Domingo, 6 de Janeiro de 2019

VOTO DE PESAR A TORTURADOR DE TOUROS É UM HINO À ESTUPIDEZ!

 

 

 

VOTO.jpg

 

No dia 22 de Dezembro de 2018, uns dias antes do torturador de Touros, morreu a grande senhora que foi Calatina Pestana, antiga Provedora da Casa Pia de Lisboa, a voz das vítimas de abusos sexuais, durante o mais vergonhoso processo que enodoou aquela instituição ESTATAL. Em todo este vergonhoso processo, Calalina Pestana esteve sempre ao lado das vítimas.

 

Dela disse Bagão Félix: «Foi uma pessoa admirável, com rosto, alma e coração. Esteve sempre ao lado dos que não têm voz, não têm poder e não fazem notícias, não abrem telejornais, dos que estão indefesos».

 

Não vi a Assembleia da República fazer um voto de pesar por esta grande senhora, que foi ÚTIL à sociedade, tinha rosto, alma e coração, não envergonhou a Humanidade, e serviu  com dignidade uma INSTITUIÇÃO DO ESTADO.

 

Envergonho-me dos deputados da Nação que apresentaram um voto de pesar deste teor, na Assembleia da República Portuguesa, por alguém que torturava seres indefesos para divertir sádicos.

 

Aqui ficará este vergonhoso voto de pesar, para vergonha de Portugal e para memória futura.

 

Os vindouros repudiá-lo-ão tanto quanto nós o repudiamos. Porque no futuro, a tauromaquia significará exactamente o mesmo que o Circo Romano hoje, significa para nós: uma actividade bárbara para entreter turbas alienadas e satisfazer o capricho de governantes alucinados.

 

Isabel A. Ferreira

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:03

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Sábado, 5 de Janeiro de 2019

MAIS UMA NÓDOA NEGRA MANCHA O PARLAMENTO PORTUGUÊS COM VOTO DE PESAR PELO TORTURADOR DE TOUROS E CAVALOS, JOAQUIM BASTINHAS

 

Obrigada PAN, por ter votado contra.

"Louvar" alguém que passou a vida a TORTURAR seres vivos para se divertir e divertir sádicos não é algo digno de uma Assembleia da República.

O falecido nada fez em prol da Sociedade, da Cultura, da Ética. Foi apenas um torturador de Touros, Cavalos e Bezerros, o qual desonrou a espécie humana.

E colocá-lo ao mesmo nível dos que deixaram uma obra em prol da Humanidade, ou que foram ÚTEIS à sociedade, só diz da pobreza moral e cultural dos deputados da Nação, que aprovaram este voto de pesar, algo que devia ter ficado no seio da família e dos tauricidas e aficionados.

Quantos cidadãos honrados, que já entraram para a História como gente válida, foram esquecidos pelo Parlamento!

Esta é mais uma VERGONHA para Portugal, a juntar a tantas outras.

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Torturar Touros era a sua profissão, uma profissão que não dignifica a Humanidade.

 

 Movimento Não À Vaca das Cordas

 

O touro é um animal, não é um robot, o cavalo é um animal, não é um robot. No entanto fazem com eles o que querem impunemente!


Profundamente desapontados com o governo PS e com todas as bancadas que votaram a favor e se abstiveram para homenagear um mero homem comum que tinha um emprego como qualquer outro, com a particularidade de esfaquear, matar, espetar animais com farpas e colocar os cavalos em perigo de vida e sofrimento atroz.



Apenas o #PAN votou contra, um voto cheio de bom senso.

Pode agora o #PAN contar com os votos de todos nós! Obrigado!

O Bastinhas não fez nada por Portugal, não supriu necessidades básicas de ninguém, não lutou pela liberdade, não se dedicou a causa alguma, etc.. Em Espanha batia palmas aos touros de fogo, apenas se dedicou a esta actividade - a tourada e pelos seus bolsos cheios por todos nós, esta homenagem é um ultraje a cada pessoa que morre seja ela um lixeiro ou um médico a quem o governo não faz votos de pesar, esperamos que quando morrer um matador de um matadouro que o governo faça um novo voto de pesar igualmente.

(...)

 

Aqui está a biografia de Bastinhas para que todos possam ver o que fez na sua vida e se isto é alvo de uma homenagem em assembleia?


Link: http://joaquimbastinhas.blogspot.com/p/biografia.html

 

Movimento Não à Vaca das Cordas

Fonte:

https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=1525920147510606&id=1247201205382503

 

Não podia estar mais de acordo, com o Movimento Não à Vaca das Cordas.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:25

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Sábado, 29 de Dezembro de 2018

A TAUROMAQUIA NÃO É COMPATÍVEL COM A ESSÊNCIA HUMANA

 

Respondendo a Francisco Laranjeira sobre a abominável prática das touradas.

Os NINS nunca fizeram evoluir a Humanidade.

 

Anónimo comentou o comentário NUNCA AS TOURADAS LEVARAM TANTA PANCADA COMO NESTES ÚLTIMOS DIAS PORQUE SE CÃO COMO NÓS, TOURO COMO NÓS. PORQUE NÃO? às 19:22, 28/12/2018 :

Dª.Isabel Ferreira: Sobre as touradas já me pronunciei aqui neste espaço. Como disse antes, quando se me deparar a oportunidade de dar o meu voto não terei duvidas de que votarei contra as touradas. Ponto. Paralelamente a este espectaculo grotesco; existem outros de que pouco ou nada se fala e talvez me impressionem mais do q as touradas: são os animais selvagens retidos nos Zoos. Isto é que eu considero absolutamete vergonhoso, ver leões, tigres, elefantes, macacos e outros animais selvagens, moribundos, cheios de moscas, apodrecerem, fedorentos, coisa absolutamente vergonhosa. E os animais no circo também não fazem sentido algum. De resto, quando a Assembleia da Republica não proibe tais espectaculos o que poderei eu fazer humilde cidadão. Melhores cumprimentos. Francisco Laranjeira.

 

PESSOAS DE BEM.png

 

 

Senhor Francisco Laranjeira, do modo como fala, dá-me a sensação de que, embora não goste de touradas, não as condena. Aceita-as, como algo normal, na sociedade do Século XXI depois de Cristo. E nesta questão não podemos ser NIM.

 

Imagine a existência, HOJE, de uma “homada”, ou seja, de uma prática em que um leão esfomeado estraçalha um homem encurralado numa arena, onde uma turba ensandecida aplaude, em delírio, cada dentada, cada golpe na carne, cada pingo de sangue que mancha a arena, como no tempo do Circo Romano. O que teria a dizer? Também aceitaria, para não interferir na LIBERDADE de quem delira com esta luta DESIGUAL?



Sabia que a capacidade de se colocar no lugar do outro, seja esse outro um animal humano ou um animal não-humano, é uma das funções mais importantes da inteligência humana, porque demonstra o grau de maturidade do ser humano (Augusto Cury, médico psiquiatra brasileiro dixit)?

 

Sabia que “não faças aos outros (sejam esses outros humanos ou não-humanos) o que não gostas que te façam a ti” é o preceito máximo, que percorre a existência do Ser Humano, desde tempos imemoráveis, e faz parte da ESSÊNCIA HUMANA?

 

Sabia que a EMPATIA é o sentimento mais nobre do ser humano? Aquele que nos permite colocarmo-nos no lugar dos outros e sentir a dor dos outros?

 

Não basta VOTAR contra. Tem de se SER CONTRA esta “coisa” abominável, que não faz parte dos valores humanos: torturar um ser vivo para se divertirem com o atroz sofrimento dele.

 

Quanto ao resto, saiba que no mundo existem milhares de pessoas a lutar contra isto: jardins zoológicos e circos com animais, a que acrescento as corridas de cavalos e de galgos, as rinhas de galos, a CAÇA e a PESCA desportivas, o uso das charretes, a matança de animais nos matadouros sem o mínimo respeito pela dor deles, enfim, todas as situações que envolvam INDEFESOS ANIMAIS NÃO-HUMANOS à mercê de carrascos DESUMANOS estão no mesmo patamar das touradas, e são abomináveis, e são condenáveis, e devemos lutar pela abolição de tudo isto, que não é compatível com a essência humana.



E se os deputados da Nação, que se recusam a evoluir, não  proíbem tais práticas (não lhes chame espectáculos, porque um espectáculo implica algo ADMIRÁVEL, e não BÁRBARO) o que poderá fazer um humilde cidadão?

 

O humilde cidadão poderá simplesmente NÃO VOTAR neles, e escolher deputados que tenham a capacidade de se colocarem no lugar dos outros, que não façam aos outros o que não gostam que lhes façam a eles, e que tenham EMPATIA pela restante fauna que com eles partilham o mesmo PLANETA.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:11

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Quarta-feira, 28 de Novembro de 2018

LUÍS CAMPOS FERREIRA, DEPUTADO DO PSD, TOCA MÚSICA DE TOURADA NA HORA DA VOTAÇÃO DO IVA COMO SE O HEMICICLO FOSSE O "campo pequeno"

 

Inacreditável! Inadmissível! Indecoroso!

 

«Luís Campos Ferreira usou o telemóvel para tocar toque de entrada de toiros quando os deputados aprovaram a redução do IVA para as touradas. Foi nesse momento que se ouviu distintamente no Plenário um toque de entrada de touros, como se o Hemiciclo fosse o Campo Pequeno. A música vinha de uma das bancadas e provocou o riso de muitos dos deputados e até do presidente da Assembleia. Mas nem todos se aperceberam de onde vinha o som. O responsável foi o deputado do PSD Luís Campos Ferreira, eleito por Viana do Castelo», lê-se no Expresso.

Até do presidente da Assembleia, que devia manter o decoro no recinto e foi cúmplice de um acto obsceno, bem ao nível da obscenidade das touradas.

Quem enxovalha deste modo, um lugar onde a Nação se espelha, o que merece?

RUA com Luís Campos Ferreira!

 

TROGLODITA.jpg

Origem da imagem: Internet

E a notícia prossegue relatando que no momento em que Carlos César se levantou e olhou para trás, para ver quantos na sua bancada apoiavam a polémica proposta socialista de alteração ao Orçamento - feita à revelia do Governo e da direcção do PS (o que muito duvidamos) Campos Ferreira simulou o comentário de uma corrida de touros: "Aí está o Grupo de Forcados do Largo do Rato. Vai dar entrada o touro!" E pontuou a ironia com um sonoro "Olé!", e com esta música, emitida através do seu telemóvel.

 

 

Mas o pior foi que, «no final, depois de aprovada a proposta, foram muitos os deputados de várias bancadas que, nos corredores, cumprimentaram entre risos o parlamentar do PSD. E «questionado pelo Expresso sobre a sua original forma de intervenção parlamentar, Campos Ferreira considerou que "António Costa, habituado a tourear a oposição, foi desta vez toureado pelo seu líder parlamentar. Foi uma chinquelina de César a Costa."

 

Pois foi uma chinquelina que chincalhou (o mesmo que achincalhar) todo o Parlamento.

Uma vergonha!

Sinto-me esmagada com a irracionalidade destes deputados da Nação. Pobre Nação!

 

E como diz a amiga Judite: «Há muito tempo que a Assembleia de República é um local repleto de gente sem a mínima preparação para o cargo que ocupa, pessoas de um nível duvidoso, de educação duvidosa e de índole duvidosa. Não são exigidos os requisitos mínimos . Uma vergonha de gente que não sabe governar nem a própria conduta, quanto mais fazer ou aprovar ou reprovar leis que nos afectam a todos

 

E como diz o meu amigo José: «São criaturas desta estirpe que, cada vez mais, desprestigiam aquela Assembleia da República já num plano inclinado descendente de descrédito. Este fulano, então, desceu bem uns degraus de desrespeito para com aquela Instituição de Soberania, para  com os outros seus colegas, de qualquer dos lados e sobretudo para os  cidadãos deste país. Falta de educação e de cidadania. Uma vergonha.»

 

Grandes verdades.

Isabel A. Ferreira

 

Fonte da notícia:

https://expresso.sapo.pt/politica/2018-11-28-Deputado-do-PSD-toca-musica-de-tourada-na-hora-da-votacao?fbclid=IwAR1KFdI2jt9AYVoe-aa0lK3tB6qTq-xGnNfudkE7vA-itC_f_ytIIDMm_OI#gs.kTuI=E8

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:40

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Sexta-feira, 17 de Agosto de 2018

QUANDO OS TROGLODITAS ATACAM OS DEFENSORES DE TOUROS TAL COMO ATACAM OS TOUROS NÃO FICARÁ TUDO DITO?

