Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2015

ANIMA SENTIENS

 

ANIMA SENTIENS é um lugar onde se pugna pela dignidade da vida a que os animais não humanos têm direito

 

E nós, se nos consideramos SERES HUMANOS, temos o DEVER de defender essa VIDA, uma vez que vivemos num mundo onde os maiores predadores do planeta estão no poder

 

Quem passa pela Vida como cão por vinha vindimada, não vive, anda no mundo só por ver andar os outros

 

E isso é ser muito pobrezinho de espírito

 

ANIMA SENTIENS.jpg

Fonte da imagem

https://www.facebook.com/animasentiens/photos/a.1399600843680854.1073741827.1399588120348793/1399600723680866/?type=1&theater

 

***

 

Os olhos são as janelas por onde a alma espreita a vida.

E quem nunca olhou nos olhos do outro (seja quem for esse outro) nunca experimentou o mistério da existência.

Por isso nada sabe da vida.

 

1454580_1399613533679585_7659590548263306206_n ANI

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 10:36

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Quarta-feira, 16 de Abril de 2014

COMUNHÃO ENTRE DUAS ALMAS

 

 

«Os olhos dos animais dizem-nos tudo, o que queremos saber. Tudo. A experiência mais intensa que podemos ter é quando fixamos os olhos de um animal.

 

Eles lêem-nos a alma, porque têm essa capacidade. E o entendimento entre nós torna-se algo espiritual. Íntimo. Intenso e imenso

 

 

Olha no fundo dos olhos de um animal e, por um momento, troca de lugar com ele.

 

A vida dele tornar-se-á tão preciosa quanto a tua e tu tornar-te-ás tão vulnerável quanto ele.

 

Agora sorri, e acredita que todos os animais merecem o nosso respeito e a nossa protecção, pois em determinados pontos eles são nós e nós somos eles. 

Fonte:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=453307154737307&set=a.459183360816353.1073741828.100001740791934&type=1&theater

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 10:37

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Sexta-feira, 21 de Fevereiro de 2014

OLHEM BEM PARA ESTA IMAGEM

 

É UM BOVINO, HERBÍVORO E MANSO…

 

A ferida aberta no seu dorso não dói, dizem os alucinados tauricidas.

 

Podemos então rasgar as vossas carnes à vontade?

 

Um bovino é feito de carne e osso, vísceras, alma e coração. É um animal como qualquer um de nós. Sente. Sofre.

 

Mas os torcionários acham (porque pensar não pensam) que isto não dói.

 

Então vamos experimentar nos vossos costados!

 

Quero ver até onde vai a “valentia” que dizem possuir…

 

COBARDES!

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:56

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Sexta-feira, 14 de Fevereiro de 2014

Um crime cometido no santuário maior do ser humano: o ventre de sua Mãe

 

Hoje estou revoltada.

Hoje vou dedicar as minhas páginas àquelas crianças a quem o homem predador não deu oportunidade, para que celebrassem o Dia dos Namorados com felicidade, num futuro que não existirá para elas.  

 

O texto que se segue esmagou-me a alma, e a foto, todos os meus sentidos.

 Vale a pena ler.

 

 

É um bebé indefeso como este, que as progenitoras matam no seu próprio ventre, um santuário que devia ser de VIDA e não de MORTE.

 

«Dois namorados tiveram relações e aos dois meses ela deu-se conta de que estava grávida. Era um rapaz.

 

O papá e a mamã discutiram, creio que foi por minha causa, mas fiquei quietinho.

 

Fevereiro: dei-te um pontapé na barriga. Desculpa-me, mamã! Foi sem querer.

 

A mamã e o papá discutiram novamente, e falaram sobre algo que eu não entendi, de um tal “ABORTO”, se não o papá a deixaria, e a mamã, chorando suplicou-lhe que não o permitiria.

 

Não importa mamã, eu acompanhar-te-ei por toda a vida, por isso Deus me enviou para o teu ventre.

 

Março: a mamã foi ao médico. Pediram-lhe que se deitasse. Senti algo que me puxava o pezito para fora. Disseram-me que já era hora de sair, era hora de ver a minha formosa mamãzinha e acompanhá-la para sempre.

De repente!...

 

Mamãzinha estão a arrancar a minha perninha… mamãzinha, mamãzinha… ajuda-me! Não poderão separar-me de ti… mamãzinhaaaaa amo-teeeeeee e lutarei….

