Quarta-feira, 19 de Abril de 2023

Caso Lula-Ucrânia: ouvi um social-democrata dizer que Portugal deve respeitar a soberania do Brasil. E o Brasil NÃO deve respeitar a soberania de Portugal?

 

Uma coisa é respeitar a soberania de um País, outra coisa é andar a dizer que-sim-que-sim a tudo o que esse País quer impor a outro País que talvez não seja tão soberano como diz ser.


Os Portugueses Pensantes já andam fartos de ver determinados governantes portugueses a mostrar os dentinhos e a abanar o rabinho diante do Brasil e dos Brasileiros.

Porquê? O que estará por detrás desta subserviência canina?

 

Sabemos que Lula da Silva já andou por aí a dizer que «o atraso da educação no Brasil se devia à colonização Portuguesa» (obviamente, descartando a incompetência dos governantes brasileiros pós-1822); e, recentemente, prestou-se ao papel de ser o porta-voz dos russos e chineses, quanto à absurda invasão russa à Ucrânia, menosprezando os Países da Nato (e nós somos um deles). Agora vem dizer o dito, pelo não-dito, mas não se safa do que já disse.

Porém, que importa essa desconsideração aos olhos dos actuais governantes portugueses, que vêem nisto algo muito normal, do foro das opiniões diferentes, que têm de ser respeitadas. Enfim... como se a guerra que Rússia impôs à Ucrânia, um país livre e soberano,  tivesse alguma coisa a ver com opiniões.

E nós, Portugueses, NÃO temos de ser respeitados?


Em vésperas de Lula da Silva ser recebido na Assembleia da República de Portugal, com pompa e circunstância, é bom que os Portugueses abram os olhos para o que se está a passar nos bastidores, e que os média portugueses estão proibidos de dizer.


Existe um Blogue denominado Apartado 53 que, sem papas na língua ou medo de ser taxado de xenófobo ou racista (estas designações são para outro tipo de gente, gente que NÃO DEFENDE a Língua, a Cultura e a História Portuguesas) põe todos os pontos nos is e denuncia abertamente o que o Brasil e Portugal andam a tramar nas nossas costas.

Este Blogue é um poço de informação comprovada, demonstrada, credível, e que merece toda a atenção.

 

Facto: existe um conluio luso-brasileiro.

A última publicação do Apartado 53  Cronologia crónica , cuja leitura vivamente recomendo, dá-nos uma ideia exacta do que se anda a tramar, desde há muito, e porquê.

Mas há muito mais para ler, neste Blogue, e só não lê quem NÃO quer estar informado.

 

É absolutamente inacreditável o que se lê na imagem abaixo reproduzida.

REGRAS DO STF.PNG

 

O texto completo pode ser lido aqui

 

I...NA...CRE...DI...TÁ...VEL!!!!!!!!

 

Os que NÃO tiverem espinha dorsal que aplaudam, que se verguem, que se subjuguem a um País que NÃO respeita a soberania portuguesa.

 

E quem quiser saber de toda a tramóia, tirem um tempinho, não o perderão, para lerem as seguintes notícias, proibidas em Portugal, e  muito mais que aqui não refiro para não cansar os leitores, mas que podem encontrar no  Apartado 53

 

«Portugal, um Estado brasileiro na Europa»

Três mil e cem por dia

O elefante e a formiga brincam às reciprocidades

Ex-Portugal

 

ACORDAI gente entorpecida! ACORDAI!!!!!!

 

 Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:59

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Sábado, 25 de Fevereiro de 2023

Actual Ministro dos Negócios [DOS] Estrangeiros português anuncia em Brasília que Lula da Silva virá discursar nas comemorações do “25 de Abril”

 

Passando por cima das competências da Assembleia da República, o ministro José Gomes Cravinho, o duplo do anterior MNE, que sempre foi o dono disto tudo, anunciou em Brasília que o actual presidente da República Federativa do Brasil, Inácio Lula da Silva, discursaria na sessão solene comemorativa dos 49 anos da Revolução dos Cravos.

