Segunda-feira, 25 de Outubro de 2021

Discurso colonial português “é errado e continua a existir”, diz Patrícia Lino, docente na Universidade da Califórnia - Los Angeles (UCLA)

 

Esta docente considera que os mitos em que assenta o discurso do colonialismo português continuam a ter impacto na sociedade e precisam de ser desconstruídos.

 

O que me ocorre dizer sobre isto?

 

O que todos os que conhecem a História de Portugal/Brasil dizem: eis mais uma ignorante luso-brasileira a falar do que não sabe. Mas esta gente quer, porque quer, mudar o rumo da História, mas só conseguirá desviá-la do seu próprio caminho, porque existem FONTES históricas fidedignas, as quais esta senhora ignora, porque convém ignorar, não, porque não existam.

 

Contudo, onde a inteligência não medra, a ignorância cresce como uma erva daninha em campo inculto.

 

Já é tempo de abandonarem o complexo de colonizados e aceitarem a História tal como ela aconteceu, porque por muito que queiram, jamais ela será o que esses complexados, maioritariamente (para não dizer totalmente) saídos de uma esquerda ignorante querem que seja. A HISTÓRIA assenta em factos e não em conjecturas delirantes.

 

Quem não aceita o seu passado, jamais conseguirá um lugar no futuro. Por isso o Brasil, passado que são quase 200 anosde indfependência, ainda anda em bolandas, sem rumo certo, e cada vez mais enterrado num lamaçal.



Leiam a notícia aqui, mas leiam principalmente os COMENTÁRIOS que dizem da ignorância que o texto destila:


https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/discurso-colonial-portugues-e-errado-e-continua-a-existir-diz-professora

Patricia-Lino.jpg

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 19:14

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Domingo, 17 de Outubro de 2021

Ganância: emissões climáticas históricas revelam responsabilidade de grandes nações poluidoras

 

 

 

A análise do total de emissões de dióxido de carbono dos países desde 1850 revelou as nações com maior responsabilidade histórica pela emergência climática. Mas seis dos dez primeiros ainda não fizeram novas promessas ambiciosas de reduzir suas emissões antes da crucial cúpula climática Cop26 da ONU em Glasgow, em Novembro.

 

Os seis incluem China, Rússia e Brasil, que vêm atrás apenas dos EUA como os maiores poluidores cumulativos. O Reino Unido está em oitavo e o Canadá em décimo. O dióxido de carbono permanece na atmosfera por séculos e a quantidade cumulativa de CO2 emitida está intimamente ligada aos 1,2°C de aquecimento que o mundo já viu.

 

Nas negociações da ONU, as emissões históricas sustentam as reivindicações por justiça climática feitas pelos países em desenvolvimento, juntamente com a disparidade de riqueza das nações. Os países que enriqueceram com combustíveis fósseis têm a maior responsabilidade de agir, dizem os países em desenvolvimento, e de fornecer financiamento para o desenvolvimento de baixo CO2 e protecção contra os impactos do aquecimento global.

 

O Reino Unido está hospedando a Cop26 e o ​​primeiro-ministro, Boris Johnson, reconheceu essa responsabilidade em um discurso na ONU em Setembro.

 

A análise, produzida pela Carbon Brief, inclui, pela primeira vez, as emissões da destruição de florestas e outras mudanças no uso da terra, juntamente com os combustíveis fósseis e a produção de cimento. Isso empurra o Brasil e a Indonésia para os 10 primeiros lugares, ao contrário de quando apenas as emissões de combustíveis fósseis são consideradas.

 

Os dados também mostram que o mundo já usou 85% do orçamento de CO2, o que daria 50% de chance de limitar o aquecimento a 1,5°C, o limite de perigo acordado em Paris em 2015.

 

 

Os EUA, Alemanha, Grã-Bretanha e Canadá são os únicos dez principais países que fizeram promessas de cortes mais profundos de emissões antes da Cop26. Embora os EUA tenham afirmado que dobrarão sua contribuição para o financiamento do clima para as nações em desenvolvimento, alguns ainda vêem isso como muito pouco da maior economia do mundo.

 

A Rússia fez uma nova promessa, mas permite que as emissões aumentem, e o grupo Climate Action Tracker (Cat) a classificou como “criticamente insuficiente” em comparação com as metas de Paris. China e Índia ainda não fizeram novas promessas, enquanto as do Brasil, Indonésia e Japão não melhoraram as promessas anteriores.

 

“Há uma ligação directa entre os 2.500 bilhões de toneladas de CO2 bombeados para a atmosfera desde 1850 e o aquecimento de 1,2ºC que já estamos experimentando”, disse Simon Evans, do Carbon Brief. “Nossa nova análise coloca um foco vital nas pessoas e países mais responsáveis ​​pelo aquecimento do nosso planeta.

 

“Não podemos ignorar o CO2 da silvicultura e das mudanças no uso da terra, porque ele representa quase um terço do total acumulado desde 1850. Depois de incluir isso, é realmente impressionante ver o Brasil e a Indonésia entrando no top 10.”

 

Mohamed Nasheed, embaixador do Fórum Vulnerável ao Clima (CVF), um grupo de 48 nações, e presidente do parlamento nas Maldivas, disse: “A justiça básica exige que aqueles que mais fizeram para causar a emergência climática assumam a liderança em abordá-la. Esta nova análise deixa claro onde reside a responsabilidade: principalmente com os EUA, mas, posteriormente, com a China e a Rússia.

 

“Os emissores históricos assumiram todo o orçamento de carbono de 1,5ºC e o gastaram em seu próprio desenvolvimento. Nesse sentido, emprestamos a eles nosso orçamento de carbono e eles nos devem por isso. Chegando ao Cop [26], vimos algumas promessas de financiamento aumentadas, mas ainda está muito abaixo dos US $100 bilhões [£ 73,5 bilhões] por ano que o CVF pede.”

 

Tom Athanasiou, parceiro do Climate Equity Reference Project, disse que a capacidade diferenciada de nações ricas e pobres de financiar ações climáticas é importante. “A responsabilidade histórica é um princípio fundamental de equidade, mas não é o único”, disse ele. “Considerar a capacidade é essencial se quisermos evitar que a acção climática aconteça nas costas dos pobres.”

 

A análise do Carbon Brief mostra que cerca de 85% das emissões cumulativas dos EUA e da China são da queima de combustível fóssil e 15% do desmatamento, com o inverso verdadeiro para o Brasil e a Indonésia. A Indonésia fez algum progresso ao deter a derrubada de árvores, mas a derrubada de florestas no Brasil acelerou sob o actual presidente, Jair Bolsonaro.

 

A inclusão das emissões de desmatamento empurra a Austrália do 16º para o 13º lugar – acredita-se que a Austrália tenha desmatado quase metade de sua cobertura florestal nos últimos 200 anos. A promessa de redução de emissões da Austrália para a Cop26 não aumenta sua ambição e é classificada como “altamente insuficiente” pela Cat.

 

Os Estados Unidos foram o maior poluidor cumulativo de 1850 até os dias actuais. A Rússia foi o segundo maior poluidor até 2007, quando suas emissões foram superadas pelas da China, cujas emissões começaram a aumentar rapidamente a partir da década de 1970. O Reino Unido foi o terceiro maior emissor em um século, de 1870 a 1970, quando foi ultrapassado pelo Brasil.

