Isto vem a propósito de uma entrevista que Pedro Boléo fez a Maria João Pires, sob o título «Maria João Pires: “Não se toca piano com as mãos”», publicada recentemente no Jornal PÚBLICO.
Excelente entrevista, tanto da parte do entrevistador, como da entrevistada. Sempre adorei as interpretações desta magnífica intérprete de Piano, uma pianista de excelência. Nesta entrevista ela expôs a sua alma, e fez-nos percorrer, com ela, o seu caminho, até ao dia em que, num momento de “mudança radical” de vida, aos 81 anos, decide retirar-se dessa sua vida de intérprete dos grandes clássicos de música para piano, que lhe trouxe o reconhecimento mundial, que lhe valeu a atribuição da Grã-Cruz da Ordem do Infante Dom Henrique, por Marcelo Rebelo de Sousa, o Grão-Mestre desta Ordem.
E então lembrei-me de outra atribuição desta natureza, cujo protagonista foi também Marcelo Rebelo de Sousa, que também atribuiu esta condecoração, a Janja da Silva.
Lê-se em notícia da época, que o motivo da atribuição da Grã-Cruz da Ordem do Infante Dom Henrique a Janja da Silva, aquando de uma visita oficial a Portugal, por ocasião das comemorações do 25 de Abril/2023, diz respeito ao reconhecimento dos serviços relevantes [prestados por Janja] para a projecção da Cultura Portuguesa no Mundo.
Em 19 de Maio de 2019, Marcelo Rebelo de Sousa tinha atribuído a Maria João Pires, artista por excelência, que correu mundo a levar a Arte de Bem Interpretar Música para piano, a mesma condecoração da Grã-Cruz da Ordem do Infante Dom Henrique, quem em 2023 atribuiu a Janja da Silva.
Ora esta condecoração atribui-se a pessoas que prestam serviços relevantes a Portugal, no País ou no estrangeiro, ou serviços na expansão da Cultura Portuguesa, da sua História e dos seus Valores, o que se encaixa perfeitamente no perfil de Maria João Pires.

Imagem retirada da entrevista, mais acima referida.
Porém, encaixar-se-á no perfil de Janja da Silva? O que fez Janja da Silva pela Cultura Portuguesa? Nada. Absolutamente nada, a não ser casar-se com o Presidente da República Federal do Brasil, Inácio Lula da Silva, que também nada fez pela Cultura Portuguesa, muito pelo contrário, foi um dos que contribuiu para espezinhar a Língua Portuguesa, promovendo o AO90, o que ainda hoje acontece.
Não sei se a Maria João Pires sabe que a Grã-Cruz da Ordem do Infante Dom Henrique banalizou-se ao ser atribuída a alguém que não fez rigorosamente nada por Portugal, e não interessa se é a Senhora Janja da Silva, ou se é a Senhora Condessa Maria Antónia do Vale das Beldroegas. O que aqui está em causa é o critério da atribuição. Sabemos que Marcelo é luso-brasileiro, porém, como é do domínio público, é mais brasileiro do que luso, pugnando sempre mais pelos interesses brasileiros do que pelos interesses portugueses, mas isto não lhe dá o direito de esbanjar condecorações deste nível, com pessoas que não se encaixam nesta elegibilidade.
Maria João Pires encaixa-se perfeitamente, e a condecoração é bastante merecida, mas a Grã-Cruz da Ordem do Infante Dom Henrique já perdeu a sua dignidade, por a terem vulgarizado.
Sabemos que, no Brasil, a Senhora Janja foi criticada, por este feito, porém, a Senhora Janja não tem culpa de ter sido condecorada. Marcelo Rebelo de Sousa quis condecorá-la, e claro, ela só tinha de aceitar, ainda que nada tivesse feito para a merecer.
Eu jamais seria eleita para receber tal condecoração, contudo, se por obra e graça de algum encantamento, ma quisessem dar, hoje, eu não a aceitaria, porque a Grã-Cruz está desvirtuada, não só pela Janja, como por outros elementos que a receberam, como PASME-SE! José Sócrates, ex-primeiro ministro de Portugal, e um tal embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Philip T. Reeker, que devia ter feito tanto por Portugal quanto o Sócrates.
Por estas e por outras penso que estas condecorações já perderam a sua dignidade ao serem atribuídas a gente que nada fez para engrandecer Portugal, como Maria João Pires o fez. É como as Medalhas de Mérito Municipal, Grau Ouro, conferidas pela Câmara Municipal de Lisboa, a forcados e a toureiros, por António Costa.
Tive um amigo que recebeu uma Medalha de Mérito Municipal, que mais tarde foi atribuída a um vigarista, e esse amigo foi imediatamente devolvê-la.
Eu faria o mesmo.
É preciso Bom Senso na escolha do critério das atribuições de condecorações (e os exemplos são muitos em outros géneros de condecorações) para não acontecer casos insólitos como o que acabei de narrar, algo que me revolveu as entranhas, porque não se brinca com os valores da Cultura Portuguesa.
Isabel A. Ferreira
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O comentário de Idalete Giga à entrevista que Maria João Pires deu a Pedro Boléo:
