Sábado, 12 de Setembro de 2020

«Nos trinta anos da morte de David Carneiro, um dos raros historiadores brasileiros amigos de Portugal»

 

Um interessante texto publicado no Facebook por Arthur Virmond de Lacerda (professor universitário brasileiro, que me dá a honra de ser meu amigo)  e que nos faz este apelo:

 

«David Carneiro foi dos raros historiadores brasileiros amigos de Portugal (e cuja produção valeu-lhe a comenda da ordem do Infante D. Henrique). Edificou morada, em Curitiba, inspirada no Ramalhete, de Os Maias. Neste ano passam-se 30 de sua morte e gostaria de que ele fosse mais conhecido em Portugal.» 

 

O texto é muito esclarecedor, e penso que de leitura obrigatória, para se compreender muito do que por aqui também escrevo, sobre esta relação Brasil/Portugal, e que a maioria dos leitores preconceituosos não entendem.

 

Espero que entendam agora, com a publicação deste texto.

Obrigada, Arthur Virmond de Lacerda, por esta excelente lição.          

 

Isabel A. Ferreira

 

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David Carneiro1.jpg

 

Nos trinta anos da morte de David Carneiro.


Arthur Virmond de Lacerda Neto. 2020.


Em agosto de 2020 transcorreram 30 do traspasse de David Antonio da Silva Carneiro (1904 — 1990), o mais prolífico e conspícuo historiador paranaense.


David nasceu na rua Mateus Leme, na residência em que habitavam seus pais em 1904, no lado direito do atual Museu Alfredo Andersen. Criança, viveu na Vila Tranqüila, mansão de seus pais (sede do antigo Buffet do Batel e já demolida); jovem, morou em apartamento nos fundos dela, em que acomodou as primeiras peças de seu museu. Adulto, erigiu vivenda na rua Desembargador Mota e, em 1949, seu solar de número 1828 da rua Brigadeiro Franco, cuja fachada inspirou-se na descrição que Eça de Queiroz fez, em seu romance Os Maias, da casa Ramalhete, que remanesce e em cujo interior existe o (aliás, inexpressivo) Espaço Cultural David Carneiro, em que se expõem alguns de seus livros, fotografia sua em tamanho grande, mercadejam-se lembranças de Curitiba e que andou encerrado por anos a fio, até que desencadeei campanha nas redes sociais pela sua reabertura. David merece mais e melhor.


De 1918 a 1922 estudou no Colégio Militar de Barbacena e, seguidamente, no Colégio Militar do Rio de Janeiro, em que, graças a professores como Alfredo Severo dos Santos Pereira e Heitor Cajati, adeptos do Positivismo de Augusto Comte, conheceu-o e aderiu-lhe, em convicções que lhe foram vitalícias.


De volta ao torrão e ainda moço, de 1930 a 1932 (contava de 26 a 28 anos) presidiu ao Banco do Estado do Paraná.


Ele formou-se em engenharia civil pela Universidade do Paraná, em 1927, porém mal atuou como engenheiro. Dada a morte prematura de seu pai, no ano subseqüente (o coronel da Guarda Nacional também nomeado David Carneiro), assumiu a administração da Ervateira Americana, engenho de erva mate de enorme dimensão, que ocupava toda a largura da rua Brigadeiro Franco, entre as ruas Emiliano Perneta e Comendador Araújo, em Curitiba.


Não se graduou em história (sequer havia tal curso, ao tempo), porém foi historiador de avultada produção; octogenário foi admitido na Academia Brasileira de História. Também foi ensaísta (com ensaios dispersos em revistas), contista (de produção escassa, porém interessante e inédita). Não era mestre nem doutor — era douto, o que muitos doutores brasileiros não são. Repugnavam-lhe a mediocridade como padrão pessoa e a incultura como traço dos povos. Sua vida foi de aprendizado constante, por leituras em que era ávido: aspirava a saber sempre mais e sabia muito, dotado de vasta cultura, de que raros humanos são capazes.


Sua biblioteca de cerca de sete mil volumes (encadernados) foi vendida em alfarrabista de Curitiba, logo após seu decesso e dispersou-se. Teria sido meritório que a mantivessem intacta e com destinação social; não houve vontade política para tal (dispusesse eu de meios financeiros, tê-la-ia comprado, por inteiro, e aberto ao público).


Difundiu seu conhecimento por livros, ensaios, artigos que publicou em revistas várias e cursos que ministrou na Escola de Belas Artes do Paraná (Arquitetura Analítica), no departamento de Economia da UFPR (Evolução da Conjuntura Econômica), no de história da Universidade de Brasília (História do Brasil), na Escola Superior de Guerra; também no Chile e, várias vezes, nos EUA: em Nebraska, em 1961; na Ucla, da Califórnia, em 1966; na Universidade Harvard; já septuagenário, em 1975, em Ohio, do que produziu My sojourn in Ohio, acessível por via eletrônica paga.


Quando estudante, recebeu medalha de ouro no Colégio Militar do Rio de Janeiro; ao longo da vida foi agraciado com oito condecorações nacionais e metecas, de que três no grau de comendador: comendador David Carneiro, condição de que se não bazofiava. Preferia ser tratado por “professor”: professor David Carneiro.


No ambiente brasileiro, a lusofobia ou antiportuguesismo era e ainda inculcada nas escolas, por livros e lentes tendenciosos, e cultivado no meio universitário e intelectual. Culpa-se a formação portuguesa do Brasil pelos seus males presentes e pretéritos, embora da independência por diante os brasileiros houvessem se tornado responsáveis pelos destinos de seu país. Como bode expiatório, acusa-se a “herança colonial”, com que se dissimula a incapacidade de os brasileiros corrigirem o que julgam estar mal. A “herança colonial” é-o no que os brasileiros não a desejaram retificar. Autores como Salgado Freire, José Honório Rodrigues, Valfrido Piloto, Renato Janine Ribeiro, Júlio José Chiavenato, Laurentino Gomes encarnam os depreciadores do passado brasileiro; por outro lado, vultos respeitáveis da historiografia nacional atuaram sem o vezo lusófobo e até em defesa da formação portuguesa do Brasil, como David Carneiro, Gilberto Freyre, Manuel Bonfim, Tito Lívio Ferreira, Eduardo Metzer Leone, Rocha Pombo; hodiernamente João Paulo Garrido Pimenta.


Porque esquadrinhasse, no Brasil e em Portugal, a figura de Afonso Botelho de Sampaio e Sousa, construtor do Paraná em o século XVIII, David foi agraciado com a comenda portuguesa do Infante Dom Henrique, em 1963, quando publicara em fascículos a biografia daquele, que republicou em 1986 em livro.


Ao longo de 19 anos (nos anos de 1980 e 1990) manteve coluna diária na Gazeta do Povo, a Veterana Verba: crônica de atualidades, temas de história, assuntos vários, e também poesia: periodicamente publicava trios de sonetos. A totalidade da Veterana Verba é testemunho de época e fonte riquíssima de sabedoria e cultura, que merece publicação integral em coleção especial que se lhe dedique. Oxalá algum particular, amigo da cultura paranaense, ou os órgãos oficiais tomem tal iniciativa. Também deixou artigos dispersos em revistas várias (como a do Rotary Clube e a Revista Interamericana de Bibliografia, nos anos 1970 e 1980, de circulação internacional, em que resenhou livros).


Produziu cerca de 60 livros, com inéditos. Manteve aberta ao público, por décadas, a sua imensa coleção de objetos da história do Paraná e do Brasil, o Museu David Carneiro, adquirido, postumamente, pelo Museu Paranaense. Continha cerca de quatro miríades de peças (armaria, mobiliário, pinacoteca, vestuário, veneras, pianos, cristais, porcelanas e muito mais).


Construiu a Capela da Humanidade, pertencente ao Centro Positivista do Paraná, como positivista e humanista que era, adepto de Augusto Comte, entusiasta das virtudes da Humanidade, da cultura pessoal, do pacifismo, do valor da educação. Em sua condição de positivista, produziu a História geral da Humanidade através dos seus maiores tipos, em sete volumes (de extensão díspar, publicada de 1939 por diante), em que expõe a biografia de vultos selecionados do calendário histórico de Augusto Comte, com o respectivo contexto. É bela exposição de história e da participação de agentes decisivos do desenvolvimento humano, que bem merece nova edição.


Moço, recém-casado (nos anos 1920) dedicou-se a registrar o episódio da epopeia da Lapa, em sua célebre resistência de 1894: publicou O cerco da Lapa e seus heróis (1934; republicado pela Biblioteca do Exército, em 1991), Os fuzilamentos de 1894 no Paraná (1937), A revolução federalista no Paraná (1944, 1982), Rastros de sangue (romance; anos 1970), Gomes Carneiro e a consolidação da república (anos 1980).


Um de seus livros valeu-lhe processo judicial: História psicológica do Paraná, de 1934. Reputava A marcha do ateísmo (1936) sua obra-prima: nele expôs princípios do Positivismo (que perfilhou), bem assim nos Ensaios de interpretações morais. Traduziu o Testamento político de Richelieu, integrante da biblioteca positivista, acervo de livros de leitura recomendada por Augusto Comte (Atena,1955; reedição da Edipro, 1995).


Deixou inéditos Novos ensaios de interpretações morais e interessantes contos de fundo verídico, cujo manuscrito acha-se depositado no Museu Paranaense.


Tomou a iniciativa da construção do monumento a Benjamin Constant, inaugurado em 1940, na praça Tiradentes, após o malogro de junta oficial destinada a erigi-lo. David promoveu-lhe a execução, com fundos próprios. Quatro anos depois, por sua idealização e iniciativa, inaugurou-se (no cinquentenário do cerco da Lapa) o Panteon dos Heroes, monumento cívico em que jazem Gomes Carneiro, Joaquim Lacerda, Dulcídio Pereira, Amintas de Barros. Bastaria essa realização para assinalar-lhe o papel cívico.


A Escola Superior de Guerra (que cursou em 1956, no Rio de Janeiro) publicou-lhe súmula dos cursos que lá expendeu (1957), a editora Civilização Brasileira deu à luz o seu A vida gloriosa de José Bonifácio de Andrada e Silva (1977), a Universidade de Brasília publicou-lhe História da guerra cisplatina (1983), a coleção Farol do Saber (da prefeitura de Curitiba) republicou-lhe O Paraná na guerra do Paraguai (1995). O Museu Paranaense dispõe, em PDF, o texto de O drama da fazenda Fortaleza.


Graças a pesquisas pioneiras em arquivos ingleses, revelou o incidente da belonave inglesa Cormorant, que em 1850 tiroteou com a fortaleza de Paranaguá e suscitou a lei Eusébio de Queiroz, proibidora do comércio negreiro no Brasil. Neste domínio, publicou História do incidente Cormorant (1950).


Em comemoração ao centenário do Paraná (1954) publicou A História da História do Paraná, especialmente importante porque:


1) na sua primeira parte, constitui teoria da história: história como saber, em seus fins, métodos, fontes, critérios, domínio em que se serviu notadamente das doutrinas de Ortega y Gasset e de J. Shotwell. Trata-se de importante teorização, de valor universal, um dos pontos máximos da sua obra e que merece consideração em cursos de história, ciências sociais, sociologia.


2) na sua segunda parte, avalia o papel dos historiadores paranaenses e a respectiva contribuição. É a parte em que David Carneiro, com sua erudição ímpar e com seu excelso critério, julga o valor da obra de Afonso Botelho de Sampaio e Sousa, Ermelino de Leão, Francisco Negrão, Romário Martins e não só.

