Quarta-feira, 28 de Setembro de 2011

A TOURADA DO MIGUEL SOUSA TAVARES

 

 

 

 

 

(Um texto com o qual estou inteiramente de acordo, por isso aqui o transcrevo com a devida vénia)

 

 

Por Richard Warrell

 

«Caro Miguel Sousa Tavares,

 

Tenho um filho com 2 anos que está a começar aos poucos a aprender a fazer chichi no bacio.

 

No outro dia, a minha mulher sentou-o no bacio, na casa de banho, e ausentou-se por uns segundos enquanto o pequenito esperava que o chichi chegasse.

 

Eu, que estava na sala, comecei a ouvir um barulho que me era familiar, mas que não reconheci de imediato. Levantei os olhos e lá o vi, todo nú, barriga espetada para a frente, a fazer um enorme chichi para o chão da sala.

 

Não pode ser, não é? Peguei nele, ralhei e levei-o de imediato para a casa de banho, enquanto ele esperneava e estrebuchava por todos os lados. Aquele tipo de comportamento infantil que tanto o incomoda quando está num restaurante, onde ainda por cima já não o deixam fumar em paz, está a ver?

 

Conto-lhe isto a propósito da intervenção que fez na SIC, no Domingo à noite, sobre o fim das touradas na Catalunha. Creio que disse que era "um caminho da estupidez", comparou com a Casa dos Segredos (essa sim, verdadeira barbárie e selvajaria, disse o Miguel), disse que era falta de cultura querer a abolição, citou pintores espanhóis que pintaram touradas (AH!; se Goya pintou touradas, então está tudo bem!), usou aquele argumento típico que a "espécie" acaba quando acabarem as touradas, chamou ignorantes a quem não gosta delas e que não percebem nada da vida no campo...

 

Deixe-me só esclarecê-lo um pouco, mas nem me vou alongar muito que não tarda nada tenho uma fralda para ir trocar e isso é mais importante: a espécie Bos Taurus já existia muito antes das touradas e vai continuar a existir. Talvez se referisse a raça, mas também não existe uma raça "touros de morte", porque não cumprem as 3 regras básicas de uma raça: características morfológicas próprias, características psicológicas diferenciadores e descrição científica dessas características. O que existe sim, são fundos comunitários. E €2000 por cada touro. Informe-se, não lhe deve ser difícil. E nesse processo, veja quais as raças autóctones portuguesas estão realmente ameaçadas de extinção e ajude também a protegê-las.

 

Mas talvez tenha razão: torna-se complicado estes animais sobreviverem quando acontece o que aconteceu no outro dia em Idanha-A-Nova, onde a Direcção-Geral de Veterinária pediu a ajuda a elementos especiais da GNR para abaterem a tiro centenas de bovinos que pastavam em liberdade, numa herdade de dezenas de hectares, só porque o proprietário não os deixou verificar in-loco se os ditos animais respeitavam todas as regras de saúde pública que o ser humano acha que os animais "selvagens" têm de cumprir.

 

E depois vem a velha história da liberdade e do "não gostam, não vejam". Como se alguém tivesse alguma vez perguntado ao touro se ele queria ser retirado do seu habitat, enfiado numa camioneta durante horas (onde perde 10% do seu peso), ficar fechado outras tantas horas na praça de touros, ver as pontas dos seus cornos serem serradas a frio, ser picado, torturado, ficar sem comer nem beber e depois ser lançado numa praça, rodeado de gente aos berros que berra ainda mais de cada vez que um ferro de 4cm lhe perfura a carne. Não senhor, não gosto e não vejo. E assim como não fico de braços cruzados ao ver o meu filho fazer chichi no meio da sala, também não posso ficar perante a barbárie e a tortura gratuita a um animal.

 

No seu caso, vê-se que fica irritado por lhe limitarem a liberdade. Mas o seu discurso, a mim, faz-me lembrar o meu filho. Até parece que vejo o Miguel Sousa Tavares em pequenino, o Miguelito, de calções e meias até ao joelho, deitado de costas no chão, a espernear e a estrebuchar, porque não deixam o menino ver a tourada.

 

Mas olhe Miguel, vá-se preparando, porque com birra ou sem birra, esse dia há-de chegar.

 

PS - é mais que justo que deixe aqui um link para as suas declarações:

http://aeiou.expresso.pt/proibicao-de-touradas-e-o-caminho-da-estupidez=f676502

 

Até porque a causa anti-taurina precisa de mais momentos destes.»

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:45

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Comentários:
De John Soza a 29 de Setembro de 2011 às 22:36
Nunca li um texto tão estúpido. O Sousa Tavares tinha razão.
De Isabel A. Ferreira a 30 de Setembro de 2011 às 09:09
Pois não sr. John Soza.
O senhor não está habituado a ler, por isso não compreende o que se escreve nas entrelinhas, que por vezes é o mais importante.

