Domingo, 21 de Março de 2021

Alerta no Dia da Árvore e das Florestas: em Portugal uma febre maligna anda a atacar autarcas, e árvores saudáveis são arbitrária e criminosamente abatidas e podadas, em nome da ignorância…

 

Hoje, 21 de Março, celebra-se o Dia Internacional da Floresta e o Dia Mundial da Árvore.

 

Poema ao Verde.jpg

Poema ao Verde

Todos os anos fala-se, fala-se, fala-se, mas nada se faz para preservar as Florestas e proteger as Árvores das cidades, vilas e aldeias de Portugal.

 

É triste assistir a esta notória e acelerada degradação do Ambiente, a este insulto à nossa Mãe Natureza.  

 

Numa petição que corre por aí intitulada «Contra o corte ou poda indiscriminados das árvores em Portugal» e que podem assinar aqui:

https://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT107120&fbclid=IwAR1ZbqvafR7RypMjIAlXrHWAg4cRz6irZsmuKKCobskFF71oZSj5NbT26V0

 

lê-se o seguinte:

«Assiste-se, desde há uns meses, ao corte indiscriminado e/ou poda das árvores em ambiente urbano, em jardins e ladeando avenidas e estradas sem explicação cabal e de forma arbitrária e criminosa, deixando os locais vazios e as árvores podadas como se fossem tocos estropiados estendidos para o céu. Será que quem está a tratar destes assuntos está habilitado para o fazer, os técnicos camarários estão capacitados para os cargos que tão levianamente exercem? Não seria preferível parar está hemorragia e averiguar o que está a correr mal???»

 

Pois é, algo está a correr muito mal, na República de Portugal, e não só a este respeito.

 

O Ministério do Ambiente (entre outros) faz-que-faz, fala demasiado, mas a acção é sempre quase ZERO. Hoje, o ministro do Ambiente e da Ação Climática foi plantar umas árvores para o Alentejo,  e a acção vai limitar-se a isso? Que política florestal e arbórea está a ser implementada, de facto, para defender as nossas Florestas e as nossas Árvores?

 

Daí que hoje, infelizmente, nada há a celebrar no que respeita a Florestas e Árvores, neste nosso País de faz-de-conta-que-se-faz.

 

No entanto, deixo aqui este ALERTA, e esta intimação:


Amem as Árvores como a vós mesmos, porque as Árvores são VIDA.

 

Para saberem mais sobre a desgraça que por aí vai quanto à febre maligna que ataca as autarquias portuguesas, cliquem no link abaixo:

 

Plataforma Em Defesa das Árvores

https://www.facebook.com/groups/emdefesadasarvores/?multi_permalinks=2813791698886913%2C2813449368921146&notif_id=1616289484297155&notif_t=group_activity&ref=notif

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:40

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Terça-feira, 20 de Março de 2018

CELEBREMOS ESTA PRIMAVERA...

 

PRIMAVERA.png

 

CELEBREMOS ESTA PRIMAVERA…

 

… sobre o que restou do Verão passado, quando um fogo desesperado queimou Vida, queimou Árvores, queimou Ninhos e milhares de Passarinhos…

 

A Natureza ficou, então, mais pobre, mas mais pobre ainda ficou o Homem pobre de espírito, que não cuida das suas florestas, nem da sua fauna…

 

Celebremos esta Primavera sobre as cinzas que ficaram do Verão passado, quando a Natureza se revoltou contra o artificialismo dos Homens, cegos pela ganância de ter mais e mais… sem medir as consequências dos seus desastrosos actos…

 

Celebremos esta Primavera que chega amedrontada com o futuro que se vislumbra ainda tão incerto…

 

Onde estão as Árvores? Onde estão os Ninhos? Como podem regressar os Passarinhos?