 

Como disse?

Não era para dizer. Não agora, não lá, apesar de já estar tudo combinado. Mas quem tem de as dizer é o actual presidente da Assembleia da República que, como dono do hemiciclo, faz o que lhe compete, mas também o que NÃO lhe compete, porque são muitas as vezes que se esquece de que já NÃO é o todo-poderoso MNE do Partido Socialista, ao qual deram o poder absoluto, e o «poder absoluto corrompe absolutamente». Esta frase não é minha. Ouvi-a hoje, no último episódio da excelente série "Coliseu", do Canal História, pela boca de um historiador, a propósito dos mandos e desmandos dos todo-poderosos imperadores romanos, que imperaram conforme lhes deu na real gana. Até que, em 24 de Agosto do ano 410 d. C., os Visigodos, sob o comando do seu Rei, Alarico, saquearam Roma, e este foi o início do fim do império romano.

Como estamos a precisar de um ALARICO, em Portugal!

 

Lula.png

 

Tendo em conta que a Revolução dos Cravos, não passou disso mesmo, uma revolução onde se venderam muitos cravos (flores), porquanto logo depois da primeira eleição livre, foi um tal de dar umas no cravo, outras, na ferradura, durante praticamente meio século, afundando, ano a ano, e cada vez mais, o País no CAOS em que actualmente se encontra, em quase todos os sectores da vida pública, passando-se de uma ditadura fascista, às claras, para uma ditadura social-fascista, encapotada, com a mesma política do Quero, Posso, Mando Fazer  ou Faço, sem passar cavaco  ao Povo, que os elegeram, sem lhe dar ouvidos, sem responder às suas mais prementes questões, e o mais grave e preocupante, por termos algo a intrometer-se na nossa Identidade de País que já foi livre e soberano, sujeitando os Portugueses Pensantes, porque os não-pensantes, não pensando, estão-se nas tintas, à vergonhosa subserviência dos governantes portugueses aos quereres e aos interesses do Brasil.

 

Não foi por acaso que ficou combinado Inácio Lula da Silva vir discursar, logo na sessão solene de uma Revolução que só a Portugal diz respeito, e pelo benefício da independência, às ex-colónias africanas de expressão portuguesa. Será por conta do Tratado de Amizade, celebrado APENAS entre estes dois países, deixando de fora os restantes seis, da CPLP? – (A Guiné Equatorial, de Língua Castelhana, não é para aqui chamada).


O que virá Inácio Lula da Silva dizer, no discurso do 25 de Abril? Virá dizer o mesmo que disse em 11 de Dezembro de 2015, num outro discurso, em Madrid, reforçando que a culpa pelos atrasos na educação, no Brasil, é dos Portugueses, é da colonização portuguesa?  

 

Para quem interessar este insulto de Inácio Lula da Silva, a Portugal, sugiro a leitura do texto neste link:

https://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/lula-diz-que-a-culpa-pelos-atrasos-na-605325

 

Dada a subserviência de Portugal ao Brasil, com o primeiro a prestar vassalagem ao segundo, Inácio Lula da Silva virá dar um raspanete aos Portugueses pelo estado caótico que continua a existir, actualmente, no Ensino brasileiro e pior do que isto, por ainda haver, em Portugal, resistentes à imposição da Variante Brasileira do Português, aos Portugueses?

 

Isto fará parte do acordo (quase) secreto entre os dois países, em que os brasileiros têm TODOS os direitos dos Portugueses, em Portugal? Virá falar disso? Ou virá dar ordens para que o processo de vassalagem se acelere? Sim, porque o presidente da República de Portugal já NÃO é Marcelo Rebelo de Sousa, pelo que vemos, ouvimos e lemos, por aí.


