Terça-feira, 22 de Maio de 2018

«DA VIOLÊNCIA DAS TOURADAS À EDUCAÇÃO VIOLENTA: UMA PERSPECTIVA PSICOLÓGICA»

 

Um magnífico texto (longo mas muito elucidativo) que todos os deputados da Nação devem ler, pormenorizadamente, para saberem que, ao apoiar legislativamente as touradas estão a contribuir para a deformação mental das crianças envolvidas neste mundo de crueldade e violência e tortura gratuitas, mas também a alimentar os instintos sádicos dos adultos, e a negligenciar a saúde mental de uma franja da sociedade portuguesa, ainda que minoritária.

E esta não é, de todo, a função dos governantes.

No final, encontram muita bibliografia para se esclarecerem.

Quero lembrar que só é ignorante quem opta por ser ignorante, porque informação não falta.

 

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 A exposição de crianças a cenas de violência, ao vivo ou através de meios mediáticos, pode até contribuir para fazer-lhes baixar o nível intelectual, a habilidade para a leitura (Delaney-Black et al., 2002), além de todos os inconvenientes para a sua formação ética e emocional…

 

 

Texto do Professor Dr. Vítor José F. Rodrigues

 

A Tourada como Narrativa

 

O que é uma tourada vista objectivamente e de fora? Um espectáculo de massas onde se destacam alguns aspectos: (1) estética e ritual. Os trajes dos protagonistas, com a sua cor, brilho e o carácter invulgar, a beleza dos cavalos e dos seus movimentos, os desfiles, a música, têm certo apelo e, para muitas pessoas, são agradáveis de ver; (2) violência. O touro, os touros, são espicaçados para desenvolverem um comportamento agressivo. Os toureiros, forcados e outros, exibem agressividade face ao touro, ora provocando-o, ora ferindo-o, ora agarrando-o. O sangue torna-se evidente, escorrendo da pele do animal; (3) perigo. Não falemos no touro, cujo destino, após ser literalmente torturado em público, é uma morte dolorosa. Os restantes protagonistas das touradas colocam-se a si mesmos em risco para poderem exibir habilidade e coragem e, por vezes, são colhidos e podem ficar feridos ou morrer; (4) ruído, aplausos, entusiasmo. A multidão reage, aplaude, entusiasma-se quando o touro é ferido por bandarilhas seja no toureio a pé ou a cavalo.

 

Qualquer espectador de uma tourada assiste a um evento onde, de certo modo, o touro é o vilão que deve ser derrotado pelo toureiro, que se expõe ao perigo representado por este “vilão”. Muitos aplaudem os momentos em que a pele e carne do touro vão sendo cravadas pelas farpas, que produzem sangramento evidente. Toda a sequência da tourada está fortemente ritualizada e tem momentos específicos antes de depois da “luta com o touro”. De certo modo, a tourada conta uma história. Nessa história, uma grande besta malvada (o touro) confronta-se com heróicos lutadores (os toureiros) que podem e devem atacá-lo com farpas. O touro investe, após ser espicaçado e provocado, de certo modo parecendo “justificar” a violência dos toureiros. Após algum tempo, o touro derrotado é morto ou simplesmente retirado do recinto (o que acontece depois passa-se fora do olhar da multidão). O toureiro bem-sucedido passeia-se pela praça e recebe os aplausos da multidão. Como salienta Murray (1985), nós somos contadores de histórias e gostamos de encontrar sentido na nossa própria história pessoal. Não é por acaso que as crianças gostam tanto de ouvir ou ler histórias. O próprio conceito de identidade, que vamos construindo ao longo da vida, não é estático: implica o conceito de nós mesmos, com a nossa experiência de vida, desenrolando-se através do percurso biográfico. O modo como nos comportamos implica, de resto, conceitos acerca do que é adequado fazer em cada situação sendo que, por sua vez, cada situação é “narrada” para nós mesmos de determinada maneira que passa pela experiência de vida e pelas “histórias” a que vamos sendo sujeitos. Por exemplo, quando vamos a um restaurante, existe uma “história” subjacente. Nessa “história”, temos a expectativa de que iremos encontrar mesa, sentar-nos, ver o menu, talvez dialogar com um empregado, escolher uma refeição, aguardar que a tragam, comer (mesmo aí havendo modos de comer ritualizados) e, no fim, pedir a conta, pagar e sair. Não costumamos, por exemplo, imaginar que iremos dirigir-nos à cozinha, apontar uma arma ao cozinheiro-chefe e exigir-lhe peru estofado. As histórias que vamos aprendendo a contar acerca da nossa vida e das vidas dos outros são extremamente importantes para que o nosso mundo faça sentido.

 

A mais que dúbia intenção pedagógica das Touradas

 

Retomemos o assunto das touradas. É fácil ver, por lá, pessoas de ambos os sexos e das mais variadas idades – incluindo crianças e adolescentes. O impacto pedagógico e psicológico deste último facto merece consideração. Alguns apologistas das touradas (para uma ampla revisão, ver o texto de Paul Hurt, 2012) costumam invocar a seu favor, entre outros argumentos: a) a vantagem de perpetuar uma tradição que tem muitas raízes históricas; b) o facto de estarem a exibir violência, que pode ser útil na preparação das crianças para um mundo violento e c) o carácter “artístico” das touradas. Vamos discutir um pouco cada um destes temas.

 

 a) Tradição e raízes históricas?

 

 

Diz-se que a tradição representa a alma dos povos e que, fazendo as touradas parte da alma de alguns (Português, Espanhol, Mexicano), devem ser perpetuadas e não erradicadas. Contudo, representarão as touradas a alma de algum povo? Por exemplo do povo português? Terá a barbárie de um espectáculo de sangue e violência a ver com a alma de alguma coisa? Supostamente, a “alma” representa o aspecto mais nobre, duradouro, ético e profundo do psiquismo humano. Note-se, entretanto, que os romanos já tinham a tradição dos combates entre seres humanos e bestias: na Roma antiga, era muito frequente o transporte de animais de grande porte para a capital, para serem aí mortos por uma especial classe de gladiadores, os bestiarii. Essa era uma variante dos combates de gladiadores, que fazia as delícias da multidão. Segundo o mesmo autor que nos faz notar este facto (Nell, 2006), uma das raízes para o grande êxito comercial dos espectáculos sanguinários (incluindo filmes violentos, espectáculos como o boxe, “vale tudo”, luta livre, etc.) reside numa herança filogenética (e não só cultural) muito antiga: as origens do prazer que algumas pessoas evidenciam ao infligir dor e/ou ao derramar sangue, bem como o prazer de outras em assistir, teria origem na história remota da espécie humana e no antigo valor adaptativo da violência e mesmo da crueldade. Estaria ligada à predação que, por sua vez, era útil à sobrevivência. Assim, o gozo cultural da crueldade seria uma consequência da “adaptação predatória” do passado – que, por sua vez, visava a sobrevivência dos mais aptos após confrontos inter, e intra, espécies… Os estímulos encorajadores da predação seriam então, justamente, a dor, o sangue e a morte da presa e teriam valor de recompensa evidenciando o sucesso da caçada. Por outro lado, com o desenvolvimento das culturas hominídeas, ter-se-ia desenvolvido a crueldade, que já implica intencionalidade e planificação dos actos agressivos – e que, conforme sublinha o autor, evidencia o poder do perpetrador, tratando-se sobretudo de uma afirmação masculina. Assim, a enfatização da violência e o seu valor para a indústria do espectáculo teriam raiz no seu antigo valor adaptativo e de sobrevivência e teria, pois, uma base instintiva. A crueldade estaria na base de muitos comportamentos agressivos. Seria activada por estímulos visuais, auditivos, olfactivos, gustativos, tácteis e viscerais – podemos ver aí muita da excitação das multidões que consomem violência, sobretudo ao vivo, onde a riqueza de estímulos é maior. Existe um prazer nos predadores ao saborearem a carne, ao cheirarem o sangue, verem vísceras expostas, escutarem os gritos das vítimas feridas. Entre os chimpanzés, a violência surge também facilmente associada à defesa de território e à luta pela afirmação social e sexual – mas, no que toca a comportamento predatório, eles podem perfeitamente começar a comer a vítima enquanto esta está ainda viva. Caçar e matar costumam ser momentos de evidente prazer para os predadores, nomeadamente entre os primatas. Mesmo a proximidade entre sexualidade e agressividade é evidenciada neurofisiologicamente pelo facto de que alguns grupos neuronais no cérebro emocional (e na amígdala) podem ser activados por actividades seja sexuais ou agressivas. As fêmeas, entre os primatas, costumam responder de modo muito positivo aos machos vencedores e, mesmo entre as sociedades primitivas humanas, parece evidente que as caçadas a presas de grande porte são mais perigosas, mas produzem maiores recompensas sexuais pois os que matam grandes presas são altamente valorizados. Retomemos o nosso tema: é este tipo de raiz que aponta para a alma de um povo que ainda consente nas touradas? Ou será antes uma raiz que aponta para o carácter ainda primitivo, bárbaro e desumano de uma tradição que desonra a alma de quem a deixa ser ainda? A tradição ou a antiguidade em si não devem ser argumentos de coisa nenhuma; caso o fossem, poderíamos defender a perpetuação, com base no seu carácter antigo e tradicional, dos combates de gladiadores, dos sacrifícios humanos e de animais (na verdade, na tourada, o touro é mais ou menos sacrificado ritualmente), da caça às bruxas, dos torneios medievais, das bacanais gregas e assim por diante. A “tradição” deve ser temperada com o progresso civilizacional. O deleite com o sangue a tortura representa a humanidade no seu pior, no que tem de selvaticamente agressivo e estreito. Afirmar o contrário dela é afirmar o valor da Solidariedade connosco mesmos e com a Natureza e reconhecer que intrínseca e profundamente humana é a nossa Consciência individual que se alegra ao abrir-se para um Cosmos alargado e ao recusar o consumo de violências. As multidões que urram com as arremetidas sanguinárias dos toureiros unem-se no que têm de mais baixo e animalizado e fecham-se para a Cultura do Humano. Uma catedral ergue-se bem alto na afirmação do que os seres humanos podem realizar onde a tourada mostra quão baixo podem descer; uma sinfonia canta o que os gritos excitados dos aficionados silenciam.

