Segunda-feira, 6 de Maio de 2019

«A BROA DOS VELHOS» (2013): QUALQUER SEMELHANÇA COM A ACTUALIDADE POLÍTICA PORTUGUESA (2019) NÃO É MERA COINCIDÊNCIA

 

«Este artigo não foi escrito pelo guarda nocturno da minha área de residência, nem por um qualquer esquerdista com explosivos escondidos nos sapatos. Foi escrito em 2013, por Alberto Pinto Nogueira, uma pessoa com responsabilidades, antigo Procurador-Geral da República, tem 72 anos de idade e não me parece ter a doença do alemão (Alhzeimer)... Merece, pois, uma leitura.» (A. M.).

 

APNogueira.jpg

«O poder, seja lá de que natureza for, persegue e odeia os homens livres, mas favorece, protege e promove os medíocres e os sabujadores» (Alberto Pinto Nogueira)

Eu, Isabel A. Ferreira, não podia estar mais de acordo com esta sentença.

 

«A BROA DOS VELHOS»

por Alberto Pinto Nogueira (*)

 

A República vive da mendicidade. É crónico. Alexandre de Gusmão, filósofo, diplomata e conselheiro de D. João V, acentuava que, depois de D. Manuel, o país era sustentado por estrangeiros.


Era o Séc. XVIII. A monarquia reinava com sumptuosidades, luxos e luxúrias.

 

A rondar o Séc. XX, Antero de Quental, poeta e filósofo, acordava em que Portugal se desmoronava desde o Séc. XVII. Era pedinte do exterior.

 

A Corte, sempre a sacar os cofres públicos, ia metendo vales para nutrir nobrezas, caçadas, festanças e por aí fora….

 

Uma vez mais, entrou em bancarrota. Declarou falência em 1892.

 

A I República herdou uma terra falida. Incumbiu-se de se autodestruir. Com lutas fratricidas e partidárias. Em muito poucos anos, desbaratou os grandes princípios democráticos e republicanos que a inspiraram. 

 

O período posterior, de autoritarismo, traduziu uma razia deletéria sobre a Nação. Geriu a coisa pública por e a favor de elites com um só pensamento: o Estado sou eu. Retrocedia-se ao poder absoluto. A pobreza e miséria dissimulavam-se no Fado, Futebol e Fátima.

 

As liberdades públicas foram extintas. O Pensamento foi abolido. Triturado.

 

O Povo sofria a repressão e a guerra. O governo durou 40 anos! Com votos de vivos e de mortos.

 

A II República recuperou os princípios fundamentais de 1910, massacrados em 1928.

 

Superou muitos percalços, abusos e algumas atrocidades.

 

Acreditou-se em 1974, com o reforço constitucional de 1976, que se faria Justiça ao Povo.

 

Ingenuidade, logro e engano.

 

Os partidos políticos logo capturaram o Estado, as autarquias, as empresas públicas.

 

Nada aprenderam com a História. Ignoram-na. Desprezam-na.

 

Penhoraram a Nação. Com desvarios e desmandos. Obras faraónicas, estádios de futebol, auto-estradas pleonásticas, institutos públicos sobrepostos e inúteis, fundações público-privadas para gáudio de senadores, cartões de crédito de plafond ilimitado, etc. Delírio, esquizofrenia esbanjadora.

 

O país faliu de novo em 1983. Reincidiu em 2011. 

 

O governo arrasa tudo. Governa para a troika (**) e obscuros mercados. Sustenta bancos. Outros negócios escuros. São o seu catecismo ideológico e político.

 

Ao seu Povo reservou a austeridade. Só impostos e rombos nas reformas.

 

As palavras "Povo” e “Cidadão” foram exterminadas do seu léxico.

 

Há direitos e contratos com bancos, swaps, parcerias. Sacrossantos.

 

Outros, (com trabalhadores e velhos) mais que estabelecidos há dezenas de anos, cobertos pela Constituição e pela Lei, se lhe não servem propósitos, o governo inconstitucionaliza aquela e ilegaliza esta. Leis vigentes são as que, a cada momento, acaricia. Hoje umas, amanhã outras sobre a mesma matéria. Revoga as primeiras, cozinha as segundas a seu agrado e bel-prazer.

 

É um fora de lei.

