Terça-feira, 19 de Janeiro de 2010

AINDA A TRAGÉDIA DO HAITI

 

As crianças são quem mais sofrem, inocentes, o futuro...

 

Copyright © Isabel A. Ferreira 2010
 
É inconcebível o que está a passar-se no Haiti.
Um povo, gente simples...
Como puderam os governantes deixarem um país ao abandono, ao ponto de, por ocasião de uma catástrofe desta dimensão, não haver serviços, ou uma qualquer organização interna que pudesse prestar um apoio imediato, logo após o terramoto, e quando chegassem, como estão a chegar, as ajudas humanitárias de toda a aparte do mundo, haver quem coordenasse essa ajuda, para que as coisas pudessem funcionar mais acertadamente?
Onde estão as autoridades haitianas? Governantes, ministros, polícia, bombeiros, médicos, protecção civil? Onde estão? Todos mortos? Como pôde um Governo deixar chegar um país a um nível tão caótico, mesmo antes da catástrofe?
O que andaria a fazer René Préval? A passear-se pelo seu belo palácio?
Será que é legítimo o mundo ficar indiferente ao que se passa nestes países onde os governantes se governam, mas desgovernam o seu país?
O povo é frágil, pobre, desprotegido, analfabeto, o que fazer contra os governantes que os abandonam? Em nome de quê?
Se o Haiti fosse um país bem organizado, bem governado, esta tragédia não teria a dimensão que está a ter: absolutamente inconcebível! Intolerável!
Chegou o momento de reflectir o mundo: é legítimo deixar um povo apodrecer por falta de governação?
Como o Haiti, quantos outros pequenos povos pobres existem por aí? Governados por indivíduos bem alimentados, enquanto o seu povo morre de fome.
Será legítimo não se interferir nessas governações, para salvar os povos desprotegidos dessa miséria, inexplicável em pleno século XXI? Enquanto outros sofrem de obesidade?
Sempre fui adepta de um ditado chinês (os antigos chineses eram sábios, os actuais nem tanto) que diz: «Se vires um homem com fome, não lhe dês um peixe, ensina-o a pescar».
É isso que os povos pobres do mundo precisam: que os ensinem a sobreviver, que lhes dêem meios para sobreviverem. Andar a fazer caridadezinha não resolve os problemas deles, apenas lhes mata a fome imediata. Mas continuam pobres e famintos no dia seguinte. E no outro, e no outro...
O problema de fundo não fica resolvido.
Por que se faz tanta questão de andar a guerrear (gastando-se verbas astronómicas) e não se faz questão de ajudar esses povos pobres a serem autónomos economicamente? E os refugiados, que vivem em campos à espera da tal caridadezinha, anos a fio... por que não ensiná-los a pescar?
O mundo anda às avessas. Quem pode e manda, mostra que manda, mas o que faz não chega para que as coisas mudem.
Espero que a tragédia do Haiti faça acordar o mundo para uma nova ordem. A que existe, está ultrapassada. Está gasta. Está podre. Não serve a Humanidade. Os Grandes juntam-se, aqui e ali, comem, bebem, conversam, para que tudo continue igual. É tudo uma grande farsa.
É chegada a hora de MUDAR.
publicado por Isabel A. Ferreira às 15:59

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Comentários:
De francisco a 19 de Janeiro de 2010 às 19:15
Pois, os vizinhos yanques têm muita responsabilidade na degradação e fragilidade actual do Haiti. Agora, bem podiam tomar aquilo em mãos e redimirem-se da sua escandalosa actuação.
De Isabel A. Ferreira a 20 de Janeiro de 2010 às 10:29
Sim, Francisco, esperemos que algo mude, mas tenho as minhas dúvidas. Dos pequenos não reza a História. Apenas os grandes têm lugar assegurado neste mundo, cujos valores estão já apodrecidos. Um dia tudo reduzir-se-á a cinzas.

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