 

b) Preparar as crianças para um mundo violento?

 

 

Alguns adultos que gostam de levar crianças muito jovens a touradas costumam achar que estão a partilhar com elas um espectáculo notável e que elas não somente irão apreciá-lo como ainda receber um bom contributo para a sua formação. Não temos dúvidas de que, na mente de alguns aficionados, as crianças submetidas à violência das touradas estão a aprender a apreciar a violência e os traços de masculinidade predatória dos toureiros, o que as prepara para um mundo agressivo e competitivo. Infelizmente este raciocínio peca por várias vias. Por um lado, acontece que preparar crianças para a violência é prepará-las para serem agentes da conservação de uma sociedade que está à beira da catástrofe global justamente por ser agressiva com a Natureza e consigo mesma. Falamos da mesma Sociedade de consumo que está a produzir níveis de poluição global tão elevados que já estão no limite em que trarão consigo alterações climáticas catastróficas, escassez, provavelmente guerras (Brown, 2006). Falamos da mesma Sociedade que perpetua a desigualdade em que os predadores ricos continuam a guardar para si mesmos o poder e o acesso à maior parte dos melhores recursos. Há, no entanto, outros aspectos a considerar. As crianças que assistem a touradas seja ao vivo (o que é pior) ou por via televisiva, estão a testemunhar violência. Essa violência é publicamente recompensada pelos aplausos da multidão além de que os “heróis” toureiros se apresentam, desde o início, ataviados de maneira faustosa, exibindo essa mesma riqueza que desejam perpetuar (pois, não esqueçamos, as touradas são espectáculos de massas que movem muito dinheiro e interesses). A criança é, pois, desde logo levada a “apreciar” aquilo que os seus ídolos educativos, os encarregados e educação, lhe dizem ser boa coisa: a tourada. Além disso, vêem os toureiros exibir uma dose imensa de violência que é festejada e recompensada de várias maneiras, num ambiente festivo. Como se a violência pudesse ser coisa bonita, louvável, fonte de alegria. A mensagem implícita e explícita é, desde logo, algo como: “é bom ser violento, é bom ser toureiro, dá prestígio, dinheiro, e merece ser aplaudido”. As crianças são muito sensíveis a tudo o que lhes transmite a ideia de que, se fizerem esta ou aquela coisa ou tiverem esta ou aquela ideia serão apreciadas. Desde logo, está-se a transmitir-lhes a ideia de que, se imitarem os modelos adultos dos toureiros, com a sua violência predatória, a sua afirmação sanguinária de virilidade, a sua pomposidade exibicionista, serão apreciadas. Isto é ensinar o que, na verdade, está tremendamente errado.

 

Porque está errado ensinar o que as touradas ensinam? Porque equivale a ensinar que a violência é uma boa coisa e que torturar animais para nosso deleite é outra boa coisa. Não esqueçamos que, além dos touros, também os cavalos são obrigados a passar por níveis de tensão imensa, contrários ao seu normal espírito de herbívoros, e que muitos cavalos são colhidos. Num mundo em que a agressão à Natureza está na origem de uma evidente ameaça contra a própria sobrevivência da espécie humana, quereremos nós ensinar às crianças que elementos da natureza, como os touros, são “bestas malvadas” que podem e devem ser maltratadas? Quereremos nós transmitir-lhes que é bom ser violento, ressuscitar em nós os antigos instintos primitivos do prazer com as vísceras expostas, o sangue, a carne violentada, o cheiro a carnificina? Prepará-las para se aproximarem um pouco na direcção da violência assassina? E estaremos nós a respeitar as crianças e a sua necessidade de afecto e protecção ao levá-las a tais espectáculos? Ou a ensinar-lhes o contrário do amor que, como veremos, é social e individualmente saudável? Iremos discutir tudo isto com mais detalhe na secção sobre o lado psicológico das touradas. Por ora, recordemos que ainda hoje, nos muitos países onde as crianças ainda integram exércitos (Williams, 2004, fala em 300.000 crianças “alistadas”), é costume submetê-las a situações atrozes, a que são forçadas a assistir (como o violento assassínio de familiares à sua frente), como meio de levá-las a sentirem que não têm a quem recorrer fora do exército e que o mundo onde existem é, por natureza, violento e impiedoso e só os violentos impiedosos podem subsistir (op. cit. Pgs. 195-200). Claro, neste caso, as crianças não têm escolha: são submetidas à violência e sofrem os efeitos dela na sua formação precoce. O problema seguinte é que as crianças submetidas às touradas também não têm muita escolha. Resta saber qual o efeito real destes espectáculos na sua formação. Não será que, para começar, estão a prepará-las para repetir o que está mal, adaptando-as a uma sociedade violenta?

 

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A agonia do Touro... 

 

O Impacto Psicológico e Pedagógico Negativo

 

Numa revisão de literatura (Rodrigues, 2008), pudemos demonstrar que o amor é socialmente saudável, promove bons relacionamentos, assim como é preventivo de futuros problemas de saúde física e mental. As crianças criadas em ambientes de amor e cuidado e onde os mesmos são valorizados revelam-se, mais tarde, mais resilientes e mais fortes física e psicologicamente. O contrário é verdade para as que recebem precocemente a influência de serem negligenciadas e maltratadas (e obrigá-las a assistir a espectáculos que as fazem sentir mal pode ser um exemplo). Ora qual é a mensagem subjacente às touradas? A de que se pode e talvez deva ser violento em determinadas circunstâncias e de que maltratar animais pode estar certo se nos der prazer.

 

Salientemos agora um facto: as crianças que assistem a touradas (e mesmo os adultos) não o fazem sem consequências psicológicas e pedagógicas. Consideremos o que a investigação pode dizer-nos acerca disso.

 

Em 2000 (ver Declaração Conjunta na Bibliografia deste artigo), foi emitido um documento conjunto pelas: American Academy of Pediatrics, American Academy of Child & Adolescent Psychiatry, American Psychological Association, American Medical Association, American Academy of Family Physicians e American Psychiatric Association. Neste documento, cujo peso é imenso, os signatários salientam o seguinte (com base em mais de 30 anos de investigação e mais de 1000 estudos):

 

- A globalidade dos estudos evidencia de modo “esmagador” que existe uma relação causal entre a violência nos media (que incluem televisão, rádio, filmes, música e jogos interactivos) e o comportamento agressivo em algumas crianças. Em geral, “ver violência para entretenimento pode levar a aumentos nas atitudes, valores e comportamento agressivos, especialmente nas crianças”.

 

- As crianças que observam muita violência tendem a considerá-la um meio efectivo para resolver conflitos e a pensar que os actos violentos são aceitáveis.

 

- A visualização de violência pode levar a uma dessensibilização emocional em relação à violência na vida real. Isso pode diminuir a probabilidade de alguém tomar a iniciativa para proteger as vítimas de actos violentos.

 

- A violência para entretenimento “alimenta a percepção de que o mundo é um lugar violento e maldoso”, aumentando o medo de as crianças se tornarem vítimas de violência e, consequentemente, a sua desconfiança perante outros e os comportamentos de autoprotecção.

 

- Observar violência pode levar à violência na vida real. As crianças de tenra idade expostas a programas violentos tendem, mais tarde, a exibir maior tendência para comportamento agressivo e violento (quando comparadas com crianças não expostas.)

