Domingo, 15 de Fevereiro de 2026
Amanhã, 16 de Fevereiro, celebrar-se-á o 99º aniversário do seu nascimento, no ano de 2027
Uma vez mais, aqui quero deixar um testemunho do meu apreço, por esta que também considero uma das maiores estilistas da Língua Portuguesa, do meu tempo.

Em sua honra, escrevi o livro «Luísa Dacosta – “no sonho, a liberdade...”» sobre a sua vida, a sua obra e o seu pensamento, lançado no “Correntes d’Escritas, na Póvoa de varzim, no dia 16 de Fevereiro de 2006, dia do seu 79º aniversário natalício.
E esta foi a minha prenda de anos para Luísa.

Em «Luísa Dacosta – «no sonho, a liberdade…» prestei o meu tributo àquela que é reconhecida, pelos estudiosos, e também por mim, como uma das maiores estilistas da Língua Portuguesa, do século XX, e, no entanto, tão mal-amada pelos seus editores, tão pouco divulgada, nos órgãos de comunicação social, tão afastada das montras das livrarias, o que constitui um verdadeiro insulto à Cultura culta.
Ainda assim, todas as palavras já foram ditas, sublinhando a sua qualidade literária e a sublimação que nos provoca a leitura das suas obras.
Entrei no universo de Luísa Dacosta pelos anos 80, depois de ler «A-Ver-o-Mar – Crónicas», um livro que me foi oferecido por um amigo comum, Manuel Ferreira Lopes, então director da Biblioteca Municipal da Póvoa de Varzim, falecido em 14 de Agosto de 2006.
Manuel era o mais dedicado amante da prosa de Luísa, e conseguiu transmitir-me esse entusiasmo, ficando eu, também prisioneira das palavras luminosas da autora de «Nos Jardins do Mar», talvez o livro mais representativo da sua prosa poética, um mergulho em águas míticas, onde um amor verdadeiro, ainda que improvável, acontece…
Um dia, Manuel apresentou-me Luísa, e a partir de então formámos uma tríade, assente em afectos e partilhas. Com Manuel, entrei pela primeira vez no ninho das palavras de Luísa, o moinho de A-Ver-o-Mar, onde os fotografei em amena cavaqueira, depois de um almoço delicioso, confeccionado pela própria Luísa, aliás, uma excelente cozinheira – polvo frito, à moda de Trás-os-Montes, província da sua origem.
Depois de almoçar, percorremos, os três, a praia, vazia, imensa, com o mar a embalar-nos os sentidos. A conversa fluiu e de tudo um pouco falámos. E a trindade fez-se una.
Depois dessa primeira vez, muitas outras vezes regressei ao moinho, e de todas as vezes, consenti-me confundir com as personagens de Luísa, para melhor me aninhar naquele útero, onde foram geradas as mais belas palavras com sabor a sal.
Foram muitas também as vezes que nós os três viajámos até à Galiza, hospedando-nos no Mosteiro de Oseira, onde Luísa, eu e Manuel Lopes, aproveitávamos o silêncio e a paz dos claustros para ultimar as nossas escritas.
Com Manuel e o seu entusiasmo contagiante, acompanhei o percurso literário de Luísa a partir de 1984. Ambos partilhávamos o seu afecto e a paixão pelas suas palavras, e as nossas conversas, por muitas voltas que dessem, acabavam por envolver Luísa e a nossa grande mágoa de a ver tão distante das luzes da ribalta, enquanto outras autoras eram largamente divulgadas, dando-se relevo à mediocridade e à incultura, num país já de si tão culturalmente pobre.
No dia da morte de Manuel, em 14 de Agosto de 2006, Luísa e eu visitámo-lo na clínica onde foi internado de urgência. Não nos encontrámos, por escassos quinze minutos. Mas ambas estivemos lá, nos últimos momentos do nosso amigo comum. Ele não pôde ver-nos, com os olhos físicos, mas sentiu, com toda a certeza, a nossa presença, naquele quarto, onde a sua alma já pairava sobre ele, recebendo o nosso adeus silencioso.
Escrevo estas linhas como se fossem também as de Manuel, para celebrar o seu 99º aniversário, como sei que ele gostaria.
Nunca se diz o suficiente sobre alguém que tem uma obra escrita com palavras cerzidas como quem faz renda de bilros.
Contudo, quero deixar aqui apenas o testemunho de um afecto e um recado, para si, querida amiga: quando se percorre tão intensamente, durante uma vida, todas as voltas de um destino, e se escreve uma obra tão magistral, como é a sua, olha-se para o futuro como se ele fosse eterno, e para o passado como se ele começasse ontem, porque hoje, a vida continua a ser, se a deixarmos fluir…
Isabel A. Ferreira
Luísa Dacosta:
N - 16 de Fevereiro de 1927, Vila Real
F - 15 de Fevereiro de 2015, Matosinhos
Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2026
Texto © Isabel A. Ferreira

