope that you can just let it all go right on by

If I, if I have been untrue

I hope that you know by now it was never to you

 

Like a little baby stillborn

Like a beast with his horn

I have torn everyone who reached out for me

 

But I swear, I swear by this song

I swear by all that I have done wrong

I will make it all up to thee

 

I saw a beggar he was leaning on his wooden crutch,

he said to me, "You must not ask for so much."

And a pretty woman leaning in her darkened door,

She cried to me, "Hey, why not ask a little bit more?"

 

Oh like a bird on the wire,

like a drunk in some old midnight choir

I have tried in my way to be free

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:07

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Sexta-feira, 1 de Julho de 2016

… PORQUE É NECESSÁRIO RENASCER…

 

fenix10[1] RENASCER.jpg

 

 Lutar contra blocos de cimento armado é desgastante.

 

Fingir-me-ei de morta por um tempo breve, para poder renascer…

 

Estarei num lugar onde a mais pequena flor beneficia do privilégio de ter nascido…

 

Onde o vento anda à solta e os Cavalos são livres…

 

Onde o silêncio brinca furtivamente com os pássaros…

 

Onde as ervas brotam das pedras…

 

E as águas segredam-me os seus mistérios…

 

Até breve…

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:20

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Sexta-feira, 1 de Janeiro de 2016

… No entanto, mantenho a esperança de que a mudança surja na próxima curva da estrada...

 

Foi nessa esperança que Dom Quixote assentou toda a exuberância da sua saga…

Tal como Dom Quixote, há muito que também eu luto contra o Medo, contra a Injustiça e contra a Ignorância… Muitas vezes com êxito, outras, nem por isso...

 

2-DSCN8320[1] MIGUEL.jpg

 

É com profundo descrédito no bom senso, na inteligência e no poder de discernimento dos homens que entro no ano de 2016.

 

 

… No entanto, mantenho a esperança de que a mudança surja na próxima curva da estrada…

 

Bem gostaria de aqui deixar uma mensagem optimista dos tempos que estão para vir, mas as notícias que nos chegam do mundo não são as mais propícias.

 

Quanto mais a Humanidade avança no tempo, mais retrocede o poder de raciocínio do homem, mais irracional ele se torna e, por este andar, não tarda, regressaremos ao tempo das trevas, ou talvez ao fim de uma era.

 

Até há alguns anos, à partida, para mim, todos os homens eram bons, até demonstrarem o contrário. Hoje, o meu pensamento mudou: tantas foram as decepções, tantos foram os desaires!...

 

Hoje, à partida, para mim, todos os homens são maus, até demonstrarem o contrário. E esta mudança, bastante radical, confesso, começou a operar-se depois que entrei neste mundo imundo que aqui vou denunciando, quando fui penetrando a fundo nos problemas políticos, melhor dizendo, nos desajustes dos políticos que estão na base de todos (ou quase todos) os desequilíbrios sociais, económicos, morais, culturais e até religiosos de toda a sociedade humana.

 

O avanço tecnológico, mal orientado e mal aproveitado, tem levado a Humanidade ao caos. Os valores humanos estão a diluir-se, e o homem está a transformar-se num ser vazio e irracional.

 

Já não há respeito pela vida, não há respeito pelos outros animais, mão há respeito pelo Ambiente, não há respeito por absolutamente nada, porque o homem deixou de se respeitar a si próprio, e este é o pior dos desrespeitos, é o começo da desestruturação do ser, que leva à desintegração de toda a sociedade.

 

E aqueles que, agarrados a um fiozinho da racionalidade que ainda se vislumbra algures, entre as ruínas do mundo, parece que perdem o seu tempo, tentando abrir os olhos e os ouvidos daqueles que há muito deixaram de ver e ouvir, não por motivo de alguma doença súbita, mas levados por um egoísmo desmedido que os lançou na ignorância, ao ponto de se ignorarem a si próprios.