 

Não datilografava: manuscreveu todos os originais do quanto produziu. A Gazeta do Povo talvez conserve as miríades de laudas pautadas que lhe fornecia e em que ele redigia seus artigos da Veterana Verba. Se existirem, são relíquias por depositar-se no Arquivo Público ou no Museu Paranaense. Ele recortava os textos publicados de sua coluna e colava os retalhos em cadernos que mandava encadernar e que compõe coleção de algumas dezenas, conservados por seus descendentes. Também merecem ser doados para o Museu Paranaense.


A exploração do material pletórico da Veterana Verba ensejará novos estudos; sua publicação integral será serviço em prol da alta cultura paranaense e é dívida que o Paraná e os paranaenses têm para com uma de suas mais indiscutíveis superioridades. Caderno de contos (de fundo vero e interessantes, com personagens locais, dissimulados sob nomes fictícios) depositado no Museu Paranaense aguarda iniciativa de sua publicação. Também deixou várias dezenas de cadernos manuscritos de diários, manancial para estudiosos, pesquisadores e historiadores.


Berenice Mendes, em 1988, produziu documentário em curta metragem intitulada Memória de David, em que lhe gravou voz e imagens, em sua residência. Em 2012, Daiane Vaz Machado graduou-se como mestre em História da UFPR com dissertação sobre David, em que lhe registrou a ação e a vida; Maria Julieta Weber Córdova publicou Bento, Brasil e David (editora da UFPR) em que lhe estuda a contribuição (bem assim as de Bento Munhoz da Rocha Netto e Brasil Pinheiro Machado) na elaboração da identidade paranaense.


Empresário da cinematografia, com a Empresa Cinematográfica David Carneiro, construiu as primeiras salas de exibição confortáveis de Curitiba e nelas instalou os cinematógrafos Ópera (na alameda Luís Xavier), Arlequim (no largo Frederico Faria de Oliveira), Marajó e Guarani.


David Carneiro jaz no cemitério municipal de Curitiba, em tumba que lhe abriga a mulher e os filhos, encimada pelo aforismo de Augusto Comte: “Os vivos são governados pelos mortos”: as gerações influenciam umas às outras, o presente é produto do passado.


Gigantesco na sua cultura, imenso no seu legado cultural, é figura verdadeiramente egrégia do Paraná. Levou vida intensíssima, como a de raros, no sentido de aprender continuamente e trabalhar sempre e bastante, na produção intelectual que lhe foi modo de ser e de estar. Lembrem-se dele os paranaenses como um de seus mais ilustres coestaduanos, os brasileiros como um de seus mais egrégios valores e os homens como um de seus mais conspícuos exemplos.


TAREFAS DOS PARANAENSES, POR CUMPRIR: PUBLICAR A TOTALIDADE DA VETERANA VERBA E OS CONTOS DE DAVID CARNEIRO. Que se mobilizem particulares, órgãos oficiais, Imprensa Oficial, mecenas, família.»

 

Fonte:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=3365542953484758&set=pcb.3365540323485021&type=3&theater

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:59

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Quarta-feira, 26 de Agosto de 2020

Urge fazer regressar a Língua Portuguesa às suas raízes greco-latinas, para que ela possa renascer, antes que desapareça da face da Terra ...

 

... isto, em Portugal, obviamente, que é o que nos interessa.

 

Já há tanto tempo que se anda a dizer o que o Professor Hélio Alves escreveu recentemente, num artigo publicado no seu mural do Facebook, referenciado mais abaixo!

 

Mas NADA. Não acontece nada. Não se faz nada. Não se recua, para que possa haver evolução. É o mesmo que falar para paredes. Em São Bento e em Belém não existe gente. Só paredes. E as paredes não ouvem, não vêem, não falam. Daí o silêncio que rodeia a questão gravíssima da Língua Oficial de Portugal que, com o aval do Estado português, perdeu a sua dignidade de Língua, ao transformar-se, ortograficamente, num dialecto de si mesma.    


A quem nos devemos dirigir, para exigir que a Língua Portuguesa regresse às sua origens greco-latinas?

 

Em Portugal não haverá nenhuma entidade idónea, com PODER para anular um “acordo” que jamais foi acordo e só serviu para destruir a nossa Língua e, com ela, a nossa identidade?

 

Seremos assim tão desprovidos de Portugueses com Poder e ao mesmo tempo Competência (porque os há com Poder, mas sem competência, e os com Competência, mas sem Poder) para desfazer este “acordo” mal engendrado, que substituiu, maioritariamente, a grafia portuguesa pela grafia brasileira?

A quem podemos recorrer?

Isabel A. Ferreira

 

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Por Hélio Alves

 

«O Acordo Ortográfico é muito simples» 

 

«Fico sempre surpreendido pela quantidade de coisas que a generalidade das pessoas não sabe acerca do chamado "acordo ortográfico de 1990". O erro é meu: a maioria das pessoas não tem tempo para se informar acerca dum assunto que, é bem de ver, os responsáveis sempre fizeram questão de não abrir ao conhecimento público. Além disso, sempre fizeram por enredar o assunto numa teia de complexidades jurídicas absurdas, técnica, aliás, conhecida para fazer passar, à socapa da população, atropelos directos à cidadania.


A questão do AO90 não é a única de ausência de democracia em Portugal, evidentemente. Mas é uma das mais gritantes. Por isso, não custa fixar alguns dos seus aspectos fundamentais, por muito que governo, imprensa e "mass media" façam por querer esquecê-los.


Eis aqui uma enumeração rápida de pontos a fixar por todos:


1- A aplicação do AO90 em Portugal é feita, única e exclusivamente, através duma Resolução do Conselho de Ministros (RCM) e não por uma Lei (ou Decreto-Lei). Isto quer dizer que a Lei ortográfica em vigor continua a ser a mesma que era antes da RCM.


2- A RCM aplica-se exclusivamente à administração pública da República Portuguesa. Isto quer dizer que nenhuma entidade privada é obrigada a cumprir a RCM. Por exemplo: a RTP, como entidade pública, deve cumpri-la, mas a SIC, a TVI e os restantes canais privados não estão obrigados a tal.


3- A RCM destina-se a aplicar em Portugal o chamado Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990, que é um tratado internacional de todos os países de língua oficial portuguesa (oito). No entanto, o acordo não foi cumprido até hoje. Por isso, conceberam-se estratagemas para o modificar, implementando-o mais rapidamente onde fosse considerado possível.


4- O mais importante desses estratagemas é o chamado Segundo Protocolo Modificativo, de 2004, que permitiu a implementação do AO90 desde que houvesse apenas 3 países a ratificá-lo. A ideia de unificar a ortografia de todos os países da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) tornou-se, portanto, uma ideia falsa.


5- O AO90 determina que algumas palavras possam ser escritas de mais do que uma maneira, respeitando as pronúncias diferentes de cada país. Por exemplo, segundo o AO90, pode escrever-se "recepção" ou "
receção" conforme o país subscritor. Assim, no Brasil deve escrever-se "recepção" porque os brasileiros articulam o P, ao contrário do que sucede entre os portugueses. E assim para algumas centenas de outros casos.

 

6- A grafia a que a RCM obriga é a versão exclusivamente portuguesa (e não brasileira ou outra) (*) dum acordo internacional que foi modificado para não abranger senão uma minoria dos países de língua portuguesa. E que essa grafia obriga as entidades públicas de Portugal mas não as privadas. E ainda que essa grafia não anulou a Lei ortográfica portuguesa de 1945, com as ligeiras alterações de 1970 - Lei que assim continua em vigor em 2020.

 

7- Conclusões. Quando se fala (em Portugal) em "seguir o acordo", fala-se de obedecer a uma RCM que não se aplica a privados, que não diz respeito a um tratado internacional (até hoje incumprido) e que nem de longe corresponde à ortografia usada em outros espaços da língua. Obedecer à RCM é falar também em não cumprir a Lei ortográfica que continua em vigor.


Epílogo. A actual versão oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Santos Silva é que o Governo português aguarda pacientemente que os países ratifiquem o AO90. Já lá vão 30 (trinta) anos... Como bem sabemos, a paciência do poder político português para com os outros países não tem tido correspondência na forma como tem tratado os cidadãos.


Advertência suplementar. Os cidadãos não têm de ter mais paciência com o poder político.

 

Fonte: https://www.facebook.com/helio.alves.7946/posts/3351186184901672

 

(*) Diz o Professor Hélio Alves: «A grafia a que a RCM obriga é a versão exclusivamente portuguesa (e não brasileira ou outra)». Esta parte não é bem assim. A RCM obriga à grafia brasileira, em 80% (mais por cento, menos por cento) dos vocábulos acordizados, ou seja, mutilados. O AO90 assentou (entre outras)  na Base IV do Formulário Ortográfico de 1943, que impõe: Consoantes mudas: extinção completa de quaisquer consoantes que não se proferissem, ressalvadas as palavras que tivessem variantes com letras pronunciadas ou não, adoptado unilateralmente no Brasil. Apenas uns poucos vocábulos e as suas variantes, escaparam à mutilação, porque no Brasil pronunciam-se os pês e os cês e, em Portugal, não. Exemplo: recePção (no Brasil), “receção” (em Portugal) -  uma invencionice à portuguesa, um mono ortográfico sem qualquer origem. E como este, os restantes que por aí andam a enxovalhar a Língua Portuguesa, como exceto (“eiscêtu”), aspeto (âspêtu”), perspetiva (p’ersp’tiva”) etc..


No Brasil, o AO90 apenas atingiu a acentuação e a hifenização. Em Portugal, além da acentuação e hifenização, atingiu todos os vocábulos com consoantes não pronunciadas, incluindo os que no Brasil se pronunciam, e nós não (como já referi), e que deu origem aos tais monos ortográficos. (Isabel A. Ferreira)

 

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:24

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Quarta-feira, 22 de Julho de 2020

Há muita coisa que importa saber sobre Portugal

 

Dados sobre Portugal

 

Há muita coisa que importa saber sobre Portugal. Uma delas, por exemplo, é o Tratado de Tordesilhas. Dividimos, com a Espanha, o mundo em duas partes; e nós ficamos com a melhor: o Brasil.

 

Portugal foi o primeiro país a abolir a pena de morte e um dos primeiros a abolir e combater a escravatura (muito antes dos EUA!) 

 

E querem destruir toda esta HISTÓRIA, para se tornarem uma coloniazinha da América do Sul?

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:52

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Sexta-feira, 12 de Junho de 2020

O Padre António Vieira, erguendo a sua voz contra os colonos europeus, dedicou a sua vida aos escravos, negros e indígenas brasileiros

 

Mas a ignorância é a mãe da estupidez. Sempre foi, em tudo.

 

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Quem, ontem, vandalizou a estátua do Padre António Vieira, erguida no Largo Trindade Coelho (Bairro Alto - Lisboa), além de vândalo(s) é (são) ignorante(s) ao mais alto grau.

 

É no que dá os governos menosprezarem o ESTUDO DA HISTÓRIA, que querem apagar, por motivos dos mais estúpidos, até porque a Humanidade tem uma História, e goste-se ou não das barbaridades que se cometeram, em nome dos homens ou em nome dos deuses, elas existiram, e têm de ser recordadas para que as gerações futuras não as repitam, se bem que haja quem não consiga aprender o mínimo dos mínimos.  