 

Renegava a Constituição da República que jurou cumprir. Em 2011, encomendou a um ex-banqueiro a sua revisão. Hoje, absolve-a mas condena os juízes que, sem senso, a não interpretam a seu jeito!!! 

 

Os empregados da troika mandam serrar as reformas e pensões. O servo cumpre.

 

Mete a faca na broa dos velhos.

 

Hoje 10, amanhã 15, depois 20%.

 

Até à côdea. Velhos são velhos. Desossem-se. Já estão descarnados. Em 2014, de corte em corte (ou de facada em facada?), organizará e subsidiará, com o Orçamento do Estado, o seu funeral colectivo.

 

De que serviu aos velhos o governo? E seu memorando?

 

Alberto Pinto Nogueira

 

Origem do texto e da foto:

http://macroscopio.blogspot.com/2013/09/a-broa-dos-velhos-por-alberto-pinto.html

 

***

(*) Alberto Pinto Nogueira, antigo Procurador-geral da República, no Tribunal da Relação do Porto, nasceu em 26/04/47 e é natural de V. N. de GAIA.

 

(**) Hoje não temos a Troika, mas temos um governo desgorvernado e esbanjador e incompetente, sem capacidade para administrar os dinheiros públicos, mal distribuídos, mal gastos, mal utilizados. Para o essencial nunca há verbas.  Tudo vai de mal a pior. Desde 2013, se se avança um passo, recua-se cinco.  

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:40

link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
Terça-feira, 1 de Agosto de 2017

TOURADAS NÃO DÃO MAIS AUDIÊNCIA À RTP

 

 

O que consta por aí não passa de uma falácia.

 

As audiências até podem ter aumentado minimamente, mas o que está por trás deste aumento é o seguinte: muitos aficionados já evitam ir às arenas para que ninguém saiba que são SÁDICOS, PSICOPATAS e PAROLOS, e, deste modo, não ficam expostos à estigmatização.

 

Porque hoje em dia, só os SÁDICOS, os PSICOPATAS e os PAROLOS vão ver touradas ao vivo, e expõem-se ao ridículo, porque lhes falta juízo crítico.

 

Sentem “orgulho” de ser broncos, e isso já diz muito do atraso mental desta “gente”.

 

RTP.jpg

 (Origem da imagem: Internet)

 

O Director de Programas da RTP 1, Daniel Deusdado, disse há dias, em entrevista ao DN, ser sua convicção de que “as touradas representam maus tratos aos animais”. Afirmou ainda que “está fora de questão” aumentar o número de touradas televisionadas e que, “a haver mudanças, será para diminuir o número de transmissões”.

 

Essa diminuição já aconteceu. Agora o próximo passo deveria ser transmissão zero, porque ainda que se diminua as transmissões de três para duas ou uma, seis ou doze Touros serão torturados em direCto para os sádicos, os psicopatas e os parolos que não querem expor-se ao ridículo, nas arenas.

 

E isto não é serviço público, que deva ser pago com os impostos dos Portugueses. Ponto final.

 

Apreciamos a posição de Daniel Deusdado, mas não basta.

 

Cada vez mais este tipo de “diversão” está a ser rejeitado e repudiado pela sociedade que, lentamente (é certo), vai evoluindo e deixando as práticas medievalescas que já não combinam com os festivais de música de Verão, a que milhares de jovens aderem.

 

Às arenas vão sempre os mesmos e poucos, em excursões pagas pelas autarquias, com dinheiros do povo.

 

Às que as RTP 1 transmite vão os marialvas, os betinhos e as betinhas e os da casa do pessoal da RTP e respectivas famílias.

 

Nem as moscas querem lá por os pés.

 

Ainda bem que assim é.

 

As touradas só ainda existem, porque o PS, o PSD. o CDS/PP e o PCP, partidos que fomentam políticas de direita e cujos deputados estão ao serviço do poderoso lobby tauromáquico, que enche os bolsos à custa dos impostos que o povo paga com sacrifício, e, portanto, podem “pagar para ter”.

 

Não fosse esse servilismo rastejante, as medievalescas touradas, que nasceram para entreter uma realeza decadente, na vizinha Espanha, e que os reis Filipes espanhóis implantaram em Portugal com todos os seus defeitos, já não existiriam há muito.