É o caso deste texto. Que diz mais nas entrelinhas do que nas linhas e só pessoas que realmente SABEM LER podem entender.

Os outros, pois... consideram o texto "estúpido". Nada a fazer.
Leia mais, Sr. John Soza, para poder compreendernão só o que está escrito nas linhas, como nas entrelinhas.
De X a 6 de Outubro de 2011 às 19:47
Subscrevo o texto.
De Isabel A. Ferreira a 7 de Outubro de 2011 às 10:09
Obrigada poela sua passagem por aqui, e por ter se manifestado.
De João Macías a 3 de Julho de 2012 às 16:01
Porque é essa intolerância misturada de ressabiada agressividade? Quem não concorda com a vossa paranóia toca a insultar. Quem se julgam vocês afinal?
De Isabel A. Ferreira a 3 de Julho de 2012 às 18:07
João Macías:

Vou responder às suas questões como deve ser.

«Porque é essa intolerância misturada de ressabiada agressividade?»

Vem falar-me de intolerância e agressividade? Não somos nós que não TOLERAMOS OS TOUROS E OS CAVALOS E SOMOS AGRESSIVOS COM ELES. São vocês, os tauricidas e os que os aplaudem.

«Quem não concorda com a vossa paranóia toca a insultar».

Nossa PARANÓIA? Quando são vocês que são os paranóicos, psicopatas, que aplaudem a tortura de seres vivos com o maior desplante, e tiram PRAZER NISSO, abeirando-se ao deleite dos necrófilos?
Insultar? Sabe o que significa INSULTAR? Significa ofender alguém que se deveria RESPEITAR. Ora não havendo o que respeitar nesse alguém (ninguém pode respeitar quem aplaude a tortura de seres vivos), logo não existe INSULTO.

«Quem se julgam vocês afinal?»

Bem, vou falar APENAS por mim. Eu sou uma pessoa hipersensível, apelidada de HSP do termo no inglês Highly Sensitive Person. Possuo uma percepção elevada, podendo reconhecer pormenores e detalhes que passam despercebidos a pessoas comuns. Tal acontece, porque o meu sistema nervoso processa a informação de uma forma mais profunda e intensa. Esta diferença genética também pode explicar a forte intuição, a criatividade e mesmo a capacidade empática na facilidade em reconhecer emoções e estados de espírito noutras pessoas. E amo os animais humanos e não humanos como a mim mesma.

Eis o que sou.

E para terminar, quero dizer-lhe que o seu outro comentário vai para outro lugar, mais destacado. Aqui perder-se-ia na “multidão de palavras.
De João Macías a 3 de Julho de 2012 às 20:36
Sim, profunda Isabel. Os seus hiper-reactivos nervos. Devia tratá-los.
Nem me atrevo a fazê-la constatar que já tinha visitado o seu blog várias vezes e não me parece que alguém lhe ligue alguma coisa.


Adeus, boa sorte.
De Isabel A. Ferreira a 4 de Julho de 2012 às 09:11
Ora aqui está um comentário de quem anda muito distraído.

Profunda, serei.

Nervos hiper-reactivos? Não está a confundir com PROVOCADORA, que é isso que sou? Nervos? Não sei o que isso é.

Estou-me nas tintas se pessoas como você visitem ou não visitem o meu Blog.

Mas os números não enganam. E pelas centenas de e-mails e comentários que recebo (nem todos são publicáveis devido aos palavrões próprios dos que não tendo argumentos racionais explodem utilizando a vulgaridade dos imbecis) desmentem a sua observação despeitada.

Adeus, João Macías.
Veja se se acalma. Não se enerve você. Passe bem.
De Anónimo a 3 de Julho de 2012 às 20:45
P.S.: Ama tantos os animais que nem se preocupa com a sua inevitável extinção. Ah não sabia disto? Informe-se melhor então.

Amar os animais não é vê-los na televisão, nem ficar contente de os ver no zoológico.

Quanto ao resto do seu discurso foi a previsível diatribe habitual, pontuada de tiques fascistas de publicar só o que lhe interessa.

Não se canse a responder. Não virei aqui mais. Não se aprende grande coisa nem me parece que a senhora cheia de certezas esteja interessada no que quer que seja para além de vociferar e insultar. Passe bem.
De Isabel A. Ferreira a 4 de Julho de 2012 às 09:28
Ó anónimo escondido com o rabo de fora, esqueceu-se do recadinho final, João Macías?

Vou responder-lhe, porque sei que virá aqui espreitar. Só desta vez.
Quem lhe disse que não me preocupo ou que desconheço que há animias em extinção? Só um estúpido muito estúpido não saberia disso.

Já agora posso dizer-lhe que adorava que o animal homem predador estivesse em extinção. Esse sim. Não faz falta nenhuma ao Planeta, e seria um bem para todos os animais humanos e não humanos.

O que sabe do que faço fora deste Blog?

E está a ver? Quem lhe disse que gosto de Jardins Zoológicos? Deviam ser todos extintos. Os animias querem-se no seu habitat natural.

O resto do meu discurso... ai está. Os argumentos dos pobrezinhos de espírito são assim... só sabem dizer "seus facistas!"... No vosso vocabulário não existem outras palavras? Ou não sabem criticar um
texto com o qual não concordam?

No meu Blog mando eu. O texto do Miguel, não cabe neste lugar de comentáriuos. Merece melhor parangona, para eu poder discursar à vontade. Entendeu. Ontem não tive tempo. Hoje talvez tenha.
O Miguel quer publicidade, pois terá publicidade.

Gostei particularmente do último parágrafo do seu comentário.

Tenho pena que não aprenda nada. Nem todos conseguem. Mas o defeito não está em quem escreve, mas sim em quem lê. Que posso fazer?

Vociferar? Insultar? São palavras próprias dos que enfiam carapuças.
De Ricardo a 7 de Novembro de 2018 às 17:51
Concordo completamente com o texto do Richard Warrell.
Conheço-o e já trabalhámos juntos.
Quanto aos comentários do Jonh Soza e João Macias apenas lhes lembro que tanto é radical (como nos chamam) quem é contra as touradas, caça por divertimento e maus tratos aos animais como é radical quem é a favor destas práticas.
Com uma diferença:
Nós apresentamos argumentos válidos e universais e, aqueles, apenas respostas ofensivas e paleios tipo Helder Milheiro.
Força Isabel, e todos os que defendem os animais !!
De Isabel A. Ferreira a 8 de Novembro de 2018 às 10:19
Obrigada, Ricardo.
Eles (os trogloditas - gosto de os chamar assim, pelo nome, porque não tenho de ser politicamente correcta) não sabem, mas nós sabemos que estamos do lado certo da História.
De Maria Helena Capeto a 8 de Novembro de 2018 às 12:02
Há criaturas que pese embora pretenderem fazer-se passar por intelectuais, não passam, na minha humilde opinião, de meros broncos, coitados, trazidos para as supostas luzes da ribalta pelos que tremem de medo que os verdadeiros intelectuais e pessoas de cultura possam, ao ocupar o espaço mediático, pôr em risco a estrutura de incultura vigente. Daí termos estes personagens a debitar alarvidades que a maior parte das vezes são dignas, e somente, das maiores gargalhadas tal não é a enormidade do que dizem.
Não, não costumo ouvir nem ler tais criaturas Tenho demasiado apreço pelos meus olhos e ouvidos para me permitir submeter-se a tais avalanches de poluição. Já basta o que basta.
Em terras de gente pequena e mentalidade tacanha, realmente o usual é os broncos e ignorantes terem tempo de antena enquanto os cultos intelectuais são silenciados o mais possível, não vá o diabo tecê-las e ao fazerem-se comparações a "bronquice" comece a evidenciar-se em demasia...
É verdade que ser um intelectual culto não é para todos. Dá muito trabalho, é preciso ler muito, estudar muito, deixar a tacanhez de lado e permitir que a mentalidade se abra à evolução natural das coisas.
O intelectual culto não gosta de viver, e muito menos de se colocar em bicos de pés, à sombra de ninguém. O intelectual culto sabe que cultura não é um processo genético que passa de pais para filhos, o que é uma pena pois talvez não assistíssemos a tão tristes e ridículas figuras.
Já agora, e como tal criatura se permite chamar de ignorantes quem defende o fim das touradas e outras barbáries, não vou deixar-lhe aqui nenhuma lição instrutiva (como fez o senhor do texto citado nesta publicação), até porque lições são para quem quer aprender e não para aqueles que, pese embora a ignorância reine soberana, estão convencidos que tudo sabem, mas o simples conselho de que cuide da flagrante ignorância tanto neste assunto como em outros. Ser-lhe-ia deveras salutar e pouparia muita poluição auditiva e visual, o que num momento em que o planeta (que se encontra a atravessar uma agressiva extinção em massa) precisa de toda a nossa atenção qualquer medida anti-poluição é uma excelente medida.
De Isabel A. Ferreira a 8 de Novembro de 2018 às 14:48
Maria Helena, não resisti, e destaquei este seu comentário fabuloso.

Obrigada, pelo seu precioso testemunho

Está neste link:

«SER UM INTELECTUAL CULTO NÃO É PARA TODOS…»

https://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/ser-um-intelectual-culto-nao-e-para-842922

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