Segunda-feira, 20 de Dezembro de 2021

«Sermão de Paz para os Animais» - Uma bela reflexão para este Natal, por Hans Bouma

 

Se há Ser Humano que eu respeite com todas as fibras do meu sentir é Hans Bouma, um Ser raro, de rara sensibilidade. Um Ser dotado da Consciência Cósmica, que falta ao comum dos mortais, não porque não possam adquiri-la, mas porque não querem, uma vez que não estão dispostos a evoluir.  

 

Mensagem de Natal e Ano Novo.png

 

Porque todos nós somos animais. Porque o Natal não é a quadra do consumismo desenfreado com que nos querem iludir. O Natal é um tempo para reflectir quem somos, o que somos, de onde viemos, para onde queremos ir, e principalmente para onde vamos…

 

Reedito este texto sublime dedicando-o àqueles que se dizem católicos, e vão a todas as missas, confessam-se, comungam, rodeiam os templos, andam sempre com a palavra “Deus” na ponta da língua, mas nada sabem de Cristianismo, de Misericórdia, de Piedade, de Compaixão, de Humanidade, e agem como os carrascos que cruxificaram Jesus Cristo, Aquele que deu origem ao Natal, que hoje quase todos que o celebram, celebram-no sem saber o que fazem.

 

Dedico-o aos que dizem ser representantes de Deus na Terra, mas não têm o “toque divino” para poderem fazer um Sermão de Paz como este, proferido em 22 de Dezembro de 2014, em Amsterdão, por Hans Bouma.

 

Leiam-no, com os olhos do coração.

 

Isabel A. Ferreira

 

Hans Bouma.jpg

 Hans Bouma (pastor e poeta, Amsterdão, Maarten Lutherkerk)

 

 «Mais um Motivo - Sermão de Paz para os Animais»

 

Por Hans Bouma

 

«No que respeita à relação entre animal humano e animal não-humano - especialmente os animais moralmente excluídos, humilhados e escravizados - a inevitável pergunta que se coloca é: que tipo de homem queres tu ser, e até onde vai a tua humanidade?

 

No decurso da história, seguramente temos progredido no nosso caminho humano, de respeito e compaixão para com os outros seres. Nós expandimos o sentido das nossas responsabilidades e percebemos que, como seres humanos, formamos uma comunidade global. Os maiores exemplos da evolução da nossa consciência ética são a Amnistia Internacional e Médicos Sem Fronteiras.

 

Embora estes organismos sejam, certamente, dignos de reconhecimento, não são ainda o nosso objectivo final. Até agora a preocupação deles tem sido as pessoas, os seus semelhantes, os representantes da mesma espécie. Mas os animais estão também aqui. É claro que eles não pertencem à nossa espécie, mas isso não é motivo para excluí-los da nossa moralidade. Eles também participam do mistério chamado VIDA. 

 

Que tipo de homem queres tu ser? Segues o caminho escolhido do respeito e da compaixão? O caminho para o moralmente correcto, mas ainda ignorando os animais não-humanos? Interpretarás a humanidade tão generosamente para nela incluíres os animais não-humanos?

 

O próximo passo é mais difícil: a etapa do companheiro humano ao companheiro creaturety (uma palavra que inventei) criaturidade; mas o que podemos fazer se a língua ou a cultura nos falha, neste ponto? Se nós não dermos este passo, se não dermos ao animal não-humano nenhum lugar na nossa agenda moral, então seguramente estaremos a ser incoerentes. Então teremos de falar de uma humanidade degradada e, consequentemente, desonesta e incredível. Nós chamamos a isso, discriminação.

 

O próximo passo.

 

Se tu és humano, por favor, sê benévolo, sê homem ou mulher plenamente. Se valores como a justiça, a compaixão, a solidariedade, o respeito e amor tiverem apenas significado para a espécie humana, então pouco ou nada compreendemos do mundo. Estes valores são de natureza universal e devem, portanto, ser aplicados universalmente e não restritamente à nossa própria espécie.

 

Que tipo de homem queres tu ser? Podes dizer que apenas um arrogante sentimento de superioridade pode levar-te a manter os animais fora da ética. Mas é diferente. As pessoas que se recusam a dar o próximo passo têm uma baixa auto-estima e estão sujeitas a sentimentos pungentes de inferioridade.

 

Que tipo de homem poderias tu ser? Poderias ser tão maravilhoso, porque tens tudo para tratares todos os seres viventes com respeito e compaixão. Se ficares preso ao desenvolvimento da tua humanidade, mantendo os animais não-humanos fora do teu horizonte moral, então vendes-te barato, vivendo claramente abaixo do teu nível. É isso que queres?

 

É irracional dizerem às pessoas, que defendem os animais que, ao defendê-los, estão a trair os da própria espécie. Mas se eu excluísse os animais não-humanos da minha humanidade, aí sim, estaria a trair-me a mim próprio e a abandonar-me. Então estaria a agredir a minha própria humanidade.

 

O próximo passo.

 

É uma questão de pertença, uma crescente consciência de afinidade. Os animais não-humanos começam a fazer parte da tua família, parte da tua vida. Estas são expressões preciosas do mesmo mistério que te envolve na tua própria maneira de ser. E tu não comes a tua família, nem fazes experiências com ela. E Família é o que tu respeitas, o que tu valorizas e o que tu amas.

 

União e afinidade. Além de acontecer entre as pessoas, as situações de reconhecimento mútuo podem desenvolver-se entre um ser humano e um ser não-humano. Aquilo que o filósofo judeu Martin Buber chama: «Eu e Tu». É possível um diálogo íntimo entre um ser humano e um ser não-humano. «Os olhos de um animal», escreveu Buber, "têm uma imensa força comunicativa». Uma vez que sejas capaz de ser sensível à linguagem dos olhos dos animais não-humanos, o teu mundo torna-se cada vez mais rico. O quanto poderás ver, ouvir e partilhar!

