Quarta-feira, 30 de Janeiro de 2019

PORTUGAL E BRASIL: DOIS PAÍSES, DUAS LÍNGUAS

 

Um destes dias, publiquei um texto neste meu Blogue, no qual questionei o motivo que levou um cidadão português (?) (o actor Ricardo Pereira) a falar brasileiro, num programa dirigido aos portugueses lá de casa. Ver este link:

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/o-actor-portugues-ricardo-pereira-165286?utm_source=posts&utm_content=1548781276

 

E a questão é: Portugal e Brasil falam a mesma língua?

 

A propósito disto, recebi alguns comentários, e imagens que circulam por aí, que deixam claro que Portugal e Brasil não falam a mesma língua. Porque em Portugal, fala-se Português, e no Brasil, fala-se Brasileiro.

 

Vamos conferir?

 

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Neste site, seleccione-se a Língua: o Brasileiro é a língua (entre outras línguas estrangeiras). E em Brasileiro escreve-se projeto (prujêtu) claro está. Porque em Português escrevemos projeCto, e em Inglês projeCt.

 

***

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Até a Porto Editora sabe que não falamos a mesma Língua, embora este grupo editorial seja um dos que fomenta o negócio do AO90. Este dicionário é exclusivo para o Brasil, pois para Portugal existe este outro, exclusivo, em acordês.

E isto cheira a um nítido negócio da China.

 

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Observe-se com atenção a 2ª. bandeira na fila de baixo, das Línguas a bordo deste autocarro panorâmico, o Yellow Bus, que circula em Lisboa: nitidamente a bandeira é a brasileira, que corresponde à Língua Brasileira. A bandeira portuguesa está confinada ao 3º. lugar, na fila de cima, mas em casa de ferreiro, o espeto não é de pau? Conclusão: neste autocarro fala-se Português e Brasileiro (entre outras línguas). Alguém duvida que são duas Línguas distintas?

***

Neste vídeo José Saramago teve de ser legendado, sim, porque José Saramago fala Português, uma língua incompreensível no Brasil. Desconhecia que, no Brasil, programas, novelas ou filmes portugueses são legendados e dobrados (no Brasil, dublados, do Francês doublage) em Brasileiro (no tempo em que por lá andei, não eram, até porque não se emitia nada em português). Em Portugal isto é algo que não acontece com os programas, novelas e filmes brasileiros.

***

Equador é uma série televisiva portuguesa de ficção histórica, de drama e romance, produzida pelo canal TVI, baseada na obra Equador, de Miguel Sousa Tavares. Os actores são portugueses e falam PORTUGUÊS, língua estrangeira para os Brasileiros, que necessita de ser dobrada, tal como o Inglês, o Francês e outras línguas estrangeiras.

 

Brasil e Portugal falam a mesma língua? Não me parece. Se falassem, não haveria necessidade de dobrar ou legendar o Português. Nenhum africano de expressão portuguesa o faz, porque eles falam e escrevem Português.

 

Qual a explicação para isto? Será a de que nós, Portugueses, somos mais dotados para as línguas estrangeiras do que os Brasileiros, por isso não necessitamos de legendar as novelas, os filmes e os programas brasileiros?

 

Para os Brasileiros, a Língua Portuguesa é língua estrangeira (tal como já é em Cabo Verde), para ser legendável e dobrável? Então? Não falamos a mesma língua?

 

***

BP 5.jpg

 

Este é um texto que encontrei no frasesparaoface.com, (um site brasileiro). E como este, há centenas deles, que circulam no “face” e levam até aos facebookianos este tipo de linguagem que, ao ser lida e relida e treslida, passa a ser a mais utilizada. E esta não é a linguagem portuguesa. Se os políticos portugueses e brasileiros pretendem que falemos a mesma língua, muita coisa tem de mudar da parte brasileira, porque os restantes países lusógrafos não escrevem deste modo anómalo. A Internet está repleta de uma linguagem a que chamam “português do Brasil ou brasileiro”, mas que de Português tem apenas vestígios. Este tipo de linguagem é exclusivamente brasileira.

 

Definitivamente, não me parece que Portugal e Brasil falem a mesma língua. E andam por aí trapaceiros portugueses a vender-nos gato por lebre. Comentei, perante tanta evidência.

 

E o meu amigo João M. Galizes respondeu-me assim:

 

«Claro que venderam gato por lebre aos incautos portugas-esponjas. Muitos portugueses absorvem facilmente as ideias que vêm de fora. Os negociadores pegaram em dois pulhíticos corruptos: o Molusco no Brasil, e o Filósofo, em Portugal, e no pseudo-linguista maleiro castelaca (com minúsculas, como o sujeito gosta), e disseram que iam uniformizar o Português - mentira - e que as crianças iam passar a escrever mais facilmente sem consoantes que atrapalhavam. No entanto, incentivam o uso do Inglês, em Portugal, que é uma Língua, como nós sabemos, que "não" tem consoantes desnecessárias!»

 

E a minha amiga Idalete Giga disse isto:

 

«Algo vai péssimo nesta república labrega e nova rica de Portugal (!) Como é possível que o tal actor se preste assim a cair num ridículo total? Isto já nem é pornografia linguística à maneira do dom Cangalheiro. É deboche (!!!!!)»

 

E o meu amigo Francis Likin, acrescentou:

«Há já algum tempo, creio que durante o Campeonato Mundial de Futebol, as autoridades brasileiras exigiram a um jornalista português a apresentação de uma TRADUÇÃO OFICIAL do seu PASSAPORTE PORTUGUÊS, para que pudesse dispor das credenciais oficiais e ser "acreditado" como jornalista português no Brasil durante esse mesmo campeonato!»

  

Duvidei disto, porque isto é um pouco DEMASIADO!

