Terça-feira, 22 de Janeiro de 2019

A “ARTE” DE TOUREAR PARA UM ESCRITOR ESPANHOL

 

"A arte de tourear consiste em converter em vinte minutos um belo animal numa almôndega sangrenta perante um público exultante."

(Manuel Vicent – Escritor, Jornalista, e Galerista de Arte espanhol)

 

Por cá, há quem veja na "arte" de tourear um bailado, por exemplo, Assunção Cristas, deputada da Nação.

Tudo depende do olhar: se está límpido, vê a almondega sangrenta; se está embaciado, vê um bailado, onde bailarinas com meias cor-de-rosa  apresentam coreografias ternurentas...

 

MANUEL VICENT.jpg

Origem da foto:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=2307114435965516&set=a.847852941891680&type=3&theater

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:10

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Segunda-feira, 24 de Setembro de 2018

A INEVITÁVEL EXTINÇÃO DA TAUROMAQUIA

 

Este ano, tal como nos anos anteriores, o público de touradas escasseou substancialmente, num inequívoco sinal de decadência, que, inevitavelmente, conduzirá à sua extinção, evidente e garantida.

 

Em contrapartida, a estupidez, que já era infinita, dos que andam por aí a tentar salvar a morta (ou seja, a tauromaquia) aumentou para o infinito elevado ao infinito.

E já não há pachorra para tanta estupidez!

 

Basta olhar para esta imagem, para comprovar que a tauromaquia é, na verdade, uma doença do foro psiquiátrico, e que de arte e cultura nada tem.

E só os ignorantes e aldrabões afirmam o contrário, parafraseando o amigo Dr. Vasco Reis, médico-veterinário.

 

PSICOPATAS.jpg

 Quando te disserem que isto é Arte e Cultura, pensa nestas fotos! (Arsénio Pires)

 

Origem da foto

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1861906227223039&set=a.110640459016300&type=3&theater

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:29

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Quinta-feira, 23 de Agosto de 2018

FEITIÇO VIROU-SE CONTRA O FEITICEIRO E FORCADO FOI ATINGIDO POR UMA BANDARILHA

 

De acordo com a notícia, um forcado amador da tertúlia tauromáquica do Montijo foi ferido com uma bandarilha na tourada que teve lugar no passado dia 16 em Arruda dos Vinhos, onde a civilização ficou a milhas...

Pois o que há a dizer sobre isto? É que apesar da cara lastimosa do forcado e do sumo de tomate que lhe escorre pelas mãos, isto não doeu nada (não é sumo de tomate que os aficionados acham que sai do corpo dilacerado do Touro, ao não reconhecerem que ele sofre tanto como nós, e que o que lhe corre nas veias é um sangue, com um ADN semelhante ao humano?) 

Se não dói aos Touros, que é um animal mamífero, tal como nós, também não há-de doer a um forcado que também é um animal mamífero.

 

forcado-bandarilhado.jpg

 O que se vê na imagem faz parte da arte e da cultura tauromáquicas, apoiadas pelo governo português e pela igreja católica. O forcado está abençoado. Podia ter morrido, mas não morreu. Mas se morresse, a turba iria delirar, do mesmo modo que delira com a morte dos Touros. Faz parte dessa arte e dessa cultura.

 

Lamento pelo Touro, que estava moribundo, e lamento que o meu dinheiro sirva para pagar a despesa hospitalar de quem foi para a arena, por livre vontade; e se foi espetado por uma bandarilha, pode ser que lhe sirva de lição, porque as bandarilhas rasgam as carnes e as carnes sangram, de facto, sejam carnes de Touros, sejam carnes de forcados.

 

E quem não consegue entender isto, anda no mundo só por ver andar os outros. São uns pobres coitados, condenados à escuridão.