 

Tudo ficou em silêncio. E ouvi o doutor dizer à minha mamã. «Já está pronto, senhora, e acabou-se o seu problema.»

 

Perdoa-me mamã, não sabia que eu era um problema para ti. Por que me mataste mamãzinha? Não fazias ideias de uqnato eu te amava!»  

(Poncho Navarro)

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:34

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Sexta-feira, 10 de Janeiro de 2014

CRIANÇAS PORTUGUESAS EM RISCO NAS ESCOLAS DE TAUROMAQUIA = ANTROS DE CRUELDADE, VIOLÊNCIA E DESUMANIDADE

 

Qual o papel das Comissões de Protecção de Crianças e Jovens nesta área? E o dos “pais”? E o do Governo Português?

 

(Foto: DR - http://diariotaurino.blogspot.pt/2011/12/el-juanito-na-escola-de-toureio-de-vila.html

 

Depois de ter frequentado a escola de toureio de Alter do Chão, esta criança, bezerrista, que dá pelo nome de "El Juanito", filho do bandarilheiro Hugo Silva, ingressou na Escola de Toureio José Falcão, em Vila Franca de Xira. Agora, tem como orientador um tal de Vítor Mendes, e dizem que o pequeno Juanito (pois, é pequeno na idade) sonha em tornar-se um torcionário. Isto lá é sonho de criança?

 

***

Em Portugal existem vários organismos que foram criados para supostamente protegerem as crianças e jovens portugueses que estão em risco, por muitos e variados motivos, entre eles quando são obrigados a actividades (…) inadequadas à sua idade, dignidade e situação pessoal ou prejudiciais à sua formação ou desenvolvimento, como é o caso dos que são enviados para escolas tauromáquicas (antros de crueldade, violência e desumanidade) altamente prejudiciais a um desenvolvimento psíquico saudável e de acordo com as normas da ética e dos valores humanos que regem as sociedades contemporâneas.

 

Podemos confirmar no Portal http://www.cnpcjr.pt/left.asp?11

 

O que são as CPCJ?

 

Nos termos do disposto na Lei n.º 147/99, de 1 de Setembro, as Comissões de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ) são instituições oficiais não judiciárias com autonomia funcional que visam promover os direitos da criança e do jovem e prevenir ou pôr termo a situações susceptíveis de afectar a sua segurança, saúde, formação, educação ou desenvolvimento integral.

 

Pois o que fazem estas comissões em relação às crianças e jovens que estão expostos à violência que eles próprios exercem sobre bezerros e novilhos, nas várias escolas onde se ensina a torturar seres vivos para diversão?

 

Deixo a pergunta para quem tiver uma resposta positiva.

 

Conceito de perigo

 

Segundo podemos ler no referido Portal, considera-se que a criança ou o jovem está em perigo quando, designadamente, se encontra numa das seguintes situações (para o caso só nos interessa o que está sublinhado)

 

1- Está abandonada ou vive entregue a si própria;

 

2- Sofre maus tratos físicos ou psíquicos ou é vítima de abusos sexuais;

 

3- Não recebe os cuidados ou a afeição adequados à sua idade e situação pessoal;

 

4 - É obrigada a actividade ou trabalhos excessivos ou inadequados à sua idade, dignidade e situação pessoal ou prejudiciais à sua formação ou desenvolvimento;

 

5 - Está sujeita, de forma directa ou indirecta, a comportamentos que afectem gravemente a sua segurança ou o seu equilíbrio emocional;

 

6 - Assume comportamentos ou se entrega a actividades ou consumos que afectem gravemente a sua saúde, segurança, formação, educação ou desenvolvimento sem que os pais, o representante legal ou quem tenha a guarda de facto lhes oponham de modo adequado a remover essa situação.

 

***

Posto isto, devemos acrescentar que os maiores responsáveis depois do Governo Português, o qual permite a existência destes antros de crueldade, de violência e de desumanidade, são os que se dizem “pais”, que deviam zelar por um desenvolvimento saudável dos seus filhos, e atiram-nos sem o mínimo de consciência, para a toca de carrascos, onde aprendem a torturar bovinos bebés (bezerros e novilhos).

 

Por muito menos, já vi  comissões e magistrados a retirarem os filhos aos “pais”.