Se com Bolsonaro nunca houve uma aproximação, pelos motivos mais do que óbvios (Deus nos livre e guarde, que nem falar sabia!) com Lula da Silva, que quanto ao falar está quase ao nível de Bolsonaro, a aproximação é outra, contudo esta poderá trazer água no bico. Todos nos recordamos das visitas que Marcelo Rebelo de Sousa, um brasileirista de primeira água, fez a Inácio Lula da Silva, seu amigo do peito, nas suas excursões pelo Brasil, uma delas em tempo de campanha eleitoral, que até levou Bolsonaro a destratá-lo.

 

Penso que os Portugueses estão a ser tomados por lorpas. Mas o povinho português não é um povinho tanso e manso? Pois terá o que merece.

 

O que pensarão os governantes dos restantes países da CPLP, que NÃO participarão nas comemorações do dia que veio proporcionar-lhes a INDEPENDÊNCIA?

Por que haveriam de participar, não é verdade? Não há acordo nenhum de amizade com eles!

Aguardemos os próximos capítulos desta novela luso-brasileira, que o tuga aceita tão acriticamente, que até dói!

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:40

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Sexta-feira, 11 de Dezembro de 2015

Lula diz que a culpa pelos atrasos na educação no Brasil é dos Portugueses

 

Esta é a anedota do ano publicada, hoje, dia 11 de Dezembro de 2015, no Diário de Notícias.

Porém, o que este indivíduo diz faz parte da IGNORÂNCIA dos brasileiros ignorantes, porque os há cultos, e estes não dizem tamanhos disparates.

 

Lula da Silva.png

 Álvaro Isidoro / Global Imagens

 

«De quem é culpa pelos atrasos na Educação? É dos portugueses, diz Lula

 

«Eu sei que isto não agrada aos portugueses», afirma o ex-presidente do Brasil.

 

O ex-presidente do Brasil Lula da Silva culpabilizou hoje a colonização portuguesa pelos atrasos na educação brasileira, afirmando que Álvares Cabral descobriu o país em 1500 e a primeira universidade brasileira apenas foi criada em 1922. (*)

 

"Eu sei que isto não agrada aos portugueses, mas Cristóvão Colombo chegou a Santo Domingo [actual República Dominicana] em 1492 e em 1507 já ali tinha sido criada a Universidade. No Peru em 1550, na Bolívia em 1624. No Brasil a primeira universidade surgiu apenas em 1922", disse hoje Lula da Silva, numa conferência em Madrid, organizada pelo diário El País.

 

Para Lula da Silva, que comparou as atitudes dos países colonizadores Espanha e Portugal nas respectivas áreas de influência, este facto "justifica os atrasos na educação do Brasil".

 

A primeira universidade brasileira foi a Universidade do Rio de Janeiro, que resultou na junção das Faculdades de Medicina, Direito e Engenharia. Ao contrário de outras ocasiões, Lula da Silva não referiu que as bases do Ensino Superior brasileiro foram lançadas muito antes, no final de século XVII e XVIII.

 

Em 1792, foi criada a Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho, instituição de ensino superior precursora da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Em 1808 foi criada a Faculdade de Medicina da Baía, na sequência da chegada ao Brasil da Coroa portuguesa.

 

O Brasil tornou-se independente de Portugal em 1822.

 

A argumentação de Lula da Silva em Madrid visava sobretudo as "elites brasileiras" dos últimos 100 anos, em comparação com o "legado" dos seus anos à frente do Brasil. Lula argumenta que o seu Governo triplicou o orçamento da Educação, construiu 18 novas universidades federais, 173 novos "campus" no interior do Brasil e três vezes mais escolas técnicas do que últimos 100 anos.»

 

Fonte:

http://www.dn.pt/mundo/interior/de-quem-e-culpa-pelos-atrasos-na-educacao-e-dos-portugueses-diz-lula-4925166.html

 

***

Lula, ao dizer o que diz só demonstra uma profunda ignorância sobre a História da Colonização Portuguesa no Brasil.

 

Não me surpreende.

 

Se eu me tivesse ficado pelo que estudei no Brasil independente, era uma ANALFABETA das GRANDES.

