Terça-feira, 31 de Outubro de 2017

DUAS CRIANÇAS (DE 9 E 10 ANOS) PARTICIPARAM NUMA TOURADA EM ELVAS À MARGEM DA LEI

 

Criancas-tourada-portugal-basta.jpg

(Foto: Plataforma Basta)

 

A denúncia foi feita pela Plataforma Basta, e nessa denúncia foi declarado que esta tourada «envolveu a participação de crianças lidando animais de raça brava", uma delas, filha de um cavaleiro tauromáquico e outra, de um bandarilheiro, sendo que uma, actuou como cavaleiro tauromáquico. Esta situação constitui uma clara violação do Código do Trabalho pelo que foi denunciada às autoridades competentes.

 

As autoridades competentes dizem estar a investigar este caso, ocorrido na localidade de Vila Boim (concelho de Elvas), durante uma tourada ilegal, ou seja, não licenciada pela Inspecção-Geral das Actividades Culturais - IGAC, organizada pela Associação de Romeiros de Vila Boim, com a designação “Fiesta do Toureio 2017” no passado dia 14 de Outubro.

 

(Repare-se na “fiesta” que será uma coisa portuguesa, com certeza, quando falam de tradição...)

 

As autoridades dizem estar a investigar, mas, na realidade, estarão?

 

É que denúncias deste género já as fizemos às centenas, ao longo de vários anos, e as crianças continuam, até aos dias de hoje, a ser sujeitas a esta perniciosa violência.

 

Não confiamos nas autoridades que dizem estar a investigar as ilegalidades cometidas nas touradas, em Portugal, porque em Portugal, essas ilegalidades cometem-se há tanto tempo, e há tanto tempo as denunciamos, e também há tanto tempo diz-se que se está a investigar, e nunca ninguém foi punido. E as ilegalidades continuam a cometer-se em catadupa.

 

Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) já confirmou que está a averiguar a situação, com vista à adopção dos procedimentos legais, no âmbito das respectivas competências.

 

Estará mesmo? Ou estará a fazer de conta que averigua? É que a tauromaquia está bastante protegida, uma vez que, mesmo sabendo-se das ilegalidades cometidas nas touradas, nunca houve culpados, nem nunca se adoptaram os tais procedimentos legais.

 

A IGAC também disse que está a fazer uma “avaliação de todos os elementos que lhes estão associados».

 

Estará?

 

A Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Protecção das Crianças e Jovens também foi abordada pela Plataforma Basta e esta aguarda (aguardamos todos os que defendemos a Vida Animal, humana e não-humana) «uma intervenção firme das autoridades na punição dos responsáveis».

 

Contactados pela Agência Lusa, os progenitores dos dois menores e o responsável do evento taurino, Luís Fernando Carvalho, recusaram-se a comentar o caso.

 

Pois recusaram. Num país a sério o horizonte desta gente seria umas grades de prisão.

 

Desta vez, há que ir muito mais além do que o simples dizer que estão a averiguar ou a avaliar os elementos…

 

Desta vez há que se actuar em conformidade com a gravidade da situação. Desta vez, tem de haver culpados e os culpados têm de ser severamente punidos.

 

É a vida de crianças, tão indefesas como os touros que elas lidam na arena, que está em causa. E se os progenitores não as protegem, o Estado português tem o DEVER de as proteger.

 

A Plataforma Basta referiu no seu site que «esta situação constitui uma clara violação do Código do Trabalho, pelo que foi denunciada às autoridades competentes” salientando que, "segundo a lei, a participação de crianças em espectáculos que envolvam contacto com animal, substância ou actividade perigosa, constitui uma contra-ordenação muito grave imputável à entidade promotora», neste caso, a Associação de Romeiros de Vila Boim, prometendo também a BASTA fazer chegar ao Comité dos Direitos da Criança da ONU, através da campanha “Infância sem violência”, um relatório com todos os casos de violação da lei para a próxima avaliação da Convenção de Direitos Humanos, que irá decorrer em Genebra em 2019.

 

Até lá, espera a BASTA e esperamos todos nós que «o Estado português adopte medidas legislativas e de sensibilização para este grave problema, e actue na punição dos responsáveis».

