Terça-feira, 26 de Março de 2013

A PROPÓSITO DA MARIA ENGRÁCIA FACAS… E DO FACEBOOK

 

 

 

 

«Em primeiro lugar, tenho que dizer que, pessoalmente, me senti defraudada com toda esta história. Tomei conhecimento desta personagem (MEF) neste blogue e depois fui seguindo a história igualmente na sua página no FB.

 

A MEF pediu-me amizade logo no início e eu aceitei. Não fui ver de quem era amiga, que página seguia, nada … Até então a história era apenas que tinha sido uma vítima de violência doméstica às mãos de um suposto ganadeiro. Seria apenas mais um caso, de tantos e tantos que existiram, que ainda existem e, tenho ESPERANÇA, que possam começar a deixar de existir.

 

Não sei quantos “amigos” a MEF conseguiu através deste estratagema: certamente pessoas sensíveis a este assunto tão triste e tão sério que é a violência doméstica. Mas quem estava por trás deste perfil NÃO SE IMPORTOU! Outras haverá certamente, tão graves ou mais que esta, mas percebi que esta é uma temática que pode ser vulgarizada e ridicularizada por um grupo de amigos aficionados, vulgo MEF.

 

Depois a MEF começou a divulgar “dados secretos” da tal vida que supostamente levava: como foi obrigada a casar aos 17 anos por se encontrar grávida de um filho bastardo da família Palha. Sobre isto gostaria de fazer dois comentários:

 

1 – Mais uma vez, outra temática grave tratada com a mesma vulgaridade. Este grupo de aficionados (MEF) será certamente composto unicamente por homens. NÃO QUERO ACREDITAR que possa haver uma mulher que ridiculariza a situação feminina do “antigamente”, em que estas situações existiam mesmo. Tenho a certeza que todos conhecemos alguma história de alguma familiar ou conhecida que tenha sido obrigada a casar por estar grávida. NÃO QUERO ACREDITAR!

 

2 – Relativamente à referência a um filho bastardo da família Palha, as coisas “piam mais fininho”. É que neste caso estamos a falar de UM NOME VERDADEIRO, de uma FAMÍLIA VERDADEIRA. Será que estes amigos aficionados (MEF) tiveram noção do que fizeram …? Duvido … Como os NÃO AFICIONADOS são pessoas “tão estúpidas que não sabem nada de tauromaquia” (sic) certamente que eles poderiam inventar um nome. Pois certamente os não aficionados não saberiam se era verdadeiro ou não (?).

 

MUITO GRAVE a referência a uma família antiga de Portugal. José Pereira Palha Blanco, que criou a Coudelaria Palha Blanco deve “estar às voltas na tumba”. Pode ser que eles se livrem de um processo por uso indevido de nome e por difamação: um filho bastardo da família Palha, senhores aficionados (MEF)??!! Acham mesmo que não se esticaram um bocadinho demais??? MUITO GRAVE MESMO.

 

Obs: É óbvio que a família Palha irá considerar isto uma garotice de meninos que não sabem o que fazer da vida e nem a brincar têm piada.

 

Em seguida, a MEF conta segredos sobre o modo como os animais são tratados. Pois é … têm razão. EU NÃO SEI que alimentação é que dão aos touros; não sei se a comida para monogástricos (suínos) não pode ser dada aos poligástricos (touros); não sei o que lhe fazem para serem mais ou menos bravos na arena.

 

NÃO SEI NADA DO QUE SE PASSA NUMA GANADARIA.

Não sei se lhe põem Sonasol nos olhos e alhos no recto para provocar estados febris … Se substituirmos o Sonasol e os alhos por outras coisas, até pode ser que não fique muito longe da realidade.

 

Pois é … eu não sei. As imagens que às vezes se vêem de uma ganadaria, com os animais à solta, pachorrentos, algumas vezes a comer directamente da mão de pessoas é uma imagem muito bonita, sem dúvida alguma. COMO NÃO SEI, interrogo-me o que acontecerá ao pobre do bicho para se tornar no touro bravo que se vê nas touradas.