 

Ao dizer o que disse, Lula não só escarrou em cima dos antepassados dele, como escarrou em cima dele próprio.

 

Os Brasileiros têm agora um novo livro para APRENDEREM a sua verdadeira História:

«A Colonização Portuguesa do Brasil - Verdades e Mentiras - Contestação e Repúdio aos livros "1808" e 1822"», da autoria de António Neto Guerreiro e José Verdasca.

 

Neste livro está tudo o que o Lula e os ignorantes como o Lula devem saber sobre a colonização portuguesa no Brasil.

 

O Lula leu os livros errados, onde se diz os maiores disparates da História, e ficou ignorante.

 

Os portugueses deixaram no Brasil Escolas Superiores, e foi numa dessas escolas que se formou o Padre António Vieira, um dos expoentes máximos da Cultura Portuguesa e também Brasileira.

Os Brasileiros mutilaram a Língua Portuguesa, Culta e Europeia, para reduzirem o índice de analfabetismo no Brasil, e agora querem impingi-la aos Portugueses, através do famigerado Acordo Ortográfico de 1990.

 

Ora o que aconteceu foi que os Brasileiros, pós-independência, que ocuparam o Poder, não tiveram capacidade intelectual para utilizar inteligentemente as FERRAMENTAS deixadas no Brasil, pelos Portugueses CULTOS.

 

Agora choram a INCAPACIDADE INTELECTUAL deles e a INCULTURA deles e colocam a culpa nos colonizadores?

 

Era o que mais faltava!

 

(*)  A Escola de Cirurgia da Bahia foi a primeira escola superior do Brasil, criada   em 18 de Fevereiro de 1808 por Dom João VI, passando a ser conhecida, mais tarde, em Abril de 1813, como Academia Médico-Cirúrgica, e em 1832, passou a chamar-se Faculdade de Medicina da Bahia. Em 1891 tornou-se Faculdade de Medicina, Farmácia e Odontologia, e, finalmente, em 1946, passou a designar-se por Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia. A transferência da Família Real Portuguesa para o Brasil constituiu o início da independência cultural do Brasil. Contam as crónicas que a Faculdade de Medicina da Bahia esteve sempre à frente no seu tempo. Além de ser a primeira Faculdade do país, foi também o primeiro lugar do Brasil a receber a luz eléctrica, em 02 de Julho de 1844. Dom João VI fundou também a Escola de Anatomia, Cirurgia e Medicina, em 05 de Novembro de 1808, a actual Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Como se vê, Lula da Silva estava muito mal informado.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:17

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Quarta-feira, 3 de Março de 2010

Ao sabor do "Correntes d'Escritas"»...

 

 Copyright © Isabel A. Ferreira 2010
 
Cerimónia de abertura do Correntes d'Escritas, no Casino da Póvoa de Varzim, com Luís Diamantino, Vereador da Cultura, no uso da palavra
 
