Quarta-feira, 7 de Novembro de 2018

«GENTE CIVILIZADA TEM DE DEFENDER A EXTINÇÃO DAS TOURADAS…»

 

«… a bem dos animais, dos contribuintes e da evolução da sociedade». 

 

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Por

Joana Amaral Dias

 

A tourada deve ser proibida porque cravar ferros num touro é torturar um animal por entretenimento. Pois, pois é, há uma tradição. Mas se a tradição fosse escritura em pedra, ainda hoje havia escravatura, etc. Tesourar o lombo de um bicho por diversão não é cultura. É sadismo. Que, ainda por cima, vive à conta dos dinheiros públicos, dos cofres dos municípios, da RTP que transmite e que a promove em horário nobre. Se os contribuintes não pagassem esta arena, possivelmente ela já teria desaparecido. Aliás, o Estado não pode nem deve patrocinar a violência, seja ela qual for. Portanto, a Ministra da Cultura não tem nada que manter ou deixar de manter o IVA desta barbárie. O Bloco não tem que pugnar pelo aumento do imposto. Gente civilizada tem é que defender a extinção dessas corridas. Mais nada. A bem dos animais, dos contribuintes e da evolução da sociedade. Por fim, não deixa de ser incrível que o deputado do PAN vote favoravelmente este orçamento quando ele mantém a normalização e a institucionalização da tourada.

 

 

Contudo, não esquecer de que o PAN caminha sobre estilhaços de vidro. Tem de ter cuidado. Os sedentos não devem ir demasiado depressa ao pote da água.
O PAN, com esta atitude de uma no cravo, outra na ferradura, tem dado um grande avanço à causa animal.
E isso é o que mais sobressai, e também importa...
 
 
"Que não se tenha pressa, mas que não se perca tempo.
O tempo vale ouro para os que tem vontade de viver."

(Miriam Lewer)
 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 12:03

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Sexta-feira, 26 de Outubro de 2018

FIM DO USO DE ANIMAIS SELVAGENS NO CIRCO APROVADO NA ASSEMBLEIA

 

Espero que aqui estejam incluídos também os Cães.

Os animais nos circos são barbaramente maltratados para que façam coisas para os quais não nasceram.

O único animal que deve ser permitido nos circos é o animal humano, que tem muito potencial para as artes circenses, sem precisar de torturar animais selvagens ou domésticos.

A primeira e última vez que levei os meus filhos ao circo, foi há muitos anos, quando vi o Vítor Hugo Cardinali a bater, na arena, num elefante que se recusou a fazer a vénia. Levou com um grosso cajado na tromba e as lágrimas escorreram-lhe pela cara.

E se isto foi em público, imagine-se às escondidas!

Além de que os elefantes estavam confinados a jaulas e extremamente stressados. Fotografei-os.

Os animais selvagens pertencem à selva, não aos circos.

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 Filhote de elefante a ser treinado para o circo, e se isto não são maus tratos… (Foto: PETA)

 

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 Treino de um macaquinho num circo da China. Os métodos de treino são bastante cruéis, e envolvem medo, privação e espancamento. Veja-se o ar assustadíssimo do pobre macaquinho. Só de ver estas imagens dá vontade de atirar fogo ao circo. (Foto Reuters)

 

Foi aprovado, esta quinta feira, na especialidade, o fim do uso de animais selvagens nos circos, tendo sido estabelecido um prazo de seis anos, passados os quais a utilização dos animais passa a ser punida com contra-ordenações.

 

André Silva, deputado pelo partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN), em Dezembro de 2017 promoveu este debate na Assembleia da República.

 

O novo diploma, hoje aprovado em sede de Grupo de Trabalho sobre Participação de Animais em Circos e ratificado na Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto, reúne propostas de alteração do PAN, PS e BE, a par do PCP e do PEV.

 

No documento, as referências a animais selvagens "reportam-se exclusivamente aos espécimes das espécies incluídas nas listas". Dessas listas de espécies fazem parte macacos, elefantes, tigres, leões, ursos, focas, crocodilos, pinguins, hipopótamos, rinocerontes, serpentes e avestruzes.

