Segunda-feira, 5 de Janeiro de 2015

BEM-VINDOS A 2015

 

Com a esperança de que os governantes e dirigentes portugueses sintam o apelo do Bem, do Bom e do Belo

 

1461085_733020963378665_1760368714_n[2] BEMM-VINDO

 

Depois de um interregno que me levou a lugares imaginários, longe do rebuliço mundano, onde não encontro alimento para o espírito, sempre desassossegado, sempre ávido do Bem, do Belo e do Bom, regresso a este meu lugar de passagem para a inquietude do verde, para dar continuidade à minha luta contra as ignomínias que me esmagam a existência.

 

Certo dia, um sábio ancião, que sabia da vida e das coisas da vida, lançando-me um olhar que entrevia para além de mim, disse-me que eu era um ser do futuro e nunca encontraria a paz e a felicidade tão desejadas, uma vez que nascera precocemente num tempo que não era o meu.

 

Esta sentença, proferida na penumbra do átrio de um hotel, onde havia marcado um encontro com aquele desconhecido, que desejava conhecer-me pessoalmente, pois apenas me intuía através das crónicas e contos que então escrevia para um jornal (estava eu ainda no início de uma carreira sobre a qual não sabia se tinha futuro) desconcertou-me, perturbou-me, amedrontou-me, porque na realidade, aquele ancião que eu nem sabia que existia e que, em princípio, nada devia saber de mim, conhecia-me melhor do que eu jamais poderia imaginar, através apenas daquilo que eu escrevia.

 

Este episódio mudou, por completo, a minha vida.

 

Até então eu desconhecia o poder das palavras.

 

É certo que, desde muito jovem, habituara-me a escrever contos em Inglês, para o jornal de parede da Escola Inglesa que frequentava, e o meu professor considerava amazing aquelas minhas digressões pelo imaginário. Contudo, nunca projectei fazer da escrita uma profissão. Escrevia aqueles contos apenas para exercitar a Língua de Shakespeare.

 

Bem… tudo isto para dizer que aquele encontro com o ancião que sabia da vida e das coisas da vida, levou-me a compreender o poder das palavras, colocando-as ao serviço de causas justas, uma vez que aqueles que se consideram superiores aos outros seres vivos que connosco partilham o mesmo Planeta e que a ele chegaram muito antes dos hominídeos que vieram dar origem ao presunçoso Homo Sapiens Sapiens, demonstram uma descomunal incapacidade, como mais nenhum outro ser demonstra, para gerir o normal fluir da existência dentro de parâmetros racionais e lógicos, obrigando os que vêem para além do visível a uma permanente luta para fazer valer os direitos mais óbvios e naturais de tudo e de todos os que se movem debaixo do Sol.

 

E naquele fim-de tarde, na penumbra do átrio de um hotel, depois de ouvir o ancião falar da força das palavras e de um futuro ao qual pertenço, decidi fazer delas a minha arma e colocá-las ao serviço dos menos privilegiados, dos que não têm voz para se defenderem, dos que são esmagados pela ignorância dos que deveriam ser sábios, dos indefesos que caem nas mãos de cobardes, pertençam à espécie humana ou a qualquer outra espécie.

 

No dia 31 de Dezembro de 2014 ficou concluída (com enorme sucesso) a primeira etapa da luta contra os algozes que mantém Touros e Cavalos fora do Reino Animal, para que duas dezenas de famílias portuguesas usufruam de privilégios que ninguém mais usufrui em Portugal.

 

Bem-vindos ao ano de 2105, ano em que terá início a segunda etapa do plano que conduzirá à Abolição da Tauromaquia.

 

A fonte de inspiração será Voltaire, um Homem que com uma só frase podia aniquilar um político, um Homem que transformou a sua época na Era da Razão.

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 12:01

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Sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

OS “WALKING DEADS” DA TAUROMAQUIA

 

Eles não sabem que já estão mortos. Deambulam por aí. Sedentos de sangue e de carne trespassada. Embriagados pelo cheiro da morte.