 

Contudo, Francis Likin insistiu: «Mas é VERDADE. É REAL. A desculpa dada pelas autoridades brasileiras é que a lei diz que todo e qualquer passaporte estrangeiro tem de ser traduzido para "português do Brasil" Isso circulou por aqui. Proibiram também uma miúda de 15 anos de ir para a Escola com uma camisola da Selecção Portuguesa. Só a do Brasil era permitida. Há muitos exemplos desses...»

 

Pasmei! Desconhecia isto.

 

E o meu amigo Pedro Soares comentou o que se segue, referindo-se aos governantes que temos e que permitem estas coisas que põem os portugueses abaixo de cão:

 

«Mas será que este desgraçado País está condenado a bater no fundo? Será que estamos condenados a esta gente medíocre, que em 44 anos não produziu um só Estadista? Quando chegará o D. Sebastião?...... Já chega de nevoeiro!»

 

Todos têm razão. Por tudo isto, não podemos baixar os braços. Não podemos deixar que a Língua Portuguesa seja deste modo desprezada, em nome de coisa nenhuma que valha a pena ser.

 

Cada um de nós tem de ser um D. Sebastião, para se acabar com este nevoeiro que obscurece Portugal e a sua Cultura Linguística.

 

Definitivamente, está na hora de o Brasil assumir a sua língua: a BRASILEIRA. Serão milhões a propagá-la, sem terem de arrastar atrás de si, o cordão umbilical do país que os colonizou. Não deixem para amanhã o que podem fazer hoje. Porque é certo e seguro, que o destino  da língua falada e escrita no Brasil é o de ser BRASILEIRA. É o que eles querem, é o que eles farão. E eu concordo plenamente.

 

Isabel A. Ferreira

***

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:59

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Segunda-feira, 19 de Novembro de 2018

NUNCA AS TOURADAS LEVARAM TANTA PANCADA COMO NESTES ÚLTIMOS DIAS PORQUE SE CÃO COMO NÓS, TOURO COMO NÓS. PORQUE NÃO?

 

Sim, caçador Manuel Alegre. Se o Cão é um animal mamífero, como nós, o Touro também é um animal mamífero como nós. Ou acha (se ao menos, pensasse!) que uns são mais animais do que outros, à boa maneira dos ditadores? E aqueles animais que o caçador mata, pelo simples gozo de matar? Serão o quê? Ervas daninhas?

E o caçador diz gostar tanto de animais! E o caçador diz também:

«Que prazer me dá matá-los!»

E como Freud explica bem estas mentes deformadas!

Manuel Alegre deixou de ser o poeta.

Os poetas progridem. Integram-se na Cultura Culta. Não se imiscuem com os torturadores de animais sencientes. Não caçam cobardemente animais indefesos. E se o fazem, deixam de ser poetas, para serem simplesmente caçadores.

O poeta Manuel Alegre morreu, no momento em que declarou o que declarou, envergonhando as Artes e as Letras e a Cultura Culta, e a Civilização e o Socialismo (como doutrina política).

 

MANUEL ALEGRE.jpg

Declara Manuel Alegre:

Eu sei que há evolução, sou contra os maus-tratos aos animais, não haja dúvida nenhuma sobre isso. Mas sou pelas pessoas e sou por qualquer coisa de sagrado que há na corrida, qualquer coisa de sagrado muito antigo. Quem não percebe isso também não percebe a poesia, não percebe a literatura”, afirma Manuel Alegre, que presta homenagem ao Partido Comunista Português (PCP) por ser “fiel às tradições” e “não tem medo do PAN, não tem medo do politicamente correcto”.

 

Como disse o caçador?

Não, não sabe que há evolução. Se soubesse, teria evoluído. E não, não há nada de sagrado na tortura de Touros. Há sadismo. Há psicopatia. Está nos livros. E comparar a tortura de um ser senciente, numa arena (para que um bando de sádicos se divirta), com Poesia e Literatura, é o mesmo que comparar um monte de esterco com um Roseiral. E isto só de alguém que perdeu a noção da virtude.

 

E Manuel Alegre elogia o Partido Comunista Português que se vende por um punhado de votos, na região mais empobrecida de Portugal (Ribatejo e Alentejo) onde a selvajaria tauromáquica está enraizada e confinada, e onde o PCP consegue eleger alguns poucos presidentes de Câmara, algo que envergonharia o Prémio Nobel José Saramago que, das touradas, tinha esta visão universal, que é a do Senso Comum:

 

«A violência das touradas ou dos autos-de-fé apraz ao povo que, obscuro e ignorante, se diverte sensualmente com as imagens de morte, esquecendo a miséria em que vive.» in Memorial do Convento.

 

«(...) As criancinhas ao colo das mães batem palmas, os maridos, excitados, apalpam as excitadas esposas e, calhando, alguma que não o seja, o povo é feliz enquanto o touro tenta fugir aos seus verdugos deixando atrás de si regueiros de sangue. É atroz, é cruel, é obsceno. Mas isso que importa se Cristiano Ronaldo vai jogar pelo Real Madrid? Que importa isso num momento em que o mundo inteiro chora a morte de Michael Jackson? Que importa que uma cidade faça da tortura premeditada de um animal indefenso uma festa colectiva que se repetirá, implacável, no ano seguinte? É isto cultura? É isto civilização? Ou será antes barbárie?» Junho de 2009 in Outros Cadernos de Saramago, neste link:

https://www.facebook.com/TouradasNAO/posts/as-touradas-por-saramagoa-viol%C3%AAncia-das-touradas-ou-dos-autos-de-f%C3%A9-apraz-ao-pov/385462384842313/

 

Obviamente é barbárie, mas o caçador Manuel Alegre, habituado a matar animais indefesos, não sabe, como não sabem os socialistas trogloditas (porque os há civilizados, mas não se manifestam).

 

E querem saber uma grande verdade?

