Quarta-feira, 7 de Julho de 2021

«Touro como nós: a ciência da vida e o espectáculo da dor» - Uma análise biológica, social e cultural da tourada, dos touros e da vida animal às mãos do animal homem

 

 

Um livro de Luís M. Vicente, editado pela Pergaminho, em Bom Português.

 

Luís M. Vicente é Biólogo, doutorado em Evolução e Professor de Neurobiologia e de Comportamento Animal, algo a que se dedica há mais de quatro décadas.  

 

Em “Touro como nós”, Luís M. Vicente aprofunda o sofrimento animal, e refere que «Daqui a uns anos olharemos para as touradas como hoje olhamos para os autos-de-fé no século XVIII, quando se queimavam bruxas no Rossio”.

 

Um olhar científico sobre o enorme sofrimento dos Touros torturados numa praça, para gáudio de gente sedenta de sangue.

 

Isabel A. Ferreira

 

Touro como nós.png

 

«BRAVOS:

Assim temos por costume designar os touros. Encarnação da coragem, da bravura, da força. Brava é também a festa desse nome, celebração de cultura ou tradição.

 

MAS SERÁ MESMO ASSIM?

 

Que bravura tem realmente cada animal - homem e touro – que faz esta dita festa?

 

As tradições profundamente enraizadas, em diversas zonas do nosso país e do sul da Europa, fazem com que seja difícil encarar esta prática com objectividade e distanciamento. Luís Vicente, professor universitário e investigador integrado no Centro de Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa, traz ao debate uma muito necessária perspectiva.

 

Escreve este ensaio em co-autoria com Ngombe, um touro, e explica a festa brava de um ponto de vista biológico e cultural. Para o fazer, parte de uma fascinante exposição da consciência animal e da própria constituição daquilo a que chamamos vida, com considerações esclarecedoras, mas sempre desafiantes sobre a natureza da senciência, do prazer e da dor, da percepção do mundo e do comportamento animal - tanto humano como não-humano.

 

Um ensaio indispensável não só para compreender o que realmente envolve esta tradição, como também para reflectir acerca da vida na Terra e dos nossos deveres e direitos enquanto animais autodenominados racionais.»

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:47

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Sábado, 26 de Junho de 2021

Um alerta (vermelho) para Portugal e para o seu Povo, no que ao Ensino da Língua Portuguesa diz respeito

 

Se nada se fizer, daqui a cinco anos (poderá até ser menos) a Língua Portuguesa já terá desaparecido, porque os Portugueses e quem de direito, incluindo professores, pais, políticos, governantes, advogados, escritores, jornalistas, tradutores, apresentadores de televisão, artistas, juristas, enfim a sociedade mais instruída, as pessoas mais “importantes” que têm a obrigação e o dever de saber escrever bem e falar bem, não souberam lutar por ela, e a próxima geração será a geração dos analfabetos funcionais, que estarão (já estando) na cauda da Europa (como sempre estiveram).

 

Alerta vermelho.png

 

Já em 2002, de acordo com o estudo “O futuro da Educação em Portugal”, apresentado pelo então Ministro da Cultura, Roberto Carneiro, se dizia que o nosso sistema educativo era «medíocre, quando comparado com os níveis internacionais» tendo Portugal, segundo o mesmo estudo, «um atraso de 200 anos, (…) 80% dos Portugueses não tinha mais de nove anos de escolaridade e (…) 60% da população estava satisfeita com o seu nível educativo».

 

Se a situação em 2002 já era péssima, e já estávamos atrasados 200 anos, desde então, as coisas pioraram substancialmente e o atraso será agora para cima de mil anos, com a introdução do AO90 e o colossal desleixo no uso da Língua nas escolas, nos livros escolares, nos livros traduzidos, nos livros publicados, na comunicação social escrita e televisionada, nas legendas de filmes, no rodapé das notícias, em todos os canais televisivos,  imperando em Portugal uma agigantada iliteracia, em que estão bem evidenciadas as dificuldades na escrita, na leitura, na capacidade de interpretação do que se escreve e também na oralidade, com tantas bacoradas, de bradar aos céus, que se dizem alto… E as pessoas que lêem, ou ouvem rádio ou vêem televisão têm o direito de exigir que se escreva e se expressem num Português correCto.

 

Para não falar nas desventuradas crianças que foram frequentar escolasm para terem um Ensino de Qualidade, como é do direito delas, e atiraram-lhes à cara o lixo ortográfico, base de toda a comunicação e de todo o Ensino, desde o básico ao superior! Mas quando temos "peixe graúdo" como um presidente da República, um primeiro-ministro, ministros e deputados da nação a falar e a escrever tão mal, nas páginas oficiais e nas suas redes sociais, e que deveriam dar o exemplo da boa escrita e da boa oralidade, esperar o quê  dos "mexilhões"? Poderiam, ao menos, ter vergonha, mas não têm.  

 

Não é apenas na Covid-19 que Portugal ultrapassa a linha vermelha.

 

No Ensino da Língua Portuguesa já se ultrapassou, faz tempo, todas as linhas vermelhas possíveis e imagináveis.