 

 

«A exposição de crianças a situações que colocam em risco a sua integridade física é punida por lei, mas infelizmente é frequente ocorrer em espectáculos tauromáquicos organizados ilegalmente em Portugal. A Plataforma Basta denunciou esta temporada várias situações relacionadas com a exposição de crianças à violência da tauromaquia, quer participando como artistas quer como espectadores nas bancadas das praças de touros (crianças menores de 3 anos)».

 

Nós também denunciámos.

 

Segundo a Plataforma Basta, trata-se de mais um episódio, a juntar a outros ocorridos esta temporada, que coloca em causa o cumprimento da Convenção dos Direitos da Criança e as determinações do Comité dos Direitos da Criança das Nações Unidas que em 2014 instou Portugal a adoptar medidas para afastar as crianças da violência da tauromaquia, depois de tomar conhecimento desta realidade e dos acidentes que vitimam dezenas de crianças todos os anos em Portugal, em eventos tauromáquicos.

 

Entretanto, Portugal segue na cauda dos países que não protegem as suas crianças.

 

Isabel A. Ferreira

 

Fontes:

http://24.sapo.pt/atualidade/artigos/autoridades-investigam-participacao-de-duas-criancas-em-tourada-em-elvas

http://basta.pt/autoridades-investigam-participacao-criancas-numa-tourada-vila-boim/

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:35

link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos

DUAS CRIANÇAS (DE 9 E 10 ANOS) PARTICIPARAM NUMA TOURADA EM ELVAS À MARGEM DA LEI

 

Criancas-tourada-portugal-basta.jpg

(Foto: Plataforma Basta)

 

A denúncia foi feita pela Plataforma Basta, e nessa denúncia foi declarado que esta tourada «envolveu a participação de crianças lidando animais de raça brava", uma delas, filha de um cavaleiro tauromáquico e outra, de um bandarilheiro, sendo que uma, actuou como cavaleiro tauromáquico. Esta situação constitui uma clara violação do Código do Trabalho pelo que foi denunciada às autoridades competentes.

 

As autoridades competentes dizem estar a investigar este caso, ocorrido na localidade de Vila Boim (concelho de Elvas), durante uma tourada ilegal, ou seja, não licenciada pela Inspecção-Geral das Actividades Culturais - IGAC, organizada pela Associação de Romeiros de Vila Boim, com a designação “Fiesta do Toureio 2017” no passado dia 14 de Outubro.

 

Repare-se na “fiesta” que será uma coisa portuguesa, com certeza.

As autoridades dizem estar a investigar, mas, na realidade, estarão?

É que denúncias deste género já as fizemos às centenas, ao longo de vários anos, e as crianças continuam, até aos dias de hoje, a ser sujeitas a esta perniciosa violência.

Não confiamos nas autoridades que dizem estar a investigar as ilegalidades cometidas nas touradas, em Portugal, porque em Portugal, essas ilegalidades cometem-se há tanto tempo, e há tanto tempo as denunciamos, e também há tanto tempo diz-se que se está a investigar, e nunca ninguém foi punido. E as ilegalidades continuam a cometer-se em catadupa.

A Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) já confirmou que está a averiguar a situação, com vista à adopção dos procedimentos legais, no âmbito das respectivas competências.

Estará mesmo? Ou estará a fazer de conta que averigua? É que a tauromaquia está bastante protegida, uma vez que, mesmo sabendo-se das ilegalidades cometidas nas touradas, nunca houve culpados, nem nunca se adoptaram os tais procedimentos legais.

A IGAC também disse que está a fazer uma “avaliação de todos os elementos que lhes estão associados».

Estará?

A Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Protecção das Crianças e Jovens também foi abordada pela Plataforma Basta e esta aguarda (aguardamos todos os que defendemos a Vida Animal, humana e não-humana) «uma intervenção firme das autoridades na punição dos responsáveis».

Contactados pela Agência Lusa, os progenitores dos dois menores e o responsável do evento taurino, Luís Fernando Carvalho, recusaram-se a comentar o caso.

Pois recusaram. Num país a sério o horizonte desta gente seria umas grades de prisão.

Desta vez, há que ir muito mais além do que o simples dizer que estão a averiguar ou a avaliar os elementos…

Desta vez há que se actuar em conformidade com a gravidade da situação. Desta vez, tem de haver culpados e os culpados têm de ser severamente punidos.