Eles não sabem, mas quando aparecem em público e na televisão, é assim que os vemos…

 

Horrendos. Desintegrados. Hediondos.

WALKING DEAD Zonbies-On-Walking-Dead-zombies-32977Fonte da imagem: http://mkalty.org/walking-dead/

 

 

Eles não sabem que morreram no dia em que nasceram com aqueles maus instintos, que os impedem de ver a luminosidade do Sol, que se debruça delicadamente sobre todas as criaturas vivas do Universo.

 

Eles não sabem que a fealdade que transportam nas suas já putrefactas entranhas se reflecte na fisionomia deles, quando olham com olhos, que ficaram num passado longínquo, toldados pela nuvem do pó dos tempos, as vidas que são destruídas diante deles…

 

Eles não sabem que da boca deles, disforme e descarnada, escorre a baba dos sôfregos por sangue de seres vivos, que lentamente sucumbem á tortura atroz a que são submetidos para deleite deles.

 

Eles não sabem que estão mortos, porque desprezam a Vida com a força dos raios.

 

Eles não sabem que são os walking deads da tauromaquia.

 

Monstros horrendos que aplaudem a morte, simplesmente porque estão mortos por dentro…

 

TOURO COMPLACENTE.jpg

 

Eles não sabem que o Touro moribundo os olha complacente, por ser de uma espécie muito superior à deles…

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:15

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Quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

PARLAMENTO EUROPEU CONTINUA NO SEU MEDIEVALISMO BACOCO – NADA DE NOVO DEBAIXO DO SOL

 

EUROPEAN PARLIAMENT CONTINUES IN ITS IDIOT MEDIEVALISM - NOTHING NEW UNDER THE SUN

 

A Europa afunda-se numa crise económica, mas para a selvajaria tauromáquica o dinheiro dos nossos impostos continuará a fluir 

 

Europe sinks into an economic crisis, but for bullfighting our tax money will continue to flow

 

EUROPA I.jpg

 

Isto só demonstra a inferioridade mental dos deputados europeus que votaram a favor de subsidiar a tortura de seres vivos para encher os bolsos dos psicopatas e divertir os sádicos.

 

This just shows the mental inferiority of MEPs who voted to support the torture of living creatures to fill the pockets of psychopaths and amuse the wicked people

 

Os Touros e os Cavalos continuarão a sofrer

 

The bulls and horses will continue to suffer

EUROPA II.jpg

 

E a BESTA HUMANA continuará a ser a BESTA HUMANA

 

And the HUMAN BEAST remains the HUMAN BEAST

 

EUROPA III.jpg

(Photo Patrick ROUX/Le DL)

Nada de novo debaixo do Sol…

É triste, mas esta é a realidade de uma Europa envelhecida, apodrecida…

 

Nothing new under the sun...

It's sad, but this is the reality of an old and putrid Europe...

 

SHAME ON EUROPEAN PARLIAMENT

 

***

Quanto aos deputados portugueses, o que aconteceu?

Esta barbaridade (tirando as três a favor)

 

A Favor:
Ana Gomes (PS)
Liliana Rodrigues (PS)
Marisa Matias (BE)

 

Contra:
Carlos Coelho (PSD)
Carlos Zorrinho (PS)
Elisa Ferreira (PS)
Fernando Ruas (PSD)
Francisco Assis (PS)
José Manuel Fernandes (PSD)
Maria João Rodrigues (PS)
Paulo Rangel (PSD)
Pedro Silva Pereira (PS)
Sofia Ribeiro (PSD)

 

Abstiveram-se:
José Inácio Faria (MPT)
Nuno Melo (CDS-PP)

Não votaram:


António Marinho e Pinto (Independente/MPT)
Cláudia Monteiro de Aguiar (PSD)
Inês Cristina Zuber (CDU)
João Ferreira (CDU)
Miguel Viegas (CDU)
Ricardo Serrão Santos (PS)

 

Actualização dos votantes portugueses:

http://www.vidanimal.org/blog/ue-mantem-subsidios-touradas-veja-como-votaram-os-eurodeputados-portugueses/

 

Não era de esperar outra coisa da maioria dos deputados portugueses que estão ao serviço exclusivo do lobby tauromáquico.

