Terça-feira, 2 de Dezembro de 2025

«75 Seminários» é um texto interessantíssimo, da autoria de Manuel Alte da Veiga, e como o Saber não ocupa lugar, recomendo que o leiam...

 

Manuel Alte da Veiga.png

 

Aos 11 anos, entrei no seminário dos Jesuítas, conhecido por «Escola Apostólica». Por si, um nome a aprofundar. Nessa altura, só conhecia mais um seminário – dos Salesianos. Achava mais que suficiente. E fiquei baralhado ao saber de seminários por toda a parte. Mais: haver seminários nas universidades, empresas e sei lá que mais.

 

Felizmente, o meu seminário inicial preparou-me para não fugir de coisas que não percebia. A pôr pelo menos entre parênteses, como ainda hoje faço com o problemático e até abusado conceito de dogma (que materializa ou racionaliza o que está infinitamente acima quer do material quer do racional). À medida que me debatia com diversos cursos superiores, foi-se revelando o sentido profundo, utilidade e abertura de horizontes, nessas reuniões em que um ou diversos peritos dialogavam com os mais novos, levando a sério perguntas até aparentemente simplórias, mas talvez por isso observações com a clareza, autenticidade e o valor da dimensão humana, dando a importância devida aos sentimentos em todos os problemas.

 

Os seminários passaram assim a ser o processo ideal para autêntica «educação» – ou «extracção» da riqueza de cada qual. Para que os vários ângulos de visão sejam todos eles tidos em conta, apontando assim os temas de maior consenso e sem denegrir os de menor consenso ou mesmo isolados. A verdade não depende de «maiorias» nem «minorias». Depende de nunca deixarmos de a procurar e facilitar uma pesquisa e decisão honestas.

 

75 seminários? Quantas vezes 75?

 

É claro: cada seminário tem o seu modo de agir e de organização. Até a mesma instituição, por muito notável que tenha vindo a ser, é 1 seminário por cada ano que passa e, muito importante, 1 seminário PARA CADA ANO.

 

O Seminário de Santa Joana tem sido imprescindível farol que avisa sobre as situações com maior ou menor perigo, pondo à disposição de quem quiser «o mapa mais completo possível da vida humana». 75 aventuras – para todos os que se serviram das diversas riquezas dessa instituição. Como outros seminários, alertou para trajectórias egoístas, fraudulentas, destruidoras… que desumanizam mestres e discípulos.

 

E cada família ou cada grupo de amigos ou conhecidos não poderão formar um seminário? À volta da mesa, num jardim… até os sonhos têm lugar e se discute informalmente e com amizade tudo o que nos sai do coração: «Mas por que queres isso? Achas que podes? Bem, pelo que dizes… E se gostas tanto do que dizes, não achas que poderias vir a ser um bom padre – ou uma boa freira?… E não faltam duras aventuras!»

 

Seminário virá de semente? Assim pensava e com alguma razão: no séc. XIV, seminarium designava terreno apto para fazer crescer novos vegetais, ganhando o significado de fonte, causa… No séc. XVI, já tinha o sentido actual. Vale ainda a pena referir que na época clássica ganhava o estatuto de «princípio vital de um fenómeno». Guarda o sentido de semente (sémen em latim) para uma profissão. Pouco a pouco, designou o edifício próprio para seminários.

 

 *******

Do radical indo-europeu SE, provêm semear (latim serere, inglês sow), disseminar, inseminar… e o inglês season, que apontava a «estação do ano» mais favorável para o trabalho agrícola – como o francês saison e vários termos agrícolas portugueses:  sazão, sazoado, sazonar, sazonado…

 

A agricultura tem profunda representação simbólica no processo educativo em geral. Os exemplos dados têm todos o sentido alargado de agradável, oportuno.

 

Por tudo isto: LAUDATO SI’ !

 

Quem diria que os nossos campos eram seminários! E tantos com muito mais do que 75 sazões!

