Quinta-feira, 20 de Fevereiro de 2014

ASSUNTO: III FÓRUM DA CULTURA TAURINA

 

 

 

De Tiago Pedro Toste Vieira, Secretário do Gabinete de Apoio ao Presidente e Vereadores da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, recebi a seguinte mensagem:

 

«Exm.ª Senhora,

 

Relativamente à Vossa comunicação sobre o assunto em referência, encarrega-me o Senhor Vereador Guido Teles de vos informar que a Autarquia de Angra do Heroísmo recebeu vários protestos escritos devido ao apoio que decidiu conceder para a realização do evento mencionado em epígrafe neste concelho.

 

Enquanto instituição pública que representa a vontade maioritária dos angrenses, esta edilidade, ciente do enraizamento profundo da tauromaquia nos seus munícipes, considerou que esta manifestação cultural popular devia ser encarada como uma atividade de interesse municipal.

 

Na verdade, quem conhece verdadeiramente a realidade deste município, não pode deixar de reconhecer a importância económica, turística e cultural que esta tradição tem para a grande maioria da sua população.

 

Nestes termos, independentemente do respeito pelo julgamento individual que possa recair sobre a tauromaquia, a Autarquia de Angra do Heroísmo não pode deixar de sublinhar que a liberdade de expressão constitucionalmente prevista é recíproca.

 

Cumprimentos,

Tiago Toste Vieira»

 

***

 

O que tenho a dizer ao senhor Tiago T. Vieira é o seguinte:

 

Exmo. Senhor Tiago Toste Vieira

 

Recebi de V. Exa. uma mensagem/resposta a um texto que enviei à autarquia de Angra do Heroísmo, numa tentativa de apresentar a realidade que vai pelo mundo fora, muito arredada dessa Ilha fechada em si mesma, e que desconhece que os conceitos de cultura mudaram, e de que houve evolução de mentalidades.      

 

Diz o Senhor Tiago:

 

«Relativamente à Vossa comunicação sobre o assunto em referência, encarrega-me o Senhor Vereador Guido Teles de vos informar que a Autarquia de Angra do Heroísmo recebeu vários protestos escritos devido ao apoio que decidiu conceder para a realização do evento mencionado em epígrafe neste concelho.»

 

- Pois se a autarquia de Angra do Heroísmo recebeu vários protestos escritos, devido ao apoio que decidiu conceder para a realização do “evento” mencionado em epígrafe, significa que algo está errado nessa autarquia.

 

Ninguém enviaria e-mails de protestos, se em vez dos dinheiros públicos terem sido esbanjados num “III Fórum de Cultura Taurina”, tivessem sido gastos num «III Fórum sobre Angra do Heroísmo» onde fosse abordada, por exemplo, a importância histórica da capital da Ilha Terceira, considerada Património Mundial pela UNESCO.

 

«Esta ilha portuária e antigo forte do século XVI foram de importância estratégica para mercadores e comerciantes portugueses e espanhóis, ao longo dos séculos, que usavam o porto abrigado da ilha como ponto de paragem entre África, Europa e as Índias Ocidentais e Américas»

Algo que talvez 90 % dos habitantes da Ilha não saibam, mas ficariam a saber se os autarcas tivessem um sentido de oportunidade apurado.

 

E diz mais o Senhor Tiago:

 

«Enquanto instituição pública que representa a vontade maioritária dos angrenses, esta edilidade, ciente do enraizamento profundo da tauromaquia nos seus munícipes, considerou que esta manifestação cultural popular devia ser encarada como uma atividade de interesse municipal.»

 

- Pois enquanto instituição pública a autarquia angrense, deveria dar o exemplo e proporcionar ao povo inculto a oportunidade de sair desse marasmo e evoluir, oferecendo-lhes, não algo que já não faz mais sentido (a não ser para os poucos que enchem os bolsos com a tortura de bovinos), mas proporcionando-lhes eventos culturais, concertos, teatro, cinema, sessões de poesia, lançamentos de livros, enfim, algo que tirasse esse povo do meio das ruas, cobertas da bosta dos bovinos em pânico, e das tascas onde se embebedam até cair.

 

Isto não faz parte de cultura alguma e o que diz sobre “enraizamento profundo da tauromaquia” significa tão-somente o “esticar da corda de algo tido como um costume bárbaro, introduzido na ilha pelos também bárbaros espanhóis. Uma actividade que apenas afugenta os turistas cultos. E o turismo não vive só de belas paisagens.

