Quinta-feira, 30 de Janeiro de 2014

A NEGAÇÃO DA CRUELDADE TAUROMÁQUICA É UMA DAS JOGADAS DOS AFICIONADOS AÇORIANOS NUMA TENTATIVA DESESPERADA DE DEFENDER O QUE ELES SABEM NÃO SER MAIS POSSÍVEL DEFENDER

 

Esta será de certa forma (porque poderão vir aí verdades mais contundentes) a resposta do Médico Veterinário, Dr. Vasco Reis, a este comentário do Luís Ferreira (abrir link):

http://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/vamos-falar-de-tauromaquia-e-das-380555

e também aos comentários impublicáveis (por conterem a já habitual linguagem rasca de aficionado, a que não vou submeter o meu companheiro de luta)  de outros aficionados que não sabem distinguir um boi de um palácio)

 

 

Esta é uma visão geral do primeiro dia do Fórum da Incultura Taurina que colocou o Arquipélago dos Açores na boca do mundo, pelos piores motivos. Em primeiro plano vê-se uma cara bastante conhecida…. 

***

«A negação da crueldade tauromáquica é uma das jogadas na tentativa desesperada de defesa dos tauromáquicos.

 

Outra jogada é o recurso a textos/opiniões de profissionais, pensadores, artistas, escritores, poetas etc. aficionados (Illera, Picasso, Hemingway, Garcia Lorca, etc., gente desprovida de conhecimento cientifico, de compaixão, de ética, de carácter. Illera é um aldrabão pseudo cientista e vendido aos interesses da tauromaquia.

 

O senhor Luís Ferreira deve ter ficado muito admirado com o meu texto, pois andaria hipnotizado pela alarvice da ilha tauromáquica açoriana. Quem sabe se o choque o vai pôr a pensar!

 

Talvez eu responda, mencionando-lhe algumas opiniões e o meu currículo, por exemplo de 3 anos e 1/2 de estadia na Praia da Vitória como médico veterinário municipal obrigado a assistir às touradas, a zelar pelo "bem-estar" e "respeito" pelos touros, (como se fantasia), a retirar as bandarilhas e a suturar a ferida de pele, músculo e pleura parietal aberta por uma bandarilha cravada entre 2 costelas, triste episódio que na Terceira, Praia da Vitória, ainda há gente que o presenciou, bem como a minha intervenção que salvou o touro.

O tom será delicado e compreensivo (como se faz perante gente mal informada e crédula para o que lhe apregoam).

 

Claro que não aceitarei a acusação de desconhecer o assunto e de mentir, mas não espero desculpas.» (Vasco Reis)


Origem da foto:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=714341658600223&set=a.714341531933569.1073741851.118555858178809&type=1&permPage=1 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:59

link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
Segunda-feira, 13 de Janeiro de 2014

Carta aberta à jornalista Isabel A. Ferreira, criadora do «Arco de Almedina»

 

Recebi esta carta, hoje, e é com emoção que a publico, porque além de ser aberta, contém matéria de interesse público, a favor dos meus amados Touros e Cavalos.

Obrigada, Dr. Vasco Reis, e bem-haja por ser como é.

Isabel A. Ferreira

 

 
É deste modo, livres e belos, que Touros e Cavalos devem estar na Natureza, e é assim que nós, seres sencientes tal como eles, gostamos de vê-los
 
 

Aljezur, 13 de Janeiro de 2014.

 

Cara Isabel,

 

Tenho acompanhado a sua dedicada, generosa, corajosa, persistente acção em defesa do ambiente, dos animais e das pessoas, o que reconheço e agradeço profundamente.

 

A obra é muito extensa, mas vou modestamente lembrar a sua intervenção quando alerta para uma iniciativa com o intuito de aliciar jovens para a tauromaquia, o que está a acontecer numa escola de Alter do Chão.

 

Esta iniciativa é protagonizada por um professor e seus apoiantes, entre os quais estão os pais de alunos.

 

O professor responsável, atingido pelo alerta da Isabel, não se conformou com a denúncia desta iniciativa destinada a criar futuros adeptos e artistas tauromáquicos e fez queixa contra si.

 

Por isso vai a Isabel responder perante autoridades neste dia 13 de Janeiro. 

 

A tauromaquia é uma actividade extremamente cruel para os animais; degradante para os próprios aficionados, artistas, lobistas; extremamente prejudicial para o prestígio do país; deturpador de mentalidades juvenis; profundamente confrangedora para pessoas conscientes e compassivas.

 

Não deve, portanto, ser matéria didáctica.