 

E uma coisa é erguer-se estátuas a indivíduos que na sua época foram “heróis”, outra coisa é perpetuar a memória dos actos que esses "heróis" cometeram contra a Humanidade, e isso faz-se através do estudo da História, sem a apagar e não a lendo à luz dos valores do século XXI d. C. Num futuro muito longínquo, isto é, se houver futuro,  talvez os "heróis" do nosso tempo também sejam desconsiderados e anulados pelos crimes cometidos contra os seres humanos, contra os seres não-humanos e contra o Planeta.

 

Não foi o caso do Padre António Vieira, que ergueu a sua voz contra os colonos europeus, e dedicou a sua vida aos escravos, aos negros e aos indígenas brasileiros.

 

E a National Geographic, num texto escrito em Bom Português, dá-nos uma pequena lição de História, acerca do padre António Vieira, que qualquer um, que esteja interessado, pode aprofundar com a ajuda de uma Enciclopédia.

 

Espero que os nossos governantes tenham aprendido alguma coisa, com este triste episódio, e tratem de incluir, no currículo escolar, o estudo da História, e não apenas pedaços da História, que mais convêm a quem não tem uma visão global da Humanidade e do seu percurso, para que possamos ter um futuro livre de um vírus chamado estupidez, que anda a atacar países como os EUA e o Reino Unido e, ao que parece, Portugal também.

 

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«Padre António Vieira, defensor dos Índios»

 

A descoberta do Brasil provocou o choque entre duas culturas em diferentes estados de evolução. Entre conquistadores e conquistados, a voz do padre António Vieira ergueu-se contra os abusos dos colonos europeus.

 

Nasceu em Lisboa em 1608 e viajou muito novo com a família para São Salvador da Bahia.

 

Com 15 anos, iniciou o noviciado na Companhia de Jesus e, aos 26, foi ordenado sacerdote. Na hora de fazer os votos, Vieira terá acrescentado um quarto voto especial: o de dedicar a sua vida aos escravos, negros e índios do Brasil.

 

Com a Restauração, viajou para Lisboa e permaneceu na Europa durante os 11 anos seguintes. Tornou-se Pregador de Sua Majestade, confidente e amigo pessoal de Dom João IV, e os seus sermões cedo causaram sensação na capital. Em Novembro de 1652, o padre António Vieira trocou a vida cortesã da Europa pelas paragens remotas da selva amazónica, onde viu a oportunidade de realizar a sua verdadeira vocação num território que via os escravos, os índios e os negros como a sua principal riqueza.

 

Nove anos depois, o conflito com os colonos atingiu um ponto insustentável. Vieira foi expulso com os jesuítas do Maranhão e embarcado à força para Lisboa. Os índios perdiam um dos seus mais fervorosos defensores.»

 

Fonte:

https://nationalgeographic.sapo.pt/historia/actualidade/1719-padre-antonio-vieira-defensor-dos-indios?fbclid=IwAR3R6tNQOWU9_ZcaWoK8zCjsABrpyYgBv4H6D5X4vQ-OPbgGhKd3EV4VMtM

 

***

«Repondo alguns factos históricos:

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Sinceramente, até desconfio que quem vandalizou a estátua do Padre António Vieira, em Lisboa, foram os neonazis do "Bosta!" para incendiar os ânimos (uma técnica típica neonazi...); mas, seja como for, é importante repor aqui os factos históricos.



António Vieira foi um pensador muito avançado para o seu tempo. Não era um colonialista, até foi expulso do Brasil por se opor aos colonos, ao modo como escravizavam e oprimiam os ameríndios e os africanos, e pregou e escreveu copiosamente contra a escravatura. Foi também perseguido pela Inquisição por ter uma visão de síntese espiritual inclusiva e multicultural que se opunha ao anti-semitismo e anti-islamismo do 'santo ofício' português.


Em suma, se há uma figura histórica portuguesa que em absoluto não merece o rótulo de colonialista e esclavagista é precisamente o Padre Vieira.


É preciso afirmar aqui que, se fosse vivo, António Vieira, homem vertical e corajoso, estaria pregando e escrevendo contra o fascismo, o nacionalismo, o racismo e o monoculturalismo do extremismo ideológico.


Portanto, os neofascistas nacionalistas que tenham o pudor de não instrumentalizar essa figura que se situa nos antípodas da sua miserável visão fanática monocultura racista.



E os activistas anti-racistas que aprendam História, e canalizem a sua energia para o futuro, apreendendo as lições da História que nos diz que quem gosta de apagar, decapitar e vandalizar vestígios do passado são precisamente os fascistas... Não é através do niilismo destruidor que algo de evoluído e benéfico poderá ser construído. Os fins não justificam os meios; os meios devem já em si prefigurar os fins que desejam.



Ainda umas palavras sobre o derrube e decapitação de estátuas em vários países na esteira de 'protestos' ‘anti-racistas’.

O passado não pode, ou deve, ser apagado, seus aspectos negativos devem ser ultrapassados aqui e agora dentro do Espírito humano, criativamente e construtivamente sublimados e transmutados, apreendendo as suas lições, e evoluindo através delas.

A História é o longo percurso de aprendizagem da espécie humana, percurso feito de muitos erros e horrores, mas um caminho que também possibilitou que paulatinamente ideias luminosas como os direitos humanos, a democracia, o multiculturalismo, o universalismo, o anti-racismo, a inclusão, pudessem expandir-se e enraizar-se. Não deitemos fora o bebé com a água suja do banho!

Viva o exemplo espiritualista luminoso do Padre António Vieira! Abaixo todos os extremismos! Todos os fascismos (que existem em ambos os extremos ideológicos)!
Paz e Unidade!

Miguel Santos»

 

Fonte:

https://www.facebook.com/MiguelSantosescritor/photos/a.617760231734790/1540741862769951/?type=3&theater

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:21

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Segunda-feira, 8 de Junho de 2020

O “Dia 10 de Junho” já foi um dia de orgulho para Portugal. Hoje, nem por isso – O dia foi desvirtuado…

 

O "10 de Junho" de 2020 vai ser recordado (não celebrado) no Mosteiro dos Jerónimos, apenas com oito presenças: presidente da República, presidente da Assembleia da República, primeiro-ministro; presidentes do Tribunal Constitucional, do STJ, do STA e do Tribunal de Contas; e o Cardeal Tolentino de Mendonça.

 

E Marcelo Rebelo de Sousa explica: «O 10 de Junho será como achei que deveria ser o 25 de Abril e o 1.º de Maio”.

 

Será? Eu faço outra leitura desta “celebração” minguada.  

Vejamos.

 

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No 10 de Junho (data da morte de Luís Vaz de Camões, em 1580) celebra-se (ou devo dizer celebrava-se?) o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, mas também o Dia da Língua Portuguesa, da nossa Língua Mãe, da original, da europeia – a Língua de Camões - que transferiram para 5 de Maio, para ser o Dia (Mundial) da Língua Portuguesa, começando logo aqui o desvirtuamento desta lembrança.

 

O que os Portugueses celebravam (não celebram mais) no 10 de Junho era um Portugal que está a perder (se é que já não perdeu) a sua identidade linguística e cultural, ao alienar o seu mais precioso Património Cultural Imaterial - a sua Língua Portuguesa - porque uma Língua também é a sua ortografia, e esta anda por aí mutilada, esfarrapada, depauperada, afastada das suas origens indo-europeias, transformada no dialecto (=variante) de uma ex-colónia (Brasil). O que anda por aí mal escrita e mal falada já não é a nobre e celebrada “Língua de Camões”, mas tão-só uma mixórdia ortográfica e verbal, de que milhares de Portugueses, dentro e fora de Portugal (nas tais Comunidades Portuguesas), se envergonham.

 

Ó Tágides minhas, que me inspirais estas palavras, dizei-me o que há para celebrar neste dia 10 de Junho, no Mosteiro dos Jerónimos, onde descansam os imortais poetas Luís Vaz de Camões, Alexandre Herculano e Fernando Pessoa, que souberam honrar Portugal, espalhando a glória dos seus feitos e da sua Poesia, por esse mundo onde os Portugueses se abancaram?

 

Ó Tágides minhas, dizei-me que espécie de homens são estes, que entrarão no Templo e, diante dos túmulos destes imortais, soltarão ao vento vãs palavras, eivadas de vil hipocrisia, quando dos seus actos fazem atos, sem qualquer sentido, desonrando, desta forma, a memória de quem dignificou Portugal, com feitos valorosos.  

 

O 10 de Junho já não é o Dia de Portugal, mas de um País cujos governantes o venderam por trinta dinheiros.

 

 O 10 de Junho já não é o Dia de Camões, pois para o ser, os que vão aos Jerónimos não deviam fazer-de-conta que o celebram, pois se só o desonram, ao desonrarem a Língua que ele representa, e sabemos como o presidente da República de Portugal, a desonra, na sua página oficial!  



O 10 de Junho já não é o Dia das Comunidades Portuguesas, porque a identidade portuguesa está a desmoronar-se como um castelo de areia, construído junto à língua das ondas, na orla das águas, das praias do Oceano Atlântico…

 

O 10 de Junho já não é o Dia da Língua de Camões, porque essa está a aguardar que a libertem dos calabouços do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal, onde a mantêm impiedosamente cativa.

 

E é essa Língua Cativa, que me mantém activa, por isso,  celebro-a, todos os dias, neste Lugar, onde a Língua Portuguesa chora e clama para que a libertem, e o 10 de Junho possa ser celebrado com a dignidade que merece.

 

CAMÕES.png

Belíssimo poema de Camões, eternizado por um outro imortal português, Zeca Afonso, nesta belíssima balada.

 

 

Esta é a NOSSA CULTURA, a que devia ser celebrada, no 10 de Junho. Não a queiram esmagar.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:47

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Terça-feira, 5 de Maio de 2020

«É a nossa aversão à cultura, o baixo índice de sentido crítico, bem como a total falta de desejo de defesa e preservação do nosso Património Linguístico que ajudam a manter o AO90»

 

Hoje, dia 05 de Maio, o primeiro dia em que por aí dizem “celebrar” o dia mundial da (deturpada) língua portuguesa (não, a nossa Língua Portuguesa) trago à liça este poderoso texto do Professor António Vieira, que faz uma análise nua e crua, numa linguagem apropriada à mediocridade, subserviência e tiques de “rastejamento” inerentes ao uso e abuso de um acordo desacordado, sobre o qual o ministro Augusto Santos Silva (o pretenso dono da língua) disse esta coisa inaceitável: «Se quisesse, o Governo podia denunciar o acordo ortográfico – mas não quer», como se a Língua Portuguesa fosse pertença do Governo e possa andar por aí aos rebolões, segundo o querer ou o não-querer de suas “excelências”. Isto tem um nome: ditadura

 

Hoje, mais do que nunca, temos todos os motivos para estarmos de luto pela nossa Língua Portuguesa, que anda por aí desenraizada, despojada da sua beleza, apenas porque uns pouco esclarecidos políticos, impregnados de um colossal complexo de inferioridade, entre outros que tais estados psicológicos, assim o querem.

Hoje, nada há, portanto, a celebrar. Muito pelo contrário: há a lamentar que Portugal tivesse vendido a sua preciosa Língua, e ande agora por aí a celebrar os farrapos que dela restam.    