QUE VERGONHA!

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:20

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Terça-feira, 6 de Maio de 2014

PRESSÃO SOCIAL ANULA UM PACOTE DE FÉRIAS QUE INCLUÍA CORRIDA DE TOUROS

 

O civismo, a cultura culta, a ética, o bom senso e a lucidez prevaleceram sobre a estupidez…

 

Que turistas cultos iriam ver torturar seres vivos? 

 

Esta vai à atenção dos abolicionistas portugueses.
Vale a pena insistir na luta.

 

 

O “diestro” Antonio Ferrera na praça de Las Ventas de Madrid na Feria de Outono em  2013. / EFE

 

A agência Nautalia retira ofertas de viagens a Madrid que incluía entradas para assistir à feira taurina de San Isidro.

 

Una campaña de recogida de firmas iniciada por la Asociación Animalista Libera ha surtido el efecto pretendido

 

(Uma campanha de recolha de assinaturas, da iniciativa da  Associação Animalista Libera surtiu o efeito pretendido)

 

Acções como esta «fomentam um negócio em troca da tortura de animais». Subscreveram esta opinião, na Plataforma Change.org, quase 10.000 assinantes, e a companhia do grupo Pullmantur retirou os pacotes de férias que incluíam noites em hotéis e entradas para las Ventas a partir de 58 euros.

 

máis informação:

 

«Estamos conscientes da polémica que gira em torno da tauromaquia e por esse motivo pedimos desculpa às pessoas que se sentiram ofendidas pela venda deste pacote», assegura a agência numa nota publicada em Change.org (una nota publicada en Change.org).

 

«O que queremos deixar claro é que em nenhum momento a Nautalia Viajes defendeu ou defende o maltrato animal.» 

 

«Espanha já não é sol, paella e touros», afirma taxativo Rubén Pérez, porta-voz da Asociación Animalista Libera, responsável pela petição popular iniciada no passado dia 7 de Abril.

 

«Nautalia fomenta o tema mais infeliz do que a oferta turística das diferentes regiões de Espanha admite. Enquanto a oposição às corridas de toros é uma maioria entre os cidadãos, a empresa de viagens pratica um turismo temático e de sangue», referia o texto patente na Change.org. 

 

«Esta vitória demonstra que a acção de cidadania pode combater as grandes empresas com muitos mais meios e mudar as coisas», conclui Pérez.

 

Não é a primeira vez que uma empresa turística decide enjeitar um produto taurino. Em Março de 2013, Let's Bonus anunciou a retirada de «qualquer produto relacionado com as corridas de touros» graças a outra petição encabeçada pela mesma associação animalista. 

 

«Há vários estudos, como o do Citigroup de 2008, que afirmam que a vinculação das empresas com a tauromaquia gera uma imagem negativa das mesmas», refere Pérez.

 

Uma opinião não partilhada pela presidente do PP de Madrid, Esperanza Aguirre, que defendeu no anúncio taurino da Feira de Abril que os antitaurinos são essencialmente “antiespanhóis”.

 

«O pior são esses anti-touradas, que o são porque sabem muito bem que os touros simbolizam melhor do que qualquer outra coisa a própria essência do nosso ser espanhol, e portanto, na sua azáfama para acabar com Espanha, procuram desprestigiar e, se podem, proibir os touros por decreto», acrescentou.

 

(Esquece-se a senhora Esperanza Aguirre que aquela Espanha carniceira de má fama em todo o mundo velho e novo, está a desaparecer, e muito bem. Os espanhóis modernos já não são cruéis).

Fonte:

http://sociedad.elpais.com/sociedad/2014/04/21/actualidad/1398072349_432464.html

 

***

E deste modo o mundo vai se civilizando, e Portugal a ficar para trás.