 

Não obstante, tauromáquicos estão a aproveitar-se da persuasão sobre estes jovens, perante a indiferença ou com a conivência de pais, professores, escolas, institutos de juventude, ministérios, Misericórdias, igrejas, políticos, grande parte da sociedade.

 

Como a sabedoria tradicional ensina, “DE PEQUENINO SE TORCE O PEPINO”, para o bem e para o mal.

 

A Isabel é só uma das muitas pessoas que protestou contra esta perniciosa, escandalosa iniciativa.

 

Creio que não vai ter grandes dificuldades em justificar a sua atitude, feita no melhor interesse do país e das suas pessoas, nomeadamente dos seus jovens.

 

A propósito: há que fazer, desta vez para atingir o bem, algo paralelo ao que os tauromáquicos estão a fazer em escolas para levarem jovens para o mal.

 

Um ponto fundamental e urgente da estratégia abolicionista é, que os respeitadores da Terra, da Vida, da Paz, da Tranquilidade, da Ética, da Compaixão se organizem e contribuam para a educação da juventude no sentido do respeito pelo ambiente e pelos seus seres vivos, vegetais e animais, humanos e não-humanos.

 

Que se apresente e difunda a força dos argumentos do senso comum e da ciência com os meios do contacto directo, do exemplo, da comunicação social, da solidariedade e em texto, palestra, vídeo.

 

Que se produza bom material didáctico e se ponha à disposição de professores e escolas.

 

Além de ser uma acção positiva e libertadora para os animais não-humanos, também o é para a sociedade humana.

 

Os animais juvenis, não-humanos e humanos, são receptivos a experiências que os impressionam e marcam para a vida, de uma maneira geral de maneira tão mais forte, quanto mais precocemente elas acontecem. É mais uma semelhança entre as espécies animais não-humanas e a humana, além do esquema anatómico, a fisiologia, a neurologia, a emotividade, a consciência do que se passa à sua volta, a capacidade de experimentar empatia ou desconfiança, medo, prazer, dor, etc. Animais juvenis aprendem com os progenitores e, por exemplo, a confiar nos humanos, se têm cedo um contacto agradável com gente.

 

Já agora, deixo-lhe a minha opinião a propósito de activismo e de estratégias.

 

O filósofo Arthur Schopenhauer afirmou que:

 

O Homem faz da Terra um inferno para os animais

e

A compaixão universal é a base de toda a moral”.

 

Penso que concordamos com isso!

 

Acho que a Isabel é muito ciente da susceptibilidade dos animais e da terrível exploração e do sofrimento de que são alvo e vítimas.

 

Isso confrange-a, indigna-a, revolta-a. Sofre solidariamente de uma maneira terrível. Faz o possível por alertar para isso, para explicar o porquê da crueldade e, obviamente por ser ciente, professora, sincera, faz o possível por comunicar conhecimento.

 

Não poupa críticas aos que vitimam os animais e que as merecem.

 

Não teme represálias iníquas e vai aguentando críticas de outros abolicionistas motivados por outras estratégias.

 

É um impulso/estratégia seu que obriga à reflexão e à compreensão das pessoas, a que se deve seguir uma opinião e opção de quem a escuta ou lê. Estou certo que assim ajudou a abrir e informou a consciência de muitas pessoas para a preocupação com os animais e para o activismo na sua protecção.

 

Não compartilho da afirmação feita dogma de que atitudes como a sua vão afugentar ignorantes, distraídos e indiferentes. Antes pelo contrário, acho que vão fazê-los pensar e compreender.

 

Não é silenciando ou adoçando a pílula da crueldade que se acordam consciências.

 

Há muitas estratégias para a luta abolicionista.

 

Todas elas podem ser úteis, até as que se interessam mais pelo politicamente correcto, pelos contactos velados, pelo secretismo, por oposição a manifestações, por não se ser reactivo.

 

Mais me parece um distanciamento no sentimento e na preocupação pelo atroz sofrimento dos touros, dos cavalos e das pessoas que sofrem na sua consciência solidária pelas vítimas da tauromaquia.

 

Creio que elas se complementam e, no seu conjunto e solidariedade, fortalecem a luta.

 

Penso que nenhuma tem o direito de monopolizar a luta, de se considerar a única positiva e de criticar as outras.

 

Parece haver, por vezes mais cerimónia e respeito pelo adversário do outro lado da luta, do que pelos que lutam deste lado.

 

Penso que isso leva a divisionismos, frustrações, perdas de energia e de tempo e a deserções.