 

“Começamos a revolução industrial na Grã-Bretanha. Fomos os primeiros a enviar grandes baforadas de fumaça azeda para os céus em uma escala que desorganiza a ordem natural”, disse Johnson à assembleia geral da ONU em Setembro. “Entendemos quando o mundo em desenvolvimento olha para nós para ajudá-los e assumimos nossas responsabilidades.”

 

O presidente da Cop26, Alok Sharma, disse: “Os grandes emissores, especialmente os do G20, têm a responsabilidade de enviar uma mensagem forte e poderosa ao mundo de que estão aumentando a ambição e acelerando as acções contra as mudanças climáticas. Embora aqueles que mais contribuíram para o problema do aquecimento global devam assumir a liderança, todos os países e partes da sociedade devem enfrentar esse desafio compartilhado”.

 

Robbie Andrew em Cicero, um centro de pesquisa climática norueguês, disse: “Embora as emissões históricas sejam muito importantes, quase dois terços de nossas emissões de CO2 fóssil ocorreram desde cerca de 1980 e em torno de 40% desde 2000 [e] é o que está acontecendo agora sobre o que podemos fazer algo. ”

 

Na semana passada, o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que as economias desenvolvidas precisam assumir a liderança e Greta Thunberg também levantou a questão da responsabilidade histórica.

 

“Reconheço que os países que mais emitiram carbono [dióxido] não o fizeram com a intenção de prejudicar o clima”, disse Nasheed. “O motor de combustão interna foi inventado para mobilidade, não para afogar nações insulares. Portanto, apelo a uma abordagem colectiva para isso, em que actuem juntos para expandir rapidamente as tecnologias limpas de que precisamos, em vez de jogar um jogo de culpa pós-colonial. ”

 

A análise do Carbon Brief usou dados do Centro de Análise de Informações de Dióxido de Carbono, Nosso Mundo em Dados, Projecto Global de Carbono, Monitor de Carbono e estudos sobre emissões de desmatamento e mudanças no uso da terra. Começa em 1850, antes do qual dados confiáveis são escassos e, portanto, não inclui as emissões do desmatamento ocorridas anteriormente. Foi responsável pela mudança das fronteiras nacionais ao longo do tempo, mas não atribuiu as emissões dos países anteriormente colonizados à nação colonizadora.

 

Fonte: 

https://blogcontraatauromaquia.wordpress.com/2021/10/17/ganancia-emissoes-climaticas-historicas-revelam-responsabilidade-de-grandes-nacoes-poluidoras/

(Texto transcrito automaticamente para a Grafia Portuguesa)

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:48

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Quinta-feira, 26 de Agosto de 2021

A vandalização da estátua de Pedro Álvares Cabral, no Rio de Janeiro, é um acto de pura ignorância

 

Anda por aí um modismo de destruição de monumentos que recordam um tempo que apenas quem o viveu teria o direito de pôr em causa.

 

Um povo que rejeita o seu passado e não consegue entendê-lo à luz desse mesmo passado, é um povo fracassado e sem futuro.

 

Não esquecer que o Brasil só é Brasil, porque os Portugueses descobriram o território, e o povoaram, sendo um dos povos colonizadores que menos mossa fez aos indígenas, verdadeiros donos daquelas terras, os quais colaboraram, por livre vontade, com eles, nas guerras travadas contra Ingleses, Holandeses, Franceses, Espanhóis. Além de a miscigenação (união de brancos com os indígenas) ser uma realidade na sociedade da época. E o Brasil tem o tamanho que tem, graças aos Bandeirantes.

 

Talvez por desconhecerem a verdadeira História do Brasil, ocultada e deturpada nas escolas brasileiras, o Brasil ainda não tenha conseguido encontrar o rumo certo para a Evolução Cultural. Falta-lhe o PASSADO.
 

Mas vamos aos factos.

 

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Fonte da imagem:  https://twitter.com/Midia1508/status/1430260482703757320/photo/1

 

Na passada terça-feira, a estátua de Pedro Álvares Cabral, descobridor do Brasil, localizada no Largo da Glória, no Rio de Janeiro, foi incendiada e pichada em protesto contra o Marco Temporal, uma teoria segundo a qual os povos indígenas [os verdadeiros donos dos territórios que sempre foram deles, desde os tempos do colonizador], só teriam direito às terras [que legitimamente] sempre ocuparam] em 5 de Outubro de 1988, aquando da promulgação da Constituição Federal, algo defendido pelos camponeses e pelo governo Bolsonaro.

 

Segundo a notícia, essa interpretação desvaloriza as violências e expulsões forçadas, às quais os indígenas estiveram expostos ao longo do tempo, nomeadamente depois de o Brasil ter-se libertado do jugo do colonizador, sendo que foram sempre perseguidos pelos brasileiros emancipados; e também contra o Projecto de Lei nº 490, que prevê empreendimentos dentro das terras indígenas, como o plantio de soja transgénica e a construção de hidroeléctricas e rodovias.

 

A estátua foi erguida em 1900, para celebrar os 400 anos do descobrimento do Brasil, por Pedro Álvares Cabral.

 

Afinal, que culpa tem Pedro Álvares Cabral de os Brasileiros pós-1822 ainda não terem encontrado o caminho da Evolução Cultural?

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:19

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Quarta-feira, 18 de Agosto de 2021

Jair Bolsonaro constrangeu Marcelo Rebelo de Sousa e Augusto Santos Silva em almoço de Estado? Eu, que não sou hipócrita, penso que Marcelo e SS tiveram o que mereceram

 

Porquê?


Não andam ambos a arrastar-se aos pés do gigante brasileiro, no que ao AO90 diz respeito? Não andou Marcelo a fazer rapapés a Lula da Silva, promotor do AO90, e inimigo de Bolsonaro, o qual, numa viagem a Espanha, disse alto e em bom som que se havia corrupção no Brasil a CULPA era dos Portugueses? 

 

E andam os governantes portugueses a bajular estas personagens, que se estão nas tintas para Portugal, para os Portugueses e para a Língua Portuguesa!

 

O que espero agora é que ambos tenham aprendido a lição e deixem de fazer salamaleques ao Brasil (*) e devolvam a Portugal a ortografia que nos representa: a PORTUGUESA, a de 1945.

 

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Bolsonaro e Marcelo durante a visita do PR português ao Brasil© EPA/Marcos Correa

Ler notícia aqui:

https://www.dn.pt/internacional/bolsonaro-constrangeu-marcelo-em-almoco-diz-o-globo-14037104.html

 

***

(*) Quando me refiro ao "Brasil" não estão aqui incluídos TODOS os Brasileiros, obviamente, mas apenas os POLÍTICOS e os seus subjugados, que espalham uma ignorância gigantesca pela Internet, pelo YouTube no que respeita a Portugal e aos Portugueses, envergonhando o Brasil.


Toda esta questão da Língua e a relação Brasil/Portugal é uma questão meramente de política marxista mal-amanhada, e de políticos portugueses muito subservientes.


Os nossos governantes arrastam-se aos pés dos políticos brasileiros que nos pisam há bastante tempo, e surpreenderam-se com o que se passou no almoço de Estado?  


E mais, no dia em que em Portugal se soube que Bolsonaro havia ganho as eleições, Marcelo Rebelo de Sousa acerca disso disse: «Isto é uma MÁ notícia». Depois, com a maior lata, foi à tomada de posse de Bolsonaro. E é óbvio que Bolsonaro soube deste dito de Marcelo, que nesta última viagem ao Brasil, foi fazer salamaleques ao Lula, e  à reinauguração do Museu da Língua Portuguesa onde todas, todos e todes estavam presentes, excepto Bolsonaro, que se esteve nas tintas para a cerimónia da atribuição da primeira Medalha de Camões (pobre Camões!) a um Museu que guardará o AO90 e a linguagem neutra, mas não a Língua Portuguesa. 



