Sexta-feira, 20 de Julho de 2018

OS CIVILIZADOS E MODERNOS VÃO AO FESTIVAL “SUPER BOCK SUPER ROCK” (LISBOA) E OS PAROLOS E ATRASADOS VÃO À TOURADA (PÓVOA DE VARZIM)

 

E esta é a grande diferença entre divertimento civilizado e divertimento bronco.

Lisboa também os tem broncos, no campo pequeno, a nódoa negra da capital de Portugal, que a torna civilizacionalmente atrasada.

Mas hoje, Lisboa ganha à Póvoa.

Porque hoje, todos os caminhos floridos vão dar ao Parque das Nações (Lisboa); e todos os caminhos enlameados vão dar à arena de tortura da Póvoa de Varzim.

E nesta escolha, vemos quem está no Século XXI D.C., e quem tem os pés enfiados no lamaçal dos caminhos medievais, que iam dar às arenas onde os broncos se divertiam...

 

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TOURADA PÓVOA.png

 (Neste cartaz o A assinalado leva assento: À)

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:35

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Quarta-feira, 18 de Julho de 2018

MORREU ANTINO DO TOJAL, UM DOS MAIORES ESCRITORES PORTUGUESES CONTEMPORÂNEOS

 

O escritor e jornalista Altino do Tojal morreu, no passado domingo, dia 15 de Julho, em Brunhais, Póvoa de Lanhoso.

Nascido em Braga, a 26 de Julho de 1939, partiu a poucos dias de completar 79 anos.

Morreu um Escritor que soube honrar a Língua Portuguesa.

Aqui lhe presto a minha mais humilde homenagem.

Altino era, é, um dos escritores portugueses contemporâneos da minha maior predilecção.

O seu funeral realiza-se hoje, às 15 horas, na Igreja de Sobradelo da Goma, na Póvoa de Lanhoso. O corpo seguirá depois para o Porto, onde será cremado, como era seu desejo.

 

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Altino do Tojal deu-me a honra de publicar a minha fotografia de um tojo, na capa desta 30.ª edição de «Os Putos - Contos Escolhidos». Éramos (somos, sempre seremos) amigos. Corria o ano de 2009, e Altino disse-me que precisava de uma fotografia de um tojo, para o seu livro, sabendo que a fotografia era (é) uma das minhas grandes paixões, e já conhecia o meu trabalho fotográfico no jornal «O Comércio do Porto», onde ambos trabalhámos. É que, disse-me ele (que residia em Lisboa), raramente os encontro. Se eu poderia fotografar um, para ele. Eu havia-lhe dito que bem perto de onde eu morava havia um tojal florido, à beira da estrada. E esta é a origem da foto desta capa, inspirada no conto “De Joelhos Perante um Tojo”, inserido nesta 30.ª edição da obra que o catapultou para a eternidade.

 

Antes de conhecer Altino do Tojal já havia lido “Os Putos”. Já era muito sua fã. Apaixonada pela sua prosa escorreita, onde as palavras, sempre bem seleccionadas, têm força, e transmitem-nos emoções, e descrevem realidades, umas, vividas, outras, observadas. Magnificamente.

 

Ler Altino do Tojal é entrar num mundo extraordinariamente emocionante. Eu, que sou grande apreciadora de Contos, devorei-os um a um. Possuo toda a sua obra autografada. Traguei-a de um só fôlego. E absorvi o extraordinário poder da escrita de Altino.

 

Um dia, no já longínquo Março de 1979, aceitaram-me no jornal «O Comércio do Porto». E a primeira vez que entrei na Redacção, conheci o Altino, um dos redactores do Jornal.

 

A emoção foi enorme, pois se Altino era um dos meus escritores preferidos! Ali logo lho disse. E uma profunda amizade começou então, naquele dia, naquele momento.