 

Não sei que experiências fazem a nível de cruzamentos de animais na busca da melhor raça: isto do apuramento de raças cheira-me a algo pouco ético, sem falar nas inevitáveis consequências para os animais documentadas pelos especialistas; não sei a que tortura serão os animais sujeitos para “aprender” a ser bravos.

 

Mas sei que nem todos “aprendem” bem, como foi o caso do animal que por duas vezes tentou fugir da arena na Moita, a propósito da tourada a favor do forcado Nuno Carvalho (claro!!! porque os “bons”, aqueles que são mesmo bravos não se dão para espectáculos de solidariedade).

 

NÃO SEI NADA DE COMO SE “FAZ” UM TOURO DE LIDE.

 

SÓ SEI AQUILO QUE SE PODE VER NAS TOURADAS

Obs. à foto: Já sei que é uma foto de uma tourada fora de Portugal. Posso saber pouco de touradas, mas ainda sei que por cá não se matam ou touros na arena.

 

Agora dos não sei quantos milhões (??) de aficionados que existem em Portugal (segundo foto na página do facebook da Prótoiro) quantos saberão o que se passa REALMENTE fora das arenas? Dos que eu conheço lá no Alentejo há aqueles que apenas conhecem o caminho da tasca para os Capuchos (Vila Viçosa, para os distraídos). Não são todos assim, é verdade. Há aqueles que são apenas pessoas equivocadas na vida.

 

Voltando ao grupo de aficionados (MEF), depois do sonasol e dos alhos já não vi mais nada. A história das ameaças e dos pneus furados e de tudo o resto foi durante o fim-de-semana e eu não tenho internet em casa (é a crise!). Só vi na 2ªfeira e tenho que ser sincera Isabel. Foi um choque! Senti-me completamente ultrapassada pelos acontecimentos, até porque tinha sido bloqueada na página do facebook do Fórum Prós e Contras Touradas, administrada pelos senhores Paulo Ramires e António Garcez, por ter colocado precisamente o link deste testemunho.

 

Agora não há quem os cale, porque, segundo eles, “nos fizeram de parvos”. E vangloriam-se disso. Que pessoas são essas que acham que “ganharam” alguma coisa devido a um episódio infantil numa página do facebook …??!!

 

Mas apesar de tudo, isto foi mau, Isabel. Muito mau mesmo. O que pensar de actos destes cometidos pelos aficionados? Pensarão eles que esta atitude justifica alguma coisa na actividade bárbara que é a tourada? Esta atitude não é reveladora de pessoas credíveis que, à falta de argumentos sérios, discutidos numa conversa séria, se escondem atrás de perfis falsos e enganam deliberadamente PESSOAS VERDADEIRAS, que dão a cara pela sua causa.

 

Uma coisa EU tenho aprendido ao longo da minha vida Isabel: quando começamos a enveredar por caminhos mesquinhos e a apresentar atitudes cobardes como esta foi é sinal de um grande desnorte e desespero. Pessoas A SÉRIO não se escondem detrás de uma máscara. Considero, ao contrário do que eles pensam, que a seu tempo quem vai ficar mais mal visto nesta história são os defensores das touradas. E a Prótoiro deu, oficialmente, coberto a esta situação. Precisaram de se colocar atrás de um boneco e descer tanto, mas tanto …

 

Hoje cá estamos. Amanhã cá estaremos. Como se costuma dizer: O QUE NÃO NOS MATA, DEIXA-NOS MAIS FORTES!

 

De mim, eles (MEF) poderão dizer o que quiserem. Poderão brincar, gozar, ameaçar … Não faz mal, Isabel. Poderão acusar-me de ingénua, estão no seu direito. Na verdade, não estava de todo preparada para um ataque deste tipo. Não estava preparada para ser um alvo deste tipo de mentes distorcidas que estes aficionados (MEF) demonstraram ter.

 

APRENDI Isabel. Aprendi que há AFICIONADOS que têm o coração tão fora do peito que para eles tudo vale.