 

No entanto, nesta lista, devia constar todos e quaisquer animais não-humanos, uma vez que nenhum animal não-humano nasceu para as artes circenses, que é coisa exclusiva dos “homens”. Não consta que os animais não-humanos possam ser treinados para substituir os homens na Assembleia da República, que é um lugar onde há também bastantes palhaçadas. Ora se não servem para a AR, também não servirão para os circos.

 

Competirá ao Governo criar um programa de entrega voluntária de animais usados em circos, bem como uma linha de incentivos financeiros destinados à reconversão e qualificação profissional dos trabalhadores das companhias circenses (domadores ou tratadores) que entreguem voluntariamente os animais que utilizem.

 

O Governo terá ainda de definir uma entidade responsável por garantir o registo e tratamento de dados no Cadastro Nacional de Animais Utilizados no Circo, que terá também de efectuar as apreensões dos animais mantidos ilegalmente nos recintos e recolocar, em centros de acolhimento, os animais entregues voluntariamente pelos seus proprietários ou detentores.

 

Mas como não há bela sem senão, os representantes portugueses da Associação Europeia de Circos já se manifestaram contra esta proibição, defendendo que o uso de animais selvagens nos circos contribui para a preservação da biodiversidade. E isto só se for no planeta Marte, porque no Planeta Terra, não se preserva a biodiversidade torturando cruelmente animais selvagens para fazerem habilidades humanas. Isto só pode sair de cabeças onde não existe nenhum neurónio a funcionar.

 

Que se acabe com este tipo de palhaçada nos circos, e que se promovam as Artes Circenses, incluindo a Arte de Fazer Rir, que é nobre e dignifica o Homem. Mirem-se no Cirque du Soleil.

 

Isabel A. Ferreira

Fonte da notícia:

https://rr.sapo.pt/noticia/128640/fim-do-uso-de-animais-selvagens-no-circo-aprovado-no-parlamento?fbclid=IwAR15ff-AuTzZSlbnV2uWzAL3KEhFE2qLPxAxrHRVGtTbTud_BBZQQl9EFO4

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:05

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Segunda-feira, 22 de Outubro de 2018

A QUESTÃO É QUE SOMOS TÃO ANIMAIS COMO ELES…

 

 

A QUESTÃO.jpg

 

 

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publicado por Isabel A. Ferreira às 16:21

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Quarta-feira, 10 de Outubro de 2018

«SALVEM AS RAPOSAS»

 

RAPOSA.jpg

Fonte da imagem:

https://www.facebook.com/256322287821476/photos/a.419244928195877/1838525406267815/?type=3&theater

 

«Os caçadores podem ser muitos, mas aqueles que abominam a caça são mais ainda. E são mais novos».

Essa é que é essa!

 

MEC.jpg

 

Texto de MIGUEL ESTEVES CARDOSO

 

 SALVEM AS RAPOSAS

 

Contaram-me esta história numa praia do Algarve, mas não sei se é verdade. Quando está muito calor há raposas que entram dentro de água para se refrescarem. Riem-se aos gritos da excitação e do alívio. Às vezes aproveitam para almoçar uma gaivota. As gaivotas sabem a tripa de peixe, mas as raposas não se importam.

 

Disse-nos que as raposas dormem nas dunas durante o dia. À noite ouvem-se as raposinhas a rir em voz alta, como se estivessem a acicatar-se umas às outras. Seja verdade ou não, é altura de dignificar as raposas e de proibir a caça delas. Merecem, no mínimo, a mesma protecção que os lobos.

 

As raposas são animais encantadores, engraçados e afectuosos, com um lugar central no nosso imaginário. Em Portugal podem ser caçadas entre Outubro e Janeiro com matilhas de até 50 cães. Oscar Wilde descrevia esta caça como "the unspeakable in pursuit of the inedible". É um acto de grande coragem uma data de seres humanos a ver 50 cães a despedaçar uma raposa até à morte.

 

O Bloco, o PEV e o PAN apresentaram projectos de lei para acabar com esta barbaridade, mas os outros partidos vão chumbá-los, claro. Têm medo de perder os votos dos caçadores. Demonizam a raposa como se estivéssemos na Idade Média.

 

Os caçadores podem ser muitos, mas aqueles que abominam a caça são mais ainda. E são mais novos. Muitos ainda não votam. Quando votarem terão morrido um número maior de defensores da caça.

 

Tal como acontece em quase todas as fábulas, a raposa acabará por ganhar. E havemos de nos rir com ela.»