Realizou-se na Póvoa de Varzim, a 11ª edição do «Correntes d’Escritas», um encontro de Escritores Ibero-americanos, sempre muito concorrido, que decorreu entre 24 e 27 de Fevereiro passado.
Sigo este evento desde a sua 2.ª edição.
Na 1.ª encontrava-me tão afundada no lodo de um poço, para onde uns predadores me atiraram, arrancando-me o meu trabalho, feito de um jornalismo incómodo, deixando-me desnuda no meio da rua, como uma qualquer. Logo a mim, que amava as palavras (e ainda amo). A mim, para quem escrever era a própria vida (e ainda é)! Como ir ouvir falar de palavras, estando eu no fundo de um poço lodoso?
Não assisti àquela 1.ª edição, portanto.
À segunda, já mais liberta, mas ainda profundamente magoada, não resisti, e decidi ir ouvir os escritores.
Depois desta primeira vez, confesso, fiquei viciada.
Não vou fazer um relato do que se passou nesta edição, porque a tal não sou obrigada. Não estou ao serviço de ninguém. Hoje em dia, só escrevo o que me apetece. O que detém o meu olhar. O que me toca o coração. O que agita os meus sentidos.
De modo que, ater-me-ei apenas àquilo que mais me chamou a atenção, entre tudo o que vi e ouvi.
Devo dizer que o que mais gosto no Correntes d’Escritas é das “Mesas”, que não são redondas, mas rectangulares, onde grupos de cinco escritores e um moderador “esgrimam” ao redor de temas, quase sempre complexos, de difícil compreensão, autênticos desafios à imaginação e à criatividade.
E é isso que me fascina, pois todos, de um modo ou de outro, acabam por rodear a questão ou mergulhar nela, até ao fundo, lá, onde se escondem os segredos das palavras, e cada autor cria um universo inteiro ao redor dos temas.
E o que se descobre entre tanta diversidade de ideias, de vivências, de imaginação, de pura criação literária!
Depois há aquela Feira do Livro, que é uma tentação! Livros. Tantos! Venho sempre carregada deles, e nem sempre consigo dar vazão à leitura, de um ano para o outro. Mas isso que importa, se os tenho junto a mim, a aguardar vez?
E há também os momentos inesperados, aos quais não resisto e deixo registados em fotografias!
Este ano, houve alguns pormenores que me “tocaram” (para o bem e para o mal) e é deles de que me ocuparei.
 
A ministra da Educação do actual governo  
 
Isabel Alçada, na sua conferência
 
O «Correntes» abriu com uma palestra proferida por Isabel Alçada, Ministra da Educação do nosso actual Governo, sob o tema «Leitura, Escrita e Educação».
Eu conhecia-a como escritora, e não me desiludiu. Por vezes desiludo-me com as pessoas que sobem a um certo pedestal (quase sempre de barro) e tornam-se vedetas de coisa nenhuma.
Isabel Alçada foi ela própria: simpática, culta, acessível. E gostei do que disse, políticas da educação à parte.
 
A guilhotina dos editores
 
 Maria Teresa Horta (ao centro) ladeada por Luís Naves e Gilda Nunes Barata
 
Maria Teresa Horta, na sua intervenção, e a propósito de alguém ter dito que uns tantos livros do Poeta Eugénio de Andrade haviam sido queimados, disse que a sua editora guilhotinou 500 dos seus livros (sem o conhecimento dela), e que ela pensava que estavam esgotados.
Estarreci-me, embora soubesse que tal poderia acontecer, uma vez que já tinha assinado um contrato, em que uma das cláusulas se referia precisamente à destruição dos exemplares que não fossem vendidos. Dava-se ao autor a oportunidade de os “comprar” por um preço abaixo do mercado, e se ele não quisesse, então os livros seriam destruídos.
Foi um choque para mim, aquela cláusula. Ainda barafustei. Era a minha primeira vez, nestas coisas. Confesso que não gostei, fazendo-me lembrar o tempo da Inquisição e da Ditadura e do pré-25 de Abril, em que se queimavam aqueles livros que incomodavam as pessoas de mentalidade pequenina.
Se é para guilhotinar ou queimar livros então melhor deixá-los nos bancos dos jardins, para que as pessoas os levem para casa. Seria um modo de “fazer” leitores. Uma utopia? Quem não as tem?
 
O trabalho da escrita desvalorizado
 
Ouvi, pela boca de muitos escritores presentes, falar do pouco valor que se dá ao trabalho de um escritor, que passa horas, dias, semanas e até anos a escrever um livro, e só tem direito às migalhas do pão, porque existem os intermediários (editores, distribuidores, livreiros) que levam o pão inteiro.
Se um autor vai falar sobre algum tema, a algum lado, ninguém lhe pergunta quanto custa o trabalho que teve ao preparar o tema. Quando é convidado a escrever algo, é o mesmo vazio.
É como se quem escreve tivesse a obrigação de escrever, e de se alimentar da água da chuva e do ar, que é o que não se tem de pagar (ainda).
Se o escritor quer ser e aparecer sujeita-se a esta humilhação. E não há lei nenhuma que proteja o trabalhador, cujo instrumento de trabalho são as palavras.
Isto é uma coisa muito à portuguesinho, e que não combina com uma coisa chamada Cultura Culta.
 