A terminar esta visita ao Brasil, Marcelo e Santos Silva, apesar da desfeita no Museu, aceitaram ir ao almoço de Estado, onde se sentiram constrangidos, com a linguagem livre de Bolsonaro. 


Esperavam o quê? Serem recebidos com pompa e circuntância?


Há erros que se pagam muito caro.

E mais caro irão pagar o facto de estarem a contribuir para a destruição da Língua Portuguesa.


Isabel A. Ferreira

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:30

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Quinta-feira, 10 de Junho de 2021

Hoje celebrarei, a três tempos, o Dia de Portugal, de Camões, das Comunidades Portuguesas e da Língua Portuguesa…

 

Tempo Primeiro:

 

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Celebro o Dia de Portugal e das Comunidades Portuguesas orgulhando-me de ser portuguesa, orgulhando-me da sua História, da sua Cultura Culta (porque anda por aí uma cultura inculta a tentar impor-se, sob as asas de políticos pouco escrupulosos, de quem não tenho orgulho algum), e de todos os Autores Portugueses que souberam honrar a Língua Portuguesa, desde Dom Dinis até aos nossos dias.

 

Portugal é um país territorialmente pequeno, mas com uma alma grande, que gente ignara, d’aquém e d’além-mar, amesquinha insidiosamente, sem o mínimo Saber.

 

Contudo, um Povo [que se preze] deve celebrar os valores do seu País mais do que gritar ao mundo as suas desvirtudes. Estas devem ser redimidas na intimidade da sua auto-estima.

 

E porque tudo vale a pena se a alma não é pequena (citando Fernando Pessoa), este é o meu contributo no sentido de resgatar o bom-nome de Portugal [que anda por aí tão vilipendiado, na boca de quem não conhece as palavras].

 

Todos os povos têm virtudes e defeitos. Portugal não foge à regra. Contudo, o maior defeito do Povo Português é o de não acreditar nas suas virtudes, [aceitar ser governado por políticos estultos] e encolher-se perante os juízos menores que dele fazem os que desconhecem a grandeza do seu percurso histórico, e de como sempre conseguiu manter-se na corda bamba, sem nunca perder plenamente o equilíbrio.

 

E isso não é coisa pouca!

[Mas esses foram outros tempos, tempos em que a HONRA fazia Lei].

 

(O texto em itálico foi retirado da nota introdutória do meu livro «Dom João VI – Como um Príncipe Valente Enganou Napoleão e Salvou o Reino de Portugal e o Brasil», que pode ser consultado neste link:

https://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/contestacao-ao-livro-1808-de-laurentino-729191

 

***

 

Tempo segundo:

 

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Fernando Campos (Foto: Portal da Literatura)

 

É através do escritor Fernando Campos que celebrarei todos os Autores Portugueses, desde os clássicos, aos hodiernos, que souberam honrar Portugal, honrando a Língua Portuguesa, o nosso mais nobre   Património Cultural Imaterial, o único que nos identifica como Povo soberano.

 

Fernando Campos é um dos mais extraordinários autores portugueses, da minha predilecção. Ficcionista, cronista e investigador, Fernando da Silva Campos nasceu em 23 de Abril de 1924, em Águas Santas, no concelho da Maia (Porto), e faleceu em Lisboa, em 01 de Abril de 2017. A sua prosa é cristalina. É perfeita. é ímpar. Ler Fernando Campos é esquecer a realidade e entrar no mundo fabuloso das suas palavras e dos seus enredos.

 

De Fernando Campos, neste momento, estou a reler «A Rocha Branca», cujo âmbito cronológico da acção vai dos finais do século VII a. C. à primeira metade do século VI a. C., e no qual a poetisa Safo de Lesbos é a personagem principal. Um livro que recomendo não só pela sua beleza de escrita, como pela riqueza do conteúdo histórico.

 

Entretanto, seguindo a minha releitura, na página 47, deparei-me com o discurso de Pítaco, rei de Mitilene, que provocou o exílio de Safo, a conspiradora.

 

E não sei porquê (talvez os meus leitores possam dizer-me), encontrei neste discurso algo que me trouxe aos tempos de hoje. E pensei: o que mudou em todos estes séculos? Este discurso pode ser proferido por qualquer um dos nossos actuais governantes, ou pretendentes a sê-lo, ou poderia tê-lo dito António Oliveira Salazar.

 

Ontem, como hoje, tirania ou democracia? Eis o grande dilema, que me proponho reflectir com os meus leitores:

 

«(...)

Um dia Pítaco convoca os cidadãos para a ágora. (...) Ele avança três passos no patamar até à beira da escadaria, levanta a mão e fala:

 

– Cidadãos de Mitilene! A nossa liberdade está em perigo. Um grupo de conspiradores ousou urdir na sombra a morte do vosso rei e a perda da cidade. Vejo-me constrangido a expulsar de Lesbos todo esse bando de perigosos malfeitores. Alcei-me ditador para que não mais haja nesta terra ditadura. Não renegaremos os deuses, velaremos pela salvação da pátria e pela segurança de todos vós. É na tirania que se funda a verdadeira democracia. De que serve a soma de opiniões dos homens cultos, se, numa assembleia, as suas ideias divergem, tal como na taberna se entrechocam as dos ignorantes no calor do vinho e das paixões? Sim, dir-me-eis, é preciso educar o povo. É verdade. Mas, quando toda a gente possuir o dom da sabedoria, todos continuarão a opinar diversamente e a democracia corre o risco de ser sinónimo de anarquia...

 

Só sereis felizes se fordes governados por um rei absoluto. A causa de todos os males está na democracia, no governo da maioria. Quando o poder está na mão de um tirano, ele sabe que tem de satisfazer a muitos. Se muitos governam, não pensam senão em satisfazer-se a si próprios e surge então a mais hipócrita das tiranias, a tirania rebuçada de liberdade. Para obviar a esse perigo, cumpre pôr ordem nos tribunais, nas assembleias do povo, no exército, nas ruas, disciplina nas escolas, estabelecer normas de convivência. Criarei uma guarda pessoal que vigilará pela minha e vossa integridade, que o mesmo é dizer pela integridade do estado. Serão homens especialmente treinados. Ninguém conhecerá os seus rostos nem os seus nomes. Estarão em todo o lado, secretos, invisíveis, atentos e zelosos. Serão os meus olhos e ouvidos. Ide em paz. Sois livres de nada conceber e atentar contra o vosso rei e a vossa pátria...

 

- …se não… - rosna Antiménides no meio da multidão.»

 

in «A Rocha Branca», Fernando Campos (Editora Objectiva) – 1ª edição Outubro 2011

 

Obra literária de Fernando Campos, que recomendo vivamente:

 

A Casa do Pó (Prémio Literário Município de Lisboa) – (1986); Psiché – (1987); O Homem da Máquina de Escrever – (1987); O Pesadelo de dEus - (1990); A Esmeralda Partida (Prémio Eça de Queiroz da Câmara Municipal de Lisboa) - (1995); A Sala das Perguntas - (1998); Viagem ao Ponto de Fuga - (1999); A Ponte dos Suspiros - (2000); ...que o meu pé prende... - (2001); O Prisioneiro da Torre Velha - (2003); O Cavaleiro da Águia - (2005); O Lago Azul - (2007); A Loja das Duas Esquinas - (2009); A Rocha Branca - (2011); Ravengar - (2012)

 

***

 

Tempo Terceiro:

 

Luto pela Língua.png

 

Neste dia de celebração de Portugal, de Camões (o maior de todos os nossos Poetas, o qual cantou os feitos gloriosos dos Portugueses, imortalizando-os na sua genial obra «Os Lusíadas»), das Comunidades Portuguesas, mas também da nossa Língua Portuguesa, não podia deixar passar em branco o facto de o Povo Português estar de luto por ela, e ao mesmo tempo, existir tanta gente a lutar pela sua sobrevivência, entre o caos em que, entretanto, a lançaram.