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 19:25

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Quinta-feira, 2 de Janeiro de 2014

EM 2014 ESTE SERÁ O CENÁRIO QUE ENCONTRAREMOS NAS ARENAS ONDE ERA COSTUME TORTURAREM SERES VIVOS COM O AVAL DOS GOVERNANTES E DA IGREJA CATÓLICA

 

«Vamos ver muitas imagens como esta em 2014!

Faça chuva ou faça sol»

 

 

(Assim falou o Zaratustra dos tempos modernos)

 

Fonte:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10151883033357358&set=a.133855847357.109974.127730082357&type=1&theater

 

***

EM QUERETARO (MÉXICO) A PRIMEIRA CORRIDA DE TOUROS DO ANO COMEÇOU ASSIM…

 

 

 

«Hoje, parti de madrugada para Queretaro para ver a primeira corrida de touros do ano, e documentá-la, prometi não infiltrar-me demasiado por segurança, mas não pude evitá-lo, consegui muito material para a película.

 

Olhem o panorama… que tal???? »

 

Zaizar Habacuc

 

(Zaizar está a rodar um filme intitulado «Toros SI toreros NO - La pelicula»

 

Fonte:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10153729908735601&set=a.10150120355215601.399429.737890600&type=1&theater&notif_t=photo_reply

 

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 12:04

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Quarta-feira, 4 de Dezembro de 2013

NOTÍCIA DE ÚLTIMA HORA: FUI PROCESSADA.

TENHO DE ME APRESENTAR NUMA ESQUADRA DE INVESTIGAÇÃO CRIMINAL, NA QUALIDADE DE ARGUIDA, EM JANEIRO DE 2014.

COISAS DO ARCO DE ALMEDINA E TAMBÉM DO ARCO-DA-VELHA

FINALMENTE VOU TER A OPORTUNIDADE DE DESMASCARAR O DITO CUJO QUE ME PROCESSOU E DE VIRAR O BICO AO PREGO, PORQUE NESTAS COISAS DE TAUROMAQUIA NÃO SOU EU QUE TORTURO SERES VIVOS.

ALÉM DISSO, JÁ FUI MUITAS VEZES ARGUIDA EM PROCESSOS DE VÁRIA ORDEM. MOVO-ME NESSE MEIO COMO O PEIXE NA ÁGUA.

NADA DE NOVO DEBAIXO DO SOL.

NUNCA FUI CONDENADA.

SABEM PORQUÊ?

PORQUE O BANDIDO NÃO ERA EU (NESTE CASO A BANDIDA).

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:32

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Segunda-feira, 29 de Julho de 2013

A razão separa os seres humanos dos seres desumanos

 

Eis um comentário que vou responder com um texto que escrevi, no meu livro Manual de Civilidade, e espero que o Tomás Tudela entenda que não é o dono do mundo, mas simplesmente uma pequena partícula do Universo, que se a Mãe Natureza quiser esmagar, esmaga sem que ele nada possa fazer.

 

Nem sei como é possível existir alguém que pense como o Tomás Tudela, nos tempos que correm… É de PASMAR!

 

 

Tomás Tudela, deixou um comentário ao post Feira medieval na freguesia de São Pedro de Sintra às 19:04, 2013-07-28.
 
Comentário:

A Isabel insiste em confudir seres humanos com os restantes animais e em colocá-los no mesmo patamar. Na comunidade internacional, a DUDA não tem o mesmo valor que a DUDH, e o mesmo se passa no nosso país e em muitos outros países. A DUDH é foi proclamada e aprovava pela ONU, com o apoio do nosso País. A DUDH consagra um conjunto de princípios que se impostos a todos os países pela comunidade internacional e está consagrada na nossa Constituição. Portugal não assumiu compromisso nenhum relativamente à DUDA. Eu não tenho o mesmo valor que um animal, por isso não faz sentido a Isabel tentar comparar a minha vida à vida dos animais. Os seres humanos não podem usar cavalos para o Hipismo, nem burros ou póneis para o trabalho? O entretenimento de crianças, neste caso, é o trabalho do dono do burro ou do pónei. Podemos ter cães em casa, ou isso é uma crueldade e um atentado à liberdade dos cães? Os animais não nascem com direitos invioláveis, dotados por qualquer entidade divina. Isabel, o facto de os animais nascerem selvagens ou livres não significa que tenham que o ser. Não significa que os seres humanos não os possam utilizar. Senão o ser humano também não podia utlizar as florestas, os campos, os mares ou os rios. Qual é o propósito desssa coisas? O propósito dessas coisas, tal como dos burros e dos póneis, é aquele que os seres humanos quiserem que seja. Os seres humanos são um fim em si próprios. Os animais têm o fim que os seres humanos lhes atribuam. A Razão separa-nos.