 

São brutos, são violentos, são psicopatas, são sádicos, são ignorantes, sofrem de uma acentuada disfuncionalidade cognitiva e de uma estupidez voluntária, têm comportamentos patológicos, e estas são as características definidoras do carácter dos trogloditas que atacaram os defensores de Touros, os HERÓIS de Albufeira, como se fossem eles os maus da fita…

 

Contudo, aos olhos do mundo civilizado, os atacantes de touros e de humanos não passam de pobres diabos que optaram pela mais profunda ignorância.

 

HELDER SILVA.jpg

 O gorducho da esquerda andou "gloriosamente" a distribuir murros contra os heróis indefesos Helder Silva (na imagem) e Peter Janssen, como se pode ver nos vídeos que mostram cenas na arena de Albufeira!

 

 

Estas imagens estão a correr mundo e a arrastar o nome de Albufeira na lama.

 

Viram o bandarilheiro, a bandarilhar um dos defensores de Touros? E o que fez a autoridade presente na arena? Identificou o agressor ou fez de conta que nada viu, como é da “tradição” também?

 

Ouviram a linguagem erudita dos trogloditas? É só isto que sabem: expressarem-se grosseiramente por palavras e atitudes.

 

E pensar que é este tipo de “cultura” violenta e rasteira que a maioria dos deputados da Nação apoia, e a igreja acolita acompanha, rezando missa ao diabo.

 

Quando um país está entregue a trogloditas, não ficará tudo dito?

Portugal merecia melhor sorte.

 

Mas o povo inculto, encruado, acrítico, aquele que vai votar, é responsável pela mediocridade da governação que temos.

 

É preciso mudar o rumo de Portugal, que está a viver tempos de um descomunal retrocesso. Porque Portugal não é só turismo, nem praias, nem vinhos, nem gastronomia, ou Madonna, que vive em Lisboa, mas vai gastar os milhões a Marrocos.

 

Portugal é muito mais. Portugal não é o quintal de uma classe política medíocre.

Portugal é um PAÍS!

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:30

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Quinta-feira, 2 de Agosto de 2018

ESTAS SÃO AS VOZES AUDÍVEIS QUE GRITAM CONTRA A EXTINÇÃO DA LÍNGUA PORTUGUESA

 

Senhores governantes, uma vez que são incapazes de servir Portugal, ouçam, ao menos, estas vozes que gritam a verdade sobre o ilegal, inútil e inexplicável AO90.

Não vos chega todas estas vozes, para chegarem à conclusão de que estão em minoria e a cometer um monumental erro, que sairá bastante caro à Nação Portuguesa?

Que interesse têm os governantes portugueses em servirem interesses estrangeiros?

Somos muitos mais.

Somos mais do que os deputados da Nação, que teimam em impor a Portugal uma grafia que não nos pertence.

O povo Português está a perder a sua alma.

 

LÍNGUA ALMA.jpg

 

SUBSCRITORES DO MANIFESTO CONTRA O ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990

 

1 - A. M. Pires Cabral - Escritor 2 - Acílio Estanqueiro Rocha - Professor universitário; ex-Vice-Reitor da Universidade do Minho 3 - Adalberto Alves - Escritor, Arabista 4 - Adelino Gomes – Jornalista 5 - Albano Martins - Escritor 6 - Alfredo Barroso – Ex-membro do Governo; ex-Chefe da Casa Civil do Presidente da República 7 - General Amadeo Garcia dos Santos 8 - Ana Isabel Buescu - Professora universitária 9 - Ana Lúcia Pinto Sintra - Professora universitária 10 - Ana Paula Russo – Cantora lírica; Professora do Conservatório Nacional 11 - Ana Zanatti – Actriz; Escritora 12 - André Salgado de Matos – Docente universitário; Advogado 13 - André Ventura - Professor universitário; Penalista 14 - António Alberto Vieira Cura – Professor universitário 15 - António Arnaut – Escritor; Fundador do Serviço Nacional de Saúde 16 - António Bagão Félix – Professor universitário; ex-Ministro das Finanças e Segurança Social 17 - António Barreto - Professor universitário; Sociólogo 18 - António Carlos Cortez – Escritor; Professor 19 - António de Castro Caeiro – Professor universitário 20 - António Chagas Dias – Economista; Tradutor 21 - António Frederico Oliveira Figueiredo – Comentador desportivo; ex-dirigente do Sport Lisboa e Benfica 22 - António Garcia Pereira - Professor universitário; Advogado 23 - António Gentil Martins – Médico; ex-Bastonário da Ordem dos Médicos 24 - António Lobo Antunes – Escritor 25 - António Lobo Xavier – Advogado; membro do Conselho de Estado 26 - António M. Feijó – Professor universitário; Universidade de Lisboa 27 - António-Pedro Vasconcelos – Cineasta 28 - António Salvado - Escritor 29 - Assírio Bacelar – Editor 30 - Belmiro Fernandes Pereira – Professor universitário 31 - Bernardo Vasconcelos e Sousa – Professor universitário 32 - Boaventura de Sousa Santos - Professor universitário; Sociólogo 33 - Bruno Prata - Jornalista 34 - Camané - Cantor 35 - Carlos do Carmo – Cantor 36 - Embaixador Carlos Fernandes – Jurista 37 - Carlos Fiolhais – Professor universitário 38 - Carlos Alberto Gomes Monteiro (Carlos Tê) – Compositor 39 - Carlos Fragateiro – Professor universitário; Encenador 40 - Carlos Guilherme – Cantor lírico 41 - Casimiro de Brito – Escritor; ex-Presidente do PEN Club Português 42 - Catarina Vieira Molder - Cantora lírica; Directora artística 43 - Constança Cunha e Sá - Jornalista 44 - Desidério Murcho - Professor na Universidade Federal de Ouro Preto (no Estado federado de Minas Gerais, Brasil); Escritor 45 - Diogo Leite de Campos – Professor universitário; Advogado 46 - Eduardo Cintra Torres - Professor universitário; Jornalista 47 - Eduardo Jorge de Sousa Castro – Professor universitário 48 - Eduardo Lourenço – Ensaísta; membro do Conselho de Estado 49 - Eugénia Melo e Castro – Cantora; Compositora 50 - Eugénio Lisboa – Escritor 51 - Fernanda Mota Alves - Professora universitária 52 - Fernando Araújo - Professor Universitário 53 - Fernando Dacosta – Jornalista; Escritor 54 - Fernando Paulo Baptista – Filólogo; Investigador 55 - Fernando Tordo – Cantor; Músico 56 - Francisco Belard – Jornalista 57 - Francisco Miguel Valada - Intérprete de conferência junto das instituições da UE 58 - Gastão Cruz - Escritor 59 - Germano de Sousa – Professor universitário; ex-Bastonário da Ordem dos Médicos 60 - Gonçalo Sampaio e Mello – Professor Universitário; Coordenador do Arquivo Histórico da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa 61 - Guilherme Pereira - Professor universitário 62 - Guilherme Valente – Editor 63 - Helder Guégués – Escritor; Tradutor 64 - Hélder Costa – Dramaturgo/Encenador 65 - Helena Buescu - Professora universitária 66 - Hélio Alves – Professor universitário; Linguista 67 - Henrique Cayatte – “Designer” 68 - Henrique Garcia – Jornalista 69 - Henrique Jales Ribeiro – Professor universitário 70 - Hermenegildo Borges – Professor universitário 71 - Inês Lourenço – Escritora 72 - Inês Pedrosa – Escritora 73 - Irene Flunser Pimentel – Historiadora 74 - Isabel Pinto Ribeiro Sanches Osório – Professora universitária; Patologista Forense 75 - Isabel Wolmar – Jornalista; Escritora 76 - Isabel Pires de Lima – Professora universitária; ex-Ministra da Cultura 77 - Januário Torgal Ferreira – Bispo – Professor universitário 78 - João Bosco Mota Amaral – ex-Presidente da Assembleia da República; ex-Presidente do Governo Regional dos Açores 79 - João de Sousa – Jornalista; Director do Jornal “Tornado” 80 - João Ferreira do Amaral – Professor universitário 81 - João Maria de Freitas Branco – Filósofo/Ensaísta 82 - João Salvador Fernandes – Professor universitário 83 - Joaquim Pessoa – Escritor 84 - Jorge Custódio – Professor universitário; Presidente da Associação Portuguesa de Arqueologia Industrial 85 - Jorge Martins – Artista plástico; Pintor 86 - Jorge Palma – Cantor, Compositor 87 - José d’Encarnação – Professor universitário; Epigrafista 88 - Coronel José Eduardo Sanches Osório – Professor da Academia Militar; Organizador da Revolução de 25 de Abril de 1974 89 - José Casalta Nabais – Professor universitário 90 - José Lucas Cardoso – Professor universitário 91 - José Luís Bonifácio Ramos – Professor universitário 92 - José Melo Cristino – Professor universitário 93 - José Mendes Bota – ex-Deputado à Assembleia da República e ao Parlamento Europeu 94 - José Pacheco Pereira – Professor universitário; Jornalista 95 - José Pedro Serra – Professor universitário 96 - José Renato Gonçalves – Professor universitário 97 - José Ribeiro e Castro – ex-Líder do CDS; ex-Deputado pelo CDS à Assembleia da República 98 - Júlio Isidro – Autor e Apresentador de Programas de Rádio e Televisão 99 - Júlio Machado Vaz – Médico Psiquiatra 100 - Júlio Pomar – Pintor 101 - Lena d’Água – Cantora 102 - Lídia Franco – Actriz 103 - Lisa Santos – Professora universitária 104 - Luís Aleluia – Actor 105 - Luís Bigotte Chorão – Jurista; Historiador 106 - Luís M. R. Oliveira – Professor universitário 108 - Luís Menezes Leitão – Professor universitário; Presidente da Associação Lisbonense de Proprietários 109 - Luís Raposo - Presidente da Aliança Europeia do Conselho Internacional de Museus (ICOM Europa); Vice-presidente da Associação dos Arqueólogos Portugueses 110 - Luísa Costa Gomes – Escritora 111 - Luiz Fagundes Duarte – Professor universitário; ex-Deputado à Assembleia da República pelo PS 112 - Manuel Alegre – Escritor; ex-Deputado à Assembleia da República 113 - Manuel Duarte Ortigueira – Professor universitário 114 - Manuel Ferreira Patrício – Professor universitário; ex-Reitor da Universidade de Évora. 115 - Manuel Freire – Cantor; ex-Presidente da Sociedade Portuguesa de Autores 116 - Manuel Monteiro – Professor universitário; ex-Líder do CDS-PP 117 - Manuel S. Fonseca – Editor; Escritor 118 - Manuela Mendonça – Historiadora; Presidente da Academia Portuguesa da História 119 - Maria Alzira Seixo – Professora universitária 120 - Maria do Carmo Vieira – Professora de Português; membro da Direcção da ANPROPORT (Associação Nacional de Professores de Português) 121 - Maria do Céu Guerra – Actriz; Directora da Companhia de Teatro “A Barraca” 122 - Maria do Rosário Gama - ex-Directora da Escola Secundária Infanta D. Maria de Coimbra; Presidente da Associação de Aposentados, Pensionistas e Reformados (APRe!) 123 - Maria do Rosário Pedreira – Escritora; Editora 124 - Maria do Sameiro Barroso – Escritora; membro da Direcção do Núcleo de História da Medicina da Ordem dos Médicos 125 - Maria Carmen de Frias e Gouveia – Professora universitária; Linguista 126 - Maria Cristina Pimentel – Professora universitária; Directora do Centro de Estudos Clássicos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa 127 - Maria Eduarda Gonçalves - Professora universitária 128 - Maria Ester Vargas - Professora, ex-Deputada à Assembleia da República pelo PSD 129 - Maria Filomena Molder – Professora universitária; Ensaísta 130 - Maria Filomena Mónica - Professora universitária; Escritora 131 - Maria João Seixas – Jornalista 132 - Maria Luísa Duarte – Professora universitária 133 - Maria Regina Rocha – Linguista; Consultora linguística do Programa de televisão “Cuidado com a Língua!” 134 - Maria Renée Gomes - Professora universitária; antiga representante da União Latina em Portugal 135 - Maria Teresa Horta – Escritora 136 - Mário Cláudio – Escritor 137 - Coronel Mário Tomé – Membro do “Movimento dos Capitães” na Guiné-Bissau; ex-Deputado à Assembleia da República pela UDP 138 - Martim de Albuquerque – Professor universitário 139 - Matilde Sousa Franco – Historiadora; ex-Deputada independente à Assembleia da República pelo PS 140 - Michael Seufert – ex-Deputado à Assembleia da República pelo CDS-PP; ex-Presidente da Juventude Popular (CDS-PP) 141 - Miguel Esteves Cardoso – Jornalista; Escritor 142 - Miguel Real – Escritor 143 - Miguel Sousa Tavares – Escritor 144 - Miguel Tamen - Professor universitário; Escritor 145 - Miguel Teixeira de Sousa – Professor universitário 146 - Paulo de Morais – Professor universitário; Presidente da “Frente Cívica” 147 - Paulo Saragoça da Matta – Advogado; Juiz “ad hoc” no Tribunal Europeu dos Direitos do Homem 148 - Paulo Teixeira Pinto – Editor; ex-Presidente do Millennium BCP (Banco Comercial Português) 149 - Pedro Abrunhosa – Cantor, Compositor 150 - Pedro Barroso – Cantor, Músico 151 - Pedro Mexia – Escritor 152 - Pedro Quartin Graça - Professor universitário 153 - Pedro Tamen – Escritor; ex-Administrador da Fundação Calouste Gulbenkian 154 - Raquel Varela – Investigadora; Professora universitária 155 - Pêpê Rapazote - Actor 156 - Raul Miguel Rosado Fernandes – Professor universitário; ex-Reitor da Universidade de Lisboa 157 - Ricardo Santos – Professor universitário 158 - Richard Zimler - Escritor 159 - Rita Ferro – Escritora 160 - Rosário Andorinha – Professora de Português; Presidente da Direcção da ANPROPORT (Associação Nacional de Professores de Português) 161 - Rosa Maria Perez - Antropóloga 162 - Rui Veloso – Cantor; compositor 163 - Santana Castilho - Professor universitário 164 - Sérgio Godinho – Cantor, compositor 165 - Silvina Pereira – Investigadora; Directora Artística no Teatro Maizum 166 - Sílvio Abrantes – Professor universitário; Engenheiro 167 - Sofia Miguens – Professora universitária 168 - Teolinda Gersão – Escritora; Professora universitária 169 - Teresa Pizarro Beleza – Professora universitária; Penalista 170 - Teresa Rodrigues Cadete - Professora universitária; Presidente da Direcção do PEN Club Português 171 - Tozé Brito (António José Correia de Brito) - Autor e compositor 172 - Valter Hugo Mãe – Escritor 173 - Vanda Anastácio – Professora universitária 174 - Tenente-Coronel Vasco Lourenço – Membro activo dos “Capitães de Abril”; Presidente da “Associação 25 de Abril” 175 - Vicente Jorge Silva – Jornalista 176 - Vítor Aguiar e Silva – Professor universitário; ex-Presidente da Comissão Nacional da Língua Portuguesa (CNALP) 177 - Vítor Manuel dos Anjos Guerreiro - Doutor em Filosofia da Arte; Tradutor 178 - Vitor Ramalho – Jurista; ex-Deputado à Assembleia da República pelo PS. 179 - ANPROPORT – Associação Nacional de Professores de Português 180 - Associação Portuguesa de Tradutores 181 - Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa 182 - Associação CLENARDVS – “Promoção e Ensino da Cultura e Línguas Clássicas” 183 - Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) 184 - Associação “Tornado” – Comunicação Social 185 - Fernando Venâncio – Professor de ascendência portuguesa, de nacionalidade holandesa, na Universidade de Amesterdão; Filólogo 186 - Heinrich Ewald Hörster – Professor universitário na Universidade do Minho (de nacionalidade alemã) 187 - Odette Collas – Tradutora; Presidente da Direcção da Associação Portuguesa de Tradutores (de ascendência portuguesa; e nacionalidade francesa) 188 - Arlindo João Carlos Isabel - Editor Literário; Ex-director do Instituto Nacional do Livro e do Disco (Angola) 189 - Luís F. Rosa Lopes – Escritor (Angola) 190 - Luís Fernando – Jornalista, Escritor (Angola) 191 - Paulo Horácio de Sequeira e Carvalho – Sociólogo (Angola) 192 - Delmar Maia Gonçalves – Escritor; Presidente do Núcleo de Escritores Moçambicanos na Diáspora 193 - Aldo Lopes Dinucci – Professor na Universidade de Sergipe (Brasil) 194 - Celso Augusto Conceição Nunes – Professor na Universidade de Cecusa, Cachoeirinha, Rio Grande do Sul; Linguista 195 - Lucas Miotto – Mestre; Doutorando brasileiro em Filosofia do Direito, na Universidade de Edimburgo 196 - Matheus Martins Silva – Doutor em Filosofia da Linguagem 197 - Osvaldo Frota Pessoa Junior – Professor na Universidade de São Paulo 198 - Paulo Franchetti – Professor na Universidade Estadual de Campinas, São Paulo 199 - Pasquale Cipro Neto – Professor; Colunista na “Folha de São Paulo” (1997-2016)

