Domingo, 21 de Março de 2021

Celebrando o Dia Mundial da Poesia

 

Rosa Silvestre 1.png

 

Auto-retrato

 

Sou rosa silvestre

Nascida em Janeiro.

 

Sou folha caída

Em tarde invernosa.

 

Sou vento forte

Que sopra do Norte.

 

Sou tarde chuvosa,

Sou triste,

Sou só.

 

Sou vida

De Outono

Que vem e que vai.

 

Sou Sol que

Não nasce,

Sou nuvem escura,

Sou chuva que cai.

 

Sou lágrima,

Sou dor,

Sou noite sem lua,

Sou charco da rua,

Sou luz que apagou.

 

Sou rosa silvestre,

Sou flor delicada,

Que entre a penedia

O tempo esmagou...

 

Isabel A. Ferreira

 

***

 

pôr-do-sol.jpg

 

Esperança…

 

A Noite veio

e trouxe o silêncio…

 

As Estrelas vieram

e cintilaram no céu…

 

A Lua veio

e iluminou os caminhos…

 

O Vento veio

e soprou de mansinho…

 

A Chuva veio

e humedeceu as campinas…

 

As Aves vieram

e cantaram baixinho…

 

Vieram depois

os sonhos,

os medos,

os segredos…

 

Vieram até os anjos

de uma corte celeste…

 

Só tu não vieste…

 

Josefina Maller

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 12:28

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Sexta-feira, 1 de Julho de 2016

… PORQUE É NECESSÁRIO RENASCER…

 

fenix10[1] RENASCER.jpg

 

 Lutar contra blocos de cimento armado é desgastante.

 

Fingir-me-ei de morta por um tempo breve, para poder renascer…

 

Estarei num lugar onde a mais pequena flor beneficia do privilégio de ter nascido…

 

Onde o vento anda à solta e os Cavalos são livres…

 

Onde o silêncio brinca furtivamente com os pássaros…

 

Onde as ervas brotam das pedras…

 

E as águas segredam-me os seus mistérios…

 

Até breve…

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:20

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Segunda-feira, 6 de Setembro de 2010

A VIOLÊNCIA QUE VEM DAS TREVAS

 

 

 

  

(E se enfeitássemos a Violência com florzinhas amarelas, para torná-la menos agressiva?...)

 

A inteligência humana é a única arma capaz de garantir a Paz

 

Será possível definir a Violência?

 

Talvez pudéssemos enfeitar a palavra com florzinhas amarelas, para torná-la menos agressiva!

 

Mas como?! A violência não se deixa enfeitar. Ela é tão primitiva, tão tosca! Vive entre as trevas, nas profundezas do espírito dos que são apenas “omens”, numa tão grande obscuridade, que enfeitá-la seria um sacrilégio. Além disso, porque está tão arredada da civilização e da civilidade só as mentes mais primitivas e toscas a ela têm acesso.

Ela faz parte de um mundo sombrio onde habitam os rudes, os grosseiros, os irracionais, os estúpidos, os covardes. Numa palavra: os brutos.

 

E o que é um bruto? É aquele que usa a força, a ameaça, a chantagem para impor o seu ponto de vista, por isso, a violência é a maior “qualidade” dos brutos, que não passando estes de requintados covardes.

 

Um bruto não conhece a linguagem da flor. Não sabe da brisa suave que faz ondular as searas. Só sabe de ventanias que sopram forte, de tufões, de furacões, de vendavais, que tudo destroem. Um bruto cavalga nos ventos, semeia tempestades por onde passa e vagueia depois, perdido, entre os escombros da sua malvadez, acabando por se afogar no sangue das suas próprias vítimas.

 

Mas tu não és um bruto.

 

Tu conheces a linguagem da flor. Não vives nas trevas. Fazes uso da tua inteligência, a mais eficaz arma de combate do ser humano.

 

Só os covardes se escudam na força bruta ou numa arma qualquer. Se lhe sugerirmos que sejam Homens e não usem a força da força, nem a ameaça das armas, nem a chantagem, nem algum outro tipo de violência, mas unicamente o poder da sua inteligência e combatam os combates com palavras, como seres civilizados, eles rirão um riso de dentes podres e depois, afundados na sua insignificância mental e às ceguinhas, por entre as trevas abismais do seu espírito, usarão da violência e mostrarão então toda a inferioridade dos seus actos.

 

Ninguém é superior a ninguém. Apenas os excrementos humanos e a malvadez dos “omens” são execráveis e passíveis de desprezo!

 

Pois é, ninguém é superior a ninguém a não ser pelos actos que comete.

 

Um bruto é um “omem” obscuro, oblíquo, desusado, ignorante, por isso, ao usar a violência que vem das trevas, transforma-se numa criatura inferior.

 

Mas tu conheces a linguagem da flor. Ensina-o a ser Homem com o teu pacifismo e a tua inteligência: a única arma capaz de garantir a Paz.

 

in «Manual de Civilidade» © Isabel A. Ferreira

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:37

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Terça-feira, 3 de Fevereiro de 2009

Na outra margem do Sonho…

 

Copyright © Isabel A. Ferreira 2009
 
 
 
Eles sonham com campos em flor.
Sonham com trabalho.
Sonham com uma vida vivida em Paz.
 
Eles acreditam nos homens. Esperam um milagre. Eles tentam compreender o desequilíbrio dos mais fortes. A loucura dos que governam.
 
Nos tempos livres, eles fazem poemas como este:
 
À força de nos fazerem acreditar no Sol,
sentimos o seu calor nas nossas peles.
À força de nos impingirem mais um dia,
cremos que somos mais adultos.
À força de nos provocarem
sentimos a força do palavrão a defender-nos.
À força de nos ignorarem
precisamos de agredir para sermos ouvidos.
À força de nos calarem tantos sonhos
acreditamos na impossibilidade de viver.
À força de tanta fraqueza,
somo incapazes de subir alto, ao alto de nós,
para gritarmos que sonhar
é o primeiro passo para a partida…
 
***
 
Em dias de tempestade, eles escrevem prosa como esta:
 
Arrefeceu de repente. E eu não sei porquê. O som mudou. As cores mudaram. As flores murcharam, apesar do tempo primaveril. Porquê?... Não sei!
 
E é esta ignorância que me magoa. Que me maltrata. Quando as coisas não correm bem, ficamos esquecidos na prateleira. É como se Deus se esquecesse de abrir as janelas do Céu para deixar entrar o Sol.
 
O mundo parou de girar, só porque não compreendo os dias, os momentos sombrios, carregados de uma agressividade que transforma as palavras em algo que fere, que abre chagas e deixa cicatrizes.
 
Hoje a indiferença arrefeceu o meu Sol. Não pude sorrir e tudo se transformou, de repente. Que vontade de desistir! Entrei em seara alheia. Roubei as melhores espigas e, nesse acto, transformei-me em joio. E ali fiquei. Pregada ao solo por fortes raízes. Mas de que adianta, se sou apenas joio?
 
Se pelo menos esta tempestade me arrancasse as raízes e me transformasse novamente em espiga loira, no meu próprio campo!
 
Mas a tempestade não é demasiado forte. Preciso de ir buscar forças ao inferno para que a minha metamorfose seja possível. Porque sei que a força dos anjos não será suficiente para fazer mover a minha vida.
 
 
***
 
Eles são jovens.
Vivem na outra margem do sonho.
 
 
 
publicado por Isabel A. Ferreira às 11:51

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