 

***

 

Primeira noção: O Respeito

 

«Não faças aos outros o que não gostas que te façam a ti»

 

A primeira noção a reter é a do respeito.

 

O que é o respeito?

 

É a consideração pelo outro. Quem é o outro? É tudo o que existe à nossa volta. Tudo o que faz parte do nosso mundo, da nossa vida: pessoas, animais, plantas, águas, ar, terra, enfim, todas as coisas, o que é nosso, por exemplo, a chávena por onde tomamos o leite, e o que não é nosso, ou seja, a chávena por onde o nosso irmão toma o seu leite.

 

O Respeito está na base do equilíbrio de todo o Universo. Se o Sol não respeitasse a Lua, se a Lua não respeitasse as estrelas, se as estrelas não respeitassem os planetas, se os planetas não respeitassem o Sol, o Sol talvez não respeitasse a Terra e provavelmente morreríamos queimados, num dia em que ele – o Sol – acordasse mal disposto.

 

A noção de Respeito está intimamente ligada ao princípio: «não faças aos outros o que não gostas que te façam a ti». 

 

Repara:

 

Se não gostas que te rasguem as carnes com um punhal ou com outra coisa qualquer, deves rasgar as carnes de outro ser com um punhal ou com outra coisa qualquer?

 

Se não gostas que cuspam no teu prato de sopa, deves cuspir no prato de sopa de quem contigo come à mesma mesa, ou na mesa ao lado?

 

Todas as pessoas têm Direitos. Todas as pessoas têm também Deveres. Só podes exigir que respeitem os teus direitos, se respeitares os direitos dos outros. E esse respeito que deves aos outros é apenas um dos teus muitos deveres.

 

Terás o direito de exigir respeito, se não respeitas o tudo que te rodeia?

 

Lembra-te de que não és a única criatura do mundo. Há os outros seres, com quem tens a obrigação de partilhar o Planeta, que não é apenas teu. Tu não és a medida de todas as coisas. O erro maior do homem foi um dia julgar-se o centro do mundo.   

 

Todavia, o homem não passa de mais uma criatura entre milhares de outras criaturas, que antes dele já existiam.

 

O equilíbrio do Universo depende também do teu equilíbrio.

 

Primeira condição para saberes respeitar: começa por te respeitar a ti próprio, dizendo: «Sou uma pessoa, não importa se feia, se bonita. O que importa é que sou uma pessoa, e devo respeitar o que sou, para ser digno de mim mesmo e, a partir daí, digno de todos os outros seres».

 

A noção de respeito aparecerá muitas vezes ao longo deste Manual, porque o respeito é a medida de todas as nossas atitudes.

 

in «Manual de Civilidade» © Isabel A. Ferreira

*

Tomás Tudela conclui: «Os seres humanos são um fim em si próprios. Os animais têm o fim que os seres humanos lhes atribuam. A Razão separa-nos

Engana-se, Tomás Tudela: os animais não têm o fim que os seres humanos lhes atribuem. Os animais, infelizmente, têm o fim que os seres desumanos e desprovidos de razão lhes atribuem. assim é que é. Não se esqueça de que o Planeta pertence aos animais não-humanos, que nele apareceram muito antes do homem.  O homem chegou para destruir o equilíbrio ecológico que então existia. Quando o homem desaparecer da face da Terra, os animais não-humanos continuarão a habitá-la e a viver então mais tranquilamente, livres da acção perniciosa do desumano e irracional homem-predador.

