Terça-feira, 8 de Janeiro de 2019

NOVA COMPETÊNCIA DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA PORTUGUESA: TELEFONAR A APRESENTADORA DE NOVO PROGRAMA DA SIC EM “DIRÊTO”

 

«Está? Daqui é Marcelo Rebelo de Sousa. Interrompi aqui uma reunião que tinha e espreitei para ver o seu primeiro programa e, como ao longo da vida, estive várias vezes consigo quando arrancou com novas fases da sua vida, queria desejar-lhe muitas felicidades e enviar-lhe um beijinho».

 

Quase soou à estrofe da canção de Stevie Wonder: « I just called to say I love you, I just called to say how much I care…»

 

 

Podia tê-lo feito em privado, porquanto ser amigo de apresentadoras de programas televisivos não é pecado. Desejar boa sorte aos programas que elas estreiam, também não me parece mal. Mas porquê fazê-lo em “dirÊto”?

Por ser em “dirÊto”?

 

Esta é mais uma daquelas novas (in)competências do homem que exerce o cargo de Presidente da República Portuguesa.

Inadmissível.

 

Quanto à justificação para tal telefonema, considerando que "era o mínimo desejar-lhe boa sorte" depois de ter dado uma entrevista de 25 minutos a Manuel Luís Goucha, na TVI, na véspera do Natal, foi pior a emenda do que o soneto. Fazia melhor estar calado. Fazia melhor tratar dos assuntos de Estado. Fazia melhor ter mais competência naquilo que faz. Fazia melhor olhar com olhos de ver para o estado caótico do País a tantos, tantos níveis. Fazia melhor dar ouvidos também àqueles portugueses que diariamente lhe dirigem queixas, por exemplo, sobre a destruição da Língua Portuguesa, visível no ecrã, naquele inconcebível “dirÊto”.  Mas quanto a isto, ele, o Presidente da República, não nos telefona, remetendo-se a um silêncio que grita por mil gritos.

 

Podia ter felicitado a Cristina Ferreira em privado. Ninguém tem nada com isso. Mas fê-lo em “dirÊto”, com que intenções ocultas?

 

Alimentar o ego, com audiência como pano de fundo, não faz parte das competências de um Presidente da República.

 

Isto é sempre a somar vergonhas em cima de vergonhas. E isto não é ser popular. É ser demasiado popularucho, sebnhor presidente. E não lhe fica nada bem.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:24

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Segunda-feira, 1 de Dezembro de 2014

BOICOTE À FARSA DE NATAL NO campo pequeno (LISBOA)

 

Esta farsa de Natal no campo pequeno serve para financiar a SELVAJARIA TAUROMÁQUICA que ali se pratica

 

 Boicote-se esta iniciativa HIPÓCRITA, patrocinada pela caixa agrícola, e apoiada pela rádio renascença, pelo jornal correio da manhã e pela revista sábado (que devem ser boicotados também)

 

TOLERÂNCIA ZERO PARA QUEM NÃO RESPEITA A VIDA

 

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publicado por Isabel A. Ferreira às 17:59

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Sexta-feira, 20 de Dezembro de 2013

A GRANDE FARSA DO NATAL

Este Natal poderia ser realmente Feliz, se o Touro e o Cavalo, estes dois ANIMAIS magníficos (que em Portugal, inexplicavelmente, os legisladores não consideram animais), pudessem estar tranquilos, a pastar nos campos, ou a aquecer crianças, nas "grutas" deste mundo, sem o estigma da tortura a pesar-lhes na vida.

 

Não foi esse o exemplo deixado por Jesus Cristo, aquele, cujo nascimento os católicos (NÃO) celebram nesta época, esquecendo-se de que foi ao bafo de um bovino e de um burro, que aquele Menino foi aquecido.

 

Hoje torturam os bovinos e os cavalos, impiedosamente, para celebrarem a demência.

 

Que Natal? Que exemplo dá a Igreja Católica?

 

Que celebração?

 

Esta é a época do consumismo. Da hipocrisia.

 

Quase todos fingem uma solidariedade que durante o ano não praticam.

 

O que se celebra nesta época?