 

Daí que seja premente que todos os Portugueses e quem de direito:  professores, pais, políticos, advogados, escritores, jornalistas, tradutores, apresentadores de televisão, artistas, juristas, enfim a sociedade mais instruída, as pessoas mais “importantes” e mediáticas acordem e se unam para exigir dos governantes e do constitucionalista-mor, que é o primeiro a não cumprir a Constituição da República Portuguesa, a anulação do aberrante AO90 e a reposição da grafia de 1945, não só nas escolas, como em TUDO o que mexe com o Idioma Oficial de Portugal, além de um Ensino de Qualidade, que nos faça acompanhar os níveis europeus.

 

Ou somos gente que sente, ou não somos ninguém!

Ou seremos apenas fantoches nas mãos de fantocheiros, a deambular por aí, sempre a dizer que sim, que sim… ?

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:51

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Quinta-feira, 10 de Junho de 2021

Neste “10 de Junho” Marcelo Rebelo de Sousa, Fernando Medina e Carlos Brum andam por aí a envergonhar Portugal

 

Eu, como cidadã portuguesa, que se orgulha do país onde nasceu, mas não se orgulha NADA dos seus governantes, nem de alguns portugueses que se recusam a EVOLUIR, senti-me desmedidamente envergonhada, perante o discurso delirante de Marcelo, o acto pidesco da Câmara Municipal de Lisboa, e a troglodicite de um açoriano, que atravessará a Europa evoluída, em autocaravana, por conta do campeonato de futebol, a fazer propaganda à execrável “festa brava”, como se tal abominação fizesse parte da Cultura Portuguesa.

 

Nada disto prestigia Portugal!!!!!!!!

 

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Marcelo Rebelo de Sousa disse isto, como se isto fosse verdade: «Desenganem-se os profetas da decadência, Portugal é um país com futuro, que investe no mar (poluindo-o?); que não desperdiça fundos europeus (então e a corrupção, que por aí anda à solta?), que não se esquece dos seus emigrantes (não se esquecerá???) e sabe acolher quem vem de fora para construir um país melhor (principalmente os que foram para Odemira e os que vivem, sub-humanamente, em bairros de lata, na maior das pobrezas, sem qualquer esperança de uma vida melhor).

 

Portugal é um "país de futuro" apenas para os que vivem numa bolha a cheirar a mofo, e não têm a noção da realidade.

 

Este senhor, que anda por aí a representar (MAL) Portugal, não tem a mínima visão de futuro, e está a contribuir para o seu desaparecimento, como país independente, ao ser cúmplice, por exemplo, da fraude linguística, que nos transforma numa colónia brasileira.

 

Este senhor devia ter vergonha de andar por aí a enganar os mais incautos, e a vender um Portugal francamente decadente.

 

Ler notícia aqui:

https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/investir-no-mar-nao-desperdicar-um-centimo-dos-fundos-europeus-e-saber-acolher-quem-faz-de-portugal-um-pais-de-futuro-os-recados-de-marcelo-neste-10-de-junho

 

 ***

 

Fernando Medina.png

 

Diz a notícia que a Câmara Municipal de Lisboa fez chegar às autoridades russas os nomes, moradas e contactos de três manifestantes russos que, no passado mês de Janeiro, participaram num protesto, em frente à embaixada russa em Lisboa, pela libertação de Alexey Navalny, opositor do governo de Vladimir Putin.

 

Fernando Medina diz que tal «não podia ter acontecido», mas o facto é que aconteceu, e pediu desculpa pelo "erro lamentável" da Câmara Municipal de Lisboa, mas isto é algo indesculpável.

 

Senhor Fernando Medina, tenha a hombridade de se demitir!

É o mínimo que pode fazer, depois deste acto pidesco, absolutamente imperdoável, num regime que se diz DEMOCRÁTICO. A quem pretende enganar com essa conversa de "erro lamentável"? Há erros que não podem ser lamentados, porque são irreversivelmente perversos. E este é um deles. Não tem a noção da gigantesca gravidade deste erro, sinónimo de propósito?

 

Ler notícia aqui:

https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/fernando-medina-fala-em-erro-lamentavel-da-camara-de-lisboa

 

***

 

E este vai ENVERGONHAR Portugal, com a propaganda troglodita da "festa brava", numa Europa já civilizada, e que abomina esta prática bárbara e obsoleta, a cheirar ao mofo da Idade Média.

 

E pior do que isto, são estas parangonas que as televisões fazem a favor da PARVOÍCE! 

 

Carlos Brum.png

 

Será este o Portugal com futuro que tanto orgulha Marcelo Rebelo de Sousa?

Se é, estamos muito mal servidos!

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:36

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Terça-feira, 1 de Junho de 2021

Touradas na RTP (segundo “round”): 125 cidadãos a favor, e mais de 240 personalidades contra

 

Acrescentemos a estes últimos, a esmagadora maioria dos Portugueses, que são absolutamente contra esta actividade de extrema crueldade e violência, para com animais sencientes. Recorde-se ainda que, e de acordo com uma Sondagem da Universidade Católica, 69% da população lisboeta é contra a realização de touradas.

 

O que é preciso mais? Fazer desenhos? Não bastam as imagens de Touros, barbaramente massacrados, e que valem mais do que mil palavras, para que os governantes tomem a iniciativa de acabar com esta actividade anacrónica, que em nenhum lugar civilizado do mundo se pratica?

