Quarta-feira, 4 de Outubro de 2017

HOJE CELEBRA-SE O DIA DOS ANIMAIS NÃO-HUMANOS EM HONRA DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS

 

São Francisco de Assis morreu em 3 de Outubro de 1226, e foi a enterrar a 4 de Outubro, e a partir de então, este passou a ser o dia em que se celebra o Santo que celebrou a Criação.

 

A igreja católica deveria seguir o exemplo de São Francisco de Assis, que considerava seus irmãos os animais não-humanos, que com ele partilhavam o Planeta.

 

Mas, infelizmente, os padres católicos julgam-se acima de Deus.

 

ANIMAIS.jpg

 (Imagem: Internet)

 

Todos os animais são também meus irmãos. Todos os seres animados (com alma) e não animados (sem alma) são o resultado da mesma Criação.

 

Todos os dias, para mim, são dias de celebrar a Vida.

 

Mas hoje, especialmente hoje, dedicarei este texto, de Josefina Maller, aos meus irmãos animais…

 

POR QUE GOSTO DOS ANIMAIS NÃO-HUMANOS?

 

Todos sabem (os meus leitores, claro!) que eu sou uma defensora acérrima dos animais (de qualquer animal, seja doméstico ou selvagem, do cão, do gato, da formiga ao hipopótamo), dos seus direitos, e de como os considero meus irmãos, porque somos seres da mesma Criação, com quem partilho o mesmo Planeta e a mesma vida: respiramos o mesmo ar; bebemos da mesma água; alimentamo-nos do que a Natureza nos dá; temos as mesmas necessidades vitais, fome, sede, sono; sofremos as mesmas dores; somos fustigados pelo mesmo vento; ilumina-nos o mesmo Sol; vela-nos a mesma Lua; abrasa-nos o mesmo Fogo; somos atingidos pelos mesmos flagelos da Natureza, pelas mesmas doenças, pelos mesmos martírios que nos infligem os animais humanos.

Porém, nem todos saberão porquê.

 

in «A Hora do Lobo» © Josefina Maller

 

Gosto dos animais não-humanos porque:

 

- São-nos fiéis em qualquer circunstância: nos bons e nos maus momentos; na fartura e na miséria; na saúde e na doença.

- Não têm vícios, não se embebedam, não se drogam...

- Não são rancorosos.

- Não usam da violência para maltratar os da sua espécie, a não ser em legítima defesa ou por uma questão de sobrevivência...

- Não matam por prazer.

- Não são cruéis.

- Não sentem ódio, nem escárnio.

- Não massacram.

- Não são terroristas.

- Não desprezam os seus.

- Não poluem as águas, o ar, o solo, o ambiente...

- Não fazem guerras.

- Não são bombistas suicidas.

- Não destroem o seu habitat.

- Não inventam armas mortíferas.

- Não sequestram os seus.

- Não violam os seus.

- Não torturam os seus.

- Não impingem o seu modo de vida a ninguém.

- Não são intolerantes.

- Não mentem nunca.

- São afectuosos.

- São pacifistas.

- Não são hipócritas, nem cínicos.

- São amorosos, perspicazes, laboriosos, inteligentes, sensíveis.

- Não agridem, se não os agredirem.

- Não são ladrões.

- Não são corruptos.

- Não são traficantes de droga, nem de armas, nem dos seus.

- Respeitam as leis da Natureza e da Sobrevivência.

- Não andam no mundo só por ver andar os outros: intuem o verdadeiro sentido da Vida, porque a vivem de acordo com a Lei Natural... que é forma mais inteligente de viver...

 

QUE MOTIVOS TEREI EU PARA NÃO RESPEITAR OU NÃO GOSTAR DOS ANIMAIS NÃO- HUMANOS OU DE CONSIDERÁ-LOS INFERIORES A MIM?