 

É de notar que em (2009) a American Academy of Pediatrics publicou novas recomendações confirmando a declaração emitida em 2000. Nas mesmas, recomenda uma cuidadosa filtragem dos programas violentos por parte dos responsáveis educativos para prevenir o seu impacto social e educativo maléfico junto das crianças e adolescentes. Os efeitos específicos da exposição a violência em programas televisivos têm sido investigados desde os anos sessenta, com resultados inteiramente coerentes com os dados constantes no relatório referido acima. A Fundação Henry Kaiser, no website “Key Facts” (2003), apresenta um artigo de revisão sobre esta área, mais uma vez documentando o facto de que, de acordo com estudos em laboratório e em ambientes naturais, a violência televisiva aumenta os posteriores comportamentos agressivos nas crianças (seja em termos verbais ou físicos), do mesmo modo que a exposição a programas que enfatizam antes a cooperação e o afecto aumentam a probabilidade de comportamentos pro-sociais. O mesmo artigo refere uma grande meta-análise, incidindo sobre 217 investigações acerca dos efeitos da violência televisiva, entre 1957 e 1990, que concluiu que “o visionamento de violência televisiva estava significativamente ligada a comportamento agressivo e anti-social, sobretudo entre os espectadores mais jovens”. Contudo, ainda segundo o mesmo artigo, vale a pena considerar dois estudos longitudinais: um deles, durante 17 anos com 707 famílias e conduzido por Jeffrey Johnson et al. (2002), concluiu que os adolescentes que tinham visionado mais de uma hora de televisão por dia, em média, evidenciavam posteriormente, enquanto adultos, uma probabilidade quase quatro vezes maior de exibirem comportamentos agressivos (22% face a 6%); o outro, conduzido por L. Rowell Huesmann et al. (1984) durante 20 anos tendo começado com uma amostra de 875 crianças nos anos sessenta (quando a violência na TV era de resto bem menor), concluiu que o visionamento de violência televisiva era um preditor significativo da agressão na idade adulta – e mesmo de comportamentos criminosos, independentemente do quociente intelectual, estatuto social ou estilo parental. Os rapazes que tinham visto programas violentos aos 8 anos de idade eram em média mais agressivos quando adolescentes e tinham mais prisões e condenações na idade adulta por violência familiar, assassínio e assalto. Num estudo posterior, Huesmann et al. (2003) confirmaram as mesmas conclusões.

 

Para Aidman (1997), a investigação em ciências sociais nos últimos 40 anos confirma e evidência que ver conteúdos televisivos violentos tem consequências negativas para as crianças destacando-se: o encorajamento a aprender comportamentos e atitudes agressivos; o desenvolvimento de atitudes amedrontadas ou pessimistas em relação ao mundo exterior; a dessensibilização das crianças em relação à violência no mundo ou às fantasias de violência fantasias e violência (que passam a ser consideradas normais). O problema da aprendizagem da violência agrava-se quando os seus perpetradores são vistos como atraentes, recompensados pela mesma, quando esta é especialmente gráfica, são usadas armas… A autora recomenda aos pais que encorajem e ajudem as crianças a tomar uma distância crítica face à violência que observam – exactamente o contrário do que fazem os apologistas das touradas, sendo que os toureiros se apresentam atraentes, exibem uma violência altamente gráfica, usam armas contra o touro e são visivelmente recompensados.

 

Um artigo recente de Huesmann e Taylor (2006) considera, após uma revisão de literatura, que a violência televisiva deve ser colocada na categoria das ameaças conhecidas à saúde pública. Esta conclusão é baseada no facto de que a violência ficcional na televisão em e filmes contribui para um aumento, a curto e longo prazos, nos comportamentos agressivos e violentos. Inclusivamente, os noticiários televisivos que apresentam violência também aumentam a violência imitativa. Para Huesmann e Taylor (op. cit.), a violência nos media não somente aumenta os comportamentos agressivos a curto termo nos mais jovens, mas ainda aumenta, quando prolongada no tempo, a aquisição de atitudes, crenças, cognições sociais, favoráveis à exibição de comportamentos agressivos e violentos mais tarde. No mesmo sentido vai um artigo de Hassan et al. (2009), os quais verificaram que a exposição à violência apresentada em filmes produziu, em adolescentes, um aumento nas atitudes favoráveis a esta, considerando-a tendencialmente aceitável e até desejável – sobretudo quando eles mesmos optam por ver grande número de filmes violentos. A consequência é uma provável facilitação da conversão de sentimentos agressivos em comportamento violento. Claro, observar violência não é a única causa da exibição da mesma, mas o número de estudos que incluem tal observação entre os factores favoráveis é enorme.

 

Embora a natureza específica dos conteúdos mediáticos envolvidos influencie obviamente os efeitos, é evidente que no geral a violência mediática tem efeitos profundamente anti-sociais nas crianças e jovens. Mas será que isto se confirma para a exposição à violência apresentada nas touradas? Vejamos.

 

As crianças e jovens, para não falar nos adultos, que assistem ao vivo a touradas estão a ser expostos a violência real, que está a acontecer a alguns metros de distância. O que sabemos em geral em relação a situações de exposição ao vivo? Que podem ser ainda mais geradoras de violência que as apresentadas através dos mass media. Huesmann (2011) investigou o efeito da exposição directa, na vida real, à violência em crianças israelitas e palestinianas. Verificou que a exposição directa, por observação, a cenas ou acontecimentos violentos aumenta enormemente a probabilidade de os observadores evidenciarem comportamentos agressivos posteriores – mesmo em relação a amigos ou colegas. De acordo com ele, “sabemos que todo o comportamento social é orientado por guiões codificados (programas para o comportamento) que todos adquirimos ao crescermos. Quando confrontados com um problema social, os jovens começam por fazer atribuições acerca do que está a acontecer na situação e depois recuperam das suas mentes aqueles guiões sociais que sejam mais facilmente recordados e pareçam mais relevantes” (pg 6). Noutros termos, para ele, a violência é contagiosa. Existem inclusivamente mecanismos neurológicos que ajudam a compreender de que modo a violência observada produz violência em nós: no “priming”, acontece que observar violência produz uma excitação neuronal que por sua vez nos leva a activar representações e memórias relacionadas; na imitação, acontece que os seres humanos têm uma tendência natural, herdada nos seus mecanismos cerebrais, para imitarem o que vêem; na transferência de excitação, verifica-se que se já observámos antes cenas violentas, a excitação neuronal relacionada com elas e activada por elas leva-nos mais facilmente a exibir respostas comportamentais violentas. Huesmann refere este facto, no que coincide com uma pesquisa recente, em que investigadores da Universidade de Columbia (2007), recorrendo a ressonâncias magnéticas funcionais, demonstraram que ver programas violentos pode levar as áreas cerebrais que inibem a agressividade a diminuir a sua função. Isto, por sua vez, coincide com o facto, igualmente constatado, de que as pessoas com tendência superior à média para actos agressivos evidenciam menor actividade nas mesmas áreas. Estas mudanças não acontecem quando os mesmos ou outros sujeitos observam filmes em que a acção é equivalente na intensidade cénica, mas não existem cenas violentas.

 

Mesmo os autores que questionam a relação entre a violência televisiva ou, em geral, nos media e o aumento da criminalidade violenta (Savage, 2003) admitem que existe alguma evidência nesse sentido e que a investigação associando agressividade aumentada e violência nos media é esmagadora. Mas será a associação entre assistir ao vivo a cenas violentas ainda maior? Algumas investigações ajudam a encontrar uma resposta e, como vimos, as indicações acima vão nesse sentido. Numa revisão de literatura muito recente, Kirkpatrick (2012) apresenta dados de investigação e toda uma argumentação no sentido da importância do contágio social da violência nomeadamente em áreas urbanas (onde esta alastra de modo analógico com as doenças) onde a exposição ao vivo a actos violentos gera maior violência. No entanto, ela realça a importância da violência perpetrada por instituições contra os seus cidadãos como uma importante fonte de violência e realça que os crimes violentos são mais frequentes em comunidades pobres, segregadas, minoritárias. Um dado importante referido pela autora diz-nos que a probabilidade de cometerem crimes violentos é 74% maior em jovens que foram alvo dela em casa ou na sua vizinhança. Interessa-nos aqui um aspecto realçado por Kirkpatrick: de acordo com a Teoria das Subculturas de Marvin Wolfgang, uma subcultura é "um sistema normativo de algum grupo ou grupos mais pequenos que a sociedade alargada”. Acontece que existem subculturas especialmente favoráveis à violência pois os seus valores e definições são-lhe favoráveis. Não podemos deixar de realçar aqui o facto de que a subcultura das pessoas que praticam e promovem as touradas costuma associar as habilidades e a coragem de confrontar fisicamente adversários, provocá-los e levá-los de vencida como algo que é valioso e sinónimo de masculinidade. O mesmo surge, em diferentes formas, nos mass media na forma de filmes onde a violência é glorificada e solucionar problemas por essa via surge como uma boa ideia. É de notar que, de acordo com autores como Fagan, Wilkinson e Davies (2007), um dos mecanismos do contágio social da violência é a construção de uma identidade social que a favorece e a constatação de que, nos grupos que a promovem, os não violentos são marginalizados. A cultura das touradas apresenta, obviamente, o toureiro como uma figura idealizada, uma espécie de herói, cuja violência é supostamente legitimada por ser exercida contra um animal de grande porte. No entanto, parece evidente que a mesma cultura enaltece as pessoas que partem facilmente para o confronto (infelizmente temos um exemplo recente disso no recente episódio em que o toureiro Marcelo Mendes investiu duas vezes, a cavalo, contra um grupo de pessoas que, no início, estavam sentadas no chão em protesto (facto filmado e apresentado no “Ribeirinhas TV”, em 4 de Setembro de 2012). Ao levar uma criança a ver uma tourada ou ao consentir que a veja em casa, um típico responsável educativo estará implicitamente a conceder-lhe um selo de aprovação.