 

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125 cidadãos anti-cultura e anti-evolução escreveram uma carta a pedir a TORTURA de Touros, porque não sabem viver sem ela. Consultar este link:

Touradas na RTP: 125 cidadãos, anti-Cultura, assinam carta contra a evolução, esquecendo-se de que as touradas e os trogloditas não têm lugar no Futuro

 

Esta carta levou mais de 240 personalidades pró-cultura e pró-evolução a assinarem uma outra carta a pedir o contrário:

«De Nuno Markl a Eunice Muñoz, mais de 240 personalidades pedem fim de touradas na RTP»

 

«Actores, escritores, jornalistas, músicos, coreógrafos, cantores, cientistas e pessoas de outras áreas. São mais de 240 as personalidades que assinaram uma carta, divulgada esta segunda-feira, 31 de Maio, a pedir a revisão do contrato de concessão do serviço público de rádio e de televisão entre o Estado e a RTP, advogando que se acabe com a transmissão de touradas no canal.»

 

«Na carta dirigida ao ministro das Finanças, João Leão, e ao secretário de Estado do Cinema, Audiovisual e Media, Nuno Artur Silva, os signatários garantem que, se a revisão for feita, “poderemos finalmente ter uma televisão pública livre da transmissão de espectáculos que se baseiam na violência contra animais e normalizam tais comportamentos, como, por exemplo, sucede na tauromaquia”

 

«No documento, as personalidades relembram vários pontos que foram transcritos da versão preliminar do contrato, ressaltando que a cultura e a língua portuguesa são “promotoras dos direitos humanos, de um ambiente sustentável e do bem-estar dos animais” e que a RTP deve “promover o acesso do público às manifestações culturais portuguesas, desde que as mesmas não atentem contra os direitos humanos, a sustentabilidade ambiental e o bem-estar dos animais”.»

 

De acordo com os signatários desta carta aberta, divulgada esta segunda-feira, contando-se entre eles, Nuno Markl, Eunice Muñoz, Sara Matos, Pedro Teixeira, Diogo Piçarra, Rodrigo Guedes de Carvalho, Inês Sousa Real, Paulo de Carvalho, Helena Isabel, só com o fim da transmissão de touradas, Portugal pode ter uma RTP mais ligada às preocupações éticas dos telespectadores, no que respeita à protecção animal.

 

Fonte dos excertos, a itálico:

Entornointeligente.com

https://www.entornointeligente.com/de-nuno-markl-a-eunice-muoz-mais-de-240-personalidades-pedem-fim-de-touradas-na-rtp/

 

***

A acrescentar a isto, temos o CHEGA com pretensões de INVADIR Lisboa, se quiserem proibir as touradas.

 

CHEGA.PNG

 

Pois que invadam Lisboa. Nesse dia, providenciaremos a entrada, na cidade, de algumas manadas de Touros desenfreados e com os cornos desembolados, como deve ser, para lhes fazerem frente. Cara a cara.   

 

Portugal não está dividido, no que respeita a esta matéria. Portugal está visivelmente inclinado para a ABOLIÇÃO da tauromaquia, algo que não se encaixa nas sociedades civilizadas contemporâneas. Isto é politiquice de partidos “cheguistas”. Já estamos na cauda da Europa em tantas coisas, não queiramos estar do lado desta minoria troglodita, que envergonha Portugal e toda a Humanidade.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:57

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Sexta-feira, 30 de Abril de 2021

Quando os ditadores se consideram deuses imortais…

 

Em 30 de Abril de 1945, Adolf Hitler suicida-se no seu bunker.

 

Dedico esta memória aos actuais ditadores, que nos rondam sub-repticiamente, disfaçados de democratas, para que não se esqueçam de que nem são deuses, nem imortais. E deles não rezará a História, se não para os condenar.

 

Faz hoje 76 anos que o ditador Adolf Hitler, Chanceler do Reich (de 1933 a 1945) e Führer ("líder") da Alemanha Nazi de 1934 até 1945, principal instigador da Segunda Guerra Mundial na Europa, e personagem fulcral do Holocausto, se suicidou no seu bunker, e o mundo livrou-se de um dos maiores assassinos da Humanidade (um dos, porque à frente dele estão Stalin, Pol Pot, Mao Tsé-Tung, entre outros).

 

Em 12 de Março de 1938, por ocasião da anexação da Áustria, o "Anschluss", Adolf Hitler regressando de Viena, fez um discurso na estação de comboio de Nordwest, para uma multidão de 20 mil membros dos SA, SS e Juventude Hitleriana, no qual, com a veemência daqueles que se julgam deuses todo-poderosos, esquecendo-se da sua condição desumana, e de que é o FUTURO quem os julgará, disse o seguinte:

«Mostrei, durante a minha vida, que consigo fazer mais do que esses anões que levaram o País à ruína. Daqui a cem anos, o meu nome será visto como o do grande filho deste País!»

 

O que se passa, passados que são ainda 83 anos, sobre este discurso, é que não foram precisos os tais cem anos para que o Mundo o tenha como o grande filho daquilo que nós sabemos, que, cobardemente, se suicidou, por não ter a coragem de enfrentar a justiça dos homens. E os deuses, sendo imortais, que premência terão em se suicidarem?

 

Nenhum ditador, ainda que disfarçado de democrata, permanecerá para além da sua fracassada existência.

 

Isabel A. Ferreira

 

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Origem da foto: Internet

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:48

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Domingo, 25 de Abril de 2021

Que “25 de Abril” celebramos hoje: o da ilusão ou o da desconstrução?