 

Isabel A. Ferreira

 

Fonte da imagem e da notícia:

https://protouro.wordpress.com/2018/08/20/touro-moribundo-bandarilha-forcado/

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:53

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Domingo, 19 de Agosto de 2018

TOURADAS: QUANDO OS PINCÉIS SÃO LÂMINAS

 

BULLFIGHT.jpg

 

This is part of the "art" of a bullfight. Where the brushes are blades, the canvas is live flesh, organs, muscles and nerves and the ink is shed blood. The masterpiece is the shredding of a being until it turns him into a dying mass.

Until when?

 

Isto faz parte da "arte" de uma tourada. Onde os pincéis são lâminas, a tela é carne viva, os órgãos, músculos e nervos e a tinta é sangue derramado. A obra-prima é a destruição de um ser até ser transformado numa massa moribunda.

Até quando?

 

Até quando? Até que o povo decida não votar em trogloditas.

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:21

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Quinta-feira, 28 de Junho de 2018

HOJE, ALGURES EM LISBOA, UM GRUPO DE TROGLODITAS REÚNE-SE EM DESESPERO DE CAUSA PARA TENTAR MANTER DE PÉ A MORIBUNDA TAUROMAQUIA

 

Coitados! Ainda não se aperceberam de que as touradas não são factos, nem realidades ancestrais do povo português, nem tão-pouco tradição.

 

As touradas são apenas o reflexo de uma época bárbara, onde reinava uma ignorância que passou de geração em geração e entranhou-se como uma lepra incurável na pele dos últimos cavaleiros do apocalipse do Século XXI D.C.

 

Hoje, algures em Lisboa, um grupo de trogloditas tentará derrubar projectos civilizados, esquecendo-se de que a voz da minoria que representam até pode sair da sala, mas só dirá do desespero deles e da sua profunda miséria moral.

 

 

O que se vê neste vídeo é a realidade espanhola, que é igualmente a realidade portuguesa. Condutas macabras, que nem os homens primitivos praticavam, acontecem em Barrancos e Monsaraz, em arenas sempre quase vazias…

 

E apesar desse vazio, eles acham que são muitos. Eles acham que isto é tradição. Eles acham que isto é cultura, é arte, é coisa civilizada…

 

E o pior é que vivem virados para trás, para um passado que já passou, tão virados, que não conseguem ver a realidade e que o mundo avançou…

 

E a realidade é que as touradas estão mesmo à beirinha do abismo, e à menor brisa elas nele cairão, para sempre.

 

Podem reunir-se. Podem bradar aos céus. Podem viver na ilusão da mentira.

 

Porque os factos e as realidades das touradas são que elas estão definhadas, moribundas e os seus poucos aficionados deliram ao achar que este costume bárbaro está vivo e que ainda tem futuro.

 

E é como diz Cícero:

 

CÍCERO.jpg

 

Pois, hoje, algures em Lisboa, ir-se-á perseverar no erro.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:45

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Terça-feira, 12 de Junho de 2018

PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DA PÓVOA DE VARZIM PRESSIONADO PELA prótoiro

 

Esta vai ser a grande prova de fogo de Aires Pereira. Vamos ver o que vale a sua palavra.

É agora ou nunca, para provar se a Póvoa de Varzim, finalmente, está na senda da evolução.

 

Mas o que pretendem os protóiros?

A Póvoa de Varzim não é o quintal dos trogloditas lá de baixo.

Na Póvoa mandam os Poveiros não-trogloditas.

 

PRAÇA DA TORTURA.jpg

Esta é a arena de tortura da Póvoa de Varzim, marca do atraso civilizacional em que esta cidade está mergulhada.

 

A prótoiro - federação de tauromaquia - emitiu um comunicado muito engraçado, mostrando-se disponível para ajudar o município poveiro a gerir a arena, para que se continue a torturar Touros e Cavalos na Póvoa de Varzim, cidade que se diz “Amiga dos Animais”.