 

SUBSCRITORES da Petição «Cidadãos contra o “Acordo Ortográfico” de 1990» (publicada como Manifesto no Jornal "Público", em 23 de Janeiro de 2017, em https://www.publico.pt/2017/01/23/culturaipsilon/noticia/cidadaos-contra-o-acordo-ortografico-de-1990-1759324

Petição:

http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=acordoortografico90

***

ESCRITORES QUE SE OPÕEM AO ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990

 

– PORTUGAL –

 

Abel Barros Baptista

Abel Neves

Adalberto Alves

Adília Lopes

Adolfo Luxúria Canibal

Afonso Cruz

Afonso Reis Cabral

Agustina Bessa-Luís

Albano Martins

Alexandra Lucas Coelho

Alexandre Andrade

Alexandre Borges

Alice Brito

Almeida Faria

A. M. Pires Cabral

Ana Barradas

Ana Casaca

Ana Cássia Rebelo

Ana Cristina Silva

Ana Isabel Buescu

Ana Luísa Amaral

Ana Margarida Carvalho

Ana Marques Gastão

Ana Paula Inácio

Ana Sofia Fonseca

Ana Teresa Pereira

Ana Vidal

Ana Zanatti

André Gago

Anselmo Borges

António Araújo

António Arnaut

António Barahona

António Barreto

António Borges Coelho

António Cabrita

António Carlos Cortez

António Costa Santos

António de Macedo

António Emiliano

António Feijó

António Guerreiro

António Lobo Antunes

António Louçã

António Manuel Venda

António Modesto Navarro

António MR Martins

António Oliveira e Castro

António Pedro Ribeiro

António Salvado

António Tavares

António Victorino d'Almeida

Armando Silva Carvalho

Arnaldo do Espírito Santo

Arnaldo Saraiva

Artur Anselmo

Artur Portela

Artur Ribeiro

Aurelino Costa

Baptista-Bastos

Beatriz Hierro Lopes

Bernardo Pires de Lima

Bruno Vieira Amaral

Carla Hilário Quevedo

Carla M. Soares

Carlos Campaniço

Carlos Fiolhais

Carlos Loures

Carlos Querido

Casimiro de Brito

Célia Correia Loureiro

César Alexandre Afonso

Clara Pinto Correia

Cláudia R. Sampaio

Cristina Boavida

Cristina Carvalho

Cristina Drios

Daniel Jonas

David Machado

David Marçal

David Soares

Deana Barroqueiro

Desidério Murcho

Diogo Freitas do Amaral

Diogo Ramada Curto

Dulce Maria Cardoso

Eduardo Cintra Torres

Eduardo Lourenço

Eduardo Paz Ferreira

Ernesto Rodrigues

Eugénia de Vasconcellos

Eugénio Lisboa

Fausta Cardoso Pereira

Fernando Alves

Fernando Alvim

Fernando Correia

Fernando Dacosta

Fernando Echevarría

Fernando Esteves Pinto

Fernando Paulo Baptista

Fernando Pinto do Amaral

Fernando Ribeiro

Fernando Venâncio

Filipa Leal

Filipe Nunes Vicente

Filipe Verde

Francisca Prieto

Francisco Salgueiro

Frederico Duarte Carvalho

Frederico Pedreira

Gabriela da Fonseca Gomes

Gabriela Ruivo Trindade

Galopim de Carvalho

Gastão Cruz

Gonçalo Cadilhe

Gonçalo M. Tavares

Helder Guégués

Helder Macedo

Helder Moura Pereira

Helena Carvalhão Buescu

Helena Malheiro

Helena Matos

Helena Sacadura Cabral

Henrique Manuel Bento Fialho

Hélia Correia

Inês Botelho

Inês Dias

Inês Fonseca Santos

Inês Lourenço

Inês Pedrosa

Irene Flunser Pimentel

Isabel A. Ferreira

Isabel da Nóbrega

Isabel Machado

Isabel Pires de Lima

Isabel Valadão

Isabel Wolmar

Ivone Mendes da Silva

Jaime Nogueira Pinto

Jaime de Oliveira Martins

Jaime Rocha

Joana Stichini Vilela

João Barreiros

João Barrento

João Céu e Silva

João David Pinto Correia

João de Melo

João Luís Barreto Guimarães

João Miguel Fernandes Jorge

João Morgado

João Paulo Sousa

João Pedro George

João Pedro Mésseder

João Pedro Marques

João Pereira Coutinho

João Rasteiro

João Reis

João Ricardo Pedro

João Távora

João Tordo

Joaquim Letria

Joaquim Magalhães de Castro

Joaquim Pessoa

Joel Costa

Joel Neto

Jorge Araújo

Jorge Buescu

Jorge Morais Barbosa

Jorge Sousa Braga

José-Alberto Marques

José Alfredo Neto

José António Almeida

José António Barreiros

José Augusto França

José Barata Moura

José do Carmo Francisco

José Fanha

José Gil

José Jorge Letria

José Manuel Mendes

José Manuel Saraiva

José Manuel Teixeira da Silva

José Mário Silva

José Miguel Silva

José Milhazes

José Navarro de Andrade

José Pacheco Pereira

José Pedro Serra

José Rentes de Carvalho

José Riço Direitinho

José Viale Moutinho

Júlio Machado Vaz

Laurinda Alves

Lídia Fernandes

Lídia Jorge

Lourenço Pereira Coutinho

Luís Amorim de Sousa

Luís Bigotte Chorão

Luís Carmelo

Luís Filipe Borges

Luís Filipe Silva

Luís Manuel Mateus

Luís Naves

Luís Osório

Luís Quintais

Luísa Costa Gomes

Luísa Ferreira Nunes

Luiz Fagundes Duarte

Manuel Alegre

Manuel Arouca

Manuel da Silva Ramos

Manuel de Freitas

Manuel Gusmão

Manuel Jorge Marmelo

Manuel Marcelino

Manuel S. Fonseca

Manuel Simões

Manuel Tomás

Manuel Villaverde Cabral

Manuela Bacelar

Marcello Duarte Mathias

Marco Neves

Margarida Acciaiuoli

Margarida de Magalhães Ramalho

Margarida Fernandes

Margarida Fonseca Santos

Margarida Palma

Margarida Rebelo Pinto

Maria Alzira Seixo

Maria de Fátima Bonifácio

Maria do Carmo Vieira

Maria do Céu Fialho

Maria do Rosário Pedreira

Maria do Sameiro Barroso

Maria Elisa Domingues

Maria Filomena Molder

Maria Filomena Mónica

Maria Helena Serôdio

Maria João Avillez

Maria João Lopo de Carvalho

Maria Manuel Viana

Maria Saraiva de Menezes

Maria Teresa Horta

Maria Velho da Costa

Maria Vitalina Leal de Matos

Mariana Inverno

Mário Cláudio

Mário de Carvalho

Mário Zambujal

Marlene Ferraz

Miguel Cardoso

Miguel Esteves Cardoso

Miguel Gullander

Miguel Real

Miguel Sousa Tavares

Miguel Tamen

Nádia Carnide Pimenta

Nuno Amado

Nuno Camarneiro

Nuno Costa Santos

Nuno Lobo Antunes

Nuno Markl

Nuno Miguel Guedes

Nuno Rogeiro

Octávio dos Santos

Orlando Leite

Patrícia Baltazar

Patrícia Reis

Paula Lobato de Faria

Paula Morão

Paula de Sousa Lima

Paulo Assim

Paulo Castilho

Paulo da Costa Domingos

Paulo Farmhouse Alberto

Paulo Guinote

Paulo Moreiras

Paulo Saragoça da Matta

Paulo Tunhas

Pedro Abrunhosa

Pedro Almeida Vieira

Pedro Barroso

Pedro Braga Falcão

Pedro Chagas Freitas

Pedro Correia

Pedro Eiras

Pedro Guilherme-Moreira

Pedro Lains

Pedro Marta Santos

Pedro Medina Ribeiro

Pedro Mexia

Pedro Paixão

Pedro Quartin Graça

Pedro Rolo Duarte

Pedro de Sá

Pedro Sena-Lino

Pedro Tamen

Porfírio Silva

Possidónio Cachapa

Rafael Augusto

Raquel Nobre Guerra

Raquel Ochoa

Raquel Varela

Renata Portas

Ricardo Adolfo

Ricardo António Alves

Ricardo Araújo Pereira

Ricardo Paes Mamede

Richard Zimler

Rita Ferro

Rodrigo Guedes de Carvalho

Rosa Alice Branco

Rosa Maria Martelo

Rosa Oliveira

Rui Ângelo Araújo

Rui C. Barbosa

Rui Cardoso Martins

Rui Cóias

Rui Herbon

Rui Manuel Amaral

Rui Miguel Duarte

Rui Pires Cabral

Rui Ramos

Rui Vieira Nery

Rute Silva Correia

Ruy Ventura

Santana Castilho

Sarah Adamopoulos

Sérgio Godinho

Soledade Martinho Costa

Susana Gaião Mota

Sylvia Beirute

Tânia Laranjo

Tatiana Faia

Teolinda Gersão

Teresa Araújo Costa

Teresa Conceição

Teresa Salema Cadete

Teresa Veiga

Tiago Cavaco

Tiago Patrício

Tiago Rebelo

Tiago Salazar

Valério Romão

Valter Hugo Mãe

Viriato Teles

Vasco Gato

Vasco Luís Curado

Vasco Pulido Valente

Vítor Aguiar e Silva

Vítor Oliveira Jorge

Yvette Centeno

 

– BRASIL –

 

Affonso Romano de Sant'Anna

Álvaro Alves de Faria

Andréa del Fuego

Angela Dutra de Menezes

Arnaldo Antunes

Arthur Virmond de Lacerda

Breno Lerner

Caetano Veloso

Carlos Heitor Cony

Cineas Santos

Cláudio Moreno

Deonísio da Silva

Diogo Mainardi

Edney Silvestre

Gregorio Duvivier

Hélio Schwartsman

Jô Soares

José Nêumanne Pinto

Luiz Carlos Prates

Luiz Ruffato

Lya Luft

Marcio Renato dos Santos

Maurício Melo Júnior

Miguel Sanches Neto

Nei Leandro de Castro

Nilton Resende

Olavo de Carvalho

Pasquale Cipro Neto

Paulo Franchetti

Rafael Borges Rodrigues

Reginaldo Pujol Filho

Reinaldo Azevedo

Renato Tapado

Ricardo Freire

Rita Lee

Rodrigo Gurgel

Rodrigo Lacerda

Ruy Castro

Sérgio Nogueira

Valdivino Braz

Walnice Nogueira Galvão

Zeca Baleiro

 

– PALOP E TIMOR-LESTE –

 

António Quino (Angola)

Delmar Maia Gomes (Moçambique)

Eugénio Costa Almeida (Angola)

Filipe Zau (Angola)

José Mena Abrantes (Angola)

Luís Fernando (Angola)

Luís F. Rosa Lopes (Angola)

Ondjaki (Angola)

Pepetela (Angola)

Manuel Brito-Semedo (Cabo Verde)

Delmar Maia Gonçalves (Moçambique)

João Paulo Borges Coelho (Moçambique)

Luís Carlos Patraquim (Moçambique)

Maria Paula Meneses (Moçambique)

Rogério Manjate (Moçambique)

Sónia Sultuane (Moçambique)

Inocência Mata (São Tomé e Príncipe)

Olinda Beja (São Tomé e Príncipe)

José Ramos-Horta (Timor-Leste)

 

Fonte:

https://www.facebook.com/TradutoresContraAO90/photos/a.645080985593573.1073741828.199515723483437/1122936091141391/?type=1&theater

 