 

É comovente, ou de cortar o coração, quando olhas nos olhos dos animais encerrados num laboratório, ou nos olhos de um animal num matadouro.

 

Eu tive oportunidade de olhar nesses olhos, de entender a linguagem deles, e fiquei destroçado. Aquela «imensa força comunicativa» foi a de uma queixa, de uma acusação. Por que estás a fazer isto connosco? O que deu em ti? Que tipo de pessoa és tu?

 

Está longe de mim minimizar o sofrimento das pessoas, mas também penso no sofrimento dos animais não-humanos. O sofrimento deles tem uma profundidade, uma dimensão desconhecida para nós. Quando sofremos, podemos tirar proveito de todos os tipos de escapes culturais, sociais e religiosos. Nós temos a bênção da fuga espiritual. Nós podemos dar ao nosso sofrimento um sentido, situá-lo numa qualquer perspectiva, sublimá-lo ou transcendê-lo.

 

Temos inúmeras maneiras de aliviar o nosso sofrimento. Só o facto de podermos verbalizá-lo é já um privilégio.

 

Mas os animais não-humanos não têm palavras para o sofrimento. Eles não conseguem verbalizar o seu sofrimento. Nunca poderemos explicar aos animais que são maltratados pela indústria ou laboratórios o motivo por que eles estão a sofrer.

 

Eles nunca entenderão os nossos argumentos e desculpas. Eles enfrentam o mistério de um tempo de vida ou de morte sem o mínimo sentido. Numa interminável tristeza, sem esperança que se funda com o sofrimento que os deprime. Eles vivem num grotesco inferno.

 

Tu não tens de ser um crente para defender vigorosamente o direito dos animais não-humanos de serem criaturas com um valor absoluto. A partir do simples ponto de vista da tua humanidade tens todos os motivos para agir. Se és religioso, se és cristão, judeu, muçulmano, hindu ou budista, então tens uma razão acrescida para incluir os animais não-humanos na tua consciência ética.

 

Sejam quais forem as suas diferenças, todas as religiões assumem que a Terra teve uma origem divina. Concebida por um criador, um Deus muito criativo. Um Deus que é tão poderoso e generoso que se deu a conhecer na realidade física deste planeta. O facto de que a Terra é uma criação divina dá-lhe uma característica particular. Tudo e todos têm o seu próprio propósito e o seu próprio segredo. Quer se trate de uma árvore, um animal não-humano ou um homem, tudo o que vive possui o seu próprio direito exclusivo de existir.

 

Todas as religiões estão centradas na criação de relações e fazer a ponte entre as distâncias em três direcções: horizontal, a respeito de outros seres humanos; vertical, em relação a Deus ou ao divino; e para baixo, em relação à Terra. A palavra religião deriva do latim “religare”: tem o significado de religação, uma nova ligação entre o homem e Deus. Todas as religiões são religiões de salvação.

 

Salvação significa o todo.

 

As pessoas precisam de ser reintegradas na sua relação com o mundo. O homem isolado é apenas um fragmento. Para ser completo, ele deve agregar três vertentes: os outros homens, a Terra, e Deus ou o divino.

 

Como lidas com as criações, com toda a vida que te foi confiada pelo Criador? Essa é a questão vital, inevitavelmente proporcionada por todas as religiões. A tua relação com a vida e a criação de Deus só é salutar se o teu relacionamento com os teus semelhantes e a Terra for ideal. Na tua benevolência para com a vida no seu todo, está o âmago da tua própria vida.

 

O filósofo e teólogo, músico e médico Albert Schweitzer compreendeu isto perfeitamente. A sua crença é a seguinte: «Eu sou vida que quer viver, rodeada de vida que quer viver». Ele define a religião como «o respeito pela vida posto em prática».

 

Para Schweitzer religião não é teoria, mas prática. Por exemplo, tu és crente com garfo e faca: comendo carne estás a comer o sofrimento. Que gosto tem isto? Durante décadas Albert trabalhou como médico na selva africana, em Lambaréné; foi um homem extremamente benevolente para com o povo, não apenas para com as pessoas, mas também para com os animais não-humanos. A religião coloca-te na realidade terrena.

 

Um conceito-chave na tradição judaica e cristã é: êxodo, viagem. Em muitas circunstâncias, tanto os seres humanos, como os seres não-humanos podem ser levados a situações de cativeiro. Eles não têm a liberdade de viver a vida como deve ser vivida, ou em relação aos não-humanos, como é da natureza deles.

 

Pensa nos animais utilizados na indústria da carne ou em laboratórios. O êxodo em massa é um projecto de libertação, um objectivo de reabilitação moral, assente directamente nas intenções do criador. É um plano que tem um carácter intrínseco. Nada nem ninguém é excluído. Assim como as pessoas devem ser libertadas de situações desumanas, os animais não-humanos devem ser libertados de situações degradantes.

 

Então ponha-se um fim à exploração animal na indústria, nos laboratórios e em todas as situações degradantes em que o homem os coloca. Estou a lembrar-me da morte horrível de 2/3 triliões de animais mortos anualmente pelas indústrias da pesca. Isso é terrível e repugnante.

