«A Câmara Municipal da Póvoa de Varzim atribuiu na reunião de hoje (20 de Outubro) um subsídio de 6.150 € para a realização de uma tourada. Não consigo imaginar pior destino para os nossos impostos...» (João Trocado – deputado municipal, pelo PS).
Uma tourada para os caçadores da Estela. A violência da caça a gerar violência contra pacatos bovinos…

Uma imagem do “turismo de qualidade” de que tanto se orgulha a maioria do PSD que manda na cidade…
Ora aqui está uma postura muito "inteligente" por parte de quem manda na Póvoa de Varzim: são eleitos para servirem um POVO que se quer culto e civilizado ou o LOBBY TAUROMÁQUICO inculto e incivilizado?
Os caçadores são tão predadores como os tauricidas.
E na Póvoa de Varzim, uns e outros dão cartas.
E os que mandam vergam-se a este primitivismo impregnado de uma ignorância crassa, e investem dinheiros dos impostos dos munícipes nestas crueldades.
Disse-se num jornal diário que este apoio à tourada dos caçadores da Estela gerou polémica na reunião de Câmara na Póvoa de Varzim.
Pudera!
Elvira Ferreira, vereadora do PS, indignou-se e recusou-se a votar a favor da cedência da praça de Touros ao clube de caçadores para a realização de uma tourada, além da atribuição dos 6.150 Euros do erário público, para a realização da dita cuja.
Contudo, o subsídio foi aprovado com os votos do CDS-PP (como não podia deixar de ser) e da maioria do PSD (uma maioria retrógrada que gere os destinos de uma cidade enterrada no maltrato animal até à medula: touradas, vacadas, garraiadas, tiro aos pombos, circos com animais escravizados, corridas de galgos, lutas de cães, batidas às raposas, enfim…
E essa maioria PSD justificou, deste modo muito “racional”, a atribuição deste dinheiro dos munícipes aos caçadores da Estela: «casa cheia e o que o espectáculo – goste-se ou não – significa em termos TURÍSTICOS para a cidade».
Sim… em termos TURÍSTICOS, principalmente…
É que a tourada dos caçadores da Estela traz à Póvoa de Varzim bastantes turistas (ingleses, alemães, japoneses, americanos...); e centenas de escritores e amantes de livros e da Literatura, os mesmos que participam no Correntes d’Escritas; e também (e já agora) os apreciadores de música erudita, que costumam assistir ao Festival Internacional de Música da Póvoa de Varzim.
Os TURISTAS que costumam assistir às touradas na arena da cidade que sorri para a crueldade, são mais que muitos… Então não são?
Gente de finíssima estirpe. Gente cultíssima. Gente que é capaz de pagar mais depressa um bilhete para ver a CRUELDADE de uma tourada do que uma obra de Monet no Museu d’Orsey.
Então não é?...
Os turistas da Estela e arredores…
Então não é?...
Tenham mas é vergonha! E acabem com esta “coisa” primitiva e com esta visão pobre e podre de “turismo”…
Fonte:
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Ver notícia neste link:
Ao que chegou a idiotice: chamam ao edifício que se vê na imagem a catedral da tauromaquia do Norte, isto é, um lugar onde religiosamente (até porque a igreja católica apoia esta ignomínia) se torturam e violentam Touros e Cavalos, seres vivos e animais como nós.
Uma notícia que já tem barbas brancas, mas que é necessário retomar, porque na Póvoa de Varzim, cidade que se diz da "Cultura" e que organiza eventos dos mais abalizados do País, como o «Correntes d' Escritas» e o Festival Internacional de Música, é permitida a tortura de Touros e Cavalos.
Isto é uma VERGONHA para a cidade. E porquê? Porque a tal "Cultura" não é assim tão culta como parece.
É necessário, pois, que as mentes se iluminem, na Póvoa de Varzim, para que esta proposta de cidade anti-tourada seja uma realidade.
É que não diz a treta com a careta. Uma cidade onde se torturam seres vivos, não pode ser, de modo algum, uma cidade de CULTURA.
É uma cidade, sim, onde a ignorância e o barbarismo que ela traz, ainda predomina.
Isabel A. Ferreira
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Texto publicado em 17 de Março de 2008
Lusa
«Viana do Castelo, 17 Mar (Lusa) - A Câmara da Póvoa de Varzim (PSD) chumbou hoje a proposta apresentada por um vereador do PS para a classificação da localidade como "cidade anti-touradas" do País, informou à agência Lusa o presidente da associação Animal.
Segundo Miguel Moutinho, a proposta, que foi apresentada pelo socialista Joaquim José Garcia e que transformaria a Póvoa de Varzim na primeira "cidade anti-tourada" do País, foi rejeitada com cinco votos contra da maioria PSD.
Dois vereadores do PS votaram a favor e um outro absteve-se.
"A Póvoa de Varzim perdeu uma oportunidade para dar um passo histórico e exemplar", lamentou Miguel Moutinho.
Lembrou que há uma empresa pertencente a um empresário alemão residente em Portugal interessada na compra da Praça de Touros da Póvoa de Varzim, que pertence à Câmara, para a transformar num "biergarten" (espaço de lazer, entretenimento e cultura) semelhante ao que existe em Munique, Alemanha.
"Seria a transformação de um espaço que até aqui tem sido usado para a tortura e derramamento de sangue de animais inocentes num espaço alegre, de diversão não-violenta e culturalmente interessante, que seria capaz de atrair muitos mais turistas para a cidade", frisou.
Garantiu que, apesar deste chumbo, a Animal não vai desistir da luta "anti-touradas" e incentivará outros autarcas de todo o País a seguir o exemplo de Joaquim José Garcia.
Na reunião de hoje, o executivo da Póvoa de Varzim não só chumbou a proposta do PS como também aprovou a realização de uma garraiada da Federação Académica do Porto, o que Miguel Moutinho considerou "duplamente lamentável"."Em pelo menos duas dessas garraiadas, o touro acabou por morrer na arena", referiu.
A associação Animal lembra que, segundo uma sondagem realizada em Março do ano passado, 50,5 por cento dos portugueses declaram querer que as touradas sejam proibidas por lei em todo o País.
A mesma sondagem revela que 52,4 por cento querem que as cidades e vilas em que residem sejam declaradas cidades e vilas anti-touradas pelos respectivos municípios, através da implementação de compromissos municipais de não-autorização da promoção e realização de touradas nos concelhos que administram.
A Animal refere mesmo o caso de Espanha, país considerado berço da tradição tauromáquica mas onde, segundo uma sondagem em Outubro de 2006, 72 por cento dos espanhóis declaram não ter qualquer interesse nas touradas.
"Em Espanha existem actualmente 42 cidades e vilas anti-touradas e, em França, existem já três", acrescenta a associação.
VCP.
Lusa/fim»
http://www.jn.pt/PaginaInicial/Interior.aspx?content_id=924135