Esta polémica ao redor do IVA dos torturadores de Touros, juntamente com a recente e vergonhosa e falaciosa e encomendada reportagem que a aficionada TVI apresentou (só quem não está habituado aos meandros de uma reportagem realizada com cabeça, troncos e membros não se apercebeu) só veio dar votos ao PAN, de quem Manuel Alegre e os seus camaradas (mas não o povo português) morrem de medo.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:05

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Sábado, 10 de Fevereiro de 2018

«DEFENDER A LÍNGUA PORTUGUESA É UMA PRIORIDADE DA ACÇÃO DO GOVERNO» DOUTOR ANTÓNIO COSTA? OUVIMOS BEM?

 

Nós vamos cobrar esta aCção, doutor António Costa.

 

E o primeiro-ministro disse mais esta coisa dúbia: considerou que esta é uma aposta de “afirmação da individualidade e da diversidade»

 

Querem saber? Banzei-me, porque a treta não diz nada, nada com a careta.

Absolutamente nada.

 

PREMIO CAMOES.png

«No dia 08 de junho, o poeta português Manuel Alegre foi eleito o novo ganhador do Prêmio Camões de Literatura, principal comenda do mundo literário em linguá portuguesa. Instituído em 1988, o Prêmio tem o objetivo de consagrar autores de língua portuguesa que tenha contribuído para o enriquecimento do patrimônio literário e cultural da nossa língua». (***)

Origem da imagem e do pequeno texto:

http://praxis.com.br/manuel-alegre-e-o-vencedor-do-premio-camoes-2017/

*** (Será esta linguagem que António Costa defende para Portugal? É que já estamos neste caminho, e bastante adiantados. E isto não se faz às crianças portuguesas!)

 

E querem saber por que não diz a treta com a careta? Porque ou António Costa está a gozar connosco, porque até agora não mexeu uma palha em defesa da Língua Portuguesa (que saibamos, mas como há muita coisa que se faz às escondidas, no Parlamento…!) ou quando se referiu à Língua Portuguesa queria dizer “ortografia brasileira” e fugiu-lhe a boca para a verdade, porque a verdade é que em Portugal a Língua é a Portuguesa. E a isto chama-se individualidade. E não há cá esta coisa de português europeu e português brasileiro. Até porque o Português não é outra coisa senão europeu. PONTO. O que há é a Língua Portuguesa e as suas variantes: brasileira, angolana, moçambicana, cabo-verdiana, são-tomense, timorense, guineense, macaense, goense… E onde mais fôramos, mais tivéramos… E a isto chama-se diversidade.

 

Pois se António Costa quer afirmar a individualidade, fiquemos com a nossa Língua Portuguesa, e atire-se ao lixo o AO90, como o Brasil atirou ao lixo a Convenção Ortográfica Luso-Brasileira de 1945, que assinou, mas não cumpriu.

 

E se António Costa quer afirmar a diversidade, pois deixemos que cada país lusófono fique com a sua especificidade linguística, para que os escritores citados: Luís de Camões, José Craveirinha, Carlos Drummond de Andrade, Fernando Pessoa, Guimarães Rosa, Luandino Vieira, José Saramago, Arménio Vieira, Jorge Amado, Baltazar Lopes, Cecília Meireles, Mia Couto e Manuel Alegre, possam ser lidos diversamente, e não somente à moda brasileira.

 

Porque haveria Luandino Vieira (Angola) ou Mia Couto (Moçambique) ou Arménio Vieira (Cabo Verde), ou Alda do Espírito Santo (São Tomé e Príncipe) ou Odete Semedo (Guiné-Bissau) ou Luís Cardoso de Noronha (Timor-Leste) ou Luís de Camões (Portugal) serem lidos segundo a cartilha brasileira, ou Jorge Amado ser lido segundo a cartilha portuguesa?

 

Qual o interesse de unificar algo que é absolutamente impossível de unificar, se António Costa pretende afirmar a diversidade, como declarou?

 

Então para quê mutilar a ortografia portuguesa, para a avizinhar da ortografia brasileira nos vocábulos em que existem consoantes mudas e hífenes e acentos, mesmo assim, com excePções e bastantes abortinhos ortográficos por parte dos portugueses, que se metem a ser mais “papistas do que o papa” por pura ignorância?

 

A verdade é que o servilismo do governo português aos mandos brasileiros é notório e vergonhoso.

 

Mas ainda há mais. Lê-se na notícia:

 

«António Costa falava momentos antes de entregar, juntamente com o embaixador do Brasil em Portugal, Luís Alberto Figueiredo Machado, e na presença do ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, do ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, do presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, do ex-líder parlamentar socialista, Alberto Martins, e do presidente do PS, Carlos César, entre outras personalidades, ao poeta e ex-candidato presidencial Manuel Alegre, o Prémio Camões 2017, numa cerimónia que decorreu na passada sexta-feira, no Palácio da Ajuda, tendo o primeiro-ministro reafirmado o compromisso do Governo com a língua portuguesa, “com os seus valores e as suas valências”.

 

Duas observações a fazer:

 

Primeira: como teria sido elegante convidar os embaixadores dos restantes países lusófonos, para esta cerimónia, uma vez que o Prémio Camões destina-se a distinguir autores que tenham contribuído para o enriquecimento do Património Literário e Cultural da Língua Portuguesa, apesar de o prémio ter sido instituído pelos governos do Brasil e de Portugal em 1988.

 

Mas não será esta a festa maior da Língua Portuguesa, escrita e falada também por Angolanos, Moçambicanos, Cabo-verdianos, São-Tomenses, Guineenses e Timorenses, que pertencem aos PALOP, aos países ditos lusófonos? E que em 29 atribuições, apenas cinco foram para autores africanos, e mesmo assim para apenas três países (Moçambique, Angola e Cabo Verde)? Por que teriam sido excluídos os embaixadores dos outros países? Por quê esta exclusividade brasileira?

Isto pareceu uma cerimónia luso-brasileira, tal como o é o AO90.

Segunda: se o primeiro-ministro reafirmou o compromisso do Governo com a Língua Portuguesa, “com os seus valores e as suas valências”, porque se continua a desvalorizar a Língua Portuguesa e a impingir às crianças portuguesas a valência brasileira?

