Segunda-feira, 3 de Junho de 2019

FALEM MAL DO PAN, MAS FALEM DO PAN!

 

Anda por aí uma onda de medrosos a falar mal do PAN, nas televisões, nos jornais...

É óptimo que o PAN esteja a dar tanto que falar. É sinal de que está no caminho certo: incomoda e agita as consciências amodorradas.

Tanta gente com medo do PAN! A isso chama-se ser poderoso! Têm medo de quê e porquê?

E eles, os que falam mal do PAN, nem se apercebem disso.

 

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A propósito, deixem-me que vos conte algo:

 

À conta de eu, pela primeira vez, ter apelado ao voto de um Partido Político, o PAN, este meu Blogue perdeu dois seguidores. Mas o que me interessa é a elevada audiência de novos e velhos visitantes e a divulgação das mensagens por 140 países, de todos os continentes. Por isso, parafraseando o Ricardo Araújo Pereira, apetece-me dizer que isto é gente que não sabe estar, em Democracia, e gente assim, não me interessa e só vem dar razão à razão por que, nestas eleições, decidi dar a cara por um Partido, do qual sou simpatizante (não posso?), se bem que com algumas reservas, porque nem tudo no PAN me agrada, e eles sabem disso. É preciso um pouco mais de coerência.

 

E por que fiz isto? Não tenho de dar satisfações das minhas atitudes a ninguém, mas talvez seja bom dizer que eu, como cidadã portuguesa, dotada de um forte sentido de dever cívico, pela primeira vez, senti-me na obrigação de sugerir que é preciso deixar entrar uma lufada de ar fresco no actual mofoso Sistema político, onde sempre os mesmos dizem e fazem as mesmas coisas, e o nosso País não avança, e, em alguns aspectos retrocedeu a olhos vistos.

 

Aliás, o nosso País está na cauda da Europa em quase tudo, e isto significa que algo vai mal na República de Portugal.

 

É preciso que outras vozes sejam ouvidas. É preciso OUSAR, e logo veremos o que acontece.

 

Os partidos políticos, que até agora estiveram no poleiro, incluindo a “geringonça”, que usurpou o Poder, pois, bem ou mal, não foi o PS que ganhou as últimas eleições legislativas, e o Bloco de Esquerda e o PCP acolitaram essa usurpação (isto não é uma atitude democrática) já mostraram o que valem, e o que valem está cotado muito por baixo.

 

É preciso MUDAR alguma coisa no Sistema, constituído por vários sistemas caducos que impregnam a (pseudo) democracia portuguesa de uma viscosidade inaceitável, e o PAN, a meu ver (não posso?) é um dos partidos que podem trazer algo de novo ao Sistema e fazer alguma diferença, porque é preciso AVANÇAR para algures, porque nós estamos estagnados.

 

Mas, a ver vamos, porque o Poder tem muito poder, e nem todos os que chegam ao Poder têm capacidade para não se deixarem enredar nas manhas e artimanhas desse Poder, que lhes acena com requebrados e piscar de olhos, à moda de uma odalisca, e não resistem a tanta sedução.

 

A ver vamos o que faz o PAN, que chegou para vencer.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:40

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Segunda-feira, 27 de Maio de 2019

VENCEDORES E DERROTADOS DAS ELEIÇÕES EUROPEIAS

 

Uma análise centralizada no essencial do que se passou nestas Eleições Europeias.

Enquanto na restante Europa o Povo saiu à rua e foi votar, Portugal, uma vez mais, ficou na cauda da Europa, e decidiu-se pela abstenção, uma das mais altas, no espaço europeu.

Alguma coisa vai mal nesta "democracia", em Portugal.

 

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O Povo mostrou um cartão vermelho aos partidos políticos que andaram a brincar às campanhazinhas, e não lhe passaram uma mensagem objectiva, e, por isso, não foi votar.

 

Os apoiantes dos partidos vencedores, PAN (Pessoas - Animais - Natureza) e Bloco de Esquerda, foram votar, porque é assim que se vive em Democracia.

 

André Silva (PAN) disse, e muito bem, que «a elevada abstenção representa uma derrota da Democracia». E que derrota! Até porque a democracia portuguesa é uma falácia.

 

O Povo está farto do mais do mesmo, das mentiras e de campanhas eleitorais cheias de nada.

 

Os que passaram a mensagem venceram. Os outros perderam. E o Partido Socialista, valeu-se da gente dele.

 

A surpresa (pela negativa) foi a CDU, cujo candidato, João Ferreira, até se portou muito bem durante a campanha, passou a sua mensagem com rectidão, mas seria penalizado devido à "geringonça"? Os apoiantes do PCP não foram nesta cantiga, e decidiram não votar. Eu também não votaria.

 

A outra grande surpresa (pela positiva) que não foi assim tão surpresa (havia indicadores bem concretos de que tal poderia acontecer) foi a ascensão do PAN, que tem vindo a subir vertiginosamente, desde as últimas eleições legislativas, e a tendência é para continuar a subir, porque tem um discurso directo, avançado e global, porque nem só de dinheiro no bolso vive a Humanidade.

 

O Bloco de Esquerda beneficiou do não-voto da CDU e ultrapassou-a, e foi a terceira força política mais votada. Nenhum bloquista ficou em casa.

 

Em relação ao PSD e CDS/PP, os grandes derrotados, não surpreenderam. Fizeram uma campanha fraquinha, fraquinha, portaram-se mal no caso dos professores (deixassem o Costa demitir-se), e os seus apoiantes decidiram mostrar-lhes o cartão vermelho, não indo votar.

 

Quanto ao PS, foi mais do mesmo, e a vitória do PS significa apenas isso mesmo: mais do mesmo. E nada mais, até porque estiveram muito mal durante todo este mandato. Em relação às europeias de 2014, o PS, desta vez, subiu ligeiramente, e conseguiu meter mais um deputado, beneficiando do revés da CDU e do PSD. Ontem, os socialistas não foram à praia…

 

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Origem da imagem: https://www.rtp.pt/programa/tv/p37299

 

E agora?

 

Agora vamos esperar para ver o que acontece no Parlamento Europeu. Porque em Portugal, as próximas eleições legislativas trarão ainda maiores surpresas.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:28

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Quinta-feira, 23 de Maio de 2019

ELEIÇÕES EUROPEIAS: A ALTERNATIVA AO CAÓTICO “STATU QUO” PORTUGUÊS É O PAN (PESSOAS - ANIMAIS – NATUREZA)

 

Existe uma alternativa aos partidos que se juntam na Assembleia da República, para legitimarem a crueldade, a violência e o atraso civilizacional em que Portugal ainda está mergulhado.

Portugal, em quase todos os aspectos, está na cauda da Europa.

No domingo, dia 26 de Maio, votem PAN, um partido que tem uma visão de futuro e ideias para fazer evoluir Portugal na Europa e no mundo.

Lembrem-se de que a abstenção, os votos brancos e nulos só dão razão a quem NÃO a tem.

 

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DECLARAÇÃO DO MEU VOTO NO PAN:

 

Uma vez que recebi este comentário do Lápis Roído, que me considera intelectualmente desonesta, por ter expressado uma opinião, a resposta que lhe dou é a minha declaração de voto no PAN, sendo esta a primeira vez que, publicamente, apelo ao voto num partido político, porque TODOS os outros, com assento na Assembleia da República, me DESILUDIRAM profundamente; e os partidos pequenos nada trazem de novo:

 

Lápis Roído comentou o post ELEIÇÕES EUROPEIAS: A ALTERNATIVA AO CAÓTICO “STATU QUO” PORTUGUÊS É O PAN (PESSOAS - ANIMAIS – NATUREZA) às 12:55, 24/05/2019 :

Por favor, Isabel. Não me faça perder o respeito que tenho por si. Desonestidade intelectual para com quem a segue, não. Ainda os fundadores do PAN não sabiam de que forma se montava o sistema político nacional e já havia forças partidárias a fazer a defesa dos direitos dos animais e do ambiente há muito tempo. É evidente que sabe que o Bloco traz inscrita a defesa do eco-socialismo na sua fundação e o exercício que aqui está a fazer é o de faltar à verdade. Mais desonesta se torna com a junção de todos os partidos que têm representação parlamentar no mesmo saco. O PAN não pega sozinho na bandeira da defesa de um planeta sustentável, ao contrário do que aqui quer demonstrar. Tem todo o direito em fazer propaganda pelo partido que entende, mas não o faça com falsidades, por favor. Estamos no último dia da campanha, mas não vale tudo.

 

Lápis Roído, agradeço o seu comentário, porque me permite esclarecer o que, com certeza, não ficou claro no meu texto.

 

A desonestidade intelectual NÃO ESTÁ EM MIM, que sou livre de expressar o que penso sobre o PS, PSD, CDS/PP e PCP quando se juntam para favorecer o lobby tauromáquico; e o que penso sobre o Bloco de Esquerda e o PEV que, apesar de defenderem os direitos dos animais e do ambiente há muito tempo, (e eu já VOTEI neles) o BE aliou-se ao PS troglodita e corrupto, para formar governo; e o PEV alia-se ao PCP troglodita em coligação, e isto é algo com que NÃO ALINHO. Não posso?

 

Na verdade, para se estar no PODER, NÃO VALE TUDO. Mas no caso do BE e do PEV valeu, até nas várias abstenções de uns e outros, em questões tauromáquicas e ambientais, que me deixaram de boca aberta.

 

Já vi o PAN a votar sozinho CONTRA aquilo que o BE e o PEV dizem defender, mas não defenderam. Abstiveram-se. Ou se É ou NÃO SE É. Dar uma no cravo, outra na ferradura, não é coisa que me agrade nos partidos políticos. Por isso, meto-os todos no mesmo saco, porque NÃO há COERÊNCIA entre o que dizem e o que fazem.



EU, como bloquista ou "Verde", jamais faria alianças com partidos que SERVEM LOBBIES. E foi isso que me desiludiu no BE e no PEV.

 

Dito isto, Lápis Roído, penso que se alguém aqui é intelectualmente desonesto NÃO SOU EU.

 

ESTOU MUITO DESILUDIDA COM QUEM JÁ COLABOREI.

SE o PAN algum dia me desiludir, terá o mesmo destino no saco dos que praticam o VALE TUDO na política.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:12

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Segunda-feira, 20 de Maio de 2019

ESTA CAMPANHA ELEITORAL, A MAIS POBREZINHA DE SEMPRE, ESTÁ EM VIAS DE FAZER COM QUE A ABSTENÇÃO GANHE AS ELEIÇÕES EUROPEIAS

 

Apenas através do voto podemos mudar o rumo da Europa.

A abstenção, votos brancos e votos nulos dão razão a quem não a tem.

Por isso VOTEM! Não deixem na mão dos outros o que querem para o vosso futuro.

Mas votem com consciência, penalizando os que nada têm feito pela Europa e muito menos por Portugal.