 

CHICO.jpg

(Origem da imagem)

http://semeadoresdadiscordia.blogspot.pt/2008/01/chico-mendes.html

 

Recordo, hoje, aqui e agora, Chico Mendes, um seringueiro, sindicalista, activista político e ecologista brasileiro, assassinado nas vésperas do Natal de 1988, apenas porque compreendia as árvores, acarinhava a água e respeitava as flores, ao ponto de não querer flores no seu enterro, pois sabia que as iam arrancar da floresta…

 

Chico Mendes era um ambientalista, que apenas pretendia defender a Amazónia, pretendia defender a vida do nosso Planeta, e os tais ignorantes assassinaram-no.

 

Por todo o mundo, em pleno século XXI depois de Cristo, ouvimos falar de guerras, de um terrorismo com consequências incalculáveis, porque os governantes endoideceram, e o povo endoideceu com eles, e não há nada nem ninguém que faça parar esta loucura.

 

Na Rússia e nos EUA passa-se fome. Em países da dita civilizada Europa vegeta-se e morre-se. Na África, milhares de pessoas estão condenadas. Nos países ricos esbanjam-se bens, esbanja-se dinheiro e esbanjam-se vidas.

 

Um desequilíbrio cósmico instalou-se no nosso Planeta, e mais perigosamente no íntimo dos homens, e a poluição do meio ambiente aliou-se a uma poluição mental, que está a conduzir o mundo para o abismo.

 

Num destes dias, em conversa com uns amigos, chamaram-me a atenção para a visão pessimista que eu tenho em relação à sociedade, aos políticos, aos governantes…

 

É verdade!

Mas que motivos terei eu para ser optimista?

 

… No entanto, mantenho a esperança de que a mudança surja na próxima curva da estrada…

 

Podem chamar-me de desatinada, quando me vêem sorrir para as flores, mas é que eu entendo a linguagem das flores…

Podem chamar-me de desatinada quando canto ao desafio com os pássaros, mas eu sei de cor todas as canções que os pássaros cantam, sem pauta, sem métrica, mas com muita harmonia…!

 

Podem chamar-me de desatinada, quando me encontram a acarinhar um Lobo, mas eu tenho alma de Lobo, sei das emoções dos meus irmãos animais…

 

Podem chamar-me de desatinada quando me quedo a escutar o silêncio, mas podem crer que o som do silêncio é extasiante, é o mais eloquente som da Natureza.

 

Não me perguntem como, nem por que tenho a percepção deste meu mundo feito de coisas invisíveis, acantoado por detrás desse outro mundo que todos julgam real, mas que, na realidade, não passa de uma miragem no infinito deserto, que é a vida dos que não conseguem ver o invisível…

 

Que razões tenho eu para ser optimista quando os que me rodeiam não conseguem ver o mundo das flores; não conseguem acompanhar o canto harmonioso dos pássaros; não conseguem sentir a respiração da alma dos Lobos; ou ouvir o vibrante som do silêncio?

 

Apenas uma certeza faz com que possa vislumbrar uma luz ao fundo do túnel: é que, tal como Miguel de Cervantes, eu também acredito ferverosamente que «Deus suporta os maus, mas não eternamente» …

 

Por isso, um a um, aqueles homens maus, cujo único objectivo da existência deles é violar a harmonia cósmica, cairão um dia. Sempre assim foi, desde o princípio dos tempos… Todos os tiranos da Humanidade caíram inevitavelmente… E aos maus, jamais nenhum Homem de bem ergueu uma estátua. E se as ergueram, por equívoco, logo as derrubaram.

 

E nesta mensagem de Ano Novo que aqui vos deixo, um tanto ou quanto pessimista, continuo a manter a esperança de que a mudança surja na próxima curva da estrada… 

 

Isabel A. Ferreira

01 de Janeiro de 2016

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 10:45

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Quinta-feira, 22 de Outubro de 2015

LÁ… ENTRE O BOSQUE E O RIACHO… ESTAREI…

 

BOSQUE DE OSEIRA.jpg

 

Tudo o que se tem passado ultimamente, ao meu redor, deixou-me desesperançada.

 

Esgotei as minhas forças.

 

Os “homens”, ditos racionais, andam loucos.