 

Bem, e António Costa disse mais: segundo ele «num mundo onde se observa um “crescente “risco” de massificação, uniformização e de hegemonização, a língua é um instrumento e uma “condição insubstituível” de afirmação da individualidade e da diversidade».

 

Que conversa é esta, senhor primeiro-ministro?

 

Impingem ao país a individualidade ortográfica basileira, e pretendem afirmar a diversificação? Em que ficamos? Ou percebi mal?

 

Nesta cerimónia luso-brasileira, António Costa fez ainda questão de vincar a importância da Língua Portuguesa e da prioridade que o Governo dá à sua difusão, defendendo que cada língua representa por si mesma um mundo e uma “visão desse mesmo mundo”, uma “singularidade e uma pluralidade”, reiterando a vontade do Governo que lidera de “reforçar, ampliar e de modernizar” uma política de língua “mais activa e mais eficaz”, de modo a tornar a língua “mais partilhada e mais presente”.  

 

O que é que isto significa, senho primeiro-ministro?

 

Não é verdade que o governo português (porque hei-de escrever "governo" com letra maiúscula e Fevereiro com letra minúscula?) dá prioridade à difusão e defesa da Língua na sua singularidade e pluralidade. Não é verdade. Se desse, já teria acabado com esta fantochada de introduzir em Portugal a ortografia brasileira. Deixaria correr livremente a pluralidade… Ou percebi mal?

 

E o desafio que defendeu, o de «que não deve ficar apenas no âmbito do Estado e das suas instituições, mas um desígnio que tem de ser assumido igualmente pelo “conjunto da sociedade civil” e por todos os “luso falantes”, saudando a propósito os povos, países e comunidades dispersas pelo mundo que falam o português, defendendo que todos e cada um deles “são representantes dessa comunidade maior” que fala a língua de “Luís de Camões, de José Craveirinha, de Carlos Drummond de Andrade, de Fernando Pessoa, de Guimarães Rosa, de Luandino Vieira, de José Saramago, de Arménio Vieira, de Jorge Amado, de Baltazar Lopes, de Cecília Meireles, de Mia Couto e de Manuel Alegre”, é atirar areia para os olhos dos portugueses.

 

Porquê?

Simplesmente porque os luso-falantes, dispersos por todo o mundo, estão-se nas tintas para o AO90 que os governos português e brasileiro querem impingir aos demais povos lusófonos, estando esses luso-falantes a contestar fortemente esta ditadura ortográfica, que pretende, à força, que Luís de Camões, José Craveirinha, Fernando Pessoa, Luandino Vieira, José Saramago, Arménio Vieira, Baltazar Lopes, Mia Couto e Manuel Alegre, estejam “afêtos” à cartilha de Carlos Drummond de Andrade, Guimarães Rosa e Jorge Amado.

 

Fonte da notícia: https://shar.es/1NOC4R

 

***

Ouvi o discurso de Manuel Alegre, e pareceu-me que ele esteve-se nas tintas para a defesa da Língua Portuguesa. Poderia ter aproveitado a ocasião para mandar um recado ao governo de António Costa, mas não mandou. Por vezes penso que estes prémios literários, que são atribuídos a certos desacordistas, servem para os calar. E o pior é que eles CALAM-SE. Com isto não quero dizer que Manuel Alegre não merecesse o prémio, mas podia ter feito algo mais pela Língua Portuguesa, sugerindo ao seu camarada António Costa que desista de abrasileirar a ortografia portuguesa, porque isso não é defender a diversidade, nem a Língua Portuguesa.

 

Para finalizar sugiro a leitura deste texto onde José Saramago, Padre António Vieira, Marguerite Yourcenar, Séneca e Jaime de Magalhães Lima falam daquela «cegueira que faz com que não reconheçamos o que temos à frente…»

 

OS OLHOS SÃO INÚTEIS QUANDO A MENTE É CEGA

http://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/os-olhos-sao-inuteis-quando-a-mente-e-605672

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:47

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Terça-feira, 3 de Outubro de 2017

EU CHAMO-LHES CARRASCOS, SARAMAGO CHAMA-LHES MONSTROS...

 

E vai tudo dar ao mesmo. Quem se deleita com o sofrimento dos Touros, numa arena, são os carrascos de Touros, são monstros. São também sádicos, psicopatas. Atrasados mentais (não confundir com deficientes mentais). Deformados mentais. São a escumalha da humanidade. E não há palavras mansas que possam descrever estes seres desumanos.

 

«Um animal não pode defender-se; se tu te regozijas com a sua dor, desfrutas da tortura, gostas de ver como sofre esse animal… então não és um ser humano, és um monstro!» (José Saramago)

 

Esta carapuça serve a todos os que praticam, aplaudem, apoiam e promovem a selvática prática da tauromaquia.

 

SARAMAGO.jpg

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:57

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Quarta-feira, 16 de Dezembro de 2015

GOSTAR DE TOURADAS: SADISMO? IMBECILIDADE? AMBAS AS COISAS?

 

(Ao cuidado dos governantes de Portugal)

 

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O toureiro, longe de ser alguém fabuloso, nada mais é do que um infra-homem (homem abaixo do nível habitual da natureza humana, homem inferior), que representa o mais grotesco, imundo e ridículo que pode chegar a ser o ser humano.

 

por Carlos Loures

 

Não há tolerância que possa ser invocada para desculpar o gosto pelas touradas, aquilo que em bom português se designa por afición. Como, a não ser por uma tara, ou por uma perversão do carácter, pode alguém gostar de ver um animal a ser torturado? Se o aficionado professa a fé católica, está a pecar, se pensa que é boa pessoa, desiluda-se, é um monstro, se se julga culto, um intelectual, por assim dizer, não pense uma coisa dessas, porque é uma besta. Se é nobre e usa um brasão num anel, nesse caso, está certo – a nobreza diz bem com a tourada – em termos de fé, no plano da ética, no da cultura…

 

Em 1836, o ministro do Reino Passos Manuel promulgou um decreto proibindo as touradas (coisa que o marquês de Pombal já tinha feito no século anterior): «Considerando que as corridas de touros são um divertimento bárbaro e impróprio de Nações civilizadas, bem assim que semelhantes espectáculos servem unicamente para habituar os homens ao crime e à ferocidade, e desejando eu remover todas as causas que possam impedir ou retardar o aperfeiçoamento moral da Nação Portuguesa, hei por bem decretar que de ora em diante fiquem proibidas em todo o Reino as corridas de touros.» dizia o decreto. Porém as «razões» do costume prevaleceram e nove meses depois as corridas regressaram.

