Domingo, 11 de Setembro de 2022

«A diplomacia tem limites» - título da carta ao director do Jornal Público, a propósito da colaboração de Marcelo Rebelo de Sousa na cerimónia do Bicentenário da Independência do Brasil

 

A notícia pode ser lida aqui:

https://www.publico.pt/2022/09/07/politica/noticia/marcelo-afirma-brasilia-gesto-historico-nega-desconforto-2019728

 

Na rubrica «Cartas ao Director», do Jornal Público, um cidadão escreveu uma carta com a qual concordo inteiramente, até porque a subserviência também tem limites.

A carta diz o seguinte:

 

«A diplomacia tem limites»


«Mas parece que não os terá. Pelo menos a avaliar pelo comportamento dos Presidentes das Repúblicas de Portugal e do Brasil, embora com diferentes leituras por parte de cada um deles.

 O nosso, Marcelo Rebelo de Sousa (MRS), ateve-se até à exaustão no dever que Portugal tinha em participar - através da presença in loco da sua pessoa/cargo - na comemoração dos 200 anos da independência do Brasil. O deles, Jair Bolsonaro (JB), atem-se ao “direito”, que reclama, de dizer e fazer tudo o que lhe apetece pois “ele é como é, pensa o que pensa e está na terra dele”. Pois é, quanto ao último, isso é com os brasileiros.

Agora o que não tem o direito é de usar o nosso Presidente da República “na lapela” para cometer todos os desmandos e este tem todo o direito e dever de não “comer e calar” como, infelizmente, fez. Foi patético assistir à feitura dum comício travestido em cerimónia de Estado, em que desde a auto-afirmação de virilidade de JB, até à adulteração da bandeira do Brasil, passando pela companhia dum celerado vestido a preceito (!), e ver a presença, na primeira fila, dum “assarapantado” MRS, que nada ouviu e nada viu.

Senhor Presidente da República do meu país, a diplomacia tem limites.

Fernando Cardoso Rodrigues, Porto

 

Fonte da Carta:   https://www.publico.pt/2022/09/11/opiniao/opiniao/cartas-director-2020019

 

Marcelo colaborando com Bolsonaro.PNG

 

Fonte da imagem e do comentário de Armando Antunes (mais abaixo):

https://www.publico.pt/2022/09/07/politica/noticia/marcelo-afirma-brasilia-gesto-historico-nega-desconforto-2019728

 

Ainda a propósito desta cena, o Armando Antunes diz o seguinte (algo que subscrevo inteiramente):

Comentário MRS - 1.PNG

 

O que o Fernando Cardoso Rodrigues e o Armando Antunes escreveram corresponde ao que milhares de Portugueses, que têm os neurónios a funcionar, PENSAM (eu incluída), e, igualmente,  muitos dos Portugueses das Comunidades na Diáspora, que me escrevem, manifestam a tristeza deles, a vergonha deles por serem, por aí, representados por uma personagem com um EGO do tamanho do mundo, que, no entanto, não tem brio próprio, e ainda que seja menosprezado, como já o foi por Bolsonaro, verga-se ao menor aceno que lhe façam, porque é preciso aparecer, para alimentar esse EGO.


Na verdade, todos sabemos que a diplomacia tem limites, porém, Marcelo Rebelo de Sousa não conhece esses limites.

 

É o único chefe de Estado do mundo que se presta a estas cenas (como sói dizer-se actualmente) e que sai todos os dias nas televisões, a comentar tudo e mais alguma coisa, o que deve e o que não deve, contudo, RECUSA-SE a responder a uma questão que, há muito, muitos portugueses lhe põem: por que é que sendo o AO90 ilegal e inconstitucional, ele, que jurou DEFENDER a Constituição da República Portuguesa,  VIOLA-A tão descaradamente, e se recusa a dar uma resposta ao Povo Português, como é do seu DEVER, uma vez que se diz Chefe de um Estado de Direito, isto é,  de um sistema institucional, no qual, desde o mais comum dos cidadãos, até ao PODER público, todos estão sujeitos ao império do direito, que significa que o Estado de Direito está ligado ao respeito às normas e aos direitos fundamentais. O Estado de Direito é, pois, aquele no qual até mesmo os políticos e os governantes, que são eleitos democraticamente, estão sujeitos à legislação vigente.

