Domingo, 8 de Janeiro de 2017

IN MEMORIAM – PROFESSOR DOUTOR DANIEL SERRÃO

 

Morreu hoje, dia 8 de Janeiro de 2017, aos 88 anos, o Dr. Daniel Serrão, um Ser Humano raro, que tive o privilégio de conhecer, e que me marcou profundamente. Com ele aprendi a dar valor à Vida, seja de quem for essa Vida, e a não temer a morte, porque a morte não é o fim…

 

Dizia Daniel Serrão que é difícil acreditar que chegamos ao fim da vida com tanto saber acumulado, para tudo acabar ali...

 

Obrigada, Dr. Daniel Serrão, por tudo o que me ensinou sobre a Vida, a Morte, a Ética e a Bioética...

 

Muito do que sou hoje, e do que hoje defendo, devo-o aos ensinamentos deste Homo Sapiens Sapiens, que é o orgulho e um exemplo maior para toda a Humanidade.

 

Até sempre... meu Mestre…

 

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                                   Fotografia: Egídio Santos

 

Tive o privilégio de conhecer pessoalmente o Dr. Daniel Serrão, um Homem fascinante, pela sua postura humanista, pelo seu raro saber, pela sua extraordinária lucidez e sensibilidade, pela sua capacidade de cativar uma plateia com a humildade que caracteriza os grandes sábios. Não foi por mero acaso que o Papa Francisco o convidou para seu conselheiro e para integrar a Academia Pontifícia para a Vida.

 

A primeira vez que o vi e ouvi, foi na cerimónia de entrega do Prémio Especial Europeu de Jornalismo/91, que me foi atribuído pelo Conselho de Prevenção de Tabagismo, com o apoio do Programa Europa Contra o Cancro, pelo contributo prestado à luta antitabágica em Portugal, destinada às crianças, no Cantinho do Nicolau, no Jornal O Comércio do Porto, em que ele proferiu uma palestra sobre este tema, extremamente lúcida, profunda e tão perturbante que, se eu fosse fumadora, deixá-lo-ia de o ser naquele mesmo dia, com toda a certeza.

 

De tal modo fiquei fascinada pelo seu saber que nunca mais o perdi de vista, seguindo-o onde quer que ele apresentasse uma palestra. Era como se frequentasse um Curso Superior de cada vez que o ouvia…

 

Mas a que mais me marcou, foi a que proferiu em 1992, na Póvoa de Varzim, convidado pelo Rotary Clube daquela cidade, onde apresentou uma palestra subordinada ao tema «Implicações da Moderna Bioética para a Deontologia Profissional Médica».

 

Transcreverei aqui parte do texto que escrevi na altura, para um jornal poveiro sobre esta palestra, que constituiu uma viragem no meu entendimento da Vida, de todas as Vidas, que passei a defender como se fosse a minha própria Vida.

 

 INTERVENÇÃO DO HOMEM SOBRE A NATUREZA

 

O Professor Daniel Serrão começou por salientar que a Bioética é uma noção que se espalhou pelo mundo, chegando rapidamente a Portugal, constituindo uma preocupação mais do âmbito da sociedade civil do que dos governantes.

 

Quais as suas origens?

 

As investigações da segunda metade do nosso século tornaram possível a capacidade de intervenção dos cientistas nos sistemas biológicos (plantas e animais).

 

Esta possibilidade fez nascer uma primeira nova ciência – a ECOLOGIA – que apareceu quando o homem começou a preocupar-se com a sua intervenção sobre a Natureza (na produção em série de batata, trigo, leite, entre outras).

 

Começou-se então a considerar que esta intervenção poderia ser prejudicial, e os problemas da natureza inquietam o homem quando o seu equilíbrio é comprometido.

 

Todo o processo da vida resultou do mecanismo da adaptação. Os seres sobrevivem se se adaptam ao meio ambiente, e perecem quando essa adaptação falha. Daí nem sempre ser producente pretender manter vivos seres que não podem viver (é esta por vezes a falha das posições ecologistas).

 

No entanto, o que levou ao avanço da Bioética foi o facto de se começar a aplicar as técnicas de intervenção no próprio homem (e temos os exemplos do bebé proveta e o da transplantação de tecidos). Tal situação originou problemas de natureza ética.

 

Ora a Ética, segundo o Professor Dr. Daniel Serrão, é uma categoria do pensamento (tal como a lógica), que leva a avaliar as situações segundo valores. E os valores não são absolutamente bons nem absolutamente maus, daí que a sua utilização não seja igual, e tomar decisões segundo valores estabelecidos pode provocar complexos casos de consciência.

 

Como não somos um, mas milhões de seres, os valores éticos devem ser definidos pela maioria das pessoas, o que constitui, à partida, um imperativo ético.

 

De acordo com o Dr. Daniel Serrão, as sociedades mudam, bem como mudam as pessoas, e essas mudanças vão do universo ético ao universo do Direito transformando-o em norma jurídica. Na Bioética a norma religiosa não tem cabimento, pois ela vai buscar o seu fundamento fora do homem, e quando a norma religiosa se transforma em norma jurídica, temos aqui uma perversão profunda (tal como o é o fundamentalismo islâmico).

 

Para o Dr. Daniel Serrão, a morte do homem pelo homem não se justifica. Então como modificar essa perversão de valores? Pela reconversão através do sistema educativo.

 

PENSAR EM TERMOS DOS VALORES DA HUMANIDADE

 

Um terceiro ponto focado pelo Dr. Daniel Serrão e que levou ao desenvolvimento da Bioética foi o de que as tecnologias avançadas no campo da Ciência Biológica estão hoje à disposição dos próprios médicos, e isso começa a assustar as pessoas.

 

Os médicos (incluindo os veterinários) têm nas mãos o poder de transformar os sistemas biológicos do homem (e também de todos outros animais) daí ser necessário que os profissionais tenham regras fixas de deontologia e possam ser responsabilizados pelas suas intervenções nesse campo.

 

O conjunto dos três pontos já referidos criou a Bioética que nasceu em 1970, o que conduz à necessidade de uma nova disciplina que aprofunde o conhecimento da Biologia e faça pensar estes problemas sob uma perspectiva de reflexão ético-cultural.

 

NOVO HUMANISMO BASEADO NA SOLIDARIEDADE

 

A Bioética, ainda de acordo com o Dr. Daniel Serrão, não tem fundamento jurídico, nem religioso. Onde se poderá encontrar então o seu fundamento?

 

Em primeiro lugar, o homem é um animal cuja evolução nos trouxe desde os antropóides (de há 600 mil anos atrás) até aos nossos dias, sendo que a inteligência reflexiva existente nos homens os distingue de todos os outros animais, igualmente inteligentes.

 

A Ética nasce então, quando reconhecemos que os outros são exactamente iguais a nós.