 

Mas em Portugal há esta mentalidade pobre de copiar o que de mau se faz no estrangeiro, apenas porque é estrangeiro. E os políticos portugueses e administradores disto e mais daquilo, que, vá-se lá saber porquê, adoram ser servis e vergam-se com muita facilidade ao poderio torpe estrangeiro, infantilmente dizem que sim a tudo, como aqueles bonecos que abanam a cabeça sempre para a frente.

 

Só não dizem que sim aos apelos da Razão, da Lucidez, da Evolução, da Civilização, e isto porque adoram viver no passado, a rastejar na lama.

 

Há que dizer BASTA a esta vergonhosa situação, que não dignifica a Nação Portuguesa e os Portugueses, que sentem orgulho em ser Portugueses.

 

Está mais do que na hora de o governo português, liderado por um Partido Socialista de direita, rejeitar esta política a cheirar à monarquia decadente de outrora.

 

Está mais do que na hora de evoluir, e de caminhar com a espinha dorsal bem erecta à maneira do Homo Sapiens Sapiens.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:40

link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
Quinta-feira, 14 de Abril de 2016

O QUE O PAN AINDA NÃO FEZ PARA ACABAR COM AS TOURADAS

 

O constitucionalista Vital Moreira criticou o PAN (partido das Pessoas, dos Animais e da Natureza) que elegeu um deputado nas últimas eleições legislativas, por este ainda não ter avançado com uma proposta para acabar definitivamente com as touradas em Portugal.

 

VITAL.jpg

 

Vital Moreira argumenta ainda que «o PAN também ostenta na sua designação a defesa da Natureza, mas não propõe nada para parar e fazer reverter o maior atentado à Natureza em Portugal, que é a eucaliptização selvagem do país, num ménage a trois entre a indústria de celulose, as associações de produtores florestais e o Ministério da Agricultura».

 

E Vital Moreira concluiu: «Se é para isso, bem podem mudar de nome».

***

Pois penso que o PAN deveria realmente propor a ABOLIÇÃO de todas as vertentes da tauromaquia, mas também de todas as práticas bárbaras que se cometem em Portugal contra animais: circos, festas públicas com matança de porcos, ao vivo, caça, tiro aos pombos, lutas de cães, corrida de galgos, corrida de Cavalos, charretes com tracção animal, queima do gato, enfim, uma infinidade de barbaridades que não se justificam para divertir um povo, se bem que um povo bastante  EMBRUTECIDO.

 

Já chega de medievalismos. Já chega de estupidez. Já chega de atraso de vida.

 

Em Portugal (dizem) temos um governo que se diz de esquerda, mas no que respeita aos animais, a governação mantém a política da direita, da ditadura, da monarquia. Nada mudou, nesse aspecto.

 

O PAN introduziu na AR um discurso novo, mas, de facto, ainda não se ouviu, nesse discurso, a palavra ABOLIÇÃO, que á a única que interessa, no que respeita ao (ab)uso de animais não humanos para entretenimento de alapoados.

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 19:18

link do post | Comentar | Ver comentários (24) | Adicionar aos favoritos
Segunda-feira, 4 de Abril de 2016

ESTRELA DE FERRO PARA LOCALIDADES PORTUGUESAS COM SIGNIFICATIVO ATRASO CIVILIZACIONAL

 

Tendo em conta a densidade populacional do Norte do País, onde se encontram os municípios aos quais foi atribuída a Estrela de Ouro da Evolução, é fácil concluir onde está instalado o maior atraso civilizacional de Portugal

 

19416725_N92ie[1] FERRO E OURO.jpg

 

Eis os municípios portugueses que envergonham Portugal:

 

Abiul (Pombal), Alandroal, Albufeira, Alcácer do Sal, Alcochete, Aldeia da Ponte (Sabugal), Alfeizerão (Alcobaça), Almeirim, Alpalhão (Nisa), Alter do Chão, Amarante, Amareleja (Moura), Angra do Heroísmo, Arraiolos, Arronches Arruda dos Vinhos, Azambuja.

Baião, Barrancos, Barreiro, Beja, Benavente, Bencatel (Vila Viçosa), Bombarral, Benedita.

Caldas da Rainha, Calheta (Açores), Campo Maior, Cartaxo, Casével (Santarém) Castelo Branco, Cuba.