Bernardo Carvalho: um brasileiro insatisfeito
 
 Bernardo Carvalho (o primeiro a contar da esquerda)
 
Chocou-me a intervenção do conceituado escritor brasileiro Bernardo Carvalho, que teve a insensatez de dizer que a colonização portuguesa e a escravatura no Brasil foram as piores de todas as colonizações e escravatura. Tendo sido convidado para vir ao "Correntes d'Escrita, teve a ousadia de insultar a inteligência dos Portugueses, com a lavagem cerebral que lhe fizeram no Brasil, relativamente à História da Colonização. Muito lamentável.
Estive para intervir, porém, considerei que aquele nem era o lugar nem o momento próprios para contestar um naco da nossa História que, no Brasil, está muito mal ensinada, deturpada e cheia de mentiras. Bernardo repetiu o erro de Laurentino Gomes, no livro «1808», contestado por mim. Desconhecerão os brasileiros as colonizações espanhola, francesa, inglesa, holandesa, e por aí fora? Os Portugueses foram, ainda assim, os menos cruéis.
Este é um assunto ao qual terei de regressar com o escritor.
 
Homenagem a Rosa Lobato Faria
 
Uma frequentadora do “Correntes”, que para sempre estará ausente. Contudo, ficaram os seus versos, os seus romances, as suas fotografias que transmitem uma beleza serena. E o «Correntes» homenageou-a através da leitura de poemas ditos por Aurelino Costa, poeta e “dizeur” por quem tenho grande apreço.
 
Aurelino Costa, Poeta e "dizeur"
 
Esta homenagem foi um momento discreto,  marcadamente comovente. Vi lágrimas na assistência.
 
Lançamento de "História com Recadinho", da escritora Luísa Dacosta  
 
Luísa Dacosta ao centro, ladeada de Leonor Xavier e do seu editor
 
Sigo desde 1983 a carreira desta escritora, considerada uma das maiores estilistas da Língua Portuguesa do século XX.
Trata-se de uma das minhas autoras preferidas, pela beleza de uma escrita invulgar.
Por isso dediquei-lhe um livro intitulado «Luísa Dacosta: “no sonho, a liberdade...”», um mal amado livro, onde abordo toda a sua obra, o seu pensamento, a sua vida, ilustrado com fotografias, a maior parte delas, que só eu tenho.
É sempre com muita mágoa, pois, que quando assisto a uma intervenção pública da Luísa Dacosta, verifico que ela ignora este livro único, sobre a sua pessoa, e a ele nunca se refere.
Na Feira do Livro do «Correntes d’Escritas» encontravam-se alguns dos seus livros à venda (o que também é coisa rara). Aproveitei então a oportunidade para pôr o meu «Luísa», à venda também, junto dos seus (o que muito agradeço ao Alfredo Costa, da Livraria Locus, da Póvoa de Varzim).
Contudo, não consegui vender nem um só exemplar.
Se ao menos a homenageada lhe fizesse jus (ao livro!), talvez alguém se interessasse por ele. Um livro que não foi devidamente divulgado, por opção dos divulgadores. Distribuo livros para divulgação e é como se os deitasse ao caixote do lixo (está tudo registado). Essa tem sido a minha grande mágoa.
Na Universidade de Nanterre, em Paris, este meu livro serviu de consulta para a tese que uma estudante elaborou sobre o livro de Luísa Dacosta, «Corpo Recusado», e várias vezes foi citado, nesse trabalho.
Este e outros episódios similares, se bem que raros, recompensa-me, de certa forma, do mau acolhimento em certos meios, cá dos nossos.
Será que em Portugal uma tal obra não interessará aos estudiosos da obra de uma autora portuguesa, da craveira de Luísa Dacosta?
 