2025.11.16. Manuel Alte da Veiga.

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:30

link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos

Mais sobre mim

Pesquisar neste blog

 

Janeiro 2026

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
13
15
16
17
18
19
20
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

Posts recentes

Caros leitores e subscrit...

Candidatos à Presidência ...

Votar em branco é voto de...

Boas Festas a todos os qu...

Carta Aberta aos candidat...

Alerta de Acção: todos os...

«Bicadas do meu Aparo»: “...

O AO90 é um tabu tão gran...

O que espero de um Presid...

«75 Seminários» é um text...

Arquivos

Janeiro 2026

Dezembro 2025

Novembro 2025

Outubro 2025

Setembro 2025

Agosto 2025

Julho 2025

Junho 2025

Maio 2025

Abril 2025

Março 2025

Fevereiro 2025

Janeiro 2025

Dezembro 2024

Novembro 2024

Outubro 2024

Setembro 2024

Agosto 2024

Junho 2024

Maio 2024

Abril 2024

Março 2024

Fevereiro 2024

Janeiro 2024

Dezembro 2023

Novembro 2023

Outubro 2023

Setembro 2023

Agosto 2023

Julho 2023

Junho 2023

Maio 2023

Abril 2023

Março 2023

Fevereiro 2023

Janeiro 2023

Dezembro 2022

Novembro 2022

Outubro 2022

Setembro 2022

Agosto 2022

Junho 2022

Maio 2022

Abril 2022

Março 2022

Fevereiro 2022

Janeiro 2022

Dezembro 2021

Novembro 2021

Outubro 2021

Setembro 2021

Agosto 2021

Julho 2021

Junho 2021

Maio 2021

Abril 2021

Março 2021

Fevereiro 2021

Janeiro 2021

Dezembro 2020

Novembro 2020

Outubro 2020

Setembro 2020

Agosto 2020

Julho 2020

Junho 2020

Maio 2020

Abril 2020

Março 2020

Fevereiro 2020

Janeiro 2020

Dezembro 2019

Novembro 2019

Outubro 2019

Setembro 2019

Agosto 2019

Julho 2019

Junho 2019

Maio 2019

Abril 2019

Março 2019

Fevereiro 2019

Janeiro 2019

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Agosto 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Direitos

© Todos os direitos reservados Os textos publicados neste blogue têm © A autora agradece a todos os que os divulgarem que indiquem, por favor, a fonte e os links dos mesmos. Obrigada.
RSS

AO90

Em defesa da Língua Portuguesa, a autora deste Blogue não adopta o Acordo Ortográfico de 1990, nem publica textos acordizados, devido a este ser ilegal e inconstitucional, linguisticamente inconsistente, estruturalmente incongruente, para além de, comprovadamente, ser causa de uma crescente e perniciosa iliteracia em publicações oficiais e privadas, nas escolas, nos órgãos de comunicação social, na população em geral, e por estar a criar uma geração de analfabetos escolarizados e funcionais. Caso os textos a publicar estejam escritos em Português híbrido, «O Lugar da Língua Portuguesa» acciona a correcção automática.

Comentários

Este Blogue aceita comentários de todas as pessoas, e os comentários serão publicados desde que seja claro que a pessoa que comentou interpretou correctamente o conteúdo da publicação, e não se esconda atrás do anonimato. 1) Identifiquem-se com o verdadeiro nome. 2) Sejam respeitosos e cordiais, ainda que críticos. Argumentem e pensem com profundidade e seriedade, e não como quem "manda bocas". 3) São bem-vindas objecções, correcções factuais, contra-exemplos e discordâncias. 4) Serão eliminados os comentários que contenham linguagem ordinária e insultos, ou de conteúdo racista e xenófobo. 5) Em resumo: comentem com educação, atendendo ao conteúdo da publicação, para que o vosso comentário seja aceite.

Contacto

isabelferreira@net.sapo.pt