Isabel A. Ferreira

 

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 12:12

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Terça-feira, 3 de Fevereiro de 2009

Na outra margem do Sonho…

 

Copyright © Isabel A. Ferreira 2009
 
 
 
Eles sonham com campos em flor.
Sonham com trabalho.
Sonham com uma vida vivida em Paz.
 
Eles acreditam nos homens. Esperam um milagre. Eles tentam compreender o desequilíbrio dos mais fortes. A loucura dos que governam.
 
Nos tempos livres, eles fazem poemas como este:
 
À força de nos fazerem acreditar no Sol,
sentimos o seu calor nas nossas peles.
À força de nos impingirem mais um dia,
cremos que somos mais adultos.
À força de nos provocarem
sentimos a força do palavrão a defender-nos.
À força de nos ignorarem
precisamos de agredir para sermos ouvidos.
À força de nos calarem tantos sonhos
acreditamos na impossibilidade de viver.
À força de tanta fraqueza,
somo incapazes de subir alto, ao alto de nós,
para gritarmos que sonhar
é o primeiro passo para a partida…
 
***
 
Em dias de tempestade, eles escrevem prosa como esta:
 
Arrefeceu de repente. E eu não sei porquê. O som mudou. As cores mudaram. As flores murcharam, apesar do tempo primaveril. Porquê?... Não sei!
 
E é esta ignorância que me magoa. Que me maltrata. Quando as coisas não correm bem, ficamos esquecidos na prateleira. É como se Deus se esquecesse de abrir as janelas do Céu para deixar entrar o Sol.
 
O mundo parou de girar, só porque não compreendo os dias, os momentos sombrios, carregados de uma agressividade que transforma as palavras em algo que fere, que abre chagas e deixa cicatrizes.
 
Hoje a indiferença arrefeceu o meu Sol. Não pude sorrir e tudo se transformou, de repente. Que vontade de desistir! Entrei em seara alheia. Roubei as melhores espigas e, nesse acto, transformei-me em joio. E ali fiquei. Pregada ao solo por fortes raízes. Mas de que adianta, se sou apenas joio?
 
Se pelo menos esta tempestade me arrancasse as raízes e me transformasse novamente em espiga loira, no meu próprio campo!
 
Mas a tempestade não é demasiado forte. Preciso de ir buscar forças ao inferno para que a minha metamorfose seja possível. Porque sei que a força dos anjos não será suficiente para fazer mover a minha vida.
 
 
***
 
Eles são jovens.
Vivem na outra margem do sonho.
 
 
 
publicado por Isabel A. Ferreira às 11:51

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Terça-feira, 13 de Janeiro de 2009

Indiferença...

 

Copyright © Isabel A. Ferreira 2008
 
 
 
 
Se não reparas na flor do caminho, não mereces a sua beleza...
 
 
 
O vento passa ligeiro. Os rios correm tranquilos, serpenteando por entre o verde da planície. A flor desabrocha na serra. A lua enfeita de prata as águas do mar. O Sol doira o trigo das searas. A andorinha faz o seu ninho no beiral da casa, onde algumas papoilas dão colorido ao telhado.
 
E tu nem reparas.
 
Lá longe, de onde vêm estranhos ecos, os ventos em fúria arrancam as árvores. As águas jorram dos céus e inundam aldeias. Os vulcões vomitam o fogo que queima as entranhas da terra. Seres humanos morrem de fome e de sede. Doentes. E a ajuda não chega.
 
E tu nem reparas.
 
Nas noites em que os lobos se calam, ouvem-se gritos desesperados. Cabeças humanas rolam pelo chão. O sangue dos Homens mistura-se com a água dos rios e os campos enchem-se de papoilas tão vermelhas como o sangue que escorre das cabeças decapitadas.
 
E tu nem reparas.
 
