Segunda-feira, 12 de Maio de 2014

Percurso do Touro usado para toureio (I)

 
 

Esta publicação mostra toda a  monstruosidade das touradas. Foi escrito por quem sabe da matéria por experiência in loco, além de ser Médico-Veterinário, e, portanto, e sabe o que é um animal, coisa que a maioria dos governantes portugueses não sabe, e muito menos a minoria inculta que essa maioria protege desavergonhadamente.

A tourada, património? Só se for património da mais monumental estupidez!

 
 
 

Um ser vivo no maior sofrimento

 

 Por Dr. Vasco Reis (Médico-Veterinário)

 

Um exemplo:

 

Vive uns 4 anos na campina na boa companhia de outros da mesma espécie em espaço largo e com boas condições.

 

Desenvolve-se.

 

Um dia é escolhido para a lide numa tourada. Enxotam-no, com ou sem medicação, para uma manga e enfiam-no numa caixa apertada onde mal se pode mexer.

 

O stress da claustrofobia é tremendo, ao passar da liberdade e tranquilidade da campina para o caixote onde fica confinado, brutalmente afastado da companhia importante dos outros bovinos.

 

A seguir cresce a ansiedade/pânico provocados pelo transporte. Depois a espera, provavelmente, com pouco ou nenhum alimento e bebida. Talvez sendo injectado, a ponta dos cornos será cortada até ao extremo vivo e muito enervado, ficando extrema e dolorosamente sensível ao contacto.

 

Consta que sofre outras acções destinadas a fatigá-lo, debilitá-lo, retirar-lhe capacidade para a lide. Mais tarde, a condução ao curro da praça de touros. Empurrado depois para a arena = beco cruel sem saída, suportando logo o enorme alarido, que ainda o assusta mais.

 

Depois a provocação, o engano, o cravar dos ferros, que o ferem e magoam terrivelmente, através da pele, de aponevroses, de mais ou menos músculos, atingindo tendões e, por vezes até pleura e pulmão (meu testemunho) e o fazem sangrar e sofrer.

 

Tudo isto o enfurece, magoa, deprime e esgota. Depois é retirado com as “chocas”. Brutalmente, tal como foram cravados, os ferros são agora retirados sem anestesia, arrancados ou por corte do couro. Depois o sofrimento cresce pela dor provocadas pelos ferimentos, infectando e provocando-lhe febre, ficando animicamente derrotado, até que o abate o liberte de tamanho sofrer.

 

Desgraçada vítima dos chamados humanos, “corrido” e torturado unicamente para diversão de aficionados, alimentar de vaidades, de negócios de tauromáquicos e no prosseguimento de uma cruel tradição.

 

É, portanto, uma aberração, comprovativa da maior hipocrisia, quando tauromáquicos e ganadeiros afirmam serem as pessoas que mais gostam dos touros.

 

Deixam-nos viver eventualmente bastante bem durante cerca de 4 anos, para que então sejam torturados na tourada e abatidos em sofrimento uns dias a seguir, em vez de viverem no seu meio natural os 20 anos em média da sua expectativa de vida.

 

Revoltante e vergonhoso é que tal crueldade seja permitida legalmente, feita espectáculo e publicitada.

 

***

Desconfiança, medo e dor são essenciais e condição de sobrevivência para o indivíduo e para a espécie    

 

 

Repare-se na extrema violência desta imagem

 

Plantas não têm sistema nervoso, não têm sensibilidade à dor, não têm consciência.

 

Animais são seres dotados de sistema nervoso mais ou menos desenvolvido, que lhes permitem uma herança genética instintiva e sentir e tomar consciência do que se passa em seu redor e do que é perigoso e agressivo e doloroso. Este facto leva-os a utilizar mecanismos de defesa e de fuga para poderem sobreviver.

 

Sem essas capacidades não poderiam sobreviver individualmente e enquanto espécie.

 

Portanto, desconfiança, medo e dor são essenciais e condição de sobrevivência para o indivíduo e para a espécie.

 

A ciência revela que a constituição anatómica, a fisiologia e a neurologia do touro, do cavalo e do homem e de outros mamíferos são extremamente semelhantes.

 

As reacções destas espécies são análogas perante a ameaça, o susto, o ferimento.

 

O senso comum apreende isto e a ciência confirma.

 

Mas nesta “arte” não são somente touros e cavalos que sofrem.