 

Fonte:

https://www.publico.pt/2018/10/06/sociedade/cronica/salvem-as-raposas-1846398#comments

 

***

Na verdade, os partidos que servem os lobbies que pugnam pela crueldade, pela violência, pela matança brutal de animais indefesos, em nome do divertimento, ou de práticas economicistas, chumbaram a proposta do PAN.

 

Mas não se pense que o PAN perdeu prestígio com esta aparente derrota. De cada vez que um projecto de evolução, apresentado pelo PAN,  ou por outro qualquer partido político, é chumbado no Parlamento Português, são os partidos trogloditas, que ficam do lado da incultura e da involução, que perdem prestígio e credibilidade.

Portanto, ó caçadores desnaturados, o vosso riso de escárnio, não se compara ao riso límpido das Raposas, animais muito mais dignos e racionais do que qualquer um dos que as matam por mero instinto assassino.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:00

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Segunda-feira, 24 de Setembro de 2018

SANTO CATÓLICO FESTEJADO COM INDESCRITÍVEL CRUELDADE

 

Uma vaquinha amarrada grita de dor ao tentar fugir, nas “festas” de São Mateus, em Cuenca-Espanha

 

Como é possível um tal HORROR em pleno Século XXI depois de Cristo?

 

«A CRUELDADE BRUTAL DOS TOUROS À CORDA»

Por Prótouro – Pelos Touros em Liberdade

 

Não existem adjectivos para qualificar todos os que exploram, abusam e torturam bovinos com a única finalidade de se entreterem.

 

Portanto não é para admirar que a paciência dos defensores dos animais se vá transformando aos poucos em raiva, raiva essa que leva a que muitas pessoas desejem a morte de todos os que abusam de animais.

 

E é exactamente por compreendermos esse desespero e raiva que não criticamos aqueles que se congratulam com a morte de tauricidas e quejandos, porque sabemos, que enquanto a tortura não for abolida estes seres sub-humanos não pararão de torturar e matar animais.

 

E a título de exemplo da raiva que se apodera de nós quando assistimos à barbaridade que é praticada contra bovinos, um vídeo filmado em Cuenca, Espanha mostra o desespero e os gritos lancinantes de uma vaca que tenta libertar-se dos seus algozes.

 

Qualquer vídeo de tortura animal choca-nos, mas este, tocou-nos profundamente porque os gritos de desespero desta vaquinha não param de ecoar nos nossos ouvidos, tal como nunca pararam de ecoar nos nossos ouvidos os gritos de dor dos touros estoqueados vezes sem conta até à morte em Barrancos.

 

Neste caso, tal como em Barrancos não havia música para abafar o sofrimento dos herbívoros que são barbaramente torturados em nome de uma suposta cultura.

 

Suposta cultura essa que continua a ser obscenamente apoiada por legisladores corruptos que há muito que se venderam à tauromáfia e nós perguntamo-nos até quando?

Até quando?

 

Prótouro

Pelos touros em liberdade

 

Fonte:

https://protouro.wordpress.com/2018/09/23/a-crueldade-brutal-dos-touros-a-corda/

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:59

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Domingo, 23 de Setembro de 2018

«OLHA-ME»

 

Nietzsche disse um dia: "Sem música a vida seria um erro". Decidimos usar a música para denunciar os erros.

 

Mostrámos a figuras públicas vídeos de animais portugueses exportados para Israel. Filmámos a sua primeira reacção. Ninguém ficou indiferente.

Como reagirá a sociedade portuguesa quando o vir? Ajude-nos a descobrir! Partilhe!

https://patav.weebly.com/

Juntos vamos acabar com isto!

 

Ficha Técnica

 

Música & Letra: Sandra Baptista

Vídeo Realizado por: Sandra Baptista & Sara Morais

Direcção de Fotografia: André Costa

Edição: Pedro Gancho

Maquilhagem: Cauê Dos Santos

 

Com a participação de (por ordem alfabética):

Alexandre Da Silva

Ana Bacalhau

Carlota Crespo

HEITOR LOURENÇO actor

Helena Isabel - Actriz

Lena d'Água

Mafalda Luís de Castro

Mariana Norton

Miguel Partidário

Rita Redshoes

Sara Gonçalves

Sofia Monteiro Grillo

Tunha Lam

Viviane

 

Animals International

ישראל נגד משלוחים חיים - Israel Against Live Shipments

Setubal Animal Save - Stop Live Exports

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:34

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Sexta-feira, 7 de Setembro de 2018

E ASSIM QUE SE DIVERTE A BESTA HUMANA!

