Comentários:
De Zé Onofre a 25 de Junho de 2021 às 19:38
Isabel
Creio que não é a primeira vez que nos cruzamos. Talvez esteja enganado.
Tenho, contudo algumas questões a colocar sobre a defesa da Língua Portuguesa.
1º Qualquer ortografia que se adopte não passa de uma lei arbitrária. Aminha mãe aprendeu a escrever, por exemplo, Pharmácia; Theatro; Izaura; Philarmónica; e tantos outros que de tempos a tempos os governos vão alterando com critérios tão arbitrários como a ortografia que substituíam, como agora o é o AO.
2º Não sou a favor de de3fender qualquer ortografia. Seja a do séc. XIX, a de 1911, a de 1940, ou o AO que está actualmente em vigor. Todas elas se baseiam em critérios arbitrários.
3º - Maior atentado à língua portuguesa é uso e abuso da língua colonialista anglosaxónicagermânica. O uso deste linguajar, este sim, é um atentado à Língua Materna Portuguesa, como a muitas outras Línguas Maternas de outros países que se sentem, como eu colonizados.
4º Concluindo: Unamo-nos contra o colonialismo cultural, que a ortografia da Língua Portuguesa lá irá andando, de acordo em desacordo, desde que não seja substituída por um qualquer Latim dos tempos contemporâneos.
Zé Onofre
De Isabel A. Ferreira a 26 de Junho de 2021 às 15:52
Boa tarde, Zé Onofre,

Não, não é a primeira vez que nos cruzamos. Já por aqui andámos a trocar ideias. Vou então responder às suas questões.
1 – Não concordo com a sua primeira observação: «qualquer ortografia que se adopte não passa de uma lei arbitrária». A Linguagem é uma Ciência, que, como todas as Ciências, têm os seus especialistas, os estudiosos que aprofundam, adaptam e organizam os saberes, tornando-os acessíveis às massas menos esclarecidas.
A sua mãe, se nasceu antes de 1945, escrevia as palavras que refere, com fonemas gregos, dispensáveis, uma vez que o alfabeto da nossa Língua é o latino, e no alfabeto latino, os fonemas PH e TH, correspondem às letras latinas F e T, e o Y de “lyrio” ao nosso i latino, o W, que são dois “vês” corresponde ao V, etc., e não havia necessidade de continuarmos a usar fonemas gregos, quando a nossa Língua se baseia no alfabeto latino e é oriunda do Latim, e não do Grego, embora muitos vocábulos tenham raiz grega, onde o Latim foi “beber”. Fernando Pessoa escrevia “pharmacia”, mas no seu nome usava a letra F.

Então, os ESTUDIOSOS da Linguagem decidiram simplificar a escrita, e nasceu a Convenção Ortográfica assinada em Lisboa, em 06 de Outubro de 1945, entre a Academia das Ciências de Lisboa e a Academia Brasileira de Letras, no sentido de adaptar a grafia ao nosso alfabeto latino, e retirar caracteres duplos, que não faziam absolutamente falta nenhuma para a pronúncia e significado das palavras, porque não tinham função diacrítica, como por exemplo “ella” e “ela”, a qual deveria ser aplicada em Portugal e no Brasil. Se me perguntar se foi uma reforma ortográfica PERFEITA, digo-lhe logo que não, ficaram algumas arestas por limar, o que será natural, porque a linguagem escrita é um processo bastante mais complexo do que a oralidade.

Acontece que, os Brasileiros, tendo um índice de analfabetismo elevadíssimo, e pretendendo baixar esse índice, em 1943 elaboraram unilateralmente um Formulário Ortográfico, aprovado em 12 de Agosto de 1943, constituindo um conjunto de instruções estabelecido pela Academia Brasileira de Letras para a organização do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa do mesmo ano, e que, entre muitas outras modificações, suprimiu as consoantes mudas que ELES não pronunciavam, não seguindo, contudo, um critério científico, pois enquanto os Portugueses NÃO pronunciavam o PÊ de recePção, eles pronunciavam, e esse PÊ escapou ileso no Brasil, e em Portugal foi simplesmente abolido. E é este documento de 1943, que desde então, regula a grafia brasileira, e no qual os engendradores do AO90, se basearam.
De modo que o Brasil assinou o AO45, mas NÃO o cumpriu. E assim nasceu a grafia brasileira, que se opõe à grafia portuguesa.
Citando José de Castilho: « “Divergências novas entre Portugal e Brasil. O AO90 cria diferenças ortográficas num contexto normativo de unificação. Isto constitui uma contradição insanável e uma violação do seu espírito unificador. Este contra-senso científico conduz-nos a um cenário em que as divergências artificialmente criadas na ortografia são superiores às palavras unificadas. Segundo um estudo de Maria Regina Rocha, com base em pesquisas no Portal da Língua Portuguesa, o AO90 harmoniza 569 palavras, mas mantém diferenças em 2691 e cria 1235 novas divergências. Estes números ilustram claramente a fraude da unificação ortográfica do AO90.” excerto de texto de Luís Canau:
https://app.parlamento.pt/webutils/docs/doc.pdf...

2 – Nenhuma ortografia, a não ser a brasileira de 1943 e agora este AO90, se baseia em critérios arbitrários, mas em critérios das Ciências da Linguagem. Sabemos que o AO90 NÃO TEM nenhum critério linguístico, mas somente POLÍTICO.
3 – Existe uma língua de comunicação global: a Língua Inglesa, que não precisou ceder ao gigante EUA, como Portugal cedeu ao gigante Brasil. E sendo uma Língua de comunicação global, a mim, não me causa a menor mossa a utilização de vocábulos, imediatamente compreendidos por todos os povos do mundo, como é, por exemplo, a linguagem informática. E antes o Inglês do que o acordês/mixordês.
4 – Portanto, UNAMO-NOS, SIM, contra o colonialismo linguístico brasileiro, que está a fazer desaparecer a Língua Portuguesa e a ser substituída pelo tal acordês/mixordês.

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