 

Já não se ouvem chilreios, nem o rumorejar da folhagem, quando o sopro de um Vento, ainda sonolento, desperta nas madrugadas…

 

Celebremos esta Primavera como um réquiem para a Vida que deixou de ser, porque o ter se mostrou mais premente e esmagou a essência e a magia contidas nos segredos mais profundos e nos silenciosos gemidos das nossas Florestas…

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:17

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Domingo, 25 de Junho de 2017

EM BENAVENTE A ILEGALIDADE SOBREPÔS-SE À LEI DUAS VEZES SEM QUE AS AUTORIDADES NADA FIZESSEM PARA O IMPEDIR

 

Denunciámos aqui o primeiro acto ILEGAL cometido em Benavente, no passado dia 22 de Junho: os bárbaros “touros de fogo”:

http://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/ontem-benavente-foi-palco-de-uma-serie-724095

 

Esperámos que o governo português e a ministra da Administração Interna e restantes autoridades tomassem medidas para evitar o segundo acto ILEGAL que teve lugar, ontem, dia 24 de Junho: as bárbaras “picarias”. O que aconteceu foi que a ilegalidade, uma vez mais VENCEU.

 

A pergunta que fazemos é a seguinte: qual o motivo para que isto esteja a acontecer em Portugal?

 

Que autoridade terão as autoridades, a partir de hoje, para punir o simples cidadão que cometa uma ilegalidadezinha?

 

EXIGIMOS EXPLICAÇÕES!

 

PICARIA1.jpg

PICARIA2.jpg

 Origem das fotos:

Sardinha Assada Benavente - Festa da Amizade adicionou 2 fotos novas.Gostar da Página

Às 18h o toiro está na rua! #SA17 💪🍷🍞🐟🐂

 

https://www.facebook.com/sardinhaassadabnv2/photos/pcb.1480230375369287/1480230292035962/?type=3&theater

https://m.facebook.com/story.php...

 

Como se isto não bastasse para afrontar a dignidade dos cidadãos portugueses, eis o que uns representantes dos doidos de Benavente deixaram no Facebook, e comentários como este podem ser encontrados aos montes nas redes sociais. Isto é só uma pequena amostra.

 

João Sereno Mas que mentira. Se enfiassem o corno do boi na peida se calhar ficavam melhor servidas. Isso e inveja de termos a melhor festa do Ribatejo e arredores. Crime e matar vos. Ah mas peço desculpa. Esqueci me que ja nao e considerado crime. Aprendam. Ninguém vos da importância. Nao vao ser meia Dúzia de gatos pingados que nos vão estragar a tradição. SA'17 e SA'18 Ainda sera melhor

Gosto

 

David Caramelo O povo de Benavente está bastante grato pela publicidade que vossas altezas fizeram a nossa grande e agora ainda maior festa. Graças a isso, tivemos das maiores enchentes. O nosso muito obrigado e continuem o excelente trabalho. Cumprimentos a todos

***

Estes comentários que se repetem constantemente, dizem bem da política educacional e cultural que o governo português tem implementado em Portugal, nomeadamente junto a populações ainda bastante atrasadas civilizacionalmente que, vá-se lá saber porquê, os governantes não querem que EVOLUAM, como é o caso em Benavente e noutras localidades onde estas práticas tauromáquicas, primitivas e cruéis, são permitidas, ainda que desobedecendo à Lei.

 

Portugal está a tomar um rumo completamente caótico, a muitos níveis.

 

Ardem pessoas e ardem milhares de hectares de floresta e arde a fauna portuguesa por falta de uma política florestal coerente. Mas também ardem Touros indefesos para divertir psicopatas, com a permissividade de autoridades que não fazem cumprir a Lei.

 

 Será isto GOVERNAR um país?

 

Tornamos a repetir a pergunta:

Q
ual o motivo para que isto esteja a acontecer em Portugal?

 

Não podemos continuar a permitir esta balbúrdia.

 

Exigimos respostas objectivas. Não respostas chapa 5.