 

Um touro torturado com fogo quase matou um troglodita em Ademuz (Valencia)

Não podemos suportar mais esta barbárie!

Os actos selvagens contra os animais devem acabar de imediato. Não só pela tortura e morte dos animais, mas também pelos mortos e feridos humanos, e pela pobreza moral infinita de quem goza com isto, e de quem o autoriza e o financia com dinheiro público.

 

O vídeo está disponível no Facebook. Basta carregar em Ver no Facebook.

 

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:15

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Quinta-feira, 5 de Julho de 2018

SOU UM ANIMAL

 

Eu sou um animal, mas não sou superior a nenhum outro animal, quer humano ou não-humano. Sou feita da mesma poeira cósmica de que são feitos todos os outros animais. O meu ADN contém os mesmos elementos do ADN de todos outros animais. Tenho as mesmas necessidades físicas de todos os outros animais. Quando morrer transformar-me-ei em pó, como todos os outros animais.

 

DARWIN.jpg

 

Sou iluminada pelo mesmo Sol e pela mesma Lua.

 

Comunico-me com todos os animais humanos e não-humanos do mesmo modo: falando. Sei falar, sei ler e escrever, sei raciocinar, mas sou incapaz de me orientar na selva, construir um ninho, um formigueiro, uma colmeia, voar... sobreviver no fundo do mar...

 

Diante das forças da Natureza, vulcões, fogo, tremores de terra, tempestades, tsunamis, a minha condição de ser humano iguala-me à de um lagarto: ambos seremos destruídos num ápice, e apodreceremos do mesmo modo. E no final, o que restar de mim não se diferenciará de nenhum outro animal. E a minha racionalidade não me livrará do mesmo destino do lagarto.

 

Mas, contudo, faço uma excepção: sou superior apenas à besta humana.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:05

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Quarta-feira, 4 de Julho de 2018

«TAUROMAQUIA: O GOZO ALARVE COM A FRAGILIDADE ALHEIA»

 

Um magnífico texto de André Silva, Deputado da Nação, pelo PAN, descomprometido, e livre das amarras do lobby tauromáquico, instalado na Assembleia da República Portuguesa.

 

Esperamos que aos deputados, aficionados da selvajaria tauromáquica, que ainda vivem no passado, chegue a lucidez suficiente, para que possam interpretar as palavras do Deputado André Silva, um Homem que pertence à modernidade, e os faça catapultar para o Século XXI D.C.

(Os excertos do texto a negrito são da minha responsabilidade)

Isabel A. Ferreira

 

ANDRÉ SILVA.png

 André Silva

 

«Conseguimos saber algo importante sobre uma pessoa através da forma como ela trata os que são mais fracos do que ela. Mas conseguimos saber quase tudo sobre uma pessoa através da forma como ela trata os que não têm qualquer poder, os que são impotentes. E os candidatos mais óbvios a este estatuto são os animais. Milan Kundera diz que a verdadeira bondade humana só pode manifestar-se, em toda a sua pureza e liberdade, em relação aos que não têm poder.

 

O verdadeiro teste moral da humanidade, o mais básico, reside na relação que mantém com os que estão à nossa mercê. E é neste ponto que encontramos a maior derrota da tauromaquia. Sem tibieza, Fernando Araújo dá-nos a mais crua e límpida definição de uma corrida de touros, que consiste na exibição da mais abjecta cobardia de que a espécie humana é capaz, o gozo alarve com a fragilidade e com a dependência alheias.

 

Na falta de argumentos saudáveis e convincentes, ao estertor tauromáquico nada mais resta do que defender ad nauseam que estas manifestações são parte integrante do património cultural português e da sua identidade. Estagnados no tempo em que a maioria das pessoas não sabia ler nem escrever, tentam fazer-nos acreditar que mutilar e rasgar carne a um animal e fazê-lo cuspir sangue faz parte da nossa herança cultural.

