Quinta-feira, 9 de Abril de 2015

Esta é uma história que começa por «Era uma vez um menino chamado Henrique»

 

Isto aconteceu em Portugal, onde a violência e a crueldade contra seres vivos indefesos, inocentes e inofensivos são consentidas por Lei.

E um ser vivo é todo aquele que VIVE.

 

flor_branca.jpg

e o menino que se chamava Henrique é agora mais uma estrelinha a brilhar no Céu…

 

Era uma vez um menino chamado Henrique…

 

Henrique era um menino lindo, e poderia ter tido uma história de vida linda, como todos os meninos merecem…

 

Mas a vida de Henrique foi bruscamente interrompida, aos seis meses (sim, aos seis meses de idade), por um acto monstruoso, bárbaro e extremamente cruel, cometido por aquele que devia protegê-lo de todos os brutos que erram pelo mundo – o seu próprio progenitor (que não merece ser chamado de Pai), quando este, empunhando uma faca de cozinha, a espeta no peito da inocente criança.

 

Se a estocada fosse certeira, a morte do menino chamado Henrique seria rápida. Mas não foi.

 

O menino chamado Henrique não teve morte imediata. O progenitor, sadicamente, friamente, calculadamente, gravou os estertores da morte da inocente criança, num vídeo que enviou à Mãe, a quem, na verdade, aquela facada era dirigida.

 

E enquanto o vídeo estava a ser filmado por quem lhe desferira o golpe, Henrique agonizava lentamente, com uma hemorragia interna que se alastrou por todo o seu ainda tão delicado corpinho, até lhe sufocar o coraçãozinho, que paulatinamente, foi reduzindo os batimentos até que parou e a alma de um anjo foi libertada.

 

E ali ficou Henrique, abandonado a uma morte ignóbil, com a faca espetada num peito ainda por brotar, com uma dor vivida na solidão, que ainda não entendia, e que foi a solidão de um anjinho que subiu ao céu sem qualquer amparo.

 

Henrique era um inocente e indefeso menino.

 

Esta morte chocou até as paredes do compartimento onde a criança foi esfaqueada.

 

Chocou o mundo humanizado.

 

Que sociedade é esta em que vivemos?

 

Que monstros está a produzir a política da violência, do vinho, do desemprego, da crueldade e da morte que o governo português apoia sem se dar conta?

 

O que fazem as comissões de protecção de menores?

 

Espero que a morte do menino chamado Henrique sirva para lançar em Portugal a reflexão que urge sobre o tipo de sociedade que políticas mal orientadas, pouco reflectidas e negligenciadas está a construir.

 

Que este filicídio sirva também para rever a moldura penal portuguesa. Vinte e cinco anos de cadeia para tal crime é demasiado pouco.


E se a Justiça nos falha, falha toda a estrutura Humana.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:00

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Terça-feira, 21 de Dezembro de 2010

NESTE NATAL FRIO...

 

 

 

 

© Isabel A. Ferreira

 

Neste Natal frio, como todos os outros Natais, não fingirei contentamento; não me envolverei numa auréola de Paz e de Harmonia; não sorrirei como se tudo ao meu redor transmitisse quietude...

 

Neste Natal, não vos falarei daquele Menino Divino, cuja influência dividiu o mundo entre Cristãos e Pagãos, e tão inocentemente lançou os povos em grandes abismos ideológicos, na esperança de alcançarem um lugarzinho no reino dos Céus.

 

Neste Natal, não enfeitarei pinheirinhos; nem farei repicar o sino na torre da igreja; nem entoarei melodiosos cânticos; nem trocarei hipócritas mensagens de Boas Festas.

 

Neste Natal, não sairei pelas ruas ornamentadas, coloridas, impregnadas daquele ar consumista, que transforma qualquer tentativa de festividade religiosa numa extraordinária festa comercial; e não me encherei de pacotes disto e pacotes daquilo, só para constar que também participei na grande mercancia.

 

Neste Natal, não tenho motivos para festejar o Natal. Que Natal? Natal de quê? Natal porquê? Se todos os anos as mesmas cenas (não os mesmos rituais: esses perderam o seu primeiro sentido há muito tempo) se repetem cada vez mais automatizadamente. Cada ano se renovam (e não se cumprem) as mesmas promessas de se construir um mundo mais digno do Homem, daquele HOMEM que o Menino, tão falsamente festejado nesta quadra, desejou que vivesse num mundo harmonioso e pacífico.

 

Neste Natal, não distribuirei falsos sorrisos, porque não me apetece sorrir. Que motivos terei para esbanjar a minha alegria? Apenas as crianças merecem o meu sorriso, e, para elas, ele jamais será falso, porque lhes mostro o outro lado do Natal, e elas entendem e concordam e conseguem discernir entre a hipocrisia que as rodeia e o verdadeiro sentido da vida, e então, podem sorrir comigo, sem medo, numa cumplicidade tão secretamente harmoniosa e só nossa...