 

Altino era um cavalheiro, algo tímido. Um homem extremamente sensível. Uma alma desassossegada, como é apanágio dos grandes escritores. Encontrávamo-nos frequentemente, em Vila do Conde e Póvoa de Varzim, para almoçar, conversar e trocar confidências. Conhecer a vida de um escritor de tão alto nível é um privilégio para qualquer leitor, porque nos ajuda a entender a sua obra.

 

Foi a partir desta convivência que comecei a ler os outros livros de Altino. É que Altino não é só «Os Putos», dos quais existem dezenas de edições. Altino é «Viagem a Ver o Que Dá»; é «O Oráculo de Jamais»; é «Histórias de Macau»; é «Orvalho do Oriente»; é «A Colina dos Espantalhos Sonhadores»; é «Jogos de Luz e Outros Natais». Um outro mundo. O mundo de Altino do Total. Absolutamente único, misterioso, fantástico.

 

Foi Altino que me levou a um restaurante chinês, pela primeira vez. Desconhecia aquela gastronomia. Ficou-me a lembrança da sobremesa, “banana fa-si”, com a qual me deliciei. Altino viveu um tempo em Macau, e do oriente trouxe-nos as magníficas histórias e o subtil orvalho. E memórias. Muitas memórias.

 

Depois de o Jornal «O Comércio do Porto», sedeado na cidade do Porto, se ter extinguido, Altino foi viver para Lisboa, onde, aliás, já mantinha alugada uma casa. Nunca deixámos de nos comunicar. De vez em quando vinha visitar-me.

 

Em 2008, esteve presente no lançamento do meu livro «Contestação», em Lisboa, e juntamente com um casal amigo, passámos um dia extraordinário, a conhecer a cidade, os seus becos, o seu palpitar. Nesse dia, Altino estava muito feliz. E quando o Altino estava feliz e descontraído era um extraordinário contador de histórias.

 

A última vez que falei com ele foi há dois anos, pelo Natal. Disse-me que andava adoentado. Depois disto perdi-lhe o rasto.

 

Foi com enorme consternação que soube da sua morte.

Morte, apenas física, porque Altino do Tojal viverá eternamente através da sua obra, que, espero, jamais seja conspurcada pelo fétido cadáver ortográfico, que anda por aí a empestar a Língua Portuguesa, que Altino tão magnificamente soube honrar.

 

Até sempre, caríssimo Amigo! Que a tua alma possa descansar naquela paz que nunca tiveste em vida!

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:54

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Quinta-feira, 28 de Junho de 2018

HOJE, ALGURES EM LISBOA, UM GRUPO DE TROGLODITAS REÚNE-SE EM DESESPERO DE CAUSA PARA TENTAR MANTER DE PÉ A MORIBUNDA TAUROMAQUIA

 

Coitados! Ainda não se aperceberam de que as touradas não são factos, nem realidades ancestrais do povo português, nem tão-pouco tradição.

 

As touradas são apenas o reflexo de uma época bárbara, onde reinava uma ignorância que passou de geração em geração e entranhou-se como uma lepra incurável na pele dos últimos cavaleiros do apocalipse do Século XXI D.C.

 

Hoje, algures em Lisboa, um grupo de trogloditas tentará derrubar projectos civilizados, esquecendo-se de que a voz da minoria que representam até pode sair da sala, mas só dirá do desespero deles e da sua profunda miséria moral.

 

 

O que se vê neste vídeo é a realidade espanhola, que é igualmente a realidade portuguesa. Condutas macabras, que nem os homens primitivos praticavam, acontecem em Barrancos e Monsaraz, em arenas sempre quase vazias…

 

E apesar desse vazio, eles acham que são muitos. Eles acham que isto é tradição. Eles acham que isto é cultura, é arte, é coisa civilizada…

 

E o pior é que vivem virados para trás, para um passado que já passou, tão virados, que não conseguem ver a realidade e que o mundo avançou…

 

E a realidade é que as touradas estão mesmo à beirinha do abismo, e à menor brisa elas nele cairão, para sempre.

 

Podem reunir-se. Podem bradar aos céus. Podem viver na ilusão da mentira.