Elvas, Estarreja, Estremoz, Évora.

Figueira da Foz, Foz do Sisandro.

Garvão, Golegã.  

Idanha-a-Nova, Ilha Terceira.

Leiria, Lisboa.  

Messejana (Aljustrel), Moita, Monforte, Montemor-o-Novo, Montemor-o-Velho, Montijo, Moura, Mourão.

Nazaré, Nisa.

Óbidos, Odemira, Oliveira do Bairro.

Palmela, Pinhal Novo (Palmela), Pinhel, Pombal, Ponte de Lima, Portalegre, Portel, Póvoa de Varzim (que, entretanto, se declarou anti-tourada)

Redondo, Reguengos de Monsaraz, Rio Maior.

Sabugal, Salvaterra de Magos, Samora Correia (Benavente), Santana da Serra, Santarém, São João da Pesqueira, São Manços, São Marcos do Campo, Serpa, Setúbal, Sobral de Monte Agraço, Sousel.

Tomar.    

Viana do Alentejo, Vila Franca de Xira, Vila Nova da Barquinha, Vila Nova de Mil Fontes (Odemira), Vila Viçosa.  

Urros (Mogadouro.)

 

Estas são as localidades portuguesas às quais foi atribuída a Estrela de Ferro da Involução, do retrocesso, da perda de qualidades benéficas (como força e inteligência), do retorno a um estado primitivo, pela prática bárbara da selvajaria tauromáquica ainda enraizada nos hábitos dessa populações que se recusam a evoluir.

 

Como pode ver-se, as Estrelas de Ferro concentram-se nos concelhos situados mais a sul do País, a esmagadora maioria portadores de um atraso civilizacional bastante acentuado, os quais, à excepção de Lisboa, uma capital que se diz europeia, mas ainda deve uma boa quantia à evolução (pois aqui estão concentrados os maiores defensores das touradas: os GOVERNANTES), são bastante menos populosos do que os concelhos mais a norte que evoluíram e deram as costas a este costume antigo e bárbaro, herdado dos espanhóis que assentaram arraiais em território português em 1580, com o Rei Filipe I de Portugal (II de Espanha).

 

Em 1640, porém, a monarquia espanhola foi expulsa do nosso país, mas deixou-nos de herança o lixo tauromáquico que a monarquia portuguesa e mais tarde os republicanos mantiveram por mera ignorância e interesses económicos, e que os actuais ditos governantes de esquerda continuam a manter pelos mesmos motivos.

 

Nada parece ter mudado em relação à mentalidade retrógrada que caracterizou o tempo da monarquia, e depois o dos republicanos que se diziam melhores do que os anteriores, contudo, continuaram a ser retrógrados, ao impingirem-nos uma ditadura.

 

Depois de longos anos de escuridão, a esperança surgiu numa manhã de Abril, mas foi sol de pouca dura, porque passado o momento do entusiasmo que a miragem da liberdade, arrastando uma promissora mudança de Poder, proporcionou, o tempo das trevas regressou, fantasiado de democracia, pois se nem um governo, (agora) dito de esquerda, consegue afastar o lixo, não só tauromáquico, mas também outros lixos herdados dos regimes retrógrados anteriores!!!

 

***

E eis-nos chegados ao ano de 2016, ainda enlaçados na conspurcada herança dos monarcas espanhóis, e na política salazarista de manter o povo ignorante e submisso.

 

***

No norte do País, à excepção de Ponte de Lima  e um ou outro concelho que pontualmente se verga à máfia tauromáquica, os municípios evoluíram e aboliram do seu território a selvajaria tauromáquica, mas apenas Viana do Castelo se declarou anti-tourada.

 

Por isso, às localidades implantadas nesse território, livre do lixo tauromáquico, foi atribuída a Estrela de Ouro da Evolução.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:15

link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
Segunda-feira, 9 de Setembro de 2013

OS DUQUES DE BRAGANÇA ENVERGONHAM PORTUGAL E A REALEZA EUROPEIA AO ESTAREM PRESENTES E APOIAREM A CORRIDA DE TOUROS DE HOMENAGEM AO REAL GRUPO DE MOURA

 

Que espécie de “realeza” será esta?

Que decepção!

