
Por José Moreno
Desde há meses que ouço dizer, com a maior das certezas: “A nossa economia precisa de imigrantes.” O que me impressiona não é a frase, mas a convicção com que é repetida, como se fosse uma verdade absoluta quando é, na realidade, uma mentira conveniente.
E o mais curioso é que esta convicção não nasce do povo. Vem quase sempre das mesmas vozes de sempre, instaladas nos estúdios de televisão e nos painéis de opinião. Jornalistas, comentadores e especialistas de carreira que nunca criaram riqueza com as próprias mãos, mas que falam da economia como se fossem eles que a carregam às costas.
Dizem-no com a solenidade de quem enuncia uma lei da física. E quem ousa questionar é logo rotulado de ignorante, retrógrado, xenófobo, etc.
Mas esta frase, tão polida à superfície, é apenas mais uma das mentiras úteis do status quo. Não é uma constatação económica. É uma confissão moral involuntária.
Quando um país afirma que “precisa” de imigrantes para fazer o que o seu povo “não quer”, o que está realmente a dizer é: precisamos que o trabalho continue barato, mesmo que isso custe a dignidade de quem o faz.
Imaginemos um Portugal com dez milhões de habitantes, fechado sobre si próprio. Se ninguém quiser apanhar uvas a três euros à hora, o vinicultor não encerra o negócio; aumenta o salário até alguém aceitar. É assim que o mercado corrige a escassez: os preços sobem até o trabalho voltar a ser digno.
Mas quando o estado e os seus ideólogos abrem as fronteiras a fluxos massivos de mão-de-obra barata, essa escassez, que é o motor natural da valorização, desaparece.
O preço do trabalho cai artificialmente, e com ele o incentivo à inovação, à mecanização e à produtividade.

O mesmo se passa com o urbano moderno que exige o jantar entregue à porta. Se não houver quem o faça por três euros, levanta-se e vai buscá-lo? Não. Paga mais a quem o traga.
É o mercado a funcionar.
Mas a propaganda convence-o de que a solução é importar quem o sirva por menos, e assim transforma-o, sem que perceba, num cúmplice satisfeito de um sistema assente na exploração.
A mentira da “economia que precisa de imigrantes” só se sustenta numa sociedade moralmente anestesiada, numa sociedade que já perdeu o sentido da dignidade e da relação entre causa e efeito.
Os políticos e os “jornalistas” que a promovem não são ingénuos. São sacerdotes de um culto moderno onde a virtude se mede pelo ar de compaixão e solidariedade, enquanto se perpetua a desigualdade que fingem lamentar.
Chamam-lhe “inclusão”, ao mesmo tempo que destroem o valor do trabalho local e empurram os nossos próprios jovens para a emigração.
A Escola Austríaca explicou há muito que preços e salários são sinais, não instrumentos de política. Interferir neles, através da inflação, do crédito fácil ou da entrada massiva de mão-de-obra barata, é distorcer o cálculo económico.
E quando a realidade é distorcida o suficiente, a mentira torna-se lei e a pobreza transforma-se em política pública.
Portugal não precisa de mais imigrantes para fazer o que os portugueses não querem. Precisa que o trabalho volte a valer o que custa. E se, por isso, o vinho ou o jantar entregue à porta ficarem mais caros, óptimo. Significa que finalmente estamos a pagar o preço real das coisas e a deixar de viver à custa de quem tem menos voz, menos direitos e menos escolha.
A verdade é simples e inconveniente: não é a economia que precisa de imigrantes. São os donos da economia que precisam de servos modernos para manter o sistema de pé.
E os “jornalistas” que o defendem são apenas os seus porta-vozes bem pagos, disfarçados de moralistas.
Fonte: https://www.facebook.com/photo?fbid=1109268094740416&set=a.117925873874648