 

Isabel A. Ferreira

 

***

Enviado para:

ct.str.dcch.pbnv@gnr.pt,

carlos.coutinho@cm-benavente.pt,

correiopgr@pgr.pt,

csmp@pgr.pt,

correio.dciap@pgr.pt,

gp_psd@psd.parlamento.pt,

Grupo Parlamentar PS <gp_ps@ps.parlamento.pt>,

gp_pp@pp.parlamento.pt,

bloco.esquerda@be.parlamento.pt,

Grupo Parlamentar do PCP <gp_pcp@pcp.parlamento.pt>,

Grupo Parlamentar Os Verdes <pev.correio@pev.parlamento.pt>,

Comunicação PAN <comunicacao@pan.com.pt>

cc: belem@presidencia.pt

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:37

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Terça-feira, 20 de Junho de 2017

REACÇÃO DO GRUPO PARLAMENTAR "OS VERDES" PERANTE A TRAGÉDIA DE PEDRÓGÃO GRANDE

 

VERDES.png

 

Em resposta a este texto, que ontem enviei aos deputados da Nação,

 

http://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/grande-tragedia-incendiada-pela-falta-722223

 

o Grupo Parlamentar “Os Verdes” acusou a recepção da minha mensagem electrónica, acrescentando que estão a acompanhar atentamente a evolução dos incêndios, através dos seus Colectivos Regionais, e têm se empenhado em dialogar com o Governo para defender novas políticas para as florestas, e travar a expansão do eucalipto, bem como promover o montado de sobro e outras espécies autóctones.

 

Para “Os Verdesa floresta do futuro deve promover o desenvolvimento das comunidades locais, deve preservar a biodiversidade e deve combater o despovoamento do país.

 

Num comunicado “Os Verdes” expressaram a sua solidariedade para com as populações afectadas, e saudaram a coragem de todos quantos combatem estes incêndios, em detrimento dos perigos para as suas vidas, os Bombeiros e ainda os populares que se organizam para fazerem face a este flagelo, considerando este um momento dramático para o país, havendo até ao momento a lamentar já a perda de 64 vidas humanas, assim como dezenas de feridos, sendo previsível o aumento deste número, dado que só com o avançar do tempo se conseguirá ter noção da real dimensão de tamanha tragédia.

 

***

 

Pois é!

 

O País espera que esta tragédia sem precedentes sirva para que os governantes portugueses abram os olhos e vejam a realidade, e sejam responsáveis. Porque até agora foram uns descomunais irresponsáveis.

 

É urgente banir os desmandos dos governantes, porque são as poderosas forças da Natureza que realmente mandam no Planeta.

 

E como questiona Manuela Nunes, que já trabalhou como Técnica Superior, nas Estradas de Portugal, SA: «Por que destruiu o Estado, as funções públicas, exercidas por guardas florestais, guarda-rios e nomeadamente as de cantoneiros, que desmatavam as bermas junto às estradas nacionais? Por que foram substituídos por empresas, que desertificaram as localidades?

 

Em consequência disso, desapareceram as escolas primárias, entre outras infra-estruturas que fixavam as populações (familiares desses funcionários). Por outro lado, a plantação quase doentia (visando apenas o lucro), do eucalipto, que para além de ser pasto fácil para a propagação de incêndios (quer sejam de origem natural, quer sejam de origem "animal"), secam o solo. Alguns "inteligentes" quiseram poupar, naquilo a que passaram a chamar "pequenos detalhes sem qualquer interesse". Claro que os interesses eram e são outros! E muito mais se poderia acrescentar! Estou desolada e chocada com o que aconteceu.»

 

Estamos todos desolados e chocados com o que aconteceu, cara Manuela Nunes.

 

Não podemos devolver à vida os seres humanos e não humanos que pereceram nestes incêndios. Mas podemos evitar que tamanha tragédia volte a acontecer em território português.

 

É tempo de novas políticas. Novos compromissos. Novas atitudes. Novas responsabilidades.

 

Há que defender os legítimos interesses da Nação, e não os ilícitos    interesses dos lobbies.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 12:18

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Segunda-feira, 20 de Março de 2017

DE SÚBITO, AS TREVAS DISSIPAM-SE E SOU ÁRVORE…

 

(Para celebrar a Primavera, a Árvore, o Bosque, a Natureza)

 

… sou folha, sou erva, sou vento. Sou gota de orvalho suspensa na flor. Sou sombra, sou luz, sou nuvem que passa. Sou ave que voa até às estrelas e entre elas vagueio ao ritmo dos sons do amanhecer…

 

BOSQUE.png

 

(…)

Entretanto, o caminho convergiu para um bosque que, à distância, parecia inacessível. As vozes, que se ouviam, sussurrantes, calaram-se e deram lugar à melodia das árvores. Ouvi, então, o uivo do vento, frágil e lento, enquanto os cedros, ciprestes, pinheiros, sicómoros, castanheiros, álamos, tílias, acácias, carvalhos, sequóias, salgueiros, e muitas mais espécies de árvores erguiam os seus ramos, no que parecia uma inocente súplica aos céus. E o entrançado de troncos e raízes muito antigas diziam da longevidade das árvores.