 

Sua excelência, o presidente da República Portuguesa, parece ser a excePção, porque passa por cima da Lei, viola a Constituição da República Portuguesa, e permite que o País, que diz representar, esteja a perder a sua identidade linguística, cultural e histórica, sendo, por aí, já  considerado a colónia brasileira da Europa, e ainda vai para o Brasil ajudar à missa...

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:30

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Sexta-feira, 9 de Setembro de 2022

«Hoje, tal como aconteceu há 200 anos, urge proclamar um novo “Grito do Ipiranga”, desta vez, no Rio Tejo, em Belém, porque a Língua Portuguesa corre perigo de morte» (Parte III)

 

As actividades maçónicas e a trajectória maçónica de Dom Pedro I do Brasil, IV de Portugal, as quais ainda repercutem na actualidade, inclusive no que à Língua Portuguesa diz respeito, até porque quem manda em Portugal, actualmente, NÃO são os governantes portugueses.

 

DOM PEDRO.PNG

Dom Pedro IV de Portugal, I do Brasil

Fonte da imagem: https://brasilescola.uol.com.br/historiab/dom-pedro.htm

 

GUATIMOZIM, Imperador do Brasil

Dom Pedro I

 

«A trajectória maçónica de Dom Pedro I foi ao mesmo tempo fugaz e fulminante. Em 02 de Agosto de 1822, o ainda Príncipe Regente Pedro foi acolhido pelo Grande Oriente do Brasil (GOB) … Na reunião seguinte, três dias depois, passou para o grau de Mestre. E na sessão de 04 de Agosto, ausente, aliás, José Bonifácio [era português, e foi o Grão-Mestre do GOL – 1763-1838, como o era o TIRADENTES], Dom Pedro foi aclamado Grão-Mestre galgando assim em dois meses todos os degraus da Perfeição Universal, ou seja, oito dias antes da sua aclamação pública como Imperador do Brasil.

A filiação do Príncipe e futuro Imperador Dom Pedro I ao GOB, em 1882, não foi originalidade brasileira e seguiu o modelo comum na Europa. Havia uma espécie de jogo entre os maçons e o Poder dos Príncipes, aqueles buscando protecção e espaço, e estes aproveitando para se legitimarem no campo das “novas ideias”, assim como para controlarem este tipo de actividades.

Contudo esta aliança brasileira não durou muito, pois 17 dias depois de ascender a Grão-Mestre, Dom Pedro I proibiu por escrito as actividades maçónicas, assinando Pedro GUATIMOZIN, pois era esse o apelido maçónico do Monarca, e o nome do último chefe indígena Azteca a quem os Espanhóis chamaram Imperador, assassinando-o depois» - (in Revista Nossa História, Ano 2, Nº 20, Junho 2005, pág. 21. (Brasil).

 

Como se pode depreender do que precede, uma grande parte da corrente hostil a Portugal e aos Portugueses, afinal teve origem na maçonaria!

 

Ora na época não havia ainda maçons brasileiros, eram todos originalmente maçons portugueses. O próprio Dom Pedro era maçónico! Estamos em 1821-25! A Independência do Brasil do Império Português tem lugar no dia 07 de Setembro de 1822.