EDITORAS PORTUGUESAS QUE NÃO APLICAM O ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990*

 

— Guerra e Paz Editores

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— Nova Vega Editora

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* Salvo opção contrária dos autores.

 

Fonte:

https://www.facebook.com/TradutoresContraAO90/posts/1000070020094666:0

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:20

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Quinta-feira, 5 de Julho de 2018

CARTA ABERTA AO SENHORES DEPUTADOS DA NAÇÃO PORTUGUESA

 

Senhores deputados: olhem bem para esta imagem.

 

É isto que resta de um Touro, ser senciente, tão animal como eu, depois de ser barbaramente torturado por cobardes, nas arenas de Portugal.

 

Se pretendem fazer desta imagem um símbolo da identidade portuguesa, esqueçam as palavras que escreverei a seguir, e mantenham-se mergulhados nas trevas que vos ofusca a visão da modernidade.

 

TOURO.jpg

 

Para amanhã, dia 6 de Julho de 2018, está marcada uma discussão do Projecto de Lei pela Abolição da Tauromaquia em Portugal, proposto pelo Partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN), a qual pode catapultar o nosso País para o rol dos países civilizados, e retirá-lo do número restrito de países terceiro-mundistas (oito, em 193 existentes no mundo) que ainda mantêm esta prática do tempo da monarquia espanhola, que a introduziu em Portugal e na América Latina.

 

Gostaria de aqui expor o seguinte: aproximam-se eleições legislativas, e o meu voto, e o voto de milhares de Portugueses, dependerá das decisões que os partidos políticos, ao serviço do minoritário lobby tauromáquico, tomarem, amanhã.

 

À parte de considerar inacreditável e inaceitável que, em pleno século XXI D. C., ainda se esteja a discutir, na Assembleia da República Portuguesa, um projecto de lei que pede o fim da tortura de um animal numa praça pública, mais inconcebível se torna o facto de ser permitida a entrada e participação de menores nesta actividade. A posição da ONU em relação à exposição/participação de crianças em eventos tauromáquicos é muito clara:

 

In order to prevent the harmful effects of bullfighting on children, the Committee recommends that the State party prohibit the participation of children under 18 years of age as bullfighters and as spectators in bullfighting events.”

 

(Espero que todos os Senhores Deputados saibam ler Inglês, porque Português, nem todos sabem, uma vez que por mais informações que lhes damos a este respeito, na nossa Língua, a esmagadora maioria dos senhores não entende nada, e como gostam de estrangeirismos, o Inglês poderá ser mais conveniente).

 

Para além disso, é absolutamente escabroso o apoio, na forma de subsídios da ordem dos 16 a 20 milhões de euros anuais, a uma actividade que está em franco declínio, é cruel, violenta e desadequada aos tempos modernos, enquanto que nas áreas da Saúde, do Ensino, da Cultura Culta, os apoios andam muito minguados.

 

Daí que me parece de carácter urgente e mandatório que os senhores deputados da minha Nação tenham a hombridade de votarem a favor do Projecto de Lei do PAN, e, desse modo, contribuírem para a evolução de Portugal.

 

Mais saliento que, ao votarem contra este projecto, estarão directamente a legislar tanto contra as recomendações da ONU relativamente aos direitos das crianças (não salvaguardando a integridade moral e psicológica das crianças portuguesas), como a permitir que vastas somas de dinheiros públicos, de contribuintes como eu, continuem a sustentar uma obsoleta e medievalesca prática, como a manter Portugal no número restrito de países atrasados civilizacionalmente. Porque basta que 40 municípios, em 308, mantenham esta barbárie, para que Portugal não possa ser considerado um país civilizado.

 

Anda-se por aí a fazer-de-conta que é. Mas na realidade não é.

 

Esperando que amanhã, a Assembleia da República seja iluminada pela lucidez, envio os meus cumprimentos, que só serão respeitosos no dia em que eu vir os senhores deputados respeitarem as normas da civilidade para com os Touros e os Cavalos, que também são criaturas de Deus e animais como eu,  os quais, em nome da mais hedionda estupidez, são torturados nas arenas portuguesas.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:45

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Quarta-feira, 4 de Julho de 2018

«TAUROMAQUIA: O GOZO ALARVE COM A FRAGILIDADE ALHEIA»

 

Um magnífico texto de André Silva, Deputado da Nação, pelo PAN, descomprometido, e livre das amarras do lobby tauromáquico, instalado na Assembleia da República Portuguesa.

 

Esperamos que aos deputados, aficionados da selvajaria tauromáquica, que ainda vivem no passado, chegue a lucidez suficiente, para que possam interpretar as palavras do Deputado André Silva, um Homem que pertence à modernidade, e os faça catapultar para o Século XXI D.C.

(Os excertos do texto a negrito são da minha responsabilidade)

Isabel A. Ferreira

 

ANDRÉ SILVA.png

 André Silva

 

«Conseguimos saber algo importante sobre uma pessoa através da forma como ela trata os que são mais fracos do que ela. Mas conseguimos saber quase tudo sobre uma pessoa através da forma como ela trata os que não têm qualquer poder, os que são impotentes. E os candidatos mais óbvios a este estatuto são os animais. Milan Kundera diz que a verdadeira bondade humana só pode manifestar-se, em toda a sua pureza e liberdade, em relação aos que não têm poder.

 

O verdadeiro teste moral da humanidade, o mais básico, reside na relação que mantém com os que estão à nossa mercê. E é neste ponto que encontramos a maior derrota da tauromaquia. Sem tibieza, Fernando Araújo dá-nos a mais crua e límpida definição de uma corrida de touros, que consiste na exibição da mais abjecta cobardia de que a espécie humana é capaz, o gozo alarve com a fragilidade e com a dependência alheias.

 

Na falta de argumentos saudáveis e convincentes, ao estertor tauromáquico nada mais resta do que defender ad nauseam que estas manifestações são parte integrante do património cultural português e da sua identidade. Estagnados no tempo em que a maioria das pessoas não sabia ler nem escrever, tentam fazer-nos acreditar que mutilar e rasgar carne a um animal e fazê-lo cuspir sangue faz parte da nossa herança cultural.

 

VOMITANDO SANGUE.jpg

 

A identidade de um povo cria-se a partir do que é pertença comum e não daquilo que nos divide, pelo que forçar a identidade tauromáquica à população portuguesa é ofensivo e contraproducente para uma desejada unidade nacional.

 

Aceitando por um lado que devem ser banidas e condenadas as violências contra animais, tentam fazer-nos crer que infligir a morte, o sofrimento cruel e prolongado ou graves lesões a um animal é legítimo, desde que se faça num anfiteatro, que o mal-tratador use fato com lantejoulas e que seja acompanhado ao som de cornetas.

 

BARRANCOS.jpg

 Esta deplorável cena troglodita, em Barrancos, leva-nos a um nome: Jorge Sampaio, ex-presidente da República Portuguesa, que não soube defender a Civilização.

 

O país pede uma evolução civilizacional e ética em relação a este assunto, sendo que as tradições reflectem o grau de evolução de uma sociedade, pelo que não é mais aceitável que o argumento da tradição continue a servir para perpetuar a cultura da brutalidade e do sangue que se vive nas arenas. Todas as tradições devem ser colocadas em crise quando atentam contra a vida e integridade de terceiros. As pessoas têm muitas formas de satisfazer o seu direito cultural sem que tenha que passar por infligir sofrimento a animais.

 

Mais de 90% dos portugueses não assiste a touradas e as corridas de touros têm vindo a perder milhares de espectadores todos os anos, tendência confirmada pelos recentes referendos nas universidades de Coimbra e de Évora, onde milhares de estudantes decidiram afastar a violência tauromáquica das suas festas académicas, após várias instituições de ensino superior já o terem feito.

 

Assim, afirmar que a tourada faz parte da identidade nacional é pretender que uma minoria da população que assiste a corridas de touros seja considerada mais “portuguesa” do que a grande maioria que não se revê neste tipo de espectáculos, o que é, no mínimo, desconcertante.

 

A identidade de um povo cria-se a partir do que é pertença comum e não daquilo que nos divide, pelo que forçar a identidade tauromáquica à população portuguesa é ofensivo e contraproducente para uma desejada unidade nacional.

 

Tenha a classe política a coragem para acompanhar o desejo de não-violência da esmagadora maioria dos portugueses.