 

 

No próximo dia 13 de Setembro, os Duques de Bragança presidirão à corrida de touros que se realizará na arena alentejana de Moura, onde será comemorado o aniversário do Real Grupo de Forcados Amadores de Moura - o único em Portugal a que D. Duarte concedeu a designação de Real Grupo de Forcados.

  

http://farpasblogue.blogspot.pt/2013/08/duques-de-braganca-na-corrida-de.html

 

Sinto-me defraudada, por um dia ter acreditado que este casal pudesse trazer algo de novo a um possível regresso da Monarquia a Portugal, uma vez que a República, implantada em 1910, se transformou num embuste.

 

Agora fiquei sem chão.

 

Nem República, nem Monarquia.

 

Vivo num Portugal que terei de reinventar, com governantes imaginários, à medida de uma Cultura e de uma Civilização superiores…

 

Não é fácil ser agredida constantemente por estes desatinos medievais, em pleno século XXI d. C., realizados por gente que deveria ser um exemplo da mais nobre civilidade e não passa de um paradigma da mais plebeia vulgaridade.

  

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:29

link do post | Comentar | Ver comentários (6) | Adicionar aos favoritos
Segunda-feira, 4 de Outubro de 2010

NOS CEM ANOS DA REPÚBLICA PORTUGUESA O QUE HÁ PARA COMEMORAR?

 

 

 

 

© Isabel A. Ferreira

 

A 5 de Outubro de 1910 nascia a República Portuguesa, que se apresentava ao povo como a única via capaz de «devolver ao país o prestígio perdido e colocar Portugal na senda do progresso».

 

Ora, os republicanos ao dizerem que pretendiam devolver ao país o “prestígio perdido”, significa que admitiam que Portugal já tivera prestígio no mundo. Um prestígio que nunca mais recuperou.

 

E eles pretendiam restituir esse prestígio e colocar Portugal na senda do progresso.

 

Ora vejamos, cem anos passados sobre o dia em que os portugueses se libertaram da Monarquia, o nosso prestígio no mundo será reconhecido? Estaremos na tal senda do progresso, de um modo que possamos dizer que os problemas que existiam em 1910 já não existem em 2010?

 

Sim, podemos dizer que algo mudou. Porém...

 

Já não temos monarcas que esbanjavam fortunas, com o fausto da corte, mas temos Ministros, Gestores, Administradores, Chefes, Directores, Gerentes, que ganham fortunas para “governar bem” o país, e o país está mal governado e o povo a pagar as facturas desse esbanjamento (não diziam o mesmo da Monarquia)?

 

Não estamos sob o jugo dos Ingleses, é verdade. Mas estamos sob o jugo de uma União Europeia que envia gente ao nosso país, para dizer como havemos de gerir os nossos dinheiros e as nossas contas (não era assim mais ou menos, com os Ingleses, durante a Monarquia?). E também hoje estamos a ser “colonizados” por capital estrangeiro, em muitas das principais empresas ditas portuguesas.

 

Pretendiam os republicanos de 1910 acabar com a instabilidade política e social que então se vivia, e com a alternância de dois partidos no poder (os progressistas e os regeneradores).

 

Conseguiram?

 

Querem maior instabilidade política e social do que esta que vivemos nos tempos que correm?

 

E quanto à alternância entre dois partidos?

 

Os primeiros republicanos não se entenderam e guerrearam-se.

 

Os que vieram a seguir também não se entenderam e guerrearam-se, a tal ponto que foi necessária a Ditadura de Salazar, que como se sabe, durou como aquelas pilhas que duram, duram, duram e nunca mais acabam...

 

Um dia, porém, acabou. Fez-se uma revolução, para revolucionar o sistema. Correu-se com tudo e com todos, e implantou-se um regime livre e libertário: o 25 de Abril de 1974 acabou com a Ditadura, que toda a gente sabia que existia, e por isso vivia-se de acordo com o que se sabia. Quem quisesse arriscar, arriscava-se a morrer assassinado ou a ir parar à prisão, ou ao exílio, por pensar alto. Quem não quisesse arriscar, vivia a sua vidinha, caladinho e submisso, e nada lhe acontecia.

Com a Revolução de Abril veio o que se diz ser uma espécie de liberdade, que toda a gente pensa que existe, e quando vai a dizer algo que os que mandam não gostam, vê-se desempregado, corrido a pontapés, sem saber como nem porquê.