 

E o Senhor Tiago continua:

 

«Na verdade, quem conhece verdadeiramente a realidade deste município, não pode deixar de reconhecer a importância económica, turística e cultural que esta tradição tem para a grande maioria da sua população

 

- Pois estão muito enganados, ou fazem-se. Porque quem conhece verdadeiramente a realidade desse município sabe que é um dos mais atrasados de Portugal, no que respeita à educação, ao ensino à cultura, à assistência social, e o que diz sobre a “importância económica turística e cultural” é uma grande falácia, pois só apenas uns poucos lucram com a tortura de bovinos, os turistas estrangeiros nem sequer aí colocam os pés, ou se colocam vão ao engano e não regressam, e culturalmente Angra é de uma pobreza franciscana, e os outros (o que diz ser a maioria da população) divertem-se bacocamente, sendo a chacota do mundo evoluído, por nem sequer saberem o que é a verdadeira “cultura”.

 

E termina o senhor Tiago:

 

«Nestes termos, independentemente do respeito pelo julgamento individual que possa recair sobre a tauromaquia, a Autarquia de Angra do Heroísmo não pode deixar de sublinhar que a liberdade de expressão constitucionalmente prevista é recíproca.»

 

Cumprimentos,

Tiago Toste Vieira»

 

- Pois muito se engana a autarquia de Angra do Heroísmo se coloca nestes termos a realização de um fórum onde se trata de tortura de bovinos, como se se abordasse a história gloriosa da Ilha Terceira e do papel relevante que ela já teve, mas não tem mais, nas relações com o mundo exterior.

 

Angra do Heroísmo, ao “elevar” a tourada à corda ao nível de “cultura”, reduziu-se à insignificância de uma terreola que tem um divertimento bacoco como expoente máximo, e que não tem nada a ver com “liberdade de expressão”, porque a tourada à corda não é uma questão de julgamentos individuais, mas de actos bárbaros, condenáveis aos olhos do mundo evoluído.

 

E se não querem continuar a ser alvo de protestos, permitam que a evolução entre na Ilha.

 

Saiam das cavernas. Entrem na Luz. Deixem os bovinos em paz.

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:10

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Terça-feira, 31 de Dezembro de 2013

FELIZ ANO 2014!

 

Desejo um BEM-AVENTURADO ano 2014 a todos aqueles que vêm a este lugar verde, da cor dos prados, ler o que muitas vezes não gostam de ler, porque as verdades ditas nua e cruamente doem naqueles que têm a consciência pesada (mas não sabem…) e a todos os que me apoiam nesta minha tentativa de expurgar o mundo de uma pestilência, que esmaga a alma dos mais sensíveis…

 

Que a FARTURA não vos pese…

 

Que a SORTE vos favoreça…

 

Que a SAÚDE seja constante na vossa vida…

 

Que a GENEROSIDADE vos incentive a partilhar…

 

Que a TRANQUILIDADE vos invada o ser… e o EQUILÍBRIO a mente…

 

Que a EMPATIA por todos os outros seres vivos vos enriqueça a existência…

 

E se não puderem salvar o mundo, pelo menos NADA FAÇAM, individualmente, no sentido de o prejudicar…

 

E…

 

PAZ… PAZ… PAZ…

 

LUCIDEZ… LUCIDEZ… LUCIDEZ…

 

PRECISAMOS DELAS… URGENTEMENTE!

 

VEJAM AQUELAS AVES, ALI, A PLANAREM…

 

SIGAMO-LAS…

 

ELAS LEVAR-NOS-ÃO A ESSE LUGAR ONDE ESTÁ A PAZ…

 

E ONDE ESTÁ A PAZ, ESTÁ A LUCIDEZ…

 

E ONDE ESTIVER A LUCIDEZ, ESTARÁ O VERDADEIRO HOMEM…

 

E ONDE ESTIVER O VERDADEIRO HOMEM, ESTARÁ UM FUTURO POSSÍVEL…

 

SEJAMOS RACIONAIS, COMO AS AVES!

 

VÁ!