 

A luta que tantas pessoas levam contra esta actividade tenebrosa que é a tourada não sofreu nem uma beliscadura com este episódio. Será que este grupo acredita que algo mudou nas crenças de cada um de nós?

 

Sou uma pessoa simples, Isabel, sem qualquer pretensão de marcar a diferença, contudo tenho a certeza de que as mentalidades estão a mudar. E foi dado mais um passo nesse sentido. Quando o êxtase em que os aficionados ficaram com esta história se evaporar vão perceber que tudo isto não passou de um fait-divers numa rede social para esconder lutas verdadeiras que se travam em outros sítios.»

 

***

 

Graziela Dimas, o importante nisto tudo, foi DESMASCARAR os engrácios da prótoiro. Caíram na armadilha que eles próprios armadilharam, e nem sequer se deram conta disso.

 

Agora riem-se, coitados, depois de terem feito figura de parvos. Ainda não encaixaram que foram gozados.

 

Os anti-tourada não saíram nem um pouco beliscados desta história sórdida e macabra. Afinal eles são especialistas na sordidez e na macabrice, e ficaram muito mal na fotografia.

 

E eu apenas fiz o que sempre fiz, quando queria tirar nabos da púcara ou desmascarar um dinossauro disfarçado de cordeiro, no exercício da minha profissão de jornalismo.

 

E as histórias que a Engrácia contou, não estão longe da verdade. Tudo aquilo acontece, com mais ou menos sonasol ou outros produtos químicos, ou mais ou menos alhos ou bugalhos, e violência contra as mulheres e maus tratos aos bezerros e touros, e marosquices quanto a dinheiros.

 

Todos sabemos disso.

 

Eles não inventaram nada a não ser o que disseram da nobre família Palha, essa sim, ficou aqui enxovalhada pelos engrácios da prótoiro, mas o problema será apenas deles.

 

Por isso, Graziela, não se sinta defraudada.

Sinta-se como alguém que ajudou a desmascarar uns putos a brincar aos paspalhões.

 

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 19:42

link do post | Comentar | Ver comentários (6) | Adicionar aos favoritos

Mais sobre mim

Pesquisar neste blog

 

Fevereiro 2021

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
11
14
15
18
20
25
26
28

Posts recentes

A PROPÓSITO DA MARIA ENGR...

Arquivos

Fevereiro 2021

Janeiro 2021

Dezembro 2020

Novembro 2020

Outubro 2020

Setembro 2020

Agosto 2020

Julho 2020

Junho 2020

Maio 2020

Abril 2020

Março 2020

Fevereiro 2020

Janeiro 2020

Dezembro 2019

Novembro 2019

Outubro 2019

Setembro 2019

Agosto 2019

Julho 2019

Junho 2019

Maio 2019

Abril 2019

Março 2019

Fevereiro 2019

Janeiro 2019

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Agosto 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Direitos

© Todos os direitos reservados Os textos publicados neste blogue têm © A autora agradece a todos os que os divulgarem que indiquem, por favor, a fonte e os links dos mesmos. Obrigada.
RSS

Acordo Ortográfico

Em defesa da Língua Portuguesa, a autora deste Blogue não adopta o Acordo Ortográfico de 1990, devido a este ser inconstitucional, linguisticamente inconsistente, estruturalmente incongruente, para além de, comprovadamente, ser causa de uma crescente e perniciosa iliteracia em publicações oficiais e privadas, nas escolas, nos órgãos de comunicação social, na população em geral, e por estar a criar uma geração de analfabetos escolarizados e funcionais.

Comentários

Este Blogue aceita comentários de todas as pessoas, e os comentários serão publicados desde que seja claro que a pessoa que comentou interpretou correctamente o conteúdo da publicação. Serão eliminados os comentários que contenham linguagem ordinária e insultos, ou de conteúdo racista e xenófobo. Em resumo: comente com educação, atendendo ao conteúdo da publicação, para que o seu comentário seja mantido.

Contacto

isabelferreira@net.sapo.pt