 

Estas crianças correm riscos tanto ou mais danosos que os maus tratos físicos (exceptuando a pedofilia e abusos sexuais pelos próprios pais, que é dos crimes mais asquerosos que existem, e as penas para tais crimes são tão leves como as penas das aves…) ou uma pobreza que poderá ser minimizada com a ajuda de instituições existentes para esse efeito.

 

Com tantas instituições de caridade que existem por aí, e assistentes sociais em todas as Câmaras Municipais, nenhuma família pobre em Portugal tem necessidade de passar fome. E se passa é porque as instituições não funcionam.

 

Alguma vez estes organismos pretensamente “protectores” de menores de 6 anos até aos18 anos se dignaram a fazer alguma coisa em prol da saúde mental destes negligenciados pelos próprios “pais”, pelas autoridades e pela sociedade?

 

Quando vem um Ministro da Educação dizer que é preciso investir na educação, é a este “tipo de educação” que está a referir-se? Sim, porque para a educação pedagógica, pelo que vemos, não há verbas para nada, mas para as escolas de toureio, os $$$$$$$$ nunca falham. Nem que se deixe famílias a passar fome, com os cortes de salários.

 

Para touradas e afins… o dinheiro nunca falta. Enfim, são opções de alienados…

 

E os “professores” de toureio. Nomeadamente os que leccdionam em escolas públicas? Esses, envergonham os verdadeiros professores que trabalham em prol de uma educação para a cidadania, seguindo a ética e os valores humanos.

 

A dessensibilização sistemática destas crianças e jovens nestes antros de tortura, onde o desrespeito pela vida de seres sencientes é hediondo e transmitido como algo aceitável e não condenável, está a formar uma geração de monstros, igual à que hoje ainda vamos tendo nessas terrinhas taurinas, onde se verifica um atraso civilizacional desmedido.

 

Isto vai contra todas as leis (que existem em Portugal apenas para constar) de protecção de crianças e jovens.

 

Por isso é premente exigir o fim destas escolas tauromáquicas.

 

É urgente proteger as crianças e jovens de hoje.

 

Não podemos deixar que o futuro venha já a cair de podre. 

 

E principalmente é urgente responsabilizar os “pais” destes inocentes, para que não sejam transformados em corpos sem sensibilidade, sem qualquer empatia pelos outros e sem alma.

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:57

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Quinta-feira, 14 de Fevereiro de 2013

A TODOS OS PORTUGUESES QUE SÃO SENSÍVEIS, LÚCIDOS, INTELIGENTES E PREZAM UM MUNDO HARMONIOSO ENTRE TODAS AS CRIATURAS VIVAS

 

 

Alguém com alma e coração poderá ficar indiferente à tristeza e ao sofrimento que vemos estampado no semblante deste ser senciente que torturaram e mataram por DIVERTIMENTO?

 

 

Eu acabei de assinar a petição «Delegado en España de la UNESCO: Pronunciamiento oficial sobre los festejos taurinos», na Change.org.

 

É importantíssimo que todos colaborem.

 

Por favor, assinem também.

 

Eis o link:   

 

http://www.change.org/petitions/delegado-en-españa-de-la-unesco-pronunciamiento-oficial-sobre-los-festejos-taurinos

 

Obrigada.

 

Isabel A. Ferreira

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:59

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Terça-feira, 15 de Janeiro de 2013

REPAREM NA TRISTEZA PROFUNDA NO OLHAR DESTE MAGNÍFICO TOURO

 

 

NÃO É DE DOER A ALMA?

 

DESTROÇAR-LHE A VIDA É A TAREFA DOS SÁDICOS E DOS TORCIONÁRIOS E DAS AUTORIDADES E DA IGREJA CATÓLICA E DE VETERINÁRIOS SEM ESCRÚPULOS, CÚMPLICES DE UM CRIME QUE DEVIA SER SEVERAMENTE PUNIDO, MAS É APLAUDIDO, É APOIADO…

ISTO NÃO É COMPATÍVEL COM OS VALORES HUMANOS NEM COM A EVOLUÇÃO.

 

 POR QUE PERSISTE?

 

PORQUE A IGNORÂNCIA AINDA EXISTE, E PORQUE OS GOVERNOS SÃO LACAIOS DE MERCENÁRIOS…

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 10:29

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Segunda-feira, 22 de Outubro de 2012

SERÁ QUE A DOR DOS ANIMAIS É MENOR DO QUE A NOSSA DOR, SENDO ELES TÃO ANIMAIS QUANTO NÓS?