Isabel A. Ferreira

Por isso, hoje:

 

Luto pela Língua Portuguesa.png

 

«É a nossa aversão à cultura, o baixo índice de sentido crítico, bem como a total falta de desejo de defesa e preservação do nosso Património Linguístico que ajudam a manter o AO90»

 

Por António Vieira *

 

Uma mentira dá a volta ao mundo antes que a verdade tenha tempo de vestir as calças” (Sir Winston Churchill: Estadista Britânico; 1874-1965. Premio Nobel da Literatura ,1953)

 

«Este texto está a ser elaborado a fim de algumas confusões, que me acodem à mente, serem deslindadas. A argumentação jurídica que contesta a legalidade/constitucionalidade do (dito) AO90 está por demais desenvolvida, de tão “martelada” que tem vindo a ser. Na última edição da página da ILCAO o parecer do Prof. Francisco Ferreira de Almeida (Docente de Direito Constitucional da Universidade de Coimbra) é por demais esclarecedor quanto aos atropelos de ordem jurídica que estiveram por detrás da “legalização” daquela aberração.

 

Todo o emaranhado de Protocolos, Protocolos modificativos ratificações / não-ratificações, manobras dilatórias de toda a espécie, que fazem com que somente Portugal, Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe estejam actualmente vinculados (e ainda com a ressalva de Cabo Verde estar para proclamar o crioulo como Língua Pátria, relegando o Português para um plano secundário) mantendo-se de fora os restantes da C.P.L.P. prova que todo este processo se desenrolou sob o signo da pressa, da sofreguidão, do sigilo (para aproveitar a quem???) , da camuflagem, do secretismo.

 

Quando, num momento decisivo, dos 27 membros da Academia das Ciências de Lisboa - que é a Instituição que detém um modelo de jurisdição legal (que eu não posso especificar com pormenor, mas tenho a certeza de que usufrui do mesmo) sobre a Língua Portuguesa - 25 se assumiram contra a entrada em vigor do AO90, quando em determinado momento (é só consultar os artigos do Prof. de Direito Ivo Barroso para saber a data precisa) o já falecido Casteleiro e o canarinho-libanês Houaiss (que também já sumiu do mapa) “cozinharam” à PORTA FECHADA (?!!) o documento de entrada em vigor da aberração, então fácil é de concluir que todo este processo não passa de uma trama totalmente obscura, delineada com o fim de servir propósitos tudo menos claros. Para quem afirmar que Portugal é um Estado de Direito (??) então essa pessoa poderá decerto candidatar-se ao Nobel da Química, em virtude de ter pretensões de conseguir realizar a combinação molecular da água com o azeite!

 

Mas, já agora, um pormenor importante que me veio à ideia: aludindo à alegada intenção de proceder à uniformização da Língua Portuguesa, que presidiu à ideia-base da aberração, alguém ACREDITA que terá sido essa efectivamente a ideia-mestra de todo este enredo, alguém ACREDITA que foi esse o mote decisivo? Eu, pessoalmente, na minha muito modesta opinião, enquanto Cidadão-utente da Língua Portuguesa, não acredito. Porque, pergunto: alguém acredita que um Filólogo, Professor Catedrático de Linguística, Filologia, desde logo, e mais do que ninguém, e alegadamente um profundo conhecedor da génese etimológica, léxica, gramatical de todos os idiomas/variantes do Português elaborada em três Continentes, venha preconizar um “acordo unificador” (?) do Português, ainda para mais quando diversos Acordos precedentes nunca o conseguiram?

 

 Alguma vez alguém minimamente conhecedor da variante brasileira (e não vamos, para já, mais longe) poderia HONESTAMENTE alvitrar que algum dia um Brasileiro iria modificar a sua grafia (e já nem sequer me refiro à fonética !) por forma a “aproximá-la” do Português Europeu, como por exemplo, e só para citar alguns casos avulso [a variante brasileira vai a negrito] : António / Antônio; “receção”(!) / recepção; amnistia / anistia; húmido / úmido; hidroeléctrica /hidreléctrica; fábrica / usina; câmara municipal / prefeitura; presidente  de câmara municipal / prefeito; notário / tabelião; procurador / julgado de paz; autocarro / ónibus; ”Trolleybus” / ônibus eléctrico; carro eléctrico (sobre carris) / bonde, bondinho; castanho / marrom; planalto / platô; guarda-redes/ goleiro; golo / gol; selecção de futebol / escrete; equipa / time; desporto / exporte; lotaria / loteria; fazer amor / transar; ”snob”/esnobe; “bluff” / blefe; “scanning” / escanear; boleia de carro / carona;  camião / caminhão; aterrar /  aterragem; aterrissar/ aterrissagem; esquadra da polícia/ delegacia; comboio / trem; indemnização / indemnização; papa de pequeno almoço / mingau; fato / terno; Finanças Públicas / Fazenda Federal; Taça (de futebol) / copa; via urbana pedonal / calçadão; “paneleiro” (designação pejorativa para homossexual) / “bicha”; “corno”, “cornudo” (ambas designações pejorativas para “homem traído pela mulher” / “veado”; chulo - proxeneta (ou “azeiteiro”, numa designação típica do Porto) / “coronel”- cáften, cafetão;  betão / concreto (adaptação do inglês “concrete”); peça de uso manual utilizada em experiências (biológicas, ornitológicas, botânicas) / puçá; bandido / marginal - cafajeste; planear – planeamento / planejarplanejamento; contratar / engajar (adaptação do francês “engager”); esboço de desenho / esquisso (adaptado do inglês “sketch”); confusão / bagunça (também já se vai disseminando entre nós); capa de revista ou jornal / manchete; “pull-over” / suéter (adaptação do Inglês “sweater”); diploma do ensino secundário / madureza (!) ginasia; aluguer / aluguel; sumo (de frutos) / suco (também vem sendo usado entre nós); criador de porcos / porcadeiro; voo em picada de avião de combate / piquê; polaco / polonês; perito / experto (adaptação do Inglês “expert”); conserva de carne / viandada; gerir - gestão / gerenciar - gerenciamento; “que bom!” “ena!” (expressões de admiração e de contentamento”) / “ôba”(!); enganar / tapear; cortejar / paquerar; (expressão de procura-pesquisa de algo: “onde está o meu lápis?“/ “cadê meu lápis?”; gelado / sorvete; atendedor de balcão-paquete de hotel / garçom; empregada comercial – atendedora / garçonete (designação por vezes também utilizada por brasileiras emigrantes como um expediente para dissimular o recurso (à dita) “profissão mais velha do mundo”; tolice - fantasia - enredo / bobagem; “claque” de futebol / torcida; coligação / coalizão; grade de plástico / engradado; aquela pessoa, indivíduo / aquele “cara”; súbdito / súdito; “traseiro” de mulher (expressão jocosa de cariz libidinoso, conquanto não seja vernáculo) / “bunda”; “poupança”, “stock”- armazenamento / estoque, formação de “stock” / estocagem; utilizador  / usuário; mala - carteira de mão / valise; casaco curto / paletó; quotidiano / cotidiano; despoletar / espoletar; acto de bruxaria com intenção de dolo / macumba (já vai sendo aos poucos utilizado entre nós); etc., etc., etc., e, retomando, em tantos exemplos que se poderiam aqui trazer à colação?

 

 Ou seja, que “convergência” gráfica e lexical poderia alguma vez vir a ser almejada, quando se citam estes exemplos, como de resto muitíssimos outros poderiam ser, de igual modo, arrolados? E se os Países africanos falantes do Português vão enriquecendo o mesmo com termos oriundos dos seus idiomas nativos, o que até é bem saudável, como raio se pode pretender falar em V.O.C. (Vocabulário Ortográfico Comum)?! mas por alma de quem?

 

 Agora, a QUESTÃO PRINCIPAL: parece ser por demais evidente que seria impensável, pretender que “cientistas”(?) da Língua, peritos em Etimologia, Filologia, Lexicologia, nomeadamente, desconheçam estes dados que mencionei (assim como outros, mas muito mais do que eu, até porque a minha Formação universitária não está relacionada com Línguas (sou sociólogo). Contudo, atenção: a alusão aos vocábulos específicos dos dois países falantes do Português (Portugal / Brasil) que acabei de fazer nada tem de tom crítico (ou somente opinativo, de forma alguma) ao que os habitantes do grande País-Irmão utilizam no seu dia-a-dia, tanto em temos gráficos como fonéticos.

 

 A este quadro de diferenças pode acrescentar-se um dado assaz curioso que é a criação de nomes próprios derivados de uma espécie de “simbiose linguística anglo-brasileira”, assente no uso do sufixo inglês “son” (filho de ) em apelidos individuais (por exemplo, e na origem: Robertson, Robson, Johnson, Peterson, etc.) transposto para nomes de raiz brasileira, como por exemplo em nomes como: Edilson, Jailson, Jairson, etc. – frequentes em futebolistas canarinhos, mas sem visibilidade no nosso País – além do mais famoso de todos o “Edson Arantes do Nascimento” que passou para a posteridade pelo nome que o eternizou, Pelé!

 

Perguntar-se-á, então o que é que terá motivado a iniciativa de toda esta porca “salgalhada”? Eu atrever-me-ia a sugerir um móbil decisivo: a VAIDADE.

 

 Com mais pormenor: a vaidade extrema e tresloucada de protagonismo, a ânsia de “ficar para a história” (por parte da criatura Casteleiro, sobretudo, mas não só, atenção!) que de atropelo legal em atropelo legal conduziu à “defecação” da aberração AO90, “atropelando” tudo quanto é legislação, constitucionalidade / legalidade, “passando por cima de toda a folha” para, nomeadamente, facilitar negociatas de livreiros e para “passar graxa” ao mercado brasileiro (ao que parece, sem qualquer sucesso, felizmente, acrescento eu, mas mais não fazendo do que pondo os habitantes daquele país a escangalharem-se de rir com as nossas mediocridade, subserviência e tiques de “rastejamento” !!), de editoras de manuais escolares para proporcionar passeatas (no âmbito do Instituto Camões, do I.I.L.P.) tudo a “mamar” da “teta” do O.G.E. colados ao Governo em funções (é por isso que o P.S. nem sequer aceita discutir o assunto, apresentando delongas e mais delongas a requerimentos (interpostos na A. R. e não só) e em que até mesmo um imbecil ”travestido” de secretário de Estado (não sei de quê!) “defecou” a aleivosia de que devíamos passar a falar “brasileiro”!!. A nossa subserviência e mediocridade (ou melhor dizendo: a nossa infelicidade) vê-se bem nisto: um membro do Governo da República Portuguesa defende que o IDIOMA oficial da mesma seja a cambiante do mesmo em uso noutro país (a República Federativa do Brasil)!