Fumos negros de um progresso retrógrado escurecem os céus das cidades. Matam as aves do paraíso. Fazem murchar o arvoredo. Dizimam os bosques. E pelo buraco de ozono chegam até nós os elementos que hão-de transformar a Terra num planeta tão inóspito e deserto quanto Marte.
 
E tu nem reparas.
 
Os pássaros do jardim deixaram de cantar, porque já não há jardim. A música do vento deixou-se de ouvir, porque o grito dos loucos soou mais alto. A sombra das árvores foi substituída pelos fantasmas do betão. E as flores deram lugar às latas.
 
E tu nem reparas.
 
A guerra instalou-se. O riso da criança transformou-se em choro. A mãe desesperada lançou ao rio o filho que não podia carregar na fuga. As lágrimas secaram. Secaram os campos. Os rios e as fontes. O elefante retirou-se para morrer só, numa gruta recôndita. E o cisne cantou o seu último canto.
 
E tu não choraste.
 
Tu não reparas na beleza das coisas, nem no desfazer dos sonhos. Não rejubilas. Não gritas. Não te revoltas. Não dizes nada. Limitas-te a comer a tua maçã, à sombra do que resta da tua própria sombra. E sorris. E gritas: «Não fui eu que fiz mal ao mundo. Não sou vento, nem chuva, nem vulcão. Não sou fumo. Não sou governante, não corto cabeças...».
 
É apenas o que te convém dizer, para justificares a tua indiferença?
 
Mas se não reparas na flor do caminho, não mereces a sua beleza.
 
 
in Manual de Civilidade
 
Este livro pode ser adquirido através do e-mail: isabelferreira@net.sapo.pt
publicado por Isabel A. Ferreira às 18:47

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Quarta-feira, 15 de Outubro de 2008

ENTRE O CAOS, A QUIETUDE...

 

Copyright © Isabel A. Ferreira 2008
 
 
 
 
           
Aguardo com ansiedade a visita do ser exótico, o meu misterioso amigo. Prometeu-me vir hoje, logo que no antiquíssimo relógio da torre da Igreja do Senhor do Bom-Fim soe a primeira das 27 badaladas de um tempo que só nós sabemos. Contudo, inesperadamente, o relógio veio instalar-se entre a folhagem do velho embondeiro que vejo agora flutuar no meu jardim, como uma nuvem.
 
Não é tarde, nem será cedo, talvez! Não sei exactamente da hora. Ouço apenas os estranhos uivos das pedras, aqueles de que enigmaticamente me falara o ser exótico, da última vez que me visitou. Lá nas alturas vejo a lua rasgar os seus véus prateados e despudoradamente desnudar-se diante do mundo, enquanto as estrelas se lançam no espaço, numa atitude aparentemente suicida. Terão o propósito de assustar os anjos? As trevas afundam-se agora nas nuvens, e eu confundo-me com toda esta grotesca cena apocalíptica.
 
Os uivos das pedras tornam-se cada vez mais lancinantes. O Sol, que a esta hora costuma iluminar o outro lado do mundo, completamente endoidecido, acaba de despedaçar todos os seus raios e deixa-se afundar no Pacífico, queimando as águas deste oceano, que se torna da cor do sangue.
 
E o meu amigo que não vem...!
 
Mas ainda não é tarde. Nem será cedo, talvez! Continuo a não saber da hora. Ouço passos. Dlão! A primeira badalada. É ele que chega. A janela! Esqueci-me de abrir a janela.
 
— Que aconteceu à porta da sua casa?
 
— Não sei, meu amigo. Simplesmente sumiu. Enquanto eu olhava a Lua rasgando os seus véus prateados, a porta saiu numa desenfreada correria. Pareceu-me ouvi-la dizer qualquer coisa como abrirei a minha mente e não mais a encerrarei...
 
— O que me diz?!
        
— Exactamente o que acabou de ouvir, meu amigo.
        
Na verdade, esta era a chave que abriria a porta do caos. Disse-me o ser exótico. Estava tudo escrito naqueles farrapos que encontrara pendurados nos fios de ovos que as velhas galinhas do galinheiro de ninguém expeliram para dentro de um lindíssimo cálice de ouro.
 
