Segunda-feira, 17 de Março de 2014

TOURADA EM VILA VIÇOSA FOI UM FIASCO, APESAR DA BÊNÇÃO DA IGREJA CATÓLICA

 

São os aficionados que o dizem: poderia ter sido um sucesso. Mas não foi.

 

E Vila Viçosa perdeu o viço. É uma  localidade que está no rol das terrinhas atrasadas.

 

Este ano, todas as actividades tauromáquicas, tanto em Portugal como nos pobres países estrangeiros, que ainda não se viram livres desta peste negra, foram um autêntico fracasso.

 

E continuarão a ser, per omnia saecula saeculorum

 

Aconteceu no passado sábado. Passeia-se a Santa pela arena da morte, aos ombros de torcionários. Faz-se uma espécie de procissão profana, com os cobardes atrás. E as poucas pessoas que vemos na imagem a assistir… assistem…

 

Simplesmente assistem…

 

Uma imagem que constará no Livro Negro da Tauromaquia. Quando esta estiver na prateleira do circo romano, os descendentes desta gente envergonhar-se-ão dos seus antepassados tão primitivos!

 

Foto: http://farpasblogue.blogspot.pt/2014/03/moura-marcou-diferenca-esta-tarde-em.html

OOO
ooo

Aqui outra imagem, que o Papa Francisco irá gostar de ver… Um padre católico (entre o cordão vermelho) alinha nesta fantochada pagã, onde vão ser torturados seres vivos, usando a imagem de uma Santa Católica, como se não tivesse (o padre) de prestar contas a Deus, por esta profanação… Mas também os torcionários, que terão de pagar a maldade que cometeram contra seres vivos indefesos e inocentes..

 

Este padre está a violar as normas da Igreja, nomeadamente a Bula do Papa Pio V, que ainda está em vigor.

 

 Nesta Bula “De Salute Gregis Dominici “ o Papa proibe as corridas de touros, assim como nega uma sepultura católica e excomunga todos aqueles que participem em festivais taurinos em todos os territórios administrados pela Igreja Católica.

 

Mais tarde essa mesma Bula foi rectificada sendo excomungados apenas os clérigos que participem em espectáculos taurinos ou onde sejam lidados outro tipo de animais.

 

Ora, este padre pode considerar-se, desde já, excomungado.

 

***

A igreja católica, em cada acto destes, afasta do seu rebanho os verdadeiros cristãos, que conhecem o valor da Vida e o Respeito a ter por todas as criaturas de Deus.   

 

Ao ser cúmplice desta tortura, a igreja católica não cumpre os ensinamentos deixados por Jesus Cristo.

 

Que legitimidade terá para actuar como representante de Deus na Terra?

 

Para ver mais imagens desta blasfémia é só abrir este link:

http://www.solesombra.net/festival-radio-campanario-em-imagens/

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:08

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Terça-feira, 6 de Agosto de 2013

AS TOURADAS ESTÃO SUSPENSAS POR UM FIO DE ARANHA, MAS AINDA HÁ QUEM TAPE OS OLHOS PARA NÃO VER, E OS OUVIDOS PARA NÃO OUVIR

 
 

É isto que os aficionados pretendem que o mundo aplauda? Vamos a isso!

 

Só agora tive tempo para me debruçar sobre este comentário do Francisco Reis que diz de alguém que rejeita a realidade, e vive no passado, aliás como um bom aficionado que é, com a pretensão de vir ensinar o padre-nosso ao vigário, com dados ultrapassados, antigos e a cheirar a mofo.

***

Francisco disse sobre DIAS CONTADOS: TOURADAS CONTINUAM A PERDER ESPECTADORES na Terça-feira, 30 de Julho de 2013 às 23:38: 

 

«Dr.ª Isabel A. Ferreira


Se Portugal pertence ou não à tauromaquia, ou a tauromaquia pertence a Portugal, esse é dos pontos em que cada um tem a sua opinião! Respeito a sua, apesar de não concordar!
 

- A tauromaquia não é uma opinião, Francisco, para cada um ficar coma sua. A tauromaquia é um COSTUME BÁRBARO que os portuguesinhos bárbaros herdaram de ESPANHA. Ponto final. E vai ser ABOLIDA. Ponto final.

 

Permita-me corrigi-la mas o registro mais antigo de algo semelhante às touradas actuais aparece em 1135, e não aquando das invasões Filipinas. Nessa época, porém, o toureiro era um nobre que enfrentava o touro montado a cavalo e armado de uma lança.

 

- Leia mais abaixo o que digo na PRIMEIRA NOTA. É o que faz a ILITERACIA!

 

Permita-lhe que lhe acrescente que os forcados, presentes numa corrida de toiros, são algo tipicamente português que remonta de 1836, no reinado de D. Maria II.

 

- Leia a SEGUNDA NOTA MAIS ABAIXO, Mas antes espreite este Link:

 

http://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/300690.html

 

Concordo quando diz que os toiros e os cavalos têm direito ao seu bem-estar e isso acontece! Os toiros vivem 4 a 5 anos no campo onde não lhes falta nada. No pleno paraíso! Ao fim desse tempo está criado, e tem que ser abatido para formar carne, assim como quase todos os animais. Se as corridas de toiros acabassem, o toiro bravo acabava também, porque essa raça é criada unicamente para as touradas e isso tem que ser aceite!

 

Não dá lucro para um ganadeiro utilizar um toiro apenas para fazer carne porque não é uma carne muito apreciada pela maioria da população como deve saber. 

- Francisco, Francisco, tenho de repetir-me: os touros vivem 4/5 anos a serem “preparados” ou seja, MASSACRADOS para depois irem para a arena serem TORTURADOS. De vida boa nada levam, NUNCA. Desde que nascem.

 

Um touro não é uma RAÇA. Um touro é um BOVINO NÃO CASTRADO. Um bovino MANSO. QUE É VILIPENDIADO ATÉ AO ENRAIVECIMENTO, para que uns maricas possam “lidá-lo” com COVARDIA, na arena. Essa é que é a verdade.

O Jornal i apresenta estudos que NINGUÉM comprovou!
Faz parte das regras da boa educação, e permita que lhe diga pedindo desculpa, que não será de certeza boa educação insultar assim a PRÓTOIRO. Não concordamos? Certo, tudo bem, mas temos que respeitar.
 

- O Jornal i, é um jornal sério, e não publica dados sem os ter confirmado. Por isso, engula esses números, porque são absolutamente fidedignos.

 

Quanto à boa educação que devo ter com o bandinho da prótoiro, POUPE-ME. Temos de RESPEITAR O QUÊ? Quem vive à custa da TORTURA PARA DIVERTIR SÁDICOS? Não sou Jesus Cristo,  Joaquim. E mesmo esse, também deu umas boas CHICOTADAS aos vendilhões do templo, acompanhadas (talvez) de umas palavrinhas menos divinas. É que nenhum defensor de seres vivos é de pedra. Sabia?

 

Gostam de aparecer na TV? Por amor de deus mas para aparecer na TV basta ir a um desses programas da tarde ou da manhã e ainda se ganha dinheiro. 

- Ó Francisco, Francisco. Outra como esta não! Quem vai assistir a programas na TV não vai a touradas. Às touradas só vão os sádicos, os marialvas, os psicopatas, os broncos.

 

Permita-me que reedifique mas 400mil pessoas a assistir em casa. 

- Que número é este? Quis dizer QUATRO MIL e já é muito. Cada vez a RTP tem menos gente a ver touradas e os programas parolos que apresenta. Está a bater no fundo.

 

Permita-me recordá-la de uma situação que se passou a mais de 2 anos em Santarém! A monumental de Santarém encheu, e repito, encheu para ver 4 corridas de toiros em 2 dias. Por 1 euro. De relembrar que a mesma consegue levar mais de 12 mil pessoas.

 

 E não pode dar o argumento de que as corridas são baratas e todos vão, porque quem é contra, não vai, nem que seja “de borla”. 

- Não interessa para nada o que se passou há dois anos em Santarém. O que interessa é o que se passa em 2013. As touradas nem às moscas estão, porque nem as moscas lá põem os pés. Cada vez vai menos gente. Apenas os familiares (FORÇADOS) dos intervenientes da TORTURA. E só eles.

 

Por ultimo convido-a a ver esta imagem (clicar no link) http://farpasblogue.blogspot.pt/2012/02/ana-batista-estreia-se-amanha-na-plaza.html onde demostra, no México, uma praça de toiros “à cunha” que tem lugar para 46.815 espectadores (sentados).