 

Eu estou de luto pela nossa Língua, tão bela e quase morta! O que fizeram dela? O que fizeram com ela? Em nome de quê? Porquê? Nasceu nobre e europeia, num jardim antigo, à beira-mar plantado, e foi lapidada, como um diamante, por um saber profundo.

 

Foi levada por ventos e marés a todos os cantos do mundo. E em cada canto nasceu um novo falar, uma nova escrita. E de uma se fez muitas.

 

Espalhou-se pelo mundo, sem nunca deixar, contudo, de ser a Matriarca [de mater (Latim) + árkho (Grego) – as suas raízes], aquela que lidera, por ser a mais antiga, entre todas as outras que nasceram dela.

 

Porém, entretanto, vieram uns invasores estéreis, e feriram-na de morte, sem dó, nem piedade, nem sabedoria, e agora, agonizante, o nosso belo diamante aguarda um antídoto que possa devolvê-lo à vida e à beleza de antanho.

 

Daí que eu esteja de luto, mas, ao mesmo tempo, luto com todas as garras de fora para que esses invasores sejam escorraçados e vencidos, como tantos outros, ao longo da nossa História, já foram, e a Língua Portuguesa possa, então, renascer das cinzas, tal a bela Phoenix que sempre foi.

 

Ainda nos resta a esperança que, tal como a ave mítica, ainda que possa morrer queimada, renascerá sempre das próprias cinzas, se assim o desejarmos.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 10:13

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Domingo, 16 de Maio de 2021

Quando a Língua e a História de Portugal se cruzam com a Língua e com a História do Brasil o resultado não pode ser pior

 

Sempre foi assim, desde as minhas andanças por terras do Brasil.

 

A questão é: porquê ainda tem de ser assim, passados tantos anos?

 

Não há qualquer motivo, para que seja assim, mas sendo, e como quem não se sente, não é filho de boa gente, nem honra o País da sua origem, nunca deixei, nem deixo barato as falsidades e as afrontas à Cultura, à Língua e à História portuguesas.

 

E desta vez não foi diferente. Recebi dois comentários afrontosos, e o que fiz foi simplesmente defender a minha Bandeira – a Portuguesa.

Fiz mal?

Isabel A. Ferreira

 

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Carlos comentou o post Portugal e Brasil: dois países, duas línguas... às 11:00, 14/05/2021 :

 

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***

 

Carlos, vou ater-me, também de forma respeitosa, mas muito realista, apenas ao seu último parágrafo = trivial discurso de um brasileiro que se preza de o ser: «Só gostaria (ou gostava) de deixar uma dica, de forma respeitosa e sátira, em breve o Brasil vai colonizar Portugal que Portugal passará a se chamar "Brasil do Norte" e ainda falará o idioma "brasileiro de Portugal". Brincadeiras a parte, grande abraço e bom trabalho

 

Satírico ou não, brincadeiras à parte, ou não, o Carlos diz que gostaria (tempo futuro) ou gostava (tempo passado) de deixar uma dica, a dica que tantas vezes EU, nas minhas andanças pelo Brasil, num PASSADO, já bem passado, ouvi demasiadas vezes, para acreditar que num futuro, que já é PRESENTE, poderia acontecer: o de, um dia, Portugal poder ser colonizado pelo Brasil, a modos de vingança, por não se designar Inglaterra. O que ainda não se sabia era como o fazer.

 

Mas lá chegou um tempo em que os marxistas brasileiros, eivados de um ódio lunático por tudo o que fosse colonial, colonialismo e colonizadores, lembraram-se de estroncar a História comum aos dois países, pulverizando-a com asquerosas mentiras, que introduziram nas Escolas (que eu frequentei), começando aqui a vingança; e colonizar Portugal através da destruição da Língua Portuguesa, a qual Antônio Houais se apressou a deslusitanizar (o termo é dele).

 

Entretanto, o sonho da “Língua Brasileira”, preconizado por alguns intelectuais brasileiros, num passado distante, acordou do sono profundo em que estava mergulhado, quando uns tantos idiotas, entre pseudo-linguistas, políticos ignorantes e editores mercenários, engendraram e puseram em marcha o Acordo Ortográfico de 1990, pensando com isso que iriam “conquistar” Portugal, esquecendo-se que nem Napoleão Bonaparte, que fez três tentativas, o conseguiu. E o que os bravos Portugueses de antanho fizeram com os generais de Napoleão, os bravos Portugueses hodiernos continuarão (porque a acção já começou) a fazer com os novos candidatos a colonizadores.

 

E eis-nos chegados ao tal futuro, que já é presente, onde  se estrebucha para manter essa colonização de Portugal, através da Língua, que, por CONVENIÊNCIA, ainda se chama portuguesa, mas que os Brasileiros, logo que possam, mudarão para BRASILEIRA.



Todos sabemos que esse dia chegará, entretanto, Portugal libertar-se-á dos colonos brasileiros e deixá-los-á livres e felizes com a VARIANTE BRASILEIRA do idioma português, e a Língua Portuguesa regressará às sua origens, ao seu território ibérico, dure o tempo que durar esse regresso, porque nos corre nas veias o sangue dos nossos bravos antepassados, que nunca permitiram que nem Castelhanos, nem Franceses, nem Ingleses, usurpassem o pequeno (em território) País que nos deixou Dom Afonso Henriques.

 

Um grande abraço, também para si.

Isabel A. Ferreira

 

***

 

- - - - - respondeu ao seu comentário no post «Opinião sobre “Contestação do Livro “1808” de Laurentino Gomes” de autoria de Isabel A. Ferreira» às 10:02, 14/05/2021 :

 

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***

 

Gostaria de trocar ideias com quem tivesse um nome.

 

Não é o caso, ainda assim, vou responder, porque este comentário está eivado do ódio dos marxistas brasileiros, por tudo o que é colonial, colonialismo e colonizadores, então lembraram-se de estroncar a História comum aos dois países, pulverizando-a com asquerosas mentiras, como as que aqui relata, as quais introduziram nas Escolas brasileiras (que eu frequentei, por isso SEI), começando aqui a vingança, por Portugal não se designar Inglaterra.


Quando o Brasil se tornou independente, ficou INDEPENDENTE, e isto significa que os brasileiros poderiam ter acabado com a mentalidade colonizadora, mas não tiveram CAPACIDADE para o fazer. E a culpa NÃO É dos Portugueses hodiernos.

 

Seja quem for que está por traz deste comentário diz que é «extremamente contra julgar o passado através dos valores éticos e morais da actualidade, e não fez mais do que julgar esse passado à luz dos valores do tempo hodierno, ao dizer que é mais contra «quem não assume os erros cometidos no passado». Quais erros é que os Portugueses da actualidade cometeram, num passado que nem sequer viveram? Num passado em que todos os colonizadores colonizavam quase do mesmo modo, e digo quase, porque os Portugueses foram os menos agressivos.