O meu amigo não tinha qualquer dúvida.
 
— Um australopiteco nunca se engana – disse – Um australopiteco escreve sempre torto por linhas direitas e ziguezagueando segue o rasto dos cometas que o levam a lugar nenhum. Mas ele não se importa. Afinal, ele é um australopiteco. Nasceu das asas de uma vespa e alimenta-se de estrelas cadentes. É um governante, e os governantes governam sentados, para não se cansarem demasiado, enquanto o povo dorme tranquilamente o sono dos injustos, pois que injustiça maior senão aquela que exorta os governantes a governarem?
 
O ser exótico vai-me dizendo tudo isto, enquanto que, com algum esforço, entra pela janela, uma vez que a porta da minha casa decidiu simplesmente abandonar-me, para que o caos se instalasse no universo. É isto, meu amigo, é isto que devo deduzir das suas palavras?
        
O ser exótico não me respondeu imediatamente, porque, entretanto, o Sol que havia despedaçado todos os seus raios, parece arrependido, e, através da nesga de mar que se vislumbra da minha janela, podemos vê-lo juntando, desesperadamente, os estilhaços do seu ser, espalhados pelas águas avermelhadas.
 
— Observe bem, minha amiga, jamais terá outra visão igual. O Sol reconstrói-se no mar, e a Lua, repare bem, a Lua, envergonhada da sua nudez diante do mundo, pede ajuda aos bichos-da-seda para que refaçam os seus véus prateados. E as estrelas, que apenas fingiram um suicídio colectivo, voltam aos seus lugares. E mais, o relógio que se instalou entre a folhagem do velho embondeiro que, repare, já não flutua no seu jardim, voltou à antiquíssima torre da Igreja do Senhor do Bom-Fim. E a porta da sua casa, veja como tenta encaixar-se novamente nesta parede! Mas foi preciso que as galinhas expelissem aqueles fios de ovos no lindíssimo cálice de ouro, para que o caos se instalasse.
 
Eis a resposta que, ansiosamente, eu esperava! Afinal, não fora a minha porta a causadora de toda esta anarquia, embora ela tivesse proferido a frase-chave que daria início ao caos: «Abrirei a minha mente e não mais a encerrarei...». Agora sabia, foram os vómitos das velhas galinhas do galinheiro de ninguém, que desencadearam todo este desequilíbrio da Natureza.
 
— Não se esqueça, minha amiga, é preciso que os australopitecos se alimentem de estrelas cadentes para que o mundo volte ao seu normal. Por isso os luzeiros do céu apenas fingiram suicidar-se.
 
— Então, e o Sol e a Lua fingiram também? – Pergunto, um tanto incomodada com a minha ignorância.
 
— Não, esses entraram apenas em colapso. Temporariamente, como pôde observar. São eles os baluartes do tempo. A seu cargo têm os dias e as noites. Porém, mal ouviram os uivos das pedras (o sinal de Deus para que entrassem em autodestruição) nada mais fizeram do que obedecer ao Criador.
 
Neste momento já não ouvimos os uivos das pedras. Os sons agora são outros. É o vento que passa, sem pressa, serenamente...
 
— Minha amiga, aproveito esta acalmia para a deixar. Voltarei outro dia. Mas antes de partir quero que atente no que vou dizer-lhe: os australopitecos alimentam-se de estrelas cadentes e o caos humano, em linguagem eterna, escreve-se k ooooos...
 
Que tarde esta! Sinto que algo escapou aos meus sentidos. Fui protagonista de um estranho fenómeno, e o meu amigo partiu sem me explicar o que realmente se passou. Não endoideci, com certeza. Visionaria, na verdade, o k ooooos descrito naqueles farrapos pendurados nos fios de ovos que as velhas galinhas do galinheiro de ninguém verteram no cálice de ouro?...

Isabel A. Ferreira

 
publicado por Isabel A. Ferreira às 10:13

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