 

É o Luaty a perder a vida… por um sonho…

 

É a Língua Portuguesa a escorrer pelo cano de esgoto…

 

É este insistir na crueldade, quando a Vida palpita em todos os seres, do mesmo modo…

 

É Portugal a ficar cada vez mais enterrado em caminhos lamacentos…

 

É o povo que recua…

 

É o vazio que começa a ocupar este lugar onde decidi travar batalhas…

 

Estou farta.

 

Irei, por uns dias, para o meu refúgio, lá…entre o bosque e o riacho, nas montanhas da Galiza, onde encontro a Paz e a Harmonia de que tanto preciso, e que faz parte da minha natureza.

 

Pelos caminhos do bosque, entre campos verdes, ouvirei os pássaros e as águas cantantes de um riacho…

 

E cânticos gregorianos, entoados desde o século XII, me esperarão… lá… entre as pedras do mosteiro…

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 19:11

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Segunda-feira, 18 de Maio de 2015

A ESTOCADA FINAL

 

ESTOCADA FINAL.jpg

 

Texto de Rui Leite Melo

 

Volta e meia, surgem espontaneamente entre nós movimentos cívicos, grupos de opinião ou tão simplesmente vozes isoladas que defendem opiniões, posições e atitudes que, para utilizar uma palavra actual, se tornam “virais”, dado o senso comum em que se sustentam.

 

E que mais cedo não surgem por conveniente conforto daqueles que não se querem chatear em fazer barulho, deixando a defesa da razão para outros mais afoitos. Como eu…

 

Uma destas situações tem a ver com divisão (cada vez mais desequilibrada), sobre o destino dos nossos touros que por aí pastam.

 

Quem diz touros diz touradas, quem diz touradas diz da ainda existente linha ténue que separa o homem civilizado pelo respeito que tem com os seus seres que partilham o milagre da vida.

 

Pergunto-me porque coube ao gado vacum o indigno e injustificável papel de ser o animal que serve de risota, de raiva e de sede malvadez para os humanos. Atente-se ao seguinte: cães atraem multidões para desfiles de beleza; gatos e coelhos são preciosidades escovadas diariamente e alimentadas ricamente enquanto dormem em locais aconchegantes; pássaros, de que tamanhos forem, são regalo para a vista, competidores em exposições, merecedores de prémios; os cavalos, bem, os cavalos são o supra-sumo do reino animal domesticado, aplaudidos sejam em corridas, seja em outras actividades equestres e/ou de trabalho); em certos peixes investem-se milhares no seu bem-estar.

 

Até a palavra aquariofilia foi criada para enquadrar tal respeito por tão peculiares bichos. Até as cabras apelam aos nossos mais ternos sentimentos.

 

E se assim é entre os que dominamos, não é muito diferente o que se passa no reino selvagem, onde quase todas as espécies são protegidas, excepção talvez feita ao mosquito.

 

Ora, de fora de tudo isto está o dito gado vacum, seja a vaca, o boi ou o touro, os eleitos sem eleições para serem os protagonistas da nossa hipocrisia.

 

Claro que com tudo o que escrevi até agora, assumo frontalmente o meu desdém absoluto por quem defende touradas, sejam “corridas picadas”, sejam “à corda”, sejam como forem.

 

E mais me espanta que, após tantos séculos de evolução sócio-intelectual, ainda se discuta a continuidade ou não de tais barbáries.

 

Meus caros, há nove séculos, quando pela primeira vez se registaram a realização de “touradas”, esquartejavam-se, empalavam-se e queimavam-se pessoas. As coisas mudam.

 

Daí a minha exultação sobre a crescente adesão à petição intitulada “Corridas picadas nos Açores NUNCA”, resposta pública à alegada intenção de alguns deputados da nossa assembleia em que se legalize a prática tauromáquica “sorte de varas” ou “corrida picada”, nos Açores.

 

Por amor de Deus, enquanto alguns parlamentos do mundo ocidental gastam milhões da preservação de espécies que não valem mais do que não ser a de existirem, neste fim-de-mundo quer discutir-se quantas bandarilhadas se pode enfiar no cachaço de um animal atirado a uma praça para uma luta desigual e violenta que devia ser riscada, ou melhor, censurada, dos livros de História dos Açores.