 

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Apenas quem anda desatento, ou virado para o seu próprio umbigo, ou a assobiar para o lado, ou protegido por uma redoma de vidros esfumados, ou é narcisista nato, ou cego mental, não vê, ou não quer saber do que se passa ao seu redor, a não ser que diga respeito ao futebol, claro.

 

Portugal está confinado a três lados.

 

De um lado estão uma enfiada de corruptos de colarinho branco, que pululam por aí como parasitas, subservientes, ocupando os mais altos cargos administrativos estatais ou a eles ligados, e na governação central e autárquica; ladrões e vigaristas e doutores e engenheiros que compram diplomas; testas de ferro a fingir que são deputados da Nação; os lobistas, os mascarados, os ignorantes optativos portadores do vírus da estupidez, que andam por aí, quais bobos alegres, a tentar enganar um povo desprovido de juízo crítico, que aceita tudo o que lhe impingem, com a ingenuidade dos recém-nascidos.

 

Ao meio está a massa amorfa, de um povo semianalfabeto, a arrastar-se por lugarejos, onde a civilização ainda não chegou, vivendo agarrado a “tradições” medievalescas, profundamente primitivas, situação que o Estado mantém protegida, porque um povo amorfo, amansado, ignorante não levanta ondas, sendo mais fácil de manipular.

 

Do outro lado estão aqueles que vão dando luta ao Poder, que são a pedras nos sapatos dos poderosos, que, no entanto, estão-se nas tintas para o juízo crítico que deles fazem. De tal modo estão agarrados ao “poder” e às vantagens e proveitos que daí retiram que viram as costas à honra, à dignidade, à honestidade, ao bom nome, à vergonha que deviam ter na cara, tudo o que eleva a espécie Homo, à categoria de Sapiens, e deixam-se arrastar pelo chão, reduzindo-se à expressão mais baixa da condição humana.

 

Entre todos estes mortos-vivos e feridos pela ignorância optativa, existe um Portugal para inglês ver: o Portugal da gastronomia gourmet, muito na moda, e da outra, farta e de engorda; das paisagens vinhateiras, das praias algarvias, do turismo de luxo, enfim, nada contra tudo isto, se tudo isto não fosse apenas para inglês ver.

 

Portugal é um país territorialmente pequeno, mas com uma alma que já foi grande e agora está a definhar, porque o que é estrangeiro é que é moderno, ainda que seja um lixo. E essa alma grande só não se mantém porque os políticos (salvo raríssimas excepções) praticam políticas baixas, rastejam ao menor aceno que venha de fora.

 

E andamos nós aqui a gastar a nossa Língua Portuguesa, na sua versão indo-europeia, dirigindo mensagens a blocos de cimento armado, onde não entra nem um fio de teia de aranha, quando mais ideias para fazer avançar Portugal!


O que se passa em Portugal, no que respeita à política, não se derruba com palavras, mas com atitudes, e com a arma do voto. O pior, é que Portugal é um país pequeno, mas cheio de cobardes e não-pensantes e alienados.

 

Governa-se o país como se os Portugueses fossem umas marionetas, pior do que isso, umas marionetas muito estúpidas.

 

António Costa diz que o país está melhor. O País não está melhor. O país engordou e a gordura não é saudável.

 

Roubo das armas em Tancos, incêndios com muitas mortes, pedreira de Borba, corrupção ao mais alto nível em quase todos os organismos públicos, a Língua feita em farrapos, o ensino de rastos, a roubalheira na banca, que querem mais para avaliar a governação?

 

A morte de mães e filhos no parto aumentou, a mortalidade infantil também aumentou em Portugal é isto é um indicador de um subdesenvolvimento ainda a latejar em Portugal.

 

A violência doméstica tem merecido penas de passarinho. A Convenção de Istambul falha estrondosamente.


Tudo isto e muito mais.

 

Andam por aí a vender Portugal aos turistas como um paraíso, mas peçam-lhes que espreitem debaixo dos tapetes…

 

Eu vou votar. Votarei no partido que tem visão de futuro, não serve lobbies, não está agarrado ao passado, nem anda no mundo só por ver andar os outros.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:03

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Quinta-feira, 2 de Maio de 2019

«O PORTUGUÊS BRASILEIRO PRECISA DE SER RECONHECIDO COMO UMA NOVA LÍNGUA»

 

Quem o afirma é o professor universitário, jornalista e escritor brasileiro Nelson Valente, num artigo publicado no Diário do Poder, sob o título «Acordo Ortográfico: Fracasso linguístico», que aqui transcrevo.

 

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O texto está escrito segundo a grafia brasileira, preconizada pelo Formulário Ortográfico de 1943, um conjunto de instruções estabelecido pela Academia Brasileira de Letras, para a organização do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa do mesmo ano. O texto do Formulário Ortográfico de 1943 é composto por duas partes: uma Introdução com 12 artigos que aclara os princípios de fixação para a grafia do português brasileiro; e as Bases do Formulário (17). Ora, a Base IV (a que mais interessa a Portugal) diz o seguinte: consoantes mudas - extinção completa de quaisquer consoantes que não se proferissem, ressalvadas as palavras que tivessem variantes com letras pronunciadas ou não.

 

Qualquer semelhança com a grafia que governo português impôs nas escolas portuguesas, a alunos portugueses, não é mera coincidência, é intencional.

 

(O sublinhado no texto do Professor Nelson Valente, é da minha responsabilidade, para que fique claro que essas palavras não fazem parte da Língua Portuguesa, e são exclusivas do português brasileiro, que o professor considera que deve ser reconhecido como uma nova língua, algo com que estou completamente de acordo, pelos motivos mais óbvios, bem como os excertos a negrito, para destacar o que me parece ser passível de ser destacável).

 

«ACORDO ORTOGRÁFICO: FRACASSO LINGUÍSTICO»

 

 Por Nelson Valente

 

«O Acordo termina com cem anos de guerra linguística entre Brasil e Portugal?

 

O português é a língua oficial em nove países da Europa, América, África e Ásia. A dispersão favorece as diferenças linguísticas. Éramos a única língua com duas ortografias diferentes oficiais.

 

De acordo com o Ministério da Educação, entre 2008 e 2012 foram gastos mais de 2,2 bilhões de reais para atualização de obras didáticas.

 

Quando o acordo foi assinado em 1990, os jornais portugueses se comprometeram a não aplicá-lo. Hoje só o jornal Público mantém a promessa. Que acordo é esse? O português brasileiro precisa ser reconhecido como uma nova língua. E isso é uma decisão política.

 

A Comissão de Educação da Câmara dos Deputados do Brasil aprovou um requerimento para “realização de Audiência Pública a fim de discutir a revogação do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.” O requerimento, aprovado no dia 25 de Abril, foi apresentado pelo deputado Jaziel Pereira de Sousa e ali subscrito pela deputada Paula Belmonte. Não dá para impor uma língua de uma hora para outra a um povo. O padrão da língua no Brasil deve ser a língua falada pela maioria da população brasileira contemporânea, que é o português brasileiro. Acordo Ortográfico: “aberrações”, “arbitrariedades”, “caos” e “fracasso linguístico”.

 

Um manifesto dos “Cidadãos em Portugal contra o ‘Acordo Ortográfico’ de 1990”, que é hoje revelado, afirma que este novo modelo de escrita abriu “uma caixa de Pandora”, criou “um monstro” e “não uniu, não unificou, não simplificou” o uso da língua.

 

O Acordo é um ato lesivo a nosso patrimônio cultural e o Estado não deve regulamentar a ortografia de um povo. A língua é uma força biológica: não se pode modificá-la com uma decisão política. Pode-se, quando muito, influenciar o uso. É uma função dos jornalistas, escritores e da mídia. Um bom uso mostra-se pela flexibilidade com que as palavras são aceitas. A língua é feita pelos povos, e não pelos Governos; mas está claro que, a ortografia, é mais de academias.

 

Qual era a necessidade de unificar? Entendemo-nos perfeitamente, não há problema algum. Deveriam respeitar o português daqui e o do Brasil. O Acordo só dificulta o ensino com seu contexto arbitrário e suas muitas opções facultativas. Não sou contra; sou a favor da revisão do Acordo. Se fizer uma mudança radical da ortografia, estará condenando um material histórico à obsolescência em uma geração.

 

Enquanto mudanças na ortografia derrubam acentos e confundem o sentido das palavras, antigas regras viram bloco de carnaval no Brasil. Enquanto as regras e contradições são discutidas e a nova norma não é obrigatória, as regras gramaticais viram alvo de brincadeira. Enquanto mudanças na ortografia derrubam acentos e confundem o sentido das palavras, antigas regras viram bloco de carnaval no Brasil. A situação atual é de um verdadeiro caos ortográfico.

 

“Saudade” não é exclusividade da língua portuguesa. A palavra “saudade” não é particularidade da língua portuguesa, ao contrário do mito que existe desde o século XVI. Na forma ou no sentido, há correspondentes em outros idiomas.

 

Porque derivada do latim, variantes da palavra existem em outras línguas românicas. O espanhol tem soledad. (*) O catalão soledat. O sentido, no entanto, não é o do português, está mais próximo da “nostalgia de casa”, a vontade de voltar ao lar.

 

A originalidade portuguesa foi a ampliação do termo a situações que não a solidão sentida pela falta do lar: “saudade” é a dor de uma ausência que temos prazer em sentir. Mas mesmo no campo semântico há correspondências. Por exemplo, no romeno, mas em outra palavra: dor (diz-se “durere”). É um sentimento que existe também em árabe, na expressão alistiyáqu ‘ilal watani. O árabe pode, até, ter colaborado para a forma e o sentido do nossa “saudade”, tanto quanto o latim.

 

O que ocorre com o dito Novo Acordo Ortográfico é que na verdade Portugal “colonizador” quer colonizar a língua portuguesa. (**) Veja o exemplo: A antiga Iugoslávia se fragmentou em seis pequenos países e a língua que, então era considerada uma só, o servo-croata, agora se chama bósnio, croata, sérvio, montenegrino… Mas, para esses nomes aparecerem, ocorreu uma guerra horrorosa, com muitas mortes, uma coisa terrível.

 

Nos Bálcãs, os sérvios e os croatas entendem-se. No passado, os que se revoltavam mais ferozmente contra o colonizador haviam estudado na metrópole. Pode-se massacrar uma população conhecendo-se perfeitamente sua língua e sua cultura.

 

A miscigenação no Brasil foi muito mais intensa e, evidentemente, a miscigenação linguística também. O português foi língua minoritária no Brasil durante todo o período colonial. Falava-se como língua geral o tupi e nossa população, até a época da Independência, era 75% mestiça.

 

Com os professores brasileiros nas condições em que estão – mal pagos, mal formados, essa mudança pode gerar alguma dificuldade de adaptação.

 

Este acordo é sobretudo político, fazendo com que os aspectos linguísticos, que deveriam estar à frente das preocupações dos redatores do acordo, quer em Portugal quer no Brasil, tivessem sido ou insuficientemente amadurecidos, ou demasiadamente sujeitos à lógica do acordo, o que implicou cedências, uma uniformização, mas não uma unificação. Não há uma norma absolutamente comum, não poderia haver.

 

Tudo o que tenho lido e ouvido sobre o Acordo Ortográfico revela quase sempre posições extremas, a favor ou, mais frequentemente, contra. É claro que todos têm o direito de se sentirem lesados com estas mudanças, afinal aprenderam a ler e a escrever as palavras da sua língua de uma determinada maneira, e essa maneira de escrever, que se tornou automática, é agora alterada. (***)

 

A ortografia, ou forma correta de escrever, é um esforço para encontrar uma norma, o menos ambígua possível, de registar graficamente os sons da fala; como tal, implica convencionalidade e até um certo grau de arbitrariedade.

 

Não é preciso que se escreva exatamente igual para que haja entendimento mútuo e não é porque se estabeleceu uma regra comum que se falará perfeitamente igual em todos os países. Do ponto de vista político, essa é uma má política linguística. É importante respeitar as diferenças no modo como as pessoas falam.

 

Um aluno do interior perguntou-me se deveríamos condenar a linguagem popular, “pois esse pessoal fala de forma inadequada”. Fo necessário esclarecer a diferença entre linguagem popular e regionalismos. Primeiro, as expressões, apesar de inovadoras, podem vir a figurar em dicionários e vocabulários de transmissão da norma culta ou padrão, sem nenhuma dificuldade. Os regionalismos são sempre aceitos.

 

Em segundo lugar, temos a questão controvertida da chamada popular. O filólogo Antonio Houaiss (in memorian) chegou a popularizar o verbete “mengo”, diminutivo do clube mais popular do Brasil. Mas, ele jamais aceitaria adotar a palavra “probrema” ou “areoporto” – e dar-lhes o status de uma expressão legítima do português contemporâneo.

 

Vê-se, pois, que há uma abissal diferença entre linguagem popular e regionalismos.

 

A prosódia, que é a forma de dizer a palavra, tem total liberdade, não se devendo exigir que um gaúcho fale com a mesma pronúncia do que um paranaense.

 

O que, em virtude do Acordo de Unificação da Língua Portuguesa, que é eminentemente ortográfico, passemos a impor a Portugal ou Angola, por exemplo, o nosso gostoso e incomparável sotaque. (****)

 

Cada povo que cuide das suas peculiaridades prosódicas. Mas escrever de uma forma é medida de inteligência e simplificação, que já vem tarde.

 

Nelson Valente

Fonte:

https://diariodopoder.com.br/acordo-ortografico-fracasso-linguistico/?fbclid=IwAR3P4nxwRyLW0koQU5RDazEsNryRtS2kijBZPJhLg7qRksG0llyGNBTbkgo

 

***

Notas:

(*) Se o Professor Nelson Valente me permite, as palavras “soledad” e “soledat” significam mais “solidão” do que saudade. No Diccionario Cúspide de la Lengua Española lê-se: Soledad 1. Carencia de compañía. 2. Lugar desierto o tierra no habitada. 3. Pesar que se siente por la ausencia, muerte o pérdida de alguna persona o cosa (no sentido de consternação); 4. Tonada andaluza de carácter melancólico; 5. Copla que se canta y danza que se baila con esta música, o que não corresponderá exactamente à nossa saudade, aquele sentimento indizível. Podemos sentir saudade sem solidão. Estarmos melancólicos ou pesarosos sem sentir saudade.

 

(**) O que se passou foi que Antônio Houaiss chamou Portugal para uma aventura ortográfica, em que a sílaba tónica era introduzir a grafia brasileira em Portugal, com a ilusão de unificar o que jamais seria impossível de unificar, entre outras razões Houaiss não fez mais do que puxar a brasa para a sardinha do Brasil. E Portugal não fez mais do que deixar a brasa pender para o lado brasileiro. Não chamarei a isto uma pretensão de Portugal “colonizador” colonizar a Língua Portuguesa. Direi antes que é uma patetice de Portugal deixar-se colonizar pela língua brasileira. Não será?

 

(***) Aqui peço desculpa, mas as coisas não podem ser vistas deste modo. Todos, particularmente os Portugueses, os mais prejudicados com este acordo, temos o direito de nos sentirmos lesados pelas substanciais mudanças na grafia portuguesa (os Brasileiros ativeram-se apenas aos acentos e à hifenização, todos os outros implica a supressão de consoantes mudas) não porque aprendemos a ler e a escrever as palavras da nossa Língua de uma determinada maneira, que se tornou automática, e é agora alterada, mas fundamentalmente porque a Língua Portuguesa foi abrasileirada (refiro-me à supressão das consoantes mudas) o que afastou o Português da sua matriz greco-latina, da sua família Indo-Europeia; desaportuguesou-se a Língua Portuguesa, e tornaram-na abrasileirada. Por que se fosse apenas a questão do aprender, não seria uma questão, porque os seres humanos ou são dotados da capacidade de aprendizagem ou não são. Se são conseguem aprender e desaprender com a maior facilidade. Se não conseguem não saem da cepa torta.

 

Eu aprendi a ler e a escrever no Brasil, com a grafia de 1943, e nas minhas vindas para Portugal e idas para o Brasil, na infância, adolescência e juventude, ora escrevia à brasileira, ora escrevia à portuguesa, e isso nunca foi impedimento para seguir os meus estudos com notas razoáveis. Domino o que chamo a Língua Brasileira tão bem quanto domino a Língua Portuguesa, porque quer queiramos quer não, existem substanciais diferenças entre uma e outra, na fonética, na sintaxe, no léxico, na construção frásica.

 

(****) Devo dizer que também considero gostoso o sotaque brasileiro, inconfundível em todo o mundo, tão inconfundível que ninguém diz que estão a falar português, mas dizem que estão a falar brasileiro. Por isso, Professor Nelson Valente, também penso que o Português Brasileiro deve ser reconhecido como uma nova língua: a brasileira, oriunda do Português, tal como o Português é oriundo do Latim. A evolução das Línguas passa por esta metamorfose, não por unificações impraticáveis.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:30

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Quarta-feira, 24 de Abril de 2019

EM 45 ANOS DESCONSTRUIU-SE O PAÍS QUE O “25 DE ABRIL” TENTOU CONSTRUIR

 

Os governantes pós-25 de Abril mataram a Revolução dos Cravos. Os sucessivos governos, desde então, sufocaram-na com as cordas da corrupção, das vigarices, da roubalheira, do desgoverno, das falsidades, do desleixo, de condutas terceiro-mundistas, de imposições ditatoriais.

E os cravos de Abril murcharam.

Portugal desconstruiu-se e hoje vive num caos, pendurado no abismo, por um fio de teia de aranha. É a chacota do mundo, que lhe finge amizade, por mero interesse, algo que a cegueira mental não permite vislumbrar.

É urgente uma mudança.

É urgente uma nova Revolução, desta vez, a sério. Sem cravos, sem armas, sem ilusões vãs.

É urgente uma Revolução inteligente, que devolva a Portugal a Dignidade e a Identidade perdidas.

Já não somos Portugal.

 

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Em 25 de Abril de 1947, um grupo de ousados Capitães, que já estão na História como os Capitães de Abril, abriram uma porta para um futuro que se esperava promissor, sem correntes, sem pides, sem o regime opressivo do Estado Novo, sem mentiras, sem qualquer vestígio do passado. Os Capitães de Abril abriram uma porta para as tão ansiadas Democracia e Liberdade.

 

Mas o Poder é uma célula cancerígena corrosiva, que ataca quem ambiciona o Poder apenas pelo Poder. E depressa a ilusão da Democracia e da Liberdade foi abafada pela ganância e pela incompetência dos que iam jurando, por uma honra que neles não habitava, cumprir a missão que lhes era confiada.

 

E Portugal, que se abriu para o futuro, em Abril de 1974, tem vindo a regredir a olhos vistos, e Abril ainda não se cumpriu.

 

O Povo que, por essa altura, estava unido e pensava que jamais seria vencido, foi sub-repticiamente sendo enganado e alienado pelas manobras de diversão que, entretanto, os governantes foram promovendo, com a ajuda de uma comunicação social servilista, até à alienação total.

 

Foi-se desenvolvendo a política do pão e circo, uma política que nasceu no Império Romano, e que consistia no modo como os imperadores romanos lidavam com o Povo, para mantê-lo subjugado à ordem estabelecida e conquistar o seu apoio. A designação panem et circenses, no original em Latim, tem origem na Sátira X de Juvenal, humorista e poeta romano que, no seu contexto original, criticava a falta de informação do povo romano, que não tinha qualquer interesse pelos assuntos políticos, e só se preocupava com o pão para a boca (hoje, dinheiro no bolso) e com o divertimento.

 

Os tempos são outros, mas a política romana mantém-se, e o Povo só sai às ruas por motivos ligados ao vil metal. Os bolsos mais ou menos cheios e o futebol, as novelas, os reality shows de má catadura, mantêm o Povo amansado, alienado, distante do que é essencial, cego aos jogos políticos que se jogam em São Bento, e nos vão afastando da evolução.

 

E com esta política, acolitada pelo mais poderoso veículo de comunicação social, a televisão, instalou-se de tal modo no País, que o Povo acabou por ser vencido, sem se dar conta, por um Poder fantasiado de uma “democracia”, que esconde uma prepotência pior do que a de Oliveira Salazar, porque esse, ao menos, fazia as coisas às claras, e sabíamos com que contar.

 

Sim, podemos dizer que muitas coisas mudaram, depois de 25 de Abril de 1974.

 

Por exemplo, podemos votar livremente e escolher quem queremos que nos desgoverne.

 

Porém, de que serve o voto livre, se a maioria dos votantes não faz a mínima ideia do que faz, porque não é esclarecida? O padre da freguesia diz na missa: votem naqueles, e eles votam naqueles, sem saberem que aqueles vão para o Governo gerir os interesses dos lobbies e não os interesses do Povo, os interesses do País. Por isso, Portugal é, hoje, o paraíso de povos de várias nacionalidades, que aqui se abancam, podem e mandam e têm mais privilégios do que os Portugueses, e os portuguesinhos aceitam isto passivamente, servilmente, humildemente, parvamente, achando que o que é estrangeiro é que é bom, é que é moderno, é que é bué fixe.

 

Para complicar ainda mais as coisas, o Zé Povinho é adepto dos partidos políticos, como se os partidos políticos fossem o clube de futebol dele, portanto, vota nas cores dos partidos da sua predilecção, ainda que os candidatos possam ser incompetentes, corruptos, mentirosos e vigaristas. Esta parte não interessa ao Povo.

