Quarta-feira, 8 de Outubro de 2014

APELO AOS GOVERNANTES PARA QUE ACABEM COM O NOSSO SOFRIMENTO, ACABANDO COM O SOFRIMENTO DOS TOUROS E CAVALOS TORTURADOS NAS ARENAS

 

Um caso de saúde mental pública a levar ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, cuja missão é a de verificar o respeito dos princípios da Convenção Europeia dos Direitos Humanos, assinada por Portugal

«Acabar com o sofrimento» é uma razão mais do que suficiente para que as autoridades portuguesas ponham um fim definitivo à selvajaria tauromáquica, que nos açoita a alma, diariamente.

Já nos basta padecer com o sofrimento de milhares de crianças que morrem de fome e de sede; com o sofrimento de milhares de pessoas que são torturadas e mortas às mãos de assassinos islâmicos e outros; com o sofrimento de milhares de crianças vítimas de pedófilos aberrantes; enfim… tanta miséria humana!...

 

 

Imagem do mais profundo sofrimento

Quem é capaz de dizer que este touro não sofreu? Basta observar a sua expressão de dor, uma dor que nos rasga a alma como se dilacerassem a nossa própria carne…

 

É que nós, seres sensíveis e solidários, sofremos a mesma dor que todos os animais sofrem. E os danos psicológicos, que nos causa essa dor, são gigantescos e concretos.

 

Somos diariamente agredidos com notícias e imagens que nos rasgam a alma, apenas porque os governantes portugueses, rendidos a um lobby inculto, de duas dezenas de famílias mal formadas, simplesmente assim o querem.

 

Por desconhecimento da verdade? Então diremos a verdade.

Isto é uma forma de agressão como qualquer outra. E esta, pior do que muitas, pois vem de quem tem o dever supremo de nos proteger.

 

Podemos pois culpar os governantes portugueses do facto de andarmos doentes da alma. Sofridos. Amargurados. Afectados com a dor dos animais.

 

Podemos culpar os governantes portugueses de sacrificarem touros, bezerros, vitelos, novilhos e cavalos, seres extremamente sensíveis, a um lobby inútil, que insulta a Humanidade com a sua baixeza de carácter, torturando animais como nós, por dinheiro e para divertir gente insana.

 

Levaremos as nossas queixas ao Tribunal dos Direitos do Homem, sim, porque nenhum governante tem o direito de nos agredir deste modo insano, agredindo mamíferos que nos são tão próximos.

 

O sofrimento do outro (seja esse outro quem for) atinge-nos de um modo brutal, provocando-nos uma doença angustiante, para a qual não existem químicos que a trate: a dilaceração da alma, que só terá cura com a supressão do mal que está na origem dessa dor.

 

***

Vejamos o que nos diz, sobre esta matéria, Marius Donker, um humanista e activista holandês de grande saber e sensibilidade, num magnífico texto que escreveu, intitulado «Stop Suffering», que todos os governantes devem ler, especialmente o Senhor Ministro da Saúde, Dr. Paulo Macedo, e a Senhora Ministra da Justiça, Dra. Paula Teixeira da Cruz.

 

«O objectivo dos nossos esforços é acabar com o sofrimento dos touros, bezerros, novilhos e cavalos nas corridas de touros, assim como em todos os “espectáculos” onde sejam maltratados. Se acabarmos com o sofrimento deles, também acabaremos com o nosso.

 

O meu professor de Psiquiatria Social disse-me uma vez que “se eu fosse testemunha de todo o sofrimento humano que ocorresse numa só noite, na cidade, passaria o resto da minha vida encerrado num hospital psiquiátrico”.

 

Uns meses mais tarde, no sótão escuro de um hospital, vi o corpo ainda quente de uma mulher jovem e formosa que se enforcou, com a ilusão de que a sua morte poderia deter o sofrimento deste mundo. Inclusive, assistir ao sofrimento pode conduzir-nos à loucura; é uma ameaça para a saúde mental de todos, novos e velhos.

 

O sofrimento das pessoas, dos animais e da natureza é transmissível. Se a natureza sofre, os animais e as pessoas também se vêem afectados. Nós, que temos um vínculo estreito com os nossos animais de estimação, sabemos que eles e as pessoas são capazes de cruzar a fronteira entre as espécies e partilhar o sofrimento mútuo.

 

Os seres sensíveis expostos ao sofrimento de qualquer forma de vida sentem-no como uma doença. Não podemos escapar ao impacto físico e mental das imagens, do som e do odor do sofrimento.

 

Portanto, devemos detê-lo.

 

Com respeito às acções que temos realizado até ao momento, parece-me que gastamos demasiada energia e dinheiros em esforços que têm pouco efeito. Com algumas pequenas variações, as nossas campanhas tocam principalmente às mesmas portas, e são contestadas pelos mesmos rivais, que utilizam basicamente os mesmos argumentos. Os desejos de mudança vêem-se prejudicados por redes internas, fechadas em si mesmas.