 

Passados são já 47 anos, sobre aquela madrugada, na qual, todos os Portugueses pensantes e livres, dotados de Sentido de Cidadania e de Espírito Crítico, depositaram todas as esperanças de ver um Portugal finalmente livre da ignominiosa política despótica que o sufocava.

 

Por tudo o que aqui abordarei, repetindo o que ainda não foi alcançado e o que se destruiu, depois daquele primeiro 25 de Abril, o que teremos para celebrar hoje?

 

Seria da racionalidade que o actual governo, deputados da Nação, presidente da Assembleia da República, presidente da República, autarcas e partidos políticos, fizessem um acto de contrição e pedissem desculpa aos Portugueses, por pouco terem feito pelos ideais de Abril, ainda por cumprir.

 

Portugal é um país em franca decadência moral, social e cultural, e , em quase tudo, está na cauda da Europa, quiçá do Mundo. E disto não nos livra nem o clima, nem as belas paisagens, os monumentos, a gastronomia e a relativa segurança na vida quotidiana. Porque tudo isto é apenas para estrangeiro ver e viver.

 

25 de ABRIL -  Toné.jpg

 

Esta imagem representa a esperança que os jovens, a caminho do Futuro, depositaram na Revolução dos Cravos, sonhando com uma sociedade onde pudessem estudar, tirar um curso, exercer a profissão, na qual tanto investiram, viver e educar os filhos em liberdade…  Quantos deles se arrastam por aí, desempregados, ou com empregos precários?  Quantos deles foram obrigados a emigrar? E não foi para isto que se fez o 25 de Abril.

 

Que 25 de Abril celebramos hoje?

 

Bem, no que me diz respeito, celebro o facto de poder escrever nas linhas, o que até ao dia 25 de Abril de 1974 escrevia nas entrelinhas, através de senhas, para despistar a PIDE. Se bem que, já em “democracia”, no pós-25 de Abril, por ousar dizer verdades inconvenientes, ter sido “importunada” com vários processos judiciais, que acabaram sempre por ser arquivados, porque, obviamente, não era eu a criminosa.

 

Celebro também poder participar em eleições não manipuladas (por enquanto) pelo Poder, para escolher a governação do meu País. Só que foram pouquíssimas as vezes em que os candidatos, que eu tinha como honestos e incorruptíveis, para poderem exercer o Poder, e em quem votei, chegaram ao Poder. Mas não será esta uma particularidade da Democracia?  Não será o Poder o espelho do Povo?

 

Celebro poder viajar para o estrangeiro, sem ter de pedir permissão ao marido.

 

Contudo, NÃO celebro a LIBERDADE de que tanto se fala, quando se fala de Abril, porque LIBERDADE sempre a tive, mesmo com a PIDE a rondar os meus calcanhares; mesmo com a censura a tentar travar-me o PENSAMENTO, porque, para mim, LIBERDADE não é poder fazer ou dizer tudo o que me apetece. Para mim, LIBERDADE é poder PENSAR, ter SENTIDO DE CIDADANIA e ESPÍRITO CRÍTICO, algo que nenhum algoz, por mais autoritário que seja, jamais poderá arrancar de mim, porque, como diz Manuel Freire, na canção que escreveu e compôs, intitulada LIVRE, a qual já cantei com ele (meu primo, em quarta geração), num tempo em que era proibido cantá-la: 



Não há machado que corte
a raiz ao pensamento
(…)
 porque é LIVRE como o vento (…)»

 

E este é o verdadeiro espírito da LIBERDADE, que deveria ser celebrada no 25 de Abril, e não é celebrada, porque o conceito de Liberdade foi amputado, e a tão ansiada DEMOCRACIA PLENA (aquela em que os governantes servem o Povo e o País, e não os lobbies e os seus interesses particulares; aquela em que o Povo é quem mais ordena) está ainda por cumprir,  porque esmagada por governos autoritários, por um Parlamento ao serviço de interesses lobistas, e por presidências da República sem o mínimo sentido de Estado (exceptuando o General Ramalho Eanes).

 

Se o 25 de Abril trouxe à sociedade portuguesa alguns benefícios, os malefícios estão a superar esses benefícios, e Portugal retrocede a olhos vistos nas poucas conquistas que o 25 de Abril lhe trouxe. Em 47 anos desconstruiu-se o País que a Revolução dos Cravos, com boas intenções, tentou construir.

 

Como podemos celebrar Abril, se estamos atolados em corrupção, vigarice, hipocrisia, subserviência, servilismo, ganância, negociatas, enriquecimento ilícito, ignorância optativa, irresponsabilidade, negligência, incompetência, condutas terceiro-mundistas, fraudes, paus-mandados e imposições prepotentes?

 

Portugal serve de motejo a países que, apenas por mero interesse, lhe finge amizade, algo que uma cegueira mental acentuada não permite vislumbrar.

 

Já não somos Portugal. Perdemos a nossa IDENTIDADE e a nossa DIGNIDADE de País livre e independente, ao descartarmos a Língua Portuguesa, substituindo-a por uma mixórdia, cada vez mais bizarra e funesta, que nos envergonha a todos.

