De Ricardo a 3 de Julho de 2013 às 23:55
Forcados? Símbolo nacional? Então por essa ordem de ideias também devíamos incluir o pastel de nata, as tripas à moda do Porto e os pauliteiros de Miranda.
Meus senhores, na lista de actividades ou produtos que distinguem o nosso país dos restantes, a tauromaquia (e forcados incluídos como é óbvio) nem sequer se encontram. E porquê? Porque são actividades que, além de minoritárias, denigrem o país e passam uma imagem de eterna labreguice à qual a grande maioria dos portugueses não se identifica.
O fado é único. O vinho nem por isso (ao contrário do fado, muitos países possuem excelentes vinhos) mas é dos melhores do mundo. Eu não gosto de fado mas compreendo quem goste. Mas gosto que este seja usado como cartão de apresentação de Portugal. Mostra que nós somos um país de gente com sentimento, criatividade e personalidade marcante. Já o vinho mostra que além de um clima propício, possuímos a destreza e a habilidade para criar um produto de alta qualidade. E as touradas? O que é que uma actividade altamente contestada pela maioria da população mostra? Isso mesmo! Que vivemos num país corrupto, em que a vontade da maioria é repetidamente ignorada para beneficiar uma minoria corrupta. Mostra ainda que não temos qualquer respeito pela natureza e retiramos prazer do sofrimento alheio. E quanto aos forcados? Queremos mesmo vangloriar um bando de terroristas que primam pela falta de educação, respeito e coragem? Ninguém com um Q.I acima de 20 pode concordar com esta descrição do povo português. Mais do que injuriosa e prejudicial, é FALSA! Aplica-se apenas a uma minoria não representativa e destinada à extinção.
O português que anda lá fora, ao qual esta descrição é invariavelmente aplicada, é um português educado, respeitador e normalmente inteligente.
Estes são os portugueses que interagem directamente com outras culturas e pessoas, e consequentemente serão prejudicados por uma associação implícita a uma actividade que abnegam. Deve haver aficionados no estrangeiro mas duvido seriamente que tentem sequer aprender outra língua, quanto mais criar amizades (o português já eles esquartejam cada vez que tentam escrever, quanto mais o inglês ou outra língua).
O grande problema é que os aficionados raramente visitam outros países. E quando o fazem nunca se tentam sequer integrar nessas sociedades (seria cómico, no mínimo). Se o fizessem, rapidamente se dariam conta da má imagem que Portugal têm lá fora à conta da tauromaquia. Rapidamente se veriam cercados de todos os lados por pessoas a tentar compreender como é que eles se podem comportar assim (um pouco como já acontece em Portugal). Se calhar pensam que os estrangeiros que todos os anos são enganados a entrar na praça de touros de Albufeira e Campo Pequeno vão publicitar esta "arte" nos países de origem? Os aficionados são muito nacionalistas mas não pensam duas vezes antes de fechar as portas ao investimento estrangeiro. São tão desprovidos de inteligência que devem achar que conseguem abater a dívida pública com meia dúzia de touradas de "beneficência".
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