 

André Silva»

***

Comentário, na página, ao texto de André silva, o qual subscrevo:

 

Acontece que a "classe política" é tão cobarde como um toureiro, e a população de certos locais e adepta deste primitivismo é particularmente agressiva. Viu-se na palhaçada de Barrancos onde a população se manifestou mais para ter touradas ilegais do que para ter um centro de saúde decente. E em vez de impor a lei, o Estado rebaixou-se e cedeu perante alguns burgessos ululantes. Uma pena e uma vergonha nacional que se continuem a praticar touradas. (Gustavo Garcia)

 

Fonte:

https://www.publico.pt/2018/07/03/p3/cronica/tauromaquia-o-gozo-alarve-com-a-fragilidade-alheia-1836711

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:49

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Terça-feira, 22 de Maio de 2018

«DA VIOLÊNCIA DAS TOURADAS À EDUCAÇÃO VIOLENTA: UMA PERSPECTIVA PSICOLÓGICA»

 

Um magnífico texto (longo mas muito elucidativo) que todos os deputados da Nação devem ler, pormenorizadamente, para saberem que, ao apoiar legislativamente as touradas estão a contribuir para a deformação mental das crianças envolvidas neste mundo de crueldade e violência e tortura gratuitas, mas também a alimentar os instintos sádicos dos adultos, e a negligenciar a saúde mental de uma franja da sociedade portuguesa, ainda que minoritária.

E esta não é, de todo, a função dos governantes.

No final, encontram muita bibliografia para se esclarecerem.

Quero lembrar que só é ignorante quem opta por ser ignorante, porque informação não falta.

 

TOUREIRITO.jpg

 A exposição de crianças a cenas de violência, ao vivo ou através de meios mediáticos, pode até contribuir para fazer-lhes baixar o nível intelectual, a habilidade para a leitura (Delaney-Black et al., 2002), além de todos os inconvenientes para a sua formação ética e emocional…

 

 

Texto do Professor Dr. Vítor José F. Rodrigues

 

A Tourada como Narrativa

 

O que é uma tourada vista objectivamente e de fora? Um espectáculo de massas onde se destacam alguns aspectos: (1) estética e ritual. Os trajes dos protagonistas, com a sua cor, brilho e o carácter invulgar, a beleza dos cavalos e dos seus movimentos, os desfiles, a música, têm certo apelo e, para muitas pessoas, são agradáveis de ver; (2) violência. O touro, os touros, são espicaçados para desenvolverem um comportamento agressivo. Os toureiros, forcados e outros, exibem agressividade face ao touro, ora provocando-o, ora ferindo-o, ora agarrando-o. O sangue torna-se evidente, escorrendo da pele do animal; (3) perigo. Não falemos no touro, cujo destino, após ser literalmente torturado em público, é uma morte dolorosa. Os restantes protagonistas das touradas colocam-se a si mesmos em risco para poderem exibir habilidade e coragem e, por vezes, são colhidos e podem ficar feridos ou morrer; (4) ruído, aplausos, entusiasmo. A multidão reage, aplaude, entusiasma-se quando o touro é ferido por bandarilhas seja no toureio a pé ou a cavalo.

 

Qualquer espectador de uma tourada assiste a um evento onde, de certo modo, o touro é o vilão que deve ser derrotado pelo toureiro, que se expõe ao perigo representado por este “vilão”. Muitos aplaudem os momentos em que a pele e carne do touro vão sendo cravadas pelas farpas, que produzem sangramento evidente. Toda a sequência da tourada está fortemente ritualizada e tem momentos específicos antes de depois da “luta com o touro”. De certo modo, a tourada conta uma história. Nessa história, uma grande besta malvada (o touro) confronta-se com heróicos lutadores (os toureiros) que podem e devem atacá-lo com farpas. O touro investe, após ser espicaçado e provocado, de certo modo parecendo “justificar” a violência dos toureiros. Após algum tempo, o touro derrotado é morto ou simplesmente retirado do recinto (o que acontece depois passa-se fora do olhar da multidão). O toureiro bem-sucedido passeia-se pela praça e recebe os aplausos da multidão. Como salienta Murray (1985), nós somos contadores de histórias e gostamos de encontrar sentido na nossa própria história pessoal. Não é por acaso que as crianças gostam tanto de ouvir ou ler histórias. O próprio conceito de identidade, que vamos construindo ao longo da vida, não é estático: implica o conceito de nós mesmos, com a nossa experiência de vida, desenrolando-se através do percurso biográfico. O modo como nos comportamos implica, de resto, conceitos acerca do que é adequado fazer em cada situação sendo que, por sua vez, cada situação é “narrada” para nós mesmos de determinada maneira que passa pela experiência de vida e pelas “histórias” a que vamos sendo sujeitos. Por exemplo, quando vamos a um restaurante, existe uma “história” subjacente. Nessa “história”, temos a expectativa de que iremos encontrar mesa, sentar-nos, ver o menu, talvez dialogar com um empregado, escolher uma refeição, aguardar que a tragam, comer (mesmo aí havendo modos de comer ritualizados) e, no fim, pedir a conta, pagar e sair. Não costumamos, por exemplo, imaginar que iremos dirigir-nos à cozinha, apontar uma arma ao cozinheiro-chefe e exigir-lhe peru estofado. As histórias que vamos aprendendo a contar acerca da nossa vida e das vidas dos outros são extremamente importantes para que o nosso mundo faça sentido.

 

A mais que dúbia intenção pedagógica das Touradas

 

Retomemos o assunto das touradas. É fácil ver, por lá, pessoas de ambos os sexos e das mais variadas idades – incluindo crianças e adolescentes. O impacto pedagógico e psicológico deste último facto merece consideração. Alguns apologistas das touradas (para uma ampla revisão, ver o texto de Paul Hurt, 2012) costumam invocar a seu favor, entre outros argumentos: a) a vantagem de perpetuar uma tradição que tem muitas raízes históricas; b) o facto de estarem a exibir violência, que pode ser útil na preparação das crianças para um mundo violento e c) o carácter “artístico” das touradas. Vamos discutir um pouco cada um destes temas.

 

 a) Tradição e raízes históricas?

 

 

Diz-se que a tradição representa a alma dos povos e que, fazendo as touradas parte da alma de alguns (Português, Espanhol, Mexicano), devem ser perpetuadas e não erradicadas. Contudo, representarão as touradas a alma de algum povo? Por exemplo do povo português? Terá a barbárie de um espectáculo de sangue e violência a ver com a alma de alguma coisa? Supostamente, a “alma” representa o aspecto mais nobre, duradouro, ético e profundo do psiquismo humano. Note-se, entretanto, que os romanos já tinham a tradição dos combates entre seres humanos e bestias: na Roma antiga, era muito frequente o transporte de animais de grande porte para a capital, para serem aí mortos por uma especial classe de gladiadores, os bestiarii. Essa era uma variante dos combates de gladiadores, que fazia as delícias da multidão. Segundo o mesmo autor que nos faz notar este facto (Nell, 2006), uma das raízes para o grande êxito comercial dos espectáculos sanguinários (incluindo filmes violentos, espectáculos como o boxe, “vale tudo”, luta livre, etc.) reside numa herança filogenética (e não só cultural) muito antiga: as origens do prazer que algumas pessoas evidenciam ao infligir dor e/ou ao derramar sangue, bem como o prazer de outras em assistir, teria origem na história remota da espécie humana e no antigo valor adaptativo da violência e mesmo da crueldade. Estaria ligada à predação que, por sua vez, era útil à sobrevivência. Assim, o gozo cultural da crueldade seria uma consequência da “adaptação predatória” do passado – que, por sua vez, visava a sobrevivência dos mais aptos após confrontos inter, e intra, espécies… Os estímulos encorajadores da predação seriam então, justamente, a dor, o sangue e a morte da presa e teriam valor de recompensa evidenciando o sucesso da caçada. Por outro lado, com o desenvolvimento das culturas hominídeas, ter-se-ia desenvolvido a crueldade, que já implica intencionalidade e planificação dos actos agressivos – e que, conforme sublinha o autor, evidencia o poder do perpetrador, tratando-se sobretudo de uma afirmação masculina. Assim, a enfatização da violência e o seu valor para a indústria do espectáculo teriam raiz no seu antigo valor adaptativo e de sobrevivência e teria, pois, uma base instintiva. A crueldade estaria na base de muitos comportamentos agressivos. Seria activada por estímulos visuais, auditivos, olfactivos, gustativos, tácteis e viscerais – podemos ver aí muita da excitação das multidões que consomem violência, sobretudo ao vivo, onde a riqueza de estímulos é maior. Existe um prazer nos predadores ao saborearem a carne, ao cheirarem o sangue, verem vísceras expostas, escutarem os gritos das vítimas feridas. Entre os chimpanzés, a violência surge também facilmente associada à defesa de território e à luta pela afirmação social e sexual – mas, no que toca a comportamento predatório, eles podem perfeitamente começar a comer a vítima enquanto esta está ainda viva. Caçar e matar costumam ser momentos de evidente prazer para os predadores, nomeadamente entre os primatas. Mesmo a proximidade entre sexualidade e agressividade é evidenciada neurofisiologicamente pelo facto de que alguns grupos neuronais no cérebro emocional (e na amígdala) podem ser activados por actividades seja sexuais ou agressivas. As fêmeas, entre os primatas, costumam responder de modo muito positivo aos machos vencedores e, mesmo entre as sociedades primitivas humanas, parece evidente que as caçadas a presas de grande porte são mais perigosas, mas produzem maiores recompensas sexuais pois os que matam grandes presas são altamente valorizados. Retomemos o nosso tema: é este tipo de raiz que aponta para a alma de um povo que ainda consente nas touradas? Ou será antes uma raiz que aponta para o carácter ainda primitivo, bárbaro e desumano de uma tradição que desonra a alma de quem a deixa ser ainda? A tradição ou a antiguidade em si não devem ser argumentos de coisa nenhuma; caso o fossem, poderíamos defender a perpetuação, com base no seu carácter antigo e tradicional, dos combates de gladiadores, dos sacrifícios humanos e de animais (na verdade, na tourada, o touro é mais ou menos sacrificado ritualmente), da caça às bruxas, dos torneios medievais, das bacanais gregas e assim por diante. A “tradição” deve ser temperada com o progresso civilizacional. O deleite com o sangue a tortura representa a humanidade no seu pior, no que tem de selvaticamente agressivo e estreito. Afirmar o contrário dela é afirmar o valor da Solidariedade connosco mesmos e com a Natureza e reconhecer que intrínseca e profundamente humana é a nossa Consciência individual que se alegra ao abrir-se para um Cosmos alargado e ao recusar o consumo de violências. As multidões que urram com as arremetidas sanguinárias dos toureiros unem-se no que têm de mais baixo e animalizado e fecham-se para a Cultura do Humano. Uma catedral ergue-se bem alto na afirmação do que os seres humanos podem realizar onde a tourada mostra quão baixo podem descer; uma sinfonia canta o que os gritos excitados dos aficionados silenciam.

 

b) Preparar as crianças para um mundo violento?

 

 

Alguns adultos que gostam de levar crianças muito jovens a touradas costumam achar que estão a partilhar com elas um espectáculo notável e que elas não somente irão apreciá-lo como ainda receber um bom contributo para a sua formação. Não temos dúvidas de que, na mente de alguns aficionados, as crianças submetidas à violência das touradas estão a aprender a apreciar a violência e os traços de masculinidade predatória dos toureiros, o que as prepara para um mundo agressivo e competitivo. Infelizmente este raciocínio peca por várias vias. Por um lado, acontece que preparar crianças para a violência é prepará-las para serem agentes da conservação de uma sociedade que está à beira da catástrofe global justamente por ser agressiva com a Natureza e consigo mesma. Falamos da mesma Sociedade de consumo que está a produzir níveis de poluição global tão elevados que já estão no limite em que trarão consigo alterações climáticas catastróficas, escassez, provavelmente guerras (Brown, 2006). Falamos da mesma Sociedade que perpetua a desigualdade em que os predadores ricos continuam a guardar para si mesmos o poder e o acesso à maior parte dos melhores recursos. Há, no entanto, outros aspectos a considerar. As crianças que assistem a touradas seja ao vivo (o que é pior) ou por via televisiva, estão a testemunhar violência. Essa violência é publicamente recompensada pelos aplausos da multidão além de que os “heróis” toureiros se apresentam, desde o início, ataviados de maneira faustosa, exibindo essa mesma riqueza que desejam perpetuar (pois, não esqueçamos, as touradas são espectáculos de massas que movem muito dinheiro e interesses). A criança é, pois, desde logo levada a “apreciar” aquilo que os seus ídolos educativos, os encarregados e educação, lhe dizem ser boa coisa: a tourada. Além disso, vêem os toureiros exibir uma dose imensa de violência que é festejada e recompensada de várias maneiras, num ambiente festivo. Como se a violência pudesse ser coisa bonita, louvável, fonte de alegria. A mensagem implícita e explícita é, desde logo, algo como: “é bom ser violento, é bom ser toureiro, dá prestígio, dinheiro, e merece ser aplaudido”. As crianças são muito sensíveis a tudo o que lhes transmite a ideia de que, se fizerem esta ou aquela coisa ou tiverem esta ou aquela ideia serão apreciadas. Desde logo, está-se a transmitir-lhes a ideia de que, se imitarem os modelos adultos dos toureiros, com a sua violência predatória, a sua afirmação sanguinária de virilidade, a sua pomposidade exibicionista, serão apreciadas. Isto é ensinar o que, na verdade, está tremendamente errado.