 

Josefina Maller»

 

Fonte:

http://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/por-que-gosto-dos-animais-nao-524277

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:18

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Segunda-feira, 20 de Março de 2017

DE SÚBITO, AS TREVAS DISSIPAM-SE E SOU ÁRVORE…

 

(Para celebrar a Primavera, a Árvore, o Bosque, a Natureza)

 

… sou folha, sou erva, sou vento. Sou gota de orvalho suspensa na flor. Sou sombra, sou luz, sou nuvem que passa. Sou ave que voa até às estrelas e entre elas vagueio ao ritmo dos sons do amanhecer…

 

BOSQUE.png

 

(…)

Entretanto, o caminho convergiu para um bosque que, à distância, parecia inacessível. As vozes, que se ouviam, sussurrantes, calaram-se e deram lugar à melodia das árvores. Ouvi, então, o uivo do vento, frágil e lento, enquanto os cedros, ciprestes, pinheiros, sicómoros, castanheiros, álamos, tílias, acácias, carvalhos, sequóias, salgueiros, e muitas mais espécies de árvores erguiam os seus ramos, no que parecia uma inocente súplica aos céus. E o entrançado de troncos e raízes muito antigas diziam da longevidade das árvores.

 

Uma luz coada rompia a folhagem, que moldava um rendilhado verde num fundo azul, já liberto da nuvem transparente que o cingia. E, por momentos, pareceu-me sentir os aromas acres do Outono, quando deambulava pelo meu pequeno bosque. Subitamente, apoderou-se de mim uma inquietude, um deslumbramento, um espanto diante de asas que, à nossa passagem, se levantavam dos ramos, e de olhos atentos que, por entre eles, espreitavam. Encontrava-me, sem dúvida, numa floresta intacta, como se tivesse sido acabada de criar, indomável, livre, imaculada, jamais tocada sequer pela sombra do homem, apesar dos velhos troncos e fortes raízes somarem séculos de existência, entre as humildes plantas silvestres que cresciam ao seu redor.

 

Parecia-me, aquele, o princípio do mundo, onde a vida propriamente dita começara, ou seria um ponto de chegada, o lugar para onde todos os caminhos convergiam? O arvoredo estendia a sua folhagem ao Sol que, altivo e fingindo-se indiferente, espargia a sua claridade sobre a floresta, e envolveu-me o perfume delicado da vegetação. Foi então que o sentido provisório do tempo se contrapôs à consciência do eterno, que se respirava naquele lugar, e voltei a sentir a sensação de estar perdido, algures, dentro de uma fábula.

 

À medida que avançava no caminho, deixei de ouvir o rumorejar do vento. Apenas se ouvia o som dos meus passos e o dos passos do Lobo, que seguia a meu lado, em silêncio. Pisávamos o chão juncado das folhas caídas dos abetos que grafavam mensagens secretas da terra e das águas, trazidas por uma aragem quase imperceptível, que rendeu o vento, na sua guarda ao bosque. Ali, naquele lugar, a Natureza havia desabrochado como um milagre. Uma delicada neblina erguia-se de um rio de águas vagarosas que margeava o caminho, e onde flutuavam cisnes melancólicos que, em silêncio, acompanhavam o nosso percurso. Naquele momento, senti o ritmo tranquilo da vida do bosque entranhar-se em mim como se fizesse parte do meu ser. Entre as árvores, que sempre me pareceram eternas, por ultrapassarem a existência dos homens, os animais da selva davam azo à sua liberdade. Contemplava-os, finalmente. Havia-os de todas as espécies. O seu discreto alarido contrastava com o silêncio imanente da floresta, que começava a ficar para trás. Deixámos as sombras. Diante de nós abriu-se uma planície imensa, grávida de verde, onde pastavam, pacificamente, numa partilha harmoniosa, nunca vista, leões, tigres, elefantes, girafas, servos, veados, lobos, panteras-negras…

 

(…)

O caminho estava traçado entre o arvoredo, como uma claridade e nele, distraidamente, eu ia pisando as sombras reflectidas no chão, pejado de folhas secas e flores murchas, evitando os fios de luz, que o Sol projectava por entre os ramos, num jogo que me entregou a infância.

 

 

(…)

Num lugar como aquele, verde, tingido de púrpura, onde soprava uma brisa vagarosa, e que um Sol, aparentemente ausente, enchia de contornos imprecisos, o tempo parecia não existir. Era eterno como as árvores e, nos momentos de profundo silêncio, parecia que a floresta estava adormecida.