É a vida de crianças, tão indefesas como os touros que elas lidam na arena, que está em causa. E se os progenitores não as protegem, o Estado português tem o DEVER de as proteger.

A Plataforma Basta referiu no seu site que «esta situação constitui uma clara violação do Código do Trabalho, pelo que foi denunciada às autoridades competentes” salientando que, "segundo a lei, a participação de crianças em espectáculos que envolvam contacto com animal, substância ou actividade perigosa, constitui uma contra-ordenação muito grave imputável à entidade promotora», neste caso, a Associação de Romeiros de Vila Boim, prometendo também a BASTA fazer chegar ao Comité dos Direitos da Criança da ONU, através da campanha “Infância sem violência”, um relatório com todos os casos de violação da lei para a próxima avaliação da Convenção de Direitos Humanos, que irá decorrer em Genebra em 2019.

Até lá, espera a BASTA e esperamos todos nós que «o Estado português adopte medidas legislativas e de sensibilização para este grave problema, e actue na punição dos responsáveis»

«A exposição de crianças a situações que colocam em risco a sua integridade física é punida por lei, mas infelizmente é frequente ocorrer em espectáculos tauromáquicos organizados ilegalmente em Portugal. A Plataforma Basta denunciou esta temporada várias situações relacionadas com a exposição de crianças à violência da tauromaquia, quer participando como artistas quer como espectadores nas bancadas das praças de touros (crianças menores de 3 anos)».

Nós também denunciámos.

Segundo a Plataforma Basta, trata-se de mais um episódio, a juntar a outros ocorridos esta temporada, que coloca em causa o cumprimento da Convenção dos Direitos da Criança e as determinações do Comité dos Direitos da Criança das Nações Unidas que em 2014 instou Portugal a adoptar medidas para afastar as crianças da violência da tauromaquia, depois de tomar conhecimento desta realidade e dos acidentes que vitimam dezenas de crianças todos os anos em Portugal, em eventos tauromáquicos.

Entretanto, Portugal segue na cauda dos países que não protegem as suas crianças.

Isabel A. Ferreira

 

Fontes:

http://24.sapo.pt/atualidade/artigos/autoridades-investigam-participacao-de-duas-criancas-em-tourada-em-elvas

http://basta.pt/autoridades-investigam-participacao-criancas-numa-tourada-vila-boim/

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:23

link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos

Mais sobre mim

Pesquisar neste blog

 

Fevereiro 2021

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
11
14
15
18
20
25
26
28

Posts recentes

DUAS CRIANÇAS (DE 9 E 10 ...

DUAS CRIANÇAS (DE 9 E 10 ...

Arquivos

Fevereiro 2021

Janeiro 2021

Dezembro 2020

Novembro 2020

Outubro 2020

Setembro 2020

Agosto 2020

Julho 2020

Junho 2020

Maio 2020

Abril 2020

Março 2020

Fevereiro 2020

Janeiro 2020

Dezembro 2019

Novembro 2019

Outubro 2019

Setembro 2019

Agosto 2019

Julho 2019

Junho 2019

Maio 2019

Abril 2019

Março 2019

Fevereiro 2019

Janeiro 2019

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Agosto 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Direitos

© Todos os direitos reservados Os textos publicados neste blogue têm © A autora agradece a todos os que os divulgarem que indiquem, por favor, a fonte e os links dos mesmos. Obrigada.
RSS

Acordo Ortográfico

Em defesa da Língua Portuguesa, a autora deste Blogue não adopta o Acordo Ortográfico de 1990, devido a este ser inconstitucional, linguisticamente inconsistente, estruturalmente incongruente, para além de, comprovadamente, ser causa de uma crescente e perniciosa iliteracia em publicações oficiais e privadas, nas escolas, nos órgãos de comunicação social, na população em geral, e por estar a criar uma geração de analfabetos escolarizados e funcionais.

Comentários

Este Blogue aceita comentários de todas as pessoas, e os comentários serão publicados desde que seja claro que a pessoa que comentou interpretou correctamente o conteúdo da publicação. Serão eliminados os comentários que contenham linguagem ordinária e insultos, ou de conteúdo racista e xenófobo. Em resumo: comente com educação, atendendo ao conteúdo da publicação, para que o seu comentário seja mantido.

Contacto

isabelferreira@net.sapo.pt