 

Porque os factos e as realidades das touradas são que elas estão definhadas, moribundas e os seus poucos aficionados deliram ao achar que este costume bárbaro está vivo e que ainda tem futuro.

 

E é como diz Cícero:

 

CÍCERO.jpg

 

Pois, hoje, algures em Lisboa, ir-se-á perseverar no erro.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:45

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Terça-feira, 26 de Junho de 2018

EDUARDO TEIXEIRA (PSD) DIZ QUE ESTEVE NUMA TOURADA NO campo pequeno NO DIA 21 DE JUNHO DE 2018…

 

Esteve Eduardo Teixeira, deputado da Nação pelo PSD, mais um punhadito de sádicos… Veja-se como a arena está a abarrotar deles…

 

Nesse dia, o Touro foi literalmente sacrificado, ao cair na arena depois de ser sido trespassado por um arpão que lhe atingiu um ponto nevrálgico. Os torturadores tentaram levantá-lo, cansado e ensanguentado, já em grande sofrimento. O Touro não aguentou. Recusou-se e consumou-se o sacrifício, para gáudio dos poucos sádicos que a esta barbárie assistiam e aplaudiam…

 

E isto acontece em Lisboa, cidade da moda, mas apenas à superfície, porque nos seus subterrâneos, pratica-se os mais brutos actos, longe dos olhos dos turistas…

 

E é esta miséria moral, cultural, civilizacional e social que adia um país chamado Portugal…

 

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publicado por Isabel A. Ferreira às 14:45

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Segunda-feira, 25 de Junho de 2018

DONA GRAÇA – ALOJAMENTO DE QUALIDADE EM LISBOA

 

Um lugar belo, tranquilo, a cheirar a flor de laranjeira, com cantos e recantos que nos encantam, e onde o Sol se espreguiça logo pela manhã.

E quem ama a Arte, este é também um lugar onde a Arte está presente, numa arquitectura bem concebida, que cinge a modernidade e o antigo, e em objectos que dão à “Dona Graça” toda a graça que ela tem. E também os livros, astuciosamente pousados, aqui e ali, convidando-nos a leituras mais ou menos breves.

Enfim, este é um lugar que recomendo, porque ali há laranjeiras que florescem no Inverno e nos dão a ilusão de Primavera.

Isabel A. Ferreira

Site para marcações:

http://www.dona-apartments.com/

 

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Dona Graça, a primeira Dona...

 

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Diz a lenda que o pai era um fidalgo boémio e de bom coração e a mãe uma fadista atraente com muitos pretendentes. Viveram felizes e deixaram-lhe de herança a casa de família na Rua da Bela Vista à Graça, onde tinham um restaurante e casa de fados. Dona Graça transformou-a mais tarde numa casa de hóspedes e foi uma figura central do bairro até à sua morte.

 

Há dois anos, três amigos reabilitaram a casa, mantendo a traça original, o restaurante, o verde do jardim, ao qual estão a acrescentar uma piscina para refrescar nos dias de Verão, o carinho pelos produtos portugueses e a arte de bem receber quem procura a experiência de viver intensamente Lisboa, num dos bairros mais carismáticos da cidade.

 

Entre as sete colinas, a da Graça é a que se ergue mais alto.

 

Página do Facebook:

https://www.facebook.com/DonaApartments/photos/a.1323080817787765.1073741828.1322741281155052/1591440494285128/?type=3&theater 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:45

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Terça-feira, 19 de Junho de 2018

PÓVOA DE VARZIM LIVRE DE TOURADAS (PETIÇÃO)

 

Para: ASSEMBLEIA MUNICIPAL DA PÓVOA DE VARZIM

 

Assinar Petição:

http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT89848

 

PETIÇÃO PÓVOA.png

 

Preâmbulo

 

Miguel Torga lembra-nos pelo conto Miúra que o toiro prefere a tranquilidade da campina e não existe para ser cercado numa arena de tortura física e psicológica.