De que INVASÃO do Brasil fala? Isso é linguagem de marxista IGNORANTE, porque os há com sabedoria.

 

O Brasil foi invadido por Holandeses, Franceses, Ingleses, mas NUNCA por Portugueses. Não sabia? Então fique a saber.

 

A história que vos contam nas mal-amanhadas escolas brasileiras é uma história de carochinha, muito eivada de uma ignorância da mais pura. Devia ter vergonha de envergonhar o Brasil com a sua desmedida ignorância.

 

O Brasil pós-independência foi afectado, sim, mas pela INCOMPETÊNCIA dos que não souberam aproveitar essa LIBERTAÇÃO, para se verem livres do jugo do colonizador. Em vez de aproveitarem a libertação, encolheram-se num complexo de colonizados, o complexo de inferioridade, o complexo de vira-lata (de que fala Nelson Rodrigues) que vos incapacitou de CRESCEREM como país e como povo. Agora querem pôr a culpa para os colonizadores? Olhem por vós abaixo. Vejam o que estão a fazer aos indígenas: invadem a terra deles, como se fossem os novos colonizadores, os verdadeiros INVASORES. Ao menos os portugueses nunca os expulsaram das suas terras. Os verdadeiros DONOS do Brasil são os indígenas. Os outros, vocês, vieram por acréscimo.

 

A sua insistência na INVASÃO do Brasil é demonstrativa de uma ignorância atroz. Quando os Portugueses chegaram às terras que depois baptizaram de Terras de Santa Cruz, o BRASIL NÃO EXISTIA. Nem o Brasil nem os brasileiros, que hoje atacam os indígenas e lhes querem tomar as terras, que são deles, por DIREITO. Isso não vos ensinam nas escolas? Mas deviam ensinar.

 

Nenhum português hodierno se enaltece por aquilo que eram os VALORES daquela época, e válidos para TODOS os outros povos colonizadores.

Nós ORGULHAMO-NOS pelo nosso feito de dar novos mundos ao mundo, não nos orgulhamos das barbaridades cometidas por TODOS os que colonizaram territórios nessa época: Ingleses, Holandeses, Franceses, Espanhóis (só estes EXTERMINARAM três civilizações avançadas, da época: a Inca, a Asteca e a Maia).


Olhe, vá estudar HISTÓRIA do Brasil nos livros escritos por HISTORIADORES, e não nos livros escritos por imbecis ignorantes, que não têm a mínima noção da infinitude da ignorância deles.

 

Só quando os brasileiros ignorantes (porque os há com saber) se dignarem estudar a HISTÓRIA tal como ela é, e não através da lupa fosca de marxistas ignorantes, talvez a relação Brasil/Portugal possa levar outro rumo.



Ah! E não se esqueçam: DEIXEM de INVADIR (aqui sim, o termo é este) os territórios dos INDÍGENAS BRASILEIROS, os verdadeiros donos desses territórios, dos quais os Portugueses nunca os expulsaram. Deixem os Indígenas em paz. Estamos no ano 2021 d. C., e não no ano de 2021 a. C.

 

E quando quiser comentar, sugiro que vá à certidão do seu nascimento, (se é que a tem) e veja o nome que lá consta, para o USAR com legitimidade, nos comentários.

 

E saiba que a sua falta de discernimento e saber, neste comentário, é um INSULTO ao Brasil e ao Povo Brasileiro INSTRUÍDO.


Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:22

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Terça-feira, 8 de Dezembro de 2020

Eleição presidencial: o que falta em Arte, no agir humano dos que nos (des)governam, sobra-lhes em Arteirice…

 

Não foi com surpresa, mas com uma enorme decepção, que ouvi, repetido até à exaustão, que Marcelo Rebelo de Sousa se recandidataria a mais cinco anos de mero faz-de-conta-que-faz, porque na realidade, o selfie man, desde 2015, que nada fez por Portugal, que mereça destaque.

 

Durante estes cinco anos, limitou-se a usar a sua pessoa, desde o seu primeiro dia como presidente da República Portuguesa, para alimentar o seu imenso ego, para se promover, numa prolongada e enfadonha campanha política, talvez já pensando na sua recandidatura.


Resultado: gastou a imagem, aparecendo, aparecendo, aparecendo… todos os dias, todos os dias, todos os dias… nas televisões, extrapolando as suas competências de Chefe de Estado, metendo-se em tudo e mais alguma coisa, excepto no que lhe não convém, não se apercebendo de que o que é demais é moléstia…

 

E este sentimento de decepção e de agastamento não é apenas meu. Penso que todos os portugueses, com capacidade de pensar, pensam como eu.

 

Aqui deixo uma pequena amostra dos comentários a uma publicação minha no Facebook, que dizem do pensar de muitos…

 

Fernando Paulo Baptista.png

Capture.PNG

 

Fernando

«Tem razão, cara lutadora Isabel A. Ferreira. Foi sempre muito carinhoso e bom a dar beijinhos e abraços, fala bem a Língua Brasileira, nunca fez nada contra o "Acordo Ortográfico, de 1990", nomeadamente para o ilegalizar, de acordo com a Norma Ortográfica em vigor e nomeadamente, com a Lei e a Constituição da República Portuguesa. Para além disso, já afirmou que, "Os portugueses têm de se convencer, de que o Brasil é que tem de gerir a política da Língua Portuguesa". Nunca votei nesse senhor nem nunca hei-de votar nele. Com todo o respeito, parece-me que este senhor é muito boa pessoa mas, vive e governa em Portugal, de certo modo, com o pensamento no Brasil

***

Manuel

«Triste personagem: por actos (não) praticados NÃO é o presidente de todos os portugueses, como se costuma dizer (embora não praticando). Subjectivamente (às vezes às claras), defende primeiro o seu ego e os interesses políticos e outros. A frase acima, sobre a Língua Portuguesa, mostra o Estadista que não cumpre o seu DEVER - imperdoável! E o pior é que a questão da Língua não é o único grande problema de que se agacha. Fico-me por aqui...»

***

Beth 

«Este ser, ou nem ser é o presidente de si próprio, um egocêntrico que gosta, só, de chamar a atenção sobre si próprio, nada mais havendo que não seja, a vaidade de ser.

Para isso, abraça, beija, afaga, se mostra e exibe sem se importar se os outros aceitem essas manifestações do adónis português que ocupa um super lugar de destaque.

E se não gosta que tenhamos esta perspectiva de imagem, desapareça ou mude de atitude, seja responsável e bom cumpridor das suas obrigações porque está a lesar todos os portugueses e a destruir a nação com o seu deixa andar.


***

E eu concordo em absoluto com estes meus amigos. Nestes últimos cinco anos, MRS nada fez por Portugal. Nada. Espero que o Povo se recorde disto, na hora de votar. O pior é que as alternativas não são as melhores. Prevejo uma elevadíssima abstenção, que vai privilegiar o CHEGA. Marcelo poderá até ganhar, mas será eleito por uma minoria, se formos descontar tudo o que há para descontar: abstenções, votos brancos, votos nulos e votos nos outros candidatos.

 

E não houve nenhum amigo que lhe dissesse para calçar as pantufas e deixar-se ficar em casa, porque faria muito mais por Portugal, estando caladinho e quietinho! Eu é que não sou amiga dele, se fosse, era o que lhe diria.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:14

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Sábado, 12 de Setembro de 2020

«Nos trinta anos da morte de David Carneiro, um dos raros historiadores brasileiros amigos de Portugal»

 

Um interessante texto publicado no Facebook por Arthur Virmond de Lacerda (professor universitário brasileiro, que me dá a honra de ser meu amigo)  e que nos faz este apelo:

 

«David Carneiro foi dos raros historiadores brasileiros amigos de Portugal (e cuja produção valeu-lhe a comenda da ordem do Infante D. Henrique). Edificou morada, em Curitiba, inspirada no Ramalhete, de Os Maias. Neste ano passam-se 30 de sua morte e gostaria de que ele fosse mais conhecido em Portugal.» 

 

O texto é muito esclarecedor, e penso que de leitura obrigatória, para se compreender muito do que por aqui também escrevo, sobre esta relação Brasil/Portugal, e que a maioria dos leitores preconceituosos não entendem.

 

Espero que entendam agora, com a publicação deste texto.

Obrigada, Arthur Virmond de Lacerda, por esta excelente lição.          

 

Isabel A. Ferreira

 

David Carneiro.jpg

David Carneiro1.jpg

 

Nos trinta anos da morte de David Carneiro.


Arthur Virmond de Lacerda Neto. 2020.


Em agosto de 2020 transcorreram 30 do traspasse de David Antonio da Silva Carneiro (1904 — 1990), o mais prolífico e conspícuo historiador paranaense.


David nasceu na rua Mateus Leme, na residência em que habitavam seus pais em 1904, no lado direito do atual Museu Alfredo Andersen. Criança, viveu na Vila Tranqüila, mansão de seus pais (sede do antigo Buffet do Batel e já demolida); jovem, morou em apartamento nos fundos dela, em que acomodou as primeiras peças de seu museu. Adulto, erigiu vivenda na rua Desembargador Mota e, em 1949, seu solar de número 1828 da rua Brigadeiro Franco, cuja fachada inspirou-se na descrição que Eça de Queiroz fez, em seu romance Os Maias, da casa Ramalhete, que remanesce e em cujo interior existe o (aliás, inexpressivo) Espaço Cultural David Carneiro, em que se expõem alguns de seus livros, fotografia sua em tamanho grande, mercadejam-se lembranças de Curitiba e que andou encerrado por anos a fio, até que desencadeei campanha nas redes sociais pela sua reabertura. David merece mais e melhor.


De 1918 a 1922 estudou no Colégio Militar de Barbacena e, seguidamente, no Colégio Militar do Rio de Janeiro, em que, graças a professores como Alfredo Severo dos Santos Pereira e Heitor Cajati, adeptos do Positivismo de Augusto Comte, conheceu-o e aderiu-lhe, em convicções que lhe foram vitalícias.


De volta ao torrão e ainda moço, de 1930 a 1932 (contava de 26 a 28 anos) presidiu ao Banco do Estado do Paraná.


Ele formou-se em engenharia civil pela Universidade do Paraná, em 1927, porém mal atuou como engenheiro. Dada a morte prematura de seu pai, no ano subseqüente (o coronel da Guarda Nacional também nomeado David Carneiro), assumiu a administração da Ervateira Americana, engenho de erva mate de enorme dimensão, que ocupava toda a largura da rua Brigadeiro Franco, entre as ruas Emiliano Perneta e Comendador Araújo, em Curitiba.


Não se graduou em história (sequer havia tal curso, ao tempo), porém foi historiador de avultada produção; octogenário foi admitido na Academia Brasileira de História. Também foi ensaísta (com ensaios dispersos em revistas), contista (de produção escassa, porém interessante e inédita). Não era mestre nem doutor — era douto, o que muitos doutores brasileiros não são. Repugnavam-lhe a mediocridade como padrão pessoa e a incultura como traço dos povos. Sua vida foi de aprendizado constante, por leituras em que era ávido: aspirava a saber sempre mais e sabia muito, dotado de vasta cultura, de que raros humanos são capazes.


Sua biblioteca de cerca de sete mil volumes (encadernados) foi vendida em alfarrabista de Curitiba, logo após seu decesso e dispersou-se. Teria sido meritório que a mantivessem intacta e com destinação social; não houve vontade política para tal (dispusesse eu de meios financeiros, tê-la-ia comprado, por inteiro, e aberto ao público).


Difundiu seu conhecimento por livros, ensaios, artigos que publicou em revistas várias e cursos que ministrou na Escola de Belas Artes do Paraná (Arquitetura Analítica), no departamento de Economia da UFPR (Evolução da Conjuntura Econômica), no de história da Universidade de Brasília (História do Brasil), na Escola Superior de Guerra; também no Chile e, várias vezes, nos EUA: em Nebraska, em 1961; na Ucla, da Califórnia, em 1966; na Universidade Harvard; já septuagenário, em 1975, em Ohio, do que produziu My sojourn in Ohio, acessível por via eletrônica paga.


Quando estudante, recebeu medalha de ouro no Colégio Militar do Rio de Janeiro; ao longo da vida foi agraciado com oito condecorações nacionais e metecas, de que três no grau de comendador: comendador David Carneiro, condição de que se não bazofiava. Preferia ser tratado por “professor”: professor David Carneiro.


No ambiente brasileiro, a lusofobia ou antiportuguesismo era e ainda inculcada nas escolas, por livros e lentes tendenciosos, e cultivado no meio universitário e intelectual. Culpa-se a formação portuguesa do Brasil pelos seus males presentes e pretéritos, embora da independência por diante os brasileiros houvessem se tornado responsáveis pelos destinos de seu país. Como bode expiatório, acusa-se a “herança colonial”, com que se dissimula a incapacidade de os brasileiros corrigirem o que julgam estar mal. A “herança colonial” é-o no que os brasileiros não a desejaram retificar. Autores como Salgado Freire, José Honório Rodrigues, Valfrido Piloto, Renato Janine Ribeiro, Júlio José Chiavenato, Laurentino Gomes encarnam os depreciadores do passado brasileiro; por outro lado, vultos respeitáveis da historiografia nacional atuaram sem o vezo lusófobo e até em defesa da formação portuguesa do Brasil, como David Carneiro, Gilberto Freyre, Manuel Bonfim, Tito Lívio Ferreira, Eduardo Metzer Leone, Rocha Pombo; hodiernamente João Paulo Garrido Pimenta.


Porque esquadrinhasse, no Brasil e em Portugal, a figura de Afonso Botelho de Sampaio e Sousa, construtor do Paraná em o século XVIII, David foi agraciado com a comenda portuguesa do Infante Dom Henrique, em 1963, quando publicara em fascículos a biografia daquele, que republicou em 1986 em livro.


Ao longo de 19 anos (nos anos de 1980 e 1990) manteve coluna diária na Gazeta do Povo, a Veterana Verba: crônica de atualidades, temas de história, assuntos vários, e também poesia: periodicamente publicava trios de sonetos. A totalidade da Veterana Verba é testemunho de época e fonte riquíssima de sabedoria e cultura, que merece publicação integral em coleção especial que se lhe dedique. Oxalá algum particular, amigo da cultura paranaense, ou os órgãos oficiais tomem tal iniciativa. Também deixou artigos dispersos em revistas várias (como a do Rotary Clube e a Revista Interamericana de Bibliografia, nos anos 1970 e 1980, de circulação internacional, em que resenhou livros).


Produziu cerca de 60 livros, com inéditos. Manteve aberta ao público, por décadas, a sua imensa coleção de objetos da história do Paraná e do Brasil, o Museu David Carneiro, adquirido, postumamente, pelo Museu Paranaense. Continha cerca de quatro miríades de peças (armaria, mobiliário, pinacoteca, vestuário, veneras, pianos, cristais, porcelanas e muito mais).