 

O mesmo digo para a tourada à corda. Perdoem-me a ignorância e falta de sensibilidade açórica, mas onde está a graça de dois ou três moçoilos cegos de bêbados fugirem aos tropeções de ou touro (ou vitelo) preso por uma corda ao pescoço. Que masculinidade, que bravura.

 

Ou… que tacanhez. Melhor seria que tais corajosos machos ocupassem o seu tempo a ver a “Casa dos Segredos”.

 

Pois é senhores ganadeiros de ilha amiga, possuidores de boa barriga e vistoso bigode, isto dos touros está por um canudo.

 

Quem manda já gostou mais da coisa, e quem já gostou mais da coisa, tem mais com que se entreter. Naturalmente, as coisas compõem-se. E muito mais depressa com petições públicas.

 

Termino, acrescentando uma nota pessoal: a minha inimizade e repulsa com a dita tauromaquia surgiu precocemente, muito antes de saber o que seria ter opinião própria.

 

Foi aquando do surgimento da RTP-Açores.

 

Num certo dia da semana (ou do mês), havia um programa mais ou menos intitulado “Grande Corrida RTP”. Infindáveis horas a ver arlequins trajando collants de número inferior ao que das suas miudezas aclamavam e, ora a cavalo, ora a pé, era um tal enfiar facas num touro que se babava.

 

Aplausos, cornetas e mais cornetas, o povo (muita gente fina), exuberava. Tinha eu seis anos.

 

Quase quarenta anos depois, tropecei na série televisiva “Spartacus”, um desses canais por cabo.

 

Foi um (infeliz) regresso ao passado. Salve-se, invista-se nas nossas tradições. Mas naquelas que nos orgulhem.

 

Fonte:

http://www.correiodosacores.info/index.php/opiniao/13956-a-estocada-final

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:48

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Quarta-feira, 5 de Março de 2014

DEDICO ESTE VÍDEO ÀQUELES AFICIONADOS QUE VÊM AO MEU BLOG AMEAÇAR-ME COBARDEMENTE…

 

O que sóis vós diante das forças da Natureza?

 

O que é a vossa irracionalidade comparada com a racionalidade dos animais não humanos?

O que representais vós na cadeia cósmica que une todos os seres vivos?

 As respostas para estas perguntas estão neste vídeo que tive o cuidado de traduzir para que todos possam entender.

A FAVOR DOS DIREITOS DOS ANIMAIS

 

 

  Quem é mais animal?

 

Não esperes o momento perfeito, agarra o momento e torna-o perfeito…

 

A mim não me preocupa morrer, preocupa-me ser feliz enquanto estou viva…

 

Não importa quem te deu a vida, o que importa é quem te ensinou a viver…

 

Ser bom não é ser idiota, ser bom é uma virtude que alguns idiotas não entendem…

 

O homem inferior ama a sua propriedade, o Homem Superior ama a sua alma…

 

E por cada minuto em que estás com raiva, perdes 60 segundos de felicidade…

 

Nunca te esqueças de sorrir, porque um dia em que não sorris será um dia perdido…

 

A Vida: ou a vives ou a entendes, mas não as duas coisas ao mesmo tempo…

 

Se porventura um amigo não conseguir levantar-te, procurará um modo de não deixar-te cair…

 

Busca a paz para a tua mente, e terás saúde para o teu corpo…

 

Aprendemos a voar como os pássaros, a nadar como os peixes, mas não aprendemos a simples arte de viver como irmãos…

 

As tuas crenças não fazem de ti uma pessoa melhor, mas o teu comportamento, sim…

 

Para mim, a minha consciência vale mais do que a opinião do mundo inteiro…

 

Os que asseguram que é impossível, não devem interromper aqueles que, como nós, estão a tentar…

 

Não basta a indignação, é hora do compromisso …

 

Salvar um animal não muda o mundo, mas mudará o mundo desse animal…

 

Porque as pessoas que estão o suficientemente loucas com a intenção de mudar o mundo são as que, de facto, o melhoram…

 

***

A vossa falta de empatia para com os seres não humanos transforma-vos em seres despidos de humanidade, logo, incapazes de gostar de vós próprios.

 

Vós sois os vossos piores inimigos.

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:43

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