 

Não só o Judaísmo e o Cristianismo, mas também outras religiões seguem a chamada «regra de ouro»: «Não faças aos outros o que não gostarias que te fizessem a ti». O outro pode ser um ser humano, mas também um ser não-humano que, tal como tu, é um ser vivo com emoções e desejos, um ser que pode sofrer e chorar, que pode brincar e festejar. Todos carecem de bem-estar e felicidade, de desenvolvimento e harmonia que podes conceder a ti mesmo, ou a um teu semelhante, mas também a um animal não-humano. Ou vice-versa: tu proteges os outros, pessoas e animais não-humanos, contra tudo de que também queres ser protegido: a violência, a injustiça, a prisão, a humilhação ou a exploração.

 

Para os crentes, o compromisso com os animais não-humanos, respeito e compaixão por tudo o que vive deve ser uma questão da maior urgência; isto deve ser nada menos do que um acto de fé. Para tudo o que te rodeia, encontras as mesmas razões para partilhar com os animais não-humanos a tua humanidade.

 

Se a religião não te inspira a compaixão, a respeitar a vida, então ela perde toda a sua relevância. O que resta do Deus criativo quando Ele só pode ser o Deus das pessoas? Pobre Deus, esse!

 

Agora estamos a comemorar o Natal, a festa da paz. Mas só teremos algo para celebrar, se pudermos olhar, olhos nos olhos, além dos seres humanos, também os animais não-humanos. Aqueles olhos, como diz Martin Buber, com um imenso poder comunicativo.

 

Mas neste momento, quantos animais – e apenas para esta festa - fecham os olhos depois de uma vida que não foi mais do que um processo de morte lenta? Para eles, não houve saída, nem paz.

 

Agora, milhões e milhões de animais estão à nossa espera.

 

À espera de pessoas que também serão verdadeiramente humanas.

Religiosos ou não, nós sabemos o que temos de fazer.

A libertação dos animais não-humanos.

Temos razões suficientes para o fazer.»

 

Hans Bouma

 

Fonte:  http://www.stopfunkilling.org/SERMON-FOR-ANIMALS-HANS-BOUMA.html

 

(Traduzido da versão inglesa por Isabel A. Ferreira)

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:01

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Segunda-feira, 14 de Setembro de 2020

Há alguma coisa errada no pandemónio gerado pela Covid-19

 

Que há alguma coisa errada nisto tudo, é uma grande verdade. Também tenho confiança no desmascaramento desta "coisa", que traz o mundo refém do medo.

 

A ver se eu entendo! – um texto de João M. Félix Galizes para ler e reflectir.

 

CONFINAMENTO.jpg

 

«A ver se eu entendo!

 

Então em Fevereiro a Directora-Geral da Saúde. Graça Freitas dizia que o vírus da China não ia chegar a Portugal.


E afinal, dizem que chegou em Março.
Agora, em Agosto, já sabem que vão precisar de encatrafiar as pessoas novamente em prisão domiciliar, no Natal!? 🤔


Já sabem isso com tanta antecedência!? 🤔
Ou vão falhar novamente, ou se acertarem, então, é porque o plano terá conseguido ser posto em acção, não o vírus.


As pessoas mais distraídas deveriam despertar e perceber que há um plano para desestruturar a ordem natural. Então, trancam as pessoas em casa, disseram que era para protegê-las, e agora vêm, outra vez, assustar as pessoas, dizendo que "a maioria dos novos casos surge no seio familiar"? Isto é de loucos, e não tem razoabilidade científica. As regras que são alteradas a cada momento não têm lógica. Mas as pessoas acreditam na receita dos mentirosos.


Já vos retiraram a Páscoa, e vocês acreditaram que era para o vosso bem. Mais tarde, adeus Natal! E tu com medo do vírus mortal. O vírus está no Poder, na AR, na PR, na Magistratura, e nas sociedades secretas que dominam a sociedade e as instituições, e não em cada uma das habitações da população.


Se acreditarem nisto, eles vão criar outros vírus sempre que precisarem disso, para vos manter em prisão.


Garanto-vos, que se eu não tivesse confiança em que esta farsa vai ser revelada em breve, preferia MORRER por causa do vírus, ou doutra treta qualquer, do que continuar a viver com medo de morrer, e sem liberdade. ;)

Vivam sem medo de serem felizes! ;)»

JmfG

 

Fonte:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1469505129906094&set=a.115100005346620&type=3&theater

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:01

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Terça-feira, 8 de Janeiro de 2019

NOVA COMPETÊNCIA DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA PORTUGUESA: TELEFONAR A APRESENTADORA DE NOVO PROGRAMA DA SIC EM “DIRÊTO”

 

«Está? Daqui é Marcelo Rebelo de Sousa. Interrompi aqui uma reunião que tinha e espreitei para ver o seu primeiro programa e, como ao longo da vida, estive várias vezes consigo quando arrancou com novas fases da sua vida, queria desejar-lhe muitas felicidades e enviar-lhe um beijinho».

 

Quase soou à estrofe da canção de Stevie Wonder: « I just called to say I love you, I just called to say how much I care…»

 

 

Podia tê-lo feito em privado, porquanto ser amigo de apresentadoras de programas televisivos não é pecado. Desejar boa sorte aos programas que elas estreiam, também não me parece mal. Mas porquê fazê-lo em “dirÊto”?

Por ser em “dirÊto”?

 

Esta é mais uma daquelas novas (in)competências do homem que exerce o cargo de Presidente da República Portuguesa.

Inadmissível.