 

«A Independência do Brasil foi um processo histórico de separação entre o Brasil e Portugal, que se estendeu de 1821 a 1825, colocando em violenta oposição as duas partes dentro do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. A data que comemora a Declaração de Independência do Brasil do Império Português é o dia 07 de Setembro de 1822. No dia 12 de Outubro de 1822, Dom Pedro foi aclamado Imperador e, em 1º de Dezembro de 1822, foi coroado pelo bispo do Rio de Janeiro, recebendo o título de Dom Pedro I» - Cf. hiperligação:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_da_Independ%C3%AAncia_(Brasil)

 

Se se criou no passado e se se incentivou a uma hostilização contra PORTUGAL e contra os PORTUGUESES, isto levou a que se iniciasse um processo lento, mas constante, de degradação da LÍNGUA PORTUGUESA, no Brasil. Consultar a hiperligação:

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/degradacao-da-lingua-portuguesa-texto-386843

 

E, como se pode comprovar na hiperligação, esta hostilidade persiste ainda hoje, e isso deve-se em grande parte aos maçons portugueses que, envidaram grandes esforços em prol da Independência do Brasil, servindo-se igualmente e reciprocamente de Dom Pedro I, o qual depois proibiu, conforme já foi referido, as actividades maçónicas no Brasil. 

 

Está claro, como água de rocha, que a Sociedade Secreta Maçónica teve um papel preponderante, tendo os próprios Brasileiros e Portugueses sido vítimas das suas actividades. Dom Pedro I, afinal, sabia muito bem o que estava a fazer quando “proibiu por escrito as actividades maçónicas”. E, como se sabe, é fácil manipular as “camadas inferiores da sociedade”, referidas por Pinheiro Chagas.

 

Actualmente chama-se a isso “fabricar o consentimento das massas. Ou melhor, trata-se de Engenharia Social e de Manipulação, neste caso da população brasileira, da qual uma grande parte dela ainda hoje repete, coisas muito surpreendentes [e assustadoras] tais como «foram os Portugueses que roubaram o ouro do Brasil», etc..

 

Ora aí estão os verdadeiros CONSPIRADORES, e isto acontece muito antes das Teorias da Conspiração (termo criado pela CIA em 1967 e revelado num célebre memorandum publicado em 1998, intitulado “CIA Historical Review Program Release in Full 1988”) e que agiram, como se pode constatar, como autênticos conspiradores e traidores!

 

Consequentemente a corrente hostil a Portugal e o ódio que daí adveio, foi inicialmente o fruto de portugueses!  Sim, é evidente, mas esses Portugueses eram membros duma Sociedade Secreta, a MAÇONARIA, cujas actividades foram proibidas pelo Imperador Dom Pedro I, 17 dias depois da sua aclamação como Imperador do Brasil.

 

Mais uma vez fica assente que o pior dos CRIMES é certamente a TRAIÇÃO, sob todas as suas formas!  

 

E Dom Pedro I, volto a repeti-lo, fez o que fez, isto é, atraiçoou o seu Pai, atraiçoou Portugal e atraiçoou depois os seus próprios irmãos da Loja Maçónica GOB, os mesmos que o ajudaram a ser proclamado Imperador do Brasil, e depois «proibiu por escrito as actividades maçónicas, assinando Pedro GUATIMOZIN, pois era esse o apelido maçónico do Monarca»).

 

Essa traição, longínqua no passado, tem perfeitamente um equivalente certamente ainda pior e mais destrutivo desde a RCM 8/2011 dos governantes portugueses actuais, à Pátria de Fernando Pessoa, porque puseram a Língua Portuguesa em perigo de morte, tendo iniciado essa traição com o pseudo-acordo ortográfico de 1990, ou seja, um verdadeiro “Cavalo de Tróia”, cujo objectivo está cada vez mais claro:  substituir a médio/longo prazo a Língua Portuguesa pela sua Variante brasileira! Essa traição é hoje, para todos os portugueses dignos, despertos e verticais, motivo de repúdio!