 

No entanto, para tentar justificar a tourada, falam-nos de tradição como se fosse valor absoluto e de uma espécie de urgência de exprimir a coragem do homem e da sua superioridade, como se a elevação humana estivesse fora da sua inteligência e da sua sensibilidade, e precisasse de ser cruel e de se habituar ao sangue derramado.

 

Na Póvoa de Varzim sabemos que verdadeira coragem é o que leva os nossos pescadores a enfrentar um ser imensamente mais forte que eles, sem fingimentos nem ilusões, o mar. Coragem não é preparar traiçoeiramente nos bastidores escuros dos curros um animal não humano para um sacrifício irracional como divertimento de uma multidão eufórica.

 

Dos curros (qual caverna), de olhos quase cegos pela escuridão, picam o toiro que sai impetuoso para explodir no sol da arena. Eles não sabem, mas o toiro corre com o desejo irreprimível da liberdade, adivinhando que vai para indigna antecâmara da morte. Segue-se a agressão das bandarilhas que lhe dilaceram a carne e lhe roubam o sangue e a força para que o possam dominar facilmente até ao fim com o risco calculado. Às vezes, num último arremedo, há um toiro que se revolta e que magoa os que o magoam. Mas é sempre o animal não humano que é vencido cobardemente. De fora, nas bancadas circulares tudo parece irreal. Há quem se engane a si próprio chamando arte ao que é mera e evidente tortura, e a frieza da loucura colectiva não sente as dores que rasgam a carne do animal não humano, aprendendo melhor a indiferença em cada lide.

 

No nosso tempo não há Ética que possa tolerar a alegada estética que alguns insistem em ver na dor e no sangue que os seus cúmplices, falsos artistas de falsa coragem, fazem escorrer no dorso de um toiro.

 

Somos da Póvoa de Varzim de algum modo: porque aqui nascemos, porque escolhemos aqui viver ou porque aqui vimos ou gostaríamos de vir e de estar. Queremos que a nossa cidade seja um lugar que não eduque para a violência gratuita, mas que tenha em todos os seus momentos e expressões uma ética de paz, de respeito pela Vida que partilhamos em festa e não em dor com os animais não humanos.

 

POR ISSO, CONSIDERANDO QUE:

 

1 - o reconhecimento pela espécie humana do direito à existência das outras espécies animais constitui o fundamento da coexistência das outras espécies no mundo, e que o homem deve ser educado desde a infância para observar, respeitar e compreender os animais;

 

2 - os Direitos dos Animais estão consagrados pela Organização das Nações Unidas - ONU através da Declaração Universal dos Direitos dos Animais, proclamada pela Unesco, em Bruxelas, no dia 27 de Janeiro de 1978), que neles se inclui o direito de nenhum animal ser explorado para divertimento do homem (v. Artigo 10º n.º 1);

 

3 - a Ciência reconhece inquestionavelmente a maioria dos animais, incluindo cavalos e touros, como seres sencientes, com memória e capazes de emoções e de sentir dor e prazer, físicos e psicológicos, bem como sentimentos de medo, angústia, stress e ansiedade

 

4 - uma cidade moderna e civilizada não admite espectáculos públicos de tortura de animais como as touradas;

 

5 - o Estado português já reconheceu o carácter violento das touradas ao tornar obrigatória a inclusão na publicidade aos espectáculos tauromáquicos de uma advertência alertando o público para que "o espectáculo pode ferir a susceptibilidade dos espectadores";

 

6 - vários estudos e especialistas concordam que a prática e a aceitação da violência contra os animais predispõe os homens para a prática e a aceitação da violência contra outros homens;

 

7 - nas observações finais sobre as terceira e quarta avaliações periódicas feitas pelo Comité das Nações Unidas Sobre os Direitos das Crianças, de 25 de Fevereiro de 2014, sobre Portugal, afirma-se a enorme preocupação com o impacto na saúde mental das crianças quanto expostas a espectáculos de tauromaquia. O mesmo documento recomenda ao estado português a adopção de medidas legislativas e administrativas no sentido de proteger as crianças envolvidas nestas situações, ao mesmo tempo que recomenda que sejam feitas campanhas de sensibilização sobre a violência física e mental associada à Tauromaquia e ao seu impacto nas crianças;