 

O Novo Humanismo deverá ser o da Solidariedade Humana, condição única que poderá levar à sobrevivência da Humanidade. Por conseguinte, o primeiro princípio da Bioética é o do respeito pela própria estrutura biológica de cada ser vivo.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:04

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Terça-feira, 27 de Dezembro de 2016

DO NASCIMENTO (DO TOURO) À EXTINÇÃO… NA ARENA

 

 

Reflexão de fim de ano sobre o Touro que os tauricidas chamam de “bravo”…

 

Um tal João Aranha, que não sei quem é, nem me interessa, escreveu um texto completamente imbecil, desprovido do mais básico conhecimento científico sobre bovinos, no aficionado “jornal” Correio da Manhã, sob o título «Do nascimento à extinção - Reflexão de fim de ano sobre o toiro bravo», onde esparramou uma ignorância que vem do tempo das mais profundas trevas, e que foi passando de geração em geração, como se fosse o saber dos saberes

 

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Porém (existe um porém) os tempos evoluíram, o mundo saiu das trevas, os conhecimentos avançaram, e hoje apenas os muiiiiito, mas muiiiiiito ignorantes é que não sabem que na Natureza não existem Touros “bravos”, mas simplesmente bovinos, que nascem como todos os bovinos, mas que são manipulados e torturados desde a nascença e ao longo da sua curta vida, para fazerem de conta que são “bravos”, e depois são enfraquecidos através dos mais repugnantes métodos, antes de entrarem na arena, para serem barbaramente torturados e morrerem lentamente, para que aos olhos dos sádicos que assistem à tortura, os cobardes tauricidas possam passar por “heróis”, porque a tauromaquia é a suprema arte da cobardia… desde o nascimento do bovino até à sua extinção na arena…

 

E esta é a única extinção que existe na tauromaquia: a morte lenta e dolorosa de um dócil e pacífico ser senciente, para satisfazer o prazer mórbido de psicopatas, sádicos e dos afectados por uma deformação mental, e encher os bolsos de criaturas acéfalas.

 

O que se extinguirá, com a abolição da selvajaria tauromáquica é a crueldade e a violência exercidas sobre seres que são muito superiores a quaisquer dos intervenientes nesta barbárie, e obviamente a extinção do bando de parasitas tauricidas que vivem à custa dos impostos dos portugueses.

 

***

Que haja joões aranhas por aí a destilar um ódio cavernícola por seres sencientes e pacíficos como os bovinos, e a dizer disparates de alto quilate, sobre uma matéria que desconhecem por completo, será (será?) normal, porque a anormalidade, neste nosso país ainda com raízes terceiro-mundistas, está legislada, por mais incrível que isto pareça.

 

O que é espantoso é existir um “jornal” que tem por função informar, e o que faz? Publica uma enxurrada de imbecilidades, que só contribui para que a ignorância continue a espalhar-se como um vírus nocivo. Por estas e por outras Portugal tem uma franja populacional ainda muito, mas muito atrasadinha…

 

(Do nascimento… do bovino)

 

 

 

(…à extinção do bovino na arena…)

 

 

Esmiucemos o que disse o João Aranha:

 

«Com mais um ano a findar, eis a ocasião propícia para algumas reflexões. Ao fazê-lo, dei comigo a meditar sobre a ignorância de alguns anti-taurinos e outros fundamentalistas urbano-depressivos que, nunca tendo visto parir uma ovelha ou cobrir uma burra, se permitem criticar quem aponta factos sobre tão importante matéria».

 

Só este primeiro parágrafo diz da deformação mental dos tauricidas. Eles é que são ignorantes (pois nada sabem de bovinos); eles é que são anti-taurinos (que significa inimigos dos touros) nós somos anti-touradas; eles é que são fundamentalistas, tipo islâmicos (pois sentem prazer em torturar seres vivos); eles é que são urbano-depressivos (tão depressivos que precisam de torturar animais para exorcizar as suas frustrações e a invirilidade de que sofrem); e como são extremamente ignorantes acham que todos são ignorantes também, e medem todos pelo mesmo alqueire.

 

Todos nós, animalistas, conhecemos bem tudo o que diz respeito aos animais, temos conhecimentos das ciências que se dedicam ao estudo dos animais no que se refere à sua biologia, genética, fisiologia, anatomia, ecologia, geografia e evolução, por isso sabemos do que falamos.

 

Não queiram vir ensinar o padre nosso ao vigário, quando nem sequer sabem rezar, porque o que vos ensinam nas igrejas que frequentam é apenas odiar os animais. Torturá-los para se divertirem. E isto não é cristão. É diabólico.

 

O parágrafo que se segue é de uma ignorância crassa. Medieval. Cavernícola. Uma mentira repetida há séculos, para enganar os ignorantes, tornou-se na verdade dos imbecis.

 

«Igual comportamento provem dos que, à porta do Campo Pequeno, em noite de corrida, ou mesmo na comunicação social, e até na Assembleia da República, continuam a afirmar que o toiro bravo (o toiro de lide destinado à tourada) mais não é do que um bovídeo que não estará condenado à extinção se as touradas acabarem, podendo sobreviver livremente na natureza. Uma tal crença peca por total ignorância de quem, com base num fundamentalismo sem fundamento, desconhece todo o percurso da espécie, desde que se chamava auroque e surgia pintado nas cavernas da pré-História até ao soberbo animal que hoje temos

 

Leia mais, João Aranha. Não enterre essa cabeça oca na areia. Saia das trevas. Ilumine-se.

 

Vou indicar-lhe aqui informação suficiente para deixar de ser ignorante, e nunca mais se atrever a vir a público dizer tanto disparate.

 

Fonte:

http://www.cmjornal.pt/opiniao/detalhe/do-nascimento-a-extincao

***

Quando falamos de selvajaria tauromáquica falamos disto:

 

«A TOURADA, RAZÃO DA EXISTÊNCIA DO TOURO BRAVO?» OU A QUEDA DE UM MITO

http://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/98835.html?thread=1885459#t1885459

 

A TOURADA VISTA POR UM MÉDICO VETERINÁRIO

http://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/572988.html

 

A VERDADE PERVERSA SOBRE A TORTURA DE TOUROS E CAVALOS, ANTES, DURANTE E DEPOIS DA LIDE

http://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/484004.html

 

MORTE DO TOURO NA ARENA

http://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/morte-do-touro-na-arena-683521

 

A ORIGEM CIENTÍFICA DA "AFICIÓN"

http://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/a-origem-cientifica-da-aficion-673814

 

O SOFRIMENTO DE UM TOURO DIAGNOSTICADO POR UM MÉDICO VETERINÁRIO

http://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/o-sofrimento-de-um-touro-diagnosticado-677391

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 12:34

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Domingo, 28 de Agosto de 2016

BARRANCOS - CAPITAL PORTUGUESA DA SELVAJARIA TAUROMÁQUICA

 

Em Barrancos tudo é feito à bruta: a tourada, a morte do Touro e até o modo como se aplaude a morte deste ser senciente, muito mais sensível do que qualquer um destes pré-humanos que o torturam e aplaudem a sua dolorosa morte.

 

Repare-se na t-shirt do (a) barranquenho (a).

 

Em Barrancos diz-se que a tradição é a cultura de um povo. Mas Albert Einstein considera que a tradição é a personalidade dos imbecis.

 

Eu acredito mais no saber dos sábios.

 

Que vergonha, Doutor Jorge Sampaio, ter o seu nome ligado à barbárie de Barrancos!

 

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    Foto: Nuno Veiga

 

O Médico Veterinário, Dr. Vasco Reis, deixa-nos esta reflexão, com a qual concordo plenamente, e da minha parte, também tenho o nome do Dr. Jorge Sampaio (entre muitos outros) na lista negra dos que, em Portugal, contribuíram para reter a evolução do meu País, com actos dignos de trogloditas, e que ficarão perpetuados no «Livro Negro da Tauromaquia» que está a ser escrito, para louvor dos Touros e Cavalos sacrificados ao longo dos últimos séculos, e para desonra dos tauricidas e aficionados de todas as vertentes da selvajaria tauromáquica, o que envergonhará, com toda a certeza, os seus descendentes.