 

 E aquela decisão de Dom Pedro I teve consequências gigantescas, no passado, cujos efeitos ainda hoje se fazem sentir. E de que forma! Uma delas, já referida mais acima e talvez a pior, é actualmente, para muitos de nós portugueses dignos e verticais, a marginalização e futura eliminação da LÍNGUA PORTUGUESA que já começou através da imposição ilegal e inconstitucional dum dialecto estatal, o chamado Acordo Ortográfico de 1990, que foi calcado sobre a Variante Brasileira da Língua Portuguesa (ver nota mais abaixo ***). É necessário repeti-lo, até que a Língua Portuguesa seja restaurada em Portugal

 

Até que as forças vivas da Nação Portuguesa tenham consciência de que o despertar vai ser muito doloroso. A resistência começa pela tomada de consciência do naufrágio de Portugal, se não se restaurar brevemente a Língua Portuguesa, como LÍNGUA OFICIAL da NAÇÃO PORTUGUESA e repudiar esse dialecto estatal (AO-1990) fruto da demência de negociantes sem escrúpulos. Esta situação vai conduzir, a longo prazo, à eliminação da LÍNGUA PORTUGUESA, da cena internacional, das organizações inter-governamentais, etc..

 

Esse facto, que já é perfeitamente perceptível, por exemplo na Internet (motores de pesquisa etc.), é o resultado claro, e volto a repeti-lo, pois não há pior surdo do que aquele que não quer ouvir (como é o caso dos “governantes” de Portugal), da imposição ilegal e inconstitucional do dialecto estatal (AO-1990) apenas praticado em Portugal, em proveito e benefício da Variante Brasileira da Língua Portuguesa, isto é, a futura LÍNGUA BRASILEIRA!

 

A segunda pergunta que ocorre:

 

Mas, porventura, não seria exactamente este mesmo PLANO que teria sido planificado a longo prazo, pela maçonaria e que está a ser actualmente implementado, em Portugal, com muitas cumplicidades (o termo adequado é traições) a nível nacional como é óbvio, sobretudo desde a RCM Nº 8/2011, por uma classe política que NÃO HONRA a Nação Portuguesa?

 

(***) VARIANTES da LÍNGUA PORTUGUESA:

 

Para que se compreenda claramente a questão das Variantes da Língua Portuguesa, consultem esta explicação, que eu encontrei no Blogue «O Lugar da Língua Portuguesa»: 

 

«Apenas para que não haja qualquer dúvida: a Língua Portuguesa é a Língua Portuguesa. Ponto. O Português é o Português. Ponto. Não existe Português Europeu. Existe Português. Ponto. Assim como NÃO existe Francês Europeu, Inglês Europeu, Alemão Europeu, Castelhano Europeu. Todas estas Línguas são Indo-Europeias. Ponto. Todas as outras línguas delas derivadas, são VARIANTES ou DIALECTOS. Ponto. Não existe Português brasileiro. Ponto. O que existe é a Variante Brasileira do Português.


NÃO existe Português guineense, Português angolano, Português timorense, Português moçambicano, Português cabo-verdiano, Português são-tomense. Não existe. Portanto, há que mudar o paradigma da designação da Língua Portuguesa, que é apenas UM, e desse UM nasceram as Variantes. A LÍNGUA PORTUGUESA é a Língua Portuguesa. Ponto final.

 

Nenhum outro País do mundo anda com estas NIQUICES ao redor das suas Línguas Nacionais e OFICIAIS. Portugal tem HONRA, mas os nossos governantes NÃO a honram, porque não têm honra. É preciso começar a honrar a HONRA PORTUGUESA, para que possamos ser um País entre Países, e não uma reles República DOS Bananas, sem rei nem roque, que tem um presidente que NÃO defende Portugal e os interesses dos Portugueses. 

in

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/o-lusitano-de-zurique-e-um-jornal-384296

 

Há muitos mais exemplos do mesmo quilate, ou pior ainda. Mas por hoje, aqueles citados mais acima já chegam para ilustrar como os portugueses foram tratados, perseguidos e até mesmo assassinados no Brasil (cf. a chacina na Província de Matto-Grosso, na noite de 30 para 31 de Maio de 1834), sem falar nos distúrbios de PERNAMBUCO, etc..