 

Quanto à justificação para tal telefonema, considerando que "era o mínimo desejar-lhe boa sorte" depois de ter dado uma entrevista de 25 minutos a Manuel Luís Goucha, na TVI, na véspera do Natal, foi pior a emenda do que o soneto. Fazia melhor estar calado. Fazia melhor tratar dos assuntos de Estado. Fazia melhor ter mais competência naquilo que faz. Fazia melhor olhar com olhos de ver para o estado caótico do País a tantos, tantos níveis. Fazia melhor dar ouvidos também àqueles portugueses que diariamente lhe dirigem queixas, por exemplo, sobre a destruição da Língua Portuguesa, visível no ecrã, naquele inconcebível “dirÊto”.  Mas quanto a isto, ele, o Presidente da República, não nos telefona, remetendo-se a um silêncio que grita por mil gritos.

 

Podia ter felicitado a Cristina Ferreira em privado. Ninguém tem nada com isso. Mas fê-lo em “dirÊto”, com que intenções ocultas?

 

Alimentar o ego, com audiência como pano de fundo, não faz parte das competências de um Presidente da República.

 

Isto é sempre a somar vergonhas em cima de vergonhas. E isto não é ser popular. É ser demasiado popularucho, sebnhor presidente. E não lhe fica nada bem.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:24

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Segunda-feira, 1 de Dezembro de 2014

BOICOTE À FARSA DE NATAL NO campo pequeno (LISBOA)

 

Esta farsa de Natal no campo pequeno serve para financiar a SELVAJARIA TAUROMÁQUICA que ali se pratica

 

 Boicote-se esta iniciativa HIPÓCRITA, patrocinada pela caixa agrícola, e apoiada pela rádio renascença, pelo jornal correio da manhã e pela revista sábado (que devem ser boicotados também)

 

TOLERÂNCIA ZERO PARA QUEM NÃO RESPEITA A VIDA

 

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publicado por Isabel A. Ferreira às 17:59

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Sexta-feira, 20 de Dezembro de 2013

A grande farsa do Natal

 
 
 
 
 
 
 

Este Natal poderia ser realmente Feliz, se o Touro e o Cavalo, estes dois ANIMAIS magníficos (que em Portugal, inexplicavelmente, os legisladores não consideram animais), pudessem estar tranquilos, a pastar nos campos, ou a aquecer crianças, nas "grutas" deste mundo, sem o estigma da tortura a pesar-lhes na vida.

 

Não foi esse o exemplo deixado por Jesus Cristo, aquele, cujo nascimento os católicos (NÃO) celebram nesta época, esquecendo-se de que foi ao bafo de um Bovino e de um Burro, que aquele Menino foi aquecido.

 

Hoje torturam os Bovinos e os Cavalos, impiedosamente, para celebrarem a demência.

 

Que Natal? Que exemplo dá a Igreja Católica?

 

Que celebração?

 

Esta é a época do consumismo. Da hipocrisia.

 

Quase todos fingem uma solidariedade que durante o ano não praticam.

 

O que se celebra nesta época?

 

Não é o nascimento de Jesus.

 

Celebra-se a coca-cola, e tudo o que ela trouxe atrás dela.

 

O Menino Jesus não existe mais. É o Pai Natal quem reina.

 

É uma farsa que se agiganta para vender objectos.

 

E o espírito natalício fica submerso nessa onda desmesurada do consumo e da falsa caridade.

 

Milhares de pessoas no mundo passam fome e morrem de fome TODOS OS DIAS.

 

Mas nesta época, oferecem-lhes comida para “celebrar”.

 

Para celebrar o quê?

 

O VAZIO das almas afundadas na ganância? Na mediocridade? Na desumanização? Na ignorância?

 

Passada esta época, tudo regressa à ANORMALIDADE.



Isabel A. Ferreira

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 19:11

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Domingo, 23 de Dezembro de 2012

É NATAL?

 


***

 

QUE NATAL?

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publicado por Isabel A. Ferreira às 11:57

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Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2012

CARTA ABERTA À PRÓTOIRO

 

 

 

 

Senhores da prótoiro:

 

Estamos quase a chegar ao fim do ano de 2012.

 

E como todos sabemos, Portugal inteiro sabe, o mundo inteiro sabe, que este foi o ano em que a tauromaquia foi ferida de morte, e está moribunda.

 

Não queria entrar no ano 2013, ano em que ENTERRAREMOS definitivamente esta peste negra, que polui o ar que respiramos, sem vos deixar um agradecimento e umas poucas sugestões.

 

Gostaria muito, de começar por umas palavras que li algures, e que dizem assim: «Contaram-me recentemente de uma tribo africana que faz uma coisa maravilhosa. Quando alguém faz algo mau ou que magoe outrem, pegam nessa pessoa e levam-na para o meio da tribo e durante dois dias toda a tribo o rodeia dizendo-lhe tudo de bom que ele já tenha feito. A tribo acredita que todos vimos ao mundo BONS e cada um desejando felicidade, paz, segurança e amor. Mas muitas vezes na procura dessas coisas, as pessoas cometem erros. A comunidade vê estes erros como um pedido de ajuda. Juntam-se todos pelo seu companheiro para o levantar e o religar à sua natureza e lhe lembrar quem ele é, até ele se lembrar da verdade a que se desligou temporariamente: "eu sou BOM".

 

Pois isto seria ouro sobre azul. Traria à humanidade alguma esperança de recuperação de seres desencaminhados.

 

Cada um dos que fazem parte desta “tribo”, denominada prótoiro, terá feito na vida uma ou outra coisa a que possamos chamar “boa”?

 

Essa é a grande dúvida, que me leva a rejeitar (mas não totalmente) o método dos Masai. Mas irei por outro caminho.

 

Este ano, que está quase a acabar, foi farto em abominações da vossa parte, que beneficiaram sobremaneira a Causa da Abolição das Touradas. Sabeis disso.