 

«Há muitos responsáveis e cúmplices pela atrocidade pública que acontece em Barrancos, além do Jorge Sampaio e do Durão Barroso e dos deputados da Assembleia da República que em 2001 votaram a lei que legalizou "a excepção de Barrancos". Para o "cocktail" das causas devem contribuir: ignorância; “tribalismo troglodita” do meio onde nascem e crescem os futuros aficionados e que, pelos vistos, "impregna" os cérebros de maneira quase indelével de gentes anónimas e proeminentes e de alguma comunicação social e de alguns membros dos governos e de responsáveis pela educação de crianças e de jovens e de autoridades permissivas e de legislação permitindo a tortura pública de seres sencientes, touros e cavalos, etc. Pessoalmente, cortei publicamente em 2001 o relacionamento amistoso e de companheirismo, que mantinha com o Jorge Sampaio, desde os tempos da nossa luta académica em 1961/62 como membros da RIA, a qual se opôs, apoiada por milhares de jovens, à agressão do governo fascista contra os estudantes no âmbito do "Dia do Estudante"!» (Vasco Reis).

 

O Dr. Vasco Reis, que já lidou de perto com Touros e Cavalos, tem estudos científicos superiores nas áreas, entre outras, da Biologia, Zoologia, Anatomia, Deontologia e Bioética, Embriologia, Fisiologia, Genética, Reprodução Animal, enfim, uma sucessão de saberes que lhe dá autoridade para dizer que «os animais humanos e não humanos são seres dotados de sistema nervoso, mais ou menos desenvolvido, que lhes permitem sentir e tomar consciência do que se passa em seu redor e do que é agradável, perigoso e agressivo e doloroso».

 

Também lhe dá autoridade para dizer que:

 

«Estes seres experimentam sensações, emoções e sentimentos muito semelhantes. Este facto leva-os a utilizar mecanismos de defesa e de fuga, sem as quais, não poderiam sobreviver. Portanto, medo e dor são condições essenciais de sobrevivência.»

 

Portanto, «afirmar-se que nalguma situação não medicada, algum animal possa não sentir medo e dor se for ameaçado ou ferido, é testemunho da maior ignorância, ou intenção de negar uma verdade vital.

 

O que move os governantes a apoiar estas práticas bárbaras é uma monumental ignorância e interesses obscuros de uma máfiazinha à qual se vergam, vá-se lá saber porquê!

 

Sujam o nome. Arrastam o nome pela bosta que os bovinos, tomados de um medo que também é humano, deixam pelo chão, mas preferem sujar o nome, do que ouvir a voz da Ciência, do Saber, da Razão.

 

De acordo com o Dr. Vasco Reis, «a ciência revela que o esquema anatómico, a fisiologia e a neurologia do touro, do cavalo e do homem e de outros mamíferos são extremamente semelhantes. As reacções destas espécies são análogas perante a ameaça, o susto, o ferimento. O senso comum apreende e a ciência confirma-o

 

Augusto Cury, médico, psiquiatra, psicoterapeuta, doutor em psicanálise, professor e escritor brasileiro diz que «a capacidade de se colocar no lugar do outro é uma das funções mais importantes da inteligência. Demonstra o grau de maturidade do ser humano

 

Logo, a incapacidade de os tauricidas e aficionados se colocarem no lugar dos bovinos, que são torturados barbaramente, demonstra não terem qualquer grau de maturidade humana e serem portadores de um QI abaixo de zero.

 

Diz o Dr. Vasco Reis que «depois desta explicação, imaginem o sofrimento horrível que uma pessoa teria se fosse posta no lugar de um touro capturado e conduzido ao “calvário” de uma tourada». Pois!

 

Mas os nossos governantes, e nomeadamente o ex-presidente da República, Dr. Jorge Sampaio (que até estudou em Londres) em vez de levar a evolução a Barrancos, fê-la regredir para o tempo cavernícola, se bem que eu considere os homens das cavernas muito mais civilizados do que os actuais barranquenhos, simplesmente porque não deixaram qualquer vestígio de crueldade para com os animais, que matavam exclusivamente para se alimentarem deles, e não para se divertirem com o seu sofrimento.

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:03

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Quarta-feira, 17 de Agosto de 2016

PROFESSORA CATEDRÁTICA DEFENDE A SELVAJARIA TAUROMÁQUICA COM UMA MONUMENTAL IGNORÂNCIA

Se eu não lesse isto, não acreditaria.

 

Chama-se Maria Alzira Seixo. Passou pela Universidade de Lisboa. É lá professora catedrática. Mas estudou na escola da Moita. E quem estuda numa escola da Moita não sai da cepa torta.

 

As Universidades dão “canudos”, mas não dão consciência ética, nem boa índole a ninguém.

 

Ou se nasce para evoluir. Ou já se nasce velho.

 

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Eis a “flor” do capote de que fala Maria Alzira Seixo…. Só que o carrasco (vulgo toureiro) não conseguiu evitar a cornada do Touro, que legitimamente se defendeu… Olé!

 

Vejam o que Maria Alzira Seixo escreveu na sua página do Facebook, no passado dia 14 de Agosto de 2016 (marco a data para que não pensem que o texto foi escrito a 14 de Agosto de 1216… em plena Idade das Trevas)

 

«Tourear é isto: produzir ‘a flor’ do capote (diz a poesia de João Cabral de M. Neto) enquanto o toureiro que o cita tenta evitar a cornada do touro, que quer matar o homem. O touro (animal selvagem tal o leão, tigre, leopardo) quando entra na arena é para atacar e matar tudo o que se mexa: um gato, um homem, um cavalo, etc, e tourear é, com uma capa, afrontar o perigo e evitar ser morto. Há 3 fases na lide: capote (esta), bandarilhas (para ‘acordar’ o animal depois dos 15m durante os quais ele persegue o toureiro no capote, e, espetadas no cachaço, zona de espessa gordura a seguir ao pescoço, têm o efeito de simples picadas tal uma injecção intra-muscular no homem, dizem os biólogos (e o touro também, que após uma bandarilha não tuge nem muge, continua a correr atrás do homem), e fazem sangue se são mal espetadas, por um mau toureiro, que é logo vaiado) e ainda a muleta, q em Espanha inclui a morte do touro (e também deve ser indolor), e em Portugal é simulada. NINGUÉM SE DIVERTE na tourada: não é para rir! é um espectáculo sério, de silêncio, de arte e força de ânimo, como a ópera e o ballet. Exige conhecimento para se apreciar. Tudo o que se diga como tormentos e crueldade é pura imaginação da observação empírica, ignorante e leviana

 

Direi como um comentador a este texto, inacreditável e eivado da mais profunda ignorância: «É triste ler isto. Medieval e repugnante».

 

Na verdade, é triste, muito triste ler isto. Principalmente o que sublinhei, comparando-se esta barbárie à ópera. Ao Ballet.

Ainda mais escrito por alguém que frequentou uma Universidade. Que é professora universitária. Catedrática.

 

Isto é um texto tipicamente medieval.

 

Além de ser, obviamente repugnante, é demonstrativo de uma falta dos conhecimentos mais básicos.

 

Zero a Biologia.

Zero a Zoologia.

Zero a Arte.

Zero a Cultura Culta.

Zero a Sentido Crítico.

Zero a Ética.

Zero a Moral.

Zero a Sensibilidade.

Zero a Bom Senso.

Zero a Humanidade.

 

Podem ler muito mais neste link, onde ficou registado este devaneio e os comentários ao que uma “professora universitária” sem a mínima noção do ridículo, sem o mínimo sentido crítico, escreveu.

 

Uma autêntica nulidade.

A vergonha da classe dos Professores Catedráticos.

https://l.facebook.com/l.php?u=https%3A%2F%2Fcdn.fbsbx.com%2Fv%2Ft59.2708-21%2F13659400_10201820197063139_1989316314_n.pdf%2FDo-Facebook.pdf%3Foh%3Deb34725ba4ed0546b5ee2f1263ece711%26oe%3D57B688DC%26dl%3D1&h=CAQEQqf7U

 

***

RECADO A MARIA ALZIRA SEIXO:

 

Maria Alzira Seixo, deixo-lhe aqui a oportunidade de optar pelo saber.

Esqueça a Moita e o que a Moita fez de si.

 

«A TOURADA, RAZÃO DA EXISTÊNCIA DO TOURO BRAVO?» OU A QUEDA DE UM MITO

http://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/98835.html?thread=1885459#t1885459

 

 

A TOURADA VISTA POR UM MÉDICO VETERINÁRIO

http://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/572988.html

 

 

A VERDADE PERVERSA SOBRE A TORTURA DE TOUROS E CAVALOS, ANTES, DURANTE E DEPOIS DA LIDE

http://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/484004.html

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:46

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Terça-feira, 4 de Agosto de 2015

A DOR DO SILÊNCIO

 

Todas as vidas importam, até mesmo as que não têm voz

 

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A dor do silêncio.

 Há algum tempo, a Acção Directa realizou uma campanha que espalhou-se gradualmente nas redes sociais: a dita consiste numa fotografia de um caracol com as frases Gostava de ser cozido vivo? Ele também não!. A campanha tornou-se viral e bastante polémica, sendo actualmente alvo de piadas sarcásticas que espelham a indiferença e a insensibilidade que residem no coração humano, colidindo num imenso vazio que gera o insulto gratuito. Estas reacções adversas ao que a campanha transmite revelam a enorme desconsideração que muitas pessoas têm pelas criaturas mais pequenas: arrisco-me a afirmar que, dentro do próprio especismo, são precisamente elas as mais prejudicadas e as que menos recebem direitos.

 

Algo tão simples como respeitar a mais pequena vida senciente é sinónimo, para a maioria, de um extremismo tresloucado que não merece atenção. Tal deve-se por nós, como seres antropocêntricos e desligados das restantes vidas não-humanas, acharmos antecipadamente que mais nenhum ser vivo possui quaisquer direitos, à excepção da nossa espécie.

 

Com o passar do tempo afastámo-nos bastante dos animais não-humanos e passámos a classificá-los como meros organismos instrumentais, cuja existência é para servir os nossos interesses pessoais - e esta avaliação é virada para animais maiores e mais complexos, como as vacas, os porcos, os ratos, entre outros. Por aí pode-se concluir que, se com os mamíferos é assim, com animais mais pequenos e menos complexos a situação tende a piorar.

 

A inexistência de uma ligação que revele visivelmente que o animal está a sentir dor, como sucede com o caracol, catapulta-o para um olhar ainda mais frio e totalmente ataráxico em relação à sua existência enquanto ser vivo senciente. É avaliado como uma praga ou como algo inútil, sendo aproveitado no ciclo de exploração animal de acordo com uma determinada cultura civilizacional.

Em Portugal os caracóis são vistos precisamente desse modo: como algo para ser pisado se estiver no passeio ou como um petisco. São colocados vivos em água a ferver e ninguém questiona-se sobre a dor que estes podem estar a sentir.

 

Porque eles não gritam.

Porque eles não fazem caretas.

Porque eles não se mexem.

Porque são somente caracóis.

 

E como não gritam, não fazem caretas, não se mexem e tiveram o azar de pertencer a uma classe altamente desprezada pelo ser humano, automaticamente conclui-se que não estão a sentir rigorosamente nada. O assunto fica arrumado, o que leva à incompreensão relativamente a uma campanha que defende o direito que esses moluscos têm à vida. Afinal não são como cães, ou gatos, ou até mesmo como outros animais assassinados para o mesmo fim: que estupidez vem a ser essa de andar por aí a espalhar uma mensagem implícita de que os caracóis não querem ser cozidos vivos? Eles não querem nada, até porque não têm desejos ou vontades: não são tão desenvolvidos como outros animais, pelo que é irrelevante matá-los para comer.

 

Desconstruindo esse pensamento:

 

Durante algum tempo considerou-se que as reacções dos invertebrados fossem simples reflexos e que não sentiam propriamente dor. No entanto, outros estudos científicos posteriores referem que os caracóis, assim como lesmas, baratas, caranguejos e lagostas, sentem dor. Só por não conseguirmos discernir à superfície que o animal está a sofrer, isso não indica que ele não é senciente: os invertebrados apresentam respostas nociceptivas semelhantes às apresentadas pelos vertebrados, podendo detectar e responder a estímulos nocivos, incluindo os caracóis. Tal deve-se porque os devidos possuem um gânglio cerebral: essa concentração de corpos celulares nervosos separados actua como um centro de influência nervoso.

 

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Apesar de não ter as mesmas faculdades de um cérebro mais complexo, o gânglio cerebral é suficiente para reagir a estímulos exteriores e para produzir uma sensação de dor. Somando essa proposição biológica com a proposição ética de que todos os animais merecem viver, independentemente da capacidade que estes têm de sentir dor, é evidente que os caracóis estão enquadrados nesse plano moral que oferece-lhes direitos. Quando se trata de uma vida senciente não importa se esta sofre mais ou sofre menos em relação a outra: o que importa é que esta é capaz de sentir dor.

 

Ponha a mão no coração da consciência porque todas as vidas importam, até mesmo as que não têm voz.

 

A dor não é um grito, não é um olhar trucidado, não é uma convulsão. A dor é o que atinge um ser vivo por dentro, mesmo que não seja vista por fora.

 

Leia mais: Os caracóis sentem dor? Alternativas cosméticas à baba de caracol.

 

 

Artigo revisto por Sandra Esteves, licenciada em Biologia pela Universidade de Aveiro.

 

Recursos utilizados:

The Naked Scientists

UTCUMQUE

Biorede 

ILAR Journal

Fonte:

http://grito-silenciado.blogspot.pt/

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:42

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Sexta-feira, 22 de Maio de 2015

NUM PAÍS ONDE A VIOLÊNCIA CONTRA SERES VIVOS ESTÁ CONSIGNADA NA LEGISLAÇÃO, O QUE ESPERAR DO CIDADÃO COMUM?

 

 

O exercício que constava num livro escolar de Físico-Química pedia a alunos do 9º ano (portanto, a crianças de pouca idade) que fizessem um cálculo baseado nesta formulação: «O Diogo largou um gato da varanda do seu quarto, situada a cinco metros do solo»

(Supõe-se que o Diogo seja um menino).

 

A Areal Editores (responsável pela publicação deste livro) já pediu desculpa por esta irracionalidade, que não deveria ter acontecido, mas aconteceu, e diz que já retirou este exercício do livro.

A Razão, a Moral, a Ética e a Civilização agradecem.

 

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heatherw / Flickr

 

A formulação pedia às crianças que indicassem qual a intensidade da força aplicada durante a queda e o valor da velocidade se atirassem um gato a uma altura de cinco metros.

 

Um gato?

 

Por que será que ao autor deste exercício não ocorreu atirar pela varanda uma outra “coisa” qualquer? Sim outra “coisa”, porque um gato em Portugal ainda é considerado uma “coisa”, se bem que uma “coisa” viva e senciente. Por que escolheu um gato, que até poderia ser de porcelana, de barro, de qualquer outro material, mas… ao que parece era um gato, assim… de carne e osso, sangue quente, sistema nervoso central, mamífero, como o autor do exercício?

O que fica a pairar no ar é que o autor deste exercício já o praticou e fez os cálculos dele, baseados na queda do gato.

 

E a culpa? De quem é a culpa de “isto” poder acontecer, num país onde a violência contra seres vivos está consignada na legislação?

 

Os legisladores portugueses não têm os conhecimentos mais básicos de Biologia, e quando isto acontece com os que mandam… os que são mandados não têm bases para serem melhores.

 

Na notícia que circula, diz-se que um dos responsáveis da Editora, Diogo Santos, referiu que «este exercício não vai constar da versão destinada aos alunos».

 

Pois seria este o Diogo que atirou o gato da varanda? Ou é apenas coincidência?

 

E o exercício não vai constar da versão destinada aos alunos? E constará na versão não destinada aos alunos?

 

Eu recuso-me a creditar nisto.

 

Esta é uma versão que nem sequer deveria ter passado pela cabeça de alguém que tem a seu cargo a criação de “livros escolares”, e não deve definitivamente constar em qualquer outra versão, nem de alunos, nem de não alunos.

 

Portanto o Diogo Santos deveria ter dito, e com muita humildade, que este exercício deverá ser eliminado definitivamente de qualquer versão. Assim é que é.

 

Mas há algo mais grave: de acordo ainda com Diogo Santos, o livro «foi revisto por três pessoas e ninguém se apercebeu da situação».

Como é que isto é possível?

 

Atirar um gato de uma varanda, a cinco metros de altura, será assim tão comum, para que ninguém se tivesse apercebido de que estavam a referir-se a um gato, a um ser vivo, e não a um objecto?

 

E o mais perturbador é o que a fonte do Ministério da Educação e Ciência (MEC) salientou ao jornal Público.

 

«Os cadernos de actividades, contrariamente aos manuais escolares, não passam pelo aval do MEC, e este não se identifica com o teor do exercício apresentado, do qual não tinha conhecimento».

 

E acrescentou: “O exercício não respeita os valores fundamentais da nossa sociedade”.

 

Como disse?

 

Que “valores fundamentais” da nossa sociedade o exercício do gato atirado da varanda não respeitou? Quando sabemos que o governo português (incluindo o MEC) apoia a violência e a crueldade contra seres vivos, em touradas, em circos, em “escolas” (leia-se antros) de toureio para crianças, e em muitas outras circunstâncias, considerando os animais ditos não humanos simples máquinas, que estando “oleadas” (comidas e bebidas) e a funcionar é o quanto basta!

 

Deixem de ser hipócritas!

 

Este caso insólito, absolutamente absurdo, deste exercício de físico-química, é o resultado de uma política deturpada, em que a violência e a crueldade contra seres vivos, não estão devidamente acauteladas, como deveriam estar, numa sociedade do século XXI da era cristã.

 

Este episódio grotesco não me surpreendeu, apenas aumentou a minha indignação, por tudo o que está a passar-se no meu pobre País, que anda à deriva, um País sem eira nem beira…

 

Fonte:

http://zap.aeiou.pt/editora-retira-de-livro-escolar-rapaz-que-atirava-o-gato-da-varanda-69162#comment-132429

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:56

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Quarta-feira, 9 de Julho de 2014

MAUS TRATOS E ABANDONO DE ANIMAIS VÃO SER PENALIZADOS COM MULTAS E PRISÃO? E A TORTURA DE TOUROS E CAVALOS NAS ARENAS E DOS ANIMAIS NOS CIRCOS ESTÁ INCLUÍDA?

 

Sim, porque animais não são só Cães e Gatos…

 

Se não está, a lei que poderá ser aprovada, será uma lei hipócrita, como tantas outras, que atiram areia para os olhos do povo, para o manter cego…

 

 Este será um pequeno passo, ajustado às pequenas mentalidades que nos governam.

 

 Não haverá políticos em Portugal, com coragem para dar um grande passo e atravessar o abismo que nos separa da civilização?

 

 

 

O que vemos nesta imagem também são animais, e existe uma lei portuguesa que permite que sejam cobardemente torturados, em público, para divertir sádicos.

 

Onde está a coerência dessa lei que pretende penalizar com multas e prisão os maus-tratos a animais?

 

Apenas os animais de companhia são animais?

 

Os legisladores portugueses deveriam regressar aos bancos da escola básica para aprenderem o básico de Biologia.

 

Se perguntarmos a uma criança de quatro anos, ela dirá que o cavalo, o boi, o leão, o elefante são animais.

 

Mas se perguntarmos à maioria dos deputados da Assembleia da República, não saberão responder, porque fizeram uma lei que exclui estes animais do Reino Animal.

 

Então agora, como manobra de diversão, com o intuito de calar a boca dos que lutam pelos Direitos dos Animais, mandam cá para fora uma leizinha que só reconhece os Cães e Gatos como animais.

 

Um rebuçadinho, para entreter, e desviar a atenção da crueldade que atinge todos os outros animais, e não só os de “companhia”.  

 

«As regulamentações e o direito são uma invenção perigosa do homem. Servem para justificar legitimidades ou recusas, de acordo com as circunstâncias. O sábio não precisa de leisin «O Dia de Aljubarrota», de Luís Rosa, Editorial Presença.

 

O que faz falta aos que se candidatam a políticos é um pouco mais de Cultura Culta, de Cultura Política, de Leituras Nobres, como a dos livros deste escritor Português, Luís Rosa, que (aposto) quase nenhum (ou mesmo nenhum) dos deputados da Nação conhece. E ele é tão-só um dos nossos grandes escritores contemporâneos.

 

Congratulo-me com esta Lei que irá beneficiar os meus queridos amigos Cães e Gatos que, alegadamente, poderão ficar mais protegidos, o que duvido, pois em Portugal, as leis que já existiam para este efeito, nunca foram cumpridas.

 

Só são cumpridas (e aqui-del-rei se não as cumprem), as que permitem a tortura de animais.

 

***

O diploma que será analisado amanhã, prevê que quem infligir maus tratos físicos a um animal de companhia é punido com pena de prisão até um ano ou pena de multa até 120 dias, que se agrava para prisão até dois anos e multa até 240 dias caso a agressão resulte na morte ou na privação de “importante órgão ou membro” do animal.

 

O abandono de animais de companhia vai também passar a ser punido com pena de prisão até seis meses ou pena de multa até 60 dias, de acordo com o diploma, apresentado esta terça-feira pelo deputado do PSD Cristóvão Forte, no Parlamento.

 

A proposta de substituição que vai a votação final global no dia 10 diploma partiu de projectos de lei do PS e do PSD, que chegaram a acordo na especialidade, encerrando um processo legislativo que se iniciou no final de Novembro passado e que teve origem numa petição, entregue em Outubro de 2012, que solicitava a aprovação de uma nova lei de protecção dos animais, que obteve mais de 40 mil assinaturas.

 

Esta proposta consagra a legitimidade das associações zoófilas legalmente constituídas para «requerer a todas as autoridades e tribunais as medidas preventivas e urgentes necessárias e adequadas para evitar violações da presente lei».

 

Fica ainda estabelecido que as associações zoófilas podem «constituir-se assistentes em todos os processos originados ou relacionados com a violação» das novas normas, ficando dispensadas do pagamento de custas e taxa de justiça.

 

Em declarações aos jornalistas, o deputado do PSD Cristóvão Norte considerou que o diploma, ao prever a criminalização de condutas anteriormente punidas como contra-ordenações, constitui um “grande passo civilizacional” na protecção “directa e reforçada” dos animais de companhia.

 

(Se Cristóvão Norte considera que este diploma constitui um “grande passo civilizacional”, significa que havia um atraso civilizacional quanto a esta matéria. Contudo, este atraso civilizacional continuará a existir, até que todos os animais sejam contemplados, porque nenhum animal humano tem o direito de maltratar um animal não humano. Partilhamos todos o mesmo Planeta, e todos temos as mesmíssimas necessidades e sofrimento.)

 

 

Definitivamente os deputados não sabem mesmo o que é um animal!

 

Fonte:

http://www.jn.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=4014842&page=-1

***
 

NOTÍCIA DE ÚLTIMA HORA

(Mensagem do deputado Cristóvão Norte)

 

«DIA Histórico - 10 de JULHO

 

Caros amigos,

 

A votação de hoje na especialidade foi adiada por solicitação de um dos Grupos Parlamentares, num exercício de um direito que lhe assiste. É um pequeno contratempo, mas vamos conseguir. Todavia, está garantido que a votação final do projecto será dia 25. Temos que mostrar que o avanço da protecção dos animais - com a criminalização dos maus tratos e do abandono - são um importante avanço civilizacional que deve ser aprofundado. É importante estarmos unidos para este passo, e para outros que todos queremos que se sigam. Espero que estejam presentes nessa votação, se vos for possível. Só assim se demonstra a força imparável desta causa.

 

Um abraço a todos

Cristóvão Norte»

 

***
Senhor Deputado,

 

Dia histórico será o dia em que todos os animais, incluindo touros, cavalos, animais de circo (leões, ursos, elefantes, golfinhos etc.), galos, porcos, vitelos, cabritos, e muitos outros, estejam incluídos neste diploma e os seus carrascos sejam penalizados com multas e prisão.


Outra coisa, o Senhor Deputado baralhou-se. O dia 10 não
é amanhã?

Isto não é bom prenúncio.


E já agora poderia ter referido qual o grupo parlamentar que pediu o adiamento desta votação.

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 12:19

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Sexta-feira, 29 de Novembro de 2013

«O ÚNICO ARGUMENTO LEGÍTIMO E VERDADEIRO QUE TÊM OS AFICIONADOS É O DE A TOURADA SER UM ESPECTÁCULO LEGALIZADO…»

 


Por: Cristina D'Eça Leal


«O único argumento legítimo e verdadeiro que têm [os aficionados], é o de a tourada ser um espectáculo legalizado e, como tal, terem todo o direito a participar. Ponto final porque acabam aí os argumentos válidos. O Sr. que fala em adrenalina ou no sangramento para alívio do touro obviamente não entende nada de biologia, de fisiologia ou de comportamento animal; percebe apenas da sua adrenalina quando assiste a espectáculos de violência. Essa dos sangramentos para alívio dos humores foi uma prática médica muito em voga na Idade Média mas abandonada posteriormente.


O que está na base do movimento anti-touradas não é claramente uma questão de gostos. Os gostos não se discutem. O pior é quando os nossos gostos colidem com a vida ou a integridade física de outros. Gostar é diferente de amar ou respeitar. É por demais evidente que os pedófilos gostam de crianças; mas é uma maneira de gostar que passa pela exploração dos menores e pela negação dos seus direitos.


Os que vivem da indústria tauromáquica cuidam dos touros porque vivem da sua exploração; se eles não lhes trouxessem rendimento, duvido que tratassem deles em regime pro-bono. Mas fica o desafio: vamos ver quantos aficionados amam verdadeiramente a raça taurina e se dispõem a cuidar dos exemplares existentes quando acabarem as touradas. Como fazem, por exemplo, as associações de animais por este país fora, que abnegadamente se dedicam a cuidar de cães e gatos abandonados.


Outra falácia comum para fugir à discussão séria sobre ética é comparar a vida em liberdade que precede a tortura na arena à vida dos animais em criação intensiva. É claro que a criação intensiva é uma ignomínia, mas não invalida que as corridas de touros não constituam também uma ignomínia.


Aqui podemos cair na questão de comparar coisas parvas como campos de concentração, por exemplo: seria melhor acabar em Auschwitz ou em Treblinka? É melhor morrer à nascença ou aos 4 anos? Com uma facada no peito ou afogado? Tudo isto são questões absolutamente laterais e cujo único objectivo é desviar a atenção de uma pergunta muito simples: é eticamente aceitável criar um animal para o massacrar publicamente e ganhar dinheiro assim? Se respondermos sim, abrimos a porta para as lutas de cães, de galos, e até de indivíduos que, por grande carência financeira ou mesmo falta de neurónios, se disponham a entrar num recinto e participar numa luta de morte em jeito de espectáculo.


Há quem goste de ver. E se vamos pela quantidade de público a assistir, nada batia os linchamentos públicos nos pelourinhos. Mas isso também acabou; houve uma altura em que passámos a considerar isso um espectáculo incorrecto e imoral.»

Fonte:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=214250355424408&set=a.105563109626467.7657.100005183347345&type=1&theater

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:20

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Quarta-feira, 25 de Julho de 2012

A «FESTA BRAVA» ESTÁ CADA VEZ MAIS A CAMINHO DO FIM...


 

 

Reparem no corpo do animal, marcado a ferro e fogo, a sangrar, e principalmente vejam a patinha dianteira. É isto que os legisladores portugueses estão a APOIAR?

 

 

Li o texto que se segue, algures, publicado pela ASSOCIAÇÃO PRÓ TOIROS NA LINHA (que não pode ser registada com este nome, até já me ri!), e fiquei a reflectir.
 
As coisas estão a correr bem.

Cada vez menos gente está interessada na TORTURA de TOUROS E CAVALOS.

É que isto não combina nada com EVOLUÇÃO e com CULTURA.

E quem é que gosta de ser chamado de atrasado ou de inculto? 
 
E quem, neste momento, depois de toda a REVOLUÇÃO que vai por este mundo fora, no sentido da ABOLIÇÃO das Touradas e da LIBERTAÇÃO ANIMAL, quererá correr o risco de ser qualificado de ignorante?

 

Sim, porque IGNORANTE, de uma maneira ou outra, somos todos nós.