 

Os aficionados, quando vêem rebatidos os seus argumentos de mentecaptos, recorrem ao que lhes parece ser uma razão de peso – «a tourada é uma tradição portuguesa». Será? É uma tradição castelhana, espanhola. A terminologia técnica é toda ela em castelhano. Até na chamada «tourada à portuguesa» a lide é acompanhada por pasodobles e saudada com olés.

 

Diz José Saramago num dos seus “Cadernos”: «O touro entra na praça. Entra sempre, creio. Este veio em alegre correria, como se, vendo aberta uma porta para a luz, para o sol, acreditasse que o devolviam à liberdade. Animal tonto, ingénuo, ignorante também, inocência irremediável, não sabe que não sairá vivo deste anel infernal que aplaudirá, gritará, assobiará durante duas horas, sem descanso. O touro atravessa a correr a praça, olha os “tendidos” sem perceber o que acontece ali, volta para trás, interroga os ares, enfim arranca na direcção de um vulto que lhe acena com um capote, em dois segundos acha-se do outro lado, era uma ilusão, julgava investir contra algo sólido que merecia a sua força, e não era mais do que uma nuvem. Em verdade, que mundo vê o touro?»

 

(…) «O touro vai morrer. Dele se espera que tenha força suficiente, brandura, suavidade, para merecer o título de nobre. Que invista com lealdade, que obedeça ao jogo do matador, que renuncie à brutalidade, que saia da vida tão puro como nela entrou, tão puro como viveu, casto de espírito como o está de corpo, pois virgem irá morrer. Terei medo pelo toureiro quando ele se expuser sem defesa diante das armas da besta. Só mais tarde perceberei que o touro, a partir de um certo momento, embora continue vivo, já não existe, entrou num sonho que é só seu, entre a vida e a morte». Quando leu o texto, a esposa do escritor comentou «Não podes compreender».

 

Não há nada para compreender. Quem se diverte com a tortura de um animal é um sádico. Quem procura esconder o sadismo sob uma capa de mística, a não ser que seja nobre, é um estúpido.

 

Fonte:

http://aviagemdosargonautas.net/2013/10/01/gostar-de-touradas-sadismo-imbecilidade-ambas-as-coisas-por-carlos-loures/

in

https://blogcontraatauromaquia.wordpress.com/2015/12/15/faco-meu-este-texto-com-o-qual-concordo-totalmente-gostar-de-touradas-sadismo-imbecilidade-ambas-as-coisas-por-carlos-loures/

***

Nem mais. Digo eu…

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:34

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Terça-feira, 15 de Dezembro de 2015

Os olhos são inúteis quando a mente é cega

 

A todos os cegos mentais do meu desventurado País, que assenta a sua desdita na estreiteza de espírito de muitos dos que o governam…

 

«O egoísmo pessoal, o comodismo, a falta de generosidade, as pequenas cobardias do quotidiano, tudo isto contribui para essa perniciosa forma de cegueira mental que consiste em estar no mundo e não ver o mundo, ou só ver dele o que, em cada momento, for susceptível de servir os nossos interesses»

(José Saramago)

 

 

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«A cegueira que cega cerrando os olhos, não é a maior cegueira; a que cega deixando os olhos abertos, essa é a mais cega de todas».

(Padre António Vieira)

 

«Quando se trata de pessoas comuns, é inútil atribuir-lhes qualquer sabedoria. Basta que lhes atribuamos cegueira, apenas cegueira».

(Marguerite Yourcenar)

 

«A atribuição própria dos pretores, em Roma, era a administração da justiça. Nenhum homem sábio deixará de se espantar com a cegueira do espírito humano».

(Séneca)

 

«Leon Tolstoi foi um adepto e um apóstolo do vegetarianismo. E não é pouco nem insignificante que um tal espírito e tão sublimado coração perfilhasse e praticasse essa doutrina, que a inércia moral e o poder do vício desprezam ou escarnecem na cegueira própria da sua particular estreiteza

(Jaime de Magalhães Lima)

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:21

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Quarta-feira, 29 de Abril de 2015

«A racionalidade irracional»

 

Um destes dias, andava eu a pesquisar já não sei o quê, e deparei-me com estes escritos de José Saramago.

 

Afinal, Saramago diz todas as coisas que costumo dizer, por aqui, com a abismal diferença do talento literário que ele tinha e eu não tenho.

 

Eu sou mais rés-do-chão…

 

Mas para os meus mais acérrimos críticos, nomeadamente os aficionados deputados da Assembleia da República, entre outros aficionados menos diplomados, aqui deixo as palavras de José Saramago, como se fossem minhas.

 

Afinal, a diferença está apenas no “estilo”, mas não na raiz do raciocínio… 

 

Isabel A. Ferreira

 

IRRACIONALIDADE.jpg

 

«A Racionalidade Irracional

 

Eu digo muitas vezes que o instinto serve melhor os animais do que a razão a nossa espécie. E o instinto serve melhor os animais porque é conservador, defende a vida. Se um animal come outro, come-o porque tem de comer, porque tem de viver; mas quando assistimos a cenas de lutas terríveis entre animais, o leão que persegue a gazela e que a morde e que a mata e que a devora, parece que o nosso coração sensível dirá «que coisa tão cruel».