 

Uma luz coada rompia a folhagem, que moldava um rendilhado verde num fundo azul, já liberto da nuvem transparente que o cingia. E, por momentos, pareceu-me sentir os aromas acres do Outono, quando deambulava pelo meu pequeno bosque. Subitamente, apoderou-se de mim uma inquietude, um deslumbramento, um espanto diante de asas que, à nossa passagem, se levantavam dos ramos, e de olhos atentos que, por entre eles, espreitavam. Encontrava-me, sem dúvida, numa floresta intacta, como se tivesse sido acabada de criar, indomável, livre, imaculada, jamais tocada sequer pela sombra do homem, apesar dos velhos troncos e fortes raízes somarem séculos de existência, entre as humildes plantas silvestres que cresciam ao seu redor.

 

Parecia-me, aquele, o princípio do mundo, onde a vida propriamente dita começara, ou seria um ponto de chegada, o lugar para onde todos os caminhos convergiam? O arvoredo estendia a sua folhagem ao Sol que, altivo e fingindo-se indiferente, espargia a sua claridade sobre a floresta, e envolveu-me o perfume delicado da vegetação. Foi então que o sentido provisório do tempo se contrapôs à consciência do eterno, que se respirava naquele lugar, e voltei a sentir a sensação de estar perdido, algures, dentro de uma fábula.

 

À medida que avançava no caminho, deixei de ouvir o rumorejar do vento. Apenas se ouvia o som dos meus passos e o dos passos do Lobo, que seguia a meu lado, em silêncio. Pisávamos o chão juncado das folhas caídas dos abetos que grafavam mensagens secretas da terra e das águas, trazidas por uma aragem quase imperceptível, que rendeu o vento, na sua guarda ao bosque. Ali, naquele lugar, a Natureza havia desabrochado como um milagre. Uma delicada neblina erguia-se de um rio de águas vagarosas que margeava o caminho, e onde flutuavam cisnes melancólicos que, em silêncio, acompanhavam o nosso percurso. Naquele momento, senti o ritmo tranquilo da vida do bosque entranhar-se em mim como se fizesse parte do meu ser. Entre as árvores, que sempre me pareceram eternas, por ultrapassarem a existência dos homens, os animais da selva davam azo à sua liberdade. Contemplava-os, finalmente. Havia-os de todas as espécies. O seu discreto alarido contrastava com o silêncio imanente da floresta, que começava a ficar para trás. Deixámos as sombras. Diante de nós abriu-se uma planície imensa, grávida de verde, onde pastavam, pacificamente, numa partilha harmoniosa, nunca vista, leões, tigres, elefantes, girafas, servos, veados, lobos, panteras-negras…

 

(…)

O caminho estava traçado entre o arvoredo, como uma claridade e nele, distraidamente, eu ia pisando as sombras reflectidas no chão, pejado de folhas secas e flores murchas, evitando os fios de luz, que o Sol projectava por entre os ramos, num jogo que me entregou a infância.

 

 

(…)

Num lugar como aquele, verde, tingido de púrpura, onde soprava uma brisa vagarosa, e que um Sol, aparentemente ausente, enchia de contornos imprecisos, o tempo parecia não existir. Era eterno como as árvores e, nos momentos de profundo silêncio, parecia que a floresta estava adormecida.

 

in «A Hora do Lobo» © Josefina Maller

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:50

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Quinta-feira, 11 de Agosto de 2016

PLANO CONTRA INCÊNDIOS

 

PLANO: Como se fôssemos os “senhores” políticos que ganham fortunas sem fazer nada que não seja retalhar Portugal

 

INCÊNDIO.jpg

 Origem da imagem: Internet

 

 Texto de

ANA MACEDO

Quinta-feira, 11 de agosto de 2016

 

12 ideias básicas. Vamos, por favor, partilhar mais algumas e melhorar estas!