 

8 - o progressivo abandono de tradições retrógradas, contrárias a um sentido humanista de cultura como aquilo que contribui para nos tornar melhores seres humanos, é o que caracteriza a evolução mental e civilizacional das sociedades e melhor corresponde à sensibilidade contemporânea;

 

9 - massacres públicos de touros para fins de entretenimento já foram prática em toda a Europa, tendo sido banidos paulatinamente em praticamente todos os países europeus e, das quase duas centenas de países no Mundo, apenas oito têm actividade tauromáquica".

 

10 - pela Lei n.º 92/95, de 12 de Setembro - Protecção aos Animais (ver ponto 1 do Artigo 1.º ) "são proibidas todas as violências injustificadas contra animais, considerando-se como tais os actos consistentes em, sem necessidade, se infligir a morte, o sofrimento cruel e prolongado ou graves lesões a um animal", que é objectivamente o que acontece nas touradas, mesmo que, em contradição e estranha e incompreensivelmente, a mesma Lei as considere lícitas;

 

11 - não faz sentido fazer corresponder os espectáculos tauromáquicos à condição de cultura e que, num país em que, dos seus 308 municípios, apenas 44 têm actividade taurina (14,8%), é ofensivo e contraproducente para uma desejada unidade nacional e civilizacional forçar a identidade tauromáquica à população portuguesa;

 

12 - o povo português tem, nos últimos anos, afirmado uma forte posição de condenação das Touradas e de defesa do seu fim, posição que se tem manifestado de modo especialmente expressivo no Norte do país, particularmente na região do Grande Porto;

 

13 -  em Portugal, desde 2010, os espectáculos de tauromaquia perderam mais de 53% do seu público, atingindo em 2017 um número de espectadores com um peso cada vez mais insignificante no panorama dos espectáculos ao vivo em Portugal superados em número de eventos de Folclore, que, segundo dados do INE, contabilizavam mais 100.000 espectadores que as touradas (no ano passado realizaram-se 181 espectáculos tauromáquicos, dos quais 26 em Albufeira e 13 em Lisboa, enquanto nas em 27 das praças de touros existentes, ou seja, mais de 50%, se realizaram apenas uma ou duas corridas durante o ano);

 

14 - é muito clarificadora de uma nova mentalidade a sondagem feita pela Universidade Católica à população de Lisboa entre 5 e 20 de Maio de 2018, em que se concluiu que, desde a reabertura do renovado Campo Pequeno em 2006, onde passaram a realizar diversos tipos de eventos, só 11% dos lisboetas foi à tourada, que 79% não concorda com a utilização de dinheiros públicos para apoiar/financiar as touradas e que 96% dos cidadãos concorda com a realização de outros eventos não relacionados com as touradas;

 

15 - em Espanha, país considerado berço da tradição tauromáquica, segundo uma sondagem Gallup feita no país em Outubro de 2006, já 72% dos espanhóis declaravam não ter qualquer interesse nas touradas, existindo mais actualmente mais de 40 cidades e vilas anti-touradas;

 

16 - a Póvoa de Varzim é uma cidade que se pretende mais moderna, desenvolvida e progressista, para a qual o Turismo é um elemento-chave para a economia local, ganhando muito em imagem e oportunidades promocionais do ponto de vista turístico livrando-se da permissão e realização de espectáculos cruéis envolvendo animais como as touradas;

 

17 - a existência de touradas no século XXI constitui um embaraço para Portugal e para a Póvoa de Varzim perante a comunidade internacional, configurando a imagem de um país e de uma cidade com pessoas e práticas bárbaras;

 

PROPOMOS

que o MUNICÍPIO DA PÓVOA DE VARZIM adopte as seguintes DECISÕES:

 

Primeira

 

Declarar a PÓVOA DE VARZIM LIVRE DE TOURADAS, assumindo-se oficial e simbolicamente oposta à promoção e realização de corridas de touros e de quaisquer actos de violência ou de tortura contra animais que lhes possam causar ansiedade, angústia, medo ou sofrimento físico ou psicológico e emocional de alguma ordem.