 

VOMITANDO SANGUE.jpg

 

A identidade de um povo cria-se a partir do que é pertença comum e não daquilo que nos divide, pelo que forçar a identidade tauromáquica à população portuguesa é ofensivo e contraproducente para uma desejada unidade nacional.

 

Aceitando por um lado que devem ser banidas e condenadas as violências contra animais, tentam fazer-nos crer que infligir a morte, o sofrimento cruel e prolongado ou graves lesões a um animal é legítimo, desde que se faça num anfiteatro, que o mal-tratador use fato com lantejoulas e que seja acompanhado ao som de cornetas.

 

BARRANCOS.jpg

 Esta deplorável cena troglodita, em Barrancos, leva-nos a um nome: Jorge Sampaio, ex-presidente da República Portuguesa, que não soube defender a Civilização.

 

O país pede uma evolução civilizacional e ética em relação a este assunto, sendo que as tradições reflectem o grau de evolução de uma sociedade, pelo que não é mais aceitável que o argumento da tradição continue a servir para perpetuar a cultura da brutalidade e do sangue que se vive nas arenas. Todas as tradições devem ser colocadas em crise quando atentam contra a vida e integridade de terceiros. As pessoas têm muitas formas de satisfazer o seu direito cultural sem que tenha que passar por infligir sofrimento a animais.

 

Mais de 90% dos portugueses não assiste a touradas e as corridas de touros têm vindo a perder milhares de espectadores todos os anos, tendência confirmada pelos recentes referendos nas universidades de Coimbra e de Évora, onde milhares de estudantes decidiram afastar a violência tauromáquica das suas festas académicas, após várias instituições de ensino superior já o terem feito.

 

Assim, afirmar que a tourada faz parte da identidade nacional é pretender que uma minoria da população que assiste a corridas de touros seja considerada mais “portuguesa” do que a grande maioria que não se revê neste tipo de espectáculos, o que é, no mínimo, desconcertante.

 

A identidade de um povo cria-se a partir do que é pertença comum e não daquilo que nos divide, pelo que forçar a identidade tauromáquica à população portuguesa é ofensivo e contraproducente para uma desejada unidade nacional.

 

Tenha a classe política a coragem para acompanhar o desejo de não-violência da esmagadora maioria dos portugueses.

 

André Silva»

***

Comentário, na página, ao texto de André silva, o qual subscrevo:

 

Acontece que a "classe política" é tão cobarde como um toureiro, e a população de certos locais e adepta deste primitivismo é particularmente agressiva. Viu-se na palhaçada de Barrancos onde a população se manifestou mais para ter touradas ilegais do que para ter um centro de saúde decente. E em vez de impor a lei, o Estado rebaixou-se e cedeu perante alguns burgessos ululantes. Uma pena e uma vergonha nacional que se continuem a praticar touradas. (Gustavo Garcia)

 

Fonte:

https://www.publico.pt/2018/07/03/p3/cronica/tauromaquia-o-gozo-alarve-com-a-fragilidade-alheia-1836711

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:49

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Terça-feira, 19 de Junho de 2018

PÓVOA DE VARZIM LIVRE DE TOURADAS (PETIÇÃO)

 

Para: ASSEMBLEIA MUNICIPAL DA PÓVOA DE VARZIM

 

Assinar Petição:

http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT89848

 

PETIÇÃO PÓVOA.png

 

Preâmbulo

 

Miguel Torga lembra-nos pelo conto Miúra que o toiro prefere a tranquilidade da campina e não existe para ser cercado numa arena de tortura física e psicológica.

 

No entanto, para tentar justificar a tourada, falam-nos de tradição como se fosse valor absoluto e de uma espécie de urgência de exprimir a coragem do homem e da sua superioridade, como se a elevação humana estivesse fora da sua inteligência e da sua sensibilidade, e precisasse de ser cruel e de se habituar ao sangue derramado.

 

Na Póvoa de Varzim sabemos que verdadeira coragem é o que leva os nossos pescadores a enfrentar um ser imensamente mais forte que eles, sem fingimentos nem ilusões, o mar. Coragem não é preparar traiçoeiramente nos bastidores escuros dos curros um animal não humano para um sacrifício irracional como divertimento de uma multidão eufórica.