 

Porque está errado ensinar o que as touradas ensinam? Porque equivale a ensinar que a violência é uma boa coisa e que torturar animais para nosso deleite é outra boa coisa. Não esqueçamos que, além dos touros, também os cavalos são obrigados a passar por níveis de tensão imensa, contrários ao seu normal espírito de herbívoros, e que muitos cavalos são colhidos. Num mundo em que a agressão à Natureza está na origem de uma evidente ameaça contra a própria sobrevivência da espécie humana, quereremos nós ensinar às crianças que elementos da natureza, como os touros, são “bestas malvadas” que podem e devem ser maltratadas? Quereremos nós transmitir-lhes que é bom ser violento, ressuscitar em nós os antigos instintos primitivos do prazer com as vísceras expostas, o sangue, a carne violentada, o cheiro a carnificina? Prepará-las para se aproximarem um pouco na direcção da violência assassina? E estaremos nós a respeitar as crianças e a sua necessidade de afecto e protecção ao levá-las a tais espectáculos? Ou a ensinar-lhes o contrário do amor que, como veremos, é social e individualmente saudável? Iremos discutir tudo isto com mais detalhe na secção sobre o lado psicológico das touradas. Por ora, recordemos que ainda hoje, nos muitos países onde as crianças ainda integram exércitos (Williams, 2004, fala em 300.000 crianças “alistadas”), é costume submetê-las a situações atrozes, a que são forçadas a assistir (como o violento assassínio de familiares à sua frente), como meio de levá-las a sentirem que não têm a quem recorrer fora do exército e que o mundo onde existem é, por natureza, violento e impiedoso e só os violentos impiedosos podem subsistir (op. cit. Pgs. 195-200). Claro, neste caso, as crianças não têm escolha: são submetidas à violência e sofrem os efeitos dela na sua formação precoce. O problema seguinte é que as crianças submetidas às touradas também não têm muita escolha. Resta saber qual o efeito real destes espectáculos na sua formação. Não será que, para começar, estão a prepará-las para repetir o que está mal, adaptando-as a uma sociedade violenta?

 

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A agonia do Touro... 

 

O Impacto Psicológico e Pedagógico Negativo

 

Numa revisão de literatura (Rodrigues, 2008), pudemos demonstrar que o amor é socialmente saudável, promove bons relacionamentos, assim como é preventivo de futuros problemas de saúde física e mental. As crianças criadas em ambientes de amor e cuidado e onde os mesmos são valorizados revelam-se, mais tarde, mais resilientes e mais fortes física e psicologicamente. O contrário é verdade para as que recebem precocemente a influência de serem negligenciadas e maltratadas (e obrigá-las a assistir a espectáculos que as fazem sentir mal pode ser um exemplo). Ora qual é a mensagem subjacente às touradas? A de que se pode e talvez deva ser violento em determinadas circunstâncias e de que maltratar animais pode estar certo se nos der prazer.

 

Salientemos agora um facto: as crianças que assistem a touradas (e mesmo os adultos) não o fazem sem consequências psicológicas e pedagógicas. Consideremos o que a investigação pode dizer-nos acerca disso.

 

Em 2000 (ver Declaração Conjunta na Bibliografia deste artigo), foi emitido um documento conjunto pelas: American Academy of Pediatrics, American Academy of Child & Adolescent Psychiatry, American Psychological Association, American Medical Association, American Academy of Family Physicians e American Psychiatric Association. Neste documento, cujo peso é imenso, os signatários salientam o seguinte (com base em mais de 30 anos de investigação e mais de 1000 estudos):

 

- A globalidade dos estudos evidencia de modo “esmagador” que existe uma relação causal entre a violência nos media (que incluem televisão, rádio, filmes, música e jogos interactivos) e o comportamento agressivo em algumas crianças. Em geral, “ver violência para entretenimento pode levar a aumentos nas atitudes, valores e comportamento agressivos, especialmente nas crianças”.

 

- As crianças que observam muita violência tendem a considerá-la um meio efectivo para resolver conflitos e a pensar que os actos violentos são aceitáveis.

 

- A visualização de violência pode levar a uma dessensibilização emocional em relação à violência na vida real. Isso pode diminuir a probabilidade de alguém tomar a iniciativa para proteger as vítimas de actos violentos.

 

- A violência para entretenimento “alimenta a percepção de que o mundo é um lugar violento e maldoso”, aumentando o medo de as crianças se tornarem vítimas de violência e, consequentemente, a sua desconfiança perante outros e os comportamentos de autoprotecção.

 

- Observar violência pode levar à violência na vida real. As crianças de tenra idade expostas a programas violentos tendem, mais tarde, a exibir maior tendência para comportamento agressivo e violento (quando comparadas com crianças não expostas.)

 

É de notar que em (2009) a American Academy of Pediatrics publicou novas recomendações confirmando a declaração emitida em 2000. Nas mesmas, recomenda uma cuidadosa filtragem dos programas violentos por parte dos responsáveis educativos para prevenir o seu impacto social e educativo maléfico junto das crianças e adolescentes. Os efeitos específicos da exposição a violência em programas televisivos têm sido investigados desde os anos sessenta, com resultados inteiramente coerentes com os dados constantes no relatório referido acima. A Fundação Henry Kaiser, no website “Key Facts” (2003), apresenta um artigo de revisão sobre esta área, mais uma vez documentando o facto de que, de acordo com estudos em laboratório e em ambientes naturais, a violência televisiva aumenta os posteriores comportamentos agressivos nas crianças (seja em termos verbais ou físicos), do mesmo modo que a exposição a programas que enfatizam antes a cooperação e o afecto aumentam a probabilidade de comportamentos pro-sociais. O mesmo artigo refere uma grande meta-análise, incidindo sobre 217 investigações acerca dos efeitos da violência televisiva, entre 1957 e 1990, que concluiu que “o visionamento de violência televisiva estava significativamente ligada a comportamento agressivo e anti-social, sobretudo entre os espectadores mais jovens”. Contudo, ainda segundo o mesmo artigo, vale a pena considerar dois estudos longitudinais: um deles, durante 17 anos com 707 famílias e conduzido por Jeffrey Johnson et al. (2002), concluiu que os adolescentes que tinham visionado mais de uma hora de televisão por dia, em média, evidenciavam posteriormente, enquanto adultos, uma probabilidade quase quatro vezes maior de exibirem comportamentos agressivos (22% face a 6%); o outro, conduzido por L. Rowell Huesmann et al. (1984) durante 20 anos tendo começado com uma amostra de 875 crianças nos anos sessenta (quando a violência na TV era de resto bem menor), concluiu que o visionamento de violência televisiva era um preditor significativo da agressão na idade adulta – e mesmo de comportamentos criminosos, independentemente do quociente intelectual, estatuto social ou estilo parental. Os rapazes que tinham visto programas violentos aos 8 anos de idade eram em média mais agressivos quando adolescentes e tinham mais prisões e condenações na idade adulta por violência familiar, assassínio e assalto. Num estudo posterior, Huesmann et al. (2003) confirmaram as mesmas conclusões.

 

Para Aidman (1997), a investigação em ciências sociais nos últimos 40 anos confirma e evidência que ver conteúdos televisivos violentos tem consequências negativas para as crianças destacando-se: o encorajamento a aprender comportamentos e atitudes agressivos; o desenvolvimento de atitudes amedrontadas ou pessimistas em relação ao mundo exterior; a dessensibilização das crianças em relação à violência no mundo ou às fantasias de violência fantasias e violência (que passam a ser consideradas normais). O problema da aprendizagem da violência agrava-se quando os seus perpetradores são vistos como atraentes, recompensados pela mesma, quando esta é especialmente gráfica, são usadas armas… A autora recomenda aos pais que encorajem e ajudem as crianças a tomar uma distância crítica face à violência que observam – exactamente o contrário do que fazem os apologistas das touradas, sendo que os toureiros se apresentam atraentes, exibem uma violência altamente gráfica, usam armas contra o touro e são visivelmente recompensados.

 

Um artigo recente de Huesmann e Taylor (2006) considera, após uma revisão de literatura, que a violência televisiva deve ser colocada na categoria das ameaças conhecidas à saúde pública. Esta conclusão é baseada no facto de que a violência ficcional na televisão em e filmes contribui para um aumento, a curto e longo prazos, nos comportamentos agressivos e violentos. Inclusivamente, os noticiários televisivos que apresentam violência também aumentam a violência imitativa. Para Huesmann e Taylor (op. cit.), a violência nos media não somente aumenta os comportamentos agressivos a curto termo nos mais jovens, mas ainda aumenta, quando prolongada no tempo, a aquisição de atitudes, crenças, cognições sociais, favoráveis à exibição de comportamentos agressivos e violentos mais tarde. No mesmo sentido vai um artigo de Hassan et al. (2009), os quais verificaram que a exposição à violência apresentada em filmes produziu, em adolescentes, um aumento nas atitudes favoráveis a esta, considerando-a tendencialmente aceitável e até desejável – sobretudo quando eles mesmos optam por ver grande número de filmes violentos. A consequência é uma provável facilitação da conversão de sentimentos agressivos em comportamento violento. Claro, observar violência não é a única causa da exibição da mesma, mas o número de estudos que incluem tal observação entre os factores favoráveis é enorme.

 

Embora a natureza específica dos conteúdos mediáticos envolvidos influencie obviamente os efeitos, é evidente que no geral a violência mediática tem efeitos profundamente anti-sociais nas crianças e jovens. Mas será que isto se confirma para a exposição à violência apresentada nas touradas? Vejamos.

 

As crianças e jovens, para não falar nos adultos, que assistem ao vivo a touradas estão a ser expostos a violência real, que está a acontecer a alguns metros de distância. O que sabemos em geral em relação a situações de exposição ao vivo? Que podem ser ainda mais geradoras de violência que as apresentadas através dos mass media. Huesmann (2011) investigou o efeito da exposição directa, na vida real, à violência em crianças israelitas e palestinianas. Verificou que a exposição directa, por observação, a cenas ou acontecimentos violentos aumenta enormemente a probabilidade de os observadores evidenciarem comportamentos agressivos posteriores – mesmo em relação a amigos ou colegas. De acordo com ele, “sabemos que todo o comportamento social é orientado por guiões codificados (programas para o comportamento) que todos adquirimos ao crescermos. Quando confrontados com um problema social, os jovens começam por fazer atribuições acerca do que está a acontecer na situação e depois recuperam das suas mentes aqueles guiões sociais que sejam mais facilmente recordados e pareçam mais relevantes” (pg 6). Noutros termos, para ele, a violência é contagiosa. Existem inclusivamente mecanismos neurológicos que ajudam a compreender de que modo a violência observada produz violência em nós: no “priming”, acontece que observar violência produz uma excitação neuronal que por sua vez nos leva a activar representações e memórias relacionadas; na imitação, acontece que os seres humanos têm uma tendência natural, herdada nos seus mecanismos cerebrais, para imitarem o que vêem; na transferência de excitação, verifica-se que se já observámos antes cenas violentas, a excitação neuronal relacionada com elas e activada por elas leva-nos mais facilmente a exibir respostas comportamentais violentas. Huesmann refere este facto, no que coincide com uma pesquisa recente, em que investigadores da Universidade de Columbia (2007), recorrendo a ressonâncias magnéticas funcionais, demonstraram que ver programas violentos pode levar as áreas cerebrais que inibem a agressividade a diminuir a sua função. Isto, por sua vez, coincide com o facto, igualmente constatado, de que as pessoas com tendência superior à média para actos agressivos evidenciam menor actividade nas mesmas áreas. Estas mudanças não acontecem quando os mesmos ou outros sujeitos observam filmes em que a acção é equivalente na intensidade cénica, mas não existem cenas violentas.