 

E isto não tem nada a ver com Democracia, mas com cegueira mental, ignorância, alienação, seguidismo.

 

As Democracias só funcionam plenamente quando o Povo é maioritariamente esclarecido, informado, instruído, pensante, dotado de espírito crítico. E não estou a referir-me aos canudos, porque os canudos só dão conhecimento específico em determinadas matérias. Um analfabeto pode ser muito mais esclarecido e informado e instruído e pensante e dotado de espírito crítico do que muitos doutores, que por aí andam de gravata ao peito, sendo a gravata a sua única medalha de mérito.

 

Em Democracia, os governantes são meros serviçais do Povo, que lhes paga o salário chorudo que ganham, para (des)governarem o País.

 

Em Democracia, os governantes, sendo nossos serviçais, têm o dever de responder às questões que o Povo lhes coloca, por escrito ou oralmente. Ora acontece que os governantes remetem-se ao silêncio, desprezando os apelos do Povo. Ignorando o Povo. E este desprezo não faz parte da Democracia que, se for verdadeira, o Povo é que é o detentor do Poder.

 

Daí a pergunta: o 25 de Abril entregou-nos uma Democracia a sério?

 

Os cravos de Abril murcharam, e Portugal não avançou para o futuro. Está prisioneiro de políticas retrógradas e de políticos incompetentes, corruptos, vigaristas, sem honra e sem brio, numa vergonhosa subserviência aos estrangeiros.

 

O Portugal hodierno limita-se a Lisboa, Porto, (e vá lá) Coimbra e ao Algarve, onde quem manda são os estrangeiros. O resto é território terceiro-mundista, nomeadamente o interior do País, onde ainda se vive sem água encanada, sem electricidade, onde ainda se passa fome, na maior miséria. Ao abandono total.

 

Eis o que temos para celebrar na passagem dos 45 anos do 25 de Abril (que os servilistas grafam “25 de abril”):

 

- Um país, onde ainda se continua a viver em pobreza extrema, com crianças e idosos a passarem fome.

- Um país, que continua a ter a maior taxa de analfabetismo da Europa.

- Um país dos que menos gasta na Saúde, com um Serviço Nacional de Saúde caótico, onde falta quase tudo, e o aumento da Tuberculose diz do subdesenvolvimento, do retrocesso e da miséria que ainda persistem por aí.

- Um país que empurra para o estrangeiro os seus jovens mais habilitados: enfermeiros, médicos, engenheiros, investigadores, artistas.

- Um país com o terceiro pior crescimento económico da Europa.

-  Um país com a 3ª maior dívida pública da União Europeia.

- Um país cheio de desigualdades sociais, onde os ricos são cada vez mais ricos, e os pobres, cada vez mais pobres.

- Um país cheio de banqueiros e outros que tais ladrões.

- Um país cheio de berardos a jogar ao gato e ao rato com o dinheiro do Povo.

- Um país onde a Justiça ainda é extremamente cara, desigual, lenta e injusta.

- Um país que promove a violência contra animais não-humanos, o que por sua vez gera a violência contra os seres humanos.

- Um país com um elevado índice de violência doméstica.

- Um país com um elevadíssimo número de crianças e jovens em risco.

- Um país que atira crianças para arenas de tortura de animais, e permite que sejam iniciadas em práticas violentas e cruéis, roubando-lhes um desenvolvimento normal e saudável, o que constitui um crime de lesa-infância.

- Um país cheio de grupos e grupelhos de trabalho, de secretários, de secretários de secretários, de assessores, de secretários de assessores, de comissões, de subcomissões, que não servem absolutamente para nada, a não ser para ganharem salários descondizentes com os serviços que (não) prestam.

- Um país que descura a sua Flora e a sua Fauna, mantendo uma e outra ao abandono e à mercê de criminosos impuníveis.

- Um país que mantém as Forças de Segurança instaladas em edifícios a cairem de podres, e com falta de quase tudo.

- Um país onde ainda existem Escolas com instalações terceiro-mundistas, sem as mínimas condições para serem consideradas um lugar de aprendizagem.

- Um país onde as prisões são lugares de diversão, com direito a vídeos publicáveis no Facebook.

- Um país cheio de leis e leizinhas retrógradas, que não servem para nada, a não ser para servir lobbies dos mais hediondos, e proteger criminosos impuníveis.

- Um país que não promove a Cultura Culta, e para o qual apenas a cultura inculta conta, e é assegurada, contra tudo e contra todos.

- Um país, cujo Sistema de Ensino é dos mais caóticos, desde a implantação da República, com a agravante de estar a enganar-se as crianças com a obrigatoriedade da aprendizagem de uma ortografia que não é a portuguesa, a da Língua Materna delas, estando-se a incorrer num crime de lesa-infância.

- Um país, que tinha uma Língua Culta e Europeia, e hoje tem um arremedo de língua, uma inconcebível mixórdia ortográfica, imposta ditatorialmente por políticos ignorantes e servilistas, que estão a fabricar, conscientemente, os futuros analfabetos funcionais, e a promover a iliteracia. E já sou poucos os que escrevem correctamente. 

- Um país onde, parvamente, se começou a dizer “olá a todos e a todas”.

- Um país, com um presidente beijoqueiro e viciado em selfies, e um primeiro-ministro que não tem capacidade para ver o visível, muito menos o invisível, que qualquer cego, de nascença, vê à primeira vista.

- Um país, que em 2018 foi marcado por uma constante contestação social, com o número mais elevado de sempre de greves em todos os sectores da sociedade portuguesa, número que continua a aumentar no corrente ano.

- Enfim, um País que perdeu o rumo, e faz de conta que é um país.

 

Enquanto tudo isto (e muito mais, que agora não me ocorre) não sair da lista do que não se quer para um País de Primeiro Mundo, evoluído e civilizado, o que há para comemorar neste 25 de Abril?

 

Há o facto de eu poder escrever este texto, sem ir parar ao Campo de Concentração do Tarrafal, o campo da morte lenta, para onde os médicos iam assinar certidões de óbito e não curar, criado pelo Estado Novo, na ilha de Santiago, Cabo Verde, num lugar ironicamente chamado de Chão Bom, de muito má memória.

 

Isabel A. Ferreira

***

Para complementar este texto, leia-se este outro, da autoria de Manuel Damas, publicado no Facebook:

 

45 anos depois...

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=2332540223434593&set=a.133659383322699&type=3&theater

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 19:04

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Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2019

PORTUGAL EM CONTRA-CORRENTE EM RELAÇÃO AO QUE SE PASSA NA EUROPA QUANTO À DEFESA DOS IDIOMAS LOCAIS COMO AFIRMAÇÃO DE SOBERANIA

 

Um magnífico texto de António Vieira que aponta o atraso de vida que se vive em Portugal, e diz do abandono a que os actuais governantes estão a votar a Língua Portuguesa.

Uma vergonha.

Acordem, Portugueses!

Acordem, professores: eles não podem instaurar processos disciplinares a todos os que ousem rejeitar o ilegal AO90.

 

PORTUGAL EM FUGA.png

 

Texto de António Vieira

 

«Agora que a iniciativa ILCAO acabou de dar entrada na A.R.- e conforme se previa - o”plenário” (?) foi deliberadamente reduzido a umas escassas dezenas de deputados “carneiristicamente” alinhados com as ordens provenientes das direcções partidárias, a fim de não “agitar” muito nem “fazer ondas” em demasia, dado que a obediência cega, com reflexos possíveis na manutenção do “tacho” de deputado fala sempre mais alto, e porque precisamente por esse motivo, ainda mais se justifica o empenho na continuidade das “Operações Pelourinho”, algumas outras considerações ocorrem.

 

Em primeiro lugar, surge bem patente a comprovação de que a aberração “A”O 90 se acha em pleno contra-ciclo com as actuais tendências que se registam no Continente Europeu, que caminham no sentido da manutenção e reforço, até, das identidades linguísticas e culturais em alguns países.

 

Como exemplos e começando aqui ao lado, por Espanha, que conforme se sabe, é um mosaico de diversos países com idiomas regionais específicos: na Galiza, onde em tempos ainda não muito atrasados, o Castelhano se procurava impor ao dialecto local, a tendência parece ter-se invertido, a fazer fé pelo menos em alguns casos concretos: onde se lia em tempos idos, La Guardia (do outro lado do Rio Minho, em frente a Caminha), agora lê-se A Guarda, onde dantes se lia Orense (no Rio Límia) agora pode ler-se Ourense (no Rio Lima).

 

E se se analisar o mapa, outros casos do mesmo teor surgem, ou seja, o Povo Galego tem batalhado, e conseguido, afirmar a sua identidade linguística, impondo o seu dialecto próprio (de raíz galaico-duriense, de onde também derivou o nosso Português).

 

Quem atravessar a Espanha, a caminho de França, encontra o idioma Basco (Euskera) em todas as placas rodoviárias, a par da denominação “oficial” castelhana, quando entra nas Comunidades que enformam o País Basco (Vitória, Álava, Guipuzscoa); as palavras que ali se vêem são “intragáveis”, de certo que ninguém de fora as consegue entender (incluindo uma pequena faixa já em território francês) e poder-se-ia pôr a questão: será que os próprios habitantes locais o conseguem (?!);, aliás os peritos em Etimologia ainda não conseguiram identificar a família linguística de onde aquele idioma proveio, e repito, ninguém de fora conseguirá por certo ler aquela “algavariada”, só que, o idioma em questão…está lá! aquela afirmação de Identidade de um Povo …está lá!

 

Para não falar já do mais do que conhecido caso da Catalunha (e da Língua catalã), tão evidente se nos afigura, dentro do mesmo espectro de análise.

 

Outro caso, o da Irlanda: por motivos de carácter histórico, em que refulge o ódio visceral e histórico aos Ingleses, a tentativa de ressurgimento do Gaélico - que parece não ter conseguido vingar, apesar das tentativas encetadas nesse sentido - tem feito com que algumas designações oficiais que têm sido escritas oficial e tradicionalmente em Inglês, têm passado a ser redigidas naquele Idioma que, repete-se, não tem passado de uma iniciativa inglória, ao que parece, só que….a afirmação da Identidade nacional assim o tem imposto: por exemplo: a par de “Republic of Ireland”, surge já em instâncias internacionais a palavra “Eireann” (!), e quem vir o mapa do País, nomeadamente, as duas principais partes que o enformam (Leinster e Munster), encontra por debaixo de muitos nomes de localidades, em Inglês, e entre parêntesis, a correspondente e muito recente denominação em Gaélico.

 

Para além de que o nome oficial do Chefe do Governo - tradicionalmente “Prime-Minister” (e que é assim que continua a ser tratado pela generalidade da população) - passou a ser o “Taosiaech” (será que alguém consegue pronunciar este vocábulo?!), mas essa opção foi adoptada por corresponder a um desígnio forte de afirmação identitária.