 

E o que dizer acerca da investigação directamente pertinente às touradas? Grana et al. (2004) investigaram-no recorrendo a um grupo equilibrado de 240 rapazes e raparigas entre os 8 a 12 anos de idade. Alguns resultados merecem especial consideração: 56.3% das crianças que costumavam assistir a touradas revelaram indiferença ao presenciá-las enquanto só 35.1% das crianças que nunca assistiram ao vivo revelaram o mesmo sentimento. Note-se que o que cito vai no sentido da constatação muitas vezes repetida de que assistir a actos de violência vai tornando as crianças indiferentes à mesma, fazendo com que tendam a achá-la normal e legítima. As crianças que viram vídeos de touradas com “explicações festivas ou agressivas” exibiram depois maior pontuação em avaliações de agressividade sendo estes efeitos mais fortes nos rapazes. O mesmo filme foi exibido com e sem justificações agressivas ou festivas sendo que a influência no sentido da agressividade se mostrou maior quando o filme vinha acompanhado de justificações favoráveis. Por outro lado, ver o vídeo com a tourada justificada “festivamente” foi a única situação em que as crianças em geral revelaram maior ansiedade (talvez pela incongruência de se apresentar um ritual de morte como uma festa?). No entanto, a maioria considerou que as crianças podiam assistir a touradas embora um pouco menos de metade lhes atribuíssem um efeito negativo sobre elas e a maioria revelasse que não gostavam de assistir. Também foi observada uma tendência para o impacto negativo das touradas (ansiedade e agressividade) ser maior nas crianças mais novas e quando eram justificadas “festivamente”. Na generalidade, os efeitos eram mais pronunciados nos rapazes – o que os autores identificam à sua maior facilidade, dado o sexo, em identificarem-se com as cenas observadas. Os autores realçam que este estudo vai no sentido de que a interpretação das cenas de violência observadas desempenha um papel relevante nas consequências que poderão ter no comportamento futuro das crianças.

 

E o lado educativo?

 

Lequesne (2011) salienta os inconvenientes educativos e psicológicos das touradas. Para ele, o espectáculo da tourada a que se leva uma criança pode ser traumático, mas também pode confrontar a criança com todo o dilema posto pelo modo como os adultos “douram” um espectáculo de sangue e dor como sendo legítimo e apreciável ou como afirmam, contra a natural empatia da criança face ao animal, que se pode e deve torturá-lo em nome da arte e da tradição. A mensagem a aprender pela criança diz-lhe assim que, em certas circunstâncias, sendo em prol da arte e tradição, se pode e talvez deva torturar seres vivos. No entanto, como demonstram as investigações sobre os neurónios-espelho, é natural e talvez inevitável que muitas crianças sintam uma reacção física e instintiva ao verem o animal ser ferido ostensivamente, como é natural que sintam algum medo ou aprendam a sentir a excitação do toureiro com a dor do touro ou com o comportamento violento. O autor traça mesmo um paralelo entre as touradas e certa “moda” recente em que adolescentes violentam uma vítima, com auxílio de cúmplices, e a filmam a ser vitimada, transmitindo a imagem como uma coisa divertida e justificada. De facto, uma das “justificações” das touradas é que pode ser um espectáculo divertido – transmitindo implicitamente à criança a ideia de que torturar e matar um animal pode ser aceitável e engraçado. Acresce que as crianças que assistem a touradas, seja ao vivo ou em espectáculos televisivos, aprendem coisas interessantes como a terminologia que fala em “castigar” o touro com bandarilhas (sendo que muitos afirmam que elas não infligem dor ao touro, o que é simplesmente mentira). Como salienta ainda Duquesne, o “castigo” com bandarilhas mostra à criança que alguns castigos arbitrários e desumanos contra inocentes podem justificar-se se forem divertidos, espectaculares ou colocarem em evidência a ousadia e coragem dos perpetradores de violência. Neste sentido, as touradas ensinam o contrário da compaixão e até da simples decência humana… Não admira que termos como “matador” surjam glorificados.

 

Num interessante estudo, Paniagua (2008) salienta o modo como as touradas fornecem à multidão uma satisfação para as suas pulsões sádicas inconscientes. O autor salienta que nas touradas do passado muitas vezes a multidão tentava furiosamente ferir o touro a golpes de espada ou levar partes dele como sinal de triunfo assim como era frequente organizar combates entre touros e outros animais, como cães. Também houve, em tempos, o uso de bandarilhas em fogo. Para ele, o público projecta no toureiro medos e desejos, tanto quer vê-lo sofrer como vê-lo salvar-se, tanto quer que o touro morra como também teme ou lastima isso mesmo. O superego da moralidade confronta-se com o Id da bestialidade instintiva. Lembremos, a este respeito, o modo como Nell (2006) atribui o gozo dos espectáculos de violência a antigos instintos predatórios. Além disso, há algo de combate simbólico entre o toureiro representando David e o touro, um Golias a vencer pela esperteza do toureiro e armas apropriadas. Do ponto de vista psicanalítico, a tourada poderia até representar um conflito edipiano, o touro surgindo como figuração do rival paterno a vencer para obter o amor da mãe. Nesse sentido, o risco de castração corrido pelos toureiros corresponderia ao medo de castração por parte do pai que algumas crianças teriam no contexto do complexo de Édipo. Como realça ainda o autor, o espectáculo tauromáquico é racionalizado com justificações como a ilusão de que o toureiro está na verdade a defender-se de uma besta selvagem perigosa. Projectar os medos e a sensação de perigo no exterior também podem ser modos de evitar enfrentar os próprios medos, do mesmo modo que o público em geral costuma secretamente gostar de assistir a dramas em que o mal acontece aos outros. Se há coisa em que os comentários tauromáquicos são férteis é na negação de que esteja ali a passar-se algo de bárbaro e cruento bem como nas racionalizações e projecções infantis, atribuindo ao touro intenções, qualidades humanas. Isso contribui para que, nas touradas, se possa dar “luz verde ao sadismo reprimido” (op. cit., pg. 150). Neste sentido, “castigar” o touro, sentido como uma “besta malvada”, pode ajudar o público a considerar justificado o mal que lhe é feito, identificando-se com os toureiros vingadores – sendo que, ao nível inconsciente, o touro pode estar a representar os impulsos inaceitáveis do espectador, que devem ser punidos e reprimidos (sejam eles sexuais ou agressivos – talvez não seja por acaso que há tanta aura de sensualidade quase boçal nas poses toureiras, que por sua vez parecem corresponder a um modo ritualizado de exprimir o impulso sexual). Talvez também não seja por acaso que o público oscila, por vezes, nas suas identificações, por vezes desejando que o touro vença (caso em que é o toureiro a representar, especulemos, as pulsões reprimidas). Ainda na perspectiva psicanalítica, o toureiro exibe muitas vezes um gozo narcisista e autocentrado em dar nas vistas, ser aplaudido, no que também pode ser alvo das projecções da multidão, que gostaria de estar no seu lugar.

 

Não iremos alongar-nos em possíveis interpretações psicanalíticas para as touradas. Isso sim, queremos realçar que expor as crianças às mesmas é expô-las à violência, justificada de modo pleno de racionalizações que talvez escondam impulsos primários mal consciencializados; é confrontá-la com o conflito entre “alinhar” com os adultos e as suas racionalizações, negando o seu medo e a sua repulsa pela crueldade para com os animais; é fazê-la participar, com escassa escolha, num mundo onde a violência contra um ser vivo inocente é glorificada e justificada como uma ocasião de festa e alegria; é submetê-la a uma situação onde aprende que ser violento pode ser muito bom e compensador, que ser violento como um toureiro pode ser excelente para obter riqueza, fama e o afecto de muitos; que é legítimo torturar e/ou matar animais por prazer; que exercer instintos predatórios, dando-lhes curso a ponto de estripar animais, pode ser uma coisa louvável; ou que a afirmação masculina pode ter, como um dos expoentes máximos, o do toureiro engalanado que se compraz e exibe como matador, torturador de animais que, ao fazê-lo, obtém a admiração e o desejo das fêmeas humanas. O mesmo toureiro constitui um modelo altamente questionável ao colocar a sua vida em risco num tal contexto de crueldade gratuita, como se isso também fosse louvável e ter pouco apreço pela vida humana valesse alguma coisa. Ademais, a exposição de crianças a cenas de violência, ao vivo ou através de meios mediáticos, pode até contribuir para fazer-lhes baixar o nível intelectual, a habilidade para a leitura (Delaney-Black et al., 2002), além de todos os inconvenientes para a sua formação ética e emocional que fomos delineando ao longo deste artigo. Levá-las a touradas ou mesmo deixá-las assistir às mesmas por algum meio constitui, a nosso ver, um acto de irresponsabilidade educativa e mesmo um acto de abuso e desrespeito pelos seus direitos a serem protegidas de tudo o que ameace o seu desenvolvimento saudável e integral. Como afirma Richier (2008), a questão das touradas levanta duas questões importantes: a da protecção dos animais e a da protecção das crianças. Para ele, muitos testemunhos de adultos traumatizados por serem obrigados a assistir a touradas quando crianças levanta uma vez mais a questão da legitimidade em fazê-las assistir a tais espectáculos. Não podemos senão juntar a nossa voz ao coro de vozes que ecoam nesse sentido, a bem da formação de seres humanos mais lúcidos, conscientes, sensíveis e sociáveis.