 

Dos curros (qual caverna), de olhos quase cegos pela escuridão, picam o toiro que sai impetuoso para explodir no sol da arena. Eles não sabem, mas o toiro corre com o desejo irreprimível da liberdade, adivinhando que vai para indigna antecâmara da morte. Segue-se a agressão das bandarilhas que lhe dilaceram a carne e lhe roubam o sangue e a força para que o possam dominar facilmente até ao fim com o risco calculado. Às vezes, num último arremedo, há um toiro que se revolta e que magoa os que o magoam. Mas é sempre o animal não humano que é vencido cobardemente. De fora, nas bancadas circulares tudo parece irreal. Há quem se engane a si próprio chamando arte ao que é mera e evidente tortura, e a frieza da loucura colectiva não sente as dores que rasgam a carne do animal não humano, aprendendo melhor a indiferença em cada lide.

 

No nosso tempo não há Ética que possa tolerar a alegada estética que alguns insistem em ver na dor e no sangue que os seus cúmplices, falsos artistas de falsa coragem, fazem escorrer no dorso de um toiro.

 

Somos da Póvoa de Varzim de algum modo: porque aqui nascemos, porque escolhemos aqui viver ou porque aqui vimos ou gostaríamos de vir e de estar. Queremos que a nossa cidade seja um lugar que não eduque para a violência gratuita, mas que tenha em todos os seus momentos e expressões uma ética de paz, de respeito pela Vida que partilhamos em festa e não em dor com os animais não humanos.

 

POR ISSO, CONSIDERANDO QUE:

 

1 - o reconhecimento pela espécie humana do direito à existência das outras espécies animais constitui o fundamento da coexistência das outras espécies no mundo, e que o homem deve ser educado desde a infância para observar, respeitar e compreender os animais;

 

2 - os Direitos dos Animais estão consagrados pela Organização das Nações Unidas - ONU através da Declaração Universal dos Direitos dos Animais, proclamada pela Unesco, em Bruxelas, no dia 27 de Janeiro de 1978), que neles se inclui o direito de nenhum animal ser explorado para divertimento do homem (v. Artigo 10º n.º 1);

 

3 - a Ciência reconhece inquestionavelmente a maioria dos animais, incluindo cavalos e touros, como seres sencientes, com memória e capazes de emoções e de sentir dor e prazer, físicos e psicológicos, bem como sentimentos de medo, angústia, stress e ansiedade

 

4 - uma cidade moderna e civilizada não admite espectáculos públicos de tortura de animais como as touradas;

 

5 - o Estado português já reconheceu o carácter violento das touradas ao tornar obrigatória a inclusão na publicidade aos espectáculos tauromáquicos de uma advertência alertando o público para que "o espectáculo pode ferir a susceptibilidade dos espectadores";

 

6 - vários estudos e especialistas concordam que a prática e a aceitação da violência contra os animais predispõe os homens para a prática e a aceitação da violência contra outros homens;

 

7 - nas observações finais sobre as terceira e quarta avaliações periódicas feitas pelo Comité das Nações Unidas Sobre os Direitos das Crianças, de 25 de Fevereiro de 2014, sobre Portugal, afirma-se a enorme preocupação com o impacto na saúde mental das crianças quanto expostas a espectáculos de tauromaquia. O mesmo documento recomenda ao estado português a adopção de medidas legislativas e administrativas no sentido de proteger as crianças envolvidas nestas situações, ao mesmo tempo que recomenda que sejam feitas campanhas de sensibilização sobre a violência física e mental associada à Tauromaquia e ao seu impacto nas crianças;

 

8 - o progressivo abandono de tradições retrógradas, contrárias a um sentido humanista de cultura como aquilo que contribui para nos tornar melhores seres humanos, é o que caracteriza a evolução mental e civilizacional das sociedades e melhor corresponde à sensibilidade contemporânea;

 

9 - massacres públicos de touros para fins de entretenimento já foram prática em toda a Europa, tendo sido banidos paulatinamente em praticamente todos os países europeus e, das quase duas centenas de países no Mundo, apenas oito têm actividade tauromáquica".