 

Os Brasileiros foram ludibriados e levados injustamente a hostilizar Portugal e os Portugueses. A narrativa oficial, a doxa (palavra grega que significa crença comum ou opinião popular e de onde se originaram as palavras modernas ortodoxo e heterodoxo) criada pela maçonaria é a do desmantelamento das Nações, da eliminação da solidariedade “de facto” entre os Povos, da destruição das famílias e da inimizade entre as pessoas, criando cada vez mais divisões e oposições artificiais. Os resultados em 2022 estão claramente à vista de todos.

 

Termino este artigo como terminei o artigo 

 O Grito do Ipiranga da Variante Brasileira da Língua Portuguesa deve ser gritado, para pôr cobro a algo que desonra o Brasil e Portugal (*)

 

publicado em 19 de Junho de 2022, neste Blogue:

 

«Todos os Portugueses deverão começar a pedir contas aos governantes que, se não reagirem e não tomarem as medidas adequadas, ficarão para sempre cobertos de opróbrio, por não defenderem a Nação que viu nascer, no seu seio, grandes homens e grandes mulheres. E estes governantes tornar-se-ão cada vez mais pequenos, cada vez mais insignificantes e cada vez mais longe de Portugal».

 

Francisco João 

Um dos membros fundadores do MPLP (Movimento em Prol da Língua Portuguesa)

 

***

Para quem está a seguir este trabalho de investigação:

 

«Hoje, tal como aconteceu há 200 anos, urge proclamar um novo “Grito do Ipiranga”, desta vez, no Rio Tejo, em Belém, porque a Língua Portuguesa corre perigo de morte» (Parte I)

 

«Hoje, tal como aconteceu há 200 anos, urge proclamar um novo “Grito do Ipiranga”, desta vez, no Rio Tejo, em Belém, porque a Língua Portuguesa corre perigo de morte» (Parte II)

 

«Hoje, tal como aconteceu há 200 anos, urge proclamar um novo “Grito do Ipiranga”, desta vez, no Rio Tejo, em Belém, porque a Língua Portuguesa corre perigo de morte» (Parte III)

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 10:58

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Quarta-feira, 7 de Setembro de 2022

«Hoje, tal como aconteceu há 200 anos, urge proclamar um novo “Grito do Ipiranga”, desta vez, no Rio Tejo, em Belém, porque a Língua Portuguesa corre perigo de morte» (Parte I)

 

Introdução

 

É tempo! Independência da Língua Portuguesa! NÃO a queremos MORTA! Estamos separados do Brasil! - Este é o grito que devemos gritar HOJE, decalcando o grito do Príncipe Regente Dom Pedro, nas margens do Rio Ipiranga, há precisamente 200 anos.

 

O trabalho de pesquisa, que se segue, foi elaborado por Francisco João, um dos membros fundadores do MPLP – Movimento em Prol da Língua Portuguesa – que continua activo, nos bastidores, para que a Língua Portuguesa, correndo real perigo de morte, não morra e seja enterrada num qualquer canto deste Planeta, como se fosse uma indigente.

ELA, que É (ainda no presente) uma das mais antigas Línguas europeias, que os Portugueses cultivaram, nos quatro cantos do mundo, originando VARIANTES, que se libertaram, umas, porém, UMA OUTRA, a Brasileira, ainda está por libertar!