 

E é isso que gostaria de agradecer à prótoiro. Essa grande AJUDA, que nos deram, pois o vosso evidente desprestígio entre a população portuguesa, conduziu-vos à queda iminente.

 

Cada post, cada texto, cada fala, cada intervenção pública só serviu para vos desmascarar, e mostrar a vossa verdadeira índole.

 

Até quando tentam caluniar os anti-touradas (como já fizeram com a Rita Silva, com o Paulo Borges, comigo própria) estão a atirar a prótoiro para a lama.

 

Quem é que, em Portugal, (tirando os tauricidas e aficionados, uma minoria visível a olho nu), vos dá crédito?

 

Ninguém. Podeis crer. É um facto inegável.

 

Como diriam os nossos amigos brasileiros: vós estais mais sujos do que pau de galinheiro.

 

Como penso, contudo, que todos os seres devem ter uma oportunidade de se recuperarem, deixo-vos aqui um repto. Talvez nunca o tivessem feito com olhos de ver. Mas façam-no agora. É um favor que fazem a vós próprios.

 

Coloquem-se diante de um espelho e olhem bem para a vossa cara, ou melhor, olhem bem para os vossos olhos. Encarem-se, como se o do outro lado do espelho fosse outra pessoa. E perscrutem o que os vossos olhos que, como sabem (ou não) são as janelas por onde a alma espreita a Vida, vos dizem de vós. E deixem-se estar assim, olhos nos olhos, uns quinze minutos, no mínimo.

 

Entretanto vão perguntando a vós próprios: «Quem sou eu? O que sou eu? O que fiz eu? Quando tiver de prestar contas dos meus actos (e vocês, que são muito católicos, apostólicos, romanos, sabem que terão de prestar contas dos vossos actos ao verdadeiro Senhor do Universo que, como sabeis, não é ninguém da prótoiro, nem do governo português, nem o padre da paróquia que vos apoia) o que terei para dizer?

 

E então, no espelho, vereis desenhar-se umas novas caras. Enfrentai essas novas caras. Continuai a olhar para elas, com olhos de ver. Então, lentamente, vereis também outros olhos. Os olhos daqueles que sacrificastes à vossa ganância. Uns olhos suplicantes. Aguentai firme esses olhos. Não desvieis os vossos olhos desses olhos, de modo algum.

 

Lentamente o espelho transformar-se-á num mar de sangue. E entre esse sangue, encontrareis o vosso olhar estarrecido, e tereis então encontrado a resposta para as vossas perguntas: Quem sou eu? O que sou eu? O que fiz eu?

 

Sugiro-vos, veementemente, que façam esta experiência.

 

Saíreis dela com a verdadeira dimensão das vossas vidas e de quem sois.

 

É muito triste que determinados “homens” dos nossos dias continuem com índices tão elevados de irracionalidade e de falta de sensibilidade em relação ao sofrimento de outros seres vivos, apenas porque não se conhecem a si próprios.

 

Vocês sabem que os vossos nomes ficarão COLADOS à peste negra que é a tauromaquia, para todo o sempre. Até quando o vosso corpo estiver a sete palmos debaixo da terra, desfeito em pó, e o vosso espírito, diante de Deus, a prestar contas dos vossos actos.

 

Isto, os padres que vos abençoam, não vos dizem. Mas deviam dizer. Porém, eles, coitados, também estão nas mesmas circunstâncias. Terão de prestar contas daquilo que NÃO FIZERAM pela Humanidade, e deviam ter feito, uma vez que se consideram “representantes” de Deus na Terra.

 

Agora vou deixar-vos com este recado, extensivo a todos os aficionados e tauricidas, que MENTEM sobre o “Touro de lide”:

 

 

Pois todos nós já sabemos das vossas mentiras.

 

Todos nós já sabemos que o que vos move é o interesse económico. A ganância.

 

Todos nós já sabemos que o Sadismo é a vossa mola mestra.

 

Como pode um grupinho, que não teve acesso a uma instrução adequada, ter a pretensão de querer saber mais do que um Zoólogo?

 

Todos nós já sabemos que vós não tendes a mínima razão.

 

Rendei-vos às evidências.

 

Abandonem esta actividade, imprópria de seres humanos, com alguma dignidade (se é que a têm), enquanto podem.

 

Depois será demasiado tarde. Saíreis de rastos.

 

Não queiram ser atirados para o abismo como carcaças de uma espécie já em extinção.

 

Saiam pelo vosso pé, enquanto têm carne e ossos, e olhos para se olharem no espelho (e fazerem aquele exercício de que vos falei).

 

Saiam em grande, saindo humildemente. Não vos ficará mal.

 

2013 aproxima-se. Tenham isso em conta.

 

Pensem no que vos disse. A cabeça não serve apenas para usar chapéu.

 

Desejo a todos uma boa reflexão sobre este assunto, neste Natal e neste final de 2012, aquele que foi o ano de todas as mudanças (disse-o desde o início), pois uma nova era, uma nova Humanidade aproxima-se.

 

Com a minhas saudações abolicionistas,

 

Isabel A. Ferreira

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:48

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Domingo, 9 de Dezembro de 2012

Carta de um menino aos Reis Magos

 

 

 

Mais um excelente texto de Julio Ortega, que não posso deixar de transcrever, porque ele também “fala” por mim.

 

 

Texto de JULIO ORTEGA

 

Queridos Reis Magos*:  

 

Este ano não vos escrevo para pedir que me tragais prendas, mas para que leveis umas tantas coisas. Não, não estou louco, acontece que me dei conta de que o que sobra na minha vida está a ocupar o espaço daquilo que me falta, e que sou um menino mais pobre pelo que tenho, do que pelo que já não quero ter.