 

 Eis o que, passados 47 anos, Portugal continua a ser: 

 

 - Um país, onde ainda se continua a viver em pobreza extrema, com crianças e idosos a passarem fome, com bairros de lata às portas de Lisboa, e centenas de sem-abrigo, sem esperança alguma.

- Um país, que continua a ter a maior taxa de analfabetismo da Europa.

- Um país dos que menos gasta na Saúde, com um Serviço Nacional de Saúde caótico, onde falta quase tudo, e o aumento da Tuberculose (agora disfarçada, pela pandemia, que tomou conta das notícias) diz do subdesenvolvimento, do retrocesso e da miséria que ainda persistem por aí.

- Um país que empurra para o estrangeiro os seus jovens mais habilitados: enfermeiros, médicos, engenheiros, investigadores, artistas.

- Um país com o terceiro pior crescimento económico da Europa.

- Um país que mantém o trabalho precário, e salários miseráveis, enquanto que para a “cultura” da morte (touradas e caça), os subsídios são obesos.

-  Um país com a 3ª maior dívida pública da União Europeia.

- Um país cheio de gritantes desigualdades sociais, onde os ricos são cada vez mais ricos, e os pobres, cada vez mais pobres.

- Um país onde ainda há populações que vivem sem água encabada, sem electricidade, sem esgotos, sem telefone.

- Um país cheio de banqueiros e outros que tais ladrões, que sugam o dinheiro do Povo.

- Um país com um governo que se diz de esquerda a fazer políticas de direita.

- Um país com uma Comunicação Social submissa e servilista.

- Um país onde a Justiça anda de rastos, com processos que demoram tempos infinitos, com o intuito de prescreverem; uma justiça extremamente cara, desigual, lenta, injusta, e, em muitos casos, nomeadamente no que respeita ao MP, anda ao sabor de interesses políticos.

- Um país onde a Constituição da República é violada por quem a deveria defender.

- Um país com uma política e políticos desacreditados.

- Um país que promove a violência contra animais não-humanos, o que por sua vez gera a violência contra os seres humanos; um país que os mantêm acorrentados, enjaulados, torturados em público, para gáudio de sádicos e psicopatas.

- Um país com um elevado índice de violência doméstica.

- Um país com um elevadíssimo número de crianças e jovens em risco.

- Um país que atira crianças para arenas de tortura de animais, e permite que sejam iniciadas em práticas violentas e cruéis, roubando-lhes um desenvolvimento normal e saudável, o que constitui um crime de lesa-infância. Impunível.

- Um país cheio de grupos e grupelhos de trabalho; de secretários; de secretários de secretários; de assessores; de secretários de assessores; de comissões; de subcomissões, que não servem absolutamente para nada, a não ser para ganharem salários descondizentes com os serviços que (não) prestam; de deputados a declararem moradas falsas para receberem subsídios ilícitos; de deputados a declararem habilitações falsas;  e  ex-presidentes da República com gabinetes e mordomias, à excepção do General Ramalho Eanes.

- Um país que descura a sua Flora e a sua Fauna, mantendo uma e outra ao abandono e à mercê de criminosos impuníveis.

- Um país que mantém as Forças de Segurança instaladas em edifícios a caírem de podres, e com falta de quase tudo.

- Um país onde ainda existem Escolas com instalações terceiro-mundistas, sem as mínimas condições para serem consideradas um lugar de aprendizagem; e com tribunais, como o de Monsanto, que parece um galinheiro abandonado.

- Um país onde as prisões são lugares de diversão, com direito a vídeos publicáveis no Facebook; e onde droga é traficada, descaradamente.

- Um país cheio de leis e leizinhas inúteis e retrógradas, que não servem para nada, a não ser para servir lobbies dos mais hediondos, e proteger criminosos impuníveis.

- Um país que não promove a Cultura Culta, e apoia a tortura de Touros e Cavalos, a que muitos querem, porque querem, que seja arte e cultura

- Um país que apoia chorudamente a caça, assente em premissas falsas e exterminadoras.

- Um país, cujo Sistema de Ensino é dos mais caóticos, desde a implantação da República, onde falta quase tudo, e com a agravante de se estar a enganar as crianças com a obrigatoriedade da aprendizagem de uma ortografia que não é a portuguesa, a da Língua Materna delas, estando-se a incorrer num crime de lesa-infância. Impunível.

- Um país, que tinha uma Língua Culta e Europeia, e hoje tem um arremedo de língua, uma inconcebível mixórdia ortográfica portuguesa, imposta ditatorialmente por políticos pouco ou nada esclarecidos e servilistas, que estão a fabricar, conscientemente, os futuros analfabetos funcionais, e a promover a iliteracia. E já sou poucos os que escrevem correctamente a sua Língua Materna.

- Um país onde os governantes não sabem escrever correCtamente, a Língua oficial do País que dizem servir: a Portuguesa. E como referiu Maria Alzira Seixo: «Ao menos, Salazar sabia escrever».

- Um país onde, parvamente, se começou a dizer “olá a todos e a todas, amigos e amigas, portugueses e portuguesas”, como se esta linguagem, dita inclusiva, viesse resolver as disparidades sociais. Uma desmedida parolice.

- Um país, com um presidente beijoqueiro e viciado em selfies (agora suspensas devido à pandemia) e um primeiro-ministro que não tem capacidade para ver o visível, muito menos o invisível, que qualquer cego, de nascença, vê à primeira vista.