 

Finalmente, e para rematar esta pequena “incursão” por algumas fortes manifestações de afirmação de identidade linguística que se podem observar na Europa, vejamos o caso da Bélgica: conforme é sabido, existem “duas Bélgicas”, “Belgie” na Língua Flamenga (“Hoog Vlaams”) maioritariamente protestante e a de Língua Francesa “Belgique” (a Wallonie), maioritariamente católica.

 

 

As duas comunidades degladiam-se desde há mais de dois séculos - aliás, a formação deste País constituiu o resultado de uma iniciativa diplomática britânica, a seguir ao Congresso de Viena em 1815 e à derrota final de Napoleão, com o objectivo de criar um espaço “tampão” entre as duas maiores potências europeias da ocasião, a França e a Prússia (a futura Alemanha) - e continuam a não se entenderem em termos de afirmação linguística, sendo este facto atestado pela destruição frequente de placas de identificação de localidades, por norma durante a noite, por activistas de ambos os lados; mas o facto é que a “facção” flamenga tem vindo a impor-se; se não vejamos: onde hoje se situa a cidade de Kortrijk (junto à fronteira com a França) “estava” a “antiga” Courtrai (quem se lembrará de tal facto?).

 

E mesmo em relação a Liège - centro importante da cultura e língua francesas - já vem a ser “ameaçada” pela menção de “Luik”; basta consultar os mapas mais recentes e as quatro letrinhas em flamengo surgem já entre parêntesis.

 

Nada disto surge por acaso, só não vê isto quem não quiser ver, e mesmo o rio que ali passa, o Mosa (“Meuse”) também aparece já em flamengo (“Maas”), precisamente o rio de Maastricht, cerca de 30 Klm. acima, na Holanda, no Limburgo.

 

É evidente que tudo tem uma intenção clara em concordância com o predomínio avassalador, em termos económicos, da parte flamenga, que até se pode constatar em Portugal: basta para isso ler as inscrições nas cobertas em lona dos camiões TIR que provêm daquele país, por exemplo, Vander Brugge, VandenBergh, VanderElst, Vanden…, Vander.. e, apenas por simples curiosidade, a única referência que consigo detectar, em francês, é da empresa “Laffitte” precisamente de Liège.

 

Entre as tentativas da Comunidade Internacional para tentar evitar a secessão final deste pequeno país, contam-se a implantação de grandes Organizações na sua capital, Bruxelas (NATO e União Europeia-Comissão Europeia) mas não é nada seguro que a citada dupla afirmação de nacionalidade e identidade linguística não acabe por vir a prevalecer.

 

Mas estas referências servem para, e voltando ao tema de início, frisar o facto de o nosso País, estar em contra-corrente relativamente ao que na Europa se constata um pouco por toda a parte, na defesa dos idiomas locais, como uma forte afirmação de soberania.

 

A iniciativa ILCAO deve continuar com a recolha e validação de assinaturas e devemos aguardar que, na sequência da sugestão que aqui deixei, uma vaga de fundo de professores e autarcas, numa acção concertada, através de redes sociais imponha a abolição deste “A”O90, de uma vez por todas, dado eu não acreditar que se possam instaurar processos disciplianres a tantas pessoas.

 

Ou então, mas sempre em termos de complementaridade, aguardar pelo “peso” crescente de Angola, no contexto do universo de utentes da Língua Portuguesa, a fim de que a sua posição oficial de não-ratificação, já assumida oficialmente, resolva a situação de uma vez por todas.

 

António Vieira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:26

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Sábado, 2 de Fevereiro de 2019

ENTREVISTA DE FRANCISCO GUERREIRO (PAN) AO “VOZES AO MINUTO”

 

"Queremos mesmo sentar o Planeta no Parlamento Europeu"

Porque para VOTAR é preciso CONHECER.

Neste momento, o PAN parece-me uma óptima alternativa. Tem visão de futuro e não se verga a lobbies. E os Portugueses já estão fartos de “invertebrados” do tempo pré-histórico.

Manter no Poder os que já demonstraram incompetência governativa é passar um atestado de idiotice a si próprio.

Temos de mudar o rumo do Poder, porque o Poder está na mão do Povo, não está na mão dos governantes. (Isabel A. Ferreira)

 

FRANCISCO GUERREIRO PAN.jpg

© PAN

 

Francisco Guerreiro, dirigente do PAN - partido Pessoas - Animais - Natureza, e cabeça de lista nas eleições europeias de 26 de Maio é o entrevistado de hoje do Vozes ao Minuto.

 

Entrevista de Melissa Lopes

 

«É vegan e tem como hobby recolher lixo nas praias e florestas do país. Francisco Guerreiro, militante do PAN desde 2012, é candidato pelo partido às eleições europeias do próximo 26 de Maio.

 

Europeísta convicto, mas não acrítico, Francisco tem como ambição “sentar o Planeta no Parlamento Europeu”. Está convencido de que “nunca é tarde” para lutar pelo ambiente, sendo um acérrimo defensor de que “pequenas mudanças fazem realmente a diferença”.

 

Em entrevista ao Notícias ao Minuto, Francisco critica a falta de coragem para romper com modelos vigentes e a incapacidade de tomar decisões económicas tendo em conta consequências ambientais calculadas. E o "depois vê-se”, lamenta.

 

Acolhido pela família europeia dos Verdes, se lá chegar, o PAN quer trabalhar no reforço da agricultura biológica, na transição energética e no apoio humanitário. No fundo, levar para Bruxelas a influência que o partido tem tido no Parlamento português.

 

Está preparado para ir para Bruxelas?

 

Este é um desafio a vários níveis, não só para o partido como para o paradigma que nós queremos explicar aos cidadãos e implementar. Felizmente, temos tido essa oportunidade nos últimos três anos dos quatro para os quais fomos eleitos. Acho que há esse reconhecimento da sociedade civil, de que temos, com poucos meios, trabalhado bastante e apresentado propostas válidas. Tanto é que nunca se debateu tanto questões ligadas aos direitos sociais, ambientais, animais. E isso faz com que os outros partidos se queiram posicionar. Isso para nós é positivo.

 

 Somos europeístas convictos, mas não somos acríticos.

Não somos nem melhores nem piores do que os outros partidos, somos diferentes. Acho que os cidadãos conseguem perceber, hoje em dia, essa diferença. É surpreendente como é que um deputado, em 230, às vezes consegue passar propostas por larga maioria ou unanimidade, como foi o caso da aprovação da tara recuperável para embalagens plásticas e que depois vai ser alargada para metal e vidro. Medidas muito concretas direccionadas para o bem-estar das populações e do meio ambiente que conseguem ser feitas com a vontade de construir pontes. Muitas vezes não é a primeira proposta, a inicial...

 

é a proposta trabalhada posteriormente.

 

Também é para isso que cá estamos. As pessoas compreendem que não há um governo PAN e que nós também votamos proposta a proposta, programa de Governo, Orçamento, tudo muito bem contextualizado. E o desafio das europeias vai um bocado nessa senda. O trabalho que temos feito no Parlamento nacional, gostaríamos também de o fazer no Parlamento Europeu.

 

Qual o nível de europeísmo do PAN?

 

É total. Somos europeístas convictos, mas não somos acríticos. Há obviamente sectores que têm de se alterar, especialmente no modo como a Europa gere os seus recursos, não só os dinheiros, mas também o modo como produz e distribui a sua economia.

 

Temos, por exemplo, a PAC (Política de Agricultura Comum), que é uma fatia substancial do peso do orçamento comunitário continua a direccionar-se muito para indústrias muito poluentes, nomeadamente para a agro-pecuária intensiva. Gostaríamos que esses recursos fossem alocados para modos de produção e distribuição de alimentos mais positivos, não só para a saúde humana como para os ecossistemas, nomeadamente no reforço da estratégia de agricultura biológica nos Estados-membros.

 

Em Portugal, temos feito esse caminho, temos sido largamente ignorados, infelizmente. Mas achamos que é uma visão a longo prazo que a comunidade europeia também deve ter.

 

Lá, como cá, há interesses instalados que não permitem esses avanços?

 

Sim. E o modo como sempre se fez as coisas é o mesmo, apenas se tem refinado e não se tem alterado. O modo como olhamos para a produção de alimentos, para o modo de os distribuir.

 

Não nos questionamos, é isso?

 

Não nos questionamos. Mesmo em relação ao impacto que tem estarmos a fazer comércio internacional, muitas vezes a custo de direitos humanos, direitos sociais e ambientais... Temos de repensar o modo como fazemos esses acordos.

 

E qual é a sugestão do PAN? Que objectivos quer perseguir?

 

Somos europeístas ao ponto de acharmos que é fundamental termos trocas comerciais, como é óbvio. Mas essas trocas devem valer os valores que nós achamos fundamentais: direitos humanos, protecção do meio ambiente, uma justaposição de forças, justaposição muitas vezes para países que estão em desenvolvimento e que precisam de um apoio extra e não propriamente quase um dumping de determinado tipo de mercadorias.

 

E é importante perceber que ainda temos um impacto muito grande na emissão de gases de efeito de estufa. Queremos promover também a transição energética dentro dos Estados-membros. Tentar, ao máximo, que sejam independentes energeticamente, para não estarem dependentes de países como a Rússia, países africanos e países do Médio Oriente, através de gás e de petróleo. Isso para nós é fundamental. Um dos nossos objectivos, um lema que temos é que queremos mesmo sentar o Planeta no Parlamento Europeu.

 

Não está neste momento?

 

Achamos que a ecologia é sempre secundarizada. Ou seja, olhamos para políticas económicas e depois vemos os efeitos hipotéticos ou secundários ou terciários que elas têm no ambiente. E vamos tentando colmatá-los, de modo mais profícuo ou não. E não pensamos ao contrário.

 

O que vemos é que Portugal, por exemplo, segundo a WWF, consome 2,2 planetas por ano, ou seja, nem chega a Agosto e já estamos a crédito.

 

Antecipando os problemas ambientais antes de tomar decisões económicas?

 

Exactamente. Não pensamos como é que conseguimos representar uma sociedade com estes valores que representamos – o altruísmo, a solidariedade, a dignidade humana, o bem-estar animal, a protecção ambiental – tendo em conta o longo prazo.

 

O que vemos é que Portugal, por exemplo, segundo a WWF, consome 2,2 planetas por ano, ou seja, nem chega a Agosto e já estamos a crédito. Qualquer país europeu é insustentável do ponto de vista da gestão dos recursos. Se não metermos esta linha condutora nas políticas públicas europeias será muito difícil depois conseguirmos construir um projecto de futuro.

 

Temos também de reduzir a quantidade de bens que consumimos, temos de pensar a forma como esses bens são reutilizados. Não basta só dizermos que somos a favor de uma economia circular se depois ela não se operacionaliza. Se continuarmos numa espiral de consumo de bens é depois difícil gerir esses resíduos.