 

 

 

O filósofo Voltaire, que afirmou «Deus est anima brutorum» («Deus é a alma dos animais»), tinha razão, mas não devia ter ficado por aí...

 

VEJAM OS VÍDEOS E ENCONTREM A RESPOSTA PARA A PERGUNTA FORMULADA NO CABEÇALHO

 

 

 

 

 

 

 
publicado por Isabel A. Ferreira às 10:02

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Domingo, 2 de Agosto de 2009

As palavras que Deus nunca diria

 

Copyright © Isabel A. Ferreira 2009
 
 

MINDINHA.jpgA minha Mindinha - A gatinha mais sensível e meiga, de todas as gatinhas que já me acompanharam na Vida...

 
 
Se há verdades verdadeiras, uma delas é o meu inquestionável gosto pela leitura. Sem livros eu seria infeliz e vaguearia nas trevas. E porque gosto de ler, regresso quase sempre àqueles livros que em mim deixam cicatrizes na alma.
 
Desta vez reli «Da Imortalidade dos Animais – Uma esperança para as criaturas que sofrem», de Eugen Drewermann, uma edição de 1990, da Editorial Inquérito.
 
Precisava de fortalecer a minha esperança numa humanidade mais justa e mais condizente com a realidade da Vida. Não da insignificante vidinha de cada um. Mas de toda a Vida que nos rodeia: animais – humanos e não humanos – e plantas.
 
Este é um daqueles livros que deveria ser divulgado com grandes parangonas, nos meios de comunicação que habitualmente são utilizados para esmagar os nossos sentidos, com notícias de crueldades atrozes perpetradas contra essa Vida, que deveria ser preservada como um bem precioso e único. E ao contrário disso, é delapidada até ao indizível.
 
 «O que é a Vida?

Se usarmos do saber livresco diremos que Vida é o estado de actividade dos animais e das plantas. Deduzimos então que, no mundo conhecido, apenas os animais e as plantas vivem num estado de actividade desde que nascem. Uma pedra também nasce, e ali fica. Quieta. Não cresce. Morre, se a triturarem e a transformarem em pó. E o pó leva-o o vento. E quem chorará a morte de uma pedra? A galinha? Eu? Talvez outra pedra?!
 
Mas as pedras não choram, porque não vivem. A galinha vive. Eu vivo. Ambas choramos. Logo, a galinha e eu somos seres vivos. Somos animais.
 
Outros animais e plantas povoaram o Planeta muito tempo antes do homem. E cada um cumpriu a sua missão. Harmoniosamente. Animais de todas as espécies. Plantas, desde o miosótis ao mais frondoso plátano. Todos seres muito belos, mais-que-perfeitos. Seres sensíveis.
 
Só depois veio o homem, que encontrou um mundo fervilhando de vida até na mais pequenina fenda, entre os rochedos, à beira-mar.
 
No jardim vivia uma rosa. Viçosa e formosa. A rosa. O homem veio e disse: «Que linda é a rosa. É minha, pois não sou eu o dono do mundo? Vou levá-la comigo». E o homem arrancou a rosa da roseira, e a rosa murchou, e só o homem é que não viu. E continuou a clamar: «Eu sou o dono do mundo»!
 
Auto-intitulou-se um ser “superior”, só porque falava, pensava, fazia coisas com as mãos, que mais nenhum outro ser fazia. E, usando dessa pretensa “superioridade”, principiou então a maltratar os seus companheiros de vida: tortura e mata, por simples prazer, animais, plantas e até outros seres seus semelhantes. Polui as águas dos rios, dos oceanos e das fontes, que costumavam ser límpidas. Destrói as florestas que dão o oxigénio, sem o qual o planeta não respira. E tudo isto o homem vai fazendo em nome da tal “superioridade” e de interesses escusos, “valores” que desvalorizam a existência do próprio homem, e exterminam os animais e as plantas.
 
Durante milhares de anos, o planeta chamado azul foi azul da cor do céu; foi verde da cor dos prados; loiro da cor das searas; vermelho da cor do sol poente; teve todas as cores do arco-íris enquanto não veio o homem. Depois dele, e em nome da sua “superioridade”, o que foi um paraíso durante o reinado dos animais e das plantas, transformou-se em caos.
 