 

Eu, por exemplo, sou ignorantíssima em Física Nuclear. Não sei nada sobre Física Nuclear. Logo, sou ignorante nesta matéria.

 

Ora, quem não percebe nada de BIOLOGIA, não sabe o que é um animal, nem do que um animal é feito. Pensam que é de pau, e o que vêem sair do corpo dele, quando lhe espetam bandarilhas, é sumo de tomate, que está dentro de sacos de plástico.

 

Assim sendo, uma pessoa que não sabe BIOLOGIA é IGNORANTE nesta matéria.

 

Posto isto, vamos saber dos AZARES DOS AFICIONADOS (os sublinhados são meus):

 

 ***

 

«A União é Suposta Fazer a Força... E a “Festa” mais que nunca está a precisar!

 

Por Associação Pró Toiros na Linha

Quinta-feira, 14 de Junho de 2012 às 18:47

 

Vivemos um momento de grande tensão no meio taurino!

E vivemos este momento por diversos motivos, externos, mas também alguns internos...

Na verdade vivemos esta crise que assola a economia do nosso país e as finanças do seu Povo (isto não é verdade, a verdade é que as pessoas estão a deixar de ser ignorantes, por isso não vão às touradas. Os campos de futebol não têm esse problema.)

 

Em consequência, menores são as possibilidades de cada um de nós assistir a todas as Corridas de Toiros que gostaríamos!

Mas isto acontece na tauromaquia, como acontece no cinema, teatro, nos restaurantes, nas casas nocturnas e em todas aquelas coisas que por não serem de importância máxima para a sobrevivência de cada um, são postas à margem num momento em que os remédios, a alimentação própria e da família ou a casa já começam a ser fardos difíceis de suportar! (até porque muitas dessas “coisas” deixam de ter ajuda, para que haja apoios para as touradas, mas não chega, pois não?)

 

Nesse sentido há que repensar, sem qualquer sombra de dúvida, como fazer para levar a tauromaquia de uma ponta à outra da crise, sã e salva e nas melhores condições possíveis.

 

Passará certamente por uma solução conjunta de Ganadeiros, Empresários, Criadores de Cavalos, Toureiros e todos os restantes intervenientes directos e indirectos da Festa. (Têm todos de mudar para uma profissão menos sanguinária, é a única saída.)

 

Passará certamente por criar regras de sobrevivência para este espectáculo, esta arte que todos tanto gostamos e pela qual alguns arriscam tanto das suas vidas e até das vidas dos seus familiares directos, uma vez que disso depende a sua subsistência e das suas famílias. (Coitadinhos, vivem tão mal, à custa da violência! A violência acaba sempre por se espatifar na berma de uma estrada poeirenta, não se esqueçam disso. É melhor saírem dela, enquanto vão a tempo.).

 

Mas passará certamente pela união de todos sem excepção, intervenientes e aficionados! Porque há sem dúvida muitos aficionados que são os primeiros a prestar serviço à causa dos anti-taurinos... (Ora se prestam! Não dizem uma de jeito. Não têm sequer um argumento para justificar a TORTURA, ou seja, o que não pode ser justificado, logo quantas mais dessas vierem, mais ajudam a causa anti-tourada. A ignorância é a mãe da crueldade... Não se esqueçam desta também...)

 

Dizia eu no princípio deste modesto desabafo que a Festa vive um momento de grande tensão interna e externa. (Tensão, não, extrema-unção... está no fim...podem crer!)

 

Na verdade, os anti-taurinos encontraram em alguns políticos, essencialmente no Bloco de Esquerda, mas também em alguns outros partidos políticos, aliados para fazer crescer a sua luta. (E ela está VIVA, cada vez mais VIVA, em todo o mundo).

 

E assim se têm organizado – aliás muito bem – cavando trincheiras bem no meio das nossas casas sem que nós demos por isso ou no mínimo, sem que façamos alguma coisa contra isso! (O que demonstram que estão a ser espertos. Não vale a pena imitar o Dom Quixote.)

 

Até porque, já se sabe, quem está instalado pouco se mexe em sua própria defesa até ao dia em que lhe entram pela casa dentro...

 

O BE, encontrou nesta batalha, bem como na do aborto entre outras, a capacidade de mobilizar alguns fanáticos e assim gerar alguns – poucos - votos. E nesta fase em que tão por baixo estão, cada vez mais precisam de causas fanáticas a que se agarrar! (Causas fanáticas, alto lá! A vossa causa é que é fanática, porque implica VIOLÊNCIA CONTRA UM SER VIVO PARA VOS DIVERTIR, e não vêem um palmo adiante do nariz, só o sangue dos pobres animais vos dá gozo).

 

Assim, depois de em 19 de Janeiro ter percebido não haver condições para apresentar os Projectos-Lei a votação, a quando do debate em que a tauromaquia saiu vitoriosa do Parlamento, viu na recepção feita pelo Sr. Primeiro-ministro a um movimento anti-taurino e na recepção do Secretário do Estado da Cultura a associações anti-taurinas para estas opinarem sobre o documento que virá depois de aprovado a regular a Tauromaquia, o clima mais favorável ao contra-ataque! (Alto lá! Quem tem saído vitoriosa no Parlamento é a CAUSA DA ABOLIÇÃO DA TOURADA. Nunca como agora se tem falado tanto no assunto. E isso já é uma grande VITÓRIA, e podem crer: os partidos que estão a favor da tauromaquia vão ser PENALIZADOS, e MUITO, nas próximas eleições, porque nós SOMOS MUITO MAIS).

 

Em resultado disso, no próximo dia 22 de Junho, pelas 17 horas, e segundo nos diz a Prótoiro – passo a citar - “o Bloco desafia agora todos os interessados em participarem num debate público sobre esses mesmos projectos que, mesmo sabendo-se que não ameaçam a continuidade da Tauromaquia, constituem um ataque inadmissível e intolerável à Cultura, à Identidade e à Liberdade dos Portugueses”.

 

Face a este apelo da Prótoiro, é sem dúvida chegada a hora de toda a afición se mobilizar para defender os seus princípios.

Peço assim com a maior humildade a todos que deixem as “fracturas” e ideias próprias de lado e apoiem a Prótoiro incondicionalmente nesta acção, apoiando assim a própria Festa Brava e a verdadeira Cultura Portuguesa! (Viu-se a postura da prótoiro: só insultos. E nós tivemos mais uma GRANDE VITÓRIA. Além disso limpem a boca quando falarem em CULTURA PORTUGUESA. A tauromaquia não consta em nenhum livro de CULTURA PORTUGUESA. Eu sei do que estou a falar, porque estudei essa matéria na Faculdade, e nunca ouvi falar que a tauromaquia fosse “cultura”. Será COLTURA? Mas essa não vem nos livros.)

 

Podem estar certos de que os políticos, os partidos e os governantes portugueses estão atentos à nossa capacidade de mobilização nesse dia, podendo esta ser determinante na forma como a Tauromaquia será tratada por estes no futuro! (Os políticos não estão atentos à vossa “capacidade de mobilização”, porque ela não existe. Estão, sim, atentos é aos votos que VÃO PERDER se continuarem a apoiar a TORTURA).

 

Se no Europeu de Futebol se diz agora: - Onze por Todos e Todos por Onze, é momento de na Tauromaquia se dizer:

 

- Todos com Todos pela Tauromaquia!!!

