Sábado, 25 de Junho de 2011

Touradas nos Açores

 

 

 

Em Espanha já se diz BASTA! Em Portugal, insiste-se na BARBÁRIE...

 

(A barbárie um dia tem de se esborrachar contra uma parede, ou cair a um precipício, para acabar de uma vez por todas. IAF)

 

Por D. M. Santos

 

A barbárie e a corrupção continuam

 

As touradas, máxima representação do sadismo institucionalizado com animais, vão desaparecendo progressivamente de todos os países onde até agora eram consideradas uma tradição. Na Espanha já foram proibidas em duas regiões: as ilhas Canárias e a Catalunha, e em muitos municípios espalhados por todo o país. No Equador, como consequência dum recente referendo popular, foram proibidas em quase todas as suas províncias. Na Nicarágua, não sendo banidas, a lei exige agora que os animais não sofram qualquer dano, devendo os touros estar munidos com umas protecções especiais. Outros países proibiram as touradas no passado, como o Uruguai. E mesmo aqui, em Portugal, a maioria das pessoas (56,1%) é já contra a realização de touradas.

 

Os Açores, no entanto, parecem ser o único lugar do mundo onde este tipo de barbárie, longe de ser combatida, é fomentada e acarinhada pelas instituições públicas. Nas últimas décadas, por exemplo, a realização de touradas à corda na ilha Terceira quase que duplicou. E o número de touradas não tradicionais é já superior ao de touradas tradicionais, o que demonstra que o que está em causa não é a manutenção duma tradição. O que está em causa é uma opção decidida de fomento deste tipo de espectáculos, que são tão degradantes para as pessoas que os realizam como para os animais que os sofrem.

E este fomento, mesmo numa época de crise e ajustes orçamentais, traduz-se numa enorme quantidade de dinheiro público que é desviado para esta indústria mafiosa: 150.000 € do governo regional para um monumento ao touro, 4.500 € da câmara de Angra do Heroísmo para apoio a uma associação tauromáquica, 3.500 € da Secretaria Regional de Economia para apoio a uma tourada à corda… Com montantes conhecidos ou não conhecidos, os exemplos multiplicam-se.

 

O mais recente acto de glorificação institucional desta indústria aconteceu recentemente, no mês de Maio, em Lisboa. A grande festa da tauromaquia açoriana conseguiu levar à praça do Campo Pequeno mais de 1.500 terceirenses, incluindo touros, ganadeiros, forcados e bandas filarmónicas. E tudo isto num dia útil, com pessoas faltando ao seu trabalho. E claro, lá estava o presidente do governo regional, em época pré-eleitoral, a presidir o vergonhoso espectáculo. Ainda que o homem, coitado, acabou por ser vaiado pelos assistentes: não calculou que, com a excitação e o cheiro quente do sangue, os aficionados iam lembrar-se do seu passado voto contra a legalização da sorte de varas.

 

Mas, apesar destes sobressaltos, a ligação do poder institucional com o negócio da tortura animal continua muito saudável. Neste ano, as comemorações do Dia da Região, organizadas pela presidência da Assembleia Regional e pela presidência do governo, incluíram uma tourada à corda. As altas personalidades da região, dando mais uma vez o exemplo, transmitiram a mensagem de que os animais, se estão neste mundo, é para poderem ser maltratados e torturados. E este exemplo ainda continua com o apoio do governo à Rota do toiro (um projecto turístico destinado a afugentar os turistas), os perto de 400.000 € gastos cada ano pela câmara de Angra em touradas de praça ou as repetidas tentativas de levar touradas a outras ilhas onde não existe essa tradição.

 

O mundo evolui. Mas os Açores, à margem do mundo civilizado, regridem com grande orgulho e entusiasmo dos seus governantes. A barbárie e a corrupção continuam…

 

Assino por baixo: Isabel A. Ferreira

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:19

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Comentários:
De Dutra de Lacerda a 27 de Junho de 2011 às 12:52
A imagem que se vê é de Espanha.

A dos Açores é libertação do touro, e a violencia é contra as pessoas que se atravessam no caminho, pelo que uma corda o segura, para não o touro não matar alguém.

Ficou a demagogia como desafio, obstáculo, para cada um aprender a discernir, ou sucumbir.
Vai-se sucumbindo, na escolha da imagem, e palavras.

---

Que confundir a Tourada barbara Espanhola, com actividades distintas que carregam o mesmo nome, involuntáriamente, é escravidão.

É escravidão à palavra, como confundir a Alemanha Nazi com a Suécia Democrática por partilharem a casualidade de serem Nórdicos! Estaremos num asilo?!?

Quando é que as pessoas despertam do seu topôr verbalista?

Ou é expressão de violência contida?

De facto, assemelha-se ao espirito da inquisição, dos que querem ser santos a perseguir indiscriminadamente os cristãos, acusando-os de estarem endemoinhados.

Que o demonio não é o seu alvo, mas os cristãos perto.
De Isabel A. Ferreira a 27 de Junho de 2011 às 14:24
Dutra de Lacerda:

A imagem que se vê é de Espanha. Sim! E está lá propositadamente, para MOSTRAR que em Espanha já de diz BASTA AO MASSACRE DE TOUROS! E em PORTUGAL continua-se a insistir na BARBÁRIE, que cá não é mais branda do que lá. Não tente tapar o sol com a peneira. Sabemos o que fazem aos Touros antes e depois do massacre.

TORTURA É TORTURA em qualquer lado.

Desafio-o, Dutra de Lacerda, a convencer-me de que MASSACRAR TOUROS, SANGRAR TOUROS CRUELMENTE (ele é tão de carne e osso, quanto o Dutra e tem um sistema nervoso central, como o Dutra, e sente DOR tanto como o Dutra, e sangra como o Dutra sangraria se lhe espetassem nos costados umas farpas) é uma FESTA. É CULTURA. É um espectáculo CIVILIZADO.

Dê-me argumentos convincentes (e não um jorro de palavras sem sentido). Convença-me de que espetar farpas num Touro é como fazer-lhe uma carícia. E o Touro até gosta.

Convença-me, Dutra Lacerda, que a crueldade sobre um ser vivo é algo sublime. E eu darei o meu braço a torcer.
De Dutra de Lacerda a 29 de Junho de 2011 às 22:34
>TORTURA É TORTURA em qualquer lado. Desafio-o, Dutra de Lacerda, a convencer-me de que MASSACRAR TOUROS

Tontice, claro que não.

O que denuncio é a pervercidade que se esconde em:
> E em PORTUGAL continua-se a insistir na BARBÁRIE

Quando em Portugal isso foi proibido à 200 anos, e muita gente parece desejar o contrário.
Mas conseguiram um lei de excepção, que o permite, por causa de tais mentiras. (Não queriam se acusados "à toa).

Não há honestidade, há espirito inquisitorial.
E distorção de tudo que lhe seja adverso. Mesmo violenta, porque as verdadeiras razões se escondem.
De Isabel A. Ferreira a 1 de Julho de 2011 às 10:26
Dutra de Lacerda:

EM PORTUGAL CONTINUA a INSISTIR-SE NA PERVERSIDADE. UMA VERDADE COMPROVÁVEL.

Não conseguiu desmentir-me.
Não conseguiu convencer-me de nada.

O que aconteceu há 200 anos (refere-se à proibição do Massacre de Touros pelo Marquês de Pombal) não é para aqui chamado, uma vez que não está a cumprir-se esse decreto.

Desafio-o a desmentir-me.
Desonestidade existe por parte de quem hipocritamente diz que gosta de touros, mas faz deles um "brinquedo" e fere-os de morte.

E o resto da sua conversa, com diz a treta com a careta.

DESAFIO-O, Dutra de Lacerda, a fazer-me mudar de ideias em relação ao Massacre de Touros, com argumentos que me convençam de que isso a que chamam "festa brava" é CULTURA, é CIVILIZAÇÃO, É EVOLUÇÃO, é ALEGRIA, é um ACTO HUMANO...
De Dutra de Lacerda a 7 de Julho de 2011 às 00:46
Oh mulher,
Vá para Espanha.
Espanha precisa de si e voçê precisa de Espanha.
As matanças que a entusiasmam... são lá!
Entendeu?

Ou sou eu que não entendi o que a perturba?
Chiça...Não há pachorra!
De Isabel A. Ferreira a 7 de Julho de 2011 às 16:51
Dutra de Lacerda!

Poderia não colocar este comentário no meu blog.

Mas faço questão de o publicar. Sabe porquê? Porque ignorância tem limite. E a sua já passou desse limite.

Como pode entender o que quer que seja, se não sabe interpretar o que se escreve? Não tenho a mínima culpa disso.

Outra coisa: se não tem pachorra, NÃO venha ao meu blog ler os meus posts. Não é obrigado.

Ah! E mais uma coisa: o desafio que lhe fiz continua válido, mas ao que parece, como nem entende o que se escreve, como poderá ter argumentos para fazer as pessoas mudarem de ideia contra o MASSACRE DE TOUROS.

Aqui ou na Espanha, a pé ou a cavalo, com morte ou sem morte na arena, com cordas ou sem cordas, com largadas ou sem largadas, o MASSACRE é VISÍVEL a olho nu.

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