 

Prof. Doutor Vítor José F. Rodrigues

 

BIBLIOGRAFIA

- Aidman, Amy (1997): Television Violence: Content, Context, and Consequences. ERIC DIGEST, December.

- American Academy of Pediatrics (2009): Policy Statement — Media Violence www.pediatrics.org/cgi/doi/10.1542/peds.2009-2146 doi:10.1542/peds.2009-2146.

- Brown, Lester (2006): Plano B 2.0. (Edição Portuguesa) Câmara Municipal de Trancoso, Tribunal Europeu do Ambiente, Fundação para as Artes, Ciências e Tecnologias – Observatório.

- Columbia University Medical Center (2007, December 10). This Is Your Brain On Violent Media. ScienceDaily. Obtido em 22 de Julho de 2012 de http://www.sciencedaily.com/releases/2007/12/071206093014.htm

- Declaração Conjunta das grandes Associações relacionadas com a Saúde Mental nos EUA (2000): Joint Statement on the Impact of Entertainment Violence on Children http://www2.aap.org/advocacy/releases/jstmtevc.htm

- Delaney-Back, Virginia; Covington, Chandice; Ondersma, Steven J.; Nordstrom-Klee, Beth; Templin, Thomas; Ager, Joel; Janisse, James e Sokol, Robert J. (2003): Violence Exposure, Trauma, and IQ and/or Reading Deficits Among Urban Children. Arch Pediatr Adolesc, 156: 280-285.

- Fagan,Jeffrey; Wilkinson, Deanna L. e Davies, Garth (2007): Social Contagion of Violence, in The Cambridge Handbook of Violent Behavior. Daniel Flannery, A. Vazsonyi, & I. Waldman (Eds.), Cambridge University Press.

- Funk, Jeanne B.; Baldacci, Heidi Bechtoldt; Pasold, Tracie e Baumgardner, Jennifer (2004): Violence exposure in real-life, video games, television, movies,and the internet: is there desensitization? Journal of Adolescence, 27, 23–39.

- Grana, J.L.; Cruzado, J.A.; Andreu, J.M.; Munoz-Rivas, M.J.; Pena, M.E. e Brain, P.F. (2004): Effects of Viewing Videos of Bullfights on Spanish Children. Aggressive Behavior, Volume 30, pages 16–28.

- Hassan, Md Salleh Bin Hj; Osman, Mohd. Nizam & Azarian, Zoheir Sabaghpour: (2009): Effects of Watching Violence Movies on the Attitudes Concerning Aggression among Middle Schoolboys (13-17 years old) at International Schools in Kuala Lumpur, Malaysia. Journal of Scientific Research, Vol.38, No.1 (2009), pp.141-156.

- Huesmann, L. R., Moise-Titus, J., Podolski, C., & Eron, L. D. (2003). Longitudinal relations between children’s exposure to TV violence and their aggressive and violent behavior in young adulthood: 1977-1992. Developmental Psychology, 39, 201-221.

- Huesmann, L. Rowell, e D. Taylor, Laramie (2006): The Role of Media Violence on Violent Behavior. Annu. Rev. Public Health 2006. 27:393–415.

- Huesmann, L. Rowell (2011): The Contagion of Violence: The extent, the processes, and the outcomes. Address delivered at the National Academies of Sciences’ Institute of Medicine’s Global Forum on Violence, April 29.

- Hurt, Paul (texto recolhido na Internet em 2012): Bullfighting: arguments against and action against. In ttp://www.linkagenet.com/themes/bullfighting.htm

- Kirkpatrick, Kayla (2012): The Social Contagion of Violence; a Theoretical Exploration of the Nature of Violence in Society. California Polytechn State University, Winter. Senior Project at the Sociology Department.

- Lequesne, Joel (2011): El Procedimiento de la Corrida: el Punto de Vista de un Psicologo de la Educación. Retirado de http://www.facebook.com/note.php?note_id=209992965701092

- Murray, Kevin (1985): Life as Fiction. Journal for the Theory of Social Behaviour 15:2 July, 173-88

- Nell, Victor (2006): Cruelty’s rewards: The gratifications of perpetrators and spectators. Behavioral and Brain Sciences, 29, 211–257.

- Paniagua, Cecilio (2008): Psicología de la afición taurina. Ars Medica. Revista de Humanidades; 2:140-157

- Richier, J. P. (2008): Does bullfighting represent a psychological danger for young spectators ? Artigo encontrado em http://www.cas-international.org/fileadmin/protestacties/Documenten/Speech_Bruxelles_english_Richier.pdf

- Rodrigues, Vitor (2008): L’Amour, la Santé et L’Éthique. Synodies, Automne 2008, pgs. 36-45.

- Savage, Joanne (2003): Does viewing violent media really cause criminal violence? A methodological review. Aggression and Violent Behavior, 10 (2004), 99–128

- The Henry J. Kaiser Family Foundation (2003, Spring): TV Violence. Artigo disponível no website da Kaiser Family Foundation (document #3335), em www.kff.org .

- Williams, Jessica (2004): 50 Facts that Should Change the World. Cambridge: Icon Books. Ltd.

 

Fonte:

http://vitorrodriguespsicologo.weebly.com/uploads/3/5/9/1/3591670/touradas-psi.pdf

 

***

 

Consultar aqui mais textos relacionados com a esta problemática:

 

«PSICOLOGIA DA “AFICIÓN” TAURINA: SADISMO, NARCISISMO E EROTISMO»

https://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/psicologia-da-aficion-taurina-sadicos-799332

 

A INSANIDADE MORAL DOS AFICIONADOS DE SELVAJARIA TAUROMÁQUICA

https://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/a-insanidade-moral-dos-aficionados-da-743075

 

TAUROMAQUIA - DOENÇA DO FORO PSIQUIÁTRICO

https://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/tauromaquia-doenca-do-foro-673168

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:00

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Domingo, 18 de Fevereiro de 2018

QUANDO UM DEPUTADO DO PSD VEM A PÚBLICO CONTRIBUIR PARA O ATRASO CIVILIZACIONAL DO POVO PORTUGUÊS

 

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 Chama-se Feliciano Barreiras Duarte e é deputado da Nação, pelo PSD

 

Publicou, no jornal “Sol”, um texto intitulado a “A Tauromaquia em Portugal e os novos inquisidores” e disse estas coisas, inadequadas a um deputado da Nação, por ter distorcido a verdade e mostrado uma descomunal desinformação (para não dizer outra coisa):

 

«Eu não aceito – e nunca aceitarei – que os animais tenham mais direitos do que as pessoas. Não aceito que o Estado se meta com costumes e tradições que são parte das identidades de comunidades e de territórios, como no caso das touradas sucede com o Alentejo e o Ribatejo, e depois recuse apoiar as pessoas mais frágeis da nossa sociedade. Como certa vez escrevi, «esta espécie de declínio do valor da pessoa em favor do poder dos animais e da bicharada é protagonizada por gente que convive bem com misérias humanas junto à sua porta. Por mim, que respeito os animais, também respeito as tradições populares, como a tourada, mesmo não sendo um seu aficionado. Mas, acima de tudo, respeito as pessoas e não transijo com este novo pensamento quase totalitário que pretende despojar os povos das suas legítimas tradições, ao mesmo tempo que condena as pessoas ao abandono e à solidão

 

Vamos lá a ver, senhor deputado da Nação Portuguesa:

 

Primeiro: gostaríamos de saber de onde tirou essa de que os animais têm mais direitos do que as pessoas, sendo que as pessoas também são animais, logo os direitos até poderiam ser iguais e estaríamos a falar de um acto evolutivo. Mas, infelizmente, tal não acontece. O “homem” acha-se um ser superior a todos os outros seres, e faz leis de faz-de-conta que protegem os outros animais, incluindo os não-humanos, e que não são para cumprir.

 

Para vergonha da Humanidade existem três Declarações de Direitos.