- Um país, que em 2018/2019 foi marcado por uma constante contestação social, com o número mais elevado de sempre de greves em todos os sectores da sociedade portuguesa, número que continuaria a aumentar em 2020/2021 não fosse a invasão covideira.

- Enfim, um País que perdeu o rumo, e faz de conta que é um país.  

 

Os 47 anos da Revolução dos Cravos não foram ainda suficientes para acabar com todas estas nódoas negras que mancham a  Democracia que deveria ter nascido do 25 de Abril?

 

Enquanto tudo isto (e muito mais, que agora não me ocorre) não sair da lista do que não se quer para um País de Primeiro Mundo, evoluído e civilizado, o que há para comemorar em mais este 25 de Abril?

 

Como disse Manuel Damas, num texto escrito há dois anos, no Facebook, por esta altura:

 

Não foi para isto que se fez Abril. Falta cumprir Abril, porque falta:

 

- recuperar a Honestidade;

-recuperar a Seriedade;

- recuperar a Dignidade;

- recuperar o Pudor.

- recuperar o Sentido de Estado.

- recuperar o Sentido de Missão no exercício da Política para o Povo e pelo Povo.

 

E acrescento eu:

- Falta também recuperar a vergonha na cara.

 

Isabel A. Ferreira

***

Uma entrevista ao autor da imagem, que ilustra este texto, a quem faltam apoios para sobreviver da sua ARTE:

 

Entrevista Toné.png

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:11

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Terça-feira, 6 de Abril de 2021

Este monstro marinho, chamado “Bashar One”, pretende exportar animais vivos de Espanha para o Médio Oriente

 

A Igualdad Animal – Organização Internacional de Protecção Animal, que trabalha com governos e empresas, para acabar com a crueldade contra os animais de quinta, num comunicado que me foi enviado, dá-nos conta de que estando Silvia Barquero, directora executiva desta organização, no porto de Cartagena, denunciado a situação dos bezerros massacrados nos navios Karim Allah e Elbeik, de que também já demos conta, neste Blogue, eis que chega ao porto um novo navio gigante com 35.000 animais. Este monstro marinho, chamado Bashar One, pretende exportar animais vivos de Espanha para o Médio Oriente.  

 

Eis um link para a notícia que a Igualdad Animal publicou, dando conta da história deste navio e das denúncias que ele acumula por maltrato animal, sugerindo que partilhemos com todos os nossos contactos, e se assine a petição para que estas tragédias não se repitam:  compartir la noticia con tus contactos   

 

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Na Igualdad Animal continua-se a trabalhar incansavelmente, denunciando este comércio cruel e não irão parar até que a exportação de animais vivos seja proibida.  Não se pode permitir que a Espanha se torne um escoadouro   para abusos de animais na Europa.

 

Estou com esta Organização, e em Portugal temos de lutar também, por esta causa, porque, como é do conhecimento público, por cá também se exportam animais vivos para o Médio Oriente, em condições das mais miseráveis, para serem sacrificados em rituais bárbaros.

 

É preciso acabar com esta carnificina, porque vivemos no século XXI depois de Cristo, tão miseravelmente como nos tempos mais obscuros, de muito má memória.

 

Isabel A. Ferreira

 

Fonte:

https://igualdadanimal.org/noticia/2021/04/06/gigantescos-buques-rechazados-en-australia-pretenden-exportar-animales-desde-espana/

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:48

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Quinta-feira, 4 de Março de 2021

É dos piores casos de maus-tratos a animais, que acontece em pleno território europeu. E ninguém fala sobre isto.

 

Que Europa será esta, ainda tão troglodita?

***

Animal Save & Care Portugal

 

POR QUE É QUE NINGUÉM ESTÁ A FALAR SOBRE ISTO!?


É dos piores casos de maus-tratos a animais que aconteceu dentro desta indústria vil e cruel que é a pecuária e o transporte de animais vivos por via marítima.


Em pleno território europeu nega-se ajuda a centenas de animais indefesos que apenas têm a morte como alternativa.


Que vergonha Europa! Que falta de compaixão, de decência moral, de humanidade!

Dizemo-nos a sociedade mais igualitária do mundo civilizado, como é que temos coragem de ignorar tamanha crueldade!?


Nada disto tem de existir. Os maltratos contra animais deveriam ser considerados crime, porque é que é tão difícil de entender algo tão simples?

 

Vitelos.jpg

Fonte:  https://www.facebook.com/animalsaveandcareportugal/photos/a.383285528984198/766755420637205/

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:28

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Quinta-feira, 21 de Janeiro de 2021

Uma triste imagem de Portugal na Europa. Merecemos isto?

 

Há coisas que nos envergonham, até à medula.

E esta é uma delas.
E  não havia necessidade…
E depois deste escândalo todo, tudo continua igual: quem devia demitir-se, não se demitiu. Não se demitem.
As cadeiras do Poder parecem ser untadas com Super Cola. 
E isto também nos envergonha. 

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:32

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Terça-feira, 15 de Dezembro de 2020

«Os inquéritos do Eduardinho»: análise das aventuras e desventuras do Ministro da Administração Interna de Portugal

 

Uma excelente análise por Teresa Botelho, no seu Blogue Retalhos de Outono:

 

«Quando se entra na chamada 3ª idade, temos duas escolhas que poderão depender da postura mais ou menos alerta de cada um, obrigando alguns a seguir o bando sem questionar o que os rodeia, numa rendição morna e passiva ao sistema, com um encolher de ombros tolerante, mesmo perante o intolerável e outros a intervir, partindo a loiça e dizendo, alto e bom som, o que lhes dá na telha sem medo nem preconceitos!»

 

JOSÉ SENA GOULÃO-LUSA.jpg

Foto: José Sena Goulão/ Lusa 

 

«Ouvimos repetidamente dizer que em Portugal, os Direitos Humanos são respeitados!  

 

Ouvimos igualmente dizer que Portugal é um Estado de Direito, onde as liberdades e a dignidade humana são respeitadas, mas será que são mesmo, ou isso só acontece às vezes quando convém?

 

O dever de respeitar o outro, seja qual for a sua origem, cor, género, opções sexuais, religião, etc., faz parte de uma ética sociocultural que cada um de nós deveria adoptar a cada passo e sem desvios...

 

O "orgulhosamente sós", apregoado numa das épocas mais sinistras da nossa História, foi finalmente trocado pelos novos tempos que tiveram o privilégio de nos escancararem as portas para um mundo até então ignorado, habitado por outras gentes e diferentes culturas que bem ou mal, nos vão ensinando que a vida não pode ser a "Alegoria da Caverna", mas sim o normal mar de conhecimento e experiências que nos obrigam a sair do isolamento e da ignorância, para que possamos reflectir com clareza, para além das fronteiras acanhadas em que nascemos. 

 

Quando se entra na chamada 3ª idade, temos duas escolhas que poderão depender da postura mais ou menos alerta de cada um, obrigando alguns a seguir o bando sem questionar o que os rodeia, numa rendição morna e passiva ao sistema, com um encolher de ombros tolerante, mesmo perante o intolerável e outros a intervir, partindo a loiça e dizendo, alto e bom som, o que lhes dá na telha sem medo nem preconceitos! 

 

É por pertencer ao segundo grupo que hoje decidi dar largas à minha revolta, pela tentativa, felizmente frustrada, de encobrimento do assassinato e tortura de um cidadão ucraniano no aeroporto de Lisboa, por inspectores do Serviço de Estrangeiros e Fonteiras (SEF), no dia 12 de Março do corrente ano e por ter tido conhecimento da forma criminosa como são tratados muitos dos que, vindos de outros países, ousam entrar em Portugal pelo aeroporto, ingenuamente convencidos que aqui encontrarão respeito, decência e melhores condições de vida!   

 

Posto isto, é com profunda repulsa que coloco como rosto principal deste caso, em concreto, o Ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, pela forma imoral como pretendeu ocultar e depois arrastar o caso no tempo, até um possível esquecimento e  desvalorizando o valor de uma vida que era seu dever proteger!

 

A ele, junto igualmente uma vasta trupe em altos cargos públicos, assim como uma instituição pública, cujo vergonhoso intuito de passar incólume entre os "pingos da chuva", fugindo cobardemente à justiça e às responsabilidades, com a absurda desculpa de que os nove meses em que todos eles fizeram silêncio sobre a morte de um inocente, se deveu apenas à pandemia!   

 

A todos esses indigentes, despojados de humanidade e valores,  junto ainda o Presidente da República, tão pródigo na distribuição de afectos e generoso com os "pobrezinhos", sobretudo quando as televisões estão por perto, ou nos supermercados, quando empurra sorridente o carrinho de alimentos para o Banco Alimentar, não se lembrando sequer que neste caso, uma mulher e duas crianças, perderam além do seu sustento, um ente querido, porque o Estado que ele próprio representa, torturou e matou barbaramente, o importante pilar de apoio a uma família!  

 

Este é sem dúvida um caso de contornos sinistros que ao mesmo tempo nos mostra que além de sermos governados por gente sem caracter, escrúpulos, nem princípios, temos também um "cavalinho de cortesias" em Belém, presente em qualquer evento público, que lhe possa encher o inflamado ego, cangalheiro oficial em funerais mediáticos e missas, mas cuja presença, afinal não passa de  hipocrisia, porque só quando percebeu que a sua falha institucional de apoio às vítimas, era criticada em véspera de eleições, é que achou por bem, dar ao país uma falsa justificação, facilmente desmontada, já que em outros casos, nunca o desenrolar de qualquer inquérito judicial, foi entrave às suas frequentes aparições "caridosas" e opiniões, por isso, poderemos aqui facilmente afirmar que as últimas explicações dadas, quanto à omissão deste caso, não passaram de uma deslavada mentira!     

 

Sem dúvida que esta pandemia tem tido as costas largas, mas é estranho que só agora, a incúria e os lapsos do Ministro Cabrita, tenham sido notados, porque desde 2017, após os grandes incêndios que tantas vítimas causaram e após todos os inquéritos noticiados e encomendados para mostrarem serviço que posteriormente se perderam em qualquer arquivo morto do Ministério, como aconteceu com o caso das golas inflamáveis, ou  certas agressões policiais comprovadas e divulgadas pela comunicação social, assim como o rol de incompetências e irresponsabilidades que pesam sobre um ministro que há muito deveria ter tido a dignidade de se demitir, em vez de representar o triste papel de qualquer garotinho que rouba o lanche do amigo e acusa os colegas, para que outros sejam punidos no seu lugar.