 

in «A Hora do Lobo» © Josefina Maller

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:50

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Segunda-feira, 27 de Junho de 2016

O QUE SEPARA O HOMO SAPIENS DO HOMO PARVUS…

 

O Amor Animal

 

Este vídeo é apenas uma pequena amostra desse amor entre os animais humanos e os animais não humanos

 

A este propósito, aproveito para aqui deixar uma nova teoria sobre a Humanidade, da autoria de Josefina Maller, incluída no seu livro

«A Hora do Lobo»

 

 

 

«Oskar entende a política como um veículo que deve levar de um lugar para o outro, de passagem, e apenas de passagem, aqueles que nela se enfronham, e não um lugar cativo, propício a gerar a mais sórdida e malfazeja corrupção. Por este motivo, Oskar incomodava os corruptos, forçosamente. Era, pois, um homem a abater. Um dia, na impossibilidade de o eliminarem fisicamente, amordaçaram-no, do modo mais infame e covarde.

 

Como consequência desse acto, começou a interessar-se pelo estudo do que mais tarde viria a designar de Fenómeno do Homo Parvus ou Homo Predador, isto é, de uma criatura com aspecto de homem, porém possuidora de um cérebro primitivo, extraordinariamente mais primitivo do que o dos seus (dele, Oskar) irmãos macacos, conforme ele próprio faz questão de afirmar, e a qual criatura se desenvolveu paralelamente ao chamado Homo Sapiens – aquele que possui saber e o utiliza para o seu próprio bem-estar, e para o bem-estar de toda a Humanidade. Todavia, afiança Oskar, não se sabe muito bem como nem porquê – aliás como muita coisa que diz respeito à ciência, existindo até várias teorias sobre a questão, todas elas obviamente contraditórias, ou não seja a verdade da ciência sempre provisória – o Homo Parvus conseguiu sobrepor-se ao Homo Sapiens e alcançou o poder, se bem que um poder podre, o mais obtuso e destrutivo dos poderes, porque assente numa insipiência grosseira, o que o levou a começar a desgovernar o mundo, e este transformou-se num lugar mais caos do que ordem, onde o Sapiens, sob o desgoverno do Parvus, viveu quase sempre à deriva. Um contra-senso? Talvez, assevera Oskar, e questiona: «A força bruta, assente na ignorância, não foi sempre mais poderosa do que a mais eloquente inteligência? Quantos homens sábios morreram às mãos do Homo Parvus

 

A vida ignara dos homoparvus, norteada pelo seu saber pobre e podre, gira ao redor de tudo o que diz respeito à aniquilação do Planeta e dos seres que nele vivem: guerras, crimes de guerra, genocídios, massacres, torturas, invasões de territórios, armas nucleares, químicas e de destruição massiva, extinção de espécies; massacres de animais, campos de concentração, de reeducação e de extermínio; terrorismo, bombistas suicidas, enfim, um catálogo infinito de atrocidades, digno apenas de constar n’ O Livro Negro do Terror e da Ignorância, livro que, na verdade, já conta muitos milhares de páginas, escritas com o sangue dos inocentes. E sobre estas matérias, é preciso que se diga, Oskar escreveu já vários livros, que enfureceram não só os poderosos do seu país, como também os poderosos de todo o Planeta. É, pois, evidente, que Oskar seja tão desprezado, entre os políticos, entre os desgovernantes (como ele os qualifica) e até entre alguns dos seus pares, devido às suas ideias, estranhas, polémicas e, sobretudo, provocadoras, porque demasiado “simplistas”, na opinião das (des)inteligências buriladas no caos em que se transformou a vida no Planeta, onde proliferam (pre)conceitos abstracto-filosóficos, baseados na exclusividade de um eu sem causas, e em normas de conduta imoral e incívica, rebuscadas, sinistras e insólitas, a todos os níveis, tornando impróprias para consumo as sociedades engendradas em tal desordem.

 

Todas as épocas e todas as gerações, desde o dia em que o homem descobriu que podia acumular riquezas, e que essas riquezas lhe conferiam um determinado poder, tiveram o seu caos. No entanto, o tempo de Oskar, que, enfim, também é o nosso, é o tempo em que as nações, apesar de todos os progressos e de todas as evoluções, de todas as revoluções e de todas as boas intenções, ainda discutem a questão da guerra e da paz, não conseguindo atinar com qual destas situações será mais vantajosa para a Humanidade, ou mais condizente com mentalidades evoluídas. Direi que não estamos propriamente na era dos trogloditas, pois só pontualmente, um ou outro homem vive em cavernas. Calcula-se ter havido uma evolução de ideias e de comportamentos, desde o já longínquo primeiro amanhecer do australopiteco, contudo, essa evolução não se verificou entre o Homo Parvus que, nascendo pequeno e medíocre, permanece pequeno e medíocre, empancado, autoritário, impiedoso, repressivo, demente, obstinado, ignorante, enfim, constitui um verdadeiro entrave ao progresso dos povos.

 

Por outro lado, a cultura, o saber, a ciência, a arte, tudo o que valoriza a existência dos seres ditos humanos, é do domínio do Homo Sapiens que, no entanto, e inexplicavelmente, raras vezes teve o poder de mandar no mundo e quando, eventualmente, lá chega, é impiedosamente assassinado. O poder é dos fracos, e o saber dos fortes, sentencia Oskar que, todavia, não consegue explicar por que o poder dos fracos sempre se sobrepôs ao saber dos fortes, distanciando-nos, deste modo, e cada vez mais, do paraíso primordial, que foi o nosso Planeta à época da sua criação.

 

Quantos livros de poetas foram apreendidos e queimados diante da porta de Adriano, no decorrer dos séculos! Por esta e por outras que tais discrepâncias, Oskar recusa-se a aceitar o conceito de uma Humanidade uniforme, ou seja, rejeita a ideia da existência de uma só espécie humana. Para ele, há o Homo Sapiens, possuidor de uma inteligência construtiva, e o Homo Parvus que, não tendo evoluído ainda, é o resistente de uma raça de destruidores, não completamente extinta, e que, desde sempre, dominou a Humanidade através de políticas despóticas, agressivas e irracionais, e em tempos mais recentes, acrescidas de uma perversão mental conhecida por terrorismo, que se generalizou por todo o mundo.

 

Vive-se numa época em que já não há governantes nem autoridades, tão-só desgovernantes e desautoridades, sem a mínima capacidade crítica, analítica, ou mesmo reflexiva. Os autodenominados “políticos” e “autoridades”, ao não terem respeito por si próprios, não o têm também em relação aos outros, mas, sobretudo, não têm o respeito desses outros, ao praticarem uma política conforme os seus interesses mesquinhos, e não com base nos interesses dos povos, isto é, não exercem uma política com saber, com prudência e com lucidez, como seria desejável. O importante é acumular riquezas como se fossem viver eternamente e pudessem levá-las com eles para os túmulos, transformando os vermes em seus legítimos herdeiros.

 

Estamos num tempo em que paira sobre a Humanidade o espectro da pobreza extrema, da fome, da destruição do ambiente, da cada vez mais acentuada escassez de água potável, considerada o ouro de um futuro que, no entanto, é já presente; e de doenças provocadas por vírus e bactérias inteligentes, o novo e mais mortal inimigo do homem, o qual não se combate com armas de fogo comuns. Com as nucleares, talvez! Contudo, neste caso, quem não morresse da doença, morreria da cura. E o círculo fechava-se, nele encurralando a desprotegida Humanidade.

 

A grande maioria dos povos tenta sobreviver na linha de todos os limites, enquanto uma minoria atira para o lixo os excessos de uma existência farta. Já não se diz que o mundo é governado, mas que o mundo é desgovernado por uma sucessão de uns e de outros, tal o caos em que os cada vez mais poderosos homoparvus mergulham as nações. A vida no planeta começa a ser deprimente e insustentável. As políticas, ditas globalizantes, estão a transformar o mundo no quintal dos desgovernantes que detém um domínio político fortemente acorrentado a um ameaçador e obcecado poder económico, minado pela corrupção e pelo tráfico de influências. Os países, os povos, os cidadãos comuns que não pertencem ao chamado Double G (Grupo dos Grandes) consomem-se num quotidiano carregado de nuvens negras e águas fétidas e agitadas, vivido num permanente e desesperado desassossego, alimentado por um profundo desânimo, enquanto os “políticos” menores, sonhando com um lugar cativo no tal Double G, resvalam para enormes desaires. É o tempo do domínio da besta, que nada tem a ver com o ano da besta das profecias, ou com as bestas das lendas e dos saberes antigos. Esta é uma besta moderna, completamente desavergonhada, e que faz alarde da sua bestialidade, através dos actos que pratica, deixando atrás de si um rasto de destruição e de lixo, nunca visto ou sequer imaginado.

 

Estamos no tempo em que os fins justificam todos os meios, mesmo os mais inconcebíveis e irracionais. E enquanto o mundo do Homo se desmorona, a aranha continua a construir a sua teia, com engenho e arte, cuidadosamente, uma teia, no entanto, tão frágil que um sopro de vento pode desfazê-la num segundo. Mas esse é o destino da teia da aranha, que intui a sua vida breve, por isso, é tão delicada no fabrico dos fios que enredam a presa com que se alimenta, uma vez que não é da aranha cultivar uma horta ou um pomar. E enquanto essas teias são tecidas, com extrema minúcia, o mundo vai girando, vertiginosamente, enlouquecido e, de volta em volta, o tempo avança. Inexorável».

 

(Excerto do livro «A HORA DO LOBO» © Josefina Maller

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:02

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Sexta-feira, 10 de Fevereiro de 2012

«Nesse dia, o Touro disse...»

 

 

«Sou um animal que tem direito a pastar nos verdes campos ...»

 

(...)

Um dia, Oskar vestiu a pele de um Touro, numa manifestação de rua, para defender o animal (...)

 

Nesse dia, o Touro disse:

 

– Sou um animal que tem direito a pastar nos verdes campos e a saciar a minha sede nos ribeiros de águas límpidas (não naqueles que o homem polui). Tenho o direito de viver, pacificamente, o tempo que me foi destinado viver. Não é esse, afinal, o objectivo de todos os seres que nascem? O toureiro diverte-se a espetar-me bandarilhas no costado. E como sangro, santo Deus! E se eu pudesse ou gostasse de espetar bandarilhas no costado de um toureiro? Poderia ser esse um espectáculo igualmente emocionante?

 

É que não se trata de gostar ou não gostar de touros. De gostar ou não gostar de touradas. De gostar ou não gostar de espectáculos sangrentos, com carnes a serem rasgadas, como os romanos gostavam das lutas entre gladiadores e leões, numa arena que, no final, ficava tingida do vermelho do sangue de animais humanos e de animais não humanos. Trata-se de uma questão puramente civilizacional, de evolução de mentalidades e de comportamentos humanos.

 

Quais os países civilizados onde ainda se mantêm tradições sangrentas? Apenas nos países do centésimo mundo. Felizmente poucos, mas infelizmente, entre esses poucos, está este nosso país, com uma tradição de cultura inculta, e no qual tive a desventura de nascer. Querem tourear? Toureiem homens contra homens. Criem uma raça de homens de couro bem duro e toureiem-nos. Encham-nos de bandarilhas. Espetem-lhes espadas goela abaixo. Deixem que o seu sangue borbulhe e manche as arenas. Aplaudam, depois, essa tortura. Exaltem os estertores da morte, que é algo muito agradável de se ver!

 

Ensinem às vossas crianças como é gracioso um espectáculo de tortura, de sangue e de morte. Incutam-lhes a cultura da crueldade contra um ser vivo. É uma prática de seres evoluidíssimos! Horrorizados?! Não se assustem. Isto é o que eu diria se tivesse a mentalidade de um homem inculto. Mas eu sou um Touro, e um Touro tem uma natureza superior à de um homem inculto, por isso, em vez de dizer «toureiem os homens», eu direi: «Abandonem esse ar rude e primitivo de bestas que se babam diante de um espectáculo sangrento, ávidas de beberem aquele sangue borbulhante e ainda quente, e tornem-se HOMENS! Em nome da vida e da harmonia entre todos os seres, eu, o Touro, agradeço».

 

in «A Hora do Lobo» livro de Josefina Maller

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:54

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