 

Por favor, levai os animais das mesas de Natal da minha casa. Não me importa quão tenras estejam as costeletas do cordeirinho. Não quero mastigar o seu cadáver, e necessito de que os meus pais, por causa disso, não me olhem como se eu estivesse louco ou como se fosse ficar doente, bem como temo que também terás de lançar no teu saco os preconceitos deles.

 

Levai as armas da casa do meu tio, que é caçador. Não quero que ele me torne a dizer: «Rapaz, não falta muito para que venhas caçar comigo, e logo verás como juntos passaremos uns bons momentos!»

 

Não! Tenho medo do meu tio, porque o meu tio gosta de matar e sorri quando o faz. Levai as espingardas e os sorrisos dele e, sobretudo, não permitais que me leve a mim com ele.

 

Levai as corridas de touros da minha cidade. E a esses senhores que vêm à minha escola tentar convencer-nos de que os toureiros são uns heróis.

 

Lembro-me que lhes perguntei se eu também seria um herói se  apanhasse um pano e uma faca da cozinha da minha casa, saísse para a rua e depois de dar uns tantos “capotazos” (passos que o toureiro realiza com a capa) ao primeiro cão que encontrasse e o matasse, cravando-lhe uma e outra vez a faca.

 

Um, que me assegurou ter toureado em Las Ventas, disse-me piscando-me um olho: «Bem, não o faças porque é proibido, e além disso isso não é arte, como na tauromaquia, mas só cá entre nós, serias muito valente!»

 

Levai os circos com animais. Melhor dizendo, levai os animais e deixai os circos. Sim, levai os elefantes, os leões, os macacos ou os tigres para o lugar de onde nunca deveriam ter saído, os seus verdadeiros habitats, e deixai os trapezistas, os malabaristas, os palhaços, os contorcionistas…

 

Deixai os que trabalham debaixo do toldo de forma voluntária e por um salário, não os escravos que o fazem, porque estão drogados ou porque lhes dói o castigo físico.

 

Tal como nos dói a todos nós.  

  

Abri todas as jaulas dos jardins zoológicos, levai os animais que lá estão para santuários, e levai também as chaves para que nunca mais possam fechar-se os cadeados. Não quero que os meus pais tornem a dizer-me, a sorrir: «Olha, esta tarde vamos ao zoo, ver os animais», e que eu já não saiba como explicar-lhes que ali só vejo criaturas tristes, doentes de tanto tédio e solidão, prisioneiros que perderam a alegria nos olhares, e toda a esperança de liberdade, e que a mim isso não me diverte, ao contrário, só me destroça o coração.

 

Animais? Não. Fantasmas com forma de animais.

 

Levai os cães e os gatos das montras, levai-os das lojas de animais, porque não quero abrir um embrulho a 6 de Janeiro, e que o meu presente ladre, mie, pie ou dê voltas dentro de um aquário. Não sou um carcereiro, nem um traficante de vidas.

 

A amizade não necessita de pedigree, nem as ruas precisam de mais cães e gatos abandonados, porque cresceram, porque sujam, porque fazem gastar dinheiro ou porque estragam as férias.

 

Levai o egoísmo, a indiferença, a crueldade, a ganância e a ignorância dos adultos. E se não podeis levar uma carga tão grande e tão pesada, trazei-me o seu montante, para que eu possa enfrentar esses adultos e uma sociedade onde os hábitos, as tradições, as diversões e os negócios são tantas vezes o alibi de um crime.

 

Prefiro a desobediência que rompe os laços de sangue, a que outros sangrem devido à minha cobardia.

 

*(Em Espanha o mais importante da festa de Natal é a chegada dos Reis Magos, a Belém, por isso as cartas dos meninos são escritas aos Reis, e não ao Pai Natal (moda da coca-cola) ou ao Menino Jesus (a principal personagem da Natividade).

 

Fonte do original, traduzido por Isabel A. Ferreira

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=4549549853222&set=a.1479904274001.2064338.1125623170&type=1

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:15

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Terça-feira, 21 de Dezembro de 2010

NESTE NATAL FRIO...

 

 

 

 

© Isabel A. Ferreira

 

Neste Natal frio, como todos os outros Natais, não fingirei contentamento; não me envolverei numa auréola de Paz e de Harmonia; não sorrirei como se tudo ao meu redor transmitisse quietude...

 

Neste Natal, não vos falarei daquele Menino Divino, cuja influência dividiu o mundo entre Cristãos e Pagãos, e tão inocentemente lançou os povos em grandes abismos ideológicos, na esperança de alcançarem um lugarzinho no reino dos Céus.

 

Neste Natal, não enfeitarei pinheirinhos; nem farei repicar o sino na torre da igreja; nem entoarei melodiosos cânticos; nem trocarei hipócritas mensagens de Boas Festas.

 

Neste Natal, não sairei pelas ruas ornamentadas, coloridas, impregnadas daquele ar consumista, que transforma qualquer tentativa de festividade religiosa numa extraordinária festa comercial; e não me encherei de pacotes disto e pacotes daquilo, só para constar que também participei na grande mercancia.

 

Neste Natal, não tenho motivos para festejar o Natal. Que Natal? Natal de quê? Natal porquê? Se todos os anos as mesmas cenas (não os mesmos rituais: esses perderam o seu primeiro sentido há muito tempo) se repetem cada vez mais automatizadamente. Cada ano se renovam (e não se cumprem) as mesmas promessas de se construir um mundo mais digno do Homem, daquele HOMEM que o Menino, tão falsamente festejado nesta quadra, desejou que vivesse num mundo harmonioso e pacífico.

 

Neste Natal, não distribuirei falsos sorrisos, porque não me apetece sorrir. Que motivos terei para esbanjar a minha alegria? Apenas as crianças merecem o meu sorriso, e, para elas, ele jamais será falso, porque lhes mostro o outro lado do Natal, e elas entendem e concordam e conseguem discernir entre a hipocrisia que as rodeia e o verdadeiro sentido da vida, e então, podem sorrir comigo, sem medo, numa cumplicidade tão secretamente harmoniosa e só nossa...

 

Neste Natal, não inventarei que a neve cai lá fora, de mansinho, inundando a natureza de um branco imaculado; e que as estrelas brilham mais intensamente, lá no alto; e que, em cada lar reina a alegria e uma paz celestial, diante de uma mesa farta de tudo... mas se os corações estão vazios de amor, de que adianta essa aparente fartura?...

Neste Natal, recuso-me a comungar dos falsos conceitos, que os falsos cristãos pretendem impor, quando, uma vez por ano, se lembram de que há gente morrendo de fome todos os dias, e então, num gesto resgatador, desatam a distribuir comida, roupa, dinheiro, porque é praxe lembrarem-se dos pobrezinhos no Natal (e apenas no Natal) para poderem cear a farta ceia, com a consciência tranquila, do dever cumprido.

 

Neste Natal, mostrarei a minha revolta desejando àqueles que desconhecem (por intencional ignorância ou por simples maldade) o significado da SOLIDARIEDADE HUMANA, materializada nos gestos de cada dia, uma vida plena do mesmo mal-estar que provocam aos que são atingidos pelos seus actos ignóbeis.

 

Para quê mostrar hipocrisia? Só porque é Natal?...

Não! Não podem acusar-me de sentimentos anti-cristãos. Eu não sou Deus. Mas se até o divino Filho do Todo-poderoso, feito Bondade e contemporizador, se revoltou contra os vendilhões que profanaram o templo de seu Pai, e os expulsou à chicotada, num gesto de fúria, porque não hei-de eu, simples mortal, deixar que a revolta me possua e me dê forças para combater (não para castigar) os que, impiedosamente, fazem murchar o sorriso dos inocentes, tal como um fungo maligno destrói a beleza das flores?...

 

Neste Natal, recuso-me a ser hipócrita. Por que haveria de esquecer, apenas porque é Natal, todas as crueldades que durante todo o ano se cometem contra seres, humanos e não humanos que, tal como eu, amam a vida tão intensamente, e gostam de a viver desfrutando da harmonia cósmica que nos foi concedida nos princípios dos tempos?!...

 

Porque hei-de fingir por um dia que todas as pessoas são pessoas, quando sabemos que sob muitas das carcaças humanas que vemos circular à nossa volta, se escondem os piores carácteres e o mais falso humanismo?

 

Neste Natal, não aceitarei o cântico «Glória a Deus nas alturas e Paz na Terra aos homens de boa vontade», porque a má vontade dos homens impera sobre a glória de Deus, transformando o mundo num imenso vale de lágrimas, onde parece não haver lugar para a Paz...

 

Neste Natal, tão frio como todos os outros Natais, não fingirei contentamento; não me envolverei numa auréola de Paz e de Harmonia; não sorrirei como se tudo em meu redor transpirasse quietude...

Neste Natal, as trevas cobrirão o mundo, porque os homens de má vontade assim o querem; mas eu, eu não participarei nesse banquete farto de hipocrisia.

        

Neste Natal, o meu protesto será absoluto...

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:25

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Quinta-feira, 15 de Outubro de 2009

«O Amor Acontece» - Filme de Richard Curtis

 

 

Copyright © Isabel A. Ferreira 2009
 
Quando os Portugueses são humilhados e ninguém se insurge contra essas humilhações 
(Parte I)
 