Construiu a Capela da Humanidade, pertencente ao Centro Positivista do Paraná, como positivista e humanista que era, adepto de Augusto Comte, entusiasta das virtudes da Humanidade, da cultura pessoal, do pacifismo, do valor da educação. Em sua condição de positivista, produziu a História geral da Humanidade através dos seus maiores tipos, em sete volumes (de extensão díspar, publicada de 1939 por diante), em que expõe a biografia de vultos selecionados do calendário histórico de Augusto Comte, com o respectivo contexto. É bela exposição de história e da participação de agentes decisivos do desenvolvimento humano, que bem merece nova edição.


Moço, recém-casado (nos anos 1920) dedicou-se a registrar o episódio da epopeia da Lapa, em sua célebre resistência de 1894: publicou O cerco da Lapa e seus heróis (1934; republicado pela Biblioteca do Exército, em 1991), Os fuzilamentos de 1894 no Paraná (1937), A revolução federalista no Paraná (1944, 1982), Rastros de sangue (romance; anos 1970), Gomes Carneiro e a consolidação da república (anos 1980).


Um de seus livros valeu-lhe processo judicial: História psicológica do Paraná, de 1934. Reputava A marcha do ateísmo (1936) sua obra-prima: nele expôs princípios do Positivismo (que perfilhou), bem assim nos Ensaios de interpretações morais. Traduziu o Testamento político de Richelieu, integrante da biblioteca positivista, acervo de livros de leitura recomendada por Augusto Comte (Atena,1955; reedição da Edipro, 1995).


Deixou inéditos Novos ensaios de interpretações morais e interessantes contos de fundo verídico, cujo manuscrito acha-se depositado no Museu Paranaense.


Tomou a iniciativa da construção do monumento a Benjamin Constant, inaugurado em 1940, na praça Tiradentes, após o malogro de junta oficial destinada a erigi-lo. David promoveu-lhe a execução, com fundos próprios. Quatro anos depois, por sua idealização e iniciativa, inaugurou-se (no cinquentenário do cerco da Lapa) o Panteon dos Heroes, monumento cívico em que jazem Gomes Carneiro, Joaquim Lacerda, Dulcídio Pereira, Amintas de Barros. Bastaria essa realização para assinalar-lhe o papel cívico.


A Escola Superior de Guerra (que cursou em 1956, no Rio de Janeiro) publicou-lhe súmula dos cursos que lá expendeu (1957), a editora Civilização Brasileira deu à luz o seu A vida gloriosa de José Bonifácio de Andrada e Silva (1977), a Universidade de Brasília publicou-lhe História da guerra cisplatina (1983), a coleção Farol do Saber (da prefeitura de Curitiba) republicou-lhe O Paraná na guerra do Paraguai (1995). O Museu Paranaense dispõe, em PDF, o texto de O drama da fazenda Fortaleza.


Graças a pesquisas pioneiras em arquivos ingleses, revelou o incidente da belonave inglesa Cormorant, que em 1850 tiroteou com a fortaleza de Paranaguá e suscitou a lei Eusébio de Queiroz, proibidora do comércio negreiro no Brasil. Neste domínio, publicou História do incidente Cormorant (1950).


Em comemoração ao centenário do Paraná (1954) publicou A História da História do Paraná, especialmente importante porque:


1) na sua primeira parte, constitui teoria da história: história como saber, em seus fins, métodos, fontes, critérios, domínio em que se serviu notadamente das doutrinas de Ortega y Gasset e de J. Shotwell. Trata-se de importante teorização, de valor universal, um dos pontos máximos da sua obra e que merece consideração em cursos de história, ciências sociais, sociologia.


2) na sua segunda parte, avalia o papel dos historiadores paranaenses e a respectiva contribuição. É a parte em que David Carneiro, com sua erudição ímpar e com seu excelso critério, julga o valor da obra de Afonso Botelho de Sampaio e Sousa, Ermelino de Leão, Francisco Negrão, Romário Martins e não só.

 

Não datilografava: manuscreveu todos os originais do quanto produziu. A Gazeta do Povo talvez conserve as miríades de laudas pautadas que lhe fornecia e em que ele redigia seus artigos da Veterana Verba. Se existirem, são relíquias por depositar-se no Arquivo Público ou no Museu Paranaense. Ele recortava os textos publicados de sua coluna e colava os retalhos em cadernos que mandava encadernar e que compõe coleção de algumas dezenas, conservados por seus descendentes. Também merecem ser doados para o Museu Paranaense.


A exploração do material pletórico da Veterana Verba ensejará novos estudos; sua publicação integral será serviço em prol da alta cultura paranaense e é dívida que o Paraná e os paranaenses têm para com uma de suas mais indiscutíveis superioridades. Caderno de contos (de fundo vero e interessantes, com personagens locais, dissimulados sob nomes fictícios) depositado no Museu Paranaense aguarda iniciativa de sua publicação. Também deixou várias dezenas de cadernos manuscritos de diários, manancial para estudiosos, pesquisadores e historiadores.


Berenice Mendes, em 1988, produziu documentário em curta metragem intitulada Memória de David, em que lhe gravou voz e imagens, em sua residência. Em 2012, Daiane Vaz Machado graduou-se como mestre em História da UFPR com dissertação sobre David, em que lhe registrou a ação e a vida; Maria Julieta Weber Córdova publicou Bento, Brasil e David (editora da UFPR) em que lhe estuda a contribuição (bem assim as de Bento Munhoz da Rocha Netto e Brasil Pinheiro Machado) na elaboração da identidade paranaense.


Empresário da cinematografia, com a Empresa Cinematográfica David Carneiro, construiu as primeiras salas de exibição confortáveis de Curitiba e nelas instalou os cinematógrafos Ópera (na alameda Luís Xavier), Arlequim (no largo Frederico Faria de Oliveira), Marajó e Guarani.


David Carneiro jaz no cemitério municipal de Curitiba, em tumba que lhe abriga a mulher e os filhos, encimada pelo aforismo de Augusto Comte: “Os vivos são governados pelos mortos”: as gerações influenciam umas às outras, o presente é produto do passado.


Gigantesco na sua cultura, imenso no seu legado cultural, é figura verdadeiramente egrégia do Paraná. Levou vida intensíssima, como a de raros, no sentido de aprender continuamente e trabalhar sempre e bastante, na produção intelectual que lhe foi modo de ser e de estar. Lembrem-se dele os paranaenses como um de seus mais ilustres coestaduanos, os brasileiros como um de seus mais egrégios valores e os homens como um de seus mais conspícuos exemplos.


TAREFAS DOS PARANAENSES, POR CUMPRIR: PUBLICAR A TOTALIDADE DA VETERANA VERBA E OS CONTOS DE DAVID CARNEIRO. Que se mobilizem particulares, órgãos oficiais, Imprensa Oficial, mecenas, família.»

 

Fonte:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=3365542953484758&set=pcb.3365540323485021&type=3&theater

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:59

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Quarta-feira, 26 de Agosto de 2020

Urge fazer regressar a Língua Portuguesa às suas raízes greco-latinas, para que ela possa renascer, antes que desapareça da face da Terra ...

 

... isto, em Portugal, obviamente, que é o que nos interessa.

 

Já há tanto tempo que se anda a dizer o que o Professor Hélio Alves escreveu recentemente, num artigo publicado no seu mural do Facebook, referenciado mais abaixo!