 

A saber:

 

- Declaração Universal dos Direitos Humanos, adoptada e proclamada pela Assembleia Geral das Nações Unidas (Resolução 217 A III), em 10 de Dezembro 1948;

 

- Declaração Universal dos Direitos da Criança, adoptada e proclamada pela Assembleia Geral das Nações Unidas (Resolução 1386 XIV), em 20 de Novembro de 1959;

 

- Declaração Universal dos Direitos dos Animais Não-Humanos, proclamada pela UNESCO, em 15 de Outubro de 1978.

 

E isto porquê? Por que o homem, dito “racional”, é o único animal existente à face da Terra que precisa de declarações de direitos, para refrear o  instinto malévolo dele.

 

Muitos países assinaram estas “declarações”, incluindo Portugal que, vergonhosamente, não as cumpre, nomeadamente no que respeita às crianças e aos animais não-humanos.

 

Portanto, senhor deputado, se fosse uma pessoa infirmada, saberia da existência e do conteúdo destas declarações, e não diria o disparate que disse: «Não aceito e nunca aceitarei que os animais tenham mais direitos do que as pessoas»! Se aceita, ou não aceita, isso é lá coisa para a sua consciência. Mas que o direito à vida e ao bem-estar dos animais, humanos e não humanos, é algo que tem de ser igual para todos, se quisermos falar de EVOLUÇÃO.

 

Segundo – Quando diz que «Não aceito que o Estado se meta com costumes e tradições», refere-se a quê? Ao costume bárbaro e medievalesco herdado dos espanhóis (que nada tem a ver com tradição), e que dá pelo nome de tauromaquia, e que o governo português, acolitado pelo PSD, financia chorudamente, com verbas que poderiam ser canalizadas para a Saúde, para a Educação, para a Cultura Culta…, e, deste modo, condenando as pessoas ao abandono e à solidão, e os animais não-humanos à mais brutal tortura? Foi isto que quis dizer, mas não disse, certo, senhor deputado? É que aos leitores do “Sol” o senhor até pode fazer de parvos, mas a nós não faz.

 

Terceiro – Quando diz que «respeito as pessoas e não transijo com este novo pensamento quase totalitário que pretende despojar os povos das suas legítimas tradições, ao mesmo tempo que condena as pessoas ao abandono e à solidão», tem bem a noção do que está a dizer? Que “novo” pensamento totalitário é esse que pretende despojar os povos (que povos?) das suas legítimas (que legítimas?) tradições (que tradições?). Como é possível numa só frase dizer tantos disparates?

 

O “novo pensamento” a que se refere não é totalitário, é evolutivo. Totalitário é o “pensamento” do PSD que, no momento de votar contra os subsídios que alimentam a indústria da tortura de seres vivos, e as escolas de toureio que “formam” alienados mentais entre as crianças, a quem não dão opção de serem GENTE, votam a favor.

 

Que povos são despojados de quê? Que legítimas tradições? Com que legitimidade torturam ser vivos para divertir sádicos e encher os bolsos a ganadeiros?

 

Senhor deputado, nós é que não aceitamos que gente como o senhor esteja a receber um salário pago com os nossos impostos, para vir a público defender a tortura de bovinos e o lobby tauromafioso.

 

Gente como o senhor envergonha Portugal e contribui para o atraso civilizacional em que este está mergulhado.

 

Isabel A. Ferreira

 

Fontes:

https://protouro.wordpress.com/2018/02/01/o-grunho-do-psd-ao-servico-da-tauromafia/

http://ptjornal.com/deputado-do-psd-defende-touradas-poder-da-bicharada-235739

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:27

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Terça-feira, 30 de Janeiro de 2018

NÃO EXISTE LEI ALGUMA QUE OBRIGUE UM PROFESSOR A ENSINAR PORTUGUÊS SEGUNDO A CARTILHA BRASILEIRA NAS ESCOLAS PORTUGUESAS

 

«Sabem o que me disse uma funcionária do Ministério da Educação há alguns anos? Que se os professores se recusassem ORGANIZADAMENTE a não ensinar o AO ele não teria passado. Fica aqui o que muitos pensam sobre todas as formas de um abjecto conformismo. Não é só não votar - é não agir. Conheço professores do ensino básico e secundário que NÃO aplicam o AO e até hoje não tiveram qualquer processo disciplinar». (Teresa Cadete)

 

Conhecendo bem, como conhecem, o espírito acrítico e submisso do povo português, os governantes acenaram-lhes com uma resolução do conselho de ministros, e uns tantos caíram como patinhos… Acharam que aquilo era uma Lei.

 

É que PENSAR dá muito trabalho… OBEDECER é muito mais simples, até na supressão das consoantes mudas e acentos e hífenes, para facilitar a escrita… Então não é?

 

EDUCAÇÃO.jpg

Origem da imagem:

http://libertariosufpel.blogspot.pt/2015/07/neste-segundo-semestre-de-2015-teremos.html

 

Não existe lei alguma que obrigue um professor a ensinar Português, segundo a cartilha brasileira, nas escolas portuguesas.

Então por que ensinam?

 

Três hipóteses:

- Monumental desinformação;

- Desmedida subserviência ao poder instalado;

- Gigantesca ignorância optativa…

 

***

Este é o relato de uma conversa que travei com um professor, numa publicação do Facebook, escrita à moda brasileira.

 

Eu disse:

Nenhum professor é obrigado a escrever segundo a cartilha brasileira.

 

O professor disse:

«Na escola somos obrigados a escrever segundo o acordo ortográfico. ´´E uma imposição a que nós, professores, temos de obedecer. Não gosto, é atentatório para a raiz da nossa língua, mas a culpa não é minha é de quem assinou esse acordo. É a esses que tem de pedir satisfações, não a mim. Nisso, os colegas do departamento de línguas deveriam ter uma palavra a dizer. Por isso, não sou eu que estou a pregar o último prego no caixão do Ensino em Portugal. a sua visão não está nada correta e está a misturar as coisas. A "obrigação" de obedecer com a "concordância" com o mesmo (que não tenho)».

 

Eu insisti:

Está muito enganado. Nenhum professor, nenhum aluno, nenhum cidadão português é obrigado a escrever segundo a cartilha brasileira, porque não existe LEI nenhuma que o obrigue. Já parou para pensar nisso? Já questionou alguma vez essa possibilidade? Já perguntou a quem de direito onde está a LEI que obriga um português, em Portugal, a escrever segundo a cartilha brasileira?

Não é a minha visão que não está correCta. É a sua visão que está incorreCta. Peça ao direCtor da sua escola que lhe mostre a LEI que o obriga a escrever incorreCtamente. E se lhe mostrarem um ofício com a Resolução do Conselho de Ministros isso não é LEI. Só uma LEI obriga. Os professores acomodaram-se, porque é mais fácil acomodarem-se do que questionar.

 

O professor continuou:

«Portanto, segundo a colega todos os colegas que tiveram de se adaptar ao novo acordo ortográfico são responsáveis pela destruição do Ensino em Portugal. Não vou sequer continuar esta conversa, porque não vejo qual o sentido da mesma».

 

Eu continuei a afirmar:

Ninguém é obrigado a OBEDECER a algo que é ILEGAL. O AO90 é ILEGAL. Logo, nenhum cidadão português é obrigado a obedecer a uma ILEGALIDADE. Não sabia disto?

Não tenha qualquer dúvida. Todos os professores que aceitaram ensinar algo que é ILEGAL são responsáveis pela destruição do ENSINO em Portugal, porque a Língua engloba todas as disciplinas, e ela, a Língua, anda por aí a ser esmagada, servilmente.

 

O professor disse:

«Eu e tantos outros sabemos bem o que passámos quando, no início, já com alguma idade que em nada facilitava esta obrigatória e selvagem mudança, as dificuldades que tivemos.

Lembro-me perfeitamente dos alunos a chamarem-me a atenção para fichas que dava ainda com o português pré-acordo, assim como encarregados de educação achavam incorreto. Todos nós fomos impelidos a ter de o aplicar. Se estamos a escrever em português do Brasil, a culpa é de quem nos obrigou a isso e nos pune se não cumprimos».

«Mais uma vez as ordens e diretivas para o ensino (e não só) vêm de cima e nós somos obrigados a executá-las. Mas não posso aceitar que a culpa seja do mensageiro. Que se insurjam contra os verdadeiros responsáveis que, certamente, não sou eu»

 

Eu disse:

Ninguém vos obrigou. Vocês é que se sentiram obrigados, o que é muito diferente. Sem questionar. Sem oferecer resistência.

Mas ainda vão muito a tempo de recuarem.

Agora sabem que estão a cometer uma ilegalidade. Qual a Lei que vos obriga a continuar a cometer uma ilegalidade?

 

***

E não obtive mais resposta.

O diálogo acabou aqui.

 

É triste quando vemos professores que obedecem cegamente, sem questionar, por isso, é importante uma Educação que ajude a Pensar e não que ensine a Obedecer. Porque neste caso do AO90, obedecer não pensando fez toda a diferença, e o caos ortográfico instalou-se e está a prejudicar radicalmente o Ensino nas escolas portuguesas.