 

1 - Reutilizar as casas dos Guardas Florestais. - Estas casas existem e temos um alto índice de desemprego. Estes funcionários seriam responsáveis pela manutenção e limpeza da área à sua responsabilidade rentabilizando a sua própria tarefa. A floresta paga-se a si mesma.

 

2 - Reorganizar a floresta, mantendo livres as passagens para carros de bombeiros - É possível e urgente fazer-se isto e os Guardas Florestais poderiam dar uma preciosa ajuda.

 

3 - Forçar os donos de terrenos a manter a sua limpeza - Devem ser criados mecanismos de apoio para aqueles que, comprovadamente, não tenham possibilidades económicas de o fazer. Infelizmente, isto é uma realidade. Muitos agricultores não têm mesmo hipótese de pagar estas limpezas.

 

4 - Legislar sobre o lançamento de foguetes - Não pode ser como agora, que cada aldeia com 2 metros quadrados lança foguetes, sem que as consequências sejam tidas em consideração.

 

5 - Proibir a 100% todo e qualquer aproveitamento que envolva qualquer tipo de negócio (hotéis, outras construções, eólicas, venda de madeiras etc.) numa área ardida por um período mínimo de 5 a 10 anos. - Como todos sabem esta é uma das razões para tantos incêndios.

 

6 - Obrigação de reflorestamento APENAS e só com árvores que façam parte da nossa natureza. - Nada de eucaliptos e porcarias como essa que não só consomem a água no subsolo como “abafam” outras espécies de arbustos e árvores. A lei da Cristas é para meter no caixote do lixo.

 

7 - Terminar os contratos vigaristas com as empresas que vivem à custa dos incêndios.

 

8 - Proceder à manutenção dos aviões que comprámos e pagámos e estão parados a enferrujar enquanto pagamos 35.000 euros/hora a privados.

 

9 - Reaproveitar homens e máquinas do exército. - A floresta é território nacional e necessita de protecção. Essa é uma OBRIGAÇÃO do exército.

 

10 - Todos os pirómanos apanhados pelas forças policiais tem que ser institucionalizados (caso sejam maluquinhos como é moda dizer) ou cumprir pena ajudando à reflorestação e limpeza de matas. Não é possível que saiam todos em liberdade para voltar a cometer o mesmo crime vezes sem conta.

 

11 - Preparar a aquisição de mais alguns aviões e deixar à guarda e responsabilidade de cada distrito um avião. - Cada distrito será responsável pela sua manutenção tendo também a obrigação de prestar auxilio a outros distritos em caso de necessidade.

 

12 - Falar com todas a corporações de bombeiros e ter a inteligência de perceber que eles é que sabem... e não uns idiotas sentados em secretárias que nunca na vida viram uma fogueira.

 

Fonte:

https://www.facebook.com/notes/644056005762589/PLANO:%20Como%20se%20fóssemos%20os%20“senhores”%20politícos%20que%20ganham%20fortunas%20sem%20fazer%20nada%20que%20não%20seja%20retalhar%20Portugal/644532865714903/

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:39

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Sexta-feira, 12 de Setembro de 2008

O Menino Guerreiro

 

Copyright © Isabel A. Ferreira 2008
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1
 
Ao amanhecer
 
 
Amanhece. Um amanhecer magnífico, no recanto desta floresta, o mais belo lugar da África. O Sol, redondo como uma bola, surge enorme, vermelho, da cor do fogo, e finge elevar-se lá nas alturas, muito devagarinho, reflectindo-se nas águas do rio grande, que dorme ainda.
 
Inesperadamente, ouve-se um cacarejar, que faz lembrar o toque de uma trombeta.
 
— Cocorococoooooó! Cocorococoooooó! Cocorococoooooó! Cocorococoooooó! Cocorococoooooó!
        
O cacarejo ecoa longe, onde quer que fique o longe. E a floresta desperta, e com ela todos os animais. E as águas do rio agitam-se, e os pássaros abrem as suas asas e voam sobre o rio. E o burburinho próprio da vida abraça a manhã. Um novo dia começa assim, alegremente, como deve ser. Sempre.
 