 

- Esta imagem é de um passado que já passou e não retornará JAMAIS. Não venha para aqui tentar enganar o ceguinho. A notícia é de 3 de Fevereiro de 2012, mas a imagem não é desse tempo. A Ana Baptista iria estrear-se “amanhã”, isto é, no dia 4 de Fevereiro de 2012. E a imagem não é desse dia, nem do ano anterior… nem sequer do dia seguinte…

 

Lamento mas creio que a tauromaquia não está com os dias contados! Ainda não é desta. Tenho pena.

Com todo o respeito

Francisco Reis

 

- A tauromaquia está suspensa por um fio de aranha, Francisco Reis. Brevemente levará a estocada final. Eu NÃO LAMENTO NADA dar-lhe esta bela notícia.

 

Dados de suporte:
http://super.abril.com.br/alimentacao/como-surgiu-tourada-443551.shtml

PRIMEIRA NOTA:  Em Espanha, Francisco. Em ESPANHA! Leia o que lá está: «Mas o registro mais antigo de algo semelhante às touradas atuais só aparece em 1135, como parte dos festejos da coroação de Afonso VII, rei de Leão e Castela».

 

Que eu saiba, Leão e Castela não eram territórios portugueses. Além disso, a tourada nunca foi um COSTUME BÁRBARO Português. Foi introduzida em Portugal na época dos Filipes, e veio de ESPANHA, e os BRONCOS portugueses acolheram-na como algo esplendoroso, o que só vem demonstrar a pateguice do povo inculto daquela época.

 

Mas já estamos em 2013 DEPOIS de Cristo. Nada mais justifica esta PAROLICE.

 

***

http://pt.wikipedia.org/wiki/Forcado

SEGUNDA NOTA: Este artigo não cita nenhuma fonte ou referência, o que compromete a sua credibilidade (é a primeira frase que se lê no texto)… A ORIGEM DOS FORCADOS É ESPANHOLA, Francisco. Já coloquei neste Blog um texto a abordar este assunto. Vocês não sabem nada, e depois vêm para aqui dizer disparates. NADA, NADA NA TOURADA É PORTUGUÊS. NADA. Esta é uma PAROLICE IMPORTADA DE ESPANHA. (Tenho de andar sempre a repetir-me!)

 

***

http://pt.wikipedia.org/wiki/Pra%C3%A7a_de_touros_M%C3%A9xico

- E o que tem a ver a Praça de Touros do México com Portugal? Tem lugar para 46.815 espectadores (sentados), chegando a levar mais de 100.000 durante eventos musicais. E isso era antigamente.

OS NÚMEROS DE 2013 são muito, mas muito menores, por todo o mundo.

 

Tanto quis provar que as touradas estão bem, que DESPROVOU.

 

Passe bem, Francisco Reis.

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:18

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Sexta-feira, 29 de Março de 2013

«PAIXÃO, MORTE E RESSURREIÇÃO: TAUROMAQUIA E SEMANA SANTA» - OU A IRRACIONALIDADE DE UM AUSTRALOPITECO

 

 
 

 

Um aficionado  publicou um texto na página da prótoiro, no Facebook, com a seguinte legenda: «Porque tauromaquia é cultura. Um excelente artigo que enquadra a festa brava nas festividades pascais» …

 

 

Escreveu isto como se estivesse a falar da Última Ceia de Cristo realizada numa arena, ao redor de uma mesa, onde pedaços do corpo de um touro a sangrar faziam parte do ritual desta ceia.

 

O texto é algo inacreditável. Devastador!

 

Coisa saída de uma mente completamente doentia. Anormal. De um alguém que ficou parado no tempo dos rituais mais antigos em que os machos humanos tinham de provar a sua macheza através de rituais primitivos e sangrentos, onde se sacrificavam animais, porque, na verdade, desconheciam tudo sobre a vida.

 

Ou seja, este texto apresenta os tauricidas do século XXI como autênticos australopitecos. A mentalidade deles não evoluiu absolutamente nada.

 

Mas é melhor ler. Por favor.

 

É um texto que deslumbra pela irracionalidade nele entranhada.

 

(Os sublinhados são meus).

 

***

 

Por Ignasi Corresa 

 

«Durante a primeira Lua Cheia da Primavera celebra-se, em toda a Cristandade, a Semana Santa e a Páscoa, uma festa que se vive com o maior fervor popular em Espanha, e um exemplo disso é a quantidade de confrarias, irmandades e iconografia religiosa que durante esta época se reúnem em todos os centros urbanos de praticamente todas as localidades do país.

 

Sem desvalorizar nenhuma das celebrações próprias de cada localidade, únicas e originais, no passado domingo, na minha cidade, Sagunto, depois da procissão e da eucaristia na diocese de Santa Maria, realizou-se o sermão da Semana Santa no santuário do Sangue de Sagunto. Além de fantástico, breve, artístico, cadenciado, sereno e muito bem feito – tal como se tratasse de uma faena taurina – o orador, o matador de touros Vicente Barrera, falou de sangue, de tradição ancestral, costume, estética, de representação, simbolismo e culto…

 

Gostaria de acrescentar e relacionar estes conceitos de morte e vida, arte e estética, culto e paixão, tradição e identidade, em suma, esses valores que unem estas grandes festas de costumes ancestrais e que todavia ainda persistem na nossa sociedade - hoje em dia mais enraizada está a Semana Santa – graças à transmissão de pais para filhos de um sentimento de herança e de fervor que cala e entranha no nosso ser mais profundo.

 

Não é minha intenção fazer um sermão, mas tão só uma analogia entre duas práticas culturais, que, ao fim e ao cabo, representam paixão, morte e ressurreição, e isto em tauromaquia é vida, e no cristianismo é salvação - a vida eterna.

 

Porque a tauromaquia representa esse simbolismo milenário da vida através do derramamento de sangue que fertiliza a terra por onde se espalha, pois este líquido precioso em si, é a própria vida.

Ao fim e ao cabo a tauromaquia simboliza, desde os primeiros tempos, a própria vida através da subsistência e vigor, numa luta de morte, onde não vence o mais forte, mas o mais hábil e inteligente, uma forma de demonstrar que o ser humano é, sem dúvida alguma, o mais importante ser da criação, aquele que foi criado à imagem e semelhança do seu criador.

 

Na iconografia antiga, a espada erguida e manchada de sangue representava a pujança do homem, a sua fertilidade e a sua realização, através dessa espada ensanguentada que, ao fim e ao cabo, simbolizava o homem em si, a sua força.

 

As primeiras sociedades guerreiras lutavam nua,  para impressionar o inimigo ou quem observava a batalha, com o tamanho do seu pénis, músculo onde acreditavam que residia a força e a fertilidade do homem, ou seja, a sua virilidade, uma vez que o homem se diferencia anatomicamente da mulher, entre outras coisas, pelo seu aparelho reprodutor.

 

De facto, no Museu de Belas artes de Valência, uma predela de um retábulo do século XV do pintor Joan Reixach, com o fim de representar a encarnação (Deus feito homem), para aprofundar a essência humana de Cristo numa das cenas da paixão -concretamente a da sua prisão - um soldado coloca a mão no pénis de Jesus, forma que o excelente pintor valenciano encontrou para testemunhar a humanidade de Cristo.

 

O vigor do homem e a fertilidade, ou seja, a paixão, morte e ressurreição – o ciclo da vida – na tauromaquia não só é representado na praça e no derramamento de sangue no chão, mas também em campo aberto – relembro que tanto na pintura gótica como barroca, o sangue derramado na crucificação de Cristo, geralmente inunda a terra, cujo significado corresponde ao símbolo da salvação do mundo (a Terra) através do sangue.

 

O “toro de la Veja” derrama o seu sangue a partir desse conceito de regenerar a terra (ressurreição) e o valente lanceador pendurará os testículos do touro bravo na sua lança para que se lhe reconheça o seu mérito de homem, ou seja, o seu valor como tal e a sua dignidade, que é reforçada pelos testículos espetados no mais alto da sua lança.