 

Segunda

 

No âmbito dessa decisão, expressar a vontade institucional do Município da Póvoa de Varzim de que não sejam promovidas ou realizadas quaisquer corridas de touros na cidade e no concelho, tudo fazendo para a proibição de qualquer espectáculo tauromáquico, não atribuindo licenças a qualquer actividade ou evento deste tipo em espaços públicos do concelho, no âmbito das suas competências e atribuições e convertendo a Praça de Touros da Póvoa de Varzim ao uso exclusivo para actividades que provam a valorização dos cidadãos e que não envolvam a inflação de sofrimento físico ou psicológico e emocional a animais.

 

Terceira

 

Expressar, junto do Parlamento e do Governo, a vontade do Município da Póvoa de Varzim de ver as corridas de touros proibidas em todo o país através de uma Lei da República, a bem de Portugal enquanto país que se quer moderno e continuamente progressista, a bem da sociedade portuguesa, que não admite a violência contra animais, e a bem dos animais.

 

Póvoa de Varzim, 2018. Junho. 19

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:14

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Domingo, 13 de Maio de 2018

O FESTIVAL DA EUROVISÃO, A RTP, PORTUGAL E A CLASSE POLÍTICA PORTUGUESA

 

Boicoto a RTP, por esta considerar que a tortura de animais é cultura, e colocar na sua grelha de programas a transmissão de touradas, como sendo algo de utilidade pública. Mas, desta vez, abri uma excepção, tal como abri no ano passado, devido à intervenção de Salvador Sobral, e ainda bem, pois tive um motivo para me orgulhar do meu País. E agora, estava curiosa quanto ao que a RTP tinha para oferecer ao mundo, e decidi assistir ao Festival da Eurovisão 2018.

 

EUROVISÃO.jpg

 

Devo confessar que me surpreendi com tudo.

 

Surpreendi-me com a organização impecável e eficaz, ficando bem claro que a RTP, quando quer, faz boa figura, e apresentou um espectáculo de grande nível. As apresentadoras estiveram bem, foram simpáticas, divertidas. E Portugal foi um óptimo anfitrião.

 

Surpreendi-me com a diversidade dos géneros musicais, boas vozes, boas canções (à excepção de uma ou outra mais fraquinha ou barulhenta para o meu gosto), tornando esta final bastante competitiva.

 

Surpreendi-me com o excelente dueto entre Salvador Sobral e Caetano Veloso, ficando bem claro que na diversidade está o grande segredo da união entre Portugal e Brasil, dois povos que se querem irmãos, mas não gémeos.

 

Surpreendi-me com aquele abrir a porta (ideia muito bem concebida) para lugares lindíssimos, mostrando a nata portuguesa, no que respeita ao território e ofícios. E aqui, dada a filosofia da RTP, confesso, estava à espera de que a qualquer momento aparecesse uma porta a abrir ali para o lado do campo pequeno, mostrando o edifício mais emblemático de Lisboa, aquele que representa o lado medievalesco da capital portuguesa, e com o qual, Gonçalo Reis, presidente do conselho de administração da RTP, tem uma parceria para manter… (disse ele aqui há tempos), porque a tortura, para ele, é cultura de utilidade pública.

 

A este respeito, confesso que fiquei mais descansada. Afinal, a tourada não é o tipo de “cultura” que dignifica Portugal um património cultural que enche a boca dos aficionados, e que a RTP tenha orgulho em mostrar ao mundo. É que à excepção de Portugal, Espanha e França, o povo dos restantes países, que habitualmente concorrem a este festival, não se divertem sadicamente à custa da tortura de animais sencientes e indefesos.