 

Hoje, comemorando-se os 200 anos do Grito do Ipiranga, bradado pelo Príncipe Regente Dom  Pedro: «É tempo! Independência ou morte! Estamos separados de Portugal!», nada mais oportuno do que nos deixarmos de falsos pruridos e hipocrisias e enfrentarmos a questão da Língua Portuguesa, de frente, e, de uma vez por todas, exigirmos a nossa INDEPENDÊNCIA LINGUÍSTICA, que foi vergonhosamente barganhada (= vendida com dolo; negociada com trocas), por políticos ignorantes, como se a Língua fosse um saco de bolotas, o que levou à marginalização e ao descalabro da Língua Portuguesa, pela sua Variante Brasileira, através de um “Cavalo de Tróia” chamado Acordo Ortográfico de 1990, provocado por ambas as classes políticas do Brasil e Portugal.

 

Este trabalho, que pretende tirar do marasmo, os que se dizem anti-acordistas, em Portugal, e os DESPERTEM para a consciência de que se continuarem a NÃO fazer nada, se NÃO passarem das palavras aos actos, URGENTEMENTE, a Língua Portuguesa terá morte certa, conforme os altos desígnios dos actuais governantes,  será apresentado em três Partes, sendo que as Partes I e II narrarão algumas razões históricas, políticas, sócio-linguísticas e mediáticas que nos impõem, urgentemente, uma feroz resistência contra o crime de destruição do Património Cultural Imaterial de Portugal, do qual a Língua é um vector essencial.

 

A Parte III será dedicada a Dom Pedro IV de Portugal (I do Brasil), que se filiou na Maçonaria brasileira «não tanto porque faça seus os ideais maçónicos, mas porque à maçonaria interessa fazê-lo mação», de acordo com Célia de Barros Barreto, uma estudiosa brasileira das questões maçónicas, e de como a Maçonaria terá influenciado o que Portugal vivencia, HOJE, estando a perder a sua IDENTIDADE, apenas porque os políticos portugueses NÃO mandam NADA em Portugal; apresentando-se também certas revelações sobre determinadas decisões relevantes de Dom Pedro IV, as quais ainda repercutem na actualidade.

 

Isabel A. Ferreira

 

***

 

«Entretanto…

 

«(…) enquanto nada mudar, e a atitude de quem manda diz-nos que por sua vontade não mudará uma só vírgula, haverá resistência e resistentes» - Nuno Pacheco, no Jornal PÚBLICO, em 16 Junho 2022, in «A eterna questão ortográfica: por que não desistimos»:

https://ilcao.com/2022/06/19/a-eterna-questao-ortografica-por-que-nao-desistimos-nuno-pacheco-publico-16-06-2022/

 

E a RESISTÊNCIA, hoje, terá de passar por um novo “Grito do Ipiranga”, desta vez, no Rio Tejo, manifestado em frente a Belém!

 

IndependenciaBrasil-854x480.jpg

Imagem: "A independência do Brasil" (de François-René Moreau), ocorrida faz hoje 200 anos, nas margens do Rio Ipiranga. É chegado o momento de cortar o cordão umbilical, que ainda não foi cortado…  desta feita, nas margens do Rio Tejo, para que a Independência do Brasil seja cumprida.

 

por Francisco João

(Um dos membros fundadores do Movimento em Prol da Língua Portuguesa - MPLP)

 

Parte I

 

NOTA PRÉVIA

 

Existe, actualmente, uma certa hostilidade entre Brasileiros e Portugueses que se acentuou drasticamente, depois da incompreensível, porque ilegal, imposição do AO-1990, a Portugal. Contudo, essa hostilidade já vem de longe. 

 

Uma corrente hostil a Portugal e aos Portugueses, já foi referida desde 1884, pelo político, escritor, jornalista português, secretário particular do rei Dom Pedro V, Manuel Joaquim Pinheiro Chagas (Lisboa, 13 de Novembro de 1842 –  Lisboa, 8 de Abril de 1895), como “ódio”, e que, ao contrário de outros países em que havia ódios intensos e rivalidades entre as metrópoles e as suas ex-colónias, no caso de Portugal e do Brasil «… esse ódio só seria válido para as “camadas inferiores da sociedade” …» escreveu Pinheiro Chagas.