 

Lê-se co comunicado:

 

«Depois de durante muito tempo o Presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, Aires Pereira, ter anunciado que a remodelação da Praça de Toiros da cidade ia manter todas as suas valências tauromáquicas, causou choque e surpresa entre os Poveiros e os aficionados que este fim-de-semana viesse manifestar a intenção oposta

 

Primeiro: esta decisão inteligente não causou choque nem surpresa aos Poveiros, que receberam esta notícia com muito regozijo; causou choque e surpresa, isso sim, aos trogloditas poveiros, que é outra coisa, felizmente poucos, e aos manda-chuvas da tauromaquia em Portugal, felizmente também uns poucos, que, desesperadamente, andam por aí a tentar manter em pé o moribundo ofício da tortura de Touros e Cavalos.

Segundo: nunca é tarde para um presidente da Câmara enveredar pelo caminho da evolução, e querer o melhor para o município.

 

E o comunicado prossegue:

 

«Importa lembrar que a Tauromaquia é um traço centenário da cultura e identidade dos Poveiros, sendo a sua praça um ex-libris da cidade e da tauromaquia no norte de Portugal. Além disso, a tauromaquia é uma das marcas distintivas e uma das mais-valias da oferta turística e cultural da cidade e da região, com impacto económico. Basta referir a famosa Corrida TV Norte, que leva o nome da cidade aos quatro cantos do mundo.»

 

Este parágrafo é hilariante.

Primeiro: porque a tauromaquia não é um traço centenário de coisa nenhuma, muito menos de cultura e identidade dos Poveiros. Os Poveiros não se revêem neste costume bárbaro, que catapulta a Póvoa de Varzim para tempos medievalescos, assentes numa ignorância profunda, em comparação com a vizinha Vila do Conde, onde se respira Arte e Cultura por toda a cidade, preferida pelos turistas estrangeiros, que a escolhem para fazer Turismo Cultural. Sei do que falo, porque sou eu que os levo lá.

Segundo: a arena de tortura a ser um ex-libris, é o ex-libris do atraso civilizacional em que a Póvoa de Varzim está mergulhada.

Terceiro: a tauromaquia não é uma das marcas distintivas e uma das mais-valias da oferta turística e cultural da cidade e da região, com impacto económico: muito pelo contrário. É uma marca do atraso civilizacional, e uma menos-valia da oferta turística de qualidade. Os turistas de qualidade vão para Vila do Conde. A ralé que vai à Póvoa de Varzim assistir à tortura de Touros é sempre a mesma, uns poucos e desqualificados broncos. E se lá calha um ou outro turista estrangeiro, vai ao engano uma vez, e nunca mais lá põe os pés. Sei do que estou a falar.

Quarto: a tristemente famosa corrida TV Norte leva aos quatro cantos do mundo o quanto atrasada civilizacionalmente ainda é a Póvoa de Varzim, porque o mundo civilizado REJEITA esta prática bárbara, cruel e violenta. Isto não traz prestígio nenhum à cidade, muito pelo contrário.

 

E o comunicado continua a debitar disparates:

 

«Além disso, a Tauromaquia está classificada como “parte integrante da cultura popular portuguesa” (Decreto-Lei n.o 89/2014) e o Estado, central e local, tem a obrigação constitucional de promover o acesso de todos os cidadãos à cultura (artigo 73º, nº3) e da sua salvaguarda (artigo 78º) sendo o direito à cultura um direito fundamental (artigo 17º). Impedir ou proibir manifestações culturais é uma violação da constituição

 

Primeiro: a tauromaquia, como costume bárbaro que é, jamais foi ou será parte integrante da cultura popular portuguesa, e só fica mal ao Estado a promoção deste “divertimento” sádico, e a tortura não sendo cultura, nem aqui, nem na cochinchina, não cabe nos artigos citados. Essa Cultura a que se refere os artigos é a Cultura Culta e a Cultura Popular Portuguesa, não é a cultura dos broncos.

 

E os prótoiros vão sonhando, o que, aliás, não é proibido:

 

«Quanto a aspectos técnicos da recuperação, não existem limitações que impeçam a utilização da praça de toiros para funções multiusos, com a manutenção da tauromaquia. Basta ver os casos da Arena de Évora, Campo Pequeno, Redondo ou Elvas, onde as praças foram recuperadas e acumulam tranquilamente a sua função tauromáquica com as mais diversas actividades desportivas e lúdicas. Aliás, seria um enorme contra-senso uma praça de toiros ser reabilitada e não ter a sua principal função disponível, a não ser que exista alguma intenção oculta. Acreditamos que com boa-fé e know-how esta situação se resolverá com grande facilidade. Para que assim seja já solicitamos uma reunião urgente com o Presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim.»