 

10 - pela Lei n.º 92/95, de 12 de Setembro - Protecção aos Animais (ver ponto 1 do Artigo 1.º ) "são proibidas todas as violências injustificadas contra animais, considerando-se como tais os actos consistentes em, sem necessidade, se infligir a morte, o sofrimento cruel e prolongado ou graves lesões a um animal", que é objectivamente o que acontece nas touradas, mesmo que, em contradição e estranha e incompreensivelmente, a mesma Lei as considere lícitas;

 

11 - não faz sentido fazer corresponder os espectáculos tauromáquicos à condição de cultura e que, num país em que, dos seus 308 municípios, apenas 44 têm actividade taurina (14,8%), é ofensivo e contraproducente para uma desejada unidade nacional e civilizacional forçar a identidade tauromáquica à população portuguesa;

 

12 - o povo português tem, nos últimos anos, afirmado uma forte posição de condenação das Touradas e de defesa do seu fim, posição que se tem manifestado de modo especialmente expressivo no Norte do país, particularmente na região do Grande Porto;

 

13 -  em Portugal, desde 2010, os espectáculos de tauromaquia perderam mais de 53% do seu público, atingindo em 2017 um número de espectadores com um peso cada vez mais insignificante no panorama dos espectáculos ao vivo em Portugal superados em número de eventos de Folclore, que, segundo dados do INE, contabilizavam mais 100.000 espectadores que as touradas (no ano passado realizaram-se 181 espectáculos tauromáquicos, dos quais 26 em Albufeira e 13 em Lisboa, enquanto nas em 27 das praças de touros existentes, ou seja, mais de 50%, se realizaram apenas uma ou duas corridas durante o ano);

 

14 - é muito clarificadora de uma nova mentalidade a sondagem feita pela Universidade Católica à população de Lisboa entre 5 e 20 de Maio de 2018, em que se concluiu que, desde a reabertura do renovado Campo Pequeno em 2006, onde passaram a realizar diversos tipos de eventos, só 11% dos lisboetas foi à tourada, que 79% não concorda com a utilização de dinheiros públicos para apoiar/financiar as touradas e que 96% dos cidadãos concorda com a realização de outros eventos não relacionados com as touradas;

 

15 - em Espanha, país considerado berço da tradição tauromáquica, segundo uma sondagem Gallup feita no país em Outubro de 2006, já 72% dos espanhóis declaravam não ter qualquer interesse nas touradas, existindo mais actualmente mais de 40 cidades e vilas anti-touradas;

 

16 - a Póvoa de Varzim é uma cidade que se pretende mais moderna, desenvolvida e progressista, para a qual o Turismo é um elemento-chave para a economia local, ganhando muito em imagem e oportunidades promocionais do ponto de vista turístico livrando-se da permissão e realização de espectáculos cruéis envolvendo animais como as touradas;

 

17 - a existência de touradas no século XXI constitui um embaraço para Portugal e para a Póvoa de Varzim perante a comunidade internacional, configurando a imagem de um país e de uma cidade com pessoas e práticas bárbaras;

 

PROPOMOS

que o MUNICÍPIO DA PÓVOA DE VARZIM adopte as seguintes DECISÕES:

 

Primeira

 

Declarar a PÓVOA DE VARZIM LIVRE DE TOURADAS, assumindo-se oficial e simbolicamente oposta à promoção e realização de corridas de touros e de quaisquer actos de violência ou de tortura contra animais que lhes possam causar ansiedade, angústia, medo ou sofrimento físico ou psicológico e emocional de alguma ordem.

 

Segunda

 

No âmbito dessa decisão, expressar a vontade institucional do Município da Póvoa de Varzim de que não sejam promovidas ou realizadas quaisquer corridas de touros na cidade e no concelho, tudo fazendo para a proibição de qualquer espectáculo tauromáquico, não atribuindo licenças a qualquer actividade ou evento deste tipo em espaços públicos do concelho, no âmbito das suas competências e atribuições e convertendo a Praça de Touros da Póvoa de Varzim ao uso exclusivo para actividades que provam a valorização dos cidadãos e que não envolvam a inflação de sofrimento físico ou psicológico e emocional a animais.

 

Terceira

 

Expressar, junto do Parlamento e do Governo, a vontade do Município da Póvoa de Varzim de ver as corridas de touros proibidas em todo o país através de uma Lei da República, a bem de Portugal enquanto país que se quer moderno e continuamente progressista, a bem da sociedade portuguesa, que não admite a violência contra animais, e a bem dos animais.

 

Póvoa de Varzim, 2018. Junho. 19

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:14

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