 

Neste Natal, não inventarei que a neve cai lá fora, de mansinho, inundando a natureza de um branco imaculado; e que as estrelas brilham mais intensamente, lá no alto; e que, em cada lar reina a alegria e uma paz celestial, diante de uma mesa farta de tudo... mas se os corações estão vazios de amor, de que adianta essa aparente fartura?...

Neste Natal, recuso-me a comungar dos falsos conceitos, que os falsos cristãos pretendem impor, quando, uma vez por ano, se lembram de que há gente morrendo de fome todos os dias, e então, num gesto resgatador, desatam a distribuir comida, roupa, dinheiro, porque é praxe lembrarem-se dos pobrezinhos no Natal (e apenas no Natal) para poderem cear a farta ceia, com a consciência tranquila, do dever cumprido.

 

Neste Natal, mostrarei a minha revolta desejando àqueles que desconhecem (por intencional ignorância ou por simples maldade) o significado da SOLIDARIEDADE HUMANA, materializada nos gestos de cada dia, uma vida plena do mesmo mal-estar que provocam aos que são atingidos pelos seus actos ignóbeis.

 

Para quê mostrar hipocrisia? Só porque é Natal?...

Não! Não podem acusar-me de sentimentos anti-cristãos. Eu não sou Deus. Mas se até o divino Filho do Todo-poderoso, feito Bondade e contemporizador, se revoltou contra os vendilhões que profanaram o templo de seu Pai, e os expulsou à chicotada, num gesto de fúria, porque não hei-de eu, simples mortal, deixar que a revolta me possua e me dê forças para combater (não para castigar) os que, impiedosamente, fazem murchar o sorriso dos inocentes, tal como um fungo maligno destrói a beleza das flores?...

 

Neste Natal, recuso-me a ser hipócrita. Por que haveria de esquecer, apenas porque é Natal, todas as crueldades que durante todo o ano se cometem contra seres, humanos e não humanos que, tal como eu, amam a vida tão intensamente, e gostam de a viver desfrutando da harmonia cósmica que nos foi concedida nos princípios dos tempos?!...

 

Porque hei-de fingir por um dia que todas as pessoas são pessoas, quando sabemos que sob muitas das carcaças humanas que vemos circular à nossa volta, se escondem os piores carácteres e o mais falso humanismo?

 

Neste Natal, não aceitarei o cântico «Glória a Deus nas alturas e Paz na Terra aos homens de boa vontade», porque a má vontade dos homens impera sobre a glória de Deus, transformando o mundo num imenso vale de lágrimas, onde parece não haver lugar para a Paz...

 

Neste Natal, tão frio como todos os outros Natais, não fingirei contentamento; não me envolverei numa auréola de Paz e de Harmonia; não sorrirei como se tudo em meu redor transpirasse quietude...

Neste Natal, as trevas cobrirão o mundo, porque os homens de má vontade assim o querem; mas eu, eu não participarei nesse banquete farto de hipocrisia.

        

Neste Natal, o meu protesto será absoluto...

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:25

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Segunda-feira, 31 de Maio de 2010

CARTA UM MENINO DO LÍBANO

 

 

Entre as minhas papeladas, encontrei esta carta escrita no DIA MUNDIAL DA CRIANÇA, do ano de 1984, um trabalho colectivo das turmas do 1º ano, A e N e do 2º ano,  B, D e F, da Escola Preparatória de Irene Lisboa (Porto), para a UNICEF.

 

Hoje, as crianças que escreveram esta carta já serão umas senhoras e uns senhores, com certeza, responsáveis por outras crianças.

 

Gostaria de partilhar convosco estas palavras escritas em 1984, que poderiam ser as mesmas de hoje, e o Menino do Líbano, a quem é dedicada a carta, poderá ser qualquer menino do nosso mundo, onde a criança ainda não é considerada um Ser Humano com Direitos.

 

A carta continua tão actual como em 1984.

 

De então para cá, o que mudou? O que se fez para mudar as coisas?...

 

Menino tão triste

sem nome

sem pais

menino da fome

do frio

da terra

do terror da guerra

Menino do Líbano

sem casa

sem sorte

menino doente

menino da morte

apavorado

gritando de dor

que sofres

que anseias

um pouco de amor.

 

Se jogo à bola

se apanho uma flor

se salto

contente

de ser tão feliz

se olho as estrelas

e sinto a beleza

do céu

e do mar

porque tenho amigos

e sei

o que é amar

também penso em ti

Menino do Líbano

e como é urgente

a guerra acabar.

 

A ti

porque choras

(e podia ser eu)

gostava de dar-te

daquilo que é meu.

 

Mas

eu vou crescer

e no mundo

doente

em que hoje vivemos

prometo lutar

de um modo diferente

a favor da vida

da paz

da justiça

dos meninos perdidos

na escuridão

sem nunca esquecer

que és meu irmão!

 

***

 

Espero que estes meninos de 1984, estejam a cumprir o que aqui prometeram, agora que são adultos responsáveis.

 

Mais do que nunca precisamos de lutar para que TODAS AS CRIANÇAS DO MUNDO sejam amadas e vejam cumpridos os seus mais elementares direitos.

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:47

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