 

Eu próprio, se este clima prossegue, sou capaz de deixar o contacto com tais “activistas” supercríticos, que certamente não vão sentir a minha falta.

 

Tenho-me dedicado a esta luta por não saber de colegas da profissão que estejam disponíveis.

 

Quem me dera poder retirar-me da luta, já que vou a caminho dos 76 anos de idade!

 

Um abraço de toda a solidariedade e de enorme admiração.

 

Vasco Reis

 

***

Touro, Cavalo, Homem.

 

Nas três espécies:

 

O desenvolvimento embrionário é idêntico nas primeiras fases e pouco diverge nas fases seguintes, além de aspectos morfológicos e de alguns órgãos não essenciais.

 

Pode verificar-se que o esquema anatómico (aparelhos e sistemas) é comum; fisiologia e neurologia são idênticas.

 

A semelhança de sistema nervoso (centros nervosos, nervos) é flagrante.

A partir de encéfalos (central onde se processa o sentir, o pensar, o compreender, o decidir, o reagir) com estruturas correspondentes nas três espécies, é de se esperar que senciência/sentidos, emoções, consciência, sentimentos, estados de disposição, reacções sejam muito semelhantes nas três.

 

Os vários comportamentos confirmam isso mesmo, implicando semelhanças de necessidades (ar, alimento, água, movimento, espaço, liberdade); de sentidos; de consciência do que se passa à volta; de inteligência; de sentimentos; de emoções; de humores; de reacções a agressão, dor, ferimento, susto, prisão, cio; de confiança e desconfiança; de amizade; de sentido de guarda e de protecção; de ligação sentimental maternal, filial, paternal, fraternal, de grupo; de gosto por carícia, por desafio, por provocação, por brincadeira, etc.

 

Agressão a um touro ou a um cavalo - seres sencientes - é causadora de sofrimento, não muito diverso do que sofreria um ser humano em circunstâncias análogas.

 

Sofrimento físico (dor) é fundamental para compelir o ser a defender-se, a afastar-se do agente causador e a procurar segurança e alívio. A dor é assim fundamental e imprescindível para a defesa e a sobrevivência do ser e da espécie.

 

Não é reacção que se ponha de lado com mais ou menos excitação ou com mais ou menos hormonas (ao contrário do que Illera pretende na sua pseudo ciência).

 

As plantas são seres desprovidos de sistema nervoso e, portanto, não podem sentir dor, não têm consciência, não podem reagir rapidamente, não podem fugir. Não sofrem!

 

Vasco Reis, médico-veterinário

 

Aljezur, 13 de Janeiro de 2014.

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:41

link do post | Comentar | Ver comentários (2) | Adicionar aos favoritos

Mais sobre mim

Pesquisar neste blog

 

Abril 2021

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
13
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30

Posts recentes

A NEGAÇÃO DA CRUELDADE TA...

Carta aberta à jornalista...

Arquivos

Abril 2021

Março 2021

Fevereiro 2021

Janeiro 2021

Dezembro 2020

Novembro 2020

Outubro 2020

Setembro 2020

Agosto 2020

Julho 2020

Junho 2020

Maio 2020

Abril 2020

Março 2020

Fevereiro 2020

Janeiro 2020

Dezembro 2019

Novembro 2019

Outubro 2019

Setembro 2019

Agosto 2019

Julho 2019

Junho 2019

Maio 2019

Abril 2019

Março 2019

Fevereiro 2019

Janeiro 2019

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Agosto 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Direitos

© Todos os direitos reservados Os textos publicados neste blogue têm © A autora agradece a todos os que os divulgarem que indiquem, por favor, a fonte e os links dos mesmos. Obrigada.
RSS

Acordo Ortográfico

Em defesa da Língua Portuguesa, a autora deste Blogue não adopta o Acordo Ortográfico de 1990, devido a este ser inconstitucional, linguisticamente inconsistente, estruturalmente incongruente, para além de, comprovadamente, ser causa de uma crescente e perniciosa iliteracia em publicações oficiais e privadas, nas escolas, nos órgãos de comunicação social, na população em geral, e por estar a criar uma geração de analfabetos escolarizados e funcionais.

Comentários

Este Blogue aceita comentários de todas as pessoas, e os comentários serão publicados desde que seja claro que a pessoa que comentou interpretou correctamente o conteúdo da publicação. Serão eliminados os comentários que contenham linguagem ordinária e insultos, ou de conteúdo racista e xenófobo. Em resumo: comente com educação, atendendo ao conteúdo da publicação, para que o seu comentário seja mantido.

Contacto

isabelferreira@net.sapo.pt