 

Não é o nascimento de Jesus.

 

Celebra-se a coca-cola, e tudo o que ela trouxe atrás dela.

 

O Menino Jesus não existe mais. É o Pai Natal quem reina.

 

É uma farsa que se agiganta para vender objectos.

 

E o espírito natalício fica submerso nessa onda desmesurada do consumo e da falsa caridade.

 

Milhares de pessoas no mundo passam fome e morrem de fome TODOS OS DIAS.

 

Mas nesta época, oferecem-lhes comida para “celebrar”.

 

Para celebrar o quê?

 

O VAZIO das almas afundadas na ganância? Na mediocridade? Na desumanização? Na ignorância?

 

Passada esta época, tudo regressa à ANORMALIDADE.

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 19:11

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Domingo, 23 de Dezembro de 2012

É NATAL?

 


***

 

QUE NATAL?

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publicado por Isabel A. Ferreira às 11:57

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Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2012

CARTA ABERTA À PRÓTOIRO

 

 

 

 

Senhores da prótoiro:

 

Estamos quase a chegar ao fim do ano de 2012.

 

E como todos sabemos, Portugal inteiro sabe, o mundo inteiro sabe, que este foi o ano em que a tauromaquia foi ferida de morte, e está moribunda.

 

Não queria entrar no ano 2013, ano em que ENTERRAREMOS definitivamente esta peste negra, que polui o ar que respiramos, sem vos deixar um agradecimento e umas poucas sugestões.

 

Gostaria muito, de começar por umas palavras que li algures, e que dizem assim: «Contaram-me recentemente de uma tribo africana que faz uma coisa maravilhosa. Quando alguém faz algo mau ou que magoe outrem, pegam nessa pessoa e levam-na para o meio da tribo e durante dois dias toda a tribo o rodeia dizendo-lhe tudo de bom que ele já tenha feito. A tribo acredita que todos vimos ao mundo BONS e cada um desejando felicidade, paz, segurança e amor. Mas muitas vezes na procura dessas coisas, as pessoas cometem erros. A comunidade vê estes erros como um pedido de ajuda. Juntam-se todos pelo seu companheiro para o levantar e o religar à sua natureza e lhe lembrar quem ele é, até ele se lembrar da verdade a que se desligou temporariamente: "eu sou BOM".

 

Pois isto seria ouro sobre azul. Traria à humanidade alguma esperança de recuperação de seres desencaminhados.

 

Cada um dos que fazem parte desta “tribo”, denominada prótoiro, terá feito na vida uma ou outra coisa a que possamos chamar “boa”?

 

Essa é a grande dúvida, que me leva a rejeitar (mas não totalmente) o método dos Masai. Mas irei por outro caminho.

 

Este ano, que está quase a acabar, foi farto em abominações da vossa parte, que beneficiaram sobremaneira a Causa da Abolição das Touradas. Sabeis disso.

 

E é isso que gostaria de agradecer à prótoiro. Essa grande AJUDA, que nos deram, pois o vosso evidente desprestígio entre a população portuguesa, conduziu-vos à queda iminente.

 

Cada post, cada texto, cada fala, cada intervenção pública só serviu para vos desmascarar, e mostrar a vossa verdadeira índole.

 

Até quando tentam caluniar os anti-touradas (como já fizeram com a Rita Silva, com o Paulo Borges, comigo própria) estão a atirar a prótoiro para a lama.

 

Quem é que, em Portugal, (tirando os tauricidas e aficionados, uma minoria visível a olho nu), vos dá crédito?

 

Ninguém. Podeis crer. É um facto inegável.

 

Como diriam os nossos amigos brasileiros: vós estais mais sujos do que pau de galinheiro.

 

Como penso, contudo, que todos os seres devem ter uma oportunidade de se recuperarem, deixo-vos aqui um repto. Talvez nunca o tivessem feito com olhos de ver. Mas façam-no agora. É um favor que fazem a vós próprios.