 

Acontece que os casos das arenas citadas não são bons exemplos. Pertencem ao rol do atrasado civilizacional em que Portugal está mergulhado. O que se pretende é evolução e divertimentos civilizados, e não assentes no sofrimento atroz de seres vivos sencientes, para divertir os sádicos. Contra-senso é manter uma arena de tortura activa, a dar mau nome à cidade.

 

Pois solicitem uma reunião urgente.

Aires Pereira, presidente do município poveiro, estará na berlinda, e terá de mostrar ao mundo o que vale a sua palavra, porque ou dá um passo em direcção ao futuro, e mostra que é um HOMEM de palavra, ou dá um passo atrás, e mostra que se rende à barbárie, por motivos obscuros.

 

Veremos quem ganha: a barbárie ou a Cultura Culta. A Evolução ou o atraso civilizacional. O mundo civilizado está de olhos postos na Póvoa de Varzim.  Garantidamente.

 

Isabel A. Ferreira

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:18

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Quinta-feira, 10 de Maio de 2018

MORREU O TOURO SUFOCADO NO SEU CAIXÃO…

 

… quando ia a caminho de uma tourada...

 

Isto é o mundo bruto da tauromaquia, onde os Touros, bovinos, herbívoros mansos e sencientes, indefesos e inofensivos,   vão morrendo aos poucos, pelos caminhos que têm de percorrer entre o campo e a arena.

 

E alguns morrem antes de chegar à arena. Sufocados, confinados dentro de camiões.

 

E dizem que isto faz parte da tradição, da arte, da cultura dos países (oito terceiro-mundistas países) onde esta prática grosseira ainda persiste.

 

 

Repare-se na bestialidade desta "gente" grosseira, e em tudo o que envolve o que se vê na imagem. Os Touros são levados para a arena, fechados num cubículo, às escuras, onde mal cabem e respiram, e quando sobrevivem a esta tortura, e são largados nas arenas, ao que se passa imediatamente a seguir  - a reacção à luz, aos berros histéricos dos sádicos, ao lugar estranho, que não é o meio ambiente deles  - os tauricidas chamam "bravo" , e quando são atacados pelos cobardes toureiros, reagem com toda a coragem, num acto de legítima autodefesa, e os tauricidas chamam ao bovino que assim se defende "touro bravo".

Pudera! Qualquer animal humano ou não-humano, ficará bravo depois de passar o que estes desventurados Touros passam no caminho do campo à arena, enfiados e vilipendiados num cubículo, onde por vezes morrem asfixiados.

E há quem se pele todo a defender esta crueldade!

 

E o pior, acham que quem defende os animais não-humanos e a Vida, são doentes e precisam de psiquiatra, não tendo a menor noção de que eles é que são os psicopatas e os sádicos!

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:56

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Sexta-feira, 27 de Abril de 2018

UMA DAS MAIORES IGNORÂNCIAS DOS ACORDISTAS É PRETENDEREM COMPARAR O AO90 COM AS ANTERIORES REFORMAS ORTOGRÁFICAS

 

Os acordistas estão-se nas tintas para a contestação gerada ao redor do AO90, porque, dizem eles, os “outros”, os das outras épocas (e atiram-nos com Fernando Pessoa) também contestaram as reformas de 1911 e 1945, e elas avançaram.

 

Isto só demonstra uma profunda ignorância, e é essa ignorância que pretendo demonstrar.

 

oslusiadas[1].png

 

Não há comparação possível quanto a isto, porque a motivação da contestação às anteriores reformas nada tem a ver com a motivação da contestação ao AO90.

 

Porquê?

 

Porque as anteriores contestações basearam-se na “mudança”, e mudar, para alguns, é difícil, é complicado. Não tinham justificações concretas para contestarem o conteúdo, mas apenas a forma. Por isso as outras reformas avançaram.

 

Ao contrário, a contestação ao AO90 baseia-se em algo muito mais objectivo: na mutilação de palavras que conduz a estranhos sentidos e a pronúncias impronunciáveis, pois trata-se da imposição da grafia de um dialecto. E os anteriores reformistas jamais nos impingiram a grafia de um dialecto. A Língua que já era Portuguesa, já tinha deixado o estatuto de dialecto do Latim, foi modernizada. Um dia, ao dialecto brasileiro também acontecerá o mesmo: será Língua Brasileira.

 

Além disso, as reformas de 1911 e 1945 basearam-se na evolução da Língua. E para se entender isto, é preciso conhecer a Gramática e as regras pelas quais a Língua se rege. O AO90 não segue regras linguísticas. Segue regras de ignorantes. Porque todas as línguas, aliás, toda a actividade humana se baseia em regras. E isto, ou se sabe ou não se sabe.

 

Se se sabe, entende-se que as reformas anteriores ao AO90 assentaram em regras específicas que simplificaram a escrita, sem a desenraizar, sem a afastar da sua raiz greco-latina, sem a mutilar, sem a deformar, sem a desformosear, sem a descaracterizar.

 

Se não se sabe, faz-se papel de ignorante, ao dizer-se que “os outros” também contestaram as reformas, e que os contestatários actuais são velhos do Restelo, e que os brasileiros são milhões e nós milhares, como se isso fosse argumento para se destruir uma Língua.

 

A diferença entre as reformas ortográficas de 1911 e 1945 e a do AO90 é abissal.

 

Não cabe aqui esmiuçar a questão até á exaustão. Vou dar apenas os exemplos mais comuns:

 

Nas reformas de 1911 e 1945 o que era exahusto passou a exausto; o que era orthographia passou a ortografia; o que era portvgvesa, passou a portuguesa; o que era immoral passou a imoral; o que era lyrio passou a lírio; o que era pharmacia passou a farmácia; o que era phosphoro passou a fósforo, etc.. E o que mudou aqui? Suprimiu-se o H mudo, que não mudou a pronúncia; os Vs, para não serem confundidos, passaram a Us, e a pronúncia continuou a mesma; suprimiu-se o eme mudo, e a pronúncia continuou igual; substituiu-se o Y grego, pelo I do nosso alfabeto romano, e a pronúncia ficou igual; e o PH (som F) foi substituído pelo F do nosso alfabeto romano. Antigamente, grafava-se o fonema f com ph somente nas palavras de origem grega, por isso, Fernando Pessoa escrevia pharmacia com ph, e o F de Fernando, seu nome, grafava f. E o som era o mesmo.

 

Portanto, as consoantes mudas foram suprimidas apenas quando não interferiam com as vogais que as precediam, ou com a sua pronúncia, mantendo-se a etimologia e a elegância das palavras. As letras gregas foram substituídas pelas já existentes no nosso alfabeto, que é latino e não grego. E a matriz da Língua não foi alterada.

 

E a isto chama-se evolução.

 

Já o que acontece com o AO90 nada tem a ver com evolução, mas com a decadência da língua, assente na sua destruição deliberada.

 

O AO90 mutila as palavras, suprimindo consoantes mudas que interferem com as vogais que as precedem, alterando a sua pronúncia e, em determinados casos, o seu significado, afastando-as da sua etimologia, da sua raiz, e tornando-as visivelmente muito deselegantes.

 

Veja-se este exemplo: ao suprimir-se a consoante P no vocábulo adoção, não só se interfere com a vogal O que a precede, modificando a sua pronúncia (deve ler-se âdução), como no seu significado, que será algo a que se acrescentou bastante açúcar.

 

Agora repare-se neste conjunto de vocábulos, correctamente escritos, na grafia portuguesa, ao lado da sua forma mutilada, na grafia brasileira, com a respectiva pronúncia exacta:

 

Actor - Ator (âtôr); acepção - aceção (âc’ção); recepção - receção (rec’ção); adopto - adoto (âdôtu); afecto - afeto (âfêtu); arquitecto - arquiteto (ârquitêtu); tecto - teto (têtu); aspecto - aspeto (âspêtu); excepto - exceto (êxcêtu); coacção - coação (cuâção); colecta - coleta (culêta); correcto - correto (currêto); erecto - ereto (irêtu).

 

Repare-se na elegância da grafia portuguesa em relação à outra. As palavras mutiladas não são nada. Não significam nada. Não pertencem à Língua Portuguesa. São deselegantes. Ao lhes serem suprimidos os Cês e os Pês, interferiu-se com as vogais que as precedem, mudou-se-lhes a pronúncia, e, em certos casos, o significado também mudou, como na palavra coação (cuâção), que significa o acto de coar, e não coagir, como os acordistas pretendem.

 

E isto a isto chama-se decadência.

 

Ao olhar para estas e todas as outras palavras mutiladas, e as sem hífenes e acentos que nos querem impingir, é como se olhássemos para esta imagem:

 

DECADÊNCIA.png

 

Na verdade, o AO90 é isto: é a desistência da Arte de bem grafar as palavras; é tornar degradante o que já foi belo.

 

A falsa reforma do AO90 baseia-se na mutilação de palavras, supressão de hífenes em palavras compostas que, sem eles, ficam com outro significado; e eliminação de acentos que descaracterizam os vocábulos, o que resultou num monumental empobrecimento da Língua, na destruição da sua matriz, na deformação e afeamento das palavras, e em inúmeras incongruências que a leviandade e os motivos obscuros que estão por detrás de tudo isto desencadearam.

 

Nada disto faz sentido, porque o AO90 tem como objectivo único impor-nos o dialecto brasileiro, justificando esta imposição com o argumento da quantidade, sobrepondo-a à qualidade: «eles são milhões e nós milhares», e isto nada tem a ver com o que levou Dom Diniz a rodear-se de estudiosos da Língua e a demarcar o Português, que se afastou do idioma galaico-português, usado por Galegos e Portugueses, e mais tarde em 1911 e 1945, outros estudiosos da Língua adaptaram-na aos tempos modernos, mas jamais a mutilaram, a deformaram, a empobreceram.

 

A Língua Portuguesa é uma língua românica ou neolatina, oriunda do Latim, introduzido na Península Ibérica aquando da invasão romana. É uma Língua irmã do Galego. Tem genealogia, tem história e é memória (cf. Fernando Paulo Baptista). Portanto, é inadmissível que um bando de ignorantes destrua essa genealogia, essa história, essa memória, apenas por que sim.

 

Anda-se há anos a tentar unificar o que não é unificável. Nada resultou, porque não pode resultar. Por que se há-de insistir neste monumental erro?

 

Lê-se por aí que a Língua portuguesa é o único idioma moderno a admitir duas ortografias, o que dificulta a sua promoção externa, quer em universidades estrangeiras, quer em organismos internacionais em que Portugal tem assento.

 

Mas que falácia é esta?

 

Tomemos a Língua Inglesa como exemplo. Uma língua culta e europeia, grafada nas suas ex-colónias de modo diferente e falada até de modo diferente. Mas quando se trata de promoção externa ou em universidades estrangeiras é a Língua Inglesa, na sua forma culta e europeia que prevalece, e não o dialecto americano. E o mesmo se dá com as outras línguas de ex-colonizadores.

 

Então porque há-de Portugal vergar-se ao dialecto brasileiro, e esquecer que a Língua Portuguesa é a Língua Portuguesa? Para agradar a quem?

 

É que aqui não se trata de uma “reforma ortográfica”, mas trata-se tão-só de impor o dialecto brasileiro a Portugal, ao mundo dito lusófono e aos estrangeiros, só porque eles são milhões.

 

Eu jamais trocaria a Língua Inglesa ou o Castelhano, que domino, pelos dialectos americano e sul-americanos. E a quem se dispõe a aprender Línguas, não lhe interessam dialectos, a não ser para complementar o conhecimento.