Isabel A. Ferreira
 
publicado por Isabel A. Ferreira às 18:56

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Terça-feira, 30 de Dezembro de 2008

«Opinião sobre “Contestação do Livro “1808” de Laurentino Gomes” de autoria de Isabel A. Ferreira»

 

 

 

 Por Quintino Geraldo Diniz de Melo *
 
Tenho a honra de, a pedido da autora, manifestar minha opinião sobre a interessante obra “CONTESTAÇÃO – De como Portugal tem o dever de defender a sua Honra e a sua História” (Chiado Editora, Portugal, 2008), da insigne historiadora e jornalista luso-brasileira, Isabel A. Ferreira.
 
A autora discorre com uma simplicidade e honestidade cativantes, revelando que seu empreendimento foi inspirado pelo amor à sua terra natal, sendo um “contributo no sentido de resgatar o bom-nome de Portugal”.
 
Dividido em dezesseis capítulos com sugestivos títulos, tais como De como D. João, Príncipe Regente de Portugal, teve a coragem de não se vergar aos pés de Napoleão Bonaparte (Cap. 1), De como um império dito decadente consegue sobreviver e impor-se entre impérios poderosos (Cap. 5), De como a Inglaterra deve a uma Rainha portuguesa o requintado costume do “five o’clock tea” (Cap. 11), De como não pode haver requinte longe da civilização (Cap. 13), De como Portugal não perdeu a honra nem esteve nunca abandonado (Cap. 14), De como os brasileiros deveriam orgulhar-se das suas origens (Cap. 16), o texto da Drª Isabel é de gostosa e fácil leitura, com sabor de uma crônica jornalística.
 
Buscando uma explicação psicológica, ela atribui o tom agressivo da narrativa de Laurentino Gomes a uma certa rejeição natural que o colonizado nutre por seu colonizador. Seria essa a razão porque tantos brasileiros procuram menosprezar Portugal e seus feitos.
 
Registre-se que a obra é impregnada, do início ao fim, da ideologia do politicamente correto, sendo uma preocupação constante da autora frisar que não aprova o colonialismo, mesmo o português, que para ela foi tão “mau” quanto os colonialismos inglês, francês ou qualquer outro.
 
Daí a ausência de elogios à colossal obra missionária e civilizadora empreendida por Portugal e Espanha, que é seu principal legado e mais importante patrimônio imaterial dos latino-americanos.
 
Ademais, a mestiçagem promovida pelos colonizadores ibero-católicos, e ausente nas áreas de colonização protestante, é outro grande feito da engenharia política portuguesa pouco explorado pela autora.
 
É de se admitir que o resultado dessa abertura do português para as outras raças, tão bem sintetizada pelo pernambucano Gilberto Freire em sua obra-prima “Casa Grande e Senzala”, é responsável pela inviabilidade política de um nacionalismo étnico no Brasil.
 
Ser brasileiro, portanto, é ser mestiço, se não no corpo ao menos na alma.
 
E isto só foi possível por todos os diferenciais da colonização portuguesa em relação à colonização promovida por outros povos.
 
Talvez fosse interessante, no que toca ao tema principal da obra contestada - a “fuga” da Corte -, acrescentar que esta veio de encontro a um antigo e estratégico projeto de transferência do Governo Português para a sua maior e mais rica colônia. Há inúmeros estudos nesse sentido.
 
Embora o objetivo imediato de D. João VI fosse o de salvar sua dinastia, este incompreendido monarca luso-brasileiro tinha seu olhar mais longe, querendo a unidade política e espiritual do império lusitano.
 
Denúncia bem articulada contra a pena politicamente incorreta do Sr. Laurentino Gomes, “Contestação” é uma leitura que vale a pena.
 
Recife, 28 de dezembro de 2008.
 
 
* Quintino Geraldo Diniz de Melo, é Promotor de Justiça em Pernambuco-Brasil.
 
 
 
 
publicado por Isabel A. Ferreira às 17:56

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