 

E se não se travar isto, vem aí uma geração de semianalfabetos, que será a vergonha da Europa.

 

Pensem nisto.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 10:53

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Sexta-feira, 18 de Novembro de 2016

LAGOA CIDADE EDUCADORA? NÃO É EDUCAÇÃO. É VIOLÊNCIA.

 

Por favor, assinem esta petição.

 

Ajudemos os nossos companheiros açorianos, a ajudar os infelizes bovinos.

 

É preciso acabar com esta crueldade que nos fere a sensibilidade e esmaga a alma.

 

https://www.change.org/p/presidente-da-c%C3%A2mara-da-lagoa-a%C3%A7ores-cidade-educadora-n%C3%A3o-%C3%A9-educa%C3%A7%C3%A3o-%C3%A9-viol%C3%AAncia?recruiter=38488526&utm_source=share_petition&utm_medium=copylink

 

LAGOA.jpg

 

Exma Senhora Presidente da Câmara da Lagoa

 

No passado dia 12 de Novembro, apesar dos apelos de mais de 1200 cidadãos, realizou-se uma vacada na freguesia de Santa Cruz, do Vosso concelho.

 

Face ao exposto, vimos manifestar o nosso profundo protesto pela realização de uma prática tão deseducativa, onde o primitivismo se alia ao sadismo, que consiste em retirar divertimento do sofrimento e da confusão de um herbívoro, já de si em pânico por estar fora do seu meio natural.

 

Manter uma prática aberrante e caduca nos dias de hoje já é uma irresponsabilidade, apoiá-la ou ser conivente com ela para agradar a uma franja da população alienada ou com ausência de valores não é digno de uma localidade que se pretende “Cidade Educadora”.

 

This petition will be delivered to: Presidente da Câmara da Lagoa

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:28

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Terça-feira, 19 de Julho de 2016

SENHORES DEPUTADOS DA NAÇÃO: ACABEM COM OS SUBSÍDIOS PÚBLICOS ATRIBUÍDOS À SELVAJARIA TAUROMÁQUICA

 

Está agendada para amanhã, dia 20 de Julho, a apreciação de uma petição que conta com mais de trinta mil assinaturas ( http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT72070) a solicitar que se acabe com a atribuição de dinheiros públicos a cerca de duas dezenas de famílias portuguesas, para que vivam à tripa forra, à custa dos nossos impostos e do sofrimento animal, enquanto milhares de outras famílias portuguesas, crianças e idosos vivem com tantas dificuldades!

 

E isto é imoral, senhores deputados.

 

SUBSÍDIOS.jpg

Fonte da imagem:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10201848990502436&set=p.10201848990502436&type=3&theater

 

Todos sabemos que os nossos impostos sustentam a indústria da selvajaria tauromáquica, tão contestada e rejeitada em todo o mundo civilizado.

 

Se não fossem os nossos impostos, esta selvajaria, que está a cair de podre, já teria sido enterrada há muito.

 

Os impostos de um povo não podem ser utilizados para privilegiar umas tantas famílias em detrimento de todo um país, que atravessa uma grave crise económica.

 

E ainda hoje ouvi que não há dinheiro para alimentar os prisioneiros. Mas há dinheiro para alimentar os senhores feudais da tauromaquia… uma minoria inculta, inútil e decadente, que se dedica a uma actividade cruel e indigna de seres humanos.

 

Todos sabemos dos apoios autárquicos à selvajaria tauromáquica, em municípios com graves problemas sociais, no Continente e nos Açores.

 

E é também dos meus impostos, dos impostos de quem abomina estas práticas bárbaras, que esta indústria da tortura e da morte se alimenta como um vampiro sedento de sangue.

 

Eu não posso ser obrigada a contribuir para algo inútil e bárbaro.

 

Exijo que os meus impostos sejam aplicados na Saúde, na Educação, na Alimentação, nas Escolas, nas Artes Nobres, enfim, na Cultura Culta, e não na cultura inculta de duas dezenas de vampiros.

 

Amanhã, Portugal ficará atento à atitude dos deputados da Nação.

 

É que bastou a afronta de não terem acautelado o superior interesse e os direitos das crianças, quando chumbaram a proposta do PAN, do PEV e do BE.

 

Pelo menos uma vez na vida, amanhã, sejam HOMENS e MULHERES e acabem de uma vez por todas com este vergonhoso privilégio. O tempo dos senhores feudais ficou para trás há muito. Lembram-se? E os deputados da Nação não são monarcas, para dar privilégios a uns, e pisotear outros.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:01

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Quarta-feira, 15 de Junho de 2016

AS CRIANÇAS E A TOURADA: O DEVER DE PROTECÇÃO SOCIAL

 

(Um texto baseado em dados científicos, que os deputados da Assembleia da República Portuguesa devem ler e ponderar, e no fim, tomar medidas adequadas, para proteger as crianças portuguesas da violência e crueldade inúteis e gratuitas, exercidas sobre animais não humanos e sobre elas próprias, e que deformam a personalidade e o carácter de qualquer ser humano, em qualquer idade.)

Isabel A. Ferreira

 

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Diante de um Touro morto, depois de barbaramente torturado, estas crianças, insensivelmente, ainda o amesquinham… Que tipo de educação será esta?

 

As crianças e a tourada: o dever de protecção social

 

O Comité dos Direitos da Criança da Organização das Nações Unidas, no seu documento CRC/C/PRT/CO/3-4 de 31 de Janeiro de 2014, a par de outras problemáticas sociais da realidade portuguesa, expressa, claramente, a sua preocupação com a integridade das crianças envolvidas nos espectáculos tauromáquicos, quer como participantes quer como espectadores.

 

Reconhecendo o carácter violento da actividade tauromáquica, o Comité incentiva Portugal a tomar as necessárias medidas legislativas e administrativas para proteger a integridade física e psicológica das crianças. Deixa ainda em aberto uma eventual recomendação futura no sentido da proibição total da participação de crianças em touradas. No referido documento, é expressamente recomendado o aumento da idade mínima para participação e assistência a espectáculos tauromáquicos, à altura da elaboração do documento nos 12 e 6 anos, respectivamente. Foi aliás neste seguimento que o governo português aprovou no artigo 27º do Decreto-lei nº 23/2014, de 14 de Fevereiro, a subida da idade mínima para assistir a touradas para os 12 anos.

 

A recomendação do Comité dos Direitos da Criança, bem como a consequente legislação do governo português, vem finalmente atestar inequivocamente que a tourada constitui um espectáculo violento e, como tal, deve estar sujeita às mesmas restrições etárias que outros espectáculos de natureza artística e divertimentos públicos considerados violentos.

 

Deste modo, torna-se evidente que a recente recomendação do Comité dos Direitos da Criança a Portugal encontra-se solidamente ancorada em evidências científicas.

 

Enquanto os riscos para a integridade física das crianças que participam activamente nos espectáculos tauromáquicos são óbvios e inquestionáveis, tendo em conta a estatura e força dos animais envolvidos e a natureza da interacção dos mesmos com as crianças intervenientes, os riscos para a sua integridade psíquica, moral e social são menos óbvios, porém não menos negligenciáveis.

 

Diversos estudos comprovam que a exposição a violência explícita nos media provoca efeitos significativos a curto-prazo, aumentando a probabilidade de originar comportamentos agressivos ou de medo. Este efeito é particularmente preponderante nas crianças mais novas, e em especial, do sexo masculino (para uma revisão, ver Browne & Hamilton, 2005). Ocorre também um efeito de dessensibilização face à violência, podendo esta ser aceite como forma de solução de problemas violentos (Bartholow, Sestir & Davis, 2005) o que, por seu turno, pode contribuir para o aparecimento de comportamentos desviantes (Fitzpatrick, C., Barnett, T. & Pagani, 2012).

 

Especificamente no respeitante à tourada, um estudo realizado em Madrid com 240 crianças dos 8 aos 12 anos de idade (Graña et. al., 2004) demonstrou que a maioria das crianças apresentava naturalmente uma atitude negativa face à mesma, expressando reacções emocionais negativas quando a ela expostas. O mesmo estudo atesta, ainda, que o facto de a tourada ser apresentada aos menores como um espectáculo cultural, chega a aumentar os efeitos nefastos que tem nos mesmos: as crianças que assistem a touradas sendo sugestionadas para as ver como um espectáculo festivo obtém resultados significativamente mais elevados em escalas de ansiedade e agressividade do que crianças que assistem a uma tourada sem qualquer sugestão.