 

NÃO CUSTA NADA…

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 10:18

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Terça-feira, 23 de Julho de 2013

«EDUCAÇÃO POSITIVA – ANIMAIS HUMANOS E ANIMAIS NÃO HUMANOS»

 

Obrigatório ler

 

 

 

Por Vasco Reis (Médico Veterinário)

 

«Os animais juvenis não humanos e humanos são receptivos a experiências, que os impressionam e marcam para a vida, de uma maneira geral de maneira tão mais forte, quanto mais precocemente elas acontecem. É mais uma semelhança entre as espécies animais não humanas e a humana, além do esquema anatómico, a fisiologia, a neurologia, a emotividade, a consciência do que se passa à sua volta, a capacidade de experimentar empatia ou desconfiança, medo, prazer, dor, etc. Animais bebés aprendem com os progenitores e, por exemplo, a confiar nos humanos, se têm cedo um contacto agradável com gente.

 

Assim sucede com as experiências de crianças humanas perante exemplos e educação no sentido de respeito pelo ambiente e pelos seres vivos ou, pelo contrário, no sentido da exploração destruidora, agressão impiedosa, etc.

 

Os tauromáquicos estão a aproveitar-se disso, incidindo com a sua persuasão sobre jovens, perante a indiferença ou com a conivência de pais, professores, escolas, institutos de juventude, ministérios, Misericórdias, igrejas, políticos, grande parte da sociedade.

 

É, portanto, fundamental e urgente que os respeitadores da Terra, da Vida, da Paz, da Tranquilidade, da Ética, da Compaixão se organizem e contribuam para a educação da juventude no sentido do respeito pelo ambiente e pelos seus seres.

 

Com os meios do contacto directo, do exemplo, da comunicação social, da solidariedade e apresentando a força dos argumentos do senso comum e da ciência está o caminho aberto e facilitado, além de ser uma acção positiva e aliciante para os animais não humanos e para a sociedade humana.»

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:22

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Terça-feira, 19 de Março de 2013

Uma rectificação que se impõe, em relação ao Nuno de Carvalho-Mata

 

 

Ao que parece, o Nuno saiu da arena carregado por gente não especializada, o que poderia ter provocado o agravamento da sua situação clínica. Nestes casos, pode ser fatal o modo como se transporta o ferido. E não nos parece que nenhuma equipa médica fosse chamada à arena, para imobilizar adequadamente o Nuno (como devia ser) para depois o retirar do local onde foi colhido pelo Touro, Touro esse que apenas se defendeu da investida cobarde do forcado.  

 

NUNO TETRAPLÉGICO.jpeg

 

No início deram-me a informação de que o Nuno de Carvalho teria ficado PARAPLÉGICO, na sequência de se ter metido à frente de um Touro moribundo, para o massacrar ainda mais, depois de o animal já ter sido sobejamente torturado.

 

Os textos que escrevi, sobre esta matéria, colocavam o Nuno PARAPLÉGICO, até porque as notícias que iam saindo nos jornais, ora referiam “paraplégico”, ora referiam “tetraplégico”.

 

Como eu não podia acreditar que um jovem que ficou TETRAPLÉGICO num jogo estúpido como o da forcadagem, pudesse dizer que FARIA TUDO OUTRA VEZ (pareceu-me um tanto irracional, esta afirmação) fiquei-me no “paraplégico” pois seria mais razoável.

 

Até que recebi o seguinte comentário ao texto: «O Ex-forcado Nuno Carvalho-Mata vendeu-se por cem mil euros».

 

«De Maria do Carmo Silva a 16 de Março de 2013 às 12:57

 

Realmente não ajuda nada a causa anti -tourada este tipo de posts em que nem se procura confirmar informações. O Nuno está TETRAplégico. Não mexe os braços e pernas. Respira sozinho assim parece, tem mobilidade dos ombros.

 

Não sei qual a vértebra partida mas parece ter sido umas das cervicais, claramente. A colhida também mostra isso. Tem sorte de ainda estar vido ou não. Respeito pela desgraça alheia é um princípio que não abandonarei só porque o jovem cresceu no meio de tarados que nem sentem que o touro sofre e tornou-se num deles, infelizmente

 

***

 

Ora fiquei deveras perplexa.

 

E respondi, o seguinte, à senhora:

 

Se o Nuno está tetraplégico, ainda é pior do que o que se diz por aí, e do que eu pensava. Obrigada pela informação. É que circulam as duas versões. EU tinha esperança de que fosse apenas paraplégico.