 

 Dir-se-á que lá terá as suas “conveniências”! lá deverá estar, no fundo, a olhar pela sua vida!    Realmente, isto tudo demonstra unicamente uma desonestidade intelectual enorme, dado que ninguém no seu perfeito juízo jamais poderá aceitar que numa democracia, digna desse nome, tais atropelos seriam admissíveis; mas como a nossa “democracia” mais se assemelha a uma “democracia de opereta”, própria de uma qualquer “Banalalândia” latino-americana, não deverá constituir motivo para espanto o facto de não se ter verificado a revogação de um Decreto -Lei (que suporta o AO45) e passar a “vigorar” outro AO cujo “suporte governamental” (inconstitucional, por via disso mesmo) é uma Resolução Ministerial  (sirvo-me dos dados do Prof. Ivo Miguel Barroso). É que nem sequer Angola (que tem mais falantes do Português do que Portugal) aderiu ainda  à mesma, nem denota intenções de que o pretenda vir a fazer. No tempo da “outra senhora” ainda havia o pretexto do obscurantismo, da falta de cultura, do “incentivo” ao analfabetismo (!).  Hoje, com mais de quatro décadas sobre a viragem de regime, com a afluência  em catadupa de centenas de milhões de euros para ensino / formação profissional, com toda a vinda de verbas com esse destino e quando se  constata que o nosso índice de escolarização e literacia nos mantém em posições muito baixas no cotejo europeu, com índices de analfabetismo de 5% da população activa, com as mais elevadas taxas de abandono escolar dentro do espaço da U. E., mais ainda nos apercebemos da falácia daquele pretexto, que mais não é do que pura retórica ideológica e do nível mais rasca que se possa idealizar!

 

 Atente-se no facto deveras lamentável que se constata mesmo quando alguns Presidentes da República, tanto como o Cavaco Silva - que afirma que “em casa” escreve da mesma forma de sempre – ou seja, limita-se apenas a emitir “gemidos”- ou o actual, Marcelo selfies Rebelo afectos de Sousa, que após a sua visita a Moçambique em Fevereiro de 2017 opinou ser chegado o momento de proceder a uma revisão do  AO90 e mais recentemente afirmou que a questão do AO90 é um “não-assunto” (!), dando prova de uma certa superficialidade (ainda para mais com a Língua Oficial do País do qual é P. R.) e mais não fazendo que “navegar à bolina”, ao sabor da conveniência da sua agenda política (leia-se: a sua preocupação única com a reeleição no cargo com um ”score” que perfaça um record).

 

É a nossa aversão à cultura, o baixo índice de sentido crítico, como a total falta de desejo de defesa e preservação do nosso Património Linguístico que ajudam a perceber o AO90.

 

Que as Línguas se interpenetrem, que os resultados da multiculturalidade e intercâmbio linguístico entre diferentes povos e culturas surjam com toda a naturalidade é compreensível. Mas sempre de uma forma espontânea, não “forçada”, em ordem a “jogadas de bastidores”. Se assim não fosse, utilizaríamos “vestíbulo” em vez do “hall”, continuaríamos a “merendar” em vez de comer o “lanche” (do inglês “lunch”), iríamos comprar o jornal ao “botequim” (ao invés do “quiosque” (proveniente do turco “Khiosk” que chegou cá através do francês).

 

Continuando no francês e baseando-me numa actividade profissional a que tem interesse listar um conjunto de termos técnicos que os nossos emigrantes naquele País e dedicados à construção civil dali trouxeram e que passaram em definitivo para o nosso léxico; termos como: “cofragem” (oriundo de “coffrage”) ao invés de “cintagem” (de vigas e colunas) e que nada tem que ver com “cofre”; serrajuntas (ao invés de “aperta-juntas”, que proveio de “serrejoints”, do “serrer”, apertar; “tuvnam” (ou também “tubnam”), um compósito de vários materiais granulados após reciclagem e destinado a pavimentar estradas, corruptela de “tout-venant”; como de igual modo o “parquet” (bem como o “lamparquet”,  uma evolução comercial do anterior que consiste em módulos quadrados de aplicação muito mais prática), ao invés do taco de madeira de revestimento de pisos, bem como o ”pavée” (entre nós expresso no masculino, mas do género feminino no original francês) que consiste num pavimento para acessos exteriores em módulos de cimento colorido de formato hexagonal, rectangular e quadrado, já há muito que se disseminaram entre nós.

 

Mas saindo fora deste domínio específico da construção civil, há já muito tempo que se passou a circular na “passerelle”(passadiço), a utilizar a “marquise” (sacada de traseira de casa tapada com revestimento em material acrílico), a proceder a uma “camuflagem “ (de “camoufflage”, em vez de disfarce, a residir no “apartamento” que proveio de “appartment”, sem dúvida muito mais fácil de escrever e dizer do que “foco habitacional independente em piso específico de prédio constituído em propriedade horizontal”, a frequentar o “restaurante” oriundo do “restaurant” (substituindo as tradicionais casas de pasto e pensões), a oferecer um “bouquet” de flores, há bastante tempo que os homens procuram diversão nocturna na “boîte” (cuja tradução literal é “caixa”), procurando fazê-lo por regra “à socapa” das suas legítimas, ou como dizem os brasileiros “driblando” a mulher, ou seja, utilizando como gíria uma designação própria do futebol (ela própria derivada do inglês “to dribble”).

 

 Há muito tempo que passamos a usar o “dossier”, concorrente com as pastas de escritório, a olhar para o “tablier” da viatura, na vez de “painel frontal de visualização de instrumentos de apoio à condução”, a ligar a “chauffage” do carro (já não usamos muito o “aquecimento interior”), o motorista / condutor também começou a designar-se o “chauffeur”, gostamos de ir a um restaurante “buffet”, de saborear um bom “soufflé”. Há muito tempo que as senhoras passaram a usar a “lingerie” e o “soutien” diminutivo de “soutien-gorge”, como roupa interior, tornando totalmente “démodés” os antigos “corpetes “ e “peitilhos”. E muitos outros exemplos poderiam ser aqui trazidos à colação, mas uma vez frisando, todo este intercâmbio linguístico-cultural fluindo de uma forma espontânea, e saudavelmente desejável.

 

 As “guerras” linguísticas sempre existiram e irão continuar a verificar-se: tudo pelo motivo, totalmente incontornável, de que o Idioma Oficial constituiu e continuará a constituir um símbolo de identidade nacional e afirmação própria. Ainda neste caso do francês, eu recordo-me ainda muito bem da polémica que se instalou naquele País, em meados da década de 60 com a viva contestação do “franglais”, surgindo em vários meios de comunicação social uma extensa lista de “neologismos” de origem anglo-saxónica; nunca mais se aludiu ao “franglais” mas houve evidência que o vivo movimento de contestação que a que deu origem acabou por ter impacto visível: do que se pode hoje ver, só termos como ”interview” (ou invés de “entrevue”), “week-end” (em vez de “fin-de-semaine”), ou “parking”, ao invés de “stattionement” – para além do universal “marketing”, comum a todas as Línguas (a nossa incluída) - é que vingaram, decerto muitos poucos mais.  Mas, repete-se: todas estas tendências e evoluções processaram-se espontaneamente, não se detectando “golpadas de secretaria” ou “jogos de bastidores”.

 

 Mas veja-se o caso do Inglês: os habitantes das Ilhas falantes do Idioma nunca se “renderam” aos “tiques” simplificadores do inglês norte-americano: continuam a escrever “harbour”, ao invés de “harbor”, “marlborough” deu “Marlboro”, “through” em vez de “thru”, escrevem “colour” em vez de “color”, “de “light” saíram termos finalizados em “lite”.   Aliás, diz quem sabe, hoje (séc. XXI) é totalmente acessível a leitura dos textos de Shakespeare (séc. XVI) da mesmíssima forma que se leria um jornal ou qualquer outro texto.

 

 O inglês ganhou o estatuto incontornável de Língua de comunicação universal, em virtude da sua simplicidade de construção gramatical e devido ao facto de a habitual pobreza lexical das línguas germânicas ter sido, no seu caso, compensada pelo recurso aos termos de origem francesa, na sequência da invasão normanda de 1066; assim a cada palavra inglesa de uso mais corrente e de origem teutónica foi-lhe adicionado um vocábulo correspondente de origem francesa.  Para ilustrar esta junção bicéfala que deu origem ao Inglês actual e alavancou a sua projecção à escala mundial com a influência do império e, a seguir ao mesmo, com a Comunidade Britânica de Nações (Commonwealth) dão-se alguns exemplos: boldness / courage; thorp(e)/ village; boor /peasant, help / aid; ox / beef (carne do animal; do francês “boeuf”, daqui vindo o “nosso” bife); e (por idêntico motivo) sheep / mutton (do francês “mouton”); freedom / liberty; blue / azure; shovel /spade; left / sinister, murder / assassination; foe / enemy, etc..

 

É fácil compreender a razão - e integrado nesta questão da afirmação de identidade nacional baseada na defesa da Língua-Pátria - do inglês ter-se mantido sempre estanque à entrada de “estrangeirismos”: a tradicional rivalidade anglo-alemã centrada em dois conflitos mundiais fez com que muito poucas palavras germânicas sejam ali admitidas: conheço só “kindergarten” (jardim de infância); “hinterland” (interior); “Blitz” (diminutivo de “Blitzkrieg” de má memória para os Britânicos) mas empregue em moldes artísticos; para além do universal “marketing” e julgo que mais nenhuma.

 

 Convém agora dar outro exemplo marcante desta defesa de idioma nacional, desta feita, com resistência ao Inglês. O Holandês (oficialmente, o neerlandês) é falado, naturalmente, na Holanda e em algumas Ilhas das Antilhas (Aruba, Curaçau) e com idiomas próximos, como o Flamengo (na Bélgica) e o “Afrikaans” na África do Sul levado para lá pelos antigos colonizadores emigrantes holandeses fugidos às perseguições religiosas, os “boers” (agricultores), conhecidos pelo nome de “buras” pelos nossos emigrantes ali residentes. Houve recentemente uma iniciativa naquele País - que passou a adoptar, desde há três meses, a designação oficial de “Países Baixos” (Nederland) ao invés de “Holanda” que mais não é do que uma das sete Províncias que o enforma e é um dado que eu situo há mais de duas décadas - no sentido de se abolir de vez o Idioma-Pátrio e passar a usar unicamente o Inglês. A tentativa não teve sucesso - felizmente, frise-se - dado que a Língua de um país (qualquer que seja) é o traço identificador mais forte do mesmo; o Inglês é a língua de contacto ali mais em uso corrente, mas tal facto não constituiu motivo de força legal / governamental para que o Idioma oficial do país fosse pura e simplesmente abolido.  Sem dúvida, e apontando só um exemplo ilustrativo, a sua Companhia Aérea “de bandeira”, a “K.L.M.”, que é mais conhecida por “Royal Dutch Airlines”, é sem dúvida bastante mais fácil de soletrar, de escrever e de divulgar do que “Koninklijk Luchtvaart Maatschapij”.

 

Mas, repito, ainda bem que a Língua de Erasmus e Van Gogh continua viva e de boa saúde! Todos estes exemplos aqui desenvolvidos mostram à saciedade que, numa época em que se pode assistir ao reforço da identidade nacional, consubstanciada na defesa do idioma oficial, a postura do nosso País caminha no sentido oposto: mesmo no caso das Ilhas Britânicas, tem vindo a assistir-se a uma tentativa de recuperação dos dialectos locais de origem céltica.  Embora sem impacto prático, praticamente nada além do plano sentimental - pois Londres domina tudo e apesar do “fervilhar” do Brexit (ainda em fase de negociações) tudo caminha para a manutenção da unidade territorial - mas tenta-se, contudo, associar o País de Gales (“Whales”) ao gaélico “Cymru” e o revivificar o brado tradicional escocês no idioma céltico “slan na gael”.