 

Os estudos sobre empatia revelam uma correlação positiva entre a capacidade de empatizar com seres humanos e a capacidade de empatizar com animais não-humanos (Signal & Taylor, 2007). Assim, é pertinente pensar que ao ensinar as crianças a ignorar o sofrimento do touro, estamos a potenciar um défice na sua capacidade de empatizar com seres humanos, o que acarreta, necessariamente, consequências psíquicas, morais e sociais. Importa salientar que a empatia não só sustenta a maioria das decisões morais que tomamos (Miller, Hannikainen.& Cushman, 2014) mas também se encontra na base dos comportamentos cooperativos, imprescindíveis para a vida em sociedade (para uma revisão sobre a evolução e papel da empatia ver Castro, Gaspar & Vicente, 2010). Comprovando tal fato, tem sido demonstrado que a promoção de atitudes de respeito e afecto para com os animais não-humanos é benéfica para o bom desenvolvimento das crianças a vários níveis (para uma revisão ver, por exemplo, Endenburg. & van Lith, 2011).

 

Deste modo, torna-se evidente que a recente recomendação do Comité dos Direitos da Criança a Portugal encontra-se solidamente ancorada em evidências científicas. Como tal, e muito além de quaisquer considerações acerca da legitimidade das actividades tauromáquicas, deve ser claro para todos os seus intervenientes que, no supremo interesse da criança, devem ser célere e claramente transpostas para a legislação portuguesa medidas que a protejam dos possíveis riscos desta actividade.

 

Dr.ª Constança Carvalho

Psicóloga Clínica, especialista em desenvolvimento infantil

 

Referências Bibliográficas

 

1 - Bartholow, B., Sestir, M. & Davis,E. (2005) Correlates and consequences of exposure to video game violence: hostile personality, empathy, and aggressive behavior. Pers Soc Psychol Bull. 31(11), pp.1573-86.

2 - Browne, K.D. & Hamilton-Giachritsis, C. (2005). The influence of violent media on children and adolescents: a public-health approach. Lancet; 365(9460), pp. 702-10.

3 - Castro, R., Gaspar, A., Vicente, L. (2010). The Evolving Empathy: hardwired bases of human and non-human primate empathy. Psicologia, XXIV(2), pp.131-152

4 - Endenburg, N. & van Lith, H.A. (2011). The influence of animals on the development of children. Vet J., 190(2), pp.208 Fitzpatrick, C., Barnett, T. & Pagani L.S. (2012). Early exposure to media violence and later child adjustment. J Dev Behav Pediatr.,33(4), pp. 291-7.

5 - Graña, J., Cruzado, J., Andreu, J., Muñoz-Rivas, M., Peña, M. & Brain, P. (2004). Effects of viewing videos of bullfights on Spanish children. Aggressive Behavior, 30 (1), pp. 16–28.

6 - Miller, R., Hannikainen, I.& Cushman, F. (2014). Bad Actions or Bad Outcomes? Differentiating Affective Contributions to the Moral Condemnation of Harm. Emotion. 2014 Feb 10. [Epub ahead of print]

7 - Signal, T & Taylor, N (2007). Attitude to Animals and Empathy: Comparing Animal Protection and General Community Samples. Anthrozoos, 20(2), pp. 125-130.

 

Fonte:

http://basta.pt/as-criancas-e-a-tourada-o-dever-de-protecao-social/

 

(AVISO: uma vez que a aplicação do AO/90 é ilegal, não estando efectivamente em vigor em Portugal, este texto foi reproduzido para Língua Portuguesa, via corrector automático).

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:21

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Segunda-feira, 7 de Março de 2016

PORTUGAL TEM A TAXA DE ANALFABETISMO MAIS ALTA DA EUROPA

 

5% da população portuguesa ainda não sabe ler nem escrever, mas não foram estes 5% de analfabetos que destruíram a nossa Língua Materna. Foram uns tantos "espertos" de grandes bolsos.

O analfabetismo atinge mais de 500 mil portugueses (não contando com o semianalfabetismo, que atinge uma boa fatia das gentes "letradas"). 

E estamos a caminho para muitos mais "milhões", num futuro próximo, se o AO90 não for urgentemente mandado às malvas.

Este analfabetismo faz parte do programa do governo português.

Quanto mais ANALFABETO for um povo, mais submisso ele é.

Por isso nunca há verbas para implementar a Cultura, o Ensino, a Educação, as Artes…

Mas para a INCULTURA, as verbas rolam a rodos...

 

ANALFABETISMO.jpg

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 19:43

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Quarta-feira, 24 de Fevereiro de 2016

TIREMOS AS FARPAS DA QUEIMA DAS FITAS DA ACADEMIA DE COIMBRA

 

Força Coimbra!

Sigam o exemplo da Academia do Porto, e livrem a bela Cidade do Conhecimento dessa nódoa negra da "garraiada" que não rima com EVOLUÇÃO

 

QUEIMA DAS FARPAS.jpg

Origem da imagem: https://www.facebook.com/Queima.das.Farpas/photos/pb.1568326173409064.-2207520000.1456338262./1586990171542664/?type=3&theater

 

«Resta-nos, com efeito, a educação (...) para o homem poder realizar o melhor das suas possibilidades pessoais e sociais, e para que a maldade vá deixando de ser uma fatalidade.”»...

(João Boavida, in A Libertação do Mal, Centro de Psicopedagogia da Universidade de Coimbra)

foto SFAAC - Garraiada de 2007

 

ASSINEM A PETIÇÃO, POR FAVOR:

http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=QueimaDasFarpas

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:41

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Quarta-feira, 17 de Fevereiro de 2016

ABOLIÇÃO DAS TOURADAS EM PORTUGAL

 

 

Petição ao novo Governo de Portugal

 

TOURO.jpg

 

Considerando que:

 

1- Os mais recentes estudos científicos comprovam, inequívoca e cabalmente, que os animais de várias espécies, incluindo Touros e Cavalos são seres sencientes capazes de sentir prazer, dor e sofrimento, físicos e psicológicos, e experimentar sentimentos de alegria, medo e angústia;

 

2 - Os Touros e os Cavalos experimentam um sofrimento atroz, físico e psicológico, antes, durante e depois das touradas, como atestam estudos da Universidade Complutense de Madrid e vários médicos veterinários subscrevem;

 

3 - A legislação portuguesa reconhece a necessidade de protecção dos animais («São proibidas todas as violências injustificadas contra animais, considerando-se como tais os actos consistentes em, sem necessidade, se infligir a morte, o sofrimento cruel e prolongado ou graves lesões a um animal»), mantendo uma inexplicável excepção para a tauromaquia;

 

4 - A tauromaquia é uma prática cruel e obsoleta que tem suscitado enorme repúdio e indignação na sociedade civil portuguesa e mundial. Massacrar animais gratuitamente para entretenimento não é próprio de sociedades evoluídas e envergonha muitos portugueses face a uma Europa que se distancia cada vez mais de práticas bárbaras e que causam sofrimento a seres sencientes;

 

5 - A tauromaquia é ainda uma prática perigosa para os animais humanos, a comprová-lo estão os incontáveis casos de lesões graves e muitos danos fatais entre os seus intervenientes;

 

6 - Estudos comprovam que a violência para com animais predispõe à violência para com humanos, sendo que no historial de muitos criminosos constam inicialmente episódios de maus-tratos persistentes a animais;

 

7 - A tauromaquia está em franco declínio e só subsiste nos dias de hoje graças a apoios mais ou menos explícitos por parte do Estado, quer através do poder central, quer através das autarquias, algumas endividadas e com populações em situação de carências várias em áreas vitais como a saúde, a educação, os apoios sociais;

 

8 - As autarquias, por se encontrarem numa situação vantajosa de proximidade das populações, têm um papel fundamental na construção de uma sociedade mais civilizada, evoluída e distante de práticas que deveriam ter ficado no passado e os executivos municipais têm por obrigação associar-se a eventos que promovam a evolução das pessoas e das regiões, ligando o seu nome a práticas positivas e construtivas de avanço civilizacional que o século XXI impõe;

 

Considerando que a ignomínia não pode ser exemplo para as crianças e os jovens portugueses, em nome do mundo humanizado, civilizado, culto e evoluído venho solicitar ao Governo de Portugal a ABOLIÇÃO, em todo o território português, de todas as práticas tauromáquicas, que causam sofrimentos indizíveis e desnecessários a animais sencientes como nós.

 

Isabel A. Ferreira

***

(Texto da petição inspirado no conteúdo desta outra petição que todos devem assinar:)

 

http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT79975

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 19:07

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Quinta-feira, 11 de Fevereiro de 2016

NO ESTRANGEIRO: ONG VAI ÀS ESCOLAS PARA ENSINAR A BONDADE COM OS ANIMAIS

 

BONDADE.jpg

 Ler notícia neste link:

http://www.anda.jor.br/15/02/2012/ong-vai-as-escolas-para-ensinar-a-bondade-para-com-os-animais

 

EM PORTUGAL: FORCADOS VÃO À ESCOLA ENSINAR COMO SE PEGA UM TOURO DEPOIS DE TORTURADO

 

MALDADE.jpgVer neste link:

http://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/84281.html

 

É ESTA EDUCAÇÃO QUE OS GOVERNANTES QUEREM PARA AS NOSSAS CRIANÇAS?

 

NÃO HÁ DOENÇA SOCIAL PIOR DO QUE A CEGUEIRA MENTAL

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:39

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