Mas se a Maria do Carmo Silva diz que é TETRAPLÉGICO, passarei a usar este termo (muito mais triste, muito pior).



E o Nuno não aprendeu NADA.

Continua a contribuir para que outros possam ficar tetraplégicos ou mesmo morrer.



Eu não aplaudo o que aconteceu ao Nuno, como os sádicos fazem quando aplaudem os toureiros e forcados feridos e mortos nas arenas, tal como aplaudem o que acontece aos TOUROS, QUE SÃO TÃO ANIMAIS COMO EU OU COMO O NUNO, E SOFREM DE IGUAL MODO.

Eu apenas LAMENTO que um governo permita que jovens fiquem nesse estado, por interesses económicos obscuros.

Eu LAMENTO que o Nuno tivesse ficado TETRAPLÉGICO, e que esse FACTO não tivesse EFEITO ALGUM na sua mente.

Eu LAMENTO que ele diga que se pudesse FARIA TUDO OUTRA VEZ.

Eu LAMENTO que o Nuno depois de ter ficado TETRAPLÉGICO diga alto que se pudesse candidatava-se novamente a FICAR TETRAPLÉGICO.

É esta mente distorcida que EU LAMENTO no Nuno. Entende Maria do Carmo Silva?

Não estou no rol dos sádicos para aplaudir o que de mal aconteceu ao Nuno, ainda que por livre e espontânea vontade dele.

Lamento o que acontece aos Touros, que vão para a arena FORÇADOS por energúmenos trogloditas.


***

E a Maria do Carmo Silva respondeu-me:

 

«De Maria do Carmo Silva a 18 de Março de 2013 às 19:40

 

Estamos de acordo em tudo. A minha informação sobre o estado do Nuno vem de ter visto um documentário da TVI, salvo erro, uma reportagem feita no Alcoitão onde estavam a fazer a recuperação para lhe proporcionar maior autonomia.

 

Tudo isto é muito triste, mas há muita vida à frente do Nuno. Daqui a uns anos, depois de verificar quem está ainda com ele, quando entrar no esquecimento dos media, talvez mude de opinião e se junte àqueles que não querem torturar animais. Tenho esperança, com a experiência que teve, vindo de meios pró tourada ou seja pró tortura, a opinião dele seria decisiva, ele poderia salvar vidas, as de toureiros e as dos touros e cavalos.»

 

***

Eis a minha resposta:

 

Exactamente, Maria do Carmo Silva.

 

É triste, muito triste, tudo o que aconteceu com o Nuno, e o que acontece com os desventurados animais, que sofrem tanto como nós, e como o Nuno sofreu. Os Touros só não ficam tetraplégicos, porque os MATAM a sangue frio, depois de barbaramente torturados.

 

É bem verdade que quem nasce nestes meios não conhece mais nada. Mas se tentamos mostrar-lhes outro caminho, se tentamos mostrar-lhes a verdade, não aceitam. E isso é muito lamentável.

 

Um dia, talvez, quando se vir só, o Nuno caia em si. Mas entretanto, para ganhar dinheiro, permite que seres magníficos sejam torturados, e outros jovens como ele, se candidatem a ficar tetraplégicos também.

 

Tudo isto me incomoda, Maria do Carmo Silva.

 

***

Tristemente, já rectifiquei o que estava mal nos meus textos:

 

O Nuno, afinal, está TETRAPLÉGICO, e não paraplégico, mas se ficasse bom, voltaria a candidatar-se ao mesmo.

 

E é que ser tetraplégico é muito, muito mais grave do que ser paraplégico. Muito mais triste. Muito mais penoso.

 

***

 

Para terminar, deixo-vos com uma reflexão do Carlos Ricardo, que me chegou hoje, para o texto «Amanhã vai haver festival taurino…»

 

«De Carlos Ricardo a 19 de Março de 2013 às 04:10

 

O aproveitamento dum "infeliz" aleijado (por culpa própria) feito pelos aficionados é de revoltar, REVOLTAR qualquer um !!! Menos os facínoras aficionados que não olham a meios para encher os bolsos!! E o Nuno não vê isso!! Ou por outro lado, NÃO QUER VER !! Porque a sua sede de sangue que já lhe custou a normalidade física, é superior ao seu amor-próprio...!!!