 

 O caso espanhol já aqui o referi. Tive a curiosidade de há alguns meses, ao passar o País Basco – “Comunidades” (“Diputaciones”) de Álava, Navarra e Guizpúscoa – ao chegar à entrada de um túnel poder ler a inscrição do mesmo no idioma local “Eskititchakarreta” (!). Põe-se a questão: alguém consegue “decifrar” aquele “hieróglifo”? até penso que ao tentar-se lê-lo uma ou duas vezes uma pessoa se arrisca a ter um ataque de urticária, quem sabe!

 

Mas ele está lá, a língua basca marca a sua presença e de uma forma indelével!

 

 O nosso caso constitui uma autêntica “anedota” que a todos nos deveria envergonhar; por exemplo: pude ler esta “pérola” recentemente num jornal diário do Porto. Em determinada página era feita uma menção e a respeito da actual pandemia a “uma senhora de idade proveta (!) que ficou infetada…”; o mesmo é dizer e para além da segunda barbaridade a que já estamos de certo modo habituados, deu para entender que a idade da pobre da mulher ficou “entubada” dentro de um frasco destinado a experiências laboratoriais!

 

Apesar de os interesses serem mais que muitos, a situação é reversível. É certo que existem atropelos de toda a ordem, já referidos, mas o facto é que anda muita gente a “mamar” desta “teta”, se foram os livreiros a aproveitar-se do “aborto” que o Casteleiro “defecou” ou se foi este que foi na onda de alguma iniciativa encetada pelos primeiros, isso é o eu não sei, nem imagino se alguém o saberá com rigor, dado o secretismo que envolve o processo todo; se calhar, usando a conhecida expressão popular, fica-se sem a certeza de se foi a “ fome de encontro à vontade de comer” ou se, ao invés, foi “a vontade de comer que se dirigiu na direcção da fome”(!), para mais escudando-se os mesmos com as “facultatividades”(!) que mais não são do que uma demonstração de “esperteza saloia” destinada a tapar quaisquer vias de contestação no plano legal, mas não “tapando” nem disfarçando o rol de incongruências por demais visíveis .

 

Um exemplo: há algum tempo atrás, um colega meu da Escola Secundária José Estevão, professor de Português (ainda para mais!) armou-se em defensor (muito convicto) do AO90: dizia o “inteligente” para mim, em jeito de contra-argumentação: “se eles (os Brasileiros) são mais de 200 milhões e nós não passamos de 10 milhões, o que é que tu queres ? - isto quando comparado com os escassos 1,3 milhões de galeses e cerca de sete para a Escócia, onde as autoridades tentam não deixar morrer de vez o idioma céltico de origem até daria para rir !” Tempos depois, eu soube que afinal todo aquela discursata de defesa do AO90 “trazia água no bico”: o indivíduo colaborava com a elaboração de manuais escolares para uma Editora do Porto, ou seja, para amealhar mais uns cobres no final do mês, demonstrou não ter escrúpulos e, garantidamente, muitos outros casos do mesmo teor decerto deverão existir.

 

E aqui bate o ponto essencial: se a Classe dos Professores - profissionais privilegiados no que diz respeito ao ensino do bom Português (o Português Europeu) - tivesse coragem, se mostrasse outra postura deontológica, se actuassem em bloco, não se deixassem intimidar e se não cedessem à chantagem sobre a segurança do posto de trabalho se, numa só frase bem típica e esclarecedora “se mostrassem que “os” têm no sítio”, decerto outro galo cantaria!

 

Pergunta-se se existirão excepções a esta regra.  Como diz a canção: há sempre alguém que resiste…!

 

É evidente que há excepções, surgindo logo em primeiro lugar o nome de Maria do Carmo Vieira, Professora aposentada da Escola Marquês de Pombal que assumiu frontalmente uma posição de discordância com a aberração e saiu “batendo com a porta”.  

 

O Governo do PS não admite questionar o tema, com o actual Primeiro-Ministro, ao abordar a questão do AO90 “a esquivar-se tomando uma atitude ambígua, declarando que este (acordo) é mais um (de uma série que vem a acontecendo) e outros virão..! ou seja, “chutou para canto”.

 

O que o Ministro Santos Silva escusava era de ter evidenciado, numa dada ocasião, uma atitude de soberba quando proferiu algo do género “…eu até se quisesse suprimia o AO90, ou seja, o destino da Língua-Pátria subordinado aos estados de humor da criatura!

 

Não vamos “atirar a toalha ao chão”, apesar da actual conjuntura. Partilho do optimismo do Dr. Nuno Pacheco quando alude ao AO90, como um “beco com saída”.

 

Penso que poderá vir a ser Angola a servir-se do seu “peso” crescente no seio da CPLP - que de forma excêntrica, acolheu no seu seio um País de Língua Francesa (a Guiné Equatorial) – e que não irá desperdiçar uma oportunidade destas de espetar mais um “aguilhão” no coiro da antiga potência colonizadora, servindo-se desta feita da Língua comum de base, indo esta minha convicção de encontro ao que há algum tempo atrás o actual bastonário da Ordem dos Advogados, Dr. Menezes Leitão (perante o qual tiro o chapéu) preconizou que “ainda iremos passar pela vergonha de serem os Angolanos a virem ensinar-nos escrever correctamente o Português”. O tempo dirá por certo, alguma coisa acerca desta premonição, estou convicto.

 

Quem prestar atenção às legendagens televisivas mais recentes, constata facilmente algumas poucas vergonhas do género: “espetadores” e em nota de rodapé “espectadores”, ao mesmo tempo “infeções” (?) e médicos de doenças “infecciosas”; vêem-se placas de estacionamento em vias públicas “exceto” (?) e dentro desta aberração uma ainda pior: “exeto” (!!) - mas afinal que raio de trampa é esta?? E ainda para cúmulo já se encontrando placas novinhas em folha com “excepto”. Pergunta-se: alguém em seu perfeito juízo entende alguma coisa disto?

 

 Que azar o nosso! afinal assenta-nos bem o estereótipo do “Zé Povinho”! que nem uma luva!  Tão diferente do “John Bull”! Com tanta figura da nossa História que se poderia prestar a uma estilização (como o “Tio Sam”, estereótipo dos USA, reproduzindo caricaturalmente a figura do Presidente Lincoln) tais como o Infante, D. Afonso Henriques ou, por maioria de razão, a figura do “Trinca-Fortes” (pseudónimo do nosso maior expoente lírico, de seu nome Luis Vaz de Camões) havia logo de nos calhar na “rifa” aquela grotesca figura da lavra de Columbano Bordalo Pinheiro com aquela “fronha” vermelhusca da pinga, um sorriso (melhor dizendo, um esgar) a meio caminho entre o néscio e o imbecil a fazer o “toma”. Triste fado!

 

 Ainda para mais quase contemporâneo da “catalogação” infeliz atribuída por Ramalho Ortigão ao tal “Povo de bananas governado por sacanas” (!)

 

Vou terminar com uma referência ao melhor “naco” de prosa, num acutilante estilo de sátira, mas espeCtacularmente estruturada) que eu conheci até ao momento nesta saga da desmontagem da “aberração”: faço alusão a um artigo fabuloso do Dr. António Bagão Félix «O Acordo Mortográfico na AR», numa edição do “Público” de Fevereiro de 2018. [Consultar o link:]

https://blogues.publico.pt/tudomenoseconomia/2018/02/19/o-acordo-mortografico-na-ar/

 

Vindo de quem vem, precisamente, uma figura senatorial nacional, acima de quaisquer suspeitas de falta de isenção ou ausência de probidade intelectual, deve ser lido e relido até à exaustão. A quantas pessoas eu recomendei já a sua leitura… já lhes perdi a conta!

 

(*) António Vieira (professor aposentado; empresário)

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 10:59

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Domingo, 19 de Abril de 2020

A grande farsa das comemorações do “25 de Abril”

 

O texto que se segue foi escrito em 26 de Abril de 2016.

Poderia escrevê-lo hoje, sem lhe mudar uma vírgula.

 

Mas vou reproduzi-lo apenas para lhe acrescentar algo que é necessário dizer hoje, sobre a liberdade que os políticos querem comemorar no próximo dia 25 de Abril, em pleno Estado de Emergência, para que se saiba que a liberdade não foi reprimida, enquanto retiram ao povo (e muito bem) a liberdade de celebrarem as suas crenças ou, pior ainda, de acompanhar até à última morada os seus ente-queridos, ainda que pudessem cumprir (como, ao que parece, os políticos cumprirão) o devido distanciamento e a recomendada protecção.

Porque liberdade não é fazer tudo o que se quer, nem da parte do Povo, nem principalmente da parte dos governantes, quando estes querem impor ao Povo o que o Povo não quer.

 

E há tanta coisa que o Povo não quer, e que os governantes fazem questão de lhe impingir, como as celebrações de um 25 de Abril à porta fechada, apenas para aqueles que desconhecem o verdadeiro sentido de Liberdade.

 

Melhor seria sugerir àquele Povo que costuma celebrar o 25 de Abril que, nesse dia, a uma determinada hora, venha às janelas e às varandas e cante em uníssono a “Grândola Vila Morena”  - o hino da Liberdade. Seria muito mais democrático.

 

Porque Liberdade não é o Povo poder fazer tudo o que quer, e muito menos os governantes, pós-25 de Abril, poderem agir como se fossem ditadores disfarçados de democratas.

 

 25 ABRIL.jpg

 

Ontem [26 de Abril de 2016] pretendeu-se comemorar o “Dia da Liberdade”. Os repórteres televisivos insistiram nesta tónica, como se o “25 de Abril” tivesse sido planeado para dar ao povo português a liberdade de fazer o que quer.

 

Ontem, ouvi um repórter perguntar a um menino: «O que é para ti a liberdade?» Como a criança hesitou, o repórter apressou-se a “ajudá-lo” a pensar e disse: «É fazer tudo o que tu queres…?». E a criança anuiu.

Pois nada mais pernicioso para se dizer a alguém que ainda é um menino.

 

Porque Liberdade não é o Povo poder fazer tudo o que quer, e muito menos os governantes, pós-25 de Abril, poderem agir como se fossem ditadores disfarçados de democratas.

 

Liberdade é ter consciência de que não se pode fazer tudo o que se quer, quando vivemos numa sociedade em que o todo faz parte de tudo, e que esse tudo é a Vida, no seu significado mais universal.

 

E isto não foi ainda alcançado pelo 25 de Abril de 1974.

 

O “25 de Abril” foi planeado para derrubar um regime ditatorial, imposto por António Oliveira Salazar, o qual se arrastou por quase 50 anos e, durante o qual, milhares de pessoas foram perseguidas, encarceradas e assassinadas.

 

No regime ditatorial, quem mais ordenava era o ditador que, ao menor gesto de desobediência civil ou ousadia de se falar contra o sistema, enviava os cidadãos, à força da violência, para o Tarrafal, um campo de concentração engendrado para “ acolher” os que tinham a consciência de que não se pode fazer tudo o que se quer, ou seja, os cidadãos verdadeiramente livres, aqueles que, mesmo agrilhoados, eram livres, porque a verdadeira liberdade é a da consciência.

 

Regressada do Brasil em 1968, para continuar o meu curso na Universidade de Coimbra, encontrava-me nessa cidade no 17 de Abril de 1969, quando o então Presidente da República, Américo Thomaz, ali se deslocou para a inauguração do novo edifício das Matemáticas.

 

Para honrar a palavra dada aos estudantes, Alberto Martins, o então presidente da Associação Académica de Coimbra, hoje deputado da Nação, pelo PS, pediu a palavra para falar em nome da Academia.