 

Não: quem se comporta com crueldade é o homem, não é o animal, aquilo não é crueldade; o animal não tortura, é o homem que tortura. Então o que eu critico é o comportamento do ser humano, um ser dotado de razão, razão disciplinadora, organizadora, mantenedora da vida, que deveria sê-lo e que não o é; o que eu critico é a facilidade com que o ser humano se corrompe, com que se torna maligno.

 

Aquela ideia que temos da esperança nas crianças, nos meninos e nas meninas pequenas, a ideia de que são seres aparentemente maravilhosos, de olhares puros, relativamente a essa ideia eu digo: pois sim, é tudo muito bonito, são de facto muito simpáticos, são adoráveis, mas deixemos que cresçam para sabermos quem realmente são. E quando crescem, sabemos que infelizmente muitas dessas inocentes crianças vão modificar-se. E por culpa de quê? É a sociedade a única responsável? Há questões de ordem hereditária? O que é que se passa dentro da cabeça das pessoas para serem uma coisa e passarem a ser outra?

 

Uma sociedade que instituiu, como valores a perseguir, esses que nós sabemos, o lucro, o êxito, o triunfo sobre o outro e todas estas coisas, essa sociedade coloca as pessoas numa situação em que acabam por pensar (se é que o dizem e não se limitam a agir) que todos os meios são bons para se alcançar aquilo que se quer.

 

Falámos muito ao longo destes últimos anos (e felizmente continuamos a falar) dos direitos humanos; simplesmente deixámos de falar de uma coisa muito simples, que são os deveres humanos, que são sempre deveres em relação aos outros, sobretudo. E é essa indiferença em relação ao outro, essa espécie de desprezo do outro, que eu me pergunto se tem algum sentido numa situação ou no quadro de existência de uma espécie que se diz racional. Isso, de facto, não posso entender, é uma das minhas grandes angústias.»

 

José Saramago, in «Diálogos com José Saramago»

http://www.citador.pt/textos/a-racionalidade-irracional-jose-de-sousa-saramago

 

***

«Somos Irracionais

 

No meu tempo de escola primária, algumas crédulas e ingénuas pessoas, a quem dávamos o respeitoso nome de mestres, ensinaram-me que o homem, além de ser um animal racional, era, também, por graça particular de Deus, o único que de tal fortuna se podia gabar. Ora, sendo as primeiras lições aquelas que mais perduram no nosso espírito, ainda que, muitas vezes, ao longo da vida, julguemos tê-las esquecido, vivi durante muitos anos aferrado à crença de que, apesar de umas tantas contrariedades e contradições, esta espécie de que faço parte usava a cabeça como aposento e escritório da razão.

 

Certo era que o pintor Goya, surdo e sábio, me protestava que é no sono dela que se engendram os monstros, mas eu argumentava que, não podendo ser negado o surgimento dessas avantesmas, tal só acontecia quando a razão, pobrezinha, cansada da obrigação de ser razoável, se deixava vencer pela fadiga e mergulhava no esquecimento de si própria.

 

Chegado agora a estes dias, os meus e os do mundo, vejo-me diante de duas probabilidades: ou a razão, no homem, não faz senão dormir e engendrar monstros, ou o homem, sendo indubitavelmente um animal entre os animais, é, também indubitavelmente, o mais irracional de todos eles. Vou-me inclinando cada vez mais para a segunda hipótese, não por ser eu morbidamente propenso a filosofias pessimistas, mas porque o espectáculo do mundo é, em minha fraca opinião, e de todos os pontos de vista, uma demonstração explícita e evidente do que chamo a irracionalidade humana. Vemos o abismo, está aí diante dos olhos, e contudo avançamos para ele como uma multidão de «lemmings» suicidas, com a capital diferença de que, de caminho, nos vamos entretendo a trucidar-nos uns aos outros.»

 

José Saramago, in «Cadernos de Lanzarote (1993)»

http://www.citador.pt/textos/somos-irracionais-jose-de-sousa-saramago

 

***

 

«Produzimos uma Cultura de Devastação

 

Todos os anos exterminamos comunidades indígenas, milhares de hectares de florestas e até inúmeras palavras das nossas línguas. A cada minuto extinguimos uma espécie de aves e alguém em algum lugar recôndito contempla pela última vez na Terra uma determinada flor.

 

Konrad Lorenz não se enganou ao dizer que somos o elo perdido entre o macaco e o ser humano. Somos isso, uma espécie que gira sem encontrar o seu horizonte, um projecto por concluir. Falou-se bastante ultimamente do genoma e, ao que parece, a única coisa que nos distancia na realidade dos animais é a nossa capacidade de esperança. Produzimos uma cultura de devastação baseada muitas vezes no engano da superioridade das raças, dos deuses, e sustentada pela desumanidade do poder económico. Sempre me pareceu incrível que uma sociedade tão pragmática como a ocidental tenha deificado coisas abstractas como esse papel chamado dinheiro e uma cadeia de imagens efémeras. Devemos fortalecer, como tantas vezes disse, a tribo da sensibilidade...»

 

José Saramago, in «Revista Universidad de Antioquia (2001)»

http://www.citador.pt/textos/produzimos-uma-cultura-de-devastacao-jose-de-sousa-saramago

 

***

«Não Calar

 

Há uma regra fundamental quando se vive como nós estamos a viver – em sociedade, porque somos uns animais gregários – que é simplesmente não calar. Não calar! Que isso possa custar em comunidades várias a perda de emprego ou más interpretações já o sabemos, mas também não estamos aqui para agradar a toda a gente. Primeiro, porque é impossível, e segundo, porque se a consciência nos diz que o caminho é este então sigamo-lo e quanto às consequências logo veremos.»

 

José Saramago, in «Uma Longa Viagem com José Saramago»

http://www.citador.pt/textos/nao-calar-jose-de-sousa-saramago

 

***

«A Regra Fundamental de Vida

 

Quando nós dizemos o bem, ou o mal... há uma série de pequenos satélites desses grandes planetas, e que são a pequena bondade, a pequena maldade, a pequena inveja, a pequena dedicação...