 

São muitas as pessoas conscientes e compassivas, que por esta prática de violência e de crueldade se sentem extremamente preocupadas e indignadas e sofrem solidariamente e a consideram anti educativa, fonte de enorme vergonha para o país, atentório de reputação internacional, obstáculo de dissuasão do turismo de pessoas conscientes, que se negam a visitar um país onde tais práticas, que consideram "bárbaras", acontecem!

 

***

Resumindo o percurso do Cavalo usado no toureio à portuguesa  

 

 

O cavalo Xelim estripado numa tourada à portuguesa,  acabou por morrer

 

Como animal veloz que é, procuraria a segurança pondo-se à distância daquilo que lhe pareça estranho ou que considere ser perigoso.

 

Mas, no treino e na lide montada, ele é dominado pelo cavaleiro, seja pelo “Hackamore”/ serreta / serrilha, “jaquima” em espanhol, actuando contra o chanfro e provocando maior ou menor incómodo, seja pelos ferros na boca, puxados pelas rédeas e actuando sobre a língua e as gengivas (bridão - com acção de alavanca - e freio, ambos apertados contra as gengivas por uma corrente de metal à volta do maxilar inferior, a barbela), artefactos susceptíveis de se tornarem muito castigadores.

 

É incitado pela voz do cavaleiro e por outras acções, chamadas de “ajudas”, como sejam as esporas que são cravadas no ventre, provocando dor e, frequentemente, feridas sangrentas.

 

É impelido para a frente pela acção das esporas, devido à dor que elas lhe provocam, e a voltar-se ou parar pela tracção das rédeas, devido ao incómodo ou dor que provocam, seja no chanfro, ou na boca e, também, pelo inclinar do corpo do cavaleiro.

 

Ao ser utilizado pelo cavaleiro como veículo para combater e vencer o touro, o cavalo é submetido a enorme ansiedade e esforço, o que até lhe pode causar a morte por colapso dos aparelhos respiratório e circulatório.

 

Resumindo: o cavalo é obrigado a enfrentar o touro pelo respeito/receio que tem do cavaleiro, que o domina e o castiga, até cravando-lhe esporas no ventre e provocando-lhe dor e desequilíbrio na boca. Isso transtorna-o de tal maneira, que o desconcentra do perigo que o touro para ele representa de ferimento e de morte e quase o faz abstrair disso.

 

Portanto, a afirmação de cavaleiros tauromáquicos de que gostam dos seus cavalos e que lhes querem proporcionar bem-estar, soa estranha e hipócrita.

 

A lei é omissa quanto ao controlo de dopagem, o que permite manipulações e abusos para serem mascaradas situações dolorosas e problemas de saúde, especialmente dos membros do cavalo.

 

Revoltante e vergonhoso é que tal crueldade seja permitida legalmente, feita espectáculo e publicitada.

 

***

"Espectáculos" com Touros

 

 

Retirada das bandarilhas a sangue frio e com o auxílio de uma faca que corta as carnes, já maceradas, do bovino.

 

Meias soluções não servem, porque, todos os espectáculos com touros (incluindo as touradas com velcro e com "bandarilhas" sem arpão, mas com ventosas) exigem a captura violenta do touro ao ser retirado do campo e da companhia dos bovinos, passando a sofrer ansiedade, claustrofobia, pânico, fúria, risco de contusão e esgotamento em luta por se libertar, metido e apertado em caixa de transporte e assim transportado, posto em curro, depois na tourada ou outro espectáculo.

 

Tudo isso representa agressão, risco e sofrimento intenso emotivo, psicológico, físico para o touro. O cavalo continua obrigado a sofrer e a arriscar, se for obrigado a intervir.

 

***

(Pormenor importante)

 

«O touro perde 15% do seu peso durante o transporte para a praça.

 

Chegado à praça, é brutalizado, física e psicologicamente, durante 24 horas, com o propósito de o enfraquecer, para facilitar a sua lide na arena.

 

E entre os actos brutais de que o touro é vítima durante os dois dias anteriores à corrida, está o corte dos seus chifres. O corte dos chifres do touro retira-lhe 80% da sua visão periférica. E essa é a razão pela qual cortam os chifres do touro.

 

O touro quando, ao fim de mais de 2 dias, em que foi vítima de cruéis actos para o desgastar, física e psicologicamente, quando entra na arena, entra 80% diminuído, física e psicologicamente » 

 

***

 Ler mais aqui:

Percurso do Touro usado para toureio (II)

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:51

link do post | Comentar | Ver comentários (2) | Adicionar aos favoritos
Sábado, 13 de Julho de 2013

OPINIÃO SOBRE MANIFESTAÇÕES CONTRA A TAUROMAQUIA

 
 
 

Enganados com o mito da tradição e do folclore, um grupo de turistas saem de uma praça de touros a chorar, horrorizados com a atrocidade que testemunharam na presença de carniceiros psicopatas, disfarçados de jarretas.

 

Por Dr. Vasco Reis (Médico Veterinário)

 

«São acções de grande importância para se demonstrar, para dentro e para fora de Portugal, que neste país há gente que está contra a actividade.

 

Motivação é, essencialmente, protestar contra o sofrimento de touros e cavalos, bem como contra apoios à tauromaquia por dinheiros públicos e contra mais implicações negativas de ordem social e no prestígio do país, que ela provoca.

 

Desejavelmente, as manifestações devem ser pacíficas, silenciosas ou não, transmitindo mensagens do senso comum, da ciência e da ética.

 

Alertam-se as pessoas directamente e através da comunicação social e dá-se voz aos abolicionistas através de argumentos irrefutáveis.

 

A actividade e lobbistas e aficionados são criticados frontalmente. Estes contra argumentam pobre e falaciosamente e, com frequência, usando de linguagem insultuosa e até de agressão física. Não se notam neles preocupações de ordem ética.

 

Chegam ao desplante de afirmar, que o gosto pela tauromaquia é uma afirmação de portuguesismo e que Portugal é famoso por isso mesmo.

 

Os abolicionistas afirmam, pelo contrário, que Portugal é, por isso muito mal-afamado e criticado.

 

Tremendamente corrosiva para a reputação e o turismo de Portugal é a propaganda e o apoio que empresas de turismo nacionais e internacionais, em parceria com o lobby tauromáquico, estão a prestar à actividade tauromáquica, inclusive fazendo oferta de bilhetes para touradas em contratos turísticos, aliciando com a informação de que os animais não são mortos, não sofrem e que se trata de uma brincadeira (“for fun”).

 

Turistas vão, curiosos e descontraídos pela publicidade enganosa, corresponder ao convite. São ali cruelmente surpreendidos, abandonando em muitos os casos o “espectáculo” chocados, deprimidos, por vezes lavados em lágrimas de desgosto, revoltados em palavras e alguns, até vomitando. Tudo isto é documentado por imagem, som e escrita graças ao testemunho de jornalistas e de manifestantes que afirmam a sua cidadania em manifestações democrática e legalmente autorizadas e policialmente acompanhadas.

 

Sinceramente, não compreendo como há abolicionistas que se afirmam contra manifestações, quando estas, afinal, contribuem para alertar, informar e lavar a honra de portugueses e de Portugal perante o fenómeno tauromáquico, castigador de touros e de cavalos e não só

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:52

link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos

Mais sobre mim

Pesquisar neste blog

 

Março 2021

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

Posts recentes

Percurso do Touro usado p...

OPINIÃO SOBRE MANIFESTAÇÕ...

Arquivos

Março 2021

Fevereiro 2021

Janeiro 2021

Dezembro 2020

Novembro 2020

Outubro 2020

Setembro 2020

Agosto 2020

Julho 2020

Junho 2020

Maio 2020

Abril 2020

Março 2020

Fevereiro 2020

Janeiro 2020

Dezembro 2019

Novembro 2019

Outubro 2019

Setembro 2019

Agosto 2019

Julho 2019

Junho 2019

Maio 2019

Abril 2019

Março 2019

Fevereiro 2019

Janeiro 2019

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Agosto 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Direitos

© Todos os direitos reservados Os textos publicados neste blogue têm © A autora agradece a todos os que os divulgarem que indiquem, por favor, a fonte e os links dos mesmos. Obrigada.
RSS

Acordo Ortográfico

Em defesa da Língua Portuguesa, a autora deste Blogue não adopta o Acordo Ortográfico de 1990, devido a este ser inconstitucional, linguisticamente inconsistente, estruturalmente incongruente, para além de, comprovadamente, ser causa de uma crescente e perniciosa iliteracia em publicações oficiais e privadas, nas escolas, nos órgãos de comunicação social, na população em geral, e por estar a criar uma geração de analfabetos escolarizados e funcionais.

Comentários

Este Blogue aceita comentários de todas as pessoas, e os comentários serão publicados desde que seja claro que a pessoa que comentou interpretou correctamente o conteúdo da publicação. Serão eliminados os comentários que contenham linguagem ordinária e insultos, ou de conteúdo racista e xenófobo. Em resumo: comente com educação, atendendo ao conteúdo da publicação, para que o seu comentário seja mantido.

Contacto

isabelferreira@net.sapo.pt