 

Coloquem-se diante de um espelho e olhem bem para a vossa cara, ou melhor, olhem bem para os vossos olhos. Encarem-se, como se o do outro lado do espelho fosse outra pessoa. E perscrutem o que os vossos olhos que, como sabem (ou não) são as janelas por onde a alma espreita a Vida, vos dizem de vós. E deixem-se estar assim, olhos nos olhos, uns quinze minutos, no mínimo.

 

Entretanto vão perguntando a vós próprios: «Quem sou eu? O que sou eu? O que fiz eu? Quando tiver de prestar contas dos meus actos (e vocês, que são muito católicos, apostólicos, romanos, sabem que terão de prestar contas dos vossos actos ao verdadeiro Senhor do Universo que, como sabeis, não é ninguém da prótoiro, nem do governo português, nem o padre da paróquia que vos apoia) o que terei para dizer?

 

E então, no espelho, vereis desenhar-se umas novas caras. Enfrentai essas novas caras. Continuai a olhar para elas, com olhos de ver. Então, lentamente, vereis também outros olhos. Os olhos daqueles que sacrificastes à vossa ganância. Uns olhos suplicantes. Aguentai firme esses olhos. Não desvieis os vossos olhos desses olhos, de modo algum.

 

Lentamente o espelho transformar-se-á num mar de sangue. E entre esse sangue, encontrareis o vosso olhar estarrecido, e tereis então encontrado a resposta para as vossas perguntas: Quem sou eu? O que sou eu? O que fiz eu?

 

Sugiro-vos, veementemente, que façam esta experiência.

 

Saíreis dela com a verdadeira dimensão das vossas vidas e de quem sois.

 

É muito triste que determinados “homens” dos nossos dias continuem com índices tão elevados de irracionalidade e de falta de sensibilidade em relação ao sofrimento de outros seres vivos, apenas porque não se conhecem a si próprios.

 

Vocês sabem que os vossos nomes ficarão COLADOS à peste negra que é a tauromaquia, para todo o sempre. Até quando o vosso corpo estiver a sete palmos debaixo da terra, desfeito em pó, e o vosso espírito, diante de Deus, a prestar contas dos vossos actos.

 

Isto, os padres que vos abençoam, não vos dizem. Mas deviam dizer. Porém, eles, coitados, também estão nas mesmas circunstâncias. Terão de prestar contas daquilo que NÃO FIZERAM pela Humanidade, e deviam ter feito, uma vez que se consideram “representantes” de Deus na Terra.

 

Agora vou deixar-vos com este recado, extensivo a todos os aficionados e tauricidas, que MENTEM sobre o “Touro de lide”:

 

 

Pois todos nós já sabemos das vossas mentiras.

 

Todos nós já sabemos que o que vos move é o interesse económico. A ganância.

 

Todos nós já sabemos que o Sadismo é a vossa mola mestra.

 

Como pode um grupinho, que não teve acesso a uma instrução adequada, ter a pretensão de querer saber mais do que um Zoólogo?

 

Todos nós já sabemos que vós não tendes a mínima razão.

 

Rendei-vos às evidências.

 

Abandonem esta actividade, imprópria de seres humanos, com alguma dignidade (se é que a têm), enquanto podem.

 

Depois será demasiado tarde. Saíreis de rastos.

 

Não queiram ser atirados para o abismo como carcaças de uma espécie já em extinção.

 

Saiam pelo vosso pé, enquanto têm carne e ossos, e olhos para se olharem no espelho (e fazerem aquele exercício de que vos falei).

 

Saiam em grande, saindo humildemente. Não vos ficará mal.

 

2013 aproxima-se. Tenham isso em conta.

 

Pensem no que vos disse. A cabeça não serve apenas para usar chapéu.

 

Desejo a todos uma boa reflexão sobre este assunto, neste Natal e neste final de 2012, aquele que foi o ano de todas as mudanças (disse-o desde o início), pois uma nova era, uma nova Humanidade aproxima-se.

 

Com a minhas saudações abolicionistas,

 

Isabel A. Ferreira

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:48

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Domingo, 9 de Dezembro de 2012

CARTA DE UM MENINO AOS REIS MAGOS

 

 

 

Mais um excelente texto de Julio Ortega, que não posso deixar de transcrever, porque ele também “fala” por mim.

 

 

Texto de JULIO ORTEGA

 

Queridos Reis Magos*:  

 

Este ano não vos escrevo para pedir que me tragais prendas, mas para que leveis umas tantas coisas. Não, não estou louco, acontece que me dei conta de que o que sobra na minha vida está a ocupar o espaço daquilo que me falta, e que sou um menino mais pobre pelo que tenho, do que pelo que já não quero ter.

 

Por favor, levai os animais das mesas de Natal da minha casa. Não me importa quão tenras estejam as costeletas do cordeirinho. Não quero mastigar o seu cadáver, e necessito de que os meus pais, por causa disso, não me olhem como se eu estivesse louco ou como se fosse ficar doente, bem como temo que também terás de lançar no teu saco os preconceitos deles.

 

Levai as armas da casa do meu tio, que é caçador. Não quero que ele me torne a dizer: «Rapaz, não falta muito para que venhas caçar comigo, e logo verás como juntos passaremos uns bons momentos

 

Não! Tenho medo do meu tio, porque o meu tio gosta de matar e sorri quando o faz. Levai as espingardas e os sorrisos dele e, sobretudo, não permitais que me leve a mim com ele.

 

Levai as corridas de touros da minha cidade. E a esses senhores que vêm à minha escola tentar convencer-nos de que os toureiros são uns heróis.

 

Lembro-me que lhes perguntei se eu também seria um herói se   apanhasse um pano e uma faca da cozinha da minha casa, saísse para a rua e depois de dar uns tantos “capotazos” (passos que o toureiro realiza com a capa) ao primeiro cão que encontrasse e o matasse, cravando-lhe uma e outra vez a faca.

 

Um, que me assegurou ter toureado em Las Ventas, disse-me piscando-me um olho: «Bem, não o faças porque é proibido, e além disso isso não é arte, como na tauromaquia, mas só cá entre nós, serias muito valente!»

 

Levai os circos com animais. Melhor dizendo, levai os animais e deixai os circos. Sim, levai os elefantes, os leões, os macacos ou os tigres para o lugar de onde nunca deveriam ter saído, os seus verdadeiros habitats, e deixai os trapezistas, os malabaristas, os palhaços, os contorcionistas…

 

Deixai os que trabalham debaixo do toldo de forma voluntária e por um salário, não os escravos que o fazem, porque estão drogados ou porque lhes dói o castigo físico.

 

Tal como nos dói a todos nós.  

  

Abri todas as jaulas dos jardins zoológicos, levai os animais que lá estão para santuários, e levai também as chaves para que nunca mais possam fechar-se os cadeados. Não quero que os meus pais tornem a dizer-me, a sorrir: «Olha, esta tarde vamos ao zoo, ver os animais», e que eu já não saiba como explicar-lhes que ali só vejo criaturas tristes, doentes de tanto tédio e solidão, prisioneiros que perderam a alegria nos olhares, e toda a esperança de liberdade, e que a mim isso não me diverte, ao contrário, só me destroça o coração.

 

Animais? Não. Fantasmas com forma de animais.

 

Levai os cães e os gatos das montras, levai-os das lojas de animais, porque não quero abrir um embrulho a 6 de Janeiro, e que o meu presente ladre, mie, pie ou dê voltas dentro de um aquário. Não sou um carcereiro, nem um traficante de vidas.

 

A amizade não necessita de pedigree, nem as ruas precisam de mais cães e gatos abandonados, porque cresceram, porque sujam, porque fazem gastar dinheiro ou porque estragam as férias.

 

Levai o egoísmo, a indiferença, a crueldade, a ganância e a ignorância dos adultos. E se não podeis levar uma carga tão grande e tão pesada, trazei-me o seu montante, para que eu possa enfrentar esses adultos e uma sociedade onde os hábitos, as tradições, as diversões e os negócios são tantas vezes o alibi de um crime.

 

Prefiro a desobediência que rompe os laços de sangue, a que outros sangrem devido à minha covardia.

 

*(Em Espanha o mais importante da festa de Natal é a chegada dos Reis Magos, a Belém, por isso as cartas dos meninos são escritas aos Reis, e não ao Pai Natal (moda da coca-cola) ou ao Menino Jesus (a principal personagem da Natividade).