 

Mesmo os autores que questionam a relação entre a violência televisiva ou, em geral, nos media e o aumento da criminalidade violenta (Savage, 2003) admitem que existe alguma evidência nesse sentido e que a investigação associando agressividade aumentada e violência nos media é esmagadora. Mas será a associação entre assistir ao vivo a cenas violentas ainda maior? Algumas investigações ajudam a encontrar uma resposta e, como vimos, as indicações acima vão nesse sentido. Numa revisão de literatura muito recente, Kirkpatrick (2012) apresenta dados de investigação e toda uma argumentação no sentido da importância do contágio social da violência nomeadamente em áreas urbanas (onde esta alastra de modo analógico com as doenças) onde a exposição ao vivo a actos violentos gera maior violência. No entanto, ela realça a importância da violência perpetrada por instituições contra os seus cidadãos como uma importante fonte de violência e realça que os crimes violentos são mais frequentes em comunidades pobres, segregadas, minoritárias. Um dado importante referido pela autora diz-nos que a probabilidade de cometerem crimes violentos é 74% maior em jovens que foram alvo dela em casa ou na sua vizinhança. Interessa-nos aqui um aspecto realçado por Kirkpatrick: de acordo com a Teoria das Subculturas de Marvin Wolfgang, uma subcultura é "um sistema normativo de algum grupo ou grupos mais pequenos que a sociedade alargada”. Acontece que existem subculturas especialmente favoráveis à violência pois os seus valores e definições são-lhe favoráveis. Não podemos deixar de realçar aqui o facto de que a subcultura das pessoas que praticam e promovem as touradas costuma associar as habilidades e a coragem de confrontar fisicamente adversários, provocá-los e levá-los de vencida como algo que é valioso e sinónimo de masculinidade. O mesmo surge, em diferentes formas, nos mass media na forma de filmes onde a violência é glorificada e solucionar problemas por essa via surge como uma boa ideia. É de notar que, de acordo com autores como Fagan, Wilkinson e Davies (2007), um dos mecanismos do contágio social da violência é a construção de uma identidade social que a favorece e a constatação de que, nos grupos que a promovem, os não violentos são marginalizados. A cultura das touradas apresenta, obviamente, o toureiro como uma figura idealizada, uma espécie de herói, cuja violência é supostamente legitimada por ser exercida contra um animal de grande porte. No entanto, parece evidente que a mesma cultura enaltece as pessoas que partem facilmente para o confronto (infelizmente temos um exemplo recente disso no recente episódio em que o toureiro Marcelo Mendes investiu duas vezes, a cavalo, contra um grupo de pessoas que, no início, estavam sentadas no chão em protesto (facto filmado e apresentado no “Ribeirinhas TV”, em 4 de Setembro de 2012). Ao levar uma criança a ver uma tourada ou ao consentir que a veja em casa, um típico responsável educativo estará implicitamente a conceder-lhe um selo de aprovação.

 

E o que dizer acerca da investigação directamente pertinente às touradas? Grana et al. (2004) investigaram-no recorrendo a um grupo equilibrado de 240 rapazes e raparigas entre os 8 a 12 anos de idade. Alguns resultados merecem especial consideração: 56.3% das crianças que costumavam assistir a touradas revelaram indiferença ao presenciá-las enquanto só 35.1% das crianças que nunca assistiram ao vivo revelaram o mesmo sentimento. Note-se que o que cito vai no sentido da constatação muitas vezes repetida de que assistir a actos de violência vai tornando as crianças indiferentes à mesma, fazendo com que tendam a achá-la normal e legítima. As crianças que viram vídeos de touradas com “explicações festivas ou agressivas” exibiram depois maior pontuação em avaliações de agressividade sendo estes efeitos mais fortes nos rapazes. O mesmo filme foi exibido com e sem justificações agressivas ou festivas sendo que a influência no sentido da agressividade se mostrou maior quando o filme vinha acompanhado de justificações favoráveis. Por outro lado, ver o vídeo com a tourada justificada “festivamente” foi a única situação em que as crianças em geral revelaram maior ansiedade (talvez pela incongruência de se apresentar um ritual de morte como uma festa?). No entanto, a maioria considerou que as crianças podiam assistir a touradas embora um pouco menos de metade lhes atribuíssem um efeito negativo sobre elas e a maioria revelasse que não gostavam de assistir. Também foi observada uma tendência para o impacto negativo das touradas (ansiedade e agressividade) ser maior nas crianças mais novas e quando eram justificadas “festivamente”. Na generalidade, os efeitos eram mais pronunciados nos rapazes – o que os autores identificam à sua maior facilidade, dado o sexo, em identificarem-se com as cenas observadas. Os autores realçam que este estudo vai no sentido de que a interpretação das cenas de violência observadas desempenha um papel relevante nas consequências que poderão ter no comportamento futuro das crianças.

 

E o lado educativo?

 

Lequesne (2011) salienta os inconvenientes educativos e psicológicos das touradas. Para ele, o espectáculo da tourada a que se leva uma criança pode ser traumático, mas também pode confrontar a criança com todo o dilema posto pelo modo como os adultos “douram” um espectáculo de sangue e dor como sendo legítimo e apreciável ou como afirmam, contra a natural empatia da criança face ao animal, que se pode e deve torturá-lo em nome da arte e da tradição. A mensagem a aprender pela criança diz-lhe assim que, em certas circunstâncias, sendo em prol da arte e tradição, se pode e talvez deva torturar seres vivos. No entanto, como demonstram as investigações sobre os neurónios-espelho, é natural e talvez inevitável que muitas crianças sintam uma reacção física e instintiva ao verem o animal ser ferido ostensivamente, como é natural que sintam algum medo ou aprendam a sentir a excitação do toureiro com a dor do touro ou com o comportamento violento. O autor traça mesmo um paralelo entre as touradas e certa “moda” recente em que adolescentes violentam uma vítima, com auxílio de cúmplices, e a filmam a ser vitimada, transmitindo a imagem como uma coisa divertida e justificada. De facto, uma das “justificações” das touradas é que pode ser um espectáculo divertido – transmitindo implicitamente à criança a ideia de que torturar e matar um animal pode ser aceitável e engraçado. Acresce que as crianças que assistem a touradas, seja ao vivo ou em espectáculos televisivos, aprendem coisas interessantes como a terminologia que fala em “castigar” o touro com bandarilhas (sendo que muitos afirmam que elas não infligem dor ao touro, o que é simplesmente mentira). Como salienta ainda Duquesne, o “castigo” com bandarilhas mostra à criança que alguns castigos arbitrários e desumanos contra inocentes podem justificar-se se forem divertidos, espectaculares ou colocarem em evidência a ousadia e coragem dos perpetradores de violência. Neste sentido, as touradas ensinam o contrário da compaixão e até da simples decência humana… Não admira que termos como “matador” surjam glorificados.

 

Num interessante estudo, Paniagua (2008) salienta o modo como as touradas fornecem à multidão uma satisfação para as suas pulsões sádicas inconscientes. O autor salienta que nas touradas do passado muitas vezes a multidão tentava furiosamente ferir o touro a golpes de espada ou levar partes dele como sinal de triunfo assim como era frequente organizar combates entre touros e outros animais, como cães. Também houve, em tempos, o uso de bandarilhas em fogo. Para ele, o público projecta no toureiro medos e desejos, tanto quer vê-lo sofrer como vê-lo salvar-se, tanto quer que o touro morra como também teme ou lastima isso mesmo. O superego da moralidade confronta-se com o Id da bestialidade instintiva. Lembremos, a este respeito, o modo como Nell (2006) atribui o gozo dos espectáculos de violência a antigos instintos predatórios. Além disso, há algo de combate simbólico entre o toureiro representando David e o touro, um Golias a vencer pela esperteza do toureiro e armas apropriadas. Do ponto de vista psicanalítico, a tourada poderia até representar um conflito edipiano, o touro surgindo como figuração do rival paterno a vencer para obter o amor da mãe. Nesse sentido, o risco de castração corrido pelos toureiros corresponderia ao medo de castração por parte do pai que algumas crianças teriam no contexto do complexo de Édipo. Como realça ainda o autor, o espectáculo tauromáquico é racionalizado com justificações como a ilusão de que o toureiro está na verdade a defender-se de uma besta selvagem perigosa. Projectar os medos e a sensação de perigo no exterior também podem ser modos de evitar enfrentar os próprios medos, do mesmo modo que o público em geral costuma secretamente gostar de assistir a dramas em que o mal acontece aos outros. Se há coisa em que os comentários tauromáquicos são férteis é na negação de que esteja ali a passar-se algo de bárbaro e cruento bem como nas racionalizações e projecções infantis, atribuindo ao touro intenções, qualidades humanas. Isso contribui para que, nas touradas, se possa dar “luz verde ao sadismo reprimido” (op. cit., pg. 150). Neste sentido, “castigar” o touro, sentido como uma “besta malvada”, pode ajudar o público a considerar justificado o mal que lhe é feito, identificando-se com os toureiros vingadores – sendo que, ao nível inconsciente, o touro pode estar a representar os impulsos inaceitáveis do espectador, que devem ser punidos e reprimidos (sejam eles sexuais ou agressivos – talvez não seja por acaso que há tanta aura de sensualidade quase boçal nas poses toureiras, que por sua vez parecem corresponder a um modo ritualizado de exprimir o impulso sexual). Talvez também não seja por acaso que o público oscila, por vezes, nas suas identificações, por vezes desejando que o touro vença (caso em que é o toureiro a representar, especulemos, as pulsões reprimidas). Ainda na perspectiva psicanalítica, o toureiro exibe muitas vezes um gozo narcisista e autocentrado em dar nas vistas, ser aplaudido, no que também pode ser alvo das projecções da multidão, que gostaria de estar no seu lugar.

 

Não iremos alongar-nos em possíveis interpretações psicanalíticas para as touradas. Isso sim, queremos realçar que expor as crianças às mesmas é expô-las à violência, justificada de modo pleno de racionalizações que talvez escondam impulsos primários mal consciencializados; é confrontá-la com o conflito entre “alinhar” com os adultos e as suas racionalizações, negando o seu medo e a sua repulsa pela crueldade para com os animais; é fazê-la participar, com escassa escolha, num mundo onde a violência contra um ser vivo inocente é glorificada e justificada como uma ocasião de festa e alegria; é submetê-la a uma situação onde aprende que ser violento pode ser muito bom e compensador, que ser violento como um toureiro pode ser excelente para obter riqueza, fama e o afecto de muitos; que é legítimo torturar e/ou matar animais por prazer; que exercer instintos predatórios, dando-lhes curso a ponto de estripar animais, pode ser uma coisa louvável; ou que a afirmação masculina pode ter, como um dos expoentes máximos, o do toureiro engalanado que se compraz e exibe como matador, torturador de animais que, ao fazê-lo, obtém a admiração e o desejo das fêmeas humanas. O mesmo toureiro constitui um modelo altamente questionável ao colocar a sua vida em risco num tal contexto de crueldade gratuita, como se isso também fosse louvável e ter pouco apreço pela vida humana valesse alguma coisa. Ademais, a exposição de crianças a cenas de violência, ao vivo ou através de meios mediáticos, pode até contribuir para fazer-lhes baixar o nível intelectual, a habilidade para a leitura (Delaney-Black et al., 2002), além de todos os inconvenientes para a sua formação ética e emocional que fomos delineando ao longo deste artigo. Levá-las a touradas ou mesmo deixá-las assistir às mesmas por algum meio constitui, a nosso ver, um acto de irresponsabilidade educativa e mesmo um acto de abuso e desrespeito pelos seus direitos a serem protegidas de tudo o que ameace o seu desenvolvimento saudável e integral. Como afirma Richier (2008), a questão das touradas levanta duas questões importantes: a da protecção dos animais e a da protecção das crianças. Para ele, muitos testemunhos de adultos traumatizados por serem obrigados a assistir a touradas quando crianças levanta uma vez mais a questão da legitimidade em fazê-las assistir a tais espectáculos. Não podemos senão juntar a nossa voz ao coro de vozes que ecoam nesse sentido, a bem da formação de seres humanos mais lúcidos, conscientes, sensíveis e sociáveis.