 

Implantou-se uma outra ditadura, fantasiada de Democracia, que todos pensam que existe ( a democracia) mas na verdade, esta apodreceu logo à nascença.

 

Depois da revolução, governaram os militares, e logo a seguir surgiu uma nova alternância de dois partidos, no poder: ora os Sociais-democratas, ora os Socialistas; ora os Socialistas, ora os Sociais-democratas. E não saímos disto. E isto não tem levado o país leva a lado nenhum.

 

O que mudou nas alternâncias que se queriam ver banidas da governação de Portugal?

 

NADA.

 

O que há para comemorar neste centenário de um República, que nasceu de um Regicídio (ficando logo amaldiçoada à nascença) e que está tão viciada como a Monarquia, em 1910?

 

NADA.

 

Acabou-se com os privilégios dos “poderosos”? NÃO!

 

Acabou-se com a pobreza de uns e o fausto de outros? NÃO!

 

Acabou-se com a fome? NÃO!

 

Somos um país que usufrui de um prestígio visível no estrangeiro, ou mesmo na União Europeia, da qual fazemos parte? NÃO!

 

Há liberdade de expressão? NÃO!

 

Então o que mudou?

 

Mudaram os homens. O Regime continua o mesmo: absolutista (como na Monarquia) e ditatorial (como nos anos em que governou Salazar), apenas com a diferença de que agora o povo vota, mas os votados não querem saber do povo, e o povo ficou viciado e não sabe fazer outra coisa senão votar nos mesmos.

 

Andamos todos a apertar o cinto devido à má governação dos Ministros, dos Administradores, dos Gestores, dos Chefes, dos Directores, dos Gerentes, que são às manadas por esse país fora. Há mais chefes do que pessoas para chefiar.

 

Eu, pessoalmente, não tenho motivo nenhum para comemorar os Cem Anos da República.

 

Não foi a Monarquia que me tirou o trabalho, por questões políticas, em pleno ano de 1999, ano em que já não havia Rei, mas também não havia Roque, nem Salazar.

 

Apenas havia e há uma República (que no sentido figurado é uma casa onde não há ordem, nem disciplina) muito, mas muito “Democrática”!

  

 

Origem da imagem:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Implanta%C3%A7%C3%A3o_da_Rep%C3%BAblica_Portuguesa

publicado por Isabel A. Ferreira às 19:20

link do post | Comentar | Ver comentários (2) | Adicionar aos favoritos

Mais sobre mim

Pesquisar neste blog

 

Junho 2019

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
13
16
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30

Posts recentes

«A BROA DOS VELHOS» (2013...

TOURADAS NÃO DÃO MAIS AUD...

O QUE O PAN AINDA NÃO FEZ...

ESTRELA DE FERRO PARA LOC...

OS DUQUES DE BRAGANÇA ENV...

NOS CEM ANOS DA REPÚBLICA...

Arquivos

Junho 2019

Maio 2019

Abril 2019

Março 2019

Fevereiro 2019

Janeiro 2019

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Agosto 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

DIREITOS

© Todos os direitos reservados Os textos publicados neste blogue têm © A autora agradece a todos os que os divulgarem que indiquem, por favor, a fonte e os links dos mesmos. Obrigada.
RSS

ACORDO ORTOGRÁFICO

Em defesa da Língua Portuguesa, a autora deste Blogue não adopta o Acordo Ortográfico de 1990, devido a este ser inconstitucional, linguisticamente inconsistente, estruturalmente incongruente, para além de, comprovadamente, ser causa de uma crescente e perniciosa iliteracia em publicações oficiais e privadas, nas escolas, nos órgãos de comunicação social, na população em geral, e por estar a criar uma geração de analfabetos escolarizados e funcionais.

COMENTÁRIOS

Este Blogue aceita comentários de todas as pessoas, e os comentários serão publicados desde que seja claro que a pessoa que comentou interpretou correctamente o conteúdo da publicação. Serão eliminados os comentários que contenham linguagem ordinária e insultos, ou de conteúdo racista e xenófobo. Em resumo: comente com educação, atendendo ao conteúdo da publicação, para que o seu comentário seja mantido.

CONTACTO

isabelferreira@net.sapo.pt