 

De que forma podem ser combatidos os fenómenos populistas que crescem na UE?

 

Os fenómenos populistas contrariam-se com mais e melhor debate político, transparência, participação cívica e educação. Acresce o papel fundamental dos meios de comunicação que não podem ceder à tentativa de imediatismo económico e devem garantir os seus princípios deontológicos no tratamento e disseminação de informação. Isto tudo sem nunca esquecer o papel fundamental da não violência como eixo condutor de toda esta dinâmica. Não é com extremos ideológicos que se transita de modelo social.

 

Se for eleito, o PAN será acolhido pela família dos Verdes europeus. Terá assim mais força?

Um dos nossos grandes desafios – e é também por isso que estamos na família dos Verdes europeus – será trazer o ambiente para o Parlamento Europeu. Achamos que Portugal tem um défice de foco ecológico nos 21 representantes que lá estão e gostávamos de ter esse contributo. Num universo de 740 eurodeputados, sensivelmente, o nosso poder de influência será reduzido por si. Por isso é que ficamos numa família europeia.

 

Sobre o combate à expansão dos microplásticos e ao uso de plásticos, por exemplo, há uma estratégia que foi lançada o ano passado que aponta já algumas metas que são positivas mas temos de envolver a indústria, os cidadãos, tem que haver uma aposta na educação ambiental. Temos de partir do pressuposto que é geracional.

 

Escasseiam essas políticas de educação ambiental?

 

Se não tivermos políticas de educação ambiental não conseguimos construir esta identidade colectiva de visão a longo prazo. Vemos que a nossa biodiversidade está a ser posta em questão. Há uma usurpação do próprio interesse democrático dos interesses dos cidadãos em preservar as suas democracias que vai além do simples voto. As pessoas estão realmente preocupadas com a sua perspectiva de futuro, com a biodiversidade, com a qualidade dos rios, com a poluição generalizada, com uma alteração de estar na sociedade, de como consumimos, de como produzimos os nossos bens, qual é o impacto que tem, por exemplo, estarmos a trazer bananas do Equador.

 

O mundo despertou agora para esses problemas todos, já em cima deles, digamos assim. Não vamos tarde?

 

Achamos que nunca é tarde. É por isso, também, que estamos na política. Não é tarde e sentimos que há cada vez mais apoio às ideias e aos valores do PAN por isso mesmo. As pessoas estão cansadas dos partidos que olham para o mundo da mesma maneira.

 

De uma maneira que é egoísta, não planeando a longo prazo?

 

De uma maneira bastante restritiva. Consideramos que é uma visão que está adaptada ao tempo de cada partido. Se olharmos para estes partidos, conseguimos ver que têm a mesma visão que tinham há décadas. Há pequenas evoluções, óbvio, mas [a visão] está muito circunscrita à ideologia vigente daquele partido. Daí a emergência do PAN e de partidos como o PAN.

 

Os problemas existem e as soluções também. Muitas vezes vemos que há uma falta de vontade de romper com o paradigma vigente porque é fácil fazer como sempre foi feito e é difícil assumir que há mudanças a fazer, como partidos, como sociedade, como cidadãos e que temos que de arregaçar as mangas e encarar isto de modo positivo. Mostrando o problema e apontando soluções que são, muitas vezes, mais fáceis do que imaginamos. Obviamente que vamos contra sectores que estão instituídos. Um dos nossos objectivos é tentar mostrar uma transição que tem de ser rápida, mas efectivamente concretizável.

 

Muita da legislação que vem da UE já vem condicionada pelo lobby das grandes indústrias.

 

Não basta dizer qual é o problema, temos de apontar soluções e concretizá-las a nível económico. Uma das nossas bandeiras vai ser trabalhar, dentro da família dos Verdes europeus, para que o orçamento seja o mais exequível possível para apostar nestas transições que são muito importantes, fomentando uma economia verdadeiramente circular, olhando para esta questão do poder que a Europa tem como um só como algo positivo, sem esquecer as questões soberanas.

 

Em Portugal, tivemos e temos oportunidade de fazer algo muito bom, muitas vezes, porque há directivas europeias, algum discurso político tem a tendência de apontar o dedo sempre a Bruxelas quando nós próprios temos dificuldade em equilibrar os nossos orçamentos, em fazer apostas em infra-estruturas públicas que tenham realmente mais valias para todos nós, que se façam os investimentos que sejam benéficos para o Estado português.

 

 As pessoas sentem-se distantes dos partidos tradicionais.

 

E não é justo apontar o dedo a Bruxelas?

 

Não nos parece de todo viável apontar só o dedo a Bruxelas e dizer que os tecnocratas é que gerem tudo. Muitas das directivas que aplicamos são muito positivas. Achamos também que é fundamental pensar nas singularidades de cada país, mas tentando ver linhas em comum, porque consideramos que é muito mais o que nos une – e os problemas comuns são globais - do que propriamente o que nos separa.

 

As pessoas sentem-se distantes dos partidos tradicionais porque não apresentam soluções positivas. Achamos que a democracia deve ser o mais participativa possível, que se devem criar mais ferramentas para a participação cívica para que as pessoas percebam a importância de estarem na Europa e de construir uma Europa global com uma influência positiva no mundo.

 

Mas temos de ver os factos. Muita da legislação que vem da UE já vem condicionada pelo lobby das grandes indústrias e ela, muitas vezes, são contraproducentes para as reais necessidades das populações.

 

O lobby das grandes indústrias irá ser um grande adversário no Parlamento Europeu?

 

Cremos que sim. Têm um lobby muito forte, têm uma presença constante em Bruxelas, são opinion makers, são criadores de legislação, muitas vezes é um combate muito desigual, não só em termos de recursos, mas também em termos de influência.

 

Mas acreditamos que empoderando mais os cidadãos, mais possibilidades estes têm de se manifestar contra determinadas políticas e visões. Obviamente que vai ser um caminho difícil, mas que tem de ser traçado e os desafios que temos são muito prementes, ou seja, estamos mesmo num pré-colapso da nossa biodiversidade global e os sinais estão à vista: alterações climáticas, poluição generalizada, e não temos um discurso catastrofista.

 

É preciso uma responsabilização nossa e dos agentes políticos e tem de haver um combate no sentido de uma apresentação de propostas muito concretas e assertivas no quadro europeu e passa, também, por chamarmos à equação quem tem um peso muito negativo na nossa economia e sociedade. Também queremos mostrar que essas indústrias têm a mais a ganhar se se juntarem a esta corrente.

 

Falou nas directivas positivas de Bruxelas. Lembro-me de uma que Portugal não está a cumprir e que se prende com o transporte de animais vivos para o Médio Oriente (Bruxelas diz que o transporte não deve exceder as 8 horas. Portugal faz transportes de oito dias).

 

No que concerne ao bem-estar animal, temos muitas directivas que mostram que estamos a anos luz.

 

E neste caso concreto, o negócio iniciou-se em 2015… não foi assim há tanto tempo. Não foi nos anos 80, por exemplo.

 

Lá está, o princípio economicista que tem repercussões no bem-estar animal. Numa abordagem filosófico-ética, existem limites ao nosso economicismo e o transporte de animais vivos é uma realidade muito dura e crua que só agora está a ser exposta. Como disse, temos matrizes muito positivas e que depois não seguimos.

 

Foi o André Silva que fez o convite ao Francisco para ser cabeça de lista às europeias?

 

Não. Foi auto-propositor. É definido em sede de comissão de política nacional, mas creio que também é exemplificativo do trabalho que tenho vindo a fazer no partido. Tenho também trabalhado junto do André na assessoria, não só política, mas também na área do ambiente, tenho responsabilidades municipais, sou coordenador na secretaria da comunicação. Dedico muito tempo do meu livre a tentar aproximar a ideologia, filosofia e a prática do partido às pessoas. Foi uma escolha natural e consensual. É um grande desafio, sem dúvida, a nível familiar e profissional.

 

E qualquer que seja o resultado [das eleições] vai ser muito importante. Até porque podemos ver claras diferenças em relação à candidatura de há cinco anos para agora. Não só pela exposição e responsabilidade que temos, mas também pelas expectativa que as pessoas têm do PAN. E no fundo vamos tentar fazer uma campanha diferente, que seja mais próxima dos cidadãos.

 

E que combata a abstenção, que é elevadíssima nestas eleições.

 

Sim, acima dos 60%, para nós é assustador. Queremos chamar as pessoas a esse nível. Mais do que votar no PAN, acima de defender o nosso projecto político, queremos defender a democracia. E defender a democracia é defender que as pessoas leiam os programas, as ideias, e escolham entre as várias opções. Parece-nos muito difícil que, entre 20 e tal partidos, não haja um ou outro que se aproxime à sua sensibilidade. Há programas políticos que se vão relacionar com qualquer cidadão.

 

Se o cidadão se disponibilizar a ‘consumir’ essa informação.

 

Mas lá está, as redes sociais podem ajudar nisso. Temos o bom e o menos bom das redes sociais e o que nós vemos é que no nosso caso tem vindo o melhor ao de cima. As pessoas comentam, criticam, nós respondemos, sentimos o apoio directo. Como não temos muita cobertura nos meios convencionais, na televisão, as redes sociais são uma ferramenta para informarmos os cidadãos e de nos aproximarmos destes. A partir daí, fazem as suas escolhas. Longe de nós pensarmos que todas as pessoas que seguem o PAN votam no PAN, mas, pelo menos, ficam esclarecidas. Mostramos que é possível fazer possível fora deste espectro dicotómico Esquerda-Direita, fora do paradigma economicista e produtivista.

 

 Os políticos enchem muito a boca a falar da valorização do Interior.

 

Esse paradigma economicista reflecte-se em que maus exemplos, na prática, em Portugal?

 

Não podemos, por exemplo, estar só a olhar para o PIB quando há toda uma abrangência para além do que produzimos e consumimos. Questionamos e somos muito críticos das super culturas intensivas no Alentejo, queríamos que fosse feito um estudo para saber qual o impacto que tem no ambiente e nem isso foi aprovado. A biodiversidade (lagartos, abelhas, etc.) desaparece quando temos monoculturas intensivas. Gostamos de abordar que 80% do consumo água em Portugal vai para a agro-pecuária e para a agricultura, mas depois as campanhas de sensibilização são essencialmente para o ser-humano tomar banhos mais curtos, fechar a torneira enquanto lavam os dentes, o que é importante, mas corresponde a cerca de 20%. Reflecte um bocado uma falta de perspectiva do Governo e dos partidos convencionais a curto prazo. O Alqueva, que foi uma grande aposta, tem desperdícios que rondam os 40% e agora vai fazer-se investimentos para melhorar.

 

É desperdiçada como?