 

A tauromaquia conserva, na sua essência, todos os rituais culturais e tão ancestrais como o nascimento da religião nos alvores da nossa sociedade humana, que passaram de geração em geração, modificando-se e reinterpretando-se na história, mas que em si configura a essência que enriquece o toureio, o culto e a própria vida que envolveu o sacrifício entendido como paixão, do mesmo modo que paixão entendida como afición ou enamoramento; como morte, porque não se concebe a vida sem ela, e por sua vez a morte dá vida, se tivermos em conta que esse sacrifício nos dá força se comermos a sua carne e se acreditarmos – como se fazia nos tempos antigos – que o sangue , que é vida, fertiliza a terra e dá vigor ao homem (regenera).

 

Espero que estas poucas linhas tenham podido esclarecer o simbolismo cultural subjacente à tauromaquia de procedência pré-histórica, e que ao fim e ao cabo, de um modo ou de outro e salvaguardando as distâncias, com total respeito pelas minhas crenças e sem intenção de ofender ninguém, pois sou católico e confrade de uma das confrarias mais antigas de Espanha, a Confraria do Puríssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo de Sagunto (século XV), queria unir as celebrações mais importantes da Cristandade (paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo) com as tradições tão antigas como as das primeiras civilizações que, ao fim e ao cabo, explicam mitologicamente o que nós fazemos através da ciência e da religião.
 
E é curioso que o avanço científico e o avanço da tauromaquia coincidem plenamente na concepção e simbolismo, uma vez que em ciência falamos do avanço do mito ao logos (à razão) – analogicamente seria a força versus a razão – e na tauromaquia no século das Luzes (século XVIII) começa-se a ter um conceito, uma percepção do toureio, onde o elemento estético, começa a interessar, para chegar a converter-se, na actualidade, na componente primordial de uma faena.

 

Por isso, podemos afirmar que ao homem moderno, ao homem da ciência, ao homem do logos, já não o define tanto o valor, mas  a inteligência.

 

Queria terminar com estas palavras do Angelus: «Et Verbum caro factum est et habitavit in nobis» (e o Verbo se fez carne e habitou entre nós).

 

Conservemo-lo nos nossos corações e conservemos as nossas tradições.»

 

26 de Março de 2013

 

http://www.burladero.com/140124/muerte-pasion-resurreccion-santa-semana-tauromaquia#.UVMISxip2mx

 

***

 

Confesso, que fiquei com náuseas, quando cheguei ao fim da tradução deste texto, demasiado sangrento e cruel, que merece ser analisado e aprofundado numa outra ocasião.  

 

Como ainda podem existir seres tão primitivos, que não deram nem um pequenino passinho à frente da pré-história?

 

Como pode a igreja católica permitir tal analogia?

 

 

 

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:01

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Domingo, 30 de Setembro de 2012

PELA EXPRESSÃO DESTE CATEDRÁTICO PODEMOS AVALIAR O SADISMO TAURICIDA NELE PLASMADO COMO UMA PELE...

 

 

 

 

«Uma pergunta natural: por que os de Tordesilhas e todos os que estão a favor do «Toro de la Vega” não canalizam a violência, por exemplo, contra o senhor, senhor catedrático? É só uma ideia. Que lhe parece?

 

Seria um mártir muito recordado no mundo tauromáquico.

 

S. G. S.»

 

Estou completamente de acordo com esta “pergunta natural”.

 

Que raça de catedrático será este, que tirou uma fotografia que tem como pano de fundo a imagem crucificada de Jesus Cristo, para dizer uma tal barbaridade?

 

Quererá significar que se Jesus Cristo foi açoitado e espetado com lanças pelos furibundos romanos (vejam lá o tempo que isto tem...) os “furibundos espanhóis” podem fazer o mesmo aos Touros, canalizando para eles toda a raiva, todo o fel, todo o ódio que lhes corrói as entranhas...?

 

Este mundo da tauromaquia é absolutamente diabólico!

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:37

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Segunda-feira, 17 de Setembro de 2012

A IGREJA CATÓLICA PORTUGUESA É TÃO DIABÓLICA QUANTO A “GESTOIRO”: AMBAS SÃO DEFENSORAS DA TORTURA DE SERES VIVOS EM HONRA DE SANTOS

 

 

UMA PROCISSÃO REALIZADA DENTRO DE UMA ARENA, MEIO VAZIA (DO MAL O MENOS), ONDE A SEGUIR SE TORTUROU SERES VIVOS...

 

ISTO É INCONCEBÍVEL!

 

ESTE PADRE NÃO PODE SER UM REPRESENTANTE DE DEUS NA TERRA.

 

ISTO ULTRAPASSA TODOS OS LIMITES DO RAZOÁVEL. A IGREJA CATÓLICA PORTUGUESA ESTÁ COMPLETAMENTE DESFASADA DOS PRINCÍPIOS CRISTÃOS.

 

ESTÁ AO SERVIÇO DE SATANÁS, E DIZ-SE AO SERVIÇO DE DEUS.

 

 

PROCISSÃO ANTECEDEU CORRIDA DE TOUROS

 

 

Se não visse as imagens, não acreditaria.

 

Aconteceu em Moura. Em “HONRA” de Nossa Senhora do Carmo, que deve estar em prantos, com tanta FALTA DE RESPEITO...

 

«Uma procissão à luz de velas, participada por todos os artistas, cavaleiros, bandarilheiros e forcados (que transportaram o andor com a imagem da Virgem) antecedeu a emotiva corrida que ontem se realizou na praça de toiros de Moura com mais de metade das bancadas preenchidas. Um êxito promovido pela empresa "Gestoiro", a pedir repetição no próximo ano».

 

 

 

Sem comentários...

 

 

O QUE TERÁ A DIZER O PAPA BENTO XVI?

 

O QUE TERÁ A DIZER D. JANUÁRIO TORGAL FERREIRA?

 

O QUE TERÁ A DIZER O EX-BISPO DE SETÚBAL, D. MANUEL MARTINS?

 

O QUE TERÁ A DIZER O PADRE MÁRIO DA LIXA?

 

Vou perguntar-lhes.

 

Isto é absolutamente PERNICIOSO.

 

Um exemplo DIABÓLICO que a Igreja Católica dá aos já tão IGNORANTES aficionados.

 

Que papel é o da IGREJA CATÓLICA na SOCIEDADE PORTUGUESA?

 

Não se admirem, pois ,que cada vez mais haja menos católicos, e cada vez mais haja menos padres.

 

Para quê?

 

Para serem CÚMPLICES DA VIOLÊNCIA, DA TORTURA, DA CRUELDADE, de tudo o que É CONTRA OS ENSINAMENTOS DE JESUS CRISTO?

 

ISTO É SIMPLESMENTE REVOLTANTE!

 

Fonte: http://farpasblogue.blogspot.pt/2012/09/ontem-em-moura-procissao-antecedeu.html

 

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 10:01

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Quarta-feira, 22 de Agosto de 2012

« (...) ACEITO E DEFENDO QUE OS ANIMAIS ESTÃO “AO SERVIÇO” DO SER HUMANO»... DISSE RFOF

 

 

O endemoninhado de Gerasa e a questão dos porcos...

 

Rfof, deixou um novo comentário ao meu post A PROPÓSITO DE A IGREJA CATÓLICA SER CÚMPLICE DAS CELEBRAÇÕES DE SANTOS E SANTAS COM TORTURA DE TOUROS E CAVALOS às 19:03, 2012-08-21.

 

Uma vez mais “estiquei-me na resposta”, porque gosto de “esgrimir”, e coloco aqui os dois textos para MEMÓRIA FUTURA.

 

«Estimada Isabel A. Ferreira,

 

Valeu a pena o meu excesso propositado nas palavras que empreguei. Peço desculpa por as ter utilizado, mas era exactamente para chegar a um post tal como a senhora publicou que eu fiz aquela entrada. Já notou que os animais não fazem estes raciocínios? Já notou que há uma racionalidade própria do ser humano que não é partilhada pelos seres humanos.

 

O que a senhora diz sobre aquilo que os animais demonstram como sendo a sua justificação da «sua» alma, dá conta, primeiro que tudo, de um processo de hipostaseação da sua parte, algo que os animais desconhecem por completo. Eles têm uma vida, um ímpeto-sopro-anima vital, mas que é intrínsecamente da alma racional humana, e o seu post prova exactamente isso.

 

Quanto ao direito a torturar os animais, penso que dos meus posts anteriores, ficou mais que demonstrado que sou contra, totalmente contra. Mas aceito e defendo que os animais estão «ao serviço» do ser humano, e portanto podem ser mortos para daí termos alimentação, tosqueados para daí termos roupa, tidos em cativeiro para termos ovos, etc.; mas claro que nisto deve sempre ser procurado o mínimo de sofrimento possível.

 

O animal é diferente do humano, ainda que haja um mínimo partilhado, na medida em que ambos são seres vivos. Quando me referi ao desprezo que tem pelo ser humano na sua igualação aos animais - e daí ter atalhado para temas como o aborto e a eutanásia - note que a base intelectual para legitimar um aborto é a mesma: os que o defendem, dizem que aquele ser vivo que está no ventre da mãe, pelo seu estado de evolução, ainda não é humano. Mas não deixa de ser um ser vivo, na medida em que está a evoluir, a desenvolver as suas capacidades, a capacitar-se para a vida fora do útero. Os que defendem o aborto afirmam que na medida em que não é humano, então pode ser morto. Basicamente, reduzem o embrião a um animal não-humano. Foi por isso que disse o que disse. Mas fico muito contente por defender as crianças não nascidas.

 

Quanto à questão da eutanásia, encontra-se na mesma linha de justificação.

Saltando algumas das suas afirmações que penso que ficam esclarecidas pelo que fica dito, gostava de abordar brevemente a questão bíblica. Fala do Novo testamento, em contraposição ao direito de cidadania do Antigo testamento. Então convido-a a ler a passagem do endemoninhado de Gerasa: Jesus não hesitou em enviar os espíritos malignos para os porcos - que acabaram por morrer - para salvar um único ser humano. Notemos a base: a infinita superioridade da dignidade humana sobre a do animal justifica ter de matar os animais para salvar um único ser humano.

 

É de dignidade do ser humano que se trata, e essa é infinitamente superior à dos animais. Sem que isso justifique que se podem torturar. Apenas podemos, com respeito pelo dom de Deus que são os seres vivos, tratá-los da melhor forma, mas nunca subjogados por eles ou igualados a eles. Estou a gostar muito desta discussão! Cumprimentos, Rfof»

 

***

 

Caro Rfof:

 

Está a dar-me um certo trabalho convencê-lo de que hoje em dia, a ideia que se tem de ANIMAL é diferente daquela que se tinha nos tempos do obscurantismo.

 

No meu último texto, eu realmente fiz um raciocínio, que um símio talvez também fizesse se pudesse falar. Eu não sei. O Rfof TEM A CERTEZA? Pode provar cientificamente que um símio não faz raciocínios? Talvez não com tanta elaboração quanto o meu. Mas também um analfabeto humano, uma criança humana, um tauricida, um torcionário, um assassino, um governante corrupto, não farão o mesmo raciocínio que eu, por motivos óbvios. Não é verdade? E pertencem à espécie humana.

 

A minha racionalidade não é igual à sua, por exemplo. A racionalidade feminina, não tem a mesma intensidade da masculina. E isto não é ser sexista, é constatar uma realidade. Pode também não ser igual à dos meus cães, que fazem eficazes raciocínios em determinadas situações. Raciocínios que um animal humano predador não faria nunca, por ser IRRACIONAL.

 

Mas o que é a RACIONALIDADE?

 

O que é que o Rfof sabe do que um animal não humano SABE OU DEIXA DE SABER? Eles sabem muito mais do que aquilo que possamos imaginar. Não costuma ver os documentários da BBC VIDA SELVAGEM?

 

Eles têm uma VIDA, diz muito bem. Ímpeto-sopro-animal vital? Eu também tenho ímpeto-sopro-animal vital, algo que não é exclusividade nem dos humanos, nem dos não humanos. É dos SERES VIVOS.

 

Vejo que o Rfof atém-se a filosofias antigas e já ultrapassadas.

 

Fala em alma racional humana. O que é isso? Acha que o Bin Laden tinha uma alma racional humana? O Pol Pot, Hitler, Stalin, Mao Tsé-Tung (considerado o maior sanguinário da História) e todos os que cometeram crimes contra a Humanidade, teriam almas RACIONAIS HUMANAS?

 

Os meus cães e gatos são muito mais RACIONAIS e HUMANOS do que qualquer um desses TIRANOS.

 

Houve tempos, negros tempos, em que para os “homens racionais e evoluídos” as mulheres, os escravos (brancos e negros) e as crianças não tinham alma.

 

Por exemplo, todos sabemos como eram tratadas as crianças nesses tempos negros, basta recordar que a Declaração Universal dos Direitos das Crianças foi proclamada apenas em 1959, até aí os mais pequenos eram tratados como os animais não humanos. Se até das crianças o grande filósofo Aristóteles dizia que elas «careciam de todas aquelas qualidades que elevavam o homem acima das bestas, uma vez que lhe faltava a capacidade de pensar racionalmente», o que me dá liberdade de questionar: quando era criança, Aristóteles teria sido, então, uma pequena grande besta? (isto escrevi no meu livro «Contestação»).

 

Felizmente, o “homem” foi evoluindo e lentamente lá foi considerando que afinal as mulheres, os negros e as crianças, e também os animais não humanos tinham alma.

 

Fico perplexa, quando diz: «... mas aceito e defendo que os animais estão «ao serviço» do ser humano, e portanto podem ser mortos para daí termos alimentação, tosquiados para daí termos roupa, tidos em cativeiro para termos ovos, etc.; mas claro que nisto deve sempre ser procurado o mínimo de sofrimento possível. O animal é diferente do humano, ainda que haja um mínimo partilhado, na medida em que ambos são seres vivos»

 

«Os animais estão o serviço do homem»? A que propósito?

 

E porque não os homens estarem ao serviço dos animais? Eu sempre estive ao serviço dos meus amigos não humanos, que apanho na rua, abandonados, maltratados por esses “seres racionais humanos” com que tanto enche a boca.

 

E não faço férias há 17 anos (da minha casa, neste momento, estão todos a passar férias no Algarve, e eu fiquei para cuidar do meu gato diabético, que já vai fazer 17 anos, e de um passarinho velhinho, que ainda resiste (um bengalin do Japão, que me veio ter ás mãos na boca da minha cadelinha, uma ave que INFELIZMENTE tem de estar em cativeiro, graças a criadores japoneses, algo que considero HORRÍVEL).

 

Sabe, este seu parágrafo chocou-me. Não sei quem é o Rfof (que está a “gostar de esgrimir” comigo, mas esconde-se atrás de umas letras), por isso tenho toda a legitimidade de pensar que possa ser um homem (o seu “raciocínio” é masculino) frio, calculista, e desumano no seu trato com os não humanos.

 

Quanto ao aborto, sendo eu uma defensora da VIDA não seria coerente da minha parte ser a favor de MATAR seres humanos em formação. São embriões iguais aos embriões não humanos, mas que desenvolvidos, nunca iriam transformar-se num rato.

 

Saltando outras considerações que poderia aqui, discutir, vamos ao ENDEMONINHADO de Gerasa e a questão dos porcos. Não foi Jesus que enviou os espíritos malignos para os porcos. Foi QUEM ESCREVEU ESSA PASSAGEM BÍBLICA, porque se Jesus Cristo pôde RESSUSCITAR LÁZARO, também poderia mandar para as malvas os espíritos malignos do tal endemoinhado. Ou não teria esse poder?

 

Não podemos LER A BÍBLIA com olhos HUMANOS, mas sim com a ALMA HUMANA para PODER SABER DISCERNIR o que na BÍBLIA é ESPIRITUAL e o que é simplesmente DO HUMANO PRIMITIVO.

 

E o que vem a seguir deixou-me COMPLETAMENTE SEM SANGUE.

 

Diz o Rfof: «É de dignidade do ser humano que se trata, e essa é infinitamente superior à dos animais. Sem que isso justifique que se podem torturar. Apenas podemos, com respeito pelo dom de Deus que são os seres vivos, tratá-los da melhor forma, mas nunca subjugados por eles ou igualados a eles

 

PASSEI-ME, com esta.

 

Então o Rfof acha que APENAS O SER HUMANO tem DIGNIDADE?

 

Tem DIGNIDADE apenas aqueles que SABEM que os animais não humanos também TÊM DIGNIDADE. E quanta mais dignidade têm do que o LIXO HUMANO que anda no mundo a escravizar e a violar crianças, a torturar humanos e não humanos, a assassinar em nome de nada... e... CHEGA! Penso que entendeu o meu ponto de vista.

 

E para terminar deixo-lhe aqui um link (suponho que saiba ler inglês) sobre algo que já há muito os sábios antigos SABIAM, mas os “sábios modernos” puseram de parte, por conveniência, para simplesmente  se “servirem” dos animais: cientistas finalmente concluíram que os animais não humanos são SERES COM CONSCIÊNCIA.

 

http://www.psychologytoday.com/blog/animal-emotions/201208/scientists-finally-conclude-nonhuman-animals-are-conscious-beings

 

Eu sei disto desde criança.

Bastou-me VIVER (não apenas conviver) VIVER com animais de muitas espécies. A maior lição de vida veio-me de um rato branco (que escapou de ir parar às mãos dos predadores das experiências médicas), e que durante três anos (o tempo de vida que viveu) deixou-me perplexa com a “humanidade” dele.

 

Era o meu RATOLINHA.

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:19

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Segunda-feira, 16 de Julho de 2012

OUTRA PÉROLA DOS AFICIONADOS QUE É UMA AUTÊNTICA BLASFÉMIA E DESCREDIBILIZA A JÁ PARCA REPUTAÇÃO DA IGREJA CATÓLICA PORTUGUESA

 

 

 

ATENTEM NESTE “CARTÃO”.

 

ENCONTREI ESTA PÉROLA QUE DIZ QUASE TUDO SOBRE A MENTALIDADE DOS AFICIONADOS.

 

ISTO AO TORNAR-SE PÚBLICO A IGREJA CATÓLICA PORTUGUESA DEVIA, ATÉ PORQUE É DA SUA COMPETÊNCIA, (POR MUITO MENOS EU JÁ FUI EXCOMUNGADA EM DUAS HOMÍLIAS) IMPOR A SUA AUTORIDADE E CONSIDERAR ESTES “VOTOS” COMO UMA BLASFÉMIA.

 

ESTA GENTE PRATICA A TORTURA CONTRA SERES VIVOS PARA SE DIVERTIR, E VEM HIPOCRITAMENTE DESEJAR AOS AMANTES DESSA TORTURA UMA “SANTA” PÁSCOA, A FESTA DA IGREJA COM MAIS SIGNIFICADO, PORQUE CELEBRA A RESSURREIÇÃO DE JESUS CRISTO.

 

ALÉM DISSO COLOCAM DOIS TOUROS NUMA LUTA QUE O HOMEM PREDADOR LHES IMPÕE, E FAZEM DISSO O “SÍMBOLO” DOS VOTOS DA CELEBRAÇÃO DA RESSURREIÇÃO.

 

ESTA GENTE SERÁ IDÓNEA?

 

ESTA GENTE SABERÁ O QUE ESTÁ A FAZER?

 

ISTO É O CÚMULO DO INSULTO ÁS COISAS SAGRADAS.

 

E A IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ROMANA NÃO TEM NADA A DIZER?

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:58

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Sexta-feira, 25 de Maio de 2012

A IGREJA CATÓLICA PORTUGUESA ACEITA AJUDA DA TORTURA DE NOVILHOS, EM ARRUDA DOS VINHOS

 

 

Mais um vínculo da Igreja Católica Portuguesa à tortura de seres vivos.

 

Até quando esta cumplicidade macabra vai durar?

 

Chamam-lhe “novilhadas das escolas taurinas”.

 

Não só a Igreja Católica Portuguesa apoia esta ignomínia, como dá cobertura à promiscuidade de crianças, que são atingidas por esta doença mental grave, que é a tauromaquia.

 

Isto é simplesmente inadmissível.

 

A Igreja Católica Portuguesa devia ser a primeira a dar o exemplo de compaixão por todas as criaturas de Deus. Mas não, é cúmplice da violência, da tortura, da barbárie que é uma tourada, uma novilhada, ou seja lá o nome que lhe queiram chamar.

 

Cada vez mais as pessoas se afastam da Igreja, e lá têm a sua razão.

 

Não foi este o exemplo que Jesus Cristo deixou.

 

Aqui deixo o meu veemente repúdio por esta iniciativa vergonhosa para a Igreja Católica Portuguesa.

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:57

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Sexta-feira, 2 de Abril de 2010

AQUELE HOMEM CHAMADO JESUS...

 

(Origem da foto: Internet)

 

 

Copyright © Isabel A. Ferreira 2010

 

Desde aquele longínquo dia, quando no alto do monte Gólgota, um Homem entrou em agonia, pregado numa cruz, entre dois ladrões, como se fosse o mais comum dos criminosos, os seguidores da doutrina por esse mesmo Homem deixada, celebram o acontecimento para lembrar ao mundo o significado daquela que não foi uma morte qualquer.

 

Não direi que todos os católicos celebrem a Páscoa tão levianamente como vivem a própria vida, salpicando de hipocrisias os mais insignificantes actos do seu quotidiano: dizendo-se cristãos mas agindo como pagãos.

 

Contudo, poucos são aqueles que, sendo cristãos, vivem de acordo com os preceitos do Cristianismo, isto é, segundo os ensinamentos deixados por Cristo, os quais têm o dom de fazer os Homens serem mais Homens, e conceitos como igualdade, fraternidade, liberdade e justiça, imprimirem um conteúdo mais humano à nossa vida.

 

Todos nós, uns mais outros menos, algum dia, damos um rumo à nossa existência, inspirados no exemplo de alguém que nos marcou por algum motivo, e que nos serviu de exemplo. Todos nós temos um ídolo, ainda que secreto.

 

Eu demorei a descobrir o meu ídolo, e era das que me gabava de não os ter. Hoje, sem ser fanática, tenho o Homem chamado Jesus, como um exemplo de vida, com a sua humildade, a sua simplicidade, mas também com a força para combater os vendilhões do templo, quando necessário.

 

Um dia, do alto de um Mosteiro sobranceiro à belíssima baía da Guanabara, no Rio de Janeiro, um monge ajudou-me a descobrir, ali mesmo, olhando as águas calmas da baía e o exuberante arvoredo que a rodeava; ouvindo o gorjeio das aves, que interrompiam, de quando em vez, os cânticos gregorianos que alguns monges entoavam no claustro; debaixo daquele magnífico azul de um céu onde não se via sequer uma nuvem – que a vida deve ser vivida de acordo com a nossa consciência, tendo sempre em conta que devemos amar o nosso semelhante como a nós mesmos, tal como o Homem de Nazaré amou o seu povo, por ele lutando e por ele morrendo.

 

Foi então que cresceu em mim um súbito interesse por conhecer, a fundo, esse Homem chamado Jesus, que tão profundas modificações trouxera ao poder estabelecido de Roma, transformações essas que fizeram tremer os poderosos governadores da Província e até imperadores.

Quem era, afinal, esse Homem?

 

Era acima de tudo um anarquista pacifista, no sentido político da palavra. Um Homem que, independentemente da sua condição divina, desafiara o poderio romano que escravizava o povo, e introduziu na Palestina conceitos de reformas sociais nunca sonhadas pelos senhores de Roma.

 

Jesus era também um idealista, considerando o mundo exterior como resultado das ideias, sem qualquer objectividade em si mesmo, tão-somente como a de um trampolim para alcançar um lugar junto do divino Pai.

 

Era Jesus um humanista, pois realçava, acima de todas as coisas terrenas, as qualidades essenciais do Homem, que o tornam uma criatura peculiar.

 

Jesus era igualmente um ecologista, porquanto não descurava as coisas relativas aos seres e ao ambiente que os rodeava.

 

Ele era, sobretudo, um Homem inteligente, um visionário, que conseguia ver muito para além do visível, e sabia usar toda a sua inteligência a favor do Homem, fazendo do amor ao próximo a essência de todo o comportamento das sociedades humanas.

 

...

 

A partir daquele dia, comecei a estudar a figura de Jesus e a tê-lo como um exemplo. E, de todos os grandes Homens que já existiram neste nosso Planeta, contribuindo com os seus conhecimentos e ensinamentos para o aperfeiçoamento da vivência humana, foi Jesus aquele que mais contributos nos deixou.

 

Foi ele quem descobriu a trilogia: Liberdade, Igualdade, Fraternidade (mais tarde utilizada durante a Revolução Francesa), afinal, os princípios que os Homens precisam pôr em prática para viverem a racionalidade que os distingue (ou deveria distinguir) dos outros seres.

 

Infelizmente a Paixão e Morte de Jesus, que hoje o mundo católico celebra, através de várias cerimónias religiosas, não serviram de exemplo para a grande maioria daqueles que se dizem cristãos.

 

Pelo que vemos, ouvimos e lemos todos os dias; pelas atitudes torpes perpetradas por aqueles que nos rodeiam; pelo ódio, pela violência e pela injustiça que nos envolvem, verificamos que, na realidade, nada ficou na memória dos Homens, daquele dia em que um Homem agonizou, pregado numa cruz, no Monte Gólgota.

 

Foram poucos aqueles que entenderam o verdadeiro significado daquela morte.

 

Como o mundo seria diferente, se todos os Homens recordassem, todos os dias, que aquele Homem chamado Jesus nos deixou a mais bela lição de amor ao próximo, que jamais nenhum outro Homem conseguiu igualar!

 

A sua morte aconteceu em vão, pois os homens, cegos pelo poder, nada aprenderam até hoje, e continuam a transformar o mundo num campo de extermínio de seres humanos e de seres não humanos, tal como os romanos agiam no tempo de Jesus.

 

...

 

Nesta Páscoa de 2010, espero que todos aqueles que vão sentar-se ao redor de uma mesa, no próximo domingo, a comer seja lá o que for, para celebrar, com pompa e circunstância, a Ressurreição de Cristo, reflictam bem nos seus actos e descubram quanta hipocrisia se esconde em cada fatia de pão-de-ló, em cada amêndoa, em cada iguaria que ingerem!

 

Não entenderam nada de nada!

 

Contudo, se nem Jesus Cristo conseguiu, quem sou eu para pretender que os homens maus se transformem em cordeirinhos da Páscoa?

 

Tomo, porém, a liberdade de considerar hipócritas todas aquelas pessoas que se dizem cristãs ou católicas, nas ocasiões festivas, e os seus actos do dia a dia mostram que nada sabem dos ensinamentos daquele Homem chamado Jesus, que há mais de dois mil anos nos deixou a mais bela lição de vida.

publicado por Isabel A. Ferreira às 13:31

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Segunda-feira, 25 de Agosto de 2008

Ética, Direitos e Valores Humanos

 

 
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(Origem da imagem: Internet)

 

 Copyright © Isabel A. Ferreira 2008

 
Quando me convidaram para fazer uma palestra sobre Ética, Direitos e Valores Humanos, numa Escola Secundária, não tive como não aceitar, uma vez que um dia ousei escrever um Manual de Civilidade, onde abordei esses temas, se bem que sob um ponto de vista muito pessoal, baseado mais na minha observação de comportamentos humanos ao longo de muitos anos, do que propriamente no saber livresco.
 
Depois de formulado o convite, pensei: como pude aceitar tal incumbência, eu que não sou propriamente especialista nestes temas? Eu, que sou apenas uma criatura que se interessa pelas coisas humanas? Porém, uma vez dada a palavra, repensei: qual a melhor forma de abordar o tema da Ética, dos Direitos Humanos e dos Valores Humanos para uma plateia de professores e alunos que, com certeza, já leram nos livros tantas coisas sobre a matéria?
 
Pus-me então várias hipóteses.
 
Poderia dissertar sobre a ética e os valores humanos ao longo dos tempos, que obviamente não foram sempre os mesmos desde os primórdios das sociedades organizadas, dependendo essa ética e esses valores, dos humores, mais ou menos sensíveis, humanitários e compassivos, dos poderosos de cada época, porque concordemos ou não concordemos, temos de admitir que a vida do homem e do planeta sempre girou à volta das vontades, boas ou más, daqueles que nos governam.
 
Ou poderia fazer um discurso erudito tanto quanto pretensioso, e citar os dizeres, os saberes e os pareceres dos grandes filósofos, mestres e pensadores, que estudaram em profundidade estas questões, correndo o risco de dizer o que todos já disseram.
 
Ou poderia ainda apresentar um historial desde os tempos do animal humano das cavernas, cuja ética e valores seriam os da sobrevivência imediata, a que vai da mão para a boca, numa tentativa de partilhar o mundo com os animais não-humanos, aproveitando, paralelamente, a generosidade da Natureza, nessa altura ainda exuberante, límpida, despoluída e fértil em todas as coisas, estendendo esse historial até à nossa era, à era das armas biológicas, químicas e nucleares, onde a sobrevivência do planeta está na ponta dos dedos de pouco mais de meia dúzia de poderosos, apesar de loucos, cuja ética assenta mais no conceito do destruir do que no do construir.
 
Poderia, por outro lado, abordar a ética nos seus múltiplos aspectos, envolvendo todos os actos humanos, quer a nível das profissões (todas as profissões e cada uma em particular têm a sua própria ética, embora nos tempos que correm essa ética tenha sido atirada ao caixote do lixo, e é o que se vê – cada um por si e ninguém por todos), ou a nível de todas as posturas do homem perante a vida e a sociedade, perante si e o outro, nosso semelhante, e ainda o outro, o nosso dissemelhante mas companheiro na aventura da existência (refiro-me às plantas e aos animais não humanos – não gosto de me referir a estes como irracionais, porque entre os animais ditos humanos, conheço muitíssimos que são, esses sim, animais completamente irracionais, e não é da minha ética misturar os conceitos).
 
Coloquei igualmente a hipótese de abordar os temas da actualidade que interferem com a ética do mais precioso valor humano: a vida, analisando as questões da manipulação genética das espécies animais e vegetais, da clonagem, do aborto, da eutanásia, que dava muito pano para mangas, e por muito que disséssemos e desdisséssemos, nunca chegaríamos a um consenso, pois cada cabeça, sua sentença. Se bem que a minha atitude perante todas as questões que impliquem a vida, a humana e a não-humana, é aceitar o que é natural e repudiar as manipulações, quaisquer que sejam, porque mais tarde ou mais cedo, a própria Natureza encarrega-se de colocar as coisas no exacto lugar ao qual sempre pertenceram. É ela que tem a última palavra. Não o homem manipulador. Sobre isto, poderia dar muitos exemplos, mas podemos ficar-nos pelo das vacas loucas e dos animais que são criados à base de hormonas, que os seres humanos ingerem, transformando-se eles próprios em carne tão balofa como toda essa criação.
 
Já reflectiram por que é que uma criança, hoje, de onze/doze anos é quase tão alta como os pais, quando não os ultrapassam? Por que crescem tão aceleradamente ou ficam obesas? Há estudiosos que dizem ser por causa das carnes injectadas de hormonas, e há crianças que só comem carne e gorduras de animais e tudo o que faz mal, mas não é proibido vender: o que faz crescer os animais faz crescer também os humanos, dizem os entendidos. E assim, por este andar, qualquer dia, num futuro não muito longínquo, teremos uma população gigante, mas muito, muito balofa, e pouco, pouco saudável. Mas tal perspectiva não impede quem de direito de proibir tais desmandos.
 
Poderia também falar dos valores no mundo contemporâneo que se diz estarem em crise. Mas os valores de todos os mundos antes do nosso, sempre estiveram em crise. Enquanto existirem homens, os valores humanos sempre estarão em crise. Jamais nenhuma geração esteve satisfeita com o seu procedimento ou com os seus valores. Sempre houve alguma coisa que se deixou por fazer. Muitas lutas que se deixaram a meio, e que as gerações seguintes retomaram, e que também não completaram. E assim, sucessivamente.
 
O que ontem foi, hoje já não é, mas amanhã poderá ser novamente, para tornar a não ser no dia seguinte. É que o mundo parece avançar, mas por cada três passos que o homem dá para a frente, recua cinco passos, e o que pensamos ser progresso, na realidade, é retrocesso. Nunca como hoje, a vida no Planeta esteve tão ameaçada, apesar de toda a tecnologia de ponta que o homem se gaba de ter inventado; mas é precisamente devido a essa tecnologia que o mundo está à beira de um imenso abismo, e, dizem os cientistas, mais do que aquilo que possamos imaginar.
 
Porém, em vez de prevalecer o bom senso e procedimentos racionais e inteligentes, temos os valores económicos a falar mais alto, em quase todos os campos. Nenhum país altamente industrializado está preocupado com o Planeta, e muito menos interessado em salvá-lo. Primeiro estão os bolsos dos que comandam as economias mundiais. E depois, lá muito depois, é que talvez possa ter-se em conta o buraco de ozono, a poluição, as éticas e os valores humanos e outras coisas que tais. Só que quem assim pensa, não é suficientemente inteligente para considerar que ser rico não serve para nada, a sete palmos debaixo de uma terra seca e destruída.
 
Poderia ainda falar dos Direitos do Homem, tão profanados nos países governados por ditadores, mas também nas democracias, apesar de se dizerem Democracias e Estados de Direito. Contudo, falar dos Direitos do Homem é falar de um assunto já muito gasto, tão gasto que quase já não faz sentido. Talvez tenha chegado o momento de inverter os discursos e falar nos tão esquecidos deveres e obrigações dos cidadãos. É que ao que vemos, parece que toda a gente tem todos os direitos do mundo, mas nenhuns deveres. Nenhumas obrigações.
 
Depois de ter considerado todas estas hipóteses, concluí: tudo isto, todos já sabem, já leram, já ouviram, já viram. O que me resta então dizer, para acrescentar algo de novo a um tema velho? Não encontrei nada de especial. Já tudo foi dito; já tudo foi estudado; já tudo foi repetido, vezes sem conta. Mas então o que dizer? Lembrei-me: e se aproveitasse alguns rasgos da minha experiência pessoal? Aqueles que vivi ao longo de vinte anos de prática de jornalismo de intervenção e de investigação, que me pôs diante dos homens, na sua mais profunda nudez de alma, e onde lidei com valores e desvalores, com direitos e violações de direitos, com abusos de poder, corrupção e corruptos, com a falta de ética, ao mais alto grau, mas também com a enorme capacidade do ser humano de ultrapassar as impossibilidades, as improbabilidades, as dificuldades e recriar-se, sobrevivendo num mundo feito à medida da demência dos poderosos, sustentada pela insanidade dos povos que mantém esses poderosos no poder: por vontade? por medo? por ignorância? Um pouco por tudo isto e por algo mais. Veja-se o caso de Adolf Hitler no passado, e de Saddam Hussein, até há bem pouco tempo. Castradores dos valores e direitos humanos idolatrados por multidões. Não se culpe apenas os maus, porque maus são também aqueles que seguem esses maus, e os aplaudem.
 
Não se consegue esgotar nenhum assunto, e eu não tenho a pretensão de esgotar o tema que me propuseram. Tenho por hábito abordar as matérias pela rama, deixando espaço para a reflexão de quem me ouve ou de quem me lê. Do género: o que é que ela quis dizer com isto? Se forem como eu, têm pretexto para ficarem um dia inteiro a pensar, a investigar, a ler e a chegar a conclusões próprias.
 
Ora é esta a proposta que vos deixo.
 
Até aqui, aludindo àquilo que poderia ter dito e não disse, mas ficou nas entrelinhas, penso que já deixei alguns pontos para reflexão: que mundo, este, o nosso? Que valores, estes, os nossos? O que queremos fazer de nós? Que mundo queremos deixar aos nossos filhos? Tudo isso está na nossa capacidade, e quando digo nossa, digo na capacidade dos educadores (pais, encarregados de educação ou professores) em ensinar aos jovens a raciocinarem, mais do que a obrigá-los a empinar matérias. E uma das muitas maneiras é começar por fazer-lhes uma pergunta simples, do género: «Se desaprovas que cuspam no teu prato de sopa, deves cuspir no prato de sopa de quem contigo come à mesma mesa ou na mesa ao lado?»
 
Esta é uma sugestão que deixei no meu Manual de Civilidade, logo no primeiro capítulo intitulado: Primeira Noção: O Respeito, que vai desaguar no preceito: não faças aos outros o que não gostas que te façam a ti. A esta noção voltarei um pouco lá mais adiante. É que ao colocar-se uma questão destas a um jovem, ele obrigar-se-á a um certo raciocínio, e a partir desse raciocínio poder-se-á fazer grandes voos no que respeita ao respeito a ter pelos outros seres, humanos e não-humanos, pelos seus direitos, humanos e não-humanos, e pelos valores intrínsecos ao homem.
 
A propósito, gostaria de rapidamente contar uma pequena curiosidade em relação ao Manual de Civilidade, onde, obviamente, não esgoto o tema da civilidade, ou do que eu penso ser civilidade, que implica uma ética do comportamento, o respeito pelos valores humanos, o cumprimento dos deveres e das obrigações de cada um, a exigência da observância dos nossos direitos, e a consideração a ter por todos os seres, nossos companheiros de existência no Planeta.
 
Era uma tarde de domingo do mês de Fevereiro do ano 2000, e eu havia acabado de ler o livro Os Génios do Cristianismo – Histórias de Profetas, de Pecadores e de Santos, do jornalista do Le Monde, Henri Tincq. A história das religiões, de qualquer religião, e o estudo das religiões comparadas foi sempre uma das minhas paixões, enquanto estudante de História. E a leitura deste livro, e particularmente a história dos nele denominados pecadores – os das guerras santas, os das fogueiras da Inquisição, os Papas e as suas vinganças, os do terror em nome de Deus (com paralelo hoje nos Bin Ladens que aterrorizam o mundo também em nome de Deus) e talvez por me encontrar, nessa altura, mais vulnerável às injustiças, porque havia sido vítima recente da arbitrariedade dos poderosos, revoltou-me relembrar que há homens que torturam homens em nome de valores que nada têm a ver com a nossa humanidade, e esta foi a gota de água que me fez concretizar a ideia que há muito vinha germinando dentro de mim: a de escrever um livro, onde abordasse a minha reflexão sobre o fenómeno humano da civilidade ou da falta dela, numa sociedade cada vez mais esvaziada de valores humanizados.
 
E, nessa mesma tarde, apontei num pedaço de papel os títulos daqueles que vieram a fazer parte dos capítulos do livro. Porém, antes de o publicar, dei o original a ler a um adolescente, tido como sobredotado. Ele aprovou o livro, mas disse-me, assim tal e qual: «Um livro destes tem de incluir os temas do sexo, do progresso e da modernidade. Sem eles isto fica incompleto». Meditei no que o jovem disse, e considerei. Na verdade o sexo tem a ver com direitos, deveres e ética. O progresso tem a ver com direitos, deveres e ética. A modernidade tem a ver com direitos, deveres e ética. O jovem tinha razão. Acrescentei-lhe esses três tópicos, e o livro continuou incompleto, mas não tão incompleto como anteriormente.
 
São pormenores como este que fazem as grandes diferenças entre as mentalidades. Penso que devemos ouvir as crianças e os adolescentes, conversar com eles sobre estes e outros assuntos, porque neles a questão da ética, dos direitos, dos deveres, das obrigações, dos valores, encontram-se no seu estado mais puro, sem os vícios, nem as imperfeições que os adultos, induzidos por um patético complexo de superioridade, introduzem no seu modo de pensar preconceituoso.
 
Ainda acerca do livro, tenho um outro rasgo de experiência, que penso ser interessante referir. Um dia, a directora de uma escola do ensino básico convidou-me para ir falar dos meus livros às crianças (eu na altura tinha apenas o Manual de Civilidade e A História Fantástica de Pepino). Mas antes, as professoras dessa escola adquiriram os livros para poderem trabalhar com os alunos, para estes saberem o que me perguntar, quando eu lá fosse falar com eles. Uma das professoras trabalhou então o conteúdo do Manual de Civilidade com uma turma do quarto ano, crianças dos seus 9/10 anos. Na altura da minha apresentação, estava diante de cerca de 30 crianças a fazer-me as mais diversas perguntas, sobejamente inteligentes, devo acrescentar. Uma delas marcou-me mais do que as outras, porque era interessantíssima e oportuna: era um menino, e perguntou-me: «Tu, que escreveste aquele livro, pões em prática tudo o que lá está escrito?»
 
Boa pergunta. E agora? O que responder?
 
Respondi-lhe então, o que devia responder: eu não sou perfeita; não sou uma super-mulher, mas claro que tento, na medida dos meus possíveis e da minha noção de humanidade, praticar tudo aquilo que escrevi com sentimento, de outro modo, não o escreveria, porque nunca poderia correr o risco que correm os políticos, que nos piscam um olho, como que a dizer: olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço. Não poderia ter escrito tudo o que escrevi naquele livro, se não acreditasse na minha filosofia e em mim própria. E este é o primeiro passo para a prática de uma ética comportamental. Devo respeitar-me primeiramente a mim, para ter condições de respeitar os outros.
 
Uma vez que falei nos políticos, a propósito, foi precisamente um político que me chamou a atenção para um pormenor comportamental que, à primeira vista, escapa à nossa análise. Ao entrevistá-lo sobre o direito que as populações têm de ver a sua cidade limpa de lixos, com contentores lavados, as ruas limpas, sem excrementos de cães; sobre o direito que o povo tem de ver realizadas as promessas que em tempo eleitoral são juramentadas com uma veemência muito persuasiva, o presidente da Câmara em questão disse-me: «Você vem aqui falar dos direitos do povo, mas... e os deveres do povo? O povo não terá o dever de cumprir as regras, as leis, as posturas camarárias? Há regras que devem ser cumpridas, como não deitar o lixo para as ruas, a qualquer hora do dia e fora dos contentores, limpar os excrementos dos seus animais, usando para tal os saquinhos espalhados pela cidade... etc., etc., etc. ...»
 
Na verdade o povo também tem deveres. E na maioria das vezes não os cumpre. Quando trata a direitos, aqui-del-rei que os têm todos e exigem-nos em grandes manifestações. Quando trata a deveres... o assunto muda de figura. Olha-se para o ar, como quem diz: «Isto não deve ser comigo…»
 
E daquela vez, talvez pela primeira vez, tive de dar razão àquele presidente de Câmara. Na verdade, nem sempre o que parece é.
 
Quando a Declaração Universal dos Direitos Humanos foi proclamada, ninguém se lembrou de chamar a atenção para a questão dos deveres. Tal documento deveria chamar-se Declaração Universal dos Direitos e dos Deveres Humanos, porque para cada direito, há um dever correspondente, do qual o homem se esquece frequentemente, porque não é explicitamente citado. E o que está oculto, não é lembrado.
 
Tomemos por exemplo o artigo 9.º, que diz: «Ninguém pode ser arbitrariamente preso, detido ou exilado». Ora a este direito corresponde o dever de: «Ninguém pode arbitrariamente prender, deter ou exilar alguém».
 
Chegada aqui, gostaria de contar um episódio dos mais interessantes que já vivi, nos meus anos de Jornalismo, e que tem a ver com o que acabo de dizer. Um dia estive detida arbitrariamente por breves 15 minutos, numa esquadra da polícia. Eu sabia que tinha o direito de não ser detida arbitrariamente, mas também sabia que o agente policial tinha o dever de não me deter arbitrariamente, por isso, solicitei-lhe que me facultasse uma determinada lei, que eu também tinha o direito de ver e ele tinha o dever de facultar. E isto tudo porque saí à rua em defesa de um trovador, que cantava às cinco horas da tarde, na principal rua comercial da cidade.
 
Um policial que por ali passava, entendeu que ele estava a fazer barulho e a incomodar os comerciantes e os transeuntes. Ora o trovador era o francês, Jack Deska, que cantava, belíssimamente, Joe Dassin e Jacques Brell. Assobiava divinamente, e as pessoas rodeavam-no absolutamente rendidas à sua arte. Tal como eu. Mas o polícia entendeu que ele estava a fazer barulho na rua e a incomodar, e a lei diz que não se pode fazer barulho na rua, nem incomodar (mas, nessa altura, só a partir da meia-noite). Meti-me na história, porque a considerei absurda, e disse ao polícia que os músicos de rua existem em todas as cidades civilizadas da Europa, e aquele estava a enfeitar a tarde, naquela artéria. A minha intervenção foi tida como arruaça na rua, e fomos os dois (eu e o trovador) parar à esquadra, a pé, escoltados por dois agentes, porque nos recusámos a entrar no carro da polícia, pois não nos considerámos criminosos, para entrar num carro policial.
 
O povo estava connosco, e seguiu-nos pelas ruas. Os agentes ouviram das boas. Já na esquadra, depois de nos termos identificado, o chefe apresentou ao cidadão francês um papel para este assinar. Eu fiz questão de o ler alto, pois o músico percebia mal o português, e ele tinha o direito de saber o que ia assinar. O que já deixou o polícia mal disposto. O que li era um absurdo e aconselhei-o a não assinar aquele termo de culpa, pois ele não tinha cometido nenhum crime público. O chefe da esquadra, abusando do seu poder, deteve-me imediatamente, por incitamento a desobediência à autoridade, dentro de uma esquadra da polícia. Eu conhecia a lei, e os meus direitos, e também os deveres do chefe da polícia, e os meus deveres. Então solicitei que me mostrasse a lei do ruído. E disse-lhe que quando saísse dali ia fazer queixa, aos seus superiores, da sua arbitrariedade. Cantar na rua às cinco da tarde, não fazia de ninguém um criminoso, por isso o cidadão francês, que não conhecia as nossas leis, não devia assinar um termo de culpa naqueles termos. Resumindo: o chefe da polícia esbravejou, mas a história acabou comigo e com o trovador, livres, fora da esquadra, quinze minutos mais tarde, sem grandes consequências imediatas, porque a história continuou mais tarde, e fez correr muita tinta. Mas naquele dia, foi o dever e a obrigação do agente policial e o seu abuso de poder, em confronto com os meus direitos e com os direitos do trovador, que estiveram em causa.
 
Por que refiro este episódio? Porque penso ser fundamental que todos conheçamos os nossos direitos e também deveres e obrigações, para podermos enfrentar as arbitrariedades num caso como este, e saber fazer ver às autoridades quais são os seus deveres, porque considero que a ignorância é a maior inimiga do ser humano, conforme exponho, num capítulo do Manual de Civilidade, dedicado a este cancro social – a ignorância, por isso, entendo que se deve investir mundos e fundos no Ensino e na Educação dos jovens, pois já lá dizia Voltaire: «Quanto mais esclarecidos forem os homens, mais livres serão», só que, ao que constatamos, os nossos governantes não estão interessados em que o povo seja esclarecido e livre, porquanto o ignorante não é capaz de contestar as suas arbitrariedades. Eis porque se investe tão pouco no ensino, na cultura, na educação.
 
Dir-me-ão, mas para cada direito está automaticamente implícito um dever, por isso, não é preciso falar-se em deveres. Na Declaração Universal dos Direitos Humanos, apenas no artigo 29.º se diz: «O indivíduo tem deveres para com a comunidade». E só. Mas que deveres? O dever de punir arbitrariamente? O dever de culpar? O dever de matar? O dever de aterrorizar? O dever de prender? O dever de guerrear? Que deveres? Este laconismo não serve os interesses dos cidadãos menos esclarecidos, e como ninguém nasce ensinado, é da Ética ensinar os que não sabem.
 
Penso que se falássemos mais nos deveres humanos do que nos direitos, o mundo seria um pouco mais equilibrado. E dentro desses deveres há um simples dito que poderia substituí-los e substituir todas as leis, todas as regras, todos os códigos, todos os castigos: e que é o preceito máximo utilizado desde a antiguidade por um ou outro líder religioso antes de Cristo e depois adoptado pelo próprio Jesus Cristo, que é: «Não faças ao outros o que não gostas que te façam a ti». Esta frase encerra e resume toda a Ética, todas as regras, todos os direitos, todos os deveres, todos os valores humanos e também não-humanos, e não seriam precisos nem polícias, nem leis, nem juízes, nem advogados, nem tribunais, porque cada um encarregar-se-ia de não maltratar o outro, simplesmente porque não gostaria de ser maltratado.
 
É esta regra que, como ser humano, tento seguir, e as leis dos homens não me dizem absolutamente nada. No Manual de Civilidade tenho um capítulo intitulado Ideias, Ideais e Ideologias, onde refiro que a minha lei, é a Lei Natural, porque é natural, que eu, como ser humano, me comporte de uma determinada maneira, de outro modo não poderei considerar-me um ser humano. Não sou daquelas que concordam com o ditame: errar é humano. Isso é um expediente para desculpar os erros do homem. Se errar é humano, então erremos, e estamos automaticamente desculpados. Mas será que errar é humano? Ponhamos a questão de outra maneira: será que é humano errar? Quando errar significa cometer um desacerto que prejudica terceiros, quartos e quintos? Não é, com certeza. Errar é desumano, quando quem erra insiste no erro. Quando muito, enganarmo-nos é humano. Ter um lapso é humano. Mas errar não pode ser humano.
 
Poderia estar indefinidamente a falar sobre tudo isto, mas como o meu objectivo é não esgotar o tema que me foi proposto, nem poderia, finalizarei com a leitura da primeira frase do epílogo do meu Manual de Civilidade: «Não me basta dizer sou um ser humano, preciso mostrar que o sou».

Isabel A. Ferreira
 
publicado por Isabel A. Ferreira às 15:43

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