Imagem retirada da Internet
Hoje é sexta-feira, dia 13 do mês, que calha ser o de Fevereiro.
Hoje, no mundo obscuro dos ignorantes, torturam-se e matam-se gatos pretos, porque o gato preto está conotado com “demónios” que só existem no crânio vazio de pessoas acéfalas.
E tudo começou no tempo em que as trevas dominavam o mundo.
Acreditava-se então, que uma velha, muito velha, carcomida, má e feia, tida como bruxa, e que vivia numa gruta isolada, no meio de um monte, necessitava de comer a carne de gatos que fossem sacrificados às sextas-feiras, em sua honra, para evitar que ela, a velha, não saísse pelas povoações, nas noites sem lua, e lançasse feitiçarias aos homens, tornando-os impotentes, pois ela, a velha, acreditava que os esqueletos dos gatos deste modo sacrificados, e comida a carne deles, lhe dava (à velha) a garantia da longevidade, por ela tão ansiada.
E como já naquele tempo, o cérebro dos homens, com problemas de virilidade, estava alojado entre as virilhas (como nos mostra esta espectacular escultura), todos os homens das povoações ao redor do monte da velha, apressavam-se a sacrificar todos os gatos pretos que encontrassem pelos caminhos, nas noites de sexta-feira.

Mente Masculina - Escultura de Yoan Capote
Contudo, por mais gatos que matassem, os homens que tinham problemas de virilidade, continuavam impotentes, e a velha ria-se, com uma boca de um dente só.
Até que se gerou uma pequena revolução, e então a velha disse, que a matança dos gatos só resultaria se os homens os matassem a uma sexta-feira, dia 13 de um qualquer mês.
E assim foi feito.
E também assim se deu início a um costume bárbaro, que se prolongou até aos dias de hoje, não se sabe bem porquê, até porque a velha acabou por morrer, muito, muito carcomida. Os homens, que tinham problemas com a virilidade deles, continuaram a tê-los, e as mulheres, desesperadas, começaram, também elas, a matar gatos pretos nos dias 13, de sextas-feiras de um qualquer mês, com a esperança de… pois… isso mesmo que estão a pensar.
Mas quantos mais gatos matavam, mais azar tinham… E nem sequer davam por isso.
Até que uma outra velha, menos velha, surgiu por aquelas bandas, e disse: «Então não sabem que matar gatos pretos dá azar e se for a uma sexta-feira 13 o azar prolongar-se-á por sete longos anos, tantos, quantas as vidas dos gatos, que são precisamente sete…?»
Ouviu-se um burburinho… Mas ninguém acreditou.
E até hoje, homens e mulheres continuam a torturar e a matar gatos pretos, indiferentes aos sete anos de azar, e nem sequer se dão conta disso.
Ah! Qual o nome da velha, muito velha?
Chamava-se Senhora Maria da Ignorância.
E o da velha, menos velha?
Esse não sei, mas poderia ser qualquer coisa como Maria Vai a Caminho da Evolução?...
É que ainda há-de aparecer uma outra velha que dirá que torturar e matar gatos pretos, em pleno século XXI da era cristã, é coisa da Senhora Maria da Ignorância, que viveu no tempo das trevas.
© Isabel A. Ferreira
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Segunda-feira, 9 de Fevereiro de 2026