 

(Chagas - citação - apud - Valéria Augusti 2004 :2-3) Cf. igualmente Valéria Augusti. Consultar hiperligação:

http://www.caminhosdoromance.iel.unicamp.br/estudos/ensaios/polemicas.pdf

 

Entretanto, mudou alguma coisa no Brasil?

 

Um outro trabalho, este de Cleidiane Marques da Silva, «tem como objectivo apresentar o preconceito que as minorias ainda sofrem na sociedade e o quanto isso afecta não só a eles, mas toda a população que vive em democracia. O Brasil ainda é um país muito preconceituoso e muitas pessoas, de diversas classes, cores, sexualidades, religiões, etc., sofrem com isso.»

 

Consultar a hiperligação:

https://poxannie.jusbrasil.com.br/artigos/1116186730/a-intolerancia-e-o-discurso-de-odio-no-brasil

 

E os portugueses são uma minoria no Brasil.

 

Vamos então ver se algo mudou, no Brasil, no caso da minoria dos portugueses. Uma recente reportagem (02 de Agosto 2022), de um media brasileiro, demonstra que o Brasil continua um “país muito preconceituoso” e que os Portugueses continuam a ser de facto um alvo preferido e muito cómodo!

 

A cadeia de Televisão Brasileira RECORD, deu-nos uma visão, na sua emissão Cidade Alerta, de que vale tudo, o ALVO É FÁCIL para fustigar, no Brasil, a Nação Portuguesa e os Portugueses, mas desta feita com outro tipo de acusações, talvez mais subtis. 

 

O tema principal aqui NÃO é um PORTUGUÊS, mas é apresentado de forma enganadora e manipuladora.

 

Atentem no título dessa reportagem! “HUMILHAÇÃO e ABANDONO”. E lá temos de novo o culpado ideal: o português [que só poderia ser um “malvado”]: «Brasileira enganada por português relata terror». “Sujeitei ser tocada!”  

 

Ver vídeo:  https://www.youtube.com/watch?v=JQOrSANOKGo

 

A Lusofobia no Brasil e o “Jacobinismo” no final do Século XIX

 

Eis alguns textos que comprovam o que muitos brasileiros negam, mas que, de facto, existiu e continua a existir:

 

Reflections on Brazilian Jacobinism of the First Decade of the Republic (1893-1897), by Suely Robles Reis de Queiroz

 

The Americas - Vol. 48, No. 2 (Oct., 1991), pp. 181-205 (25 pages) - Published By: Cambridge University Press 

https://doi.org/10.2307/1006823

https://www.jstor.org/stable/1006823

 

A Lusofobia e o velho ideal Jacobino ou Jacobinista tentaram, no final do Século XIX, levar ao extremo a hostilidade contra Portugal e os Portugueses.

 

As primeiras perguntas que ocorrem são: quem pode ter estado por detrás disso tudo? Qual era esse plano e com que objectivos? Quem iria beneficiar no futuro? Quem manipulou quem e porquê?

 

Um dos objectivos foi, manifestamente, o de excluir os portugueses (a minoria de que se fala mais acima) na construção de um “novo” Brasil.

 

Tratava-se, inter alia, de tentar fazer esquecer o facto histórico de que Portugal é o país que deu à luz o Brasil, nele agregando os indígenas, que povoavam aquelas terras e tinham uma Cultura própria, que ainda hoje perdura. Mas será assim tão fácil reescrever a História, mesmo negando-a ou, pior, tentando apagá-la?