 

No fundo é disso que se faz a vida das pessoas, ou seja, de fraquezas, de debilidades... Por outro lado, para as pessoas para quem isto tem alguma importância, é importante ter como regra fundamental de vida não fazer mal a outrem.

 

A partir do momento em que tenhamos a preocupação de respeitar esta simples regra de convivência humana, não vale a pena perdermo-nos em grandes filosofias sobre o bem e sobre o mal. «Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti» parece um ponto de vista egoísta, mas é o único do género por onde se chega não ao egoísmo mas à relação humana.»

 

José Saramago, in «Revista Diário da Madeira, Junho 1994»

http://www.citador.pt/textos/a-regra-fundamental-de-vida-jose-de-sousa-saramago

 

***

«O País é Pequeno e a Gente que nele Vive também não é Grande

 

Em tempos disse que Portugal estava culturalmente morto. Talvez o tenha dito em determinado momento, mas também o diria hoje porque Portugal não tem ideias de futuro, nenhuma ideia do futuro português, nem uma ideia que seja sua, e vai navegando ao sabor da corrente.

 

A cultura, apesar de tudo, tem sobrevivido e é aquilo que pode dar do país uma imagem aberta e positiva em todos os aspectos, seja no cinema, na literatura ou na arte - temos grandes pintores que andam espalhados pelo mundo.

 

Mas o Almeida Garrett definiu-nos de uma vez para sempre e de uma maneira que se tem de reconhecer que é uma radiografia de corpo inteiro: «O país é pequeno e a gente que nele vive também não é grande.»

 

É tremenda esta definição, mas se tivermos ocasião de verificar, desde o tempo do Almeida Garrett e, projectando para trás, efectivamente o país é pequeno (...), mas o que está em causa não é o tamanho físico do país mas a dimensão espiritual e mental dos seus habitantes.»

 

José Saramago, in «Uma Longa Viagem com José Saramago (2009)»

http://www.citador.pt/textos/o-pais-e-pequeno-e-a-gente-que-nele-vive-tambem-nao-e-grande-jose-de-sousa-saramago

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:09

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Terça-feira, 8 de Julho de 2014

CARTA ABERTA A ALBERTO DA PONTE, PRESIDENTE DA RTP

 

«O egoísmo pessoal, o comodismo, a falta de generosidade, as pequenas cobardias do quotidiano, tudo isto contribui para essa perniciosa forma de cegueira mental que consiste em estar no mundo e não ver o mundo, ou só ver dele o que, em cada momento, for susceptível de servir os nossos interesses»

(José Saramago)

ooo

 

 

 

Exmo. Sr. Alberto da Ponte:

 

 

É sempre com grande indignação (porque a RTP é paga também com o meu dinheiro) que ouço falar na transmissão de TORTURA DE BOVINOS, nesse canal, que é público, mas está minado pelo lobby tauromáquico.

 

 

Gostaria de tecer algumas considerações sobre a postura da RTP em relação a uma actividade cruel e violenta, que é transmitida em directo, sem qualquer respeito pela Ética e pela Vida, e pelo que deve ser um órgão que presta serviço público, ou seja, um exemplo de cultura, saber e humanidade.

 

 

E o que faz a RTP? Fomenta o exercício da violência contra seres vivos, banalizando, deste modo, o valor da Vida e do Respeito a ter pelos outros seres vivos.

 

 

Existe uma Lei que proíbe expressamente «todas as violências injustificadas contra animais, infligir-lhes a morte, um sofrimento cruel e prolongado, ou graves lesões».

 

 

Contudo, incompreensivelmente, esta lei (que nunca foi cumprida) exclui do Reino Animal os Bovinos e os Cavalos que, institucionalmente, podem ser torturados, ao bel-prazer de torturadores profissionais, que desconhecem o valor da Vida, e cruelmente, cobardemente infligem um sofrimento desmedido e inútil a animais sencientes, para divertir sádicos e psicopatas, aos quais a RTP dá demasiado tempo de antena, em detrimento dos que pugnam pela saúde mental dos portugueses.

 

 

É um facto inexplicável que a tortura de bovinos é legalmente permitida, o que só por si dá para envergonhar um povo, que o estrangeiro vê como um povo atrasado, minguado de inteligência, contudo, independentemente desta miséria moral, o grau de violência envolvido neste ritual bárbaro e primitivo, deveria ser o argumento mor considerado pela RTP, para não ser transmitido num canal televisivo, que, deste modo, viola abertamente e descaradamente, sem qualquer pudor, o Código Deontológico dos Média.

 

 

Além disso, a RTP, enquanto televisão do Estado, independentemente de ter administradores e directores e jornalistas aficionados, devia servir a causa pública e a esmagadora maioria dos Portugueses, que não se revê nesse ritual cruel e primitivo, e não uma minoria inculta, grosseira, sádica, abestalhada, e com um atraso civilizacional desmesurado.

 

 

Ademais, os dinheiros públicos não devem ser esbanjados deste modo inútil, a roçar o obsceno, transmitindo ao país a miséria moral e pobreza de espírito que grassa nessa estação televisiva, com “mandadores” de muito baixo nível cultural.

 

 

A RTP jamais deveria envolver-se promocional, logística e financeiramente na promoção, organização e exibição de tortura de bovinos (vulgo touradas), evitando, desse modo, colocar-se num patamar abaixo de ene zeros.

 

 

O que a RTP acabou de comemorar no campo pequeno, com muitas borlas, muitos convites, e muitos parasitas, que só lá foram para se mostrar na TV e ver as suas fotografias, com expressões vampirescas, nas revistas e nos Blogs tauromáquicos, foram 50 anos de uma estupidez, que já começa a ser tradição lisboeta.