 

Mas NADA. Não acontece nada. Não se faz nada. Não se recua, para que possa haver evolução. É o mesmo que falar para paredes. Em São Bento e em Belém não existe gente. Só paredes. E as paredes não ouvem, não vêem, não falam. Daí o silêncio que rodeia a questão gravíssima da Língua Oficial de Portugal que, com o aval do Estado português, perdeu a sua dignidade de Língua, ao transformar-se, ortograficamente, num dialecto de si mesma.    


A quem nos devemos dirigir, para exigir que a Língua Portuguesa regresse às sua origens greco-latinas?

 

Em Portugal não haverá nenhuma entidade idónea, com PODER para anular um “acordo” que jamais foi acordo e só serviu para destruir a nossa Língua e, com ela, a nossa identidade?

 

Seremos assim tão desprovidos de Portugueses com Poder e ao mesmo tempo Competência (porque os há com Poder, mas sem competência, e os com Competência, mas sem Poder) para desfazer este “acordo” mal engendrado, que substituiu, maioritariamente, a grafia portuguesa pela grafia brasileira?

A quem podemos recorrer?

Isabel A. Ferreira

 

Hélio Alves.png

 

Por Hélio Alves

 

«O Acordo Ortográfico é muito simples» 

 

«Fico sempre surpreendido pela quantidade de coisas que a generalidade das pessoas não sabe acerca do chamado "acordo ortográfico de 1990". O erro é meu: a maioria das pessoas não tem tempo para se informar acerca dum assunto que, é bem de ver, os responsáveis sempre fizeram questão de não abrir ao conhecimento público. Além disso, sempre fizeram por enredar o assunto numa teia de complexidades jurídicas absurdas, técnica, aliás, conhecida para fazer passar, à socapa da população, atropelos directos à cidadania.


A questão do AO90 não é a única de ausência de democracia em Portugal, evidentemente. Mas é uma das mais gritantes. Por isso, não custa fixar alguns dos seus aspectos fundamentais, por muito que governo, imprensa e "mass media" façam por querer esquecê-los.


Eis aqui uma enumeração rápida de pontos a fixar por todos:


1- A aplicação do AO90 em Portugal é feita, única e exclusivamente, através duma Resolução do Conselho de Ministros (RCM) e não por uma Lei (ou Decreto-Lei). Isto quer dizer que a Lei ortográfica em vigor continua a ser a mesma que era antes da RCM.


2- A RCM aplica-se exclusivamente à administração pública da República Portuguesa. Isto quer dizer que nenhuma entidade privada é obrigada a cumprir a RCM. Por exemplo: a RTP, como entidade pública, deve cumpri-la, mas a SIC, a TVI e os restantes canais privados não estão obrigados a tal.


3- A RCM destina-se a aplicar em Portugal o chamado Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990, que é um tratado internacional de todos os países de língua oficial portuguesa (oito). No entanto, o acordo não foi cumprido até hoje. Por isso, conceberam-se estratagemas para o modificar, implementando-o mais rapidamente onde fosse considerado possível.


4- O mais importante desses estratagemas é o chamado Segundo Protocolo Modificativo, de 2004, que permitiu a implementação do AO90 desde que houvesse apenas 3 países a ratificá-lo. A ideia de unificar a ortografia de todos os países da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) tornou-se, portanto, uma ideia falsa.


5- O AO90 determina que algumas palavras possam ser escritas de mais do que uma maneira, respeitando as pronúncias diferentes de cada país. Por exemplo, segundo o AO90, pode escrever-se "recepção" ou "
receção" conforme o país subscritor. Assim, no Brasil deve escrever-se "recepção" porque os brasileiros articulam o P, ao contrário do que sucede entre os portugueses. E assim para algumas centenas de outros casos.

 

6- A grafia a que a RCM obriga é a versão exclusivamente portuguesa (e não brasileira ou outra) (*) dum acordo internacional que foi modificado para não abranger senão uma minoria dos países de língua portuguesa. E que essa grafia obriga as entidades públicas de Portugal mas não as privadas. E ainda que essa grafia não anulou a Lei ortográfica portuguesa de 1945, com as ligeiras alterações de 1970 - Lei que assim continua em vigor em 2020.

 

7- Conclusões. Quando se fala (em Portugal) em "seguir o acordo", fala-se de obedecer a uma RCM que não se aplica a privados, que não diz respeito a um tratado internacional (até hoje incumprido) e que nem de longe corresponde à ortografia usada em outros espaços da língua. Obedecer à RCM é falar também em não cumprir a Lei ortográfica que continua em vigor.


Epílogo. A actual versão oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Santos Silva é que o Governo português aguarda pacientemente que os países ratifiquem o AO90. Já lá vão 30 (trinta) anos... Como bem sabemos, a paciência do poder político português para com os outros países não tem tido correspondência na forma como tem tratado os cidadãos.


Advertência suplementar. Os cidadãos não têm de ter mais paciência com o poder político.

 

Fonte: https://www.facebook.com/helio.alves.7946/posts/3351186184901672

 

(*) Diz o Professor Hélio Alves: «A grafia a que a RCM obriga é a versão exclusivamente portuguesa (e não brasileira ou outra)». Esta parte não é bem assim. A RCM obriga à grafia brasileira, em 80% (mais por cento, menos por cento) dos vocábulos acordizados, ou seja, mutilados. O AO90 assentou (entre outras)  na Base IV do Formulário Ortográfico de 1943, que impõe: Consoantes mudas: extinção completa de quaisquer consoantes que não se proferissem, ressalvadas as palavras que tivessem variantes com letras pronunciadas ou não, adoptado unilateralmente no Brasil. Apenas uns poucos vocábulos e as suas variantes, escaparam à mutilação, porque no Brasil pronunciam-se os pês e os cês e, em Portugal, não. Exemplo: recePção (no Brasil), “receção” (em Portugal) -  uma invencionice à portuguesa, um mono ortográfico sem qualquer origem. E como este, os restantes que por aí andam a enxovalhar a Língua Portuguesa, como exceto (“eiscêtu”), aspeto (âspêtu”), perspetiva (p’ersp’tiva”) etc..


No Brasil, o AO90 apenas atingiu a acentuação e a hifenização. Em Portugal, além da acentuação e hifenização, atingiu todos os vocábulos com consoantes não pronunciadas, incluindo os que no Brasil se pronunciam, e nós não (como já referi), e que deu origem aos tais monos ortográficos. (Isabel A. Ferreira)

 

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:24

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Quarta-feira, 22 de Julho de 2020

Há muita coisa que importa saber sobre Portugal

 

Dados sobre Portugal

 

Há muita coisa que importa saber sobre Portugal. Uma delas, por exemplo, é o Tratado de Tordesilhas. Dividimos, com a Espanha, o mundo em duas partes; e nós ficamos com a melhor: o Brasil.

 

Portugal foi o primeiro país a abolir a pena de morte e um dos primeiros a abolir e combater a escravatura (muito antes dos EUA!) 

 

E querem destruir toda esta HISTÓRIA, para se tornarem uma coloniazinha da América do Sul?

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:52

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Em defesa da Língua Portuguesa, a autora deste Blogue não adopta o Acordo Ortográfico de 1990, devido a este ser inconstitucional, linguisticamente inconsistente, estruturalmente incongruente, para além de, comprovadamente, ser causa de uma crescente e perniciosa iliteracia em publicações oficiais e privadas, nas escolas, nos órgãos de comunicação social, na população em geral, e por estar a criar uma geração de analfabetos escolarizados e funcionais.

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