 

Ricardo Dias Pinto»

 

***

 

Pois Ricardo Dias Pinto, a esmagadora maioria dos Portugueses está a dizer: MORRA A TAUROMAQUIA.

 

E ela está moribunda... Está com os pés na cova. Agora é só mais um empurrãozinho e ela ficará enterrada por inteiro, como ficaram todas as outras “tradições primitivas e sangrentas” que já nenhum povo civilizado pratica.

 

Podem ir pensando em hortinhas e pomares. Esqueçam as arenas da tortura.

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:09

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Terça-feira, 1 de Junho de 2010

EM DEFESA DO TOURO - NÃO DESISTIREI...

 

                                                                         Touro Ferido (Internet)

Isto é Arte? É Cultura? É Património? É Festa? Tenham vergonha!

 

 

(PARA VASCO GRAÇA MOURA)

 

 

Na última revista “Caras”, nº 772, de 29 de Maio de 2010, foi publicado um artigo sob o título «AFICIONADOS DA FESTA BRAVA REUNIDOS – Admiradores das Touradas defendem tradição no Campo Pequeno».

 

E lá vem algumas fotografias dos aficionados, dos empresários da tortura, enfim... unidos para apoiar a PRÓTOIRO – Federação Portuguesa das Associações Taurinas, que tem como objectivo principal defender e preservar o PATRIMÓNIO da tauromaquia.

 

Ora nem mais, vamos propô-lo à UNESCO, como PATRIMÓNIO DA DESUMANIDADE, uma vez que a UNESCO, na sua DECLARAÇÃO, em 1980, a este propósito, diz o seguinte: «A tauromaquia é a terrível e venal arte de tourear e matar animais em público, segundo determinadas regras. Traumatiza as crianças e adultos sensíveis. A tourada agrava o estado dos neuróticos atraídos por estes espectáculos. Desnaturaliza a relação entre o homem e o animal, afronta a moral a educação, a ciência e a cultura».

 

Não inventei nada.

 

Depois o cavaleiro João Ribeiro Telles, falou da importância que a PRÓTOIRO tem para DIGNIFICAR e divulgar a tauromaquia. Como se a tortura de um ser vivo possa ter alguma dignificação!

 

E diz mais o cavaleiro Telles: «É uma obrigação nossa, intervenientes da FESTA, ENGRANDECER esta ARTE e dinamizá-la. Não damos muita importância às vozes contra a tourada, NÃO TÊM um peso grande, e isso ultrapassa-nos. O que queremos é preservar a TRADIÇÃO».

 

Primeiro: a FESTA. Se formos ao dicionário ver o que significa festa, encontramos, por exemplo, “alegria”.

 

Sim, a tourada é uma festa de alegria: chega o magnífico Touro à arena, depois um cavaleiro a picar o cavalo, a tal ponto que lhe fere a abdómen, e o sangue começa a escorrer. Depois vem o espetar das bandarilhas, a abrir buracos no dorso do Touro e a fazer escorrer mais sangue. E entre olés e gritaria histérica o Touro vai lutando, como pode, pela sua vida, arfa, espuma, e vem mais outra farpa, e outro buraco nas carnes já feridas, rasgadas, e mais sangue jorra. É na verdade a FESTA dos sádicos.

 

Quanto à ARTE querem dizer: arte da TORTURA. Lá isso é!

 

O que pretendem é preservar a TRADIÇÃO dessa TORTURA.

 

Que tradição? Uma tradição que nem sequer é portuguesa.

 

Depois vem um depoimento de um dos membros da Associação Portuguesa de Empresários Tauromáquicos, os tais dos negócios, a puxar a brasa para a sardinha deles. Claro!

 

E a seguir vem um parágrafo que me deixou estupefacta, e que diz o seguinte:

«Apesar de não ser um dos intervenientes directos no espectáculo tauromáquico, Vasco Graça Moura é uma das muitas figuras públicas que apoiam esta causa».

 

E Vasco Graça Moura profere então esta pérola discursiva: «Há muito tempo que acho que a festa brava deve ser defendida. Cada pessoa é livre de ter a sua opinião, mas para mim o argumento do sofrimento animal não me parece suficiente, porque assim não comeríamos leitão da Bairrada nem frango de aviário... E há outros interesses em jogo, como a importância antropológica, cultural e económica da festa brava. Acho que é um espectáculo bonito, com a coreografia do perigo entre a inteligência e agilidade do homem com a força bruta do animal».

 

Banzei-me! Para Vasco Graça Moura o argumento do sofrimento do animal é irrelevante, porque assim não comíamos leitão nem frangos.

Eu não acredito que alguém que é (será?) da CULTURA CULTA pudesse dizer tamanha idiotice. Como se o leitão e as galinhas, que ele come, fossem torturados, massacrados, picados com farpas durante duas ou mais horas, até à sangria total, e passados uns dois ou três dias, são mortos.

 

Disse bem, senhor Graça Moura, há outros interesses em jogo, mas não a importância antropológica (então e o lobo, e o lince, e outras espécies que estão em extinção em Portugal, incomodam-se com isso?); nem cultural, pois quem tem um pingo de inteligência sabe que TORTURA NÃO É CULTURA, em lugar nenhum do mundo civilizado. Fale-me da questão económica, essa sim, com peso, à custa da tortura do Touro. Uma desonra para um país com gente dentro!

 

O espectáculo é “lindíssimo”, realmente, com todo aquele sangue a escorrer, com o desespero do animal a sair-lhe pelos olhos, a dor muda que ele sente ao ter as suas carnes rasgadas... Espete uma coisa daquelas nos seus costados, senhor Graça Moura e sinta: a dor é IGUAL, pois o Touro é um mamífero superior... igualzinho a si, por dentro, fisicamente, mas muito superior na dignidade dele, como um animal não humano.

 

É um espectáculo deveras “lindíssimo”... para os sádicos, para os carniceiros!

 

Bem... não vale a pena falar nisto, pois só assim se exprime quem não tem a mínima noção básica de Zoologia, de Biologia, de Anatomia... enfim... Não sabe nada dos seres vivos, nem de si próprio.

 

O senhor Graça Moura gosta da coreografia do perigo, que, aliás, é muito parecida com a coreografia do bailado “Lago dos Cisnes”; gosta também da “inteligência” e “agilidade” do homem contra a força bruta do animal.

 

Que inteligência? Que agilidade? Com farpas na mão? Com espadas na mão? Contra um animal já torturado no curral, sem qualquer força bruta para se defender na arena?

 

Isso chama-se COBARDIA, da parte do homem, obviamente.

 

No meio deste Circo Romano, o BRAVO é o Touro.

 

O artigo acaba dizendo que os aficionados puderam deixar a sua marca numa tela feita para a ocasião por Júlio Pomar. Júlio Pomar!!!

 

A marca do sadismo.

 

Cada um é livre de ser sádico.

 

Já não é livre de usar o seu sadismo para torturar animais. É por isso, que há gente que GRITA por eles, uma vez que não têm voz para se defenderem dos sádicos.

 

E finalmente, eu sou livre para retirar das minhas estantes os livros de Vasco Graça Moura, que até este momento tinha como um homem inteligente e de Cultura Culta, e agora sei que não é nada disso.

 

Que desilusão!

publicado por Isabel A. Ferreira às 19:14

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