 

Para Américo Thomaz, esta “ousadia” constituiu um insulto, e Alberto Martins foi detido nessa mesma noite, o que desencadeou uma crise académica de grandes proporções.

 

Todos nós, que participámos no que então se seguiu, éramos jovens e livres, e amávamos a nossa liberdade de ser, de estar e, sobretudo, de pensar, e os grilhões da ditadura não conseguiram nunca cortar a raiz ao nosso pensamento, porque como cantou Manuel Freire (que curiosamente nasceu no dia 25 de Abril de 1942, e é meu primo, ainda que em terceiro grau), no seu canto de intervenção “Livre”: «Não há machado que corte a raiz ao pensamento… porque é livre como o vento… porque é livre…»

 

E é esta a verdadeira liberdade.

 

Durante os poucos anos em que vivi a ditadura de Salazar eu era tão livre como sou hoje.

 

O “25 de Abril” não me restituiu a liberdade (que eu sempre tive).

 

O “25 de Abril” livrou-me da censura da ditadura, podendo agora escrever nas linhas o que então escrevia nas entrelinhas.

 

Das cartas que escrevia ao meu Pai, que se encontrava no Brasil, e a quem eu devia justificar o facto de me recusar a fazer exames, enquanto ele, lá,  se “sacrificava”, para me manter a estudar em Coimbra, apenas uma carta foi interceptada pela PIDE, porque nunca imaginei que pudessem violar correspondência privada. Cheguei a ser “visada” pela PIDE, que “desculpou” a minha liberdade de dizer ao meu Pai o que estava a passar-se em Cpombra, por eu ter vindo de um país estrangeiro e nada saber das “regras” do meu País.

 

Só ouve uma coisa a fazer: Passei a escrever nas entrelinhas tudo o que se passava em Coimbra, não só para o meu Pai, como para os outros jovens que lutavam contra o Regime, e que esperavam por notícias fora de Coimbra.

 

E as minhas cartas seguiram, com toda a informação do que estava a passar-se numa Coimbra “fechada” para o mundo.

 

Durante todo esse período eu mantive a minha liberdade intacta.

 

Até quando, no ano lectivo de 1973/74, ainda como Bacharel, dei aulas na Escola Secundária Frei João de Vila do Conde, e me recusei a dar uma lição de História, que falava dos grandes feitos de Salazar.

 

Disse aos alunos que aquilo era mentira e não era para se estudar. Dei-lhes a versão dos factos históricos reais, até porque os vivênciei em Coimbra, no ano tórrido de 1969,  e risquei com um X as páginas dessa matéria, uns quinze dias antes de acontecer o “25 de Abril”.

 

Um dos meus alunos era filho de um agente da PIDE. Mas ainda assim atrevi-me a não distorcer a História. Eu era uma Professora livre, não um pau-mandado da ditadura.

 

Por isso, quando ontem ouvi, a torto e a direito, nas televisões, dizerem que se comemorava o “dia da liberdade”, pensei cá comigo: isto não é nada pedagógico.

 

Não se deve passar às crianças e a um Povo ainda pouco esclarecido esta falsa ideia de liberdade. As “definições” que ontem ouvi de “liberdade” deixaram-me na dúvida se viverei num Portugal do ano 2016, ou dos anos 30, 40, 50, 60… Foi um desastre!

 

O Povo continua confuso. Os jornalistas continuam a servir o regime. O regime continua a enganar o Povo, com uma democracia que ainda não se libertou do atraso de vida do passado, mantendo uma cultura inculta, com a agravante de estarem a vender Portugal ao desbarato.

 

Quem é verdadeiramente livre nunca deixa de o ser, ainda que agrilhoado.

 

Por isso, o que ontem se comemorou em Portugal, foi a farsa de um “25 de Abril” ainda por cumprir.

 

É urgente um verdadeiro “25 de Abril” para que a ditadura desta falsa democracia, que tem um pé preso a um passado que remonta aos tempos da monarquia, seja derrubada, e Portugal possa seguir o caminho da evolução e da verdadeira liberdade, porque liberdade não é fazer tudo o que se quer, nem da parte do Povo, nem principalmente da parte dos governantes, quando estes querem impor ao Povo o que o Povo não quer.

 

Liberdade é ter consciência de que não se pode fazer tudo o que se quer, quando vivemos numa sociedade em que o todo faz parte de tudo, e que esse tudo é a Vida, no seu significado mais universal.

 

E isto não foi ainda alcançado pelo "25 de Abril" de 1974.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:48

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Terça-feira, 31 de Março de 2020

«A guerra ibero-holandesa»

 

Uma extraordinária Lição de História, recebida via e-mail, a propósito das considerações do Primeiro-Ministro de Portugal, ao dizer que o discurso do Ministro das Finanças holandês o repugnava, quando este Bóer, disse que a Espanha não devia ser ajudada da catástrofe em que o coronavírus está a deixá-la, porque depois não conseguia pagar a dívida. 

 

Costa.jpg

António Costa criticou as conclusões do Conselho Europeu extraordinário LUSA/ANTÓNIO PEDRO SANTOS

Origem da foto:

https://www.publico.pt/2020/03/27/politica/noticia/costa-considera-ministro-holandes-erepugnante-antiue-declaracao-ministro-holandes-1909736

 

«Não vou discutir a questão dos Eurobonds, que já é velha e em que a posição dos diversos países europeus não mudou. O que me ocorre comentar é o acinte do ministro holandês para com a Espanha.

Porquê em especial a Espanha?

 

Há coisas da História que ficam na memória colectiva dos povos, não tanto enquanto memória dos factos, mas como memória emocional, em ódios e estimas. E o facto é que há na Holanda um ressentimento secular contra Espanha e também contra Portugal, como se constata em blogs e ciber-grupos quando se fala dos Descobrimentos ibéricos. Donde vem isso?

 

É que a Espanha e a Holanda travaram uma guerra durante 80 anos, entre 1568 e 1648! A qual acabou com a vitória holandesa na Europa, mas a derrota no Ultramar espanhol. É uma longa história, que não vou desenvolver, mas referir apenas que, sem justificação, a Holanda alargou essa guerra a Portugal, no que foi sem dúvida a primeira guerra imperialista moderna da História europeia.

 

Por cá é pouco conhecida, como tudo o que respeita à História do nosso império ultramarino, mas essa guerra foi a guerra mais longa que Portugal travou na sua História, a seguir à guerra contra os mouros.

 

Basicamente, a Holanda procurou roubar a Portugal o seu império ultramarino. Começou por piratear sistematicamente os nossos galeões e caravelas, e no Oriente tirou-nos tudo o que pôde - Ceilão, as Molucas (actual Indonésia, de que só nos deixou Timor), o comércio com o Japão, e só não nos tirou Macau por que o imperador chinês nos protegeu, ao contrário do imperador japonês.

 

Na África tirou-nos o Cabo, não conseguiu tirar Moçambique, mas tentou também tirar-nos o Brasil e as colónias da África atlântica. Que foi onde a guerra foi mais acesa e longa.

 

A guerra no Brasil foi pela apropriação das plantações de açúcar, e durou 65 anos. Foram os próprios brasileiros quem derrotou e expulsou os holandeses, embora estes tenham depois ido plantar açúcar na Guiana. Como o açúcar brasileiro (que todos os outros depois copiaram no Haiti, em Cuba, etc.) era uma agro-indústria inviável sem os escravos africanos, a Holanda tomou-nos São Tomé e Príncipe, a Mina na costa da Guiné, e em 1640, quando já não éramos súbditos dos espanhóis e, portanto, sem desculpa, Luanda. Mas apenas Luanda, nunca conseguindo desalojar os portugueses das suas posições no interior, graças aos nossos aliados africanos e também à ajuda brasileira.

 

Também no Brasil, como em Angola, os holandeses nunca conseguiram passar de algumas cidades costeiras para o interior. No interior dominaram sempre os portugueses, os luso-brasileiros, e em Angola os luso-africanos. No Brasil os luso-brasileiros mantiveram cercadas as cidades costeiras sob domínio holandês, desbaratando-os quando tentavam penetrar no interior. E foram os brasileiros quem financiou, construiu e equipou a armada que foi a Luanda e a São Tomé recuperar aquelas fontes de escravos para as plantações de açúcar. A historiografia brasileira oficial considera que foi nessa guerra que se forjou a sua nacionalidade, com a luta combinada de destacamentos luso-brasileiros brancos, tropas índias, e tropas negras formadas por ex-escravos. Todos juntos contra os holandeses.

 

A questão religiosa foi importante, neste desfecho da guerra luso-holandesa. A aversão calvinista dos holandeses aos ícones religiosos católicos, aos santinhos e aos andores com a Nossa Senhora, às relíquias sagradas e ao Papa, não colhia apoio entre africanos e índios cristianizados pelos estimados jesuítas. Pelo contrário, escandalizava-os.

 

A Holanda perdeu essa guerra no Atlântico, portanto, mas ficou ressentida.

 

Nota: a Holanda era a parte norte de uma nação mais vasta, os "países baixos", cuja parte sul acabou por ficar do lado espanhol. Não só com a maioria católica do sul que não se revia no calvinismo holandês, como de parte dos próprios protestantes de outras igrejas, dada a intolerância calvinista. Essa parte sul acabou por conseguir a sua independência em 1830 e é desde então a Bélgica. Com quem Portugal sempre se deu bem.

 

A História tem muita força...

 

OBS: 
Bem esteve o António Costa quando afirmou que o discurso do Ministro das Finanças holandês, o repugnava, quando este calmeirão  Bóer, disse que a Espanha não devia ser ajudada da catástrofe em que o coronavírus  a está a deixar   porque depois não conseguia pagar a dívida.  

Com os melhores cumprimentos 

José Abílio Mourato

Portalegre 

 

Só há paz na aldeia, enquanto houver água no poço

(Anónimo)

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:04

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Segunda-feira, 3 de Fevereiro de 2020

Uma abordagem da Língua Portuguesa sob a óPtica (*) brasileira, para refleCtirmos que grafia queremos para Portugal

 

Aqui deixo esta dica, para que não digam que sou eu (Isabel A. Ferreira) que invento esta coisa de chamar Brasileiro ao que se fala e escreve no Brasil, pois se até os próprios Brasileiros e Alemães o dizem.   

 

Eu não invento nada. Tenho opiniões, obviamente, mas não trabalho debruçada nas minhas opiniões, tão-só sobre factos.

 

Se me perguntarem qual é a minha opinião sobre o que aqui se vai abordar direi: contra factos não há argumentos. E o facto é que, no Brasil, há muito quem considere Brasileiro ao que lá se fala e escreve. E quem sou eu para contrariar aqueles que têm direito a uma Língua que identifique o próprio país, e que não se revêem na Língua que herdaram do colonizador, ao ponto de se afastarem das suas raízes?

 

Li algures que «alterar o Idioma Português é sinal de falta de Cultura. O Idioma Português é um Idioma, cuja origem é o Latim, daí chamar-se um Idioma Neolatino, tal como o Castelhano, o Galego, o Catalão, o Francês e o Italiano. Os adeptos do AO90 coagem-nos a adoptar o nosso Idioma Neolatino adulterado na sua forma grafada.

 

É uma ortografia adulterada que queremos para Portugal?