— Cocorococoooooó!...
 
É Trocopé, o galinho garnisé mais popular daquela serra que, do alto do seu poleiro, numa frondosa, ramalhosa e velha figueira, assim anuncia o amanhecer. Todos os dias. Mal o Sol se mostra, lá, naquele horizonte, longe, bordado com a ramagem de uma floresta, situada na outra margem do rio grande, Trocopé faz soar a sua trombeta, e não há criatura que resista a tanto cocorocó.
 
Por debaixo da velha figueira, vê-se uma palhota, construída com pequenos troncos de madeira e coberta de grandes folhas de palmeira. Quando Trocopé brada o seu último cocorocó, que se sabe que é o último porque prolonga indefinidamente o ó final, da palhota sai um menino da cor do café com leite, enrolado numa túnica vermelha, e diz, numa voz quase cantante:
 
— Bom-dia Trocopé! Bom-dia para ti e para todas as criaturas desta floresta.
 
É assim, todas as manhãs.
        
Trocopé logo que vê Não Sei, assim se chama o menino, desce da figueira aos saltinhos de garnisé, e vem saudá-lo no chão, de igual para igual. Não Sei ergue-o, beija-lhe a crista, coloca-o sobre o ombro, e vai até ao rio para um banho que serve também de diversão. E o Sol, agora amarelo, da cor da laranja, continua a fingir que se eleva lá nas alturas, deixando nas águas do rio um reflexo dourado. O Sol finge elevar-se, porque, na verdade, ele não se eleva, quem gira é a Terra, em torno dele. E o menino tenta agarrá-lo com as mãos, e o galinho, sem saber para que serve agarrar o Sol com as mãos, dá às asas e tenta ampará-lo entre as penas da cor da castanha.
 
Não Sei, apercebendo-se deste pequeno desacerto do seu pequeno amigo, diz-lhe, para que ele compreenda:
 
 — Se eu conseguisse agarrar um pedacinho de Sol com as minhas mãos, talvez pudesse transformar-me num mágico, e ajudar o meu povo a libertar-se do mal que o traz atormentado.
 
Uma superstição como outra qualquer, mas, na verdade, se alguém, algum dia conseguisse agarrar um raio do Sol com as suas próprias mãos, de certeza que esse alguém transformar-se-ia num ser muito especial.
 
Trocopé não compreende, mas cacareja, um cacarejar suave, como quem diz eu sei, eu sei
 
E é assim, todos os dias, ao amanhecer.
 
O menino repete este ritual do banho, nas águas tranquilas do rio, na esperança de que este seu pequeno desejo possa realizar-se um dia…
 
 
***
 
2
 
Na outra margem do rio
 
Não Sei é um menino misterioso. Tem um sorriso dos mais lindos que já se viram, mas raramente sorri, não porque não saiba sorrir, mas porque ainda não tem motivos para o fazer. Vive com Trocopé, naquele recanto da floresta, escondido, como se fosse um criminoso. Ele, que é apenas um menino! Não sabe a sua idade, mas não terá mais do que uns dez anos, vividos tão intensamente, como se fossem outros tantos. O seu nome também não o sabe, e a sua história dava para contar num livro, estando parte dela bem marcada na sua memória, porque nela ainda tudo é recente.
 
E esse tudo, que na verdade é pouco, começou na outra margem do rio, lá onde existe uma outra floresta, e onde o Sol, redondo como uma bola, também finge levantar-se, todas as manhãs, mas não brinca nas águas tranquilas do rio grande.
 
Não Sei teve pai e teve mãe como todos os meninos. Mas pouco se recorda deles. A última imagem que conseguiu reter da mãe, tinha apenas uns quatro anos, é a de uma mulher correndo desesperadamente, entre muitas outras mulheres e muitos outros meninos, numa estrada poeirenta.
 
E ela gritava:
— Corre! Corre! Corre!...
        
Ouvia-se o som assustador de metralhadoras a disparar, e passos cada vez mais próximos. E gritos ferozes.
 