 

Prof. Doutor Vítor José F. Rodrigues

 

BIBLIOGRAFIA

- Aidman, Amy (1997): Television Violence: Content, Context, and Consequences. ERIC DIGEST, December.

- American Academy of Pediatrics (2009): Policy Statement — Media Violence www.pediatrics.org/cgi/doi/10.1542/peds.2009-2146 doi:10.1542/peds.2009-2146.

- Brown, Lester (2006): Plano B 2.0. (Edição Portuguesa) Câmara Municipal de Trancoso, Tribunal Europeu do Ambiente, Fundação para as Artes, Ciências e Tecnologias – Observatório.

- Columbia University Medical Center (2007, December 10). This Is Your Brain On Violent Media. ScienceDaily. Obtido em 22 de Julho de 2012 de http://www.sciencedaily.com/releases/2007/12/071206093014.htm

- Declaração Conjunta das grandes Associações relacionadas com a Saúde Mental nos EUA (2000): Joint Statement on the Impact of Entertainment Violence on Children http://www2.aap.org/advocacy/releases/jstmtevc.htm

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- Fagan,Jeffrey; Wilkinson, Deanna L. e Davies, Garth (2007): Social Contagion of Violence, in The Cambridge Handbook of Violent Behavior. Daniel Flannery, A. Vazsonyi, & I. Waldman (Eds.), Cambridge University Press.

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- Grana, J.L.; Cruzado, J.A.; Andreu, J.M.; Munoz-Rivas, M.J.; Pena, M.E. e Brain, P.F. (2004): Effects of Viewing Videos of Bullfights on Spanish Children. Aggressive Behavior, Volume 30, pages 16–28.

- Hassan, Md Salleh Bin Hj; Osman, Mohd. Nizam & Azarian, Zoheir Sabaghpour: (2009): Effects of Watching Violence Movies on the Attitudes Concerning Aggression among Middle Schoolboys (13-17 years old) at International Schools in Kuala Lumpur, Malaysia. Journal of Scientific Research, Vol.38, No.1 (2009), pp.141-156.

- Huesmann, L. R., Moise-Titus, J., Podolski, C., & Eron, L. D. (2003). Longitudinal relations between children’s exposure to TV violence and their aggressive and violent behavior in young adulthood: 1977-1992. Developmental Psychology, 39, 201-221.

- Huesmann, L. Rowell, e D. Taylor, Laramie (2006): The Role of Media Violence on Violent Behavior. Annu. Rev. Public Health 2006. 27:393–415.

- Huesmann, L. Rowell (2011): The Contagion of Violence: The extent, the processes, and the outcomes. Address delivered at the National Academies of Sciences’ Institute of Medicine’s Global Forum on Violence, April 29.

- Hurt, Paul (texto recolhido na Internet em 2012): Bullfighting: arguments against and action against. In ttp://www.linkagenet.com/themes/bullfighting.htm

- Kirkpatrick, Kayla (2012): The Social Contagion of Violence; a Theoretical Exploration of the Nature of Violence in Society. California Polytechn State University, Winter. Senior Project at the Sociology Department.

- Lequesne, Joel (2011): El Procedimiento de la Corrida: el Punto de Vista de un Psicologo de la Educación. Retirado de http://www.facebook.com/note.php?note_id=209992965701092

- Murray, Kevin (1985): Life as Fiction. Journal for the Theory of Social Behaviour 15:2 July, 173-88

- Nell, Victor (2006): Cruelty’s rewards: The gratifications of perpetrators and spectators. Behavioral and Brain Sciences, 29, 211–257.

- Paniagua, Cecilio (2008): Psicología de la afición taurina. Ars Medica. Revista de Humanidades; 2:140-157

- Richier, J. P. (2008): Does bullfighting represent a psychological danger for young spectators ? Artigo encontrado em http://www.cas-international.org/fileadmin/protestacties/Documenten/Speech_Bruxelles_english_Richier.pdf

- Rodrigues, Vitor (2008): L’Amour, la Santé et L’Éthique. Synodies, Automne 2008, pgs. 36-45.

- Savage, Joanne (2003): Does viewing violent media really cause criminal violence? A methodological review. Aggression and Violent Behavior, 10 (2004), 99–128

- The Henry J. Kaiser Family Foundation (2003, Spring): TV Violence. Artigo disponível no website da Kaiser Family Foundation (document #3335), em www.kff.org .

- Williams, Jessica (2004): 50 Facts that Should Change the World. Cambridge: Icon Books. Ltd.

 

Fonte:

http://vitorrodriguespsicologo.weebly.com/uploads/3/5/9/1/3591670/touradas-psi.pdf

 

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Consultar aqui mais textos relacionados com a esta problemática:

 

«PSICOLOGIA DA “AFICIÓN” TAURINA: SADISMO, NARCISISMO E EROTISMO»

https://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/psicologia-da-aficion-taurina-sadicos-799332

 

A INSANIDADE MORAL DOS AFICIONADOS DE SELVAJARIA TAUROMÁQUICA

https://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/a-insanidade-moral-dos-aficionados-da-743075

 

TAUROMAQUIA - DOENÇA DO FORO PSIQUIÁTRICO

https://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/tauromaquia-doenca-do-foro-673168

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:00

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Quinta-feira, 3 de Maio de 2018

A TOURADA É UMA PRÁTICA TROGLODITA QUE NADA TEM A VER COM DEMOCRACIA

 

Tauromaquia rima com monarquia, e foi o passatempo dos alienados desse tempo e do tempo da ditadura fascista.

 

Contudo, tourada não rima com Democracia.

 

Mas nós viveremos em Democracia?

 

A esmagadora maioria do povo português não se revê nesta prática medievalesca, e ainda assim, “democraticamente”, a esmagadora maioria dos deputados da Nação não ouve o povo, mas dá ouvidos à minoria troglodita.

 

TOURADA.png

 Um “festival” tauromáquico, realizado em 2018, para uma multidão… de assentos vazios…

 

 Li, num lugar onde se divulga esta prática medievalesca, o seguinte título numa crónica: «Legislação portuguesa encerra debate e protege touradas».

 

Isto é algo que jamais leríamos num país civilizado e evoluído. Lemos isto em Portugal, que ainda é um país muito atrasado civilizacionalmente.

 

E a crónica diz o seguinte:

 

«Está encerrado o debate. A tauromaquia está protegida pela legislação portuguesa e o Estado tem de garantir o acesso de todos à tourada, enquanto actividade cultural integrante do património português.

 

A crónica não vem assinada. Desconheço quem a escreveu, mas por esta aragem, vê-se quem vai na carruagem: alguém que vive mergulhado nos tempos medievais, envolto na mais tenebrosa ignorância e alienação.

 

Que, embora inacreditavelmente, nos tempos que correm, século XXI D.C., a legislação portuguesa proteja tauromaquia, é verdade. Agora que o Estado tem de garantir o acesso de todos (quem serão esses todos? os que se vêem na imagem acima?) à tourada, é a alucinação de um alienado. O Estado tem de garantir o acesso à educação, à saúde, ao bem-estar, à segurança, enfim, a algo mais premente do que o acesso à selvajaria tauromáquica. E se lhe juntarmos a pretensão de que a tourada é uma actividade cultural, passamos da alucinação para a insanidade, e ao chamar à tortura de um ser vivo património português, então entra-se num estádio de profunda demência.

 

E a crónica prossegue:

 

«A ideia levantada pelo jornal Público, de que as touradas podem ser proibidas, em função das recentes alterações ao Código Civil, cai por terra pela força da própria Lei, bastando para isso a leitura do nº 2, do artigo 3º da Lei 92/95: “As touradas são autorizadas nos termos regulamentados". O Decreto-Lei nº 89/2014, que aprova o Regulamento do Espectáculo Tauromáquico, define que a "tauromaquia é, nas suas diversas manifestações, parte integrante do património da cultura popular portuguesa".

 

 

E alguma vez, uma lei obtusa, como é a lei que autoriza a tortura de seres vivos para divertir sádicos, pode sobrepor-se às leis que protegem a Vida e os Seres Vivos? E alguma vez uma prática cruel e violenta contra seres vivos é “espectáculo”? E alguma vez a bem da verdade, tal selvajaria é património da cultura popular portuguesa? Isto até pode estar nesta lei abjecta que suja o nome dos legisladores portugueses, mas tal não significa que seja algo racional ou digno da humanidade.

 

E os absurdos continuam:

 

«Também o Decreto-Lei nº 23/2014, que aprova o regime de funcionamento dos espectáculos de natureza artística, protege a realização de touradas: "Integram o conceito de espectáculos de natureza artística, nomeadamente, as representações ou actuações nas áreas do teatro, da música, da dança, do circo, da tauromaquia e de cruzamento artístico".

 

Repare-se como a tauromaquia, ou melhor, a selvajaria tauromáquica é aqui metida à força, por quem não tem a mínima noção do que é a natureza artística. Comparar o teatro, a música, a dança, o circo (os que não usam animais, porque os outros são tão selvagens como a tauromaquia) todas estas artes elevadas, com a tortura de seres vivos indefesos, é de uma incomensurável ignorância. E enchem a boca com isto, e acham que falam bem e que têm razão. Se soubessem o que esta comparação realmente significa, teriam vergonha de a alardear, porque fazem figura de parvos.

 

E então o cronista conclui:

 

«Só isto seria suficiente para impedir que formadores de Justiça incitassem os seus formandos à 'desobediência legislativa' com base em interpretações pessoais. A intenção do legislador, que promoveu as alterações ao Código Civil, não visa nem abre caminho à proibição da actividade tauromáquica pois isso seria inconstitucional.»

 

Como se engana o cronista. Entre uma lei baseada na crueldade e ignorância, e outra lei baseada em valores humanos e de protecção à vida animal, o legislador, se tiver um pingo de racionalidade, optará pela segunda. Por outro lado, os legisladores, ardilosos, como são, deixam sempre uma nesguinha, para que possam levar a água suja para o moinho dos trogloditas.

 

Mas um bom interpretador de leis, competente e inteligente, saberá como dar a volta ao texto, e privilegiar a Vida, a Evolução, a Civilização, e não a crueldade e a violência medievalescas.

 

E o cronista, ignorantemente, vai à CRP, apelar para artigos, que nada têm a ver com apoio à crueldade, à violência e à brutalidade contra seres vivos indefesos, para divertir sádicos:

 

«A Constituição da República Portuguesa é clara. Refere o nº 2 do artigo 43º da CRP: "O Estado não pode programar a educação e a cultura segundo quaisquer directrizes filosóficas, estéticas, políticas, ideológicas ou religiosas". O nº 1 do artigo 73: "Todos têm direito à educação e à cultura". E os nºs 1 e 2 do artigo 78: "Todos têm direito à fruição e criação cultural, bem como o dever de preservar, defender e valorizar o património cultural" e "Incube ao Estado (…) Promover a salvaguarda e a valorização do património cultural, tornando-o elemento vivificador da identidade cultural comum".»

 

Senhor cronista, realmente a CRP é muito clara, e nestes artigos que citou nada abona a favor da selvajaria tauromáquica.

 

Para que a selvajaria tauromáquica estivesse abrangida nestes artigos seria necessário que a crueldade e a violência intrínsecas à prática tauromáquica fossem do domínio da Educação e da Cultura; fossem património cultural e fizessem parte da identidade cultural comum. Mas não fazem.

 

Acontece que os aficionados de touradas até podem achar que a tauromaquia é isso tudo. Estão no seu direito. Mas o senso comum diz o contrário. E o senso comum tem mais força do que a vontade de uma minoria alienada.

 

E o cronista termina deste modo hilariante:

 

«Significa isto, preto no branco, que, por Lei e nos termos da Constituição da República Portuguesa, as touradas devem ser protegidas e o Estado deve garantir o acesso de todos os cidadãos – se estes assim o quiserem – às touradas

 

Pois engana-se redondamente. Significa isto, preto no branco, que jamais a crueldade, a violência e a tortura de seres vivos farão jurisprudência num tribunal, se para as rebater existir uma outra legislação, mais condizente com a dignidade e valores humanos e com a defesa da Vida.

 

A selvajaria tauromáquica está condenada à extinção.

 

Isabel A. Ferreira

 

Fonte da crónica:

http://www.touradas.pt/noticia/legislacao-portuguesa-encerra-debate-e-protege-touradas

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:23

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