 

Ensinar o brasileiro.jpg

 

Ensinar o Brasileiro” - Livro à venda na Amazon

 

Sinopse do livro:

Há um grande número de perguntas relevantes, comuns aos professores de língua materna, cujas respostas podem interferir na prática docente. Essa necessidade dos professores chamou tanto a atenção do autor, que ele começou a colecionar as perguntas que lhe eram feitas, no intuito de produzir um livro de respostas condensadas, com o objetivo de atender a essa demanda por material informativo. Cinquenta dessas perguntas reais estão aqui, mais ou menos com as mesmas respostas que foram dadas. Existem boas respostas na bibliografia corrente, mas essas respostas são ou dispersas, ou demasiadamente complexas, exigindo um tempo e um conhecimento nem sempre correspondentes à realidade de nossos professores do ensino fundamental e médio. Esse livro é o resultado dessa interação com os docentes do nível fundamental I e II e médio. Ele pretende ser sucinto, claro e objetivo, permitindo uma compreensão básica dos temas abordados. Esperamos que ele auxilie nossos professores do brasileiro na compreensão de alguns temas importantes. Mas é preciso ressaltar que não estamos propondo um receituário. Os conceitos e opiniões aqui apresentados nem sempre são consensuais, além de que precisam ser confrontados com a realidade de cada comunidade atendida e, em última instância, de cada professor e de cada aluno, para que as necessárias adaptações possam ser efetuadas, com bom senso e respeito.»

 

Fonte:

https://www.amazon.com.br/Ensinar-Brasileiro-Respostas-Perguntas-Professores/dp/8588456680

 

***

 

Português do Brasil a caminho da autonomia?

 

«A análise de documentos antigos e de entrevistas de campo ao longo dos últimos 30 anos está mostrando que o português brasileiro já pode ser considerado único, diferente do português europeu, do mesmo modo que o inglês americano é distinto do inglês britânico. O português brasileiro ainda não é, porém, uma língua autônoma: talvez seja quando acumular peculiaridades que nos impeçam de entender inteiramente o que um nativo de Portugal diz. Veja no vídeo produzido pela equipe de Pesquisa FAPESP como a expansão do português no Brasil, as variações regionais com suas possíveis explicações e as raízes das inovações da linguagem estão emergindo por meio do trabalho de diversos linguistas

 

Vale a pena ver e ouvir atentamente o que se diz no vídeo. E assim falassem todos os Brasileiros, porque era sinal de que, nas escolas, o Português (dito) do Brasil estava a ser ensinado adequadamente.

 https://www.youtube.com/watch?time_continue=331&v=0sDuGRKwguY&feature=emb_title

 

Fonte:

https://www.jornaltornado.pt/as-marcas-do-portugues-brasileiro/?fbclid=IwAR2gy2mTqjaZ-zkj2d8RgfxhewYzQhzzkm92iSoAEksYSRMu7hlysynSlis

 

«Adulteração, no Brasil, de livro português. A Ilíada, de Frederico Lourenço»

 

IlÌADA.jpg

 

Chamo a atenção para o facto de este texto, cuja leitura recomendo vivamente (clicar no link), porque além de excelente, está primorosamente bem escrito, ser da autoria de um jurista e professor universitário brasileiro, portanto, não é meu (para que não digam que eu é que ando sempre a implicar com o abrasileiramento de textos portugueses).

 

Soubessem os acordistas portugueses escrever tão apuradamente como Arthur Virmond de Lacerda Netto! Mas, lastimavelmente, os acordistas portugueses escrevem como meninos da primeira classe da escola básica.

https://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/dulteracao-no-brasil-de-livro-751590

 

«A mutilação da "Língua-Mater"»

 

O desabafo de uma cidadã brasileira sobre o acordo do seu descontentamento:

«Ando macambúzia, cabisbaixa e sorumbática, desde o dia 01/Janeiro, quando ouvi oficiosamente em dois jornais televisivos diferentes, que o AO entraria em vigor no Brasil, a partir de então...não pelo que representa aqui, tolices de meia dúzia (se tanto) de regras sem sentido, mas porque um aceite do Brasil, era a chancela de que "pulhíticos" de ambos os lados precisavam, para deflagrar a hecatombe nuclear da Língua Portuguesa, que como o próprio nome diz é a "Língua de Portugal"...»

 

Ler o texto completo aqui:

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/a-mutilacao-da-lingua-mater-27973

 

Oscar wilde.jpg

 

 «O objectivo brasileiro é impor o Brasilês sobre o Português»

 

Quem o diz não sou eu. Quem o diz é Helena Seiler, uma brasileira que vive nos EUA, e tal como eu, sabe o que está por trás da imposição política do AO90.

Embora eu também o diga.

E digo mais: digo que o Português brasileiro, apenas diz respeito ao Brasil. Não diz absolutamente nada a Portugal.

 

Ver o texto aqui:

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/o-objectivo-brasileiro-e-impor-o-67583

 

Orwell.jpg

 

(*) No Brasil, o vocábulo óptico (relativo a visão) não se escreve com , escreve-se ótico (relativo aos ouvidos), o que, na minha óPtica, e penso que na óPtica de todos quantos são pela clareza e objectividade da linguagem, deveria ser escrito óPtico, quando falamos de olhar, e ótico, apenas quando falamos de ouvidos, até porque em nenhuma língua europeia se confunde ouvidos com olhos, e o “nervo ótico” é algo que nem sequer existe.

Em Portugal, devido ao abrasileiramento da grafia portuguesa, passámos todos a ouvir pelos olhos e a ver pelos ouvidos, numa promiscuidade, sem precedentes.

 

É isto que queremos para Portugal?

 

Isabel A. Ferreira    

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:09

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Terça-feira, 14 de Janeiro de 2020

Uma interessante lição de História que veio do Brasil

 

Como o Saber não ocupa lugar, o que aqui se transcreve, textualmente, também poderá interessar a Portugal que, além de estar a perder a Língua Materna, está a perder também a sua História.

 

A História que se ensina nas escolas brasileiras está muito mal contada. Em Portugal, a História está posta de canto. Estes apontamentos valem muito mais do que tudo o que se (mal) ensina, por lá e por cá.

 

Aproveitemos a lição, não só de História, mas também do Português, dito Brasileiro, assinalado a negrito. É que uns e outros ainda têm muito, muito o que aprender.

 

Isabel A. Ferreira

 

dompedrosegundo.jpg

Dom Pedro II – Imperador do Brasil

 

«CERTAMENTE SEU PROFESSOR DE HISTÓRIA NÃO TE ENSINOU ISSO NA ESCOLA» 🏴

 

Santos Dumont almoçava 3 vezes por semana na casa da Princesa Isabel em Paris.


A ideia do Cristo na montanha do Corcovado partiu da Princesa Isabel.


A família imperial não tinha escravos. Todos os negros eram alforriados e assalariados, em todos os imóveis da família. 

 

D. Pedro II tentou ao parlamento a abolição da escravatura desde 1848. Uma luta contra os poderosos fazendeiros por 40 anos.


D. Pedro II falava 23 idiomas, sendo que 17 era fluente.


A primeira tradução do clássico árabe “Mil e uma noites” foi feita por D. Pedro II, do árabe arcaico para o português do Brasil.


D. Pedro II doava 50% de sua dotação anual para instituições de caridade e incentivos para educação com ênfase nas ciências e artes.


D. Pedro Augusto Saxe-Coburgo era fã assumido de Chiquinha Gonzaga.


 Princesa Isabel recebia com bastante frequência amigos negros em seu palácio em Laranjeiras para saraus e pequenas festas. Um verdadeiro escândalo para época.


 Na casa de veraneio em Petrópolis, Princesa Isabel ajudava a esconder escravos fugidos e arrecadava numerários para alforriá-los.


Os pequenos filhos da Princesa Isabel possuíam um jornalzinho que circulava em Petrópolis, um jornal totalmente abolicionista.


D. Pedro II recebeu 14 mil votos na Filadélfia para a eleição Presidencial, devido sua popularidade, na época os eleitores podiam votar em qualquer pessoa nas eleições.


Uma senhora milionária do sul, inconformada com a derrota na guerra civil americana, propôs a Pedro II anexar o sul dos Estados Unidos ao Brasil, ele respondeu literalmente com dois “Never!” bem enfáticos.


 Pedro II fez um empréstimo pessoal a um banco europeu para comprar a fazenda que abrange hoje o Parque Nacional da Tijuca. Em uma época que ninguém pensava em ecologia ou desmatamento, Pedro II mandou reflorestar toda a grande fazenda de café com mata atlântica.


Quando D. Pedro II do Brasil subiu ao trono, em 1840, 92% da população brasileira era analfabeta.


Em seu último ano de reinado, em 1889, essa porcentagem era de 56%, devido ao seu grande incentivo a educação, a construção de faculdades e, principalmente, de inúmeras escolas que tinham como modelo o excelente Colégio Pedro II.

 

A Imperatriz Teresa Cristina cozinhava as próprias refeições diárias da família imperial apenas com a ajuda de uma empregada (paga com o salário de Pedro II).

 

(1880) O Brasil era a 4º economia do Mundo e o 9º maior Império da história.

 

✔ (1860-1889) A média do crescimento econômico foi de 8,81% ao ano.

 

(1880) Eram 14 impostos, atualmente são 98.

 

(1850-1889) A média da inflação foi de 1,08% ao ano.

 

(1880) A moeda brasileira tinha o mesmo valor do dólar e da libra esterlina.

 

(1880) O Brasil tinha a segunda maior e melhor marinha do Mundo, perdendo apenas para a da Inglaterra.

 

(1860-1889) O Brasil foi o primeiro país da América Latina e o segundo no Mundo a ter ensino especial para deficientes auditivos e deficientes visuais.

 

(1880) O Brasil foi o maior construtor de estradas de ferro do Mundo, com mais de 26 mil km.

 

A imprensa era livre tanto para pregar o ideal republicano quanto para falar mal do nosso Imperador.


"Diplomatas europeus e outros observadores estranhavam a liberdade dos jornais brasileiros" conta o historiador José Murilo de Carvalho. Mesmo diante desses ataques, D. Pedro II se colocava contra a censura. "Imprensa se combate com imprensa", dizia.

 

O Maestro e Compositor Carlos Gomes, de “O Guarani” foi sustentado por Pedro II até atingir grande sucesso mundial.

 

Pedro II mandou acabar com a guarda chamada Dragões da Independência por achar desperdício de dinheiro público. Com a república a guarda voltou a existir.

 

Em 1887, Pedro II recebeu os diplomas honorários de Botânica e Astronomia pela Universidade de Cambridge.

 

A mídia ridicularizava a figura de Pedro II por usar roupas extremamente simples, e o descaso no cuidado e manutenção dos palácios da Quinta da Boa Vista e Petrópolis. Pedro II não admitia tirar dinheiro do governo para tais futilidades. Alvo de charges quase diárias nos jornais, mantinha a total liberdade de expressão e nenhuma censura.

 

D. Pedro II andava pelas ruas de Paris em seu exílio sempre com um saco de veludo ao bolso com um pouco de areia da praia de Copacabana. Foi enterrado com ele.»

 

Fonte: Biblioteca Nacional RJ, IMS RJ, Diário de Pedro II, Acervo Museu Imperial de Petrópolis RJ, IHGB, FGV, Museu Nacional RJ, Bibliografia de José Murilo de Carvalho.

 

#BrasilRealTv

 

Origem do texto:

 https://www.facebook.com/veralucia.assuncao/posts/3145347318812699

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:00

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