 

Parece obvio que, pelo menos, perante este último escândalo, só o indecente compadrio com o 1º Ministro, o consegue ainda manter em funções! 

 

Um ministro que se vitimiza cobardemente numa conferência de imprensa, declarando-se incompreendido e abandonado, ao longo de um discurso choramingão próprio de um desgraçadinho sem rumo,  acabando por lançar as culpas à Comunicação Social, por esta ter cumprido as suas funções de informar os factos que ele próprio tentou ocultar e achando que mais uma vez passaria incólume com a  "corajosa" demissão, apesar de tardia, da directora do SEF, é sem dúvida a imagem de um país decadente, governado por sabujos incompetentes sem brio que escondem e sacodem os seus erros uns para os outros, arrastando a maioria dos processos mais mediáticos durante anos, com a conivência de uma Justiça podre e a evidente falta de sentido de Estado, caracterizada pela impunidade dos criminosos do regime e por uma falta de honestidade que nos deveria envergonhar a todos!

 

Se a cultura deste povo tivesse sido considerada prioritária ao longo dos anos e empenhada no alicerçar dos valores essenciais à formação de sociedades informadas e exigentes na análise e defesa de uma verdadeira democracia, Portugal seria decerto um país mais respeitado e não o filho bastardo de uma Europa que nos critica,  antevendo as nossas falhas e fragilidades, como alimento preferido de corruptos, exploradores dos mais fracos e fonte de radicalismos xenófobos, imorais e ideologias enganadoras que nos levarão ao caos e a um maior descrédito. 

 

No primeiro governo de António Costa, entregaram-se os Ministérios da Administração Interna a Eduardo Cabrita, (após a demissão da anterior ministra, durante os incêndios que vitimaram dezenas de pessoas) e o Ministério do Mar e Pescas, à sua esposa. 

 

Choveram as críticas de nepotismo e de favorecimento a uma família, cujos laços de amizade com o 1º Ministro, eram sobejamente conhecidas, mas no 2º governo, entre desentendimentos e arrufos, o Ministério do Mar, lá conseguiu sair da família, mas manteve-se na Administração Interna, o amigo Cabrita, visto constarem no seu currículo obras notáveis como os Kits Aldeia Segura, com as 70 mil golas anti fumo, adquiridas por ajuste directo ao marido de uma autarca do PS da zona de Guimarães e vendidas ao Estado pelo dobro do seu valor, mas embora o Ministério Público, tenha constituído até hoje 18 arguidos por uso fraudulento de subsídios, corrupção passiva, abuso de poder e branqueamento de capitais, alguns deles, ainda se mantêm em altas funções no Ministério Cabrita, após a demissão dos restantes.   

 

Ao longo de 3 anos de silêncio, buscas e vários adiamentos dos referidos processos, ainda não se sabe se irão ou não a julgamento o que colocaria igualmente o Ministro Cabrita em cheque, como aconteceu com Azeredo Lopes no caso de Tancos que por não ser tão chegado à família Costa, teve menos sorte!

 

A tentativa do "passa culpas", é a face dos cobardes e basta estar atento às várias intervenções deste Ministro ao longo dos seus dois infelizes mandatos, para se perceber que além da insegurança, ou obsessão compulsiva com que se defende de qualquer pergunta menos fácil, olhando de soslaio e movendo repetidamente a cabeça da direita para a esquerda e vice versa, vai anunciando inquéritos a torto e a direito, sem consequências nem fim à vista, no desejo talvez de mostrar a competência que sempre lhe faltou e que decerto sabe que tem. 

 

Têm sido também "resolvidos" com inquéritos, os escândalos mais mediáticos de agressões policiais, muitos deles com comportamentos racistas, ou até a proibição de socorro aos animais do canil ilegal de Santo Tirso que poderia ter poupado a vida a centenas de animais e que gerou uma onda de revolta popular e uma audição parlamentar ao Ministro, mas que pelos vistos, não passou de fogo de vista, porque já é sabido de antemão que mesmo que a indignação dos populares seja grande, rapidamente acalmam e se conformam, com as mãos cheias de nada que lhes são oferecidas .

 

De qualquer forma, a tentativa de encobrimento desta morte macabra no aeroporto, talvez seja a gota de água que faltava para alguma limpeza tanto da instituição SEF da qual ainda nos falta saber muita coisa, como do Ministério da Administração Interna, com o Ministro na vanguarda, mas será que neste país ainda há decoro, ou só se fazem demissões cosméticas, como a da directora do SEF, para depois se comprar o seu silêncio com um alto cargo no Reino Unido, ligado à imigração e um salário mensal de doze mil euros.

 

Finalmente e como a conversa já vai longa, embora muito tenha ainda ficado por dizer, o conselho que eu daria ao senhor Cabrita, é que meta os botões de pânico, na gaveta suja dos seus inquéritos,   mais a sua postura de vítima e assuma-se pelo menos uma vez na vida, trocando, se for capaz, a imagem dada pelo seu sobrenome fofinho, pela dignidade de um "Cabra Macho" corajoso e demita-se quanto antes, nem que o Costa tussa...»

 

Fonte:

https://retalhosdeoutono.blogspot.com/2020/12/os-inqueritos-do-eduardinho.html?showComment=1608048279600#c2440744880957700927

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:47

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