 

O "acidente" do Nuno deve ter sido, para os aficionados e promotores de touradas, como uma mina de ouro da qual, em nome da solidariedade e caridade (a que o povinho ignorante, cheiinho de pena, adere), continuam a facturar sem dó nem piedade por um animal que apenas pede para viver em paz.»

***

E deixar que os Touros e Cavalos vivam  em paz é só o que pedimos

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:56

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Terça-feira, 11 de Dezembro de 2012

PAZ PARA OS TOUROS E CAVALOS

 

 

O Touro: símbolo de vida, força e nobreza.

O Toureiro: símbolo de morte, covardia e tortura

 

 

  

Toureiro: lembra-te que um dia vias morrer.

Não te desejo nenhum mal, mas provavelmente terás uma morte dolorosa e agonizante como as que tanto gostas de causar, e talvez alguém esteja junto ati para celebrá-la.

 

 

 

A tauromaquia é um mal que desonra o género humano.

 

 

 

Oxalá que um dia possamos gritar: a tourada morreu, vivam os touros!

(Eduardo del Río)

 

  

Corrida de Touros: espectáculo nauseabundo, no qual se torturam uns atrás dos outros, milhares de vezes, seis magníficos animais, condicionados desde o nascimento, para representar, juntamente com o Cavalo, o papel mais funesto de um fatídico guião, dividido em três “lotes”, em que uns sinistros mercenários mostram o seu desprezo pela vida, assediando e “punindo” um nobre Touro.

 

 

 

«Não sei se Picasso ou Kant eram aficionados aos Touros, mas para viver hoje, e observando a finura dos intelectuais que mantém vivo o espectáculo, renegariam o seu gosto, ou o cultivariam na clandestinidade, como uma perversão, que é o que é (a tourada)».

(Juan José Millás)

 

 

 

Sinto tristeza ao saber que gosto de ti e não posso salvar-te

 

 

Hoje, 12 de Dezembro, realizaram-se corridas de Touros em “honra” da Virgem Maria.

 

O que pensará Deus sobre a tortura exercida contra os seres da sua criação?

 

«Os animais possuem uma alma e os seres humanos devem amar e sentir-se solidários com os seus irmãos menores, eles estão tão perto de Deus como o estão os humanos» (João Paulo II)

 

 

Fonte:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=548062531887999&set=np.41089388.100000123032483&type=1#!/PazParaLosTorosYCaballos

 

 

 

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 09:53

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Terça-feira, 21 de Dezembro de 2010

NESTE NATAL FRIO...

 

 

 

 

© Isabel A. Ferreira

 

Neste Natal frio, como todos os outros Natais, não fingirei contentamento; não me envolverei numa auréola de Paz e de Harmonia; não sorrirei como se tudo ao meu redor transmitisse quietude...

 

Neste Natal, não vos falarei daquele Menino Divino, cuja influência dividiu o mundo entre Cristãos e Pagãos, e tão inocentemente lançou os povos em grandes abismos ideológicos, na esperança de alcançarem um lugarzinho no reino dos Céus.

 

Neste Natal, não enfeitarei pinheirinhos; nem farei repicar o sino na torre da igreja; nem entoarei melodiosos cânticos; nem trocarei hipócritas mensagens de Boas Festas.

 

Neste Natal, não sairei pelas ruas ornamentadas, coloridas, impregnadas daquele ar consumista, que transforma qualquer tentativa de festividade religiosa numa extraordinária festa comercial; e não me encherei de pacotes disto e pacotes daquilo, só para constar que também participei na grande mercancia.

 

Neste Natal, não tenho motivos para festejar o Natal. Que Natal? Natal de quê? Natal porquê? Se todos os anos as mesmas cenas (não os mesmos rituais: esses perderam o seu primeiro sentido há muito tempo) se repetem cada vez mais automatizadamente. Cada ano se renovam (e não se cumprem) as mesmas promessas de se construir um mundo mais digno do Homem, daquele HOMEM que o Menino, tão falsamente festejado nesta quadra, desejou que vivesse num mundo harmonioso e pacífico.

 

Neste Natal, não distribuirei falsos sorrisos, porque não me apetece sorrir. Que motivos terei para esbanjar a minha alegria? Apenas as crianças merecem o meu sorriso, e, para elas, ele jamais será falso, porque lhes mostro o outro lado do Natal, e elas entendem e concordam e conseguem discernir entre a hipocrisia que as rodeia e o verdadeiro sentido da vida, e então, podem sorrir comigo, sem medo, numa cumplicidade tão secretamente harmoniosa e só nossa...