 

Lutar contra uma (falsa) cultura ou (falsa) tradição supõe ter de se lutar contra um povo protegido pela sua Nação, pela União Europeia e pela UNESCO.

 

Estes alvos são mais difíceis de combater.

 

A (falsa) cultura e a (falsa) tradição – tal como a religião – são conceitos discutíveis, com uma longa história e ambivalência que não podem ser eliminadas da noite para o dia.

 

No entanto, infligir dor e morte são acções concretas que podem ser suspendidas no acto.

 

Podemos ter êxito defendendo a cultura e a tradição, mas nunca defendendo o sofrimento causado pelas mesmas.

 

(Até porque cultura e tradição nada têm a ver com tortura e sofrimento.)

 

Quais são os direitos que temos para proteger as pessoas, os animais e a natureza do sofrimento?

 

Todos os “direitos” são invenções humanas baseadas em interesses humanos. Os direitos são passivos, sem efeito, até que sejam activados por nós, os seres humanos, e se transformem numa legislação sólida e obrigatória.

 

Está claro que os animais dependem de nós para activar esses direitos, deste modo, o aplicação dos direitos dos animais – e os direitos da natureza – é um dever humano. Quero fazer finca-pé neste ponto: é nosso dever como seres humanos acabar com o sofrimento. Consequentemente, temos o direito, como seres humanos, de exercer o nosso dever de humanos para que o sofrimento acabe.

 

Sugiro que nos concentremos numa temática fácil: «Acabar com o sofrimento”, uma vez que não nos podem vencer com a lógica, a moral e a ética. Se nos apoiarmos neste princípio não nos veremos arrastados em discussões sobre o valor das “tradições”, dos níveis “aceitáveis” do sofrimento, de ser vegetariano, etc..

 

«Acabar com o sofrimento» tem como objectivo a prevenção: trata-se de detê-lo antes que ele comece, não a metade do caminho ou depois de ele já ter causado dano.

 

Do ponto de vista legal poderia significar uma mudança de abordagem, desde a proibição de corridas de touros à proibição de todos os meios que são instrumentos da tortura e da matança, e a proibição de todas as fontes relacionadas com os danos da saúde mental pública.

 

E necessitamos da protecção jurídica para exercer o nosso dever de seres humanos de acabar com o sofrimento, preferencialmente reconhecido como um direito humano.

 

Uma vez que uma legislação imperfeita apoia as violações aos direitos dos animais, é necessário, sobretudo, acabar com uma legislação socialmente injusta para com os animais.

 

 

Sob o ponto de vista médico/psicológico cabe destacar o impacto físico e mental do sofrimento que é igual e transferível no animal homem bem como no animal não humano, incluindo o impacto social e económico dos danos causados à saúde pública, na nossa sociedade.

 

E poderia ser útil assinalar que o sadismo socialmente aceite não só é um problema de saúde mental, como também uma ameaça à ordem pública.

 

Ao sermos inferiores em fundos, devemos reflectir sobre as nossas estratégias, bem como a efectividade e eficiência das nossas campanhas e reuniões.

 

Necessitamos de muitos apoios para sermos eficazes.

 

«Acabar com o sofrimento» atrairá mais apoio do público em geral do que o nosso problema específico da corrida de touros. Encontro o mesmo compromisso entre os amigos que protegem e regatam os animais de rua, e os defensores das focas, baleias, golfinhos, elefantes, rinocerontes, lobos e da natureza selvagem.

 

Inúmeras organizações de direitos humanos e organizações de protecção animal partilham o nosso compromisso.

 

Por que não partilhar os nossos objectivos e acções comuns com estruturas sólidas e eficazes?

 

Sugiro que abramos a nossa rede, actualmente fechada, para construir ou ampliar estruturas e redes eficazes. Com a mensagem «Acabar com o sofrimento» simplificamos o nosso objectivo, teremos mais apoio, restringiremos e condensamos os nossos argumentos e eliminaremos discussões sobre detalhes irrelevantes.

 

A acção directa contra o sofrimento no nosso próprio terreno tem prioridade, uma vez que estamos familiarizados com os nossos próprios problemas regionais, a cultura, os políticos, as administrações e as suas possíveis soluções. O importante é estar onde e quando precisarem de nós.

 

Uma rede internacional pode ser útil no intercâmbio de informação, experiências, estratégias e pontos de vista dos seus membros. Mas nunca poderá orientar-nos nas nossas acções locais.

 

Deste modo, peço-vos que tenham em conta estas sugestões e espero os vossos comentários.

 

Creio que podemos ser mais eficazes se mudarmos a nossa abordagem e abrirmos a nossa rede actualmente fechada, a fim de atrair um apoio massivo para conseguir um objectivo mais realizável.»

 

***

Posto isto, o único caminho é acabar com o nosso sofrimento, acabando com o sofrimento dos animais que nos estão mais próximos.

Os governantes não têm o direito de nos provocar dor, mantendo uma lei injusta para os animais humanos e para os animais não humanos.

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:20

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