 

Devido à questão do regadio. A água é dispersa, não há sistema gota a gota. Depois há falhas no sistema. É aquilo que vemos sempre: primeiro faz-se e depois percebe-se. Como a questão do aeroporto do Montijo, não faz sentido quando já temos um aeroporto construído em Beja, com a possibilidade de se expandir. Bastaria melhorar a linha férrea e a infra-estrutura rodoviária.

 

Os políticos enchem muito a boca a falar da valorização do Interior, quando aqui tínhamos uma aposta muito clara na melhoria das condições de vida, para trazer pessoas, investimento e PME’s para esta zona. E vai-se construir um aeroporto no Montijo, com os impactos claríssimos no ambiente e que não tem possibilidades de expansão, e que vai trazer mais ruído, mais poluição, mais especulação.

 

 

FRANCISCO GUERREIRO PAN2.jpg

Francisco Guerreiro é militante do PAN desde 2012© DR

 

Sobre o aeroporto no Montijo, António Costa já afirmou que não tem plano B caso o estudo de impacto ambiental seja negativo.

 

Não tem se não quiser. Porque existem soluções. O primeiro-ministro diz que foram estudadas 'n' soluções ao longo destes anos. Mas uma opção muito clara é Beja.

 

E foi estudada?

 

Nem sequer é considerada. O aeroporto (de Beja) já está construído. E, se é só uma questão de melhorar as infra-estruturas, é mais do que válida. O problema é que os acordos são sempre feitos com uma vertente muito unidireccional – os agentes mais interessados negoceiam e os restantes ficam sempre à margem das negociações. Fazer pré-acordos com a ANA sem fazer estudos de impacto ambiental, sem haver um debate público generalizado sobre a matéria, parece-nos muito curto. E, mais uma vez, estamos a centralizar tudo na área metropolitana de Lisboa. Podia haver uma aposta no aeroporto de Beja que trazia não só uma melhoria na qualidade de vida das pessoas do Baixo Alentejo, como uma melhoria das infra-estruturas. Havia um investimento a longo prazo e não sobrecarregávamos o Litoral.

 

A opção Montijo não é uma solução a longo prazo?

 

Numa perspectiva das alterações climáticas, em que o nível médio das águas tende a subir, construir um aeroporto à beira de um rio… parece-nos uma visão a curto prazo. Diz-se que é uma visão a longo prazo, mas não é.

 

É, portanto, uma má solução?

 

É uma clara má solução, a nosso ver. A linha directiva é a mesma, primeiro constrói-se e depois percebe-se.

 

O primeiro-ministro está confiante de que o estudo de impacte ambiental vai permitir a construção.

 

Deve saber alguma coisa que nós não sabemos. Mas o que vemos é que em casos em que são mesmo negativos, a APA (Associação Portuguesa do Ambiente) serve de validação. Vemos isso através das dragagens do Sado, em que claramente que não se conhecia o impacto nas espécies, que não se percebia que espécies seriam afectadas, que o único ponto forte seria a melhoria, que não havia benefícios em termos ambientais e que o único ponto forte seria a melhoria económica daquele porto, quando temos o porto de Sines mesmo ao lado, a APA veio dizer que sim, desde que se faça isto e aquilo. Vemos que o ambiente está em segundo ou em terceiro plano. Não é a base de onde tudo emana, é ao contrário.

 

Com o crescimento do partido, houve uma exposição mediática do PAN devido a temas polémicos como é o caso da tauromaquia. Como acompanhou a recente polémica que se gerou à volta do fim da tauromaquia, que começou com a questão do IVA?

 

Com naturalidade. Nós também fomos eleitos para incomodar. Tem sido uma matriz constante. Recebemos feedbacks e vemos reconhecido esse esforço e capacidade de mexer com sectores intocáveis, incómodos, de não termos barreiras intransponíveis.

 

A questão das touradas foi um processo natural. Fomos mais moderados do que os moderados. Quisemos que menores de 18 anos não pudessem participar em espectáculos tauromáquicos, foi rejeitado, quisemos acabar com o financiamento público das touradas, também foi rejeitado, questionámos a relação entre a Câmara Municipal de Lisboa e a praça de touros do Campo Pequeno, também não tivemos resposta. Há uma série de factores de que vamos falando e em que somos hipermoderados, dentro do tema, mas que nem isso é acompanhado.

 

Costa é uma pessoa com visão. Sabe que a tauromaquia tem os seus dias contados.

 

Nem nas questões de justiça fiscal conseguimos. O nosso objectivo foi trazer à sociedade um tema que muitos portugueses desconheciam. Mesmo quem não desgosta de touradas não acha justo que os artistas tauromáquicos sejam equiparados a médicos com isenção do pagamento do IVA. É surreal. Foi um momento que catapultou esta ideia de que o PAN é incómodo e que fala de sectores que até agora são intocáveis.

 

É positivo para nós o caminho que se fez, mesmo dentro do PS, a abstenção de alguns deputados do PSD. É positivo ver que há temas que têm de ser trazidos à sociedade e ao debate para os próprios partidos se posicionarem. É um trabalho que queremos continuar a ter no seio do Parlamento Europeu através de todos os mecanismos possíveis e imagináveis.

 

Foi surpreendente a posição de António Costa na carta aberta a Manuel Alegre?

 

António Costa é uma pessoa com visão, sabe, tal como muitas pessoas dentro da política sabem – que a tauromaquia tem os seus dias contados. E, então, posicionou-se, com todo o respeito que se deve ter. Percebeu que tendencialmente se deve caminhar para este lado. Agora, dando a liberdade de voto dentro do próprio partido, as propostas acabaram por não passar, mas foi um processo interessante, mesmo históricos do partido vieram, e muito bem, defender abertamente aquilo em que acreditam. É importante [que o façam], em vez de estarem escondidos. Só assim se constrói a democracia, falando abertamente dos temas, dos prós e dos contras.

 

E em relação ao envolvimento da ministra da Cultura que ao dizer que se tratava de algo civilizacional, foi criticada…

 

Não podemos dizer que a tauromaquia não tem violência, é uma acção violenta extrema e gratuita. E a ministra posicionou-se tendo as suas consequências políticas, mas também fez com que se debatesse se é ético, se não é ético, se é civilizacional, se não é, os custos que tem ou não. É uma posição que à ministra diz respeito, mas para nós foi positivo.

 

E quanto tempo faltará para o Parlamento aprovar o fim das touradas?

 

Está para mais breve do que se calhar é esperado.

 

O crescimento do PAN e a natural mediatização já trouxeram alguns incómodos ao partido. Na reportagem da TVI sobre o IRA ultrapassou-se a linha daquilo que deve ser o escrutínio público aos partidos?

 

Extravasou porque fez uma reportagem tendenciosa. Não houve um critério jornalístico e uma linha que se baseie na deontologia. Fazer uma reportagem de investigação tendo em conta um vídeo de sátira parece-nos bastante fora do que são os critérios jornalísticos. As pessoas compreenderam que não foi uma peça isenta, não foi uma peça com o objectivo de esclarecer o público e que descredibilizou o papel que o jornalismo deve ter num mundo cada vez mais bombardeado de notícias falsas. E isso não é positivo para as nossas democracias. Acho que isto resulta do facto de estarmos a crescer, e é normal. Mas há aqui um papel de responsabilização da classe jornalística em se readaptar às exigências.

 

Foi um dos piores momentos do PAN até agora?

 

Foi um momento mediático menos positivo, mas nós gerimo-lo com a maior sensibilidade possível.

 

Receberam mensagens de apoio?

 

Sim, curiosamente. E vimos que as pessoas questionaram muito. Viram a reportagem e depois questionaram-nos e compreenderam. Foi num momento muito específico, em que estavam em debate questões da tauromaquia. Recebemos um apoio generalizado e, aliás, as últimas sondagens mostram que não só não tivemos nenhum impacto como subimos. Vimos que a sociedade ficou alerta e que, através da nossa resposta, viram que não tinha qualquer sentido aquela reportagem e os exemplos que seguiram do canal também não foram os melhores.

 

Não nos furtamos a que haja investigações, mas tem de haver limites.

 

Quais?

 

Os eventos que a TVI vai tendo nesta guerra das audiências. Vão acabando por mostrar que, se calhar não vale tudo. É um debate que devemos ter é até onde é que devemos ir para ser líderes de audiências. São critérios jornalísticos e editoriais que cabe mais ao sector do que propriamente a nós.

 

Mas, isso [as fake news] condiciona. E nós não nos furtamos a que haja investigações e análises – o jornalismo serve para isso mesmo, para tocar em todos os sectores da sociedade, sejam eles quais forem -, mas tem de haver limites e o código deontológico tem de ser essa bússola que deve guiar todos os profissionais. Podemos ganhar no curto prazo em audiência, mas perdemos, a longo prazo, na nossa democracia.

 

Com o aproximar de eleições estão à espera de mais situações deste género?

 

É expectável. Mas só podemos continuar a trabalhar, mostrar do que é que somos feitos e aguentar. Não temos nada que não possa ser escrutinado. Que o jornalismo faça o seu trabalho e nós cá estaremos.

 

O PAN tem oito anos. Está no partido desde sempre? Como é que se ‘conheceram’?

 

Praticamente. Um amigo meu mostrou-me um clip em que o Paulo Borges (presidente na altura) falava dos valores do PAN. Identifiquei-me. Nunca tinha estado ligado à política, e apesar de ter votado sempre (à excepção de uma vez), era muito desalinhado. Não me revia nos partidos tradicionais, no modo como olhavam para a sociedade, para o sistema, como viam o mundo, como projectavam a construção desse mundo.

 

E através dos valores do partido, consegui perceber que era ali que me identificava. Tivemos grandes desafios no processo. Antes éramos partido pelos Animais e pela Natureza. A ideologia era a mesma, mas as pessoas na primeira abordagem não percebiam e perguntavam ‘Então e as pessoas?”.

 

E ainda hoje perguntam?

 

Ainda perguntam, mas já é menos, felizmente [risos].

 

Passei por esse processo todo. Fui candidato às autárquicas em Coimbra, em que não ficámos em último. E agora voltei a ser por Cascais onde tivemos 5,4%, foi o melhor resultado dentro do partido. Foi um processo natural. Acabei por dar muito tempo voluntariamente ao PAN, na comunicação, a reestruturar o partido, na fundamentação das nossas posições, a criar pontes e estrutura. Nunca me imaginei a concorrer a um cargo de eurodeputado, ou qualquer tipo de cargo político, mas tem sido muito orgânico e as coisas vão acontecendo. O convite para trabalhar como assessor do André também surgiu. Tenho aprendido muito e vejo que há uma dissociação da compreensão colectiva do que realmente se faz no Parlamento e é muito trabalho, muitas informações, muitas horas de comissões, debates, reuniões.

 

É um trabalho que não ‘passa’ para fora?

 

Às vezes é mal interpretado o sentimento colectivo do “não fazem nada”.

 

Generalizações.

 

Generalizam por maus exemplos, claro. Mas não podemos cair no ridículo de achar que não se trabalha e trabalha-se muito e em muitas temáticas. Basta ver o site do Parlamento que tem informação de tudo e mais alguma coisa. Queremos mesmo cativar as pessoas a serem mais activas e a pressionar os partidos políticos.

 

E desilusões na política?

 

Será mais uma desilusão pessoal do panorama nacional e internacional de como é que problemas tão graves são tão desconsiderados. Olhamos para a natureza como algo muito eufemístico, algo que não é palpável. Os problemas que temos são gravíssimos. A minha mãe é bióloga, sempre vi a BBC Vida Selvagem, sempre tive uma relação muito directa com a questão da biodiversidade, preservação do ambiente e das espécies e do envolvimento do ser humano.

 

E é disso que nasce o hobby recolher lixo nas praias e florestas?

 

Sim, desde sempre que recolho lixo.

 

Esse lixo que recolhe é cada vez mais ou tem vindo a reduzir?

 

Tenho a percepção de que é cada vez mais. Infelizmente é cada vez mais, mas também mais pessoas se andam a mobilizar.

 

Até já é um desporto ('plogging').

 

Não entro nisto por desporto porque é algo que surge com a necessidade de fazer algo pela comunidade. É o meu modo de ajudar a comunidade. Passei muitos Verões no Algarve e sempre que passava e via lixo, ia apanhando. Já nem sei as toneladas de lixo que recolhi. Mas sempre foi algo natural, faz mesmo confusão comportamentos que são tão fáceis de ser alterados. Por exemplo, atirar beatas para o chão.

 

Que agora vai ser punido em Lisboa ...

 

Pelo menos em Lisboa. Mas mais do que a punição, que é importante, é tentar explicar os impactos que têm esses comportamentos. Para mim, é natural. É como a reciclagem: já não penso.

 

Na reciclagem as pessoas desconfiam que depois o lixo que separaram vai todo para o mesmo lado, na hora da recolha.

 

Muitas vezes é falta de informação, há sistemas de distribuição diferentes.

 

Mas isso acontece? De o lixo acabar por ser todo misturado?

 

Mesmo que aconteça, depois voltam a separar. É ineficiente. Mas são casos muito pontuais, até hoje nunca vi nenhum facto que o provasse. Acho que é mais uma desculpa para não o fazer do que propriamente algo concreto. Não educarmos faz com que tenhamos taxas de reciclagem que são uma vergonha a nível europeu, não cumprimos nem as metas mínimas. Deve haver aqui uma consciência colectiva de que o desperdício que faço não me afecta só a mim, mas tudo o resto.

 

Isto de recolher o lixo é a minha boa acção constante, fora da política. Ainda no período do Natal recolhi cerca de 200 litros de lixo, na lagoa de Santo André. Isto reflecte o nosso alheamento dos problemas da sociedade. Pequenas mudanças fazem realmente a diferença.

Que outros contributos individuais dá ao ambiente?

 

Sou vegan, é um contributo que é muito pessoal, não sou um promotor do veganismo para os restantes. A mim faz-me todo o sentido levar a ecologia ao mais profundo acto também de compaixão e de responsabilidade para com os outros seres do Planeta, com o ser humano e com o Planeta. É tão comum como separar o lixo. Tenho a felicidade de ser casado com uma pessoa fantástica que cozinha maravilhosamente bem, o que também ajuda [sorriso].

 

Tem filhos?

Tenho uma filha de 11 anos.

 

E é vegan também?

 

Está na transição.

 

Não lhe impuseram esse tipo de alimentação?

 

De modo algum, é uma escolha dela. Prefere ser vegetariana. Respeitamos as decisões, tudo o que ela faz. Gosta de mostrar que tem um sinal positivo ao mundo. São alterações que são escolha dela, respeitamos e apoiamos.

 

Fonte:

https://www.noticiasaominuto.com/politica/1181854/queremos-mesmo-sentar-o-planeta-no-parlamento-europeu

 

(Aviso: este texto foi corrigido para a grafia portuguesa em vigor (a de 1945), via corrector automático, visto a aplicação do AO90 ser ilegal, em Portugal, e este Blogue não pactuar com ilegalidades).

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:18

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Sexta-feira, 1 de Fevereiro de 2019

ABRE HOJE A ÉPOCA DA SELVAJARIA TAUROMÁQUICA EM PORTUGAL

 

Estamos em 2019 depois de Cristo, mas é como se estivéssemos em 2019 antes de Cristo, com mentalidades empalhadas, cristalizadas, fechadas a cadeado, onde nem um raio de luz consegue entrar.

 

Portugal está na cauda da Europa em quase tudo, incluindo nesta mentalidadezinha atrasada e mesquinha, que não permite que o País se liberte da mediocridade.

 

O problema é que estamos em PORTUGAL, um país que já foi grande, mas ENCOLHEU, em vez de seguir o avanço do mundo.
 
 

MENTE FECHADA.jpg

 

A prótoiro anda por aí a apregoar que este ano é que vai aumentar o público nas touradas! Em vez de oferecerem bilhetes gratuitos, para terem meia-dúzia de espectadores nas arenas, agora vão passar a pagar a quem queira assistir a estas práticas bárbaras.

 

O DESESPERO é tal, que têm de pagar e pedir por muito favor: ó tio ó tio, vá ás touradas! Por favor, vá lá! Nós pagamos o bilhete!

 

Que paguem! Eles são poucos e sempre os mesmos. Isso não irá aumentar o número de trogloditas a assistir a essas práticas medievalescas. Nem contas sabem fazer!

 

Isto significa que as touradas estão mesmo a caminho do FIM.

 

Todas as estatísticas dizem que, de ano para ano, diminui o número de touradas e o número de espectadores.

 

Mas os trogloditas vivem numa bolha da ilusão gerada pela decadência. E apesar de todas as evidências mostrarem o contrário, prevêem um “aumento” de público nas arenas, na sequência da “tendência verificada nos últimos dois anos”.

 

Ora nem contas sabem fazer, porque a tendência verificada nos últimos anos foi uma diminuição drástica destas práticas cruéis, que cada vez são mais rejeitadas e desprezadas, porque são desadequadas aos tempos modernos, e fazem parte da incultura de uma camada diminuta do povo português.

 

E eles dizem que este ano vai haver mais debates sobre a selvajaria.

 

Os portugueses já estão fartos de ver a estupidez ser debatida. Já tudo foi dito e redito sobres estas práticas violentas e cruéis, e a conclusão é só uma: estas práticas estão condenadas. Estão a caminho do fim. Ninguém as quer mais em Portugal, a não ser um pequeno núcleo de trogloditas decadentes.

 

ACORDEM! Estamos a caminho da ABOLIÇÃO desta selvajaria!

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 12:00

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Terça-feira, 11 de Dezembro de 2018

O PLANETA TERRA PERDEU 60% DOS SEUS ANIMAIS SELVAGENS EM 44 ANOS

 

Um cenário aterrador do que está a passar-se no nosso Planeta

E diz-se que o homem é “O” animal racional!

Racionais são os que sabem preservar o seu habitat, ou seja, são todos os animais, ditos não-humanos, que não poluem, não fabricam armas destrutivas, não incendeiam florestas, não caçam por desporto, não matam por divertimento...

Quem devia estar em extinção era o animal homem-predador.

Ainda não lá chegámos, mas lá chegaremos...

 

BELQHFK0.jpg

O nosso Planeta, onde ainda existem pedaços de paraíso, como o da imagem, irá, lentamente, transformar-se num lugar deserto e inabitável, se o homem não acordar da sua insana letargia…

 

O Fundo Mundial Para A Natureza (WWF), no seu mais recente relatório comunicou que as populações de animais selvagens sofreram uma redução de 60% entre os anos de 1970 e 2014 devido à acção do homem.

 

Marco Lambertini, director da WWF declarou que «preservar a natureza não é apenas proteger os tigres, pandas, baleias e animais de que gostamos… É muito mais: não pode haver um futuro saudável e próspero para os homens num planeta com o clima desestabilizado, oceanos sujos, solos degradados e matas vazias, um planeta despojado da sua biodiversidade».

 

O declínio da fauna afecta todo o Planeta, com regiões especialmente prejudicadas, como os Trópicos, segundo a 12ª edição do relatório publicado com a Sociedade Zoológica de Londres e baseado no acompanhamento de 16.700 populações de 4 mil espécies. O décimo relatório revelava uma redução de 52% entre 1970 e 2010 e nada parece deter este declínio, que aumentou para 60%.

 

A zona das Caraíbas (América do Sul) revela um quadro "aterrador": um declínio de 89% em 44 anos. A América do Norte e Groenlândia sofreram as menores reduções da fauna, com 23%. A Europa, Norte de África e Oriente Médio apresentaram um declínio de 31%

  

A primeira explicação é a perda dos habitats devido à agricultura intensiva, à mineração e à urbanização, que provocam desflorestação e o esgotamento dos solos.

 

No Brasil, que acaba de eleger um presidente cujo programa de governo não fala em desflorestação ou no aquecimento global, a selva amazónica reduz-se cada vez mais, do mesmo modo que o Cerrado, diante do avanço da agricultura e da pecuária.

 

No plano mundial, apenas 25% dos solos estão livres da acção do homem. Em 2050, esta percentagem cairá para apenas 10%, de acordo com investigadores do IPBES.

 

A isto soma-se o excesso de pesca, a caça proibida, a contaminação, as espécies invasoras, as doenças e as mudanças climáticas.

 

Pascal Canfin, director-geral do WWF de França, destacou que «o desaparecimento do capital natural é um problema ético, mas também tem consequências no nosso desenvolvimento, nos nossos empregos, e já começamos a sentir estes efeitos. Pescamos menos que há 20 anos porque as reservas diminuem. O rendimento de alguns cultivos começa a cair. Na França, o trigo está a esgotar-se desde os anos 2000.»

 

A cada ano, o dia em que o mundo já consumiu todos os recursos, que o Planeta pode renovar, anualmente chega mais cedo. Em 2018 foi no dia 1 de Agosto.

 

«O futuro das espécies não parece chamar à atenção suficiente os líderes mundiais» alerta a WWF, que defende «elevar o nível de alerta e provocar um amplo movimento, como se fez pelo clima. Que todo o mundo compreenda que o statu quo não é uma opção".

 

A WWF advertiu ainda que «somos a primeira geração que tem uma visão clara do valor da Natureza e do nosso impacto nela. Poderemos também ser a última capaz de inverter esta tendência», por isso, a WWF pede uma acção antes de 2020, «um momento decisivo na história. Uma porta sem precedentes que se fechará depressa.»

 

Fonte da notícia e da imagem:

https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/terra-perdeu-60-de-seus-animais-selvagens-em-44-anos

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:08

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