 

Para tal, a corrente hostil fabricada contra Portugal e os Portugueses teve um papel preponderante, na sequência da decisão de Dom Pedro I do Brasil, em Agosto de 1822, o qual proibiu, por escrito, as actividades maçónicas, assinando Pedro GUATIMOZIN, pois era esse o apelido maçónico do Monarca. Essa corrente hostil e artificialmente criada, pasmem, por um determinado tipo de portugueses, reforçou-se, tornando-se depois mais forte, influenciando muito a política no Brasil e do Brasil, com fortes consequências nas relações de Estado a Estado o que levou mais tarde até ao rompimento de relações diplomáticas entre o Brasil e Portugal, no dia 13 de Maio de 1894, provocado pelo presidente Floriano Peixoto, e que durou até ao fim do seu mandato. 

 

As relações diplomáticas só puderam ser retomadas em 16 de Março de 1895, pelo seu sucessor, o Presidente Prudente de Morais (1894-1898). Este facto só por si já é bastante revelador dessa hostilidade, mas há muito pior do que isso, como veremos mais abaixo.

 

Inclusive na questão da Variante Brasileira da Língua Portuguesa que se afastou irremediavelmente da Língua Portuguesa, criando assim as condições para ser futuramente a língua oficial do Brasil, ou seja, a Língua Brasileira, desconhecendo-se, no entanto, a(s) razõe(s) pelas quais o Brasil ainda não teve a coragem de o fazer, e de continuar a fazer “tropelias” e outras degradações à Língua Portuguesa - ver aqui:

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/degradacao-da-lingua-portuguesa-texto-386843

 

Essa hostilidade é patente também num acontecimento e consequente rompimento de relações diplomáticas entre Brasil e Portugal, com origem numa simples questão de asilo dado pelo Governo Português a marinheiros brasileiros, por razões humanitárias (havia até consenso europeu nesse sentido) na sequência da sublevação de   uma parte da esquadra brasileira contra o governo brasileiro em Setembro de 1893. Revolta da Armada Brasileira 1893-1894 no tempo de Floriano Peixoto.

 

in «The revolt of the Navy was the last great response to the government of Floriano Peixoto. Led by Admiral Custódio de Melo who had the ambition to be president, it began on September 6, 1893 and was defeated in March of the following year». Consultar esta hiperligação:

 

https://www.cambridge.org/core/journals/americas/article/abs/reflections-on-brazilian-jacobinism-of-the-first-decade-of-the-republic-18931897/CB9F91D153A37B2F6234C632E3625D9


Veremos mais adiante quem teria fomentado (como já foi referido, afinal foi um determinado tipo de português) uma grande parte desta hostilidade a Portugal e o porquê de um tal ódio, aquele de que falou Pinheiro Chagas.

 

Como foi possível o Brasil, “um país irmão”, dado à luz por Portugal, ter tratado e humilhado os Portugueses daquela maneira, incluindo o seu massacre, na noite de 30 para 31 de Maio de 1834, no Estado de Mato Grosso. Eu, como decerto muitos leitores (e não só portugueses) irão ficar muito tristes e assombrados. E veremos como este tipo de acontecimentos são muito pouco conhecidos, ou então foram deliberadamente escamoteados, ou deformados na história oficial.

 

Ora pasmem! E abram finalmente os olhos!

 

(Continua…)


 - A Parte II será publicada amanhã, dia 08 de Setembro, e tratará do anti-lusitanismo entranhado na sociedade brasileira, visto por autores brasileiros

 

***

Para quem está a seguir este trabalho de investigação:

 

«Hoje, tal como aconteceu há 200 anos, urge proclamar um novo “Grito do Ipiranga”, desta vez, no Rio Tejo, em Belém, porque a Língua Portuguesa corre perigo de morte» (Parte I)

 

«Hoje, tal como aconteceu há 200 anos, urge proclamar um novo “Grito do Ipiranga”, desta vez, no Rio Tejo, em Belém, porque a Língua Portuguesa corre perigo de morte» (Parte II)

 

«Hoje, tal como aconteceu há 200 anos, urge proclamar um novo “Grito do Ipiranga”, desta vez, no Rio Tejo, em Belém, porque a Língua Portuguesa corre perigo de morte» (Parte III)

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 10:47

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