Mas o menino era ainda muito pequeno, e não correu o suficiente. Foi ficando para trás, muito para trás, entre o mato que o escondia, quase por completo. E as mulheres correndo, lá mais adiante. E os outros meninos, mais crescidos, correndo também, atrás delas. Mas o nosso menino foi ficando sozinho, perdido, naquela estrada poeirenta. Quando já não se via ninguém, e os gritos e os disparos das armas deram lugar ao silêncio, o menino sentou-se no chão, entre os abetos, e esperou. O quê? Não sabia. Por ele viu passar uns homens com umas botas que lhe pareceram muito grandes. Corriam e gritavam. E tão apressados iam que nem repararam no menino, assustado e indefeso. Imóvel entre a folhagem. À espera. De quê? Como podia saber?
 
E veio a noite, e o menino adormeceu, no chão de folhas secas da floresta, entre os verdes abetos. E uma bela coruja, naquela noite, velou o seu sono.
 
No dia seguinte, o Sol fingiu levantar-se, naquela margem do rio, como todos os dias. E os pássaros voaram. E o menino despertou. A seu lado estava uma mulher muito, muito velha. Não era a sua mãe. E a mulher perguntou-lhe:
 
— Que fazes aqui, menino?
 
E o menino respondeu:
 
— Não sei.
— Quem és tu?
— Não sei.
— De quem és filho?
— Não sei.
— A que aldeia pertences?
—Não sei.
— Pelo menos sabes o teu nome? – perguntou a mulher velha, já muito irritada com tanto não sei.
 
— Não sei – respondeu o menino, uma vez mais, com toda a inocência do mundo, começando a chorar, um choro miudinho, sufocado, um choro de menino perdido, indefeso e só.
 
De facto, aquele menino de nada sabia. Não sabia a resposta para nenhuma daquelas perguntas. Andara sempre fugindo, com a mãe, de monte em monte. De floresta em floresta. Não se lembrava de nenhuma aldeia que fosse a sua. Nunca tinha ouvido a mãe chamá-lo por um nome, que fosse o seu. As palavras que mais ouvia eram corre, está calado, não chores, está quieto, não há, dorme... e aquele não sei, simplesmente seco, com que a mãe respondia às constantes perguntas que ele, querendo saber do mundo, fazia.
 
Além do mais, a sua mãe era mulher de poucas palavras, porque, na verdade, também pouco ou nada sabia do que estava a acontecer ao seu povo, por isso, pouco ou nada era também o que tinha para dizer. E o menino lembrava-se muito bem e apenas do que ela lhe gritava, muito constantemente: Corre! Corre! Corre!
 
Como a mulher velha também não sabia que Não Sei não era nome de gente, o menino ficou a chamar-se assim, por responder não sei, quando lhe perguntou o nome.
 
A mulher velha vivia só. O menino também estava só, e ela levou-o para a sua aldeia, e obrigou-o a trabalhar para ela. Na aldeia todos lhe chamavam Não Sei. E os dias foram passando, até que passaram três anos e, uma noite, quando a aldeia foi atacada e incendiada por uns homens mascarados, Não Sei fugiu, no meio da confusão e dos gritos.
 
E correu, correu muito, a noite toda, sem parar, até chegar a uma cidade grande, que tinha automóveis e casas a sério, altas, com muitas janelas, como ele nunca tinha visto.
 
 
Amanhecia, e a cidade despertava para um dia igual a todos os dias. Ali chegado, Não Sei escondeu-se numa casa grande, abandonada, cheia de pequenos buracos nas paredes.
 
 
in O Menino Guerreiro (10 €)
 
 
Este livro pode ser adquirido através do e-mail:
 isabelferreira@net.sapo.pt
 
publicado por Isabel A. Ferreira às 19:38

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Em defesa da Língua Portuguesa, a autora deste Blogue não adopta o Acordo Ortográfico de 1990, devido a este ser inconstitucional, linguisticamente inconsistente, estruturalmente incongruente, para além de, comprovadamente, ser causa de uma crescente e perniciosa iliteracia em publicações oficiais e privadas, nas escolas, nos órgãos de comunicação social, na população em geral, e por estar a criar uma geração de analfabetos escolarizados e funcionais.

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