 

 

E uma vez que a RTP não se decide a evoluir e entrar no caminho da civilização, seria do maior bom senso isentar do pagamento de contribuição audiovisual, a esmagadora maioria dos portugueses que rejeita essa estação televisiva, por não a considerar digna de ser visionada por gente que abomina rituais violentos e sangrentos, à medida apenas de broncos medievais, e pugna pela Vida de todos os seres, que connosco partilham o Planeta Terra, como é do ser civilizado.

 

 

Com a minha mais veemente indignação,

 

 

Isabel A. Ferreira

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:53

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Quinta-feira, 3 de Abril de 2014

PUDESSE TAMBÉM EU…

(Faço minhas, completamente minhas, as palavras de José Saramago)

 

Hoje, os ignorantes só são ignorantes, por opção.

 

Porque informação não falta.

 

 

Por José Saramago

 

Pudesse eu, e fecharia todos os zoológicos do mundo.

 

Pudesse eu, e proibiria a utilização de animais nos espectáculos de circo.

 

Não devo ser o único a pensar assim, mas arrisco o protesto, a indignação, a ira da maioria a quem encanta ver animais atrás de grades ou em espaços onde mal podem mover-se como lhes pede a sua natureza.

 

Isto no que toca aos zoológicos.

 

Mais deprimentes do que esses parques, só os espectáculos de circo que conseguem a proeza de tornar ridículos os patéticos cães vestidos de saias, as focas a bater palmas com as barbatanas, os cavalos empenachados, os macacos de bicicleta, os leões saltando arcos, as mulas treinadas para perseguir figurantes vestidos de preto, os elefantes mal equilibrados em esferas de metal móveis.

 

Que é divertido, as crianças adoram, dizem os pais, os quais, para completa educação dos seus rebentos, deveriam levá-los também às sessões de treino (ou de tortura?) suportadas até à agonia pelos pobres animais, vítimas inermes da crueldade humana.

 

Os pais também dizem que as visitas ao zoológico são altamente instrutivas.

 

Talvez o tivessem sido no passado, e ainda assim duvido, mas hoje, graças aos inúmeros documentários sobre a vida animal que as televisões passam a toda a hora, se é educação que se pretende, ela aí está à espera.

 

Fonte:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=429580073776682&set=np.60237884.100000123032483&type=1&theater&notif_t=notify_me

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:09

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Quinta-feira, 6 de Setembro de 2012

«COBERTO DE SANGUE, ATRAVESSADO DE LADO A LADO POR LANÇAS... O TOURO SERÁ TORTURADO ATÉ À MORTE...»

 

 

Nem o homem mais primitivo fazia isto... Caçava os animais para comer, mas não os torturava para diversão. E é esta gente tosca que se diz viver no Século XXI depois de Cristo?

 O INFERNO DO TORO DE LA VEGA.

Salvemos o VOLANTE que vai ser sacrifidado daqui a uns dias, às mãos destes maus selvagens...

 

 

 

 

Um texto que mostra ao negrume do mundo tauromáquico em Espanha, num ritual que terá lugar este mês... Mas em Portugal, o negrume também existe...

 

É a Península Ibérica primitiva e grosseira, ainda enfronhada no tempo dos dinossauros...

 

«ESPANHA NEGRA

 

La España negra é o título de um livro do pintor José Gutiérrez Solana (1886-1945) de leitura às vezes difícil e sempre incómoda, não por razões de estilo ou ineditismos de construção sintáctica, mas pela brutalidade do retrato de Espanha que nele é traçado e que não é outra coisa senão a transposição da sua pintura para a página escrita, uma pintura que foi classificada como lúgubre e “feísta”, na qual fez reflectir a atmosfera da degradação da Espanha rural da época, mostrada em quadros que não recuam diante da expressão do mais atroz, obsceno e cruel que existe nos comportamentos humanos.

 

Influenciado pelo tenebrismo barroco, muito em particular por Valdés Leal, é também evidente a impressão que sobre ele exerceram as pinturas negras de Goya.

 

A Espanha de Gutiérrez Solana é sórdida e grotesca no mais alto grau imaginável, porque isso foi o que encontrou nas chamadas festas populares e nos usos e costumes do seu país. Hoje, Espanha não é assim, tornou-se numa terra desenvolvida e culta, capaz de dar lições ao mundo em muitos aspectos da vida social, objectará o leitor destas linhas.

 

Não nego que poderá ter razão na Castelhana, nas salas do museu do Prado, no bairro de Salamanca ou nas ramblas de Barcelona, mas não faltam por aí lugares onde Gutiérrez Solana, se fosse vivo, poderia colocar o seu cavalete para pintar com as mesmas tintas as mesmíssimas pinturas.

 

Refiro-me a essas vilas e cidades onde, por subscrição pública ou com apoio material das câmaras municipais, se adquirem touros à ganadarias para gozo e desfrute da população por ocasião das festas populares.

 

O gozo e o desfrute não consistem em matar o animal e distribuir os bifes pelos mais necessitados. Apesar do desemprego, o povo espanhol alimenta-se bem sem favores desses.

 

O gozo e o desfrute têm outro nome. Coberto de sangue, atravessado de lado e lado por lanças, talvez queimado pelas bandarilhas de fogo que no século XVIII se usaram em Portugal, empurrado para o mar para nele perecer afogado, o touro será torturado até à morte. As criancinhas ao colo das mães batem palmas, os maridos, excitados, apalpam as excitadas esposas e, calhando, alguma que não o seja, o povo é feliz enquanto o touro tenta fugir aos seus verdugos deixando atrás de si regueiros de sangue. É atroz, é cruel, é obsceno.

 

 

Mas isso que importa se Cristiano Ronaldo vai jogar pelo Real Madrid? Que importa isso num momento em que o mundo inteiro chora a morte de Michael Jackson? Que importa que uma cidade faça da tortura premeditada de um animal indefeso uma festa colectiva que se repetirá, implacável, no ano seguinte? É isto cultura? É isto civilização? Ou será antes barbárie?

 

José Saramago, “Espanha Negra”- Junho de 2009»

 

http://caderno.josesaramago.org/49039.html

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:21

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