 

Neste Natal, não inventarei que a neve cai lá fora, de mansinho, inundando a natureza de um branco imaculado; e que as estrelas brilham mais intensamente, lá no alto; e que, em cada lar reina a alegria e uma paz celestial, diante de uma mesa farta de tudo... mas se os corações estão vazios de amor, de que adianta essa aparente fartura?...

Neste Natal, recuso-me a comungar dos falsos conceitos, que os falsos cristãos pretendem impor, quando, uma vez por ano, se lembram de que há gente morrendo de fome todos os dias, e então, num gesto resgatador, desatam a distribuir comida, roupa, dinheiro, porque é praxe lembrarem-se dos pobrezinhos no Natal (e apenas no Natal) para poderem cear a farta ceia, com a consciência tranquila, do dever cumprido.

 

Neste Natal, mostrarei a minha revolta desejando àqueles que desconhecem (por intencional ignorância ou por simples maldade) o significado da SOLIDARIEDADE HUMANA, materializada nos gestos de cada dia, uma vida plena do mesmo mal-estar que provocam aos que são atingidos pelos seus actos ignóbeis.

 

Para quê mostrar hipocrisia? Só porque é Natal?...

Não! Não podem acusar-me de sentimentos anti-cristãos. Eu não sou Deus. Mas se até o divino Filho do Todo-poderoso, feito Bondade e contemporizador, se revoltou contra os vendilhões que profanaram o templo de seu Pai, e os expulsou à chicotada, num gesto de fúria, porque não hei-de eu, simples mortal, deixar que a revolta me possua e me dê forças para combater (não para castigar) os que, impiedosamente, fazem murchar o sorriso dos inocentes, tal como um fungo maligno destrói a beleza das flores?...

 

Neste Natal, recuso-me a ser hipócrita. Por que haveria de esquecer, apenas porque é Natal, todas as crueldades que durante todo o ano se cometem contra seres, humanos e não humanos que, tal como eu, amam a vida tão intensamente, e gostam de a viver desfrutando da harmonia cósmica que nos foi concedida nos princípios dos tempos?!...

 

Porque hei-de fingir por um dia que todas as pessoas são pessoas, quando sabemos que sob muitas das carcaças humanas que vemos circular à nossa volta, se escondem os piores carácteres e o mais falso humanismo?

 

Neste Natal, não aceitarei o cântico «Glória a Deus nas alturas e Paz na Terra aos homens de boa vontade», porque a má vontade dos homens impera sobre a glória de Deus, transformando o mundo num imenso vale de lágrimas, onde parece não haver lugar para a Paz...

 

Neste Natal, tão frio como todos os outros Natais, não fingirei contentamento; não me envolverei numa auréola de Paz e de Harmonia; não sorrirei como se tudo em meu redor transpirasse quietude...

Neste Natal, as trevas cobrirão o mundo, porque os homens de má vontade assim o querem; mas eu, eu não participarei nesse banquete farto de hipocrisia.

        

Neste Natal, o meu protesto será absoluto...

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:25

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Segunda-feira, 6 de Setembro de 2010

A VIOLÊNCIA QUE VEM DAS TREVAS

 

 

 

  

(E se enfeitássemos a Violência com florzinhas amarelas, para torná-la menos agressiva?...)

 

A inteligência humana é a única arma capaz de garantir a Paz

 

Será possível definir a Violência?

 

Talvez pudéssemos enfeitar a palavra com florzinhas amarelas, para torná-la menos agressiva!

 

Mas como?! A violência não se deixa enfeitar. Ela é tão primitiva, tão tosca! Vive entre as trevas, nas profundezas do espírito dos que são apenas “omens”, numa tão grande obscuridade, que enfeitá-la seria um sacrilégio. Além disso, porque está tão arredada da civilização e da civilidade só as mentes mais primitivas e toscas a ela têm acesso.

Ela faz parte de um mundo sombrio onde habitam os rudes, os grosseiros, os irracionais, os estúpidos, os covardes. Numa palavra: os brutos.

 

E o que é um bruto? É aquele que usa a força, a ameaça, a chantagem para impor o seu ponto de vista, por isso, a violência é a maior “qualidade” dos brutos, que não passando estes de requintados covardes.