Porque o pacto está feito [há quem escreva pato], e fosse qual fosse o inquilino de Belém, qualquer um dos que ficaram de fora NÃO garantiria a defesa e a consideração pela Constituição da República Portuguesa (CRP).
Milhares de palavras já foram gastas, a este respeito, em vão.
Agora que ando a organizar o Arquivo dos textos publicados no Blogue «O Lugar da Língua Portuguesa» vejo (já não me lembrava do muito que aqui se escreveu) que este era o lugar onde a Língua de Portugal estava segura, pela quantidade de artigos que uma infinidade de muito ilustres portugueses e brasileiros escreveu, com provas mais do que comprovadas, sobre a ilegalidade e inconstitucionalidade do AO90 – apenas os governantes, professores, comunicação social acordista, magistrados e presidentes da República passaram e continuam a passar por essa ilegalidade e inconstitucionalidade como o cão por vinha vindimada, ou seja, passar sem querer que se perceba que se passa. Fonte: “ETNOGRAFIA PORTUGUESA” – Livro III – José Leite de Vasconcelos.
Não é nada com eles. A Língua Portuguesa não lhes diz respeito. Eles escrevem conforme lhes dá na telha. O que interessa é poder estar no Poder. Prometem o que não podem cumprir. Todos os candidatos prometeram defender a CRP, mal sabendo que, ao não saberem grafar a sua Língua Materna, violam a Constituição.
Ninguém tem intenção de desfazer o pacto, tal como o outro interlocutor desse pacto desfez os acordos que assinou, mas nunca cumpriu.
A subserviência dos governantes portugueses ao senhor de engenho ultrapassa toda a razoabilidade, a lucidez, a lógica do dever para com a defesa e cumprimento da Constituição da República Portuguesa. E quem se importa com isto?
Não pensemos que com Seguro a nossa Língua vá estar segura em Belém. Não vai.
Seguro é acordista. Usa o mixordês, junta a grafia portuguesa com a grafia brasileira, num mesmo texto, aliás como todos os acordistas fazem, incluindo professores. É adepto de dizer portuguesas e portugueses. Já se vê por esta aragem quem vai na carruagem, e no que NÃO vai fazer pela Língua de Portugal.
No próximo dia 09 de Março, Seguro jurará defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa, e essa será a sua primeira mentira como Presidente da República. A não ser que, respeitando-se a si próprio, desfaça o pacto e diga o dito pelo não dito, bem alto, para o mundo ouvir: em Portugal mandam os Portugueses. Mandaremos o AO90 às malvas, e o nosso maior símbolo identitário, a Língua de Portugal, regressará à sua Genetriz.
Só assim teremos um PR diferente de Marcelo Rebelo de Sousa, no que a esta questão gravíssima diz respeito.
Isabel A. Ferreira
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Quinta-feira, 5 de Fevereiro de 2026
Vamos partilhar e enviar e-mails ao governo e á RTP


Vamos mostrar que a sociedade portuguesa não quer este retrocesso civilizacional e esta violência e crueldade de volta à televisão pública!
Ajudem a difundir esta mensagem! Obrigado 
Identifica RTP República Portuguesa
@gov_pt @luismontenegro
Contra o regresso das touradas à RTP
Devido ao protesto de milhares de cidadãos ao provedor do telespectador na RTP – o maior protesto de sempre na TV Pública – a emissão de touradas finalmente terminou em 2020.
Nos outros canais privados já havia terminado anos antes.
Agora, o Governo actual do PSD/CDS quer voltar a reintroduzir as touradas RTP. É urgente dares a tua opinião ao Provedor para impedir que estes massacres voltem à televisão que somos todos que pagamos com os nossos impostos e taxas. Basta de abusos e de violência contra touros e cavalos. Basta de atrocidades bárbaras.
Vamos demonstrar a nossa força! Ajuda os animais!
Precisam de ti para que o faças por eles. Envia uma mensagem ao Ministro, Governo, Provedora e Direção da RTP:
Formulário para contactar Ministro da Presidência:
https://www.portugal.gov.pt/pt/gc24/area-de-governo/presidencia/contactos
Formulário para contactar Provedora do Telespectador:
https://media.rtp.pt/empresa/provedores/enviar-mensagem-ao-provedor-do-telespectador
E-mails:
gabinete.pm@pm.gov.pt, gabinete.mp@mp.gov.pt, provedor.telespectador@rtp.pt, cgi@rtp.pt
Mensagem sugerida:
(podem e devem fazer alterações no texto)
Exmos/as Srs/as,
Tem sido noticiado que a Prótoiro e o governo pretendem que a RTP volte a transmitir touradas na sua emissão, o que a acontecer, seria um retrocesso inaceitável. Lembro que as linhas de estratégia que o Conselho Geral Independente estabeleceu para a RTP, valorizam o respeito pelo bem-estar animal. Além disso, a transmissão de touradas foi, por muitos anos, o principal motivo de queixa dos telespectadores pelo conteúdo extremamente violento e cruel. Espero que tenham em conta os efeitos negativos deste retrocesso e garantam o respeito pela opinião dos telespectadores e a salvaguarda do serviço público que não pode incluir a emissão de violência e maus tratos a animais.
Com os melhores cumprimentos e fé no bom senso de todos os envolvidos,
Isabel A. Ferreira