 

Surpreendi-me também com a canção que ganhou o Festival da Eurovisão de 2018, Toy, não por ser a canção de Israel (pois sou apologista de que a Arte deve unir os povos e não desuni-los, como o pretenderam alguns), até porque gostei da Netta Barzila, uma menina do nosso tempo, muito expressiva e com uma voz poderosa. A canção é que não faz o meu género. A minha preferida era a da Estónia, pela maravilhosa voz e belíssima melodia, condizentes com o espectacular jogo de luzes sobre a gigantesca saia de Elina Nechayeva.

 

Surpreendi-me com o nosso último lugar, o salto para o abismo do 80 para 8. Então? O que aconteceu?

 

Bem, chegada aqui, e depois do que a RTP nos apresentou, cheguei à conclusão de que Portugal até tem talentos, belíssimas paisagens, fabulosos monumentos, ofícios dignos do Homem, e que o maior cancro da sociedade portuguesa está localizado ali para os lados de São Bento e de Belém, onde tudo se joga, onde a classe política (salvo raras excepções) serve subservientemente os lobbies ali instalados, e mantém uma boa parte do país a um nível terceiro-mundista. Está, única e exclusivamente, nas mãos dessa classe política a elevação de Portugal a um patamar cultural, civilizacional e evolutivo mais elevado.

 

Temos matéria prima, mas falta vontade política de servir Portugal. Falta dignidade, falta honra, falta honestidade política, falta vergonha na cara.

 

Se somos pequenos territorialmente, ao menos, sejamos grandes na alma portuguesa.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:59

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Quarta-feira, 7 de Março de 2018

PORTUGAL VISTO POR TAIWAN

 

«Ele (o toureiro) não é um herói; ele (o toureiro) é um assassino)».

 

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Legendas das imagens, que também podem ser lidas em “chinês”: 1. “Tourada Portuguesa”: 2. “Ele não é um herói, ele é um assassino».

 

Recebi via e-mail, este trabalho sob o título «Portugal visto por Taiwan», da autoria de Eddie Lee, cidadão de Taiwan, uma pequena nação insular, a 180 km a leste da China, cuja capital é Taipé.

 

Neste trabalho, Eddie Lee mostra ao mundo, a História dos Portugueses, em 70 slides.

 

Começa com futebol e Cristiano Ronaldo. Está-se mesmo a ver, mas também inclui José Mourinho.

 

E a história começa com os Celtas, passa pelos Romanos, Invasões Bárbaras, Invasão Muçulmana, a Monarquia e o Império Colonial, a que Eddie chama “era dourada”, as Invasões Francesas, a Independência do Brasil, as várias revoluções republicanas, a entrada para a União Europeia, a entrega de Macau à China, a Lusofonia, o Charming Portugal, representado pelas belas paisagens portuguesas, desde o Douro ao Algarve, pintores famosos, como Malhoa, Fernando Pessoa (único escritor representado), umas beldades femininas (ao gosto de Eddie), Porto, Lisboa, Coimbra, monumentos, a crise em Portugal, incêndios, um estranho Portugal ocupado, representado por uma máscara vermelha da Anonymous, e a finalizar, a doçaria portuguesa e o vinho do Porto.

 

E, claro, aquilo que me levou a escrever este texto: a tourada portuguesa, algo que vergonhosamente consta neste cartaz turístico, mas pela positiva, pois é a única coisa ligada a Portugal que traz uma mensagem: e a mensagem não poderia ser melhor: ele (o toureiro) não é um herói; ele (o toureiro) é um assassino.

 

Boa! Muito boa!

 

Uma digressão por Portugal, onde a única coisa má é a “Portuguese bullfighting”, tão adorada e apoiada pelo governo português.

 

Não é uma vergonha? Pois é!

 

Em nome dos Portugueses evoluídos, agradeço a Eddie Lee esta referência e esta crítica à actividade mais bárbara e medievalesca de Portugal.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:44

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Terça-feira, 13 de Fevereiro de 2018

AGONIA SAMPAIO - O PREMIADÍSSIMO AUTOR DE BANDAS DESENHADAS ESTARÁ NO “ARCO”

 

Agonia Sampaio foi meu colaborador no tempo em que, e durante vinte anos, mantive no Jornal «O Comércio do Porto» um suplemento dominical infanto-juvenil, por mim criado, intitulado «Cantinho do Nicolau».