 

Um bruto não conhece a linguagem da flor. Não sabe da brisa suave que faz ondular as searas. Só sabe de ventanias que sopram forte, de tufões, de furacões, de vendavais, que tudo destroem. Um bruto cavalga nos ventos, semeia tempestades por onde passa e vagueia depois, perdido, entre os escombros da sua malvadez, acabando por se afogar no sangue das suas próprias vítimas.

 

Mas tu não és um bruto.

 

Tu conheces a linguagem da flor. Não vives nas trevas. Fazes uso da tua inteligência, a mais eficaz arma de combate do ser humano.

 

Só os covardes se escudam na força bruta ou numa arma qualquer. Se lhe sugerirmos que sejam Homens e não usem a força da força, nem a ameaça das armas, nem a chantagem, nem algum outro tipo de violência, mas unicamente o poder da sua inteligência e combatam os combates com palavras, como seres civilizados, eles rirão um riso de dentes podres e depois, afundados na sua insignificância mental e às ceguinhas, por entre as trevas abismais do seu espírito, usarão da violência e mostrarão então toda a inferioridade dos seus actos.

 

Ninguém é superior a ninguém. Apenas os excrementos humanos e a malvadez dos “omens” são execráveis e passíveis de desprezo!

 

Pois é, ninguém é superior a ninguém a não ser pelos actos que comete.

 

Um bruto é um “omem” obscuro, oblíquo, desusado, ignorante, por isso, ao usar a violência que vem das trevas, transforma-se numa criatura inferior.

 

Mas tu conheces a linguagem da flor. Ensina-o a ser Homem com o teu pacifismo e a tua inteligência: a única arma capaz de garantir a Paz.

 

in «Manual de Civilidade» © Isabel A. Ferreira

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:37

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Terça-feira, 3 de Fevereiro de 2009

Na outra margem do Sonho…

 

Copyright © Isabel A. Ferreira 2009
 
 
 
Eles sonham com campos em flor.
Sonham com trabalho.
Sonham com uma vida vivida em Paz.
 
Eles acreditam nos homens. Esperam um milagre. Eles tentam compreender o desequilíbrio dos mais fortes. A loucura dos que governam.
 
Nos tempos livres, eles fazem poemas como este:
 
À força de nos fazerem acreditar no Sol,
sentimos o seu calor nas nossas peles.
À força de nos impingirem mais um dia,
cremos que somos mais adultos.
À força de nos provocarem
sentimos a força do palavrão a defender-nos.
À força de nos ignorarem
precisamos de agredir para sermos ouvidos.
À força de nos calarem tantos sonhos
acreditamos na impossibilidade de viver.
À força de tanta fraqueza,
somo incapazes de subir alto, ao alto de nós,
para gritarmos que sonhar
é o primeiro passo para a partida…
 
***
 
Em dias de tempestade, eles escrevem prosa como esta:
 
Arrefeceu de repente. E eu não sei porquê. O som mudou. As cores mudaram. As flores murcharam, apesar do tempo primaveril. Porquê?... Não sei!
 
E é esta ignorância que me magoa. Que me maltrata. Quando as coisas não correm bem, ficamos esquecidos na prateleira. É como se Deus se esquecesse de abrir as janelas do Céu para deixar entrar o Sol.
 
O mundo parou de girar, só porque não compreendo os dias, os momentos sombrios, carregados de uma agressividade que transforma as palavras em algo que fere, que abre chagas e deixa cicatrizes.
 
Hoje a indiferença arrefeceu o meu Sol. Não pude sorrir e tudo se transformou, de repente. Que vontade de desistir! Entrei em seara alheia. Roubei as melhores espigas e, nesse acto, transformei-me em joio. E ali fiquei. Pregada ao solo por fortes raízes. Mas de que adianta, se sou apenas joio?
 
Se pelo menos esta tempestade me arrancasse as raízes e me transformasse novamente em espiga loira, no meu próprio campo!
 
Mas a tempestade não é demasiado forte. Preciso de ir buscar forças ao inferno para que a minha metamorfose seja possível. Porque sei que a força dos anjos não será suficiente para fazer mover a minha vida.
 
 
***
 
Eles são jovens.
Vivem na outra margem do sonho.
 
 
 
publicado por Isabel A. Ferreira às 11:51

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