 

Lê-se também por aí que a “diferença” ortográfica era o principal impedimento à circulação do livro português no Brasil. Mas em Portugal não há impedimento. Os Portugueses sempre leram (os que lêem) as obras de autores brasileiros no seu original, e nunca foi impedimento a sua circulação em Portugal. Porquê? Os Brasileiros serão menos espertos do que os Portugueses?

 

Mas se isso é impedimento, então o Brasil que adopte a grafia da Língua Portuguesa, e não o contrário. Eles são milhões? E daí? São milhões e têm um dialecto. Nós somos milhares e temos uma Língua. Porque se há-de impor o dialecto em detrimento da Língua?

 

É chegada a hora de cortar o cordão umbilical, e cada um ficar com a sua grafia, pois, para haver unificação, ou passamos todos a ser Pôrrtugau, ou passamos todos a ser Bráziu.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 09:36

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Terça-feira, 27 de Fevereiro de 2018

ARTE VERSUS LIXO TAUROMÁQUICO

 

Para aqueles que não têm capacidade de distinguir entre a verdadeira Arte e o lixo tauromáquico aqui deixo estes dois vídeos.

 

Pode ser que cruzando as imagens possam ver que:

 

 ARTE É ARTE

 

 

LIXO TAUROMÁQUICO É LIXO TAUROMÁQUICO

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:06

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Terça-feira, 28 de Novembro de 2017

TOURADAS E FADO – 125 ANOS AO SERVIÇO DE QUE CULTURA, A CULTA OU A INCULTA?

 

É do domínio público que o campo pequeno é um antro de tortura, é a nódoa mais negra que desonra Lisboa. Pior do que os bairros de lata, porque nos bairros de lata, ainda se vislumbra uma réstia de dignidade. No campo pequeno existe apenas a ignomínia dos sádicos, que se divertem com o sofrimento atroz de seres vivos sencientes.

 

CP.png

 Origem da imagem:

https://protouro.wordpress.com/2017/11/23/aficionados-ingratos/

 

Quase todos os fadistas são aficionados de tortura de touros. Nasceram, foram criados e cresceram a ouvir dizer que torturar touros é tradição, é arte, é cultura.

 

E a selvajaria tauromáquica não é nada disso, pelo menos no sentido real dessas palavras: a tradição, tal como ela é absorvida pelos tauricidas, é apenas a personalidade dos imbecis, já dizia Albert Einstein; a verdadeira Arte não tortura, nem mata; e a Cultura implica o conhecimento, a moral e a capacidade adquirida pelo Homem como membro de uma sociedade caracterizada pelos valores humanos, e o que caracteriza o mundo tauromáquico? Precisamente o contrário de Cultura: desconhecimento, imoralidade, incapacidade de encaixar os valores humanos.

 

Nem sequer tentaram evoluir com o passar dos tempos. Sim, porque os tempos, hoje, são outros. As mentalidades evoluíram. As Ciências Biológicas evoluíram, e hoje sabemos (como se fosse preciso que a Ciência o dissesse) que os Touros e Cavalos são animais extremamente sensíveis, inteligentes e afectuosos, tudo o que os tauricidas e aficionados não são.

 

O campo pequeno, com o aval de um governo mais fascista do que esquerdista (ao menos, desta vez, tiveram um rasgo de inteligência e não se misturaram com a ralé), “celebrou” 125 anos ao serviço da “coltura” que é a dos broncos, com sessões de tortura de Touros e Cavalos, e encerrou essas “comemorações trogloditas” com Carlos do Carmo, de quem eu era fã, e deixei de ser, ao saber que era aficionado. Eu não sabia. E já o inscrevi na lista de nomes de figuras públicas que ficarão para a História como amantes da tortura de seres vivos. Que é um modo muito feio de ficar para a História. E a Raquel Tavares idem.

 

Isto só envergonha Portugal, e a legítima Arte e Cultura Portuguesas.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:36

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