Vem esta crónica na sequência da que dediquei a Maitê Proença, e a propósito de duas situações com que me vi envolvida recentemente, e me deixaram igualmente indignada.
Casualmente, num fim-de-semana em que me apetecia ver um filme leve, na televisão, para terminar relaxadamente um dia que fora demasiado fatigante, passei pelo Canal Hollywood e estava a iniciar precisamente o filme O Amor Acontece, tradução portuguesa do original Love Actually, de Richard Curtis (um roteirista neo-zelandês, naturalizado britânico – e isto é importante frisar).
Deixei-me ficar ali. O filme (já de 2003, mas eu ainda não o tinha visto) era uma comédia ligeira, falava de amor (que é algo sempre aliciante), uma das actrizes até era a nossa Lúcia Moniz, e um dos actores o Rodrigo Santoro, o sedutor Frei Malthus, da excelente e recomendável série brasileira Hilda Furacão, enfim, tinha ingredientes em dose suficiente para me cativar, e deixar pregada a um sofá.
Ora o filme contava uma série de histórias de amor, em tempo de Natal, época em que o ar fica misteriosamente impregnado de uma contagiosa benquerença, que, infelizmente, logo se esvai com o chegar de um novo ano, até que aconteça um outro Natal.
Peripécias daqui, peripécias dali, infidelidades, amores cruzados, amores tímidos, o enredo do filme decorria normalmente. A nossa Lúcia Moniz foi trabalhar como empregadinha doméstica, para uma casa alugada por um escritor chamado Jamie (o actor Colin Firth) enquanto este escrevia um livro. A Lúcia (Aurélia, no filme), era uma jovem bonita, atraente, meiga, educada, suave, limpinha, um pouco tímida, que coloria os dias tristonhos do escritor, deixando entrever que entre eles o amor andava no ar.
Quando este teve de deixar a casa, para seguir a sua vida, Aurélia foi dispensada. Ele, gentilmente, conduziu-a até ao bairro onde ela morava, um bairro demasiado sombrio para tão mimosa menina. Esta, ao despedir-se, dá-lhe um beijo na boca, que o deixou boquiaberto, pois era um rapaz tímido. Mas enfim, até aqui, nada a dizer. Tudo perfeitamente normal.
Entretanto, se não estou em erro, esta cena da separação dos dois acontece quase no final do filme. Enquanto os outros casais vão se recompondo, Jamie, a caminho do aeroporto, tem um rebate de consciência, pois Aurélia não lhe sai do pensamento. Decide então reconsiderar e ir procurá-la ao bairro onde a deixou. «Aurélia, onde fica a casa de Aurélia?». Perguntou. Lá lhe disseram. Bateu a uma porta. Abriu-lha um homem anafado, de aspecto besuntão, grosseirão, de fralda de fora, daqueles que até podem existir por aí, mas não são de modo algum o protótipo do homem português.
Quem era então este homem? O pai da Aurélia, em pessoa.
Jamie, que entretanto, por artes e artimanhas, aprendera a falar português, logo ali pediu para casar com a filha. O portuguesinho, embasbacado, pois não era todos os dias que um gentleman pedia a mão das filhas, chamou a que tinha mais à mão, aparecendo então uma mocetona, obesa, feia, horrorosa, grosseirona como o pai, descabelada, desdentada, oleosa, enfim, uma figurinha de fugir, o que também poderá existir por aí, mas não é, de todo, o protótipo da mulher portuguesa.
Ao ver tal criatura, Jamie apressou-se a dizer que não era aquela a sua amada, mas a Aurélia. Onde estava a Aurélia? Nestes entretantos, descendo as escadas, foi se aproximando a restante família de Aurélia, toda ela um pavor: porca, feia, grosseirona.
A Aurélia? Estava a trabalhar num restaurante. Era empregada de mesa. A família (toda) indicar-lhe-ia o caminho. E lá foram, beco fora, em procissão, Jamie e o pai grosseirão da Aurélia à frente, e atrás a irmã obesa, a mãe obesa, e demais família, todos com o aspecto mais seboso que possa imaginar-se.
Uma família portuguesa? Não, com certeza. Uma caricatura desprezível, sim.
Chegados ao restaurante, lá estava Aurélia, radiosa, linda, delicada como uma flor, o que destoava completamente da tal família sebosa. A discrepância era tal que se ficava com a ideia de que dentro de uma pocilga foi possível florescer uma rosa imaculadamente branca.
Aonde quero chegar?
Uma vez mais os Portugueses foram humilhados num filme realizado por um britânico (não interessa se naturalizado ou não). Um filme que teve sucesso, e que transmitiu uma péssima imagem dos Portugueses. Já com a série Os Tudors (do roteirista também britânico Michael Hirst) passada na RTP1, Portugal foi enxovalhado, como sendo um povo sebento, de poucas maneiras, enfim, os britânicos (entre outros) têm a ideia de que os portugueses são feios, porcos, maus e ignorantes, e fica tudo por aí, pois ninguém os contradiz.
(Recorde-se aqui o livro «1808» do jornalista brasileiro Laurentino Gomes, que foi por mim contestado, e os Portugueses, salvo raras excepções, passaram por cima do preconceito do jornalista, transformando-o num best-seller, e ignoraram igualmente o meu atrevimento, ao contestá-lo.)
Ora em relação à Lúcia Moniz, esta deveria ter-se recusado determinantemente a interpretar aquela personagem, tendo como família uma gente tão sebosa. Aceitava o papel, sim, se o realizador se desse ao trabalho de pesquisar melhor o protótipo das famílias portuguesas que emigram. Em mil, uma caracterizar-se-á, por ventura, como a que foi retratada no filme, porém, a personagem Aurélia, nunca poderia ser aquela menina mimosa e delicada, mostrada no filme, e que vicejou numa família tão pocilguenta.
Já a RTP1 deveria ter recusado comprar e passar Os Tudors, no pequeno ecrã, como forma de protesto contra a ignorância daqueles que têm ideias erradas e fixas, sobre o povo português, que ao que vejo, perdeu o brio e tem vergonha de ser patriota, isto é, tem vergonha de amar o seu país – Portugal. Que vergonha há nisto? Esses portugueses, ou melhor, esses portuguesinhos, que se envergonham de ser Portugueses não merecem ser filhos do pequeno e belo território que os viu nascer.
Voltando àquela noite...
Nessa noite, eu, que queria descontrair-me com um filme leve, irritei-me à brava.
Como se tudo isto não bastasse, e ainda no seguimento dos maus-tratos a que os portugueses estão sujeitos, por parte dos estrangeiros que ignoram tudo sobre o que fomos e o que somos (nem o mínimo sabem, mas nós sabemos o mínimo sobre o Quirguistão), e mesmo por parte dos Portugueses que não reagem a esses maus-tratos (e é por isso que o estudo da HISTÓRIA, banido das nossas escolas, é premente), poucos dias depois, aconselharam-me a ler um livro que foi publicado pela Civilização Editora (edição de Portugal) em 2007, intitulado «O Português Que Nos Pariu», da jornalista brasileira Angela (sem circunflexo) Dutra de Menezes, e sobre o qual o jornal O Globo (Brasil), comentou ser «um dos dez melhores livros do ano».
Porque isto tem muito que se lhe diga, deixarei o comentário desta obra para a segunda parte de Quando os Portugueses são humilhados e ninguém se insurge contra essas humilhações...
 
publicado por Isabel A. Ferreira às 14:48

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