 

A partir de amanhã, Agonia Sampaio estará presente neste Blogue com os seus magníficos desenhos, por isso, aqui vos deixo uma pequena nota do seu percurso artístico, à laia de introdução...

 

TONE.jpg

 Agonia Sampaio

 

António Manuel Agonia Sampaio, nasceu em Luanda a 16 de Março de 1970, residente na Póvoa de Varzim, começou desde muito cedo a desenhar. Aos 11 anos de idade fazia BD para distrair um primo seu, mas a partir dos 12 anos, na escola, na disciplina de Educação Visual teve de fazer uma banda desenhada e nunca mais parou. A partir de então começou a somar prémios a nível nacional. Aos 16 anos ganhou no Seixal o 3º prémio de um concurso a nível nacional; aos 17 ganha vários como por exemplo o do Comicarte do Porto (2º Prémio ex aequo); o 1º Prémio do Clube Português de BD de Lisboa, e um 1º prémio num concurso em Espanha.

 

Aos 17 anos é convidado a colaborar (durante 14 anos) no Jornal «O Comércio do Porto» no suplemento «O Cantinho do Nicolau», criado pela autora do Blogue «Arco de Almedina», Isabel A. Ferreira, e, nesse ano, junta o Troféu do Rotary Club Póvoa de Varzim, "O mais da BD".

 

Em 1990 e 1991 vence por 2 vezes o prémio Rafael Bordalo Pinheiro, e em 1992 o 1º prémio em Moura, juntamente com várias menções honrosas. Para além da colaboração em vários jornais (O Comércio do Porto, Público, Jornal de Notícias,, O Primeiro de Janeiro, A Voz da Póvoa, O Comércio da Póvoa e Mankicu (Angola), colaborou em várias exposições nacionais e internacionais.

 

Tem oito livros publicados, destacando-se "A História da Cerejinha"; «A partida do Zequinha"; "Á descoberta do arquivo"; "A maior prova de Amor"... e quatro fanálbuns de edição de autor.

 

Ganhou o galardão jovem em 1995 na Tertúlia de BD organizada por Geraldes Lino (militante dos fanzines, crítico e estudioso de BD).

 

O nome de Agonia Sampaio vem incluído no dicionário de cartoons e autores de banda desenhada. Actualmente é colaborador em algumas editoras.

 

Os desenhos de Agonia Sampaio são, enfim, os "seus filhos".

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 19:48

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Sábado, 3 de Fevereiro de 2018

CHOCOLATES COM CHEIRO A BOSTA NA ARENA DE TORTURA DO “campo pequeno” (LISBOA)

 

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Espero que a venda de chocolates tenha o mesmo insucesso que teve este festival de “bailarinas triunfadoras”, que, reza a crónica, foi um autêntico fiasco. É que o campo pequeno não é um lugar de civilização…

 

Sim, sei que este título não é politicamente correcto, mas o que se faz na arena de tortura de bovinos do campo pequeno também não é nem politicamente, nem humanamente, nem moralmente, nem socialmente correcto e faz-se, ou não fosse aquela arena propriedade da Casa Pia (de má memória) e estar sob a alçada do Estado português…

 

Bem… isto para dizer que acabei de ver nas notícias da SIC, que ali, naquele campo, onde se torturam bovinos, e o cheiro a bosta, a urina, a suor, a álcool e a sadismo está impregnado, por mais lixivia que lhe atirem para cima, estão a vender chocolates…

 

Bolas! Nem dados, muito menos comprados!

 

Quem se desloca àquele antro tauromáquico tem de saber que está a contribuir para a tortura de seres sencientes e indefesos… em plena cidade de Lisboa, que dizem ser uma espécie de capital europeia…

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:57

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