Segunda-feira, 3 de Fevereiro de 2014

AINDA O FÓRUM DA TORTURA TAURINA NOS AÇORES - MESTRES DO EMBUSTE ENGANARAM (POR MÁ FÉ OU CONVENIÊNCIA) OS QUE NADA SABEM

 

Diz que o Fórum dos Açores realçou os valores “culturais” da criação do “touro bravo”… e assim se propagam mentiras…

 

Primeiro, confundem valores culturais com valores monetários… E ficaria tudo dito, se não fosse o facto de a fabricação do “touro bravo”, que todos sabem não existir na Natureza, ter como objectivo usá-lo num costume cruel e bacoco, que só dá mau nome aos Açores.

 

 

«Os valores que a indústria tauromáquica tanto defende. É isto que queremos como imagem dos Açores? São estes os valores que se devem perpetuar?»

 in

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=624665570940320&set=a.451275978279281.101438.451257841614428&type=1&theater

 

***

 

Neste fórum de tortura taurina interveio um licenciado em Biologia.

 

Porém, ser Biólogo é outra coisa.

 

Ser Biólogo é ser um Cientista, que desenvolve os seus estudos baseado no método científico, e não para conveniência de ganadeiros e afins. Pode trabalhar em laboratórios de pesquisa, laboratórios de rotina como os de biologia clínica, campos abertos como savanas, pastagens, florestas e todo o lugar onde há vida para ser estudada, mas não para ser maltratada.

 

Neste III fórum da tortura taurina nos Açores, (“canto do cisne” da tauromaquia, para aficionados matarem saudades de algo que já morreu, só eles não sabem), foram profundamente analisados os “benefícios ecológicos” da criação do “touro de lide” na Ilha Terceira, e na evolução da “bravura” como “valor cultural”, como se isso fosse uma realidade biológica, uma necessidade vital, ou algo cientificamente e culturalmente válido.

 

Esqueceram-se de dizer que a tortura de bovinos mansos já se conjuga no passado, e o Arquipélago dos Açores só tem a perder com estas iniciativas frequentadas por “gente” que desconhece o mundo civilizado, e que tem um nome que os aficionados açorianos não gostam nada de ouvir pronunciar: bronca.

 

Durante este fórum, vários pseudo “experts” falaram no facto de o “touro bravo” ter ajudado, em certa medida, à fixação da população local.

 

Ora estes “especialistas” se fossem Cientistas, nunca falariam na importância de um animal que nunca existiu como tal na Natureza, para um pequeno grupo de aficionados, que nada sabe de Biologia, e nem ficou a saber. Pelo contrário…

 

Se estes “especialistas” fossem Cientistas falariam, isso sim, no touro ou boi, conhecido por bos taurus, juntamente com a sua fêmea, a vaca, e o elemento jovem da espécie, chamado bezerro, que constituem o chamado gado bovino, termo que, em sentido amplo, dá nome aos animais mamíferos, ruminantes, artiodáctilos, com par de chifres não ramificados, ocos e permanentes, do género Bos, em que se incluem as espécies domesticadas pelo homem.

 

Gado esse introduzido nas Ilhas pelos que as colonizaram.

 

Quando as Ilhas foram descobertas, eram desabitadas. Nelas existiam uma densa vegetação autóctone e muitas aves.

 

Depois da descoberta, as primeiras expedições, ainda no século XV, para além do reconhecimento das costas e dos locais onde era possível desembarcar com segurança, também se destinaram a lançar nas ilhas, animais domésticos (ovelhas, cabras, porcos, galinhas e gado bovino) que pudessem ajudar a sustentar uma futura presença humana.  

 

O ano de 1450 é apontado como o do arranque da colonização da Ilha Terceira pelo flamengo Jácome de Bruges.

 

Mais tarde, debaixo do domínio espanhol (em meados de Agosto de 1583 era completo o domínio castelhano nos Açores, como aliás em todos os territórios sob soberania portuguesa) foi introduzido o bárbaro costume de torturar bovinos para divertir um povo inculto, sem outros horizontes culturais que não fossem esses. E essa incultura mantém até aos dias de hoje, salvo raras excepções.

 

De onde vem pois, o termo “bravo”? Vem obviamente da tortura por que passa o bos taurus, desde que nasce, em preliminares cruéis até chegar à lide. E tudo o que foi dito, neste Fórum, sobre o “touro bravo” foi uma autêntica fraude.

 

É deste modo que se perpetua a ignorância e a mentira ao serviço dos ganadeiros e dos seus apoiantes que só vêem €€€€€€€.

 

Segundo outro “especialista” (diz que é biólogo e professor da Universidade dos Açores – instituição que deixa muito a desejar quanto à sua função de ensinar) referiu que «o pastoreio do “bravo” alterou sensivelmente a paisagem original, mas transformou, para melhor, a flora da ilha».

 

O que este pseudo biólogo devia ter dito é que os bovinos (o touro, a que chamam “bravo”, não passa de um bovino que não foi castrado) da ilha contribuíram, como contribuem em todas as partes do mundo, para uma paisagem pastoril de grande beleza. E apenas isso.

 

Outro “expert” que distorceu a verdade (diz que é um etnógrafo e director de uma web sobre a vida natural dos Açores) assegurou que desde há cinco séculos que o “touro bravo” salvaguarda zonas muito importantes da Ilha Terceira, um dos lugares da Europa de maior riqueza ambiental.

 

Esqueceu-se este senhor de dizer, que quando as ilhas foram descobertas existia uma terra luxuriante e de grande riqueza ambiental… sem “touros bravos”, pois os bovinos foram levados para lá pela mão dos colonizadores, como já se referiu. Só depois disso, e para fins cruéis… o bos taurus foi manipulado pelo homem predador para se tornar “bravo” e servir instintos primitivos e interesses gananciosos €€€€€€€€€€.

 

O primeiro registo conhecido da realização de uma tourada à corda data de 1622, ano em que a Câmara de Angra organizou um daqueles eventos, enquadrado nas celebrações da canonização de São Francisco Xavier e de Santo Inácio de Loiola.  

 

Realmente uma manifestação de tortura para celebrar canonizações de santos, muito adequada ao espírito cristão!!!!

 

Enfim… Contradições da Igreja Católica Apostólica Romana…

 

Outro “especialista” (diz que é historiador) retomou uma frase do pseudo biólogo e salientou que «sendo autóctone daquela ilha, necessita de touros para viver» (muito mais importante do que o ar que respira e o pão que come) enfatizando a identificação histórica dos terceirenses com o “gado bravo” e a tauromaquia, tanto na vida quotidiana como no ritmo de trabalho e de lazer, o que os torna uns “seres privilegiados”.

 

Diz que é historiador. Não saberá ele que a identificação histórica dos terceirenses, nada tem a ver com tauromaquia? Que “historiador” será este? A quem pretende ele ludibriar?

 

Houve um nítido retrocesso. O Arquipélago estava nas rotas marítimas e servia de repositório de um comércio próspero, onde as madeiras tinham um lugar de destaque.

 

E das madeiras passou-se para a tortura de bovinos, que torna os autóctones daquelas ilhas uns privilegiados?

 

Mas isto lá é lição que um historiador (se o fosse) dá a alguém?

 

Finalmente, um outro “especialista”, a propósito da sua tese de doutoramento em Ciências Agrárias sobre a sustentabilidade da criação do “gado bravo” nos Açores (veja-se ao que chegou os altos estudos de um doutoramento!) destacou a história e a evolução das ganadarias terceirenses.

 

Pois… ganadarias terceirenses… Muitos €€€€€€€€€ em causa. E para isso mandingueiros primitivos torturam cruelmente seres indefesos e inocentes.  

No discurso de abertura o presidente da tertúlia tauromáquica terceirense salientou que este fórum sobre a “defesa” dos “valores da tauromaquia” (esquecendo-se de referir que valores são esses, pois há valores que não prestam para nada) «mais do que uma reivindicação da cultura açoriana é uma afirmação da identidade terceirense».

 

Pobre povo que tem como “cultura e identidade” a tortura de bovinos mansos, herbívoros ruminantes…

 

E pobre mente que assim pensa…

Fonte:

http://www.abc.es/cultura/toros/20140125/abci-forum-azores-pone-alza-201401252045.html

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:37

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