 

Fonte do original, traduzido por Isabel A. Ferreira

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=4549549853222&set=a.1479904274001.2064338.1125623170&type=1

 

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:15

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Terça-feira, 21 de Dezembro de 2010

NESTE NATAL FRIO...

 

 

 

 

© Isabel A. Ferreira

 

Neste Natal frio, como todos os outros Natais, não fingirei contentamento; não me envolverei numa auréola de Paz e de Harmonia; não sorrirei como se tudo ao meu redor transmitisse quietude...

 

Neste Natal, não vos falarei daquele Menino Divino, cuja influência dividiu o mundo entre Cristãos e Pagãos, e tão inocentemente lançou os povos em grandes abismos ideológicos, na esperança de alcançarem um lugarzinho no reino dos Céus.

 

Neste Natal, não enfeitarei pinheirinhos; nem farei repicar o sino na torre da igreja; nem entoarei melodiosos cânticos; nem trocarei hipócritas mensagens de Boas Festas.

 

Neste Natal, não sairei pelas ruas ornamentadas, coloridas, impregnadas daquele ar consumista, que transforma qualquer tentativa de festividade religiosa numa extraordinária festa comercial; e não me encherei de pacotes disto e pacotes daquilo, só para constar que também participei na grande mercancia.

 

Neste Natal, não tenho motivos para festejar o Natal. Que Natal? Natal de quê? Natal porquê? Se todos os anos as mesmas cenas (não os mesmos rituais: esses perderam o seu primeiro sentido há muito tempo) se repetem cada vez mais automatizadamente. Cada ano se renovam (e não se cumprem) as mesmas promessas de se construir um mundo mais digno do Homem, daquele HOMEM que o Menino, tão falsamente festejado nesta quadra, desejou que vivesse num mundo harmonioso e pacífico.

 

Neste Natal, não distribuirei falsos sorrisos, porque não me apetece sorrir. Que motivos terei para esbanjar a minha alegria? Apenas as crianças merecem o meu sorriso, e, para elas, ele jamais será falso, porque lhes mostro o outro lado do Natal, e elas entendem e concordam e conseguem discernir entre a hipocrisia que as rodeia e o verdadeiro sentido da vida, e então, podem sorrir comigo, sem medo, numa cumplicidade tão secretamente harmoniosa e só nossa...

 

Neste Natal, não inventarei que a neve cai lá fora, de mansinho, inundando a natureza de um branco imaculado; e que as estrelas brilham mais intensamente, lá no alto; e que, em cada lar reina a alegria e uma paz celestial, diante de uma mesa farta de tudo... mas se os corações estão vazios de amor, de que adianta essa aparente fartura?...

Neste Natal, recuso-me a comungar dos falsos conceitos, que os falsos cristãos pretendem impor, quando, uma vez por ano, se lembram de que há gente morrendo de fome todos os dias, e então, num gesto resgatador, desatam a distribuir comida, roupa, dinheiro, porque é praxe lembrarem-se dos pobrezinhos no Natal (e apenas no Natal) para poderem cear a farta ceia, com a consciência tranquila, do dever cumprido.

 

Neste Natal, mostrarei a minha revolta desejando àqueles que desconhecem (por intencional ignorância ou por simples maldade) o significado da SOLIDARIEDADE HUMANA, materializada nos gestos de cada dia, uma vida plena do mesmo mal-estar que provocam aos que são atingidos pelos seus actos ignóbeis.

 

Para quê mostrar hipocrisia? Só porque é Natal?...

Não! Não podem acusar-me de sentimentos anti-cristãos. Eu não sou Deus. Mas se até o divino Filho do Todo-poderoso, feito Bondade e contemporizador, se revoltou contra os vendilhões que profanaram o templo de seu Pai, e os expulsou à chicotada, num gesto de fúria, porque não hei-de eu, simples mortal, deixar que a revolta me possua e me dê forças para combater (não para castigar) os que, impiedosamente, fazem murchar o sorriso dos inocentes, tal como um fungo maligno destrói a beleza das flores?...

 

Neste Natal, recuso-me a ser hipócrita. Por que haveria de esquecer, apenas porque é Natal, todas as crueldades que durante todo o ano se cometem contra seres, humanos e não humanos que, tal como eu, amam a vida tão intensamente, e gostam de a viver desfrutando da harmonia cósmica que nos foi concedida nos princípios dos tempos?!...

 

Porque hei-de fingir por um dia que todas as pessoas são pessoas, quando sabemos que sob muitas das carcaças humanas que vemos circular à nossa volta, se escondem os piores carácteres e o mais falso humanismo?

 

Neste Natal, não aceitarei o cântico «Glória a Deus nas alturas e Paz na Terra aos homens de boa vontade», porque a má vontade dos homens impera sobre a glória de Deus, transformando o mundo num imenso vale de lágrimas, onde parece não haver lugar para a Paz...

 

Neste Natal, tão frio como todos os outros Natais, não fingirei contentamento; não me envolverei numa auréola de Paz e de Harmonia; não sorrirei como se tudo em meu redor transpirasse quietude...

Neste Natal, as trevas cobrirão o mundo, porque os homens de má vontade assim o querem; mas eu, eu não participarei nesse banquete farto de hipocrisia.

        

Neste Natal, o meu protesto será absoluto...

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:25

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Segunda-feira, 11 de Agosto de 2008

AUTO-RETRATO

 

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Copyright © Isabel A. Ferreira 2008
 
  
 

 

Não sou um ser extra-terrestre, nem a mulher que veio do futuro, nem sequer sou sofisticada ou bela. Talvez a minha única extravagância esteja numa simplicidade que já não se usa.
 
Às vezes costumam comentar: «Se não fumas, não bebes, não te pintas, nem te enfeitas, não és deste tempo».
 
E eu respondo: «Bom, não fumo essencialmente porque gosto de mim, e desagrada-me o gosto e o cheiro pestilento do tabaco. Não bebo, por hábito, porque gosto de refresco de limão. Não me pinto porque acho que já nasci colorida, o bastante; nem me enfeito, porque não sou uma árvore de Natal. Que mal tem isto? Sou como sou».
 
Não sou um ser extraterrestre, mas admito que vivo num outro planeta. Num planeta extremamente tudo: louco, vivo, terrível, belo, barulhento, silencioso, bom e mau. Num mundo onde tudo é colorido: as flores, as casas, as pessoas, o céu, a terra, o mar… O meu planeta é louco, porque autêntico. Para sermos autênticos devemos ser um pouco loucos, porque só os loucos vivem realmente. Os outros (os ditos ajuizados) andam por aí desiludidos, às cabeçadas à vida.
 
Não sou a mulher que veio do futuro, mas vivo para além do século XXI. Estou-me nas tintas para os preconceitos, para as manias, para as frustrações colectivas de uma sociedade que não sabe viver.
 
Na minha filosofia de vida não há lugar para lugares comuns. Não gosto de frases feitas, nem de imitar o mundo só porque é moda, nem de frequentar os mesmos lugares, ver os mesmos rostos, percorrer as mesmas ruas, todos os dias. Viver é tão fácil e belo como o voo das aves. Mas os homens complicam tudo.
 
Por vezes, desencontro-me. Não sei se sou eu que guerreio a vida, ou a vida que me guerreia a mim. Só sei que uma de nós declarou guerra à outra, e o conflito parece ser eterno: hoje, quero. Amanhã, não quero. Hoje sinto, amanhã não sinto. Hoje gosto, amanhã não gosto. Hoje, tudo. Amanhã, nada. Hoje, sou. Amanhã, não sou. Hoje, penso. Amanhã, não penso. Hoje fico. Amanhã, não fico. Hoje, sei. Amanhã, não sei. Hoje, estou. Amanhã, não estou. Hoje, bem. Amanhã, mal. Hoje, sim. Amanhã, não. Hoje, eu. Amanhã… quem?... Por isso, refugio-me num universo só meu. Subo a uma nuvem de onde fico a olhar o mundo. É muito menos monótono observá-lo lá de cima. Por isso, chamam-me nefelibata.
 
Apesar disso, não sou uma pessoa complicada: amo as flores, os bosques, as crianças, os rios, as aves, os animais, o Sol, a Lua, o mar… Amo a Natureza como a mim mesmo. Amo a simplicidade, e a tentativa de simplificar tudo o que é complicado à minha volta é, com certeza, a base de todo o meu conflito com a vida.
 
Eu vivo. Gostava que todos vivessem também. Eu estou no mundo. Gostava que todos estivessem também. Mas não gostam. Não sentem. Não sonham. Não estão no mundo. Deambulam por aí, como zombies.
 
Identifico-me com o mês de Setembro, com o Outono e com o Mar.
Sinto-me Setembro porque o mês prenuncia o fim do rebuliço do Verão, e o início de uma paz  trazida pelo Outono. Por isso, também me sinto Outono: sou calma, sou folha caída, sou brisa suave, sou natureza palidamente colorida, sou calor morno de um Sol distante.
 
Sou mar, pois foi no mar que em criança tive o meu primeiro encontro com a Morte. Desde então, aprendi a temê-lo, mas também a respeitá-lo e a amá-lo profundamente. Foi num areal deserto que brinquei as mais felizes brincadeiras da minha infância, com o meu cão e as aves marinhas. Foi sobre o mar que vivi os momentos mais fascinantes da minha juventude. E é à beira-mar que me refugio, quando a vida me chicoteia.
 
A minha virtude preferida, quer no homem, quer na mulher, é a espontaneidade, fazer e dizer o que se entende por bem, no momento exacto, e sem ligar a convenções.
 
A minha ocupação preferida é deitar-me no chão de uma sala escura e imaginar que sou uma laranja.
 
O principal defeito do meu carácter é confiar nas pessoas.
Se pudesse voltar a ter 20 anos e soubesse o que sei hoje, talvez acreditasse na felicidade.
 
A desgraça? É não saber o que fazer dos segundos, minutos, horas, dias, noites e anos que temos para viver.
 
Gosto de todas as flores, porque em todas elas encontro a magia da cor, da beleza, da forma e da harmonia perfeita…Nelas vislumbro a Arte de Deus.
 
As cores minhas preferidas? Gosto do vermelho das papoilas, do amarelo dos girassóis, do verde das folhagens e do azul do céu.
 
Se eu não fosse quem sou, gostava de ser um cavalo negro e selvagem, solto numa planície onde pudesse correr desenfreado e jamais ser domado por homem algum.
 
O meu lugar preferido parar viver? Longe das multidões, numa pequena cabana, no meio das árvores, ou num jardim cercado de água e habitado por pássaros, para lhes ouvir o canto; num lugar onde houvesse música envolvente nas ruas e, principalmente, onde as pessoas não fossem insípidas.
 
Os meus autores e poetas predilectos são todos aqueles que se expressam através da linguagem do amor; que são autênticos e livres, e sabem tirar partido das suas vivências para poder transmitir-nos, de um modo pessoal, as suas mensagens.
 
Quanto a pintores, de Miguel Ângelo a Salvador Dali, todos quantos conseguem pintar a dor, a alegria, a luz, a cor, o luar, o amanhecer, o pôr-do-sol, a penumbra, e retratar os sentimentos humanos num olhar, num gesto, num sorriso ou num pranto.
 
Música? De Chopin aos Beatles todos os compositores que me façam vibrar, ir às nuvens, dar ao pé, sonhar, ou simplesmente baloiçar o corpo.
 
A minha divisa favorita é a da tartaruga: «Piano, piano se va lontano…», e nunca desanimar.
 
A crueldade é a coisa que mais me causa aversão, e a maior angústia é ver o sofrimento das crianças, dos velhos e dos animais não-humanos.
 
As faltas que me inspiram maior indulgência são as cometidas pela ignorância não-optativa, e a  qualidade minha preferida é a simplicidade.
 
Quanto à minha situação espiritual, neste momento, é a tentativa da busca do tempo perdido…
 
Isabel A. Ferreira
 
publicado por Isabel A. Ferreira às 11:09

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