Se o lobo respeita o homem, porque não há-de o homem respeitar o lobo?
Se a árvore respeita o homem, porque não há-de o homem respeitar a árvore? Afinal, somos todos irmãos. Iguais, enquanto resultado do mesmo acto criador. Diferentes no modo como respeitamos a vida». (in Manual de Civilidade, da minha autoria).
 
Por esta altura (de touradas e de circos e de outros espectáculos anormais), eu, que tenho os animais não humanos e as plantas como meus irmãos (somos todos seres da mesma criação) necessito de ir buscar aos sábios, o alento que vive nas palavras que pensam e escrevem.
 
«Da Imortalidade dos Animais» começa com um poema que passo a transcrever:
 
«Vejam os animais, os bois,
as ovelhas, os burros;
acreditem, eles também têm alma,
também são seres humanos,
só que têm pêlo e
não podem falar;
são pessoas de tempos passados,
dai-lhes de comer;
vejam as oliveiras
e as vinhas... antigamente,
também elas eram seres humanos,
mas há muito, muito tempo,
e já não conseguem recordar;
mas o homem recorda
e por isso é humano.»
 
Nikos Kazantzakis
(Prestando contas a el Greco)
 
 
Neste poema, o que mais me enterneceu foi “acreditem, eles também têm alma”. Por fim, encontrei alguém que acredita naquilo que eu, desde criança, sempre acreditei.
 
Nunca tive dúvidas de que os animais têm uma alma como eu. Vivi com eles. Entre eles. Criei-os. Amei-os e fui amada por eles. Certo dia, teria eu uns sete anos, deram-me uma porquinha já desmamada. Adoptei-a como se fosse um cão ou um gato. E a minha relação com essa porquinha foi humaníssima. Era inteligente, brincalhona, limpíssima, e gostava de mim, tanto quanto eu gostava dela. Tinha a sua casinha no quintal, apenas para passar a noite. Uma casinha sem portas. Durante o dia, seguia-me para todo o lado. Há hora da sesta, dormia ao Sol, no tapete do meu quarto. Era da família.
 
Da família, foi também uma cabrinha, branquinha, que me ofereceram, quando a porquinha morreu num acidente, ao atravessar a estrada que dava para o fundo do meu quintal. E tal como a porquinha, a cabrinha também tinha alma e comunicava comigo com os seus “més” amorosos, com os seus olhares, com os seus maneios de cabeça. Tal como a porquinha, seguia-me para todo o lado, e gostava de mim tanto quanto eu gostava dela.
 
Vieram depois os pássaros, que faziam os ninhos nas árvores do meu quintal. Mais tarde, os cães, os gatos, e um ratinho branco, com uma história singular. Andava à solta na casa. Dormia onde queria. Por vezes, no meu travesseiro, e no meu ombro, enquanto eu escrevia. Com ele partilhava a maçã do meu pequeno-almoço. Tinha uns olhos penetrantes e melífluos e deixava os seus esconderijos secretos, quando eu o chamava pelo nome: Ratolinha. E ele lá vinha, a correr para a minha mão, onde se aninhava.
 
De todos os animais com quem já convivi, recebi um afecto imenso. Com eles aprendi grandes lições de vida, de felicidade, e também de profunda angústia, quando o momento final se aproximava.
 
E se os animais não têm alma, então também eu não tenho alma.
Tive uma gatinha, a mais sensível e meiga de todas as gatinhas, a qual, quando pressentiu que ia morrer, despediu-se de mim com um “miau” que ainda hoje me dói na alma (e já lá vão alguns anos).
 
A diferença, entre eles e eu, está apenas no verbo: eu utilizo as palavras para comunicar. Eles não. Contudo, comunicam através dos olhos, e é nos olhos dos animais que as suas almas se acolhem, e nos dizem as coisas mais extraordinárias.
 
Por tudo isto, não posso atribuir a Deus aquelas palavras que a Bíblia diz ter Ele proferido ao criar Adão e Eva: «Crescei e multiplicai-vos, enchei a Terra e sujeitai-a e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se movem sobre a Terra (Gn1, 28)».
 
Crescei e multiplicai-vos e enchei a Terra, talvez!
«Sujeitai-a e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se movem sobre a Terra», são palavras que Deus nunca diria. Fazemos parte da sua criação. Todos nós. Animais, humanos e não-humanos, e as plantas.
 
Apenas o homem seria capaz de pronunciar tais palavras, em nome de Deus, como tantas outras coisas fez e disse, em nome de Deus, apenas por conveniência, enchendo de vergonha a Humanidade.
E quem escreveu a Bíblia foram os homens. Não Deus.
 
Uma das vergonhas, entre as muitas outras vergonhas que desonram a essência humana do homem, é o modo como ele trata os animais, torturando-os, massacrando-os, experimentando-os, em nome da economia e da diversão.
 
Na contracapa «Da Imortalidade dos Animais» pode ler-se:
 
«Como corolário de uma tradição religiosa que superlativou o homem como ser imortal, destinado à salvação e à ressurreição, distinguindo-o de todas as outras criaturas terrenas, a nossa civilização despreza os animais e trata-os com uma crueldade inenarrável em nome da economia, da ciência e do espectáculo. Esta breve mas profunda reflexão sobre a condição dos seres ditos “irracionais” é simultaneamente um manifesto em defesa dos seus direitos e uma busca dos laços que unem os homens aos animais, resultando numa visão renovada da própria espiritualidade humana».
 
Se há livros que deviam fazer parte de um estudo superior obrigatório, é este, para que os jovens possam desenvolver neles a ideia de que todos os seres animados têm alma, e se têm alma, são imortais, e se são imortais… lá nos haveremos de encontrar, e encontrando-nos, se quisermos alcançar um lugar no paraíso, teremos de prestar contas, e nessas contas, entre muitos outros dizeres, teremos de confessar: «Não maltratei nenhum animal», e os animais terão de dizer: «Não temos nenhuma queixa contra esta pessoa…». Coisas dos antigos. Mas eles sabiam o que diziam.
 
E quem assim falar, será o verdadeiro Homem, aquele a quem Deus sorrirá…
 
 
Para completar esta reflexão, eis algumas mensagens que mentes brilhantes nos deixaram acerca deste tema, todos eles Homens intemporais.
 
Chegará o dia em que  todo o homem conhecerá o íntimo de um animal. E nesse dia, todo o crime contra o animal será um crime contra a humanidade.
 
(Leonardo da Vinci)
 
Quando o homem aprender a respeitar até o menor ser da criação, seja animal ou vegetal, ninguém precisará ensiná-lo a amar o seu semelhante!
 
Primeiramente, é a solidariedade com todas as criaturas que torna um homem verdadeiramente humano.
 
(Albert Schwweitzer – estadista, Nobel 1952)
 
A compaixão pelos animais está intimamente ligada à bondade de carácter e pode ser seguramente afirmado que, quem é cruel com os animais, não pode ser um bom homem.
(Arthur Schopenhauer)
 
A grandeza de uma nação e o seu progresso moral podem ser julgados pela maneira como os seus animais são tratados.
(Mahatma Gandhi)
 
A não-violência leva à mais alta ética, a qual é o objectivo de toda a evolução. Até que paremos de prejudicar todos os outros seres viventes, seremos ainda selvagens.
(Thomas Edison)
 
Para a pessoa cuja mente é liberta, há algo ainda mais intolerável no sofrimento dos animais do que no sofrimento dos humanos. Porque no caso dos humanos, pelo menos admite-se que o sofrimento é algo ruim e que aquele que o causa é um criminoso. Contudo, milhares de animais são desnecessariamente assassinados, todos os dias, sem sombra de remorso. E se alguém protesta contra isso, acaba por ser ridicularizado. E isso, por si só, é um crime imperdoável.
(Romain Rolland – Nobel 1915)
 
E só quem teve o privilégio de partilhar a existência com animais sabe que tudo isto é verdade. Eu sempre o soube, desde criança. Eles são meus iguais, porque criaturas da mesma criação. Sofrem e regozijam-se; sentem fome, frio, sede, dor, tal como eu; e quando a morte chega, olham-nos com um olhar que diz tudo o que as palavras não dizem. Eles partem, mas esperam por nós, para confirmarem: «Não temos nenhuma queixa contra esta pessoa».
E então Deus sorrirá…
 
publicado por Isabel A. Ferreira às 15:16

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Acordo Ortográfico

Em defesa da Língua Portuguesa, a autora deste Blogue não adopta o Acordo Ortográfico de 1990, devido a este ser inconstitucional, linguisticamente inconsistente, estruturalmente incongruente, para além de, comprovadamente, ser causa de uma crescente e perniciosa iliteracia em publicações oficiais e privadas, nas escolas, nos órgãos de comunicação social, na população em geral, e por estar a criar uma geração de analfabetos escolarizados e funcionais.

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