Sexta-feira, 28 de Maio de 2010

UMA HISTÓRIA SINGULAR

 

 

Vou partilhar com os leitores do Arco de Almedina uma história singular, passada comigo, no Facebook.

 

Partilho-a porque além de singular é inacreditável, partindo de quem partiu: um escritor brasileiro, de 46 anos, oriundo de São Paulo, com um livro recentemente publicado, e muitos outros. E estas coisas devem ser partilhadas, para memória futura.

 

No Facebook o sujeito é “amigo” de algumas editoras portuguesas, das quais também sou “amiga”. Até aqui, nada de mais.

 

Ora, uma dessas editoras, colocou na sua página do FB a capa de um determinado livro e a seguinte frase: Todos nós procuramos a felicidade. Mas o que poucos sabem é que… todos nós já somos felizes!

 

Comentei a frase (como é meu hábito), dizendo que tal era uma grande verdade; de seguida uma outra senhora comentou também algo idêntico, e depois o tal sujeito escreveu: «A felicidade é irrelevante».

 

Perante tal “irrelevância” da felicidade fiquei curiosa, e sem procurar saber quem tinha proferido tal frase (aprendi com isto que nunca devemos meter-nos com quem não conhecemos, apesar de ser amigo do nosso amigo), fiz-lhe uma simples pergunta: «Se a felicidade é irrelevante, o que é relevante?» Respondeu-me o sujeito: «Conhece-te a ti mesma».

 

A partir daqui, como gosto de trocar ideias, e pensando eu que estaria a dialogar com um HOMEM inteligente, continuei a conversa dizendo que conhecer-nos a nós próprios também era muito importante, mas a felicidade...

 

Como resposta obtive este discurso:

 

«Conhecer a si mesma não é apenas muito importante.
É TUDO O QUE REALMENTE IMPORTA!
Porque quando você detém o conhecimento pleno e completo sobre si mesma, pode perceber que a tal "felicidade" nada mais é que marketing pra vender livros.
Ou pra iludir especialmente as mulheres, sempre tão emotivas.
Pois não existe "felicidade"....

Nem “infelicidade”.

Existe você perante a si mesma e sua eterna luta contra seu Ego.

Quem quer ser feliz é o Ego e ele não é você.»    

  

Bem, continuei a divagar sobre a questão, discordando do marketing para vender livros e insurgindo-me quanto à emotividade da mulher, blá, blá, blá...

 

 O sujeito começou então a descambar e escreveu o seguinte:

 

«A mulher é moldada e criada para ser emotiva. E submissa, escrava, prisoneira, etc.
Mas incentiva-se a emotividade feminina exatamente para lhe vender produtos, como este livro, por exemplo.
Fossem as pessoas mais dedicadas a DESCONSTRUIR essa imagem de "mulher", livrando-se dessas frases feitas, tipo "o importante é viver"...
Certamente estaria mais próxima de compreender a si mesma descartando todo esse entulho mentiroso e falso que lhe fui imputando
».

 

Pasmei. Banzei-me! Reagi, a tal absurdo, e disse-lhe que o que havia escrito só podia ser conversa de treta, ou estava a gozar com a minha cara.

 

Só então me apercebi de que o sujeito não devia regular bem da cabeça, e decidi que não iria dar-lhe mais conversa.

 

Só que, à minha reacção, o sujeito escreveu:

 

«Mimimi, tchutchutchu, bububu!
Bata o pezinho agora, bata!
Não faça assim senão tu vais fazer naninha sem comer tua papinha!
ÔÔÔÔ, que coisinha mais dindinha de nenê!
Né, nenê di lindinha?... 

Cadê a lindinha do papai, cadê?

...

Anta.»

 

(Saliente-se que anta no Brasil significa pessoa estúpida).

 

Pasmei ainda mais. Que grande ingénua! Então fui procurar saber tudo sobre o fulano (a linguagem da sua página no Facebook é de uma baixeza, impressionante), e continuei a surpreender-me, pois o tal era um escritor brasileiro, editor, e lá nos entretantos, dizia-se anarquista (uma verdadeira ofensa para os verdadeiros anarquistas que não têm nada a ver com bandalheira). 

 

(Um parêntesis para dizer que outro dia, tive de bloquear um “amigo” no Facebook, que também se dizia anarquista, e era tudo menos isso).

 

Continuando.

Depois disto, decidi nunca mais trocar conversa com desconhecidos.

Ainda hesitei: respondo, não respondo?

 

Contudo, acabei por responder o seguinte: «Pensei que estava a “esgrimir” ideias com um HOMEM. Enganei-me. Acontece».

 

Este comentário foi retirado. Claro! Com certeza, denunciado.

 

Então decidi retirar os meus. Claro!

 

E o sujeito ficou com os dele, que sem os meus, não têm qualquer nexo.

 

Como tenho este feitio “refilão”, escrevi-lhe uma mensagem (não pública) a dizer-lhe das minhas.

 

E ele respondeu que era descendente de portugueses e era assim (completamente idiota – este  aparte é meu), por culpa dos “meus” antepassados. Se quisesse culpar alguém, que os culpasse a eles.

 

Depois continuou a dizer disparates que não posso aqui reproduzir por serem impróprios.

 

Aquela frase da descendência, porém, disse-me tudo: outro brasileiro preconceituoso que nunca soube reconciliar-se com o seu passado e tem vergonha do que é e do seu presente, nada tendo contribuído para a grandeza do povo brasileiro, depois da sua independência. Um fracassado. Um frustrado. Apesar de escritor.

 

Espero que o livro deste sujeito não seja publicado em Portugal, pois, se o for é mais uma daquelas injustiças que se cometem contra os portugueses que querem publicar e não lhes dão oportunidade.

 

Agora, que anda no ar o programa «CÁ e LÁ», na RTP2, onde se quer mostrar as diferenças e as semelhanças entre o Brasil e Portugal, é bom que se conclua que ainda há muito que fazer no Brasil, para que os portugueses sejam respeitados como um povo que colonizou o Brasil dos indígenas, sim, mas não é um povinho qualquer...

 

http://www.facebook.com/home.php?#!/jrp64

 

 

